Categoria: MPPB

  • Bebida adulterada: CAO Consumidor orienta promotores a recomendarem fiscalizações

    Bebida adulterada: CAO Consumidor orienta promotores a recomendarem fiscalizações

    O Centro de Apoio Operacional do Consumidor do Ministério Público da Paraíba encaminhou, nesta terça-feira (07/10), aos promotores de Justiça que atuam na área em todo o Estado minutas de ofício e de recomendação a ser expedida aos municípios paraibanos com medidas a serem adotadas para fiscalização de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas, visando coibir a comercialização de bebida adulterada com metanol. De acordo com o coordenador do CAO do Consumidor, procurador Sócrates Agra, o material tem como base a Nota Técnica nº 03/2025 da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

    A minuta recomenda que os municípios determinem que os órgãos consumeristas fiscalizem os estabelecimentos comerciais (bares, restaurantes, depósitos de bebidas e congêneres) que realizam a venda de bebidas alcoólicas, devendo ser observado as recomendações de aquisição, recebimento, armazenamento e sinais de adulteração previstas na nota técnica.

    Também é recomendado que, diante de suspeita de adulteração, deve-se interromper imediatamente a venda ou serviço do lote, isolar as unidades, registrar horário e responsáveis, preservar evidências (caixas, garrafas, rótulos) e manter ao menos uma amostra íntegra por lote para eventual perícia.

    Nota técnica

    A nota técnica da Senacon recomenda que os estabelecimentos devem adquirir bebidas exclusivamente de fornecedores formais (CNPJ ativo e regularidade no segmento), mantendo cadastro atualizado, contrato/comprovantes e documentação comprobatória de regularidade. Além disso, toda compra deve ser acompanhada de nota fiscal válida.

    No recebimento da mercadoria, deve-se instituir procedimento operacional padrão de conferência com dupla checagem presencial: abertura de caixas na presença de duas pessoas; registro de rótulos e lotes; anotação de data, quantidade, fornecedor, número e  chave da NF-e.

    A nota aponta ainda como sinais de alerta para suspeita de adulteração: preço muito abaixo do pra;cado, lacre/cápsula tortos, vidro com rebarbas, erros grosseiros de ortografia ou acabamento gráfico, lote divergente da nota, odor irritante ou de solvente e relatos de consumidores com visão turva, dor de cabeça intensa, náusea, tontura ou rebaixamento do nível de consciência após consumo.

  • CAO Criança e Adolescente lança boletim com atualizações legais e jurisprudenciais

    CAO Criança e Adolescente lança boletim com atualizações legais e jurisprudenciais

    O Centro de Apoio Operacional às promotorias de Justiça de defesa da Criança e do Adolescente disponibilizou aos membros do Ministério Público da Paraíba um Boletim Informativo com atualizações em leis e em jurisprudências na área da infância e juventude. 

    De acordo com a coordenadora do CAO, a promotora de Justiça Fernanda Pettersen de Lucena, a publicação online elaborada a partir de pesquisas e estudos realizados pelo Centro de Apoio terá periodicidade semestral e trará também, em cada edição, um assunto de interesse prático. A primeira edição do boletim também versa sobre o serviço de acolhimento familiar. 

    O boletim disponibilizado este mês aborda, dentre outras matérias, três novos dispositivos legais de proteção ao público infantojuvenil: a Lei 15.100/2025 (que regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis por estudantes nas escolas, estabelecendo diretrizes para o uso pedagógico e limitações necessárias), a Lei 15.108/2025 (que altera a Lei 8.213/91 para equiparar ao filho do segurado a criança ou adolescente sob guarda judicial, garantindo proteção previdenciária desde que não possua condições de próprio sustento e educação) e a Lei 15.211/2025 (que institui o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, estabelecendo a proteção integral em ambientes digitais, combatendo crimes online e regulamentando o uso seguro da internet). 

    A coordenadora do CAO destacou que a iniciativa visa auxiliar os membros do MPPB. “Esperamos que apreciem e que o conteúdo seja útil”, disse.

