Etiqueta: Violência Doméstica

  • Judiciário amplia proteção à mulher com protocolo obrigatório contra violência doméstica

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    Um protocolo obrigatório contra a violência doméstica implementado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai ampliar e fortalecer o enfrentamento da violência doméstica contra magistradas e servidoras, em todo o país. No Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), o Comitê de Incentivo à Participação Institucional Feminina, presidido pela desembargadora Fátima Bezerra Maranhão, manterá um canal institucional reservado para suporte, dúvidas e direcionamentos.

    O canal também atuará na difusão da cultura de segurança e não revitimização dentro do Judiciário. “Assegurando que o protocolo não seja apenas formalmente cumprido, mas verdadeiramente vivido como política de proteção e respeito às mulheres”, observou a juíza Isa Mônia Vanessa de Freitas Paiva Maciel, coordenadora do Comitê.

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    Juíza Isa Mônia

    Para a juíza Isa Mônia, o Protocolo Integrado de Prevenção e Medidas de Segurança inaugura um novo patamar de proteção às mulheres que constroem a Justiça. “A inovação estabelece canais sigilosos de denúncia, acolhimento técnico especializado, avaliação de risco e planos individuais de segurança, assegurando resposta institucional célere e humana”, explicou.

    O protocolo passa a integrar um contexto ampliado de políticas públicas que incluem rede de apoio multidisciplinar às mulheres vítimas de violência e a expansão das ações voltadas ao combate da violência de gênero em todo o Judiciário.

    “Essa inovação é mais que normativa: é um compromisso republicano com a dignidade, a igualdade e a segurança, e o TJPB seguirá na vanguarda dessa missão. Nenhuma mulher que constrói a Justiça estará desprotegida na sua própria história. Pelo respeito, pela segurança e por um Judiciário cada vez mais humano e igualitário”, enfatizou a magistrada.

    A juíza Isa Mônia acrescentou que o Comitê de Incentivo à Participação Institucional Feminina do TJPB, vai incorporar essa política de proteção à mulher com atuação técnica, integrada e permanente. O Comitê atuará em três eixos diretos de implementação.

    1. Estruturação e fluxo de proteção:
    Elaboração de protocolos internos, fluxogramas sigilosos de atendimento, critérios objetivos de acionamento da segurança institucional e integração com equipes psicossociais do tribunal, garantindo que cada caso tenha encaminhamento protegido e sem exposição da vítima.

    2. Capacitação e orientação institucional:
    Promoção de formação continuada para magistrados(as), servidores(as), assessorias e equipes de segurança, com foco em identificação de risco, atendimento humanizado, confidencialidade e medidas práticas do protocolo.

    3. Implementação prática e monitoramento:
    Acompanhamento da execução por meio de coleta de dados estatísticos, avaliação de efetividade, visitas técnicas às unidades judiciárias, emissão de notas orientativas e construção de parcerias com redes externas de proteção à mulher, incluindo Patrulhas Maria da Penha, Delegacias especializadas, Defensorias e órgãos municipais de apoio.

    Por Nice Almeida

  • Fonavid debate enfrentamento à violência doméstica através da educação  

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    Fotos dos magistrados paraibanos no evento

    Juiza Graziela e Gabriella e o juiz Henrique Jácome (à direita)

    A educação e a comunicação estão no centro das discussões de magistrados e magistradas de todo o país como estratégias de conscientização e enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. O tema é destaque no XVII Encontro Anual do Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid), que se encerra nesta sexta-feira (14). 

    O evento, realizado desde segunda-feira (10) no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), em São Luís, marcou o lançamento da campanha nacional Judiciário pelo fim do feminicídio. Inspirada na metodologia da pergunta, de Paulo Freire, a iniciativa propõe reflexões e orientações às mulheres, auxiliando na identificação de situações de risco que possam evoluir para o feminicídio.

    O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) está representado pela coordenadora da Mulher em Situação de Violência, juíza Graziela Queiroga; pelos juízes Gabriella de Brito e Henrique Jácome, titulares dos Juizados de Violência Doméstica de João Pessoa e Campina Grande, respectivamente; além da servidora da Coordenadoria, Ângela Ramalho.

