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  • Ministério da Saúde articula cooperação internacional em vacinas na Coreia do Sul

    Em seu último dia de missão à Coreia do Sul, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se reuniu com representantes do International Vaccine Institute (IVI), em Seul, nesta quarta-feira (25/2). Na oportunidade, foram debatidas estratégias para ampliar cooperações em áreas como vacinas e tecnologias estratégicas em saúde para a soberania tecnológica do Brasil.

    Durante a reunião, também foram discutidas alternativas de financiamento para o desenvolvimento e a produção de vacinas e outras tecnologias em saúde, entre elas a proposta do Bridging Research Investment in Global Health Technology (BRIGHT Fund). A iniciativa prevê a criação de um fundo internacional com múltiplos doadores para apoiar pesquisas e acelerar o desenvolvimento e a comercialização de tecnologias como vacinas, terapias e diagnósticos, com foco em países de baixa e média renda.

    “Agora pela manhã, tratamos de parceria com o IVI para a produção de vacinas, que também tem a iniciativa do Bright Fund. São ações que integram a coalizão de saúde do G20, que vamos presidir pelos próximos anos. Em março, vamos lançar a primeira Chamada de Propostas da Coalizão Global, mobilizando as 20 nações mais ricas do mundo, suas empresas e instituições de pesquisa para produzir novos medicamentos, novas vacinas e, assim, ampliar o acesso à população brasileira e do mundo às tecnologias da saúde”, destacou Padilha.

    O fundo também dialoga com a proposta brasileira de implementação da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo à saúde. A inciativa foi criada quando o Brasil presidiu o G20 e lançada durante a Assembleia Mundial da Saúde em Genebra, em 2025. O Brasil presidirá a coalizão pelos próximos dois anos, que terá a Fiocruz como secretaria executiva permanente.

    IVI

    Fundado em 1996, o International Vaccine Institute é uma organização internacional criada para apoiar estudos clínicos, transferência de tecnologia e ampliação do acesso a vacinas, com forte atuação em países de baixa e média renda.

    Com status de organização internacional por tratado e ampla participação de países e da Organização Mundial da Saúde, o IVI atua como plataforma neutra de cooperação técnica.

    O instituto já mantém cooperação com o Instituto Butantan. Em 2024, apoiou a transferência de tecnologia da vacina contra a dengue desenvolvida pelos National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, para o Brasil, viabilizando seu desenvolvimento e formulação pelo Butantan, além de contribuir para os estudos clínicos de fase 2 e 3.

    Carolina Militão
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde visita referências globais em biotecnologia e produção de medicamentos na Coreia do Sul

    Ministério da Saúde visita referências globais em biotecnologia e produção de medicamentos na Coreia do Sul

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cumpriu mais um dia de agenda oficial na Coreia do Sul com foco na busca por inovação e fortalecimento da produção de medicamentos biológicos no Brasil. Nesta terça-feira (24/2), ele visitou as empresas Samsung Bioepis e Samsung Biologics, referências globais em biotecnologia e fabricação de medicamentos biológicos.

    Durante a agenda, o ministro conheceu as instalações das duas companhias e discutiu possibilidades de cooperação tecnológica, transferência de conhecimento e ampliação da capacidade produtiva — pontos estratégicos para o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde no Brasil, que vem sendo retomado a partir deste governo, garantindo o abastecimento de fármacos, promovendo a transferência de tecnologia e ampliando a autonomia produtiva nacional.

    “O Brasil tem aproveitado cada vez mais as portas que se abrem no mundo a partir da ação do presidente Lula para reduzir qualquer dependência na produção de medicamentos e tecnologias em saúde. Não queremos ficar dependentes de apenas um país ou de uma única região do mundo; queremos diversificar parcerias para produzir cada vez mais no Brasil e, com isso, cuidar da nossa população com mais segurança. Essa estratégia também pode ampliar o número de produtores desses medicamentos, contribuindo para reduzir preços, baixar custos e aumentar o acesso da população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Na visita à Samsung Bioepis, o chefe da Pasta acompanhou de perto o desenvolvimento e a comercialização de biossimilares, estratégia que tem como objetivo ampliar o acesso a medicamentos biológicos com mais qualidade e menor custo.