  • MPPB e Estado discutem renovação de cooperação para garantir continuidade do CAI

    MPPB e Estado discutem renovação de cooperação para garantir continuidade do CAI

    O Ministério Público da Paraíba (MPPB),  secretarias estaduais, polícias Civil e Científica, Tribunal de Justiça (TJPB) e a direção do Hospital Infantil Arlinda Marques se reuniram, nessa segunda-feira (6/10),  para avançar nas tratativas de um novo Termo de Cooperação Técnica que visa garantir a continuidade, melhoria e expansão do Centro de Atendimento Integrado (CAI) às crianças e aos adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. O serviço foi implantado pelo Governo do Estado, em 2021, no Hospital Infantil Arlinda Marques, em João Pessoa, após provocação do MPPB. Mais de 150 atendimentos já foram realizados, a maior parte deles em razão de violência sexual praticada contra meninas de até 12 anos de idade. 
     
    A reunião aconteceu na Sala de Sessões da Procuradoria-Geral de Justiça, em João Pessoa. Participaram o procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans; a coordenadora do Centro de Apoio Operacional às promotorias de Justiça de defesa da Criança e do Adolescente (CAO Criança e Adolescente), a promotora de Justiça Fernanda Pettersen de Lucena; a secretária de Desenvolvimento Humano do Estado, Pollyanna Wertton e representantes das secretarias de Estado do Planejamento, Saúde e Segurança Pública. Também participaram representantes da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJPB e da coordenação do CAI. 

    Quintans destacou a importância do Centro de Atendimento Integrado e reiterou o apoio do MPPB para a celebração da cooperação técnica. “A renovação e a continuidade desse serviço é importante para todos, principalmente para as crianças e os adolescentes vítimas ou testemunhas de violências. O direito do público infantojuvenil é uma pauta prioritária para o Ministério Público. Estamos empenhados em dialogar com todos os setores para que cheguemos a um Termo de Cooperação Técnica que proteja e promova os direitos dessas crianças e adolescentes”, disse.

    O CAI

    O CAI foi criado para oferecer um serviço especializado e multiprofissional humanizado a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, oportunizando a eles receberem, em um único local, atendimento à saúde, fazer o registro da ocorrência criminal, prestar depoimento especial perante a autoridade policial e realizar perícias. Tudo isso para evitar a revitimização. 

    A promotora de Justiça Fernanda Pettersen de Lucena explicou que a tratativa de um novo Termo de Cooperação Técnica se deve à proximidade do vencimento do termo já celebrado (1º de dezembro), bem como à necessidade de ajustes e inclusões de novas obrigações, decorrentes das demandas de atendimento. 

    A coordenadora do CAO Criança e Adolescente destacou também que o MPPB reforça seu compromisso com o princípio da proteção integral de crianças e adolescentes e que o objetivo da instituição é garantir a continuidade e o aprimoramento do CAI. “Não podemos permitir um retrocesso social representado pela perda desse serviço que é prestado de forma tão dedicada pelos profissionais que lá atuam. A Paraíba precisa responder à sociedade em relação à garantia da proteção dos direitos das nossas crianças e adolescentes, já que os dados revelam que as crianças de até 6 anos de idade são as principais vítimas de violência” disse. 

    Um dos assuntos discutidos na reunião foi a proposta de expansão, com a descentralização do CAI para atender e facilitar o acesso de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, em outras regiões da Paraíba.

    Deliberações

    De acordo com a promotora de Justiça ficou deliberado que os pactuantes farão, na próxima segunda-feira (13/10), uma nova reunião intersetorial para análise conjunta do novo Termo de Cooperação Técnica, promovendo os ajustes necessários. Ficou ajustado também o prazo de 10 dias para que eles apresentem o novo termo ao MPPB. “A reunião teve como objetivo fortalecer o serviço do CAI por meio de um diálogo construtivo entre todos os órgãos envolvidos. Foi bastante produtiva. A expectativa é de que o termo seja assinado ainda em outubro”, disse. 