    Segundo a juíza Graziela Queiroga, as discussões promovidas pelo Fonavid foram “ricas e salutares”. Ela destacou ainda que a campanha foi integralmente abraçada pelo Poder Judiciário da Paraíba. “Assumimos o compromisso de engajamento e de implementação de ações para que a iniciativa seja acolhida por toda a rede de enfrentamento à violência doméstica no Estado”, afirmou.

    Durante o encontro, a magistrada foi eleita para o cargo de 1ª vice-presidente do Colégio de Coordenadores de Violência Doméstica do Brasil (Cocevid), a partir de março de 2026.

    A juíza Gabriella de Brito também avaliou positivamente o evento e destacou a relevância das estratégias debatidas. “A comunicação dá visibilidade ao tema, orienta sobre as redes de proteção e combate mitos que silenciam vítimas, enquanto a educação forma gerações mais conscientes sobre igualdade de gênero e respeito”, afirmou.

    De acordo com o magistrado Henrique Jácome, a participação foi importante e contribuirá para a discussão de boas práticas e no enfrentamento aos desafios regionais na aplicação da Lei Maria da Penha, em Campina Grande.
    “Aprofundamos conhecimentos sobre temas cruciais, como o combate ao feminicídio, crimes digitais e a influência de estereótipos de gênero nas decisões judiciais, através de debates e troca de experiências com magistrados de todo o país. O Fonavid é fundamental para fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra a mulher, alinhando a atuação do judiciário para garantir a eficácia das medidas protetivas e a responsabilização dos agressores”, declarou.

    Para os juízes, o trabalho do Fórum estimula a atuação integrada da rede de proteção e reafirma o compromisso do Judiciário com a promoção de uma cultura de paz e de defesa das mulheres.

    Sobre o Fonavid 

    O Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) foi criado em 31 de março de 2009, durante a III Jornada da Lei Maria da Penha realizada em parceria entre o Ministério da Justiça, SPM e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
    O objetivo do Fórum é garantir a efetividade nacional da Lei 11.340/2006, promovendo ações que resultem na prevenção e no combate eficaz à violência doméstica e familiar contra a mulher, por meio do aperfeiçoamento e da troca de experiências entre os(as) magistrados(as) que o compõem, e integrantes das equipes multidisciplinares, para participação ativa junto aos órgãos responsáveis pelas políticas públicas que dizem respeito à matéria.
    Por Gabriela Parente

     

  • Câmara Criminal mantém condenação por violência doméstica em Campina Grande

    A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba decidiu manter, por unanimidade, a condenação de um homem acusado de lesão corporal contra sua então namorada, no contexto de violência doméstica. O crime ocorreu no bairro José Pinheiro, em Campina Grande, no dia 12 de março de 2023.

    Conforme a denúncia, o acusado agrediu a vítima com tapas na cabeça e nuca, empurrando-a contra a parede e desferindo chutes nas coxas, após uma discussão. A mulher sofreu lesões físicas que foram comprovadas por laudo traumatológico. Após a agressão, ela deixou a residência do companheiro e registrou o caso na Delegacia de Polícia, onde solicitou medidas protetivas.

    Na decisão de primeiro grau, o réu foi condenado a um ano de reclusão, em regime aberto, com suspensão condicional da pena por dois anos, além do pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 1.000,00. A defesa recorreu pedindo absolvição por insuficiência de provas ou, de forma subsidiária, a exclusão ou redução do valor indenizatório.

    No julgamento da apelação, o relator do processo nº 0820156-76.2023.8.15.0001, juiz convocado Miguel de Britto Lyra, destacou que a materialidade do delito ficou comprovada pelo laudo pericial, enquanto a autoria foi reforçada pelos depoimentos da vítima e de testemunhas. O magistrado ressaltou ainda que, nos crimes de violência doméstica, a palavra da vítima possui especial valor probatório, especialmente quando corroborada por outros elementos, como no caso em análise.

    O colegiado também considerou adequada a fixação do valor de R$ 1.000,00 como reparação de danos morais, alinhada com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Tema 983). Com isso, a Câmara Criminal do TJ/PB negou provimento ao recurso e manteve a condenação na íntegra.

    Da decisão cabe recurso.

