Etiqueta: Proteção

  • 2ª Vara de Guarabira participa de ação voltada ao fortalecimento da rede de proteção à infância e adolescência

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    Fórum de Guarabira

    Nesta quarta-feira (21), a Vara da Infância e Juventude, por meio do Núcleo de Apoio das Equipes Multidisciplinares (Napem) da 6ª Circunscrição, participou de uma Ação de Formação e Mobilização dos Atores do Sistema de Garantia de Direitos de Guarabira. A iniciativa foi promovida pelo município, por meio do Conselho Tutelar, e ocorreu na sede da Associação Menores com Cristo (AMECC), instituição que realiza serviços de acolhimento na modalidade casas-lares em Guarabira.

    O evento teve como objetivo fortalecer a rede de proteção para atender famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas com crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual. A ação integra a programação do dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no país. A mobilização integra a Campanha ‘Maio Laranja’, que tem como propósito reforçar as ações de prevenção e enfrentamento dessas graves violações de direitos.

    Durante o encontro, as representantes do Napem, Cristina Lima e Gorete Rezende, conduziram uma discussão sobre a importância de uma rede de proteção articulada, com foco no apoio às famílias, reconhecidas como as primeiras responsáveis pela proteção social de crianças e adolescentes. “A família é um espaço essencial, com potencial para garantir proteção e socialização. Não podemos pensar em prevenção sem investir no fortalecimento do núcleo familiar. E esse fortalecimento ocorre por meio de uma rede mais unida e capacitada”, afirmou a assistente social Cristina Lima.

    A psicóloga Gorete Rezende ressaltou a importância do registro adequado dos atendimentos e da formação continuada dos profissionais, como forma de evitar a revitimização das crianças e adolescentes. Ela destacou que repetir a narrativa da violência a diferentes serviços e órgãos durante o atendimento pode causar novos traumas.

    Segundo a magistrada da 2ª Vara, Andressa Torquato, a iniciativa é louvável, e tanto a Vara quanto o Napem mantêm o compromisso de atuar em conjunto, buscando sempre fortalecer e aprimorar o diálogo entre os serviços envolvidos. Já a secretária municipal de Assistência Social, Verônica Macêdo, destacou a relevância de discutir essa temática e a necessidade de unir esforços para enfrentá-la de forma eficaz.

    Como encaminhamento prático, estão previstos encontros para viabilizar a adequada implementação da Lei Federal nº 14.431/2017 e do Decreto Municipal nº 349/2024. A proposta é criar um fluxo de atendimento adequado para a escuta especializada de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de crimes de violência em Guarabira.

    Estavam presentes na ação Conselho Tutelar de Guarabira, equipe da AMECC, Ministério Público da Paraíba, Hospital Regional de Guarabira, Polícia Militar da Paraíba. Defensoria Pública e Secretarias municipais de Educação, Saúde e Assistência Social.

    Por Marcus Vinícius

     

  • Caravana discute avanços e desafios na proteção dos direitos infantojuvenis na Paraíba

    Caravana discute avanços e desafios na proteção dos direitos infantojuvenis na Paraíba

    Impacto das políticas públicas foi um dos temas da Caravana
    Impacto das políticas públicas foi um dos temas da Caravana

    O Tribunal de Justiça da Paraíba(TJPB) participou da Caravana pelos Direitos de Crianças e Adolescentes, realizada na cidade de Conde, litoral sul da Paraíba. O evento teve como foco a análise dos resultados das 12 Conferências Nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente, discutindo o impacto e a efetividade das políticas públicas voltadas à proteção desse público no Brasil. O TJPB foi representado por Mayara Lima, assistente social do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF).

    Promovida com o apoio de importantes entidades, como a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano da Paraíba (SEDH-PB), a Caravana proporcionou um espaço de escuta, troca de experiências e construção coletiva de estratégias para garantir os direitos das crianças e adolescentes.

    Representantes de conselhos tutelares participaram do evento
    Representantes de conselhos tutelares participaram do evento

    O evento contou com a presença de representantes dos conselhos tutelares, organizações da sociedade civil, profissionais do sistema de garantia de direitos e membros do Sistema de Justiça. Durante as oficinas temáticas, os participantes discutiram caminhos para a efetivação das propostas construídas nas conferências, além de apontar soluções para os desafios enfrentados na área infantojuvenil.

    Para Mayara Lima, a Caravana foi de grande importância. “Esses momentos de diálogo foram fundamentais para reforçar a importância da implementação das políticas acordadas nas Conferências, além de buscar soluções para os desafios enfrentados na proteção dos direitos infantojuvenis”, destacou a servidora.

    Gecom -TJPB

  • Lei Maria da Penha e os avanços legais na proteção às mulheres

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    O tiro intencional com um único propósito: matar a própria mulher. O plano de Marco Antonio Heredia Viveros era acabar com a vida da mãe de suas três filhas enquanto ela dormia, com muita frieza, crueldade e covardia. Mas, ela sobreviveu e pôde contar, em detalhes, a violência doméstica e familiar ao extremo que sofreu e hoje usa a história de vida para lutar contra essa brutalidade.