  • MP participa de assinatura de decreto que cria o Monumento Natural Itacoatiaras do Ingá

    MP participa de assinatura de decreto que cria o Monumento Natural Itacoatiaras do Ingá

    A coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do Ministério Público da Paraíba, promotora de Justiça Cláudia Cabral Cavalcante, participou, nesta terça-feira (07/10), da solenidade de assinatura do decreto de criação da Unidade de Conservação de Proteção Integral – o Monumento Natural Itacoatiaras do Ingá, pelo governador João Azevêdo. A iniciativa tem o objetivo de proteger o sítio arqueológico de arte rupestre, possibilitar a realização de pesquisas científicas e promover o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental.

    A promotora Cláudia Cabral celebrou a assinatura do termo de criação do Monumento Natural Itacoatiaras do Ingá. “É uma satisfação testemunhar esse ato de transformação em uma unidade de conservação porque fui promotora de Ingá por mais de 20 anos e já fizemos pesquisa no local”, comentou.  

    Segundo a coordenadora do CAO, esse ato, além de proteger as formações rochosas, também abre caminho para o desenvolvimento de pesquisas científicas, investimentos em infraestrutura local, preservação ambiental com status oficial, preservação da vegetação nativa, ações de educação patrimonial e o turismo sustentável. Esse patrimônio arqueológico teve como primeiro instrumento de proteção termo de ajustamento de conduta firmado no ano de 2012 pela promotora de Justiça, Cláudia Cabral, à época promotora de Defesa do Meio Ambiente de Ingá. 

    Ações

    Na unidade de conservação também serão realizadas ações para garantir a conservação da biodiversidade e assegurar a mitigação de carbono atmosférico (CO2); proteger áreas e biomas da Caatinga e Mata Atlântica, contribuindo para a preservação e a restauração da diversidade deste ecossistema natural; e conservar trecho do Rio Ingá, preservando os recursos hídricos utilizados pelas comunidades do Agreste Paraibano.  

    Conforme informações do Governo do Estado serão executadas obras orçadas em mais de R$ 29,3 milhões no local, por meio da Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan). O local contará com espaço de recepção, conscientização e exposição, lojas de souvenir, sala multiuso para atividades educacionais de conscientização, sala dos pesquisadores, alojamentos feminino e masculino, restaurante, laboratório, sala de exposição permanente, dentre outros ambientes.  

    Na oportunidade, o chefe do Executivo estadual ressaltou a importância da ação para a preservação ambiental e turismo sustentável. “Essa é uma intervenção grandiosa e definitiva que iremos realizar com recursos próprios para dotar de toda a infraestrutura o Monumento Natural Itacoatiaras do Ingá, que passará a receber turistas internacionais e nacionais com todo conforto, além de promover a preservação com controle e fiscalização. Já autorizamos a Suplan a publicar o edital de licitação e estamos muito felizes de garantir essa transformação tão esperada”, frisou.  

    A secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Rafaela Camaraense, destacou que a iniciativa representa um marco para a preservação e desenvolvimento sustentável da unidade de conservação. “Além da preservação que a gente garante por Lei, nós teremos a capacidade de atrair mais turistas em um local que tem uma riqueza muito grande e as pessoas precisam conhecer porque faz parte da história da humanidade. O governador vai fazer uma grande obra para que tenhamos as condições de receber os visitantes do Brasil e do mundo porque o que temos na região é singular”, falou.  

    O prefeito de Ingá, Jan de Manoel da Lenha, agradeceu ao governador por assegurar um investimento que irá impulsionar a economia do município. “Como cidadão e prefeito que vem acompanhando há muito tempo essa luta, eu agradeço ao governador por essa iniciativa grandiosa que vai colocar Ingá em um outro patamar. Esse é um monumento intrigante e que tem recebido o reconhecimento do governo”, disse.  

