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  • TJPB inicia uso de ferramenta de Inteligência Artificial integrada ao PJe

    Foto de Fred Coutinho e Daniel Melo
    Fred Coutinho e Daniel Melo durante o lançamento da IA

    O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) anunciou nesta quarta-feira  (27) um salto gigantesco na efetivação da celeridade processual. Juízes e servidores começam a utilizar uma ferramenta inovadora de Inteligência Artificial (IA) integrada ao Processo Judicial Eletrônico (PJe). O objetivo é agilizar a prestação jurisdicional, oferecendo maior eficiência, celeridade e precisão no atendimento às demandas da sociedade paraibana.

    Denominada  ‘Solução de IA Generativa Integrada ao PJe’, a nova ferramenta é capaz de responder rapidamente consultas relacionadas aos processos judiciais, disponibilizando informações de forma célere e absolutamente confiáveis. Além disso, o sistema auxiliará magistrados e assessores na elaboração de minutas de decisões e sentenças, contribuindo para a otimização do fluxo de trabalho nas unidades judiciais.

    O projeto entra em fase de piloto em dez unidades judiciais, que serão responsáveis por validar a ferramenta e fornecer subsídios para possíveis ajustes e aprimoramentos. A iniciativa representa um marco importante no processo de modernização tecnológica do TJPB, reforçando o compromisso da instituição em utilizar a inovação a serviço da Justiça e da cidadania.

    O desembargador Fred Coutinho, presidente do TJPB, destacou que a Inteligência Artificial é uma realidade, presente em todos os segmentos da sociedade. “Estamos lançando, hoje, uma ferramenta de IA voltada a facilitar o trabalho de magistrados e servidores, com vista a avançar no quesito celeridade processual sem nunca perder a qualidade do trabalho judicial”, declarou o presidente.  

    Print do frame da reunião virtual
    Magistrados e servidores participaram da reunião virtual

    Falando da iniciativa, o Juiz Auxiliar da Vice-Presidência, Max Nunes, destacou: “O Tribunal de Justiça da Paraíba reafirma, com esta iniciativa, o seu compromisso em colocar a tecnologia a serviço das pessoas. A integração da inteligência artificial ao PJe não substitui o trabalho humano, mas o potencializa, garantindo mais celeridade, precisão e transparência na entrega da Justiça. Trata-se de um passo importante para aproximar ainda mais o Judiciário da sociedade, assegurando que a inovação seja um instrumento de cidadania e de fortalecimento da democracia.”

    Para o Diretor de Tecnologia, Daniel Melo, este projeto coloca o TJPB na vanguarda entre os tribunais brasileiros ao adotar a inteligência artificial generativa integrada diretamente ao Sistema de Processo Judicial Eletrônico. “A ferramenta não vem para substituir pessoas, mas para apoiar servidores e magistrados, ampliando a produtividade e fortalecendo a eficiência da prestação jurisdicional”, destacou Daniel Melo.

    O diretor informou, também, que a iniciativa do TJPB, com a adoção da nova ferramenta, ocorre em atenção às normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no que diz respeito às ações de área e tecnologia. 

    Lançamento – O lançamento da ferramenta aconteceu na tarde desta quarta (27), na Sala Branca do Tribunal, durante reunião virtual aberta pelo presidente Fred Coutinho, que contou com o diretor Daniel Melo, magistrados e servidores das unidades envolvidas no projeto piloto.

     

    Por Valter Nogueira

    Fotos: Ednaldo Araújo

     

  • Especialista destaca impacto da IA no Judiciário e aponta cuidados necessários para uso responsável

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    Bruno Figueirêdo, doutor em Informática

    A Inteligência Artificial (IA) tem promovido mudanças significativas em diversos setores da sociedade, e o Poder Judiciário não é exceção. A crescente digitalização dos processos e a demanda por maior celeridade e eficiência vêm impulsionando a adoção de tecnologias baseadas em IA no sistema judicial brasileiro.

    Para Bruno César Barreto de Figueirêdo, doutor em Informática, o uso da IA generativa no Judiciário acontecerá de forma progressiva, integrando-se às rotinas já estabelecidas. “Na prática, essas ferramentas atuarão como assistentes inteligentes, auxiliando na elaboração de minutas de decisões, despachos e votos, respondendo a consultas sobre jurisprudência, gerando resumos automáticos de peças processuais volumosas e até mesmo identificando contradições ou omissões em textos jurídicos”, disse.

    Segundo ele, um(a) magistrado(a) poderá solicitar à IA, por exemplo: “Resuma a petição inicial do processo X” ou “elabore um esboço de sentença com base nesses fundamentos”. Para Bruno Figueirêdo, a ideia não é substituir a atividade jurisdicional, mas sim oferecer uma base produtiva e confiável para acelerar etapas técnicas e repetitivas.