    A empresa atua em áreas terapêuticas como imunologia, oncologia, oftalmologia, hematologia, nefrologia e endocrinologia, além de expandir sua atuação para terapias gênicas e antibody-drug conjugates (ADCs) voltados ao tratamento de doenças raras. Atualmente, a companhia desenvolveu 12 biossimilares, dos quais 11 já foram aprovados em diferentes áreas terapêuticas, além de contar com 9 produtos lançados em mais de 40 países. Segundo dados acumulados de 2024–2025, essa atuação possibilitou o acesso a tratamento para mais de 508 mil pacientes.

    Já na Samsung Biologics, reconhecida como a maior CDMO (Contract Development and Manufacturing Organization) do mundo em capacidade de manufatura, Padilha conheceu a estrutura que lidera globalmente em volume de biorreatores. A empresa oferece serviços integrados de desenvolvimento e produção de medicamentos biológicos, com atuação end-to-end.

    Entre os destaques estão mais de 425 aprovações regulatórias globais; o foco em modalidades avançadas, como anticorpos multiespecíficos, proteínas de fusão, ADCs e mRNA; e a expansão para novas frentes, como terapias celulares e gênicas e o uso de organoides.

    Mais tecnologia para otimizar os diagnósticos

    O ministro também foi até o Samsung Medical Center, um dos hospitais mais avançados e reconhecidos da Coreia do Sul, fundado em 1994. A instituição é referência em oncologia, cardiologia, neurologia, transplantes e tratamento de doenças complexas e críticas, combinando tecnologia de ponta com atendimento personalizado e centrado no paciente.

    “É muito importante para o ministério da saúde estabelecer relação com esta instituição. O governo do Brasil está implementando uma rede de hospitais inteligente no país. E com isso vamos estimular que outros hospitais – públicos e privados – adotem essas tecnologias e levem saúde de mais qualidade para as pessoas”, destacou o ministro Padilha.

    Foto: Rafael Nascimento/MS
    Foto: Rafael Nascimento/MS

    O hospital integra inovação à prática clínica por meio de um centro dedicado à convergência entre engenharia biomédica, terapia digital e pesquisas em Alzheimer, além do desenvolvimento de sistemas personalizados de neuromodulação e dispositivos digitais integrados.

    Na área de inteligência artificial, utiliza sistemas de apoio à decisão clínica com análise de imagens — como avaliação de úlceras por pressão, classificação de gravidade e recomendação de curativos —, além de modelos preditivos para estimar a demanda diária de exames e procedimentos, reduzindo filas e otimizando agendamentos. A integração de dados também permite prever doenças e aprimorar a gestão personalizada dos pacientes.

    Em emergência e cuidados críticos, conta com painel centralizado em tempo real para monitoramento de pacientes e alocação de recursos. Na robótica, emprega robôs autônomos para logística hospitalar e plataformas integradas de suporte assistencial.

    A visita permitiu acompanhar como as tecnologias desenvolvidas são aplicadas na prática e efetivas para diminuir o tempo de espera dos pacientes por exames e atendimentos — reforçando que qualidade em saúde exige investimento contínuo em inovação e qualificação profissional.

    Carolina Militão
    Ministério da Saúde

  • Brasil e Coreia do Sul firmam parcerias estratégicas no valor de R$ 1,1 bilhão

    Em missão oficial à Coreia do Sul com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da assinatura de três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) destinadas à produção nacional de medicamentos estratégicos — bevacizumabe, eculizumabe e aflibercepte — contemplando transferência de tecnologia e internalização da fabricação no Brasil. A iniciativa representa investimento estimado de até R$ 1,104 bilhão no primeiro ano por parte do Ministério da Saúde.