    Estiverem presentes o vice-governador Lucas Ribeiro; o secretário da Infraestrutura e dos Recursos Hídricos, Deusdete Queiroga; a secretária do Turismo e Desenvolvimento Econômico, Rosália Lucas; o secretário executivo do Desenvolvimento Sustentável, Radomécio Leite; o diretor técnico da Suplan, Luiz Rabelo; a  diretora executiva do Iphaep, Tânia Queiroga; e a  diretora executiva-financeira da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), Elisete Andreoli.

    Com informações e fotos da Secom/PB

  • MP-Procon de CG promove reunião para tratar da venda de bebidas alcoólicas

    MP-Procon de CG promove reunião para tratar da venda de bebidas alcoólicas

    A Diretoria Regional do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público da Paraíba se reuniu, nesta quarta-feira (08/10), com representantes do Município de Campina Grande, de órgãos da Segurança Pública, Ministério da Agricultura, Vigilância Sanitária Municipal, Procon Municipal, do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Campina Grande e Interior da Paraíba e de estabelecimentos comerciais para tratar da venda de bebida alcoólica e das recentes notícias acerca da contaminação por metanol.

    A audiência foi realizada no auditório da sede do MPPB em CG e presidida pelo diretor regional do MP-Procon, promotor de Justiça Osvaldo Lopes Barbosa.  A reunião foi realizada com base no envio da recomendação pelo Centro de Apoio Operacional do Consumidor. 

    Na reunião, foi apresentada essa recomendação para que a Vigilância Sanitária, Procon Municipal e outros órgãos realizem fiscalização rigorosa, de forma preventiva e repressiva (com apoio da segurança pública, quando necessário), e anteriormente aos eventos agendados em Campina Grande, com avaliação das bebidas que serão comercializadas. Ainda foi recomendado que, em caso de identificação de bebidas sem notas fiscais, seja feito o recolhimento e apreensão de forma necessária e técnica, para posterior averiguação.

    Ainda na reunião, o promotor Osvaldo Lopes explicou que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) prevê que é direito básico do consumidor a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.

    O diretor regional também explanou a Nota Técnica 03/2025 da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) que recomenda uma série de medidas a serem observadas pelos estabelecimentos comerciais (bares, restaurantes, depósitos de bebidas e congêneres) na aquisição, recebimento, armazenamento de bebidas alcoólicas bem como apresenta os sinais de adulteração que podem ser detectados.

    Essas ações fazem parte do Procedimento Administrativo instaurado pelo MP-Procon de Campina Grande para acompanhar a adoção de medidas preventivas e repressivas por parte da cadeia de produção e, especialmente de comercialização, como bares, restaurantes e supermercados, em razão da crise sanitária atualmente vivenciada no Brasil,

    decorrente da proliferação de bebidas potencialmente contaminadas pela substância química metanol, que causa distúrbios graves na saúde, levando inclusive à morte.

    Outra providência adotada foi o envio de ofício circular aos promotores de Justiça que atuam na área de jurisdição do MP-Procon de Campina Grande em que o órgão se coloca à disposição para fornecer apoio técnico e jurídico no âmbito das fiscalizações a serem realizadas nos órgãos de execução, em caso de eventual necessidade.

  • “Operação Retomada”: MPPB denuncia três pessoas por corrupção e lavagem de dinheiro

    “Operação Retomada”: MPPB denuncia três pessoas por corrupção e lavagem de dinheiro

    O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ofereceu denúncia em face do juiz Glauco Coutinho Marques; do filho dele, o médico Diego Otávio Melo Coutinho, e do advogado Adão Soares de Sousa, pela prática dos crimes de corrupção passiva e ativa qualificadas (previstos nos artigos 317, parágrafo 1º, e 333, parágrafo único, do Código Penal) e lavagem de dinheiro (artigo 1º, parágrafo 1º, I e II, da Lei nº 9.613/1998). 

    A denúncia (Processo 0817859-31.2025.8.15.0000) é um desdobramento da “Operação Retomada”, cuja investigação foi conduzida, por delegação, pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e na qual foi constatada a existência de uma sofisticada organização criminosa voltada à manipulação do Sistema de Justiça no Estado da Paraíba para obtenção de vantagens financeiras ilícitas.

