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  • Missa prepara 28 homens privados de liberdade para casamento religioso em João Pessoa

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    A missa foi celebrada pelo Arcebispo da Paraíba, Dom Delson

    O casamento religioso, para muitas pessoas privadas de liberdade, representa mais do que uma cerimônia espiritual – é um símbolo de esperança, dignidade e recomeço. Mesmo em meio às limitações físicas e à dura realidade do cárcere, a fé continua sendo uma força vital que sustenta sonhos, fortalece laços e permite que o amor floresça em circunstâncias adversas. Foi com esse espírito que 28 homens que cumprem pena na Penitenciária Sílvio Porto, em João Pessoa, participaram de uma missa de batismo, eucaristia e crisma, que serve de preparação para o matrimônio.

    A missa foi realizada na manhã desta quarta-feira (11) e celebrada pelo arcebispo de Paraíba Dom Manoel Delson. A iniciativa partiu de uma parceria entre a Vara de Execuções Penais (VEP) da Capital e a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária.

    “Deus é Pai de todos, mesmo daqueles que estão privados da liberdade, cumprindo pena. O reforço espiritual ajuda a superar esses momentos tão difíceis e fortalece homens e mulheres a reconstruírem suas vidas. A palavra de Deus, quando semeada, dá uma amplitude interna à alma e ao coração. É muito importante que a igreja esteja presente, com os sacramentos, nesses ambientes prisionais, com a palavra de Deus, para ajudar as pessoas a enfrentar o desafio de cumprir pena”, comentou Dom Delson, que esteve acompanhado dos padres Cláudio Amorim, Manoel Neto, Luís Carlos e Valdezio Nascimento, além dos diáconos Marinaldo Barbosa e Cristiano Amarantes.

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    A juíza Andrea Arcoverde falou sobre o processo de ressocialização

    Para a juíza auxiliar da VEP de João Pessoa, Andrea Arcoverde, a realização da missa de batismo, eucaristia e crisma envolve um forte processo de ressocialização. “O casamento religioso pode ser um instrumento de fortalecimento familiar. Em muitos casos, ele contribui para a reconstrução de vínculos com os filhos, com o cônjuge e com a própria comunidade. A bênção religiosa também funciona como um apoio emocional para ambos os parceiros, especialmente diante dos desafios que a prisão impõe”, avaliou a magistrada.

    Quem também participou da celebração foi a coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça da Paraíba, juíza Graziela Queiroga. Ela disse que o trabalho de Execução Penal tem relação com a violência doméstica e que essas duas áreas devem trabalhar juntas. “A Coordenadoria da Mulher sempre apoia ações como essas, em especial porque nós temos uma interlocução muito íntima, muito forte e pretendemos em breve iniciarmos dois projetos nas unidades prisionais de João Pessoa, para trabalharmos homens que tenham cometido o crime de violência doméstica”, disse a magistrada.

    Já o secretário da Administração Penitenciária (Seap), João Alves, destacou que a parceria com a Vara de Execução Penal está consolidada há muito tempo. “Temos um trabalho forte de ressocialização. A juíza Arcoverde organizou e catalogou as pessoas privadas de liberdade que têm companheiras, mas não são casadas na Igreja, mas manifestaram esse desejo de casar no religioso. Este será o terceiro casamento coletivo que organizamos no sistema prisional, nos últimos três anos”, informou o secretário. Ele revelou que, atualmente, 2.458 pessoas cumprem pena na Penitenciária Sílvio Porto.

    Futura noiva – Priscila é uma das futuras noivas e estava muito empolgada com a ideia de entrar na igreja de véu e grinalda. Ela tem 31 anos, tem dois filhos e trabalha produzindo peças em resina, como chaveiro e porta-retrato. “Sinto que meu companheiro é outra pessoa. Está mais ligado à religião e seu comportamento melhorou muito. Para mim, é um sonho. Nós já estamos juntos há 13 anos e sempre quisemos casar no religioso e, agora, decidimos oficializar. Tenho certeza que tudo vai dar certo”, comemora Priscila, acompanhada das demais noivas, todas muito bem arrumadas e com esperança de um futuro melhor.

    Por Fernando Patriota

    Foto: Ednaldo Araújo

  • ‘Registre-se’: pessoas privadas de liberdade recebem certidão de nascimento no Serrotão

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    Apenados receberam e exibiram a certidão de nascimento

    Dentro da Semana Nacional do Registro Civil, uma ação de cidadania marcou o Presídio Serrotão, em Campina Grande (PB): a entrega de 35 certidões de nascimento a pessoas privadas de liberdade, que até então não possuíam esse documento fundamental. Os registros civis foram entregues, nesta terça-feira (13), com a participação do corregedor-geral do Tribunal de Justiça da Paraíba, desembargador Leandro dos Santos, e da representante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desembargadora do Poder Judiciário estadual, Agamenilde Dias.

    Também participaram do evento os juízes corregedores Gustavo Pessoa Tavares de Lyra  e Renata da Câmara Pires Belmont, além de representantes do sistema prisional do Estado. A ‘Semana Registre-se’ estará presente, também, nos presídios Júlia Maranhão, Roger, Sílvio Porto e Instituto Penitenciário Forense, todos em João Pessoa.

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    Entrega das certidões de nascimento no Presídio do Serrotão

    Essa ação é de extrema importância, porque ela resgata o que a gente tem de mais significativo, que é a cidadania. A cidadania começa, justamente, pelo registro de nascimento, ela habilita às pessoas aos demais documentos, como título de eleitor, carteira de identidade, carteira de trabalho, além de ter acesso aos programas sociais”, comentou o desembargador Leandro dos Santos.

    Para a desembargadora Agamenilde Dias, esse ato de cuidado de valorização da dignidade, começa pelo reconhecimento básico, que é a expedição e entrega do reconhecimento civil. “Esta é a fonte primária para o exercício da cidadania. Com esse documento você passa, juridicamente, a existir. A respeito do sistema carcerário, o CNJ tem um olhar especial, como todas as populações socialmente vulneráveis”, comentou a representante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    Neste ano, a Semana tem o apoio do Programa Fazendo Justiça do CNJ, no planejamento e na execução das ações voltadas às pessoas no sistema penal e socioeducativo, em parceria com instituições responsáveis pela emissão e regularização de documentos.

    No âmbito estadual, a Semana Nacional do Registro Civil é coordenada pela Corregedoria-Geral do TJPB, com a participação da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do estado da Paraíba (Arpen-PB), Associação dos Notários e Registradores do Estado da Paraíba (Anoreg-PB), Companhia de Processamento de Dados da Paraíba (Codata), Defensoria Pública estadual, Instituto de Polícia Científica da Paraíba, Receita Federal, de Secretarias Estaduais do Estado da Paraíba, Polícia Militar e Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).

    Por Fernando Patriota

    Fotos: direção do Presídio do Serrotão