    A medida amplia a capacidade produtiva nacional de produtos e insumos essenciais à saúde pública, fortalece a soberania produtiva do país, reduz vulnerabilidades do SUS diante de oscilações do mercado internacional e diminui o risco de desabastecimento. Além disso, estimula o desenvolvimento tecnológico, a geração de empregos e renda no Brasil e amplia o acesso da população a terapias de alto custo.

    Alexandre Padilha, cumpre missão oficial na Coreia do Sul entre os dias 22 e 25 de fevereiro, em Seul, com agenda voltada a reuniões ministeriais e empresariais estratégicas, além de visitas técnicas nas áreas de saúde, ciência, tecnologia e inovação.

    As PDPs foram assinadas durante Encontro Empresarial Brasil–Coreia do Sul, organizado pela ApexBrasil. Na ocasião, o ministro brasileiro reforçou a importância de transformar em resultados concretos os anos de parceria e amizade entre os países. “As parcerias firmadas têm um significado muito relevante. Representam a transferência de tecnologia, a produção local no Brasil, o fortalecimento da base industrial nacional e a redução de vulnerabilidades do sistema de saúde. Representam também previsibilidade para o setor privado e compromisso de longo prazo do Estado brasileiro”, ressaltou. 

    No caso do aflibercepte, medicamento essencial para o tratamento da degeneração macular relacionada à idade, a assinatura formaliza o início da produção nacional, que contará com a Fundação Ezequiel Dias (Funed) como parceira pública e com a Bionovis S.A. e a empresa sul-coreana Samsung Bioepis Co., Ltda. como parceiras privadas.

    Também foi formalizada a parceria para iniciar o projeto de fabricação do bevacizumabe, utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer e em indicações oftalmológicas. A PDP reúne a Fundação Baiana de Pesquisa, Desenvolvimento, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), a Bionovis S.A. e a Samsung Bioepis Co., Ltda.

    Também foi assinada PDP para a transferência de tecnologia voltada à produção no Brasil do eculizumabe, medicamento indicado para o tratamento da Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), doença rara que afeta o sistema sanguíneo. Essa parceria também envolve a Bahiafarma, a Bionovis S.A. e a Samsung Bioepis Co., Ltda., contribuindo para o fortalecimento da capacidade produtiva nacional.

    Mais inovação na Saúde 

    Entre os principais instrumentos negociados está o Memorando de Entendimento (MoU) em Saúde firmado entre o Ministério da Saúde do Brasil e o Ministério da Saúde e Bem-Estar da Coreia do Sul. O acordo estabelece bases para cooperação em áreas estratégicas como inovação biomédica e farmacêutica, saúde digital e ecossistemas de dados, excelência clínica, terapias avançadas e fortalecimento da resiliência dos sistemas de saúde e da força de trabalho.

    Como resultado da visita, foram firmados seis novos acordos para produção conjunta de tecnologias em saúde, envolvendo testes diagnósticos, medicamentos biológicos, tratamentos para determinados tipos de câncer e tecnologias voltadas a doenças oftalmológicas. As iniciativas representam avanço tecnológico relevante, fortalecem a capacidade produtiva e inovadora dos dois países e abrem caminho para novas etapas de cooperação.

    “Estamos confiantes de que teremos, em breve, mais empresas coreanas trabalhando com empresas brasileiras, contribuindo para salvar vidas no Brasil e na Coreia do Sul. Outra área fundamental de cooperação com resultados nesta visita é a saúde digital. O Brasil vive uma revolução na saúde digital liderada pelo Presidente Lula e pela sociedade brasileira. Temos muito a aprender com a experiência coreana neste setor”, enfatizou Padilha.