    De acordo com o Gaeco, o esquema criminoso operava mediante a criação e utilização de diversas associações que, embora formalmente constituídas, funcionavam como veículos para a prática de fraudes em larga escala, por meio de decisões judiciais liminares que determinavam a exclusão de registros negativos em cadastros de proteção ao crédito, possibilitando que inadimplentes voltassem a obter crédito sem a quitação dos débitos; a suspensão irregular de descontos de empréstimos consignados em contracheques, ampliando artificialmente a margem consignável; a reativação ilegítima de créditos expirados em programas de fidelidade; e até mesmo a concessão clandestina de empréstimos a aposentados e pensionistas, posteriormente mascarados como “contribuições associativas”, com homologação judicial em comarcas manipuladas.

    Mercantilização da jurisdição

    A investigação aponta como principal articulador do esquema no Poder Judiciário da Paraíba o denunciado Glauco Coutinho Marques, juiz titular da Vara Única da Comarca de Gurinhém, que foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

    O esquema consistia na concessão sistemática, por parte do magistrado, de decisões favoráveis às associações de advogados ligadas à organização criminosa. “Sua atuação caracterizava-se por celeridade atípica – decisões proferidas minutos após a distribuição dos processos -, muitas vezes em segredo de justiça, sem fundamento legal, e sem a participação do Ministério Público em casos específicos”, diz a denúncia.

    Segundo o Gaeco, ficou comprovado que documentos judiciais, como ofícios e até minutas de decisões, eram elaborados externamente por escritório de advocacia pertencente a um dos advogados investigados na operação, e que a atuação ilícita do magistrado abrangia também ações individuais e empresariais de grande vulto financeiro de interesse dos advogados investigados, instrumentalizando a jurisdição da Comarca de Gurinhém para viabilizar interesses econômicos de terceiros sem qualquer vínculo com a localidade.

    A denúncia diz ainda que o desvio funcional do juiz também se manifestou em outras unidades judiciárias do Estado, onde atuou como substituto, e que o denunciado figura como réu em três ações penais (processos 0803292-34.2021.815.0000, 0000805-95.2019.815.0000 e 0803290-64.2021.815.0000), em trâmite no TJPB, por envolvimento em desvio de verbas públicas e fraudes em licitações, relativas a fatos anteriores ao seu ingresso na magistratura. 

    Para o MPPB, isso corrobora a propensão do denunciado a práticas ilícitas. “Tal histórico revela um padrão de comportamento que desabona sua conduta e reforça a necessidade de apuração rigorosa dos fatos ora denunciados. Importa destacar que as evidências não podem ser examinadas isoladamente, mas de forma integrada, pois, em conjunto, revelam um padrão consistente de conduta do magistrado, direcionado ao favorecimento ilícito de interesses privados. Essa análise holística do acervo probatório evidencia que não se trata de episódios casuais, mas de um método reiterado e sistemático de corrupção e desvio funcional”, argumentam os promotores de Justiça do Gaeco.

    Corrupção ativa

    O advogado Adão Soares de Sousa foi denunciado pelo crime de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. De acordo com o Gaeco, ele propôs 442 ações judiciais na Vara Única da Comarca de Gurinhém, onde atuava o juiz denunciado. As evidências de corrupção foram robustecidas a partir da quebra do sigilo bancário dos denunciados e da análise de diálogos extraídos do aparelho celular de Glauco Coutinho. 

    O MPPB também destaca que o advogado possui duas condenações criminais transitadas em julgado por crimes de peculato, que somam pena total de 7 anos e 2 meses, mas cujas execuções não foram cumpridas por aparente e deliberada inércia judicial do magistrado denunciado.  

    Já Diego Coutinho, filho do juiz Glauco Coutinho e médico recém-formado à época dos fatos, foi usado como “laranja” para a movimentação de valores e a aquisição de patrimônio (imóvel avaliado em R$ 650 mil), por isso foi denunciado pelo crime de lavagem de dinheiro. 

