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  • Especialista destaca impacto da IA no Judiciário e aponta cuidados necessários para uso responsável

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    Bruno Figueirêdo, doutor em Informática

    A Inteligência Artificial (IA) tem promovido mudanças significativas em diversos setores da sociedade, e o Poder Judiciário não é exceção. A crescente digitalização dos processos e a demanda por maior celeridade e eficiência vêm impulsionando a adoção de tecnologias baseadas em IA no sistema judicial brasileiro.

    Para Bruno César Barreto de Figueirêdo, doutor em Informática, o uso da IA generativa no Judiciário acontecerá de forma progressiva, integrando-se às rotinas já estabelecidas. “Na prática, essas ferramentas atuarão como assistentes inteligentes, auxiliando na elaboração de minutas de decisões, despachos e votos, respondendo a consultas sobre jurisprudência, gerando resumos automáticos de peças processuais volumosas e até mesmo identificando contradições ou omissões em textos jurídicos”, disse.

    Segundo ele, um(a) magistrado(a) poderá solicitar à IA, por exemplo: “Resuma a petição inicial do processo X” ou “elabore um esboço de sentença com base nesses fundamentos”. Para Bruno Figueirêdo, a ideia não é substituir a atividade jurisdicional, mas sim oferecer uma base produtiva e confiável para acelerar etapas técnicas e repetitivas.

    Sobre a possibilidade de agilizar o tempo de tramitação dos processos, Bruno afirma que a IA pode contribuir de maneira bastante significativa. “Ela reduz o tempo de análise documental, acelera a produção de atos judiciais e otimiza pesquisas jurídicas, contribuindo diretamente para a celeridade processual, conforme previsto no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal”, observou.

    Além disso, ao automatizar tarefas de apoio, o doutor em computação afirmou que a IA libera servidores(as) e magistrados(as) para atividades mais analíticas e estratégicas, reduzindo gargalos causados pelo alto volume de trabalho.

    IA generativa
    Bruno Figueirêdo, Max Nunes e Daniel Melo: IA na Justiça

    As principais aplicações da IA no âmbito judicial incluem: a elaboração automática de minutas de decisões e despachos; resumos de peças processuais; pesquisa jurisprudencial otimizada; análise preditiva de julgamentos (com base em decisões anteriores); identificação de precedentes vinculantes; classificação e triagem automática de processos (como já ocorre em projetos-piloto no Superior Tribunal de Justiça e no Tribunal Superior Eleitoral); detecção de inconsistências ou omissões em documentos judiciais; e apoio ao cumprimento de metas de produtividade com dashboards inteligentes.

    “Essas soluções já são realidades em diversos tribunais do país e podem ser customizadas para o Tribunal de Justiça da Paraíba, respeitando a infraestrutura, o perfil da demanda e os recursos humanos disponíveis”, disse Bruno Figueirêdo.

    Apesar dos avanços, o especialista alerta que o uso da IA requer cuidados cruciais. “É essencial que as decisões continuem sendo humanas. A IA atua como um copiloto, não como o juiz do caso”, afirmou.

    Entre os pontos de atenção, o especialista destaca: privacidade e proteção de dados (em conformidade com a LGPD); evitar alucinações da IA (respostas incorretas com aparência de verdade); auditorias e validação humana constante dos resultados gerados; treinamento dos modelos com bases confiáveis, preferencialmente internas ao Judiciário; e registro e rastreabilidade do uso da IA em decisões, para preservar a motivação e controle jurisdicional.

    Curso – Até a sexta-feira (11), o especialista Bruno Figueirêdo ministrou, na sede da Escola Superior da Magistratura da Paraíba (Esma-PB), em João Pessoa, o curso ‘Transformação Digital no Judiciário: O Poder da IA Generativa’. A formação, que ocorreu de forma presencial, é voltada a magistrados(as), assessores(as), analistas e técnicos judiciários do Poder Judiciário estadual.

    IA generativa
    Juiz Max Nunes

    O juiz auxiliar da Vice-presidência do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), Max Nunes de França, participou da abertura das atividades no último dia de aula. Na ocasião, ele destacou a importância de dominar o uso consciente e estratégico da inteligência artificial no cotidiano da Justiça.

    “Essa tecnologia tem se integrado cada vez mais à nossa rotina de trabalho, seja na tarefa de resumir processos seja na sistematização de decisões. Saber utilizá-la de forma eficiente, e sempre em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) neste ano, é essencial para o desempenho das atividades diárias no Judiciário”, disse.