    G20, inovação digital e resiliência climática

    Durante a presidência brasileira do G20, em 2025, foi criada a Coalizão para Produção, Inovação e Acesso a Tecnologias em Saúde, com o objetivo de fortalecer parcerias estruturantes e ampliar a capacidade global de resposta em saúde. A proposta de governança foi apresentada no âmbito da Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovada em reunião realizada na África do Sul, com participação da Coreia do Sul. Os países que formalizam adesão passam a integrar o Comitê Diretor, podendo propor temas prioritários, avaliar projetos e participar da definição estratégica da Coalizão. O Brasil convida formalmente a Coreia a integrar o Comitê antes do encontro que será realizado em março, no Rio de Janeiro, quando serão lançados os primeiros desafios internacionais, com foco inicial em medicamentos oncológicos, além de ações estratégicas para tuberculose e dengue.

    A agenda bilateral também avança na transformação digital em saúde. A Coreia é referência global na modernização do sistema de saúde, com hospitais inteligentes e alto nível de integração tecnológica. O Brasil, por sua vez, está promovendo uma ampla transformação digital no SUS e propõe ampliar a cooperação técnica, com intercâmbio de equipes, aproximação das áreas de saúde digital dos dois ministérios e parcerias para apoiar a construção de um novo modelo de hospitais inteligentes no país.

    “Queremos mais investimento, mais inovação, mais produção local e mais cooperação regulatória. Temos marcos legais, instrumentos de financiamento, mercado, escala e instituições sólidas. A saúde será um dos grandes motores do desenvolvimento econômico nas próximas décadas. Brasil e Coreia do Sul têm todas as condições de liderar esse processo juntos, de forma equilibrada, sustentável e benéfica para nossas populações”, enfatizou Padilha.

    Outro eixo estratégico é a resiliência dos sistemas de saúde frente às mudanças climáticas. Tanto Brasil quanto Coreia enfrentam eventos extremos, como ondas de calor, secas, enchentes e incêndios florestais, que impactam diretamente a saúde da população. Na COP30, o Brasil lançou o programa AdaptaSUS, já apoiado por mais de 80 instituições e países, com foco na construção de estruturas de saúde mais resilientes. A proposta é ampliar a cooperação nessa agenda, convidar a Coreia a aderir ao Plano Belém e desenvolver iniciativas conjuntas que fortaleçam a capacidade de resposta dos sistemas de saúde diante da crise climática.

    Fiocruz amplia parcerias para diagnóstico no SUS

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e as empresas sul-coreanas Optolane Technologies, GenBody e Green Cross Corporation também asssinaram aliança estratégica de longo prazo na área de diagnóstico, dispositivos médicos e química clínica. As iniciativas fortalecem a cooperação tecnológica entre os dois países, com foco na transferência de conhecimentos, internalização de plataformas inovadoras e ampliação da capacidade produtiva nacional, contribuindo para maior autonomia e resposta rápida a emergências em saúde pública.

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    Foto: Rafael Nascimento/MS – Priscila Ferraz Vice-Presidente de Produção e Inovação na Fiocruz, Columbia Women’s Leadership Network

    A Optolane mantém cooperação com a Fiocruz desde 2022 na área de diagnóstico molecular, incluindo plataformas de PCR em tempo real e PCR digital, sendo este o quarto memorando firmado entre as instituições. O novo acordo prevê a incorporação de tecnologia Point of Care (POC) molecular, com multitestes para diversas doenças, incluindo monkeypox, malária, arboviroses (como dengue, zika, chikungunya, oropouche e mayaro) e HTLV, com produtos em fase de registro na Anvisa e em estágio avançado de desenvolvimento.

    A GenBody, que já cooperou com a Fiocruz no fornecimento de testes de Covid-19 e atualmente fornece kits como o combo HIV/Sífilis ao Ministério da Saúde, assinará um Termo de Compromisso para transferência de testes rápidos baseados em fluxo lateral e fluxo vertical, abrangendo doenças como dengue, HIV, sífilis, malária e leptospirose.