    Por essas razões, o MPPB requereu o recebimento da denúncia, com a instauração da ação penal, para que seja proferida sentença condenatória em face dos denunciados. Também pugnou pela reparação dos danos morais coletivos causados pelas infrações no valor de R$ 1 milhão, considerando a gravidade dos crimes praticados, a lesão à credibilidade do Poder Judiciário e à moralidade administrativa. 

    Procedimento autônomo

    O Gaeco também constatou a prática sistemática e generalizada de corrupção, envolvendo outros advogados com atuação recorrente na Comarca de Gurinhém. Os desdobramentos decorrentes do aprofundamento da investigação e a diversidade de atores envolvidos demandaram a instauração de um procedimento autônomo. “Tal medida é imprescindível para garantir a organização, a eficiência e a profundidade da apuração, evitando-se o tumulto processual no procedimento originário e permitindo que cada vertente criminosa seja devidamente esquadrinhada em sua plenitude”, explica o órgão ministerial.

  • PGJ realiza reunião administrativa com coordenadores dos Centros de Apoio

    PGJ realiza reunião administrativa com coordenadores dos Centros de Apoio

    O procurador-geral de Justiça do Ministério Público da Paraíba, Leonardo Quintans, promoveu uma reunião, na tarde desta terça-feira (7/10), com os coordenadores dos Centros de Apoio Operacional (CAOs) para tratar de ações e projetos institucionais para as respectivas áreas de atuação. Ao final, ficou deliberado que serão realizados encontros em Sousa, Patos, Campina Grande, Guarabira e João Pessoa para apresentação das propostas de ação da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) e dos CAOs e escuta dos promotores de Justiça.

    Participaram da reunião os coordenadores Fernanda Pettersen de Lucena (CAO Criança e Adolescente), Arthur Magnus Dantas de Araújo (CAO Patrimônio Público), Anne Emanuelle Malheiros (CAO Cidadania), Cláudia Cabral (CAO Meio Ambiente), Leonardo Pereira de Assis (CAO Saúde), Sócrates Agra (CAO Consumidor), Uirassu de Melo Medeiros (CAO Criminal), Raniere da Silva Dantas (CAO Educação) e Dulcerita Alves (CAO das Mulheres).

    Também estiveram presentes o 1º subprocurador-geral de Justiça, Luís Nicomedes de Figueiredo Neto; o secretário-geral João Benjamim Delgado Neto; a secretária de Planejamento e Gestão, Ana Maria França; e o diretor de Planejamento e Gestão, Jonatha Vieira de Sousa.

    Na ocasião, cada coordenador apresentou suas ideias e projetos para auxiliar o trabalho dos promotores de Justiça nas variadas áreas de atuação. 

    Para o procurador-geral de Justiça, a reunião foi bastante produtiva. “Discutimos as formas de trabalho e de apoio que os CAOs prestarão aos promotores durante a gestão e as linhas principais de atuação a serem discutidas com os membros nos encontros que ocorrerão em todo o estado”.

    Conforme a secretária de Planejamento e Gestão, Ana Maria França, os encontros terão o objetivo de escutar os anseios, sugestões e integrar o pensamento dos membros do MPPB com o planejamento estratégico para os próximos meses. “Levaremos a conhecer o que já temos em andamento, apresentaremos nossas propostas de ação e ouviremos o que eles têm a dizer sobre todos os temas relacionados aos CAOs”.

    Após a realização dos encontros, a Procuradoria-Geral, a Seplag e os Centros de Apoio vão se debruçar sobre o resultado para montar as estratégias de ação. 

     

  • CSMP homologa duas promoções e duas remoções de promotores de Justiça

    CSMP homologa duas promoções e duas remoções de promotores de Justiça

    O Conselho Superior do Ministério Público aprovou a promoção de dois promotores e a remoção de outros dois na sessão realizada na manhã desta segunda-feira (06/10).