    Já o diretor da Diretoria de Tecnologia da Informação do TJPB (Ditec), Daniel Ayres de Melo, reforçou que o tema da Inteligência Artificial vem sendo amplamente debatido nos tribunais de todo o país, e o TJPB não pode ficar de fora desse movimento. Segundo ele, além da adoção de novas ferramentas tecnológicas, é indispensável investir na capacitação dos profissionais que integram o Judiciário paraibano.

    IA generativa
    Daniel Ayres de Melo, diretor da Ditec

    “Essa iniciativa precisa se tornar recorrente. Eu costumo dizer que 2025 está se mostrando um verdadeiro divisor de águas para a Inteligência Artificial. As instituições que não se dedicarem ao tema e não investirem tempo e energia nesse processo, inevitavelmente, ficarão para trás”, assegurou.

    Dentro do ambiente de trabalho do TJPB, o diretor de TI destacou que, especialmente por meio do Google Workspace, os magistrados(as), assessores(as), gerentes e diretores(as) já têm acesso à Inteligência Artificial do Google. “O curso ministrado tem justamente o objetivo de mostrar, na prática, como utilizar essa tecnologia de forma mais eficiente. Ela já está à nossa disposição, o que precisamos agora é potencializar seu uso”, falou.

    Ainda segundo ele, a Ditec está avançando na incorporação da IA também nas audiências judiciais. Atualmente, estão sendo avaliadas pelo menos quatro soluções que poderão ser integradas ao sistema PJe. “O objetivo é acelerar e otimizar o trabalho de servidores e magistrados, promovendo mais agilidade e eficiência no Judiciário paraibano”, disse.

    Por Marcus Vinícius

     

  • Importância do NatJus no julgamento de demandas da saúde será tema de palestra nesta sexta no Fórum Cível

    A programação da Semana Nacional da Saúde, no Tribunal de Justiça da Paraíba, será encerrada, nesta sexta-feira (11), com a palestra “A importância do NatJus para o julgamento das demandas de saúde”. O evento acontecerá no auditório do Fórum Cível da Comarca de João Pessoa, com início às 9h.

    Serão palestrantes a juíza auxiliar da Vice-presidência do TJPB e coordenadora do Núcleo, Silmary Alves de Queiroga Vita, e os médicos integrantes do NatJus Emmanuel Vinícius Pereira, Lucas Limas Rocha, Puamma Tabira Costa e Vanessa Monteiro Costa.

    Implantado por meio do Ato Conjunto 02/2023, o Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus) é responsável pela elaboração de documentos técnicos e especializados na área da saúde. A finalidade é auxiliar magistrados(as) na formação de um juízo de valor, quando da análise de questões clínicas apresentadas nas ações judiciais, envolvendo a assistência à saúde.

    A medida segue a Resolução nº 479/2022 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o funcionamento e a utilização do Sistema Nacional de Pareceres e Notas Técnicas (e-NatJus). O órgão é composto por profissionais da área de saúde (medicina, enfermagem e nutrição) indicados pelos entes que participam dos acordos de cooperação técnica firmados entre os poderes Judiciário e Executivo, como explicou a magistrada Silmary Vita.

    “A análise das questões de saúde por profissionais técnicos é de extrema importância para que haja uma prestação jurisdicional adequada, pois facilita o acesso às informações acerca dos tratamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde nos casos concretos. Além de esclarecer as evidências científicas dos tratamentos pleiteados, permite monitorar eventuais descumprimentos de dispensação de medicamentos ou disponibilização de tratamentos cujo custeio deveria ser prestado pela saúde pública ou pelos planos de saúde (saúde suplementar)”, ressaltou a magistrada.

    Dados – Já no ano em que foi implantado, em 2023, o NatJus, nos meses de outubro a dezembro, expediu 84 notas técnicas. No ano seguinte, este quantitativo aumentou para 390, e, nos três primeiros meses de 2025, já foram emitidas 187 notas técnicas. “Isso demonstra um crescimento de mais de 100% nas solicitações. Ressalte-se que todas as notas técnicas ficam disponibilizadas ao público na página de consultas, de modo que centenas de processos utilizam notas técnicas emitidas em demandas similares, contribuindo para julgamentos mais céleres”, pontuou a coordenadora do NatJus. 

    Por Lila Santos