    Já a Green Cross Corporation (GC Pharma), uma das maiores biofarmacêuticas da Coreia do Sul, firmará memorando para cooperação tecnológica em kits de diagnóstico, com foco inicial em teste rápido para tuberculose e em triagem de usuários de medicamentos para malária, ampliando a capacidade de resposta do SUS em doenças prioritárias.

    Edjalma Borges e Carolina Militão
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde assina parcerias na Índia para produção de medicamentos contra o câncer no SUS

    Durante missão na Índia com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou, neste sábado (21/2), três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) estratégicas para a produção nacional de medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Os acordos representam investimento estimado por parte do Ministério de até R$ 722 milhões no primeiro ano podendo chegar a R$ 10 bilhões em 10 anos, a partir do uso do poder de compra do Estado para ofertar aos pacientes do SUS os medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe. A formalização ocorreu durante o Fórum Empresarial Brasil–Índia, em Nova Delhi.

    “Brasil e Índia trabalham lado a lado, há décadas, na defesa da equidade no acesso a medicamentos, sobretudo os genéricos, e da soberania sanitária no âmbito da Organização Mundial da Saúde. Nesta visita, a Fundação Oswaldo Cruz assinou acordos para pesquisa e produção local de insumos estratégicos, como a vacina contra a tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores e voltados a doenças negligenciadas e raras. Também há grande potencial de colaboração na área de hospitais inteligentes, como o que o ministro Padilha visitou em Bangalore há dois dias.”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O ministro Alexandre Padilha ressaltou a importância dos acordos firmados durante a missão. “Estamos saindo da Índia com acordos que vão garantir ao Brasil medicamentos modernos para o tratamento do câncer de mama, de pele e das leucemias, ampliando o acesso e salvando vidas, especialmente de mulheres. Mais do que assegurar esses tratamentos, estamos viabilizando a transferência de tecnologia para fortalecer a produção nacional, gerar emprego e renda e ampliar a autonomia e a segurança dos pacientes brasileiros”.

    A iniciativa para a produção nacional de medicamentos oncológicos integra a estratégia de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, retomada por este governo, garantindo o abastecimento de fármacos, promovendo a transferência de tecnologia e ampliando a autonomia produtiva nacional. As PDPs contemplam três medicamentos utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer, como os de mama, pele e leucemias.

    Os acordos envolvem laboratórios públicos brasileiros e parceiros privados nacionais e indianos, com foco na internalização da produção e no desenvolvimento tecnológico. Com a fabricação no país, o Ministério da Saúde busca reduzir a dependência externa de medicamentos estratégicos, assegurar maior estabilidade no fornecimento e ampliar o acesso da população a terapias de alta complexidade.

    A produção do nivolumabe envolve a cooperação entre a Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), como parceiro público, e a Bionovis S.A. (Companhia Brasileira de Biotecnologia Farmacêutica) e a Dr. Reddy’s Laboratories Ltda. (farmacêutica indiana), como parceiros privados.

    Já a fabricação do pertuzumabe será feita em parceria com a Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma) como parceira pública, e as empresas Bionovis S.A. e Biocon Biologics do Brasil Ltda., como parceiras privadas.

    A PDP para a produção dodasatinibe, por sua vez, será realizada em parceria entre a Fundação para o Remédio Popular (FURP), a Biocon Pharma Ltda. e a Nortec Química S.A.

    Ampliação da cooperação Brasil e Índia em saúde

    Ainda, Padilha participou da assinatura de termo aditivo ao Memorando de Entendimento entre Brasil e Índia, que prorroga por cinco anos a cooperação bilateral em saúde. O acordo amplia iniciativas conjuntas em áreas como produção de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos, biofabricação, inovação produtiva, desenvolvimento de biológicos, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial.

    A cooperação também prevê intercâmbio técnico em áreas estratégicas, como oncologia, diabetes, doenças cardiovasculares e prevenção de doenças crônicas, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas de saúde.

    Fiocruz fortalece produção com parceiros indianos

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também reforçou a agenda bilateral com a assinatura de dois Memorandos de Entendimento (MdE) com empresas farmacêuticas indianas, ampliando a cooperação internacional em pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos estratégicos para o Brasil.