    A 14ª Sessão Ordinária do Conselho foi presidida pelo procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans Coutinho, e teve as presenças do corregedor-geral, Francisco Antônio de Sarmento Vieira, e dos conselheiros Luis Nicomedes de Figueiredo Neto, Alexandre César Fernandes Teixeira, Glauberto Bezerra, José Guilherme Soares Lemos e Sócrates da Costa Agra e do secretário-geral, o promotor João Benjamim Delgado Neto.

    Depois de aprovada a ata da sessão anterior, os membros participantes passaram à ordem do dia, que incluía a promoção de dois promotores para a entrância final e a remoção de dois na inicial, de acordo com o plano de carreira do Ministério Público. 

    Entrância final

    Pelo critério de merecimento, Victor Joseph Widholzer Varanda dos Santos foi promovido ao cargo de 2º promotor de Justiça de Catolé do Rocha.

    Pelo critério de antiguidade, Rafael de Carvalho Silva Bandeira foi promovido ao cargo de 1º promotor de Justiça de Sousa.

    Entrância inicial

    Os conselheiros votaram pela remoção de Ernani Neves Rezende, pelo critério de antiguidade, ao cargo de promotor de Justiça de Caaporã. 

    Pelo mesmo critério, Juliana Cardoso Rocha teve a remoção aprovada para a Promotoria de Justiça de Sumé.

    Outras providências

    Ao fim da sessão, foi autorizada a publicação de edital, com prazo de inscrição de 10 dias, dirigida aos promotores de Justiça que desejarem integrar a lista de substituição, por convocação, a ser elaborada no último trimestre do ano, conforme determina o inciso VII do Art. 23 da Lei Orgânica do Ministério Público do Estado da Paraíba.

    Os conselheiros também aprovaram o voto de pesar proposto pelo procurador Alexandre César, pela morte do médico Vinícius José Gomes Formiga, irmão do promotor de Justiça do MPPB, Francisco Bergson Formiga.

     

  • Gaesf deflagra operação contra sonegação que teria causado prejuízo de R$ 110 milhões

    Gaesf deflagra operação contra sonegação que teria causado prejuízo de R$ 110 milhões

    O Grupo Operacional de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal do Estado da Paraíba (Gaesf) deflagrou nesta terça-feira (07/10) a “Operação Baronato”, que tem como objetivo desarticular um esquema criminoso de fraude fiscal estruturada, responsável por sonegar valores expressivos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na Paraíba, com prejuízo estimado em mais de R$ 110 milhões aos cofres públicos estaduais.

    Estão sendo cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão, além da determinação de bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados, advindos e expedidos pela 1ª Vara Regional das Garantias da Capital.

    O esquema fraudulento envolvia pessoas físicas e jurídicas sediadas nos municípios de João Pessoa e Campina Grande, no estado da Paraíba, além de Maringá/PR, Morro do Chapéu/BA e São Paulo/SP.

    O mecanismo central da fraude consistia na simulação de operações interestaduais, com o objetivo de evitar a incidência de ICMS e obter vantagem competitiva. Para tanto, o esquema criminoso constituía empresas com filiais em diversos estados do país, que eram utilizadas para internalizar e comercializar mercadorias na Paraíba sem o pagamento do imposto devido. A fraude ocorria por meio da simulação de transferência de estoque para o estado, quando, na realidade, as mercadorias eram entregues diretamente aos verdadeiros adquirentes sem o recolhimento de ICMS e, em vários casos, sem a emissão de nota fiscal. Num segundo momento, o esquema passou a se valer de transferências irregulares de créditos fiscais para dar continuidade com a prática criminosa. 

    Assim, por meio de empresas em nome de interpostas pessoas, os verdadeiros responsáveis apropriavam-se indevidamente de valores de ICMS (destinados a políticas públicas paraibanas), ocultavam o patrimônio, garantiam o anonimato e dificultavam a fiscalização.