    Por Lenilson Guedes

     

  • Mulheres: as dores na alma provocadas pela violência e a cura dos traumas

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    A noite seria de festa. Ela vestiu o melhor vestido, escovou os cabelos, pintou as unhas de vermelho e fez uma bela maquiagem. Ficou linda! Mas, uma frase do companheiro desmontou toda a produção. “Vai pra onde parecendo uma palhaça?”. Ao contrário do esperado elogio, veio uma agressão psicológica, o início de uma história de violência completamente contrária às apresentadas nos contos de fadas da infância.

    O relato poderia ser de uma personagem específica. Não é! É a infeliz realidade de centenas, milhares de mulheres brasileiras que se encantaram por um suposto príncipe que, com o passar do tempo, se revelou sapo… pior que isso, uma fera que agride, fere e até mata.

    Na última reportagem da série ‘Mulheres, não estamos sozinhas!’, vamos conhecer as marcas psicológicas tatuadas nas vítimas de violência doméstica e familiar e saber os caminhos para curá-las e encontrar-se com a superação. 

    A série foi desenvolvida em parceria da Coordenadoria da Mulher e a Gerência de Comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e inclui vídeos, artes, textos e podcasts, que buscam evidenciar o trabalho da Justiça e de toda a rede de proteção feminina em prol das mulheres. A ideia é divulgar serviços, conquistas e reconhecer o potencial feminino de forma mais ampla. Os conteúdos serão publicados no Instagram, no Portal e no YouTube do TJPB.

    As dores na alma de quem sofre violência

    A frase colocada acima é apenas um exemplo suave do que as mulheres vítimas de violência doméstica e familiar escutam daqueles que se intitulam seus companheiros. As palavras e ações do agressor minam todas as possibilidades de ela enxergar o quanto é bonita, inteligente, elegante, bem-humorada, feliz. Retiram dela toda a autoconfiança, a afastam da família, isolam-na dos amigos. 

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    Psicóloga Elba Possidônio

    O tratamento agressivo provoca grandes dores, vai matando-as, porque elas internalizam o que ouvem, acreditam naquela pseudo-verdade e desistem de tudo. A primeira morte provocada é a da autoestima, como explica a psicóloga Elba Possidônio, liderança nacional do Projeto Justiceiras, que visa suprir a necessidade de canais e sistemas alternativos para combater e prevenir a violência de gênero.

    “Na violência doméstica, a primeira porta é a psicológica, porque a primeira coisa é acabar com a autoestima. Você não tem autoestima, não confia em você, não sabe mais quem você é, não tem mais identidade. Você vai ouvindo essas coisas e começa a acreditar. Como não acreditar? A pessoa que diz que te ama, que vai cuidar de você, que no início era o príncipe encantado, aí de repente ele está lhe dizendo que a roupa não está apropriada? Você vai acreditar! E o discurso é:  Você sabe que eu estou falando para o seu bem. Aí a mulher vai internalizando isso até que chega um momento que para você tirar ela dali, daquela certeza que ela tem, leva um longo tempo”, relata a psicóloga.

    Outra ferida que se abre é o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), uma patologia mental que pode surgir após a exposição a um evento traumático, como a violência doméstica. Elba Possidônio usa uma metáfora interessante que ouviu de um amigo para nos fazer entender a essência do TEPT.

    “É como uma cobra que você vê dentro de casa, vai buscar algo para matar, mas quando volta a cobra não está mais ali. Então, você vai ficar o tempo todo assustada, sem saber onde a cobra está. Você estará atrás dela dentro de casa o tempo todo. Na violência doméstica é isso, a mulher está o tempo todo atenta, alerta, aí já não vai mais dormir, porque vai passar a noite pensando no que fazer para no dia seguinte não ser agredida de novo. Não consegue dormir porque passa a noite pensando na solução, até para ele não bater nos filhos”, exemplificou a profissional.

    Como curar a dor

    É preciso buscar ajuda! Das autoridades, das redes de apoio e de um profissional. A terapia é um grande passo para entender o processo de violência e se libertar dele. “A psicoterapia é extremamente importante. Por que, o que é que a psicóloga vai fazer? Vai lhe mostrar que você tem vida, que você tem um significado”, ressalta Elba Possidônio, revelando uma técnica importante para o processo de cura. Sim, há cura para essas dores!