    Um dos acordos será firmado com a Biocon Pharma, com foco na transferência de tecnologia e produção de tratamentos para doenças raras, câncer e terapias imunossupressoras. O outro, com a Lupin, prevê desenvolvimento conjunto, produção local e fortalecimento de capacidades industriais e regulatórias voltadas a medicamentos para doenças infecciosas negligenciadas, como tuberculose, malária, esquistossomose, hanseníase e doença de Chagas.

    As iniciativas, conduzidas pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e assinadas pela vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, reforçam a estratégia do Ministério da Saúde de ampliar o Complexo Econômico-Industrial da Saúde e garantir maior acesso da população a tratamentos inovadores e essenciais no SUS.

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde visita parque industrial na Índia para avançar em acordos para produção nacional de biológicos

    Ministério da Saúde visita parque industrial na Índia para avançar em acordos para produção nacional de biológicos

    Para ampliar a autonomia do Brasil na saúde pública e fortalecer a produção nacional de medicamentos de alta complexidade, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou nesta quinta-feira (19/2) o parque industrial da Biocon, em Bengaluru, na Índia. Durante a agenda, o ministro conheceu as instalações industriais para produção de medicamentos biológicos como o pertuzumabe – indicado para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo, inclusive em estágio metastático.

    O ministro também conheceu processos para a produção de medicamentos à base de GLP-1, como a semaglutida, popularmente conhecida como “caneta emagrecedora”, indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

    “Estivemos em uma das maiores produtoras de medicamentos biológicos, biossimilares. São medicamentos modernos para tratamento do câncer, de doenças autoimunes, doenças crônicas que queremos produzir no Brasil. Uma parceria muito importante que vai garantir mais acesso à população brasileira a esses medicamentos e salvar vidas no nosso país. Além disso, essa grande produtora mundial domina a tecnologia de peptídeos, que são medicamentos para diabetes e controle da obesidade e que também poderão servir, no futuro, para outras doenças. A expectativa do Ministério é que essa aproximação das empresas brasileiras e indianas possa gerar novos acordos, mais tecnologia e mais produção de medicamentos no Brasil. É um importante avanço para cuidar da saúde e soberania brasileira com esse grande parceiro dos BRICS que é a Índia”, disse Padilha.

    A Índia é uma das principais potências farmacêuticas do mundo, com elevada capacidade produtiva, forte investimento em inovação e expansão significativa na área de saúde digital.

    Hospitais inteligentes

    O ministro também visitou a unidade hospitalar da rede Narayana Health, referência internacional no conceito de hospital inteligente. A rede possui diversas unidades na Índia e presença internacional, com hospitais no Reino Unido e Quênia. A instituição se destaca pelo uso intensivo de tecnologias digitais para acompanhamento de pacientes, prontuário eletrônico integrado, monitoramento de equipamentos em tempo real e gestão baseada em dados. Na ocasião, Padilha se reuniu com o diretor médico e vice-presidente da rede, Paul Salins.

    Segundo o ministro, o Brasil, por meio do Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de São Paulo, estados e municípios, atua para estruturar a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes. A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, que tem como objetivo reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados no SUS.

    O projeto prevê a implantação inicial em 13 estados — Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Dourados (MS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) — com foco nas UTIs e na criação de um hospital de emergência totalmente inteligente, conectado por internet, com monitoramento digital de equipamentos, integração com ambulâncias e articulação com as redes locais de atenção à saúde.

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    Foto: Rafael Nascimento/MS

    “Estamos recebendo financiamento do Banco dos BRICS e firmando parcerias com vários hospitais que já utilizam o conceito dos hospitais inteligentes da China e da Índia. Essa cooperação vai consolidar uma parceria estratégica do Ministério da Saúde com essa futura rede de cuidados no SUS”, apontou Padilha. 

    Carolina Militão
    Ministério da Saúde