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    Maria da Penha deu nome à Lei 11.340

    Maria da Penha Maia Fernandes, mais que uma mulher, um marco que divide a história da violência doméstica e familiar no Brasil em antes e depois da Lei 11.340 – que leva seu nome. Nós mulheres sabemos: a realidade da violência doméstica ainda é dura, mas muito já se avançou na rede de apoio e proteção desde que esse dispositivo legal passou a vigorar em nosso país.

    Na terceira reportagem da série ‘Mulheres, não estamos sozinhas!’, vamos conhecer os avanços históricos na legislação para proteger a mulher. A série faz parte de uma campanha desenvolvida por uma parceria entre a Coordenadoria da Mulher e a Gerência de Comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e inclui vídeos, artes, textos e podcasts, que buscam evidenciar o trabalho da Justiça e de toda a rede de proteção feminina em prol das mulheres. 

    Da Maria da Penha ao feminicídio: os avanços na proteção à mulher

    A violência praticada contra Maria da Penha, no ano de 1983, ganhou repercussão internacional e um debate mais sério foi travado desde então. Já não dava mais, e não dá,  para aceitar que o mundo feche os olhos para casos de violência contra a mulher em razão do seu gênero.

    A partir daí, as discussões com o Legislativo, o Executivo e a sociedade resultaram no Projeto de Lei n. 4.559/2004 da Câmara dos Deputados, levado ao Senado Federal (Projeto de Lei de Câmara n. 37/2006) e aprovado por unanimidade em ambas as Casas. Assim, em 7 de agosto de 2006 foi sancionada a Lei n. 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha. Ela estabelece medidas de proteção às mulheres, como a criação de varas especializadas e mecanismos para prevenir e coibir a violência, agora tipificada como crime.

    Rosimeire Ventura
    Juíza Rosimeire Ventura

    A juíza titular da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Campina Grande, Rosimeire Ventura, confirma a importância desse marco histórico na luta pelo fim da violência. “Sem dúvida a Lei Maria da Penha é o principal marco no combate à violência contra a mulher no Brasil. A partir dessa lei, foi possível estruturar toda uma rede de proteção para a mulher em situação de violência, além de dar visibilidade para o problema”, ressaltou.

    Depois da Lei Maria da Penha  

    A legislação tem avançado de forma significativa na proteção dos direitos da mulher desde a Lei Maria da Penha. E a Justiça tem atuado com afinco para garantir o cumprimento das leis. “Graças ao arcabouço legal, à rede de proteção e às campanhas de divulgação da Lei Maria da Penha, atualmente as mulheres se sentem muito mais confiantes em denunciar episódios de violência doméstica e, com isso, elas têm a chance de interromper o ciclo de agressões”, reforçou a juíza Rosimeire Ventura.

    Vamos conhecer um pouco do conjunto de normas legais criadas no Brasil para coibir a violência, a discriminação e minimizar a desigualdade de gênero desde o surgimento da Lei Maria da Penha.

    2009 – A Lei nº 12.015/2009 atualizou o Código Penal Brasileiro no tocante aos crimes sexuais, ampliando a proteção às mulheres ao considerar uma gama mais ampla de atos como estupro, além de outras formas de violência sexual, o que a torna uma lei importantíssima na defesa das mulheres.

    2013 –  A Lei n. 12.845, de 1º de agosto de 2013, – Lei do Minuto Seguinte – garante o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual, estabelecendo que os hospitais devem oferecer às vítimas de violência sexual atendimento emergencial, integral e multidisciplinar, visando ao controle e ao tratamento dos agravos físicos e psíquicos decorrentes de violência sexual, como profilaxia de ISTs e gravidez, e encaminhamento, se for o caso, aos serviços de assistência social.

    2015 – A Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015) reforça o combate à violência contra a mulher ao classificar o feminicídio como homicídio qualificado, uma modalidade de crime hediondo, quando a morte da mulher ocorre em contexto de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação de gênero.

    2023 – A Lei n° 14.542/2023 garante prioridade no atendimento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine). De acordo com a lei, as mulheres em situação de violência doméstica e familiar terão prioridade no atendimento pelo Sine, às quais serão reservadas 10% (dez por cento) das vagas ofertadas para intermediação.

    Os avanços são visíveis, mas ainda há um longo caminho a percorrer. E mesmo quem convive levantando bandeira da proteção à mulher, ainda se choca com tantos casos de violência. “Como juíza na área de violência doméstica contra a mulher, me sensibiliza, principalmente, ver tantas mulheres ainda sendo vítimas de feminicídios, o que demonstra que ainda precisamos de mudanças sociais e culturais relevantes no sentido da valorização da mulher e da vida”, conclui a juíza Rosimeire Ventura.

    Na próxima reportagem da série ‘Mulheres, não estamos sozinhas!’ vamos conhecer um pouco mais sobre a rede de proteção que atua para garantir esses avanços.

    Por Nice Almeida