    Sobre a possibilidade de agilizar o tempo de tramitação dos processos, Bruno afirma que a IA pode contribuir de maneira bastante significativa. “Ela reduz o tempo de análise documental, acelera a produção de atos judiciais e otimiza pesquisas jurídicas, contribuindo diretamente para a celeridade processual, conforme previsto no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal”, observou.

    Além disso, ao automatizar tarefas de apoio, o doutor em computação afirmou que a IA libera servidores(as) e magistrados(as) para atividades mais analíticas e estratégicas, reduzindo gargalos causados pelo alto volume de trabalho.

    IA generativa
    Bruno Figueirêdo, Max Nunes e Daniel Melo: IA na Justiça

    As principais aplicações da IA no âmbito judicial incluem: a elaboração automática de minutas de decisões e despachos; resumos de peças processuais; pesquisa jurisprudencial otimizada; análise preditiva de julgamentos (com base em decisões anteriores); identificação de precedentes vinculantes; classificação e triagem automática de processos (como já ocorre em projetos-piloto no Superior Tribunal de Justiça e no Tribunal Superior Eleitoral); detecção de inconsistências ou omissões em documentos judiciais; e apoio ao cumprimento de metas de produtividade com dashboards inteligentes.

    “Essas soluções já são realidades em diversos tribunais do país e podem ser customizadas para o Tribunal de Justiça da Paraíba, respeitando a infraestrutura, o perfil da demanda e os recursos humanos disponíveis”, disse Bruno Figueirêdo.

    Apesar dos avanços, o especialista alerta que o uso da IA requer cuidados cruciais. “É essencial que as decisões continuem sendo humanas. A IA atua como um copiloto, não como o juiz do caso”, afirmou.

    Entre os pontos de atenção, o especialista destaca: privacidade e proteção de dados (em conformidade com a LGPD); evitar alucinações da IA (respostas incorretas com aparência de verdade); auditorias e validação humana constante dos resultados gerados; treinamento dos modelos com bases confiáveis, preferencialmente internas ao Judiciário; e registro e rastreabilidade do uso da IA em decisões, para preservar a motivação e controle jurisdicional.

    Curso – Até a sexta-feira (11), o especialista Bruno Figueirêdo ministrou, na sede da Escola Superior da Magistratura da Paraíba (Esma-PB), em João Pessoa, o curso ‘Transformação Digital no Judiciário: O Poder da IA Generativa’. A formação, que ocorreu de forma presencial, é voltada a magistrados(as), assessores(as), analistas e técnicos judiciários do Poder Judiciário estadual.

    IA generativa
    Juiz Max Nunes

    O juiz auxiliar da Vice-presidência do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), Max Nunes de França, participou da abertura das atividades no último dia de aula. Na ocasião, ele destacou a importância de dominar o uso consciente e estratégico da inteligência artificial no cotidiano da Justiça.

    “Essa tecnologia tem se integrado cada vez mais à nossa rotina de trabalho, seja na tarefa de resumir processos seja na sistematização de decisões. Saber utilizá-la de forma eficiente, e sempre em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) neste ano, é essencial para o desempenho das atividades diárias no Judiciário”, disse.

    Já o diretor da Diretoria de Tecnologia da Informação do TJPB (Ditec), Daniel Ayres de Melo, reforçou que o tema da Inteligência Artificial vem sendo amplamente debatido nos tribunais de todo o país, e o TJPB não pode ficar de fora desse movimento. Segundo ele, além da adoção de novas ferramentas tecnológicas, é indispensável investir na capacitação dos profissionais que integram o Judiciário paraibano.

    IA generativa
    Daniel Ayres de Melo, diretor da Ditec

    “Essa iniciativa precisa se tornar recorrente. Eu costumo dizer que 2025 está se mostrando um verdadeiro divisor de águas para a Inteligência Artificial. As instituições que não se dedicarem ao tema e não investirem tempo e energia nesse processo, inevitavelmente, ficarão para trás”, assegurou.

    Dentro do ambiente de trabalho do TJPB, o diretor de TI destacou que, especialmente por meio do Google Workspace, os magistrados(as), assessores(as), gerentes e diretores(as) já têm acesso à Inteligência Artificial do Google. “O curso ministrado tem justamente o objetivo de mostrar, na prática, como utilizar essa tecnologia de forma mais eficiente. Ela já está à nossa disposição, o que precisamos agora é potencializar seu uso”, falou.

    Ainda segundo ele, a Ditec está avançando na incorporação da IA também nas audiências judiciais. Atualmente, estão sendo avaliadas pelo menos quatro soluções que poderão ser integradas ao sistema PJe. “O objetivo é acelerar e otimizar o trabalho de servidores e magistrados, promovendo mais agilidade e eficiência no Judiciário paraibano”, disse.

    Por Marcus Vinícius