    “Quem é você? Essa é uma das perguntas que eu mais faço. Eu peço para a pessoa escrever uma carta descrevendo quem é ela. Mas, assim, quem é ela de verdade, não quem ela está sendo agora. Sua condição hoje, você não é isso! Quando se faz esse reconhecimento de quem é você, começa a cura, a saber que é capaz, a se aceitar e aí você vai se reconstruindo. É juntar tijolinho por tijolinho. É rápido? Não! Muitas vezes essa mulher precisa de muito tempo para recuperar sua autoestima, saber que ela está viva. Cura tem, pode demorar um pouco, mas tem! Com perseverança, a gente consegue”, coloca.

    Justiceiras, quem são elas?

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    O ‘Justiceiras’ foi criado em 2020 pelo Instituto Justiça de Saia, com o apoio dos Institutos Nelson Wilians e Bem Querer Mulher, e se tornou um canal online e multidisciplinar para o recebimento de denúncias sobre todas as formas de violência contra a mulher.

    O projeto possibilita uma orientação para que mulheres em situação de violência realizem, quando desejarem, o boletim de ocorrência online ou presencial, ou façam o pedido de medidas protetivas. De outro modo, é uma rede de mulheres unidas para informar e, antes de mais nada, apoiar, fortalecer e encorajar as meninas e mulheres que estão em situação de violência doméstica.

    Caminhando nessa esteira, o projeto reúne mulheres que acreditam que sim, existe vida após a violência e formam um grande exército de voluntárias “Justiceiras”. Atualmente, a psicóloga Elba Possidônio é uma liderança nacional do projeto.

    “Nós somos 16 mil mulheres como voluntárias. E nós já atendemos 18 mil mulheres. Nós temos advogadas, psicólogas, assistentes sociais, médicas, o que a gente chama de rede de apoio, que não precisa ter, necessariamente, uma formação. O projeto a gente chama de pronto-socorro”, fala. 

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    Reconstruir mulheres

    ‘Mulheres, não estamos sozinhas!’. O nome dessa série não foi escolhido à toa. Somente entendendo isso é que as mulheres vítimas de violência conseguirão se encorajar e pedir ajuda. E nem sou eu quem está dizendo isso. É a especialista, a psicóloga Elba Possidônio.  “Essa mulher precisa saber que ela não está sozinha, que tem um monte de mulher junto com ela, isso é uma coisa importantíssima. Quando eu atendia eu falava sempre isso: A partir de hoje você não está sozinha”, reforça.

    O resultado, acreditem, confiem, é o melhor: a reconstrução, o recomeço, a felicidade. “Teve um caso que foi muito marcante. Eu nem lembrava mais que eu tinha atendido essa mulher. De repente, vejo uma notificação no meu Instagram, que alguém me marcou em uma postagem. E era essa mulher com os filhos do lado, vestida com roupa de formatura, dizendo que agradecia aos filhos e me agradecia, porque eu tinha mostrado que ela era capaz de concluir uma faculdade. É muito emocionante!”, comemora a psicóloga.

    Procure ajuda! 

    https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSft–ccomNpgfVaU0O9Xjpmg_vLmhHsKZ8SG5YiphdMRshpgg/viewform?pli=1 

    Seja uma voluntária! 

    https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdRaN8RiBdH7iYLQuZB-78FNr9kZPmsr-vrywpqo_IhBrmUSg/viewform 

    A história não acaba aqui

    Nenhuma de nós, mulher, é uma super-heroína. A diferença é que, quando nos unimos, nossa força cresce e somos capazes de mudar o mundo. Na série ‘Mulheres, não estamos sozinhas!’, descobrimos o poder dessa aliança, da tão falada sororidade, e conhecemos as mais diversas formas de interromper o ciclo de violência que tenta nos enfraquecer. Claro, essa é uma história que ainda não acaba aqui, mas tenhamos a esperança de um dia viver em um mundo onde somente o amor prevalecerá.

    Por Nice Almeida

     

  • Câmara Criminal mantém condenação de réu por violência doméstica

    A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba confirmou a sentença que condenou um homem pelo crime de violência doméstica. O acusado cumprirá uma pena de dois anos, oito meses e 10 dias de reclusão, em regime fechado, além de pagar R$ 8 mil de indenização pelos danos causados à vítima. A decisão foi proferida no julgamento da Apelação Criminal nº 0804681-95.2024.8.15.0211, oriunda da 2ª Vara Mista da Comarca de Itaporanga.