    Os integrantes do esquema criminoso cometeram, em tese, os ilícitos de Crimes contra a Ordem Tributária/8.137/1990; de Organização Criminosa/12.850/2013; Falsidade Ideológica/Dec-Lei nº 2.848/1940 e Crime de Lavagem de Capitais/ 9. 613/1998, cujas penas máximas somadas ultrapassam 28 anos de reclusão.

    O Gaesf, braço operacional do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos da Paraíba (CIRA), é formado por integrantes do Ministério Público da Paraíba (MPPB), da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-PB),  da Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social (Sesds-PB) e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-PB).

    Na execução da Operação Baronato participam 25 auditores fiscais, 6 promotores de Justiça, 70 policiais civis, incluindo 13 delegados de polícia, e 4 procuradores do Estado. 

    A operação recebeu o nome Baronato em referência ao poder concentrado e à ampla influência exercida pelo grupo investigado, do qual uma das principais empresas tem no nome a figura de um barão. Assim como os antigos baronatos, caracterizados pela posse de extensos domínios e pela manutenção de privilégios acima da lei, a organização criou uma rede empresarial com filiais em diversos estados para ampliar seu alcance e praticar fraudes fiscais em larga escala. O nome simboliza, portanto, a estrutura hierárquica e a atuação articulada do esquema, que buscava preservar vantagens ilícitas à custa do erário.

    Mais detalhes da Operação Baronato serão concedidos em entrevista coletiva a ser realizada às 10:30h na sede do Ministério Público Estadual na cidade de Campina Grande/PB.

  • MP e PC alinham estratégias de investigação do homicídio de vereador de Jacaraú

    MP e PC alinham estratégias de investigação do homicídio de vereador de Jacaraú

    O Ministério Público da Paraíba promoveu, na manhã desta segunda-feira (06/10), uma reunião com representantes da Polícia Civil para tratar do alinhamento de estratégias para investigação do homicídio do vereador do município de Jacaraú, Peron Filho, ocorrido em setembro. Participaram da reunião os promotores de Justiça Lean Matheus de Xerez e Rafael Garcia e o delegado titular de Mamanguape Sylvio Rabelo.

    O promotor Lean Xerez explicou o objetivo do encontro. “A iniciativa dessa reunião do Ministério Público com o delegado que está investigando esse caso com o intuito de nós alinharmos a atuação tanto do Ministério Público quanto da Polícia Civil, nesse caso, que é bastante sensível. Então a finalidade maior foi essa, alinharmos a linha de investigação onde nós vamos atuar, onde nós vamos nos dedicar para chegar a elucidar esse fato”.

    Também, foi destacado pelo promotor a linha de investigação que está sendo utilizada. ”O que podemos informar à população neste momento é que estamos excluindo a possibilidade de latrocínio, e a partir daí vamos estreitar essa linha de investigação no sentido do homicídio”. 

    Em relação à visita do prefeito de Jacaraú à Procuradoria-Geral de Justiça, na semana passada, para tratar da questão, o promotor Lean Xerez informou que considera importante, mas enfatizou que o Ministério Público já vem atuando desde o início. “Já tínhamos pensado antes nessa reunião para afinar a nossa atuação junto com a Polícia Civil, porque o trabalho da PC é fundamental para que consigamos elucidar os crimes”.

    O delegado Sylvio Rabelo corroborou a linha investigativa. “Já tem uma linha de investigação em relação a esse caso e algumas pessoas já estão em vista da delegacia. Estamos descartando nesse momento o crime de latrocínio porque nada foi levado da vítima, inclusive a moto poderia ter sido subtraída do local mas não foi levada. Então estamos dentro da linha do homicídio um homicídio.”

    O delegado ainda reforçou o trabalho que está sendo realizado pela polícia. “Estamos trabalhando com afinco. Só pede aos familiares e à sociedade que tenham paciência porque temos que angariar todas as provas necessárias para a denúncia do Ministério Público e para o Judiciário. As investigações estão avançando e existe um reforço da Polícia Civil dentro de Jacaraú desde o momento do crime”.