    De acordo com os autos, o crime ocorreu na madrugada do dia 25 de agosto de 2024, na residência do casal. O acusado, sob efeito de drogas e em estado alterado, agrediu a companheira com o fio de uma extensão elétrica, causando lesões na região lateral do abdômen direito. No mesmo dia, durante a tarde, ele voltou a agredir a vítima, apertando seu pescoço com as mãos, batendo com um celular em sua cabeça e proferindo insultos. A segunda agressão levou o pai da vítima a acionar a Polícia Militar, que prendeu o acusado em flagrante e o encaminhou à Delegacia de Polícia.

    O réu foi condenado nas penas do artigo 129, §13, combinado com o artigo 71, ambos do Código Penal. A defesa recorreu da decisão, alegando falta de provas e invocando o princípio do in dubio pro reo (na dúvida, a decisão deve favorecer o réu), pleiteando a absolvição do acusado.

    Entretanto, o relator do caso, desembargador Joás de Brito Pereira Filho, destacou que, em crimes de violência doméstica, o depoimento da vítima possui valor probatório relevante, principalmente quando corroborado por outras evidências. Ele ressaltou que os laudos periciais confirmam as lesões descritas e que os depoimentos das testemunhas reforçam a autoria do crime. “No presente caso, a farta documentação probatória, incluindo laudos periciais e depoimentos testemunhais coerentes, afasta qualquer incerteza quanto aos fatos apurados”, afirmou o relator.

    Ainda conforme o relator, “não há que se falar em absolvição por insuficiência de provas, eis que restaram suficientemente demonstradas a materialidade e a autoria do crime descrito na denúncia”.

    Da decisão cabe recurso.

    Por Lenilson Guedes

     

  • TJPB destaca novo painel para monitorar processos de violência doméstica

    Um dos importantes mecanismos que serve de base para ações no enfrentamento à violência contra a mulher é a utilização e monitoramento de dados estatísticos, os quais concretizam o problema e dão a dimensão da realidade da violência que sofrem as mulheres. Nesta terça-feira (11), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou um novo painel de acompanhamento de dados sobre processos judiciais relativos à violência doméstica. 

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    Coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica

    O Tribunal de Justiça da Paraíba, dentre as iniciativas voltadas ao combate à violência doméstica e familiar, com a utilização de BI (business intelligence), por meio da Diretoria de Tecnologia da Informação, também terá um painel que fornecerá informações neste sentido, segundo informou a coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário estadual, juíza Graziela Queiroga Gadelha de Sousa.

    “A Paraíba, em consonância com a ferramenta disponibilizada pelo CNJ, terá também o seu observatório, o painel que será divulgado no site do Tribunal de Justiça, alimentado com os dados do DataJud, Base Nacional de Dados do Poder Judiciário, que é de onde vêm as informações  relativas ao monitoramento feito pelo Conselho de todo o país, inclusive de todos os tribunais”, explicou a magistrada Graziela Queiroga. 

    Para a coordenadora da Mulher do TJPB, o novo painel de acompanhamento de dados do CNJ tem uma importância singular, pois permitirá, para todos os envolvidos no sistema de Justiça obterem informações quantitativas e qualitativas sobre a atuação da Justiça na apreciação dos processos de violência doméstica, a exemplo do tempo médio de tramitação processual, concessão de medidas protetivas, dentre outros. 

    “O painel possibilita um panorama, um retrato, vamos assim dizer, a níveis nacional e estadual deste equipamento, em especial as medidas protetivas, principais mecanismos de efetivação da Lei Maria da Penha, além de facilitar nas ações da rede de proteção para a execução de políticas públicas e nos encaminhamentos e aprimoramento também dos serviços que são prestados. É uma ferramenta de suma importância no enfrentamento à violência contra mulher”, realçou a juíza Graziela Queiroga.

    A secretária Estadual da Mulher e da Diversidade Humana, Lídia Moura, também reforçou a relevância da iniciativa. Segundo pontuou, quanto mais dados, mais facilita a compreensão e os detalhes sobre a violência, bem como, serve para aprimorar a gestão de novas políticas públicas de proteção às mulheres. Ela destacou, ainda, a parceria com o TJPB referente a atuação e eficácia da Patrulha Maria da Penha no enfrentamento ao feminicídio, como um exemplo da importância do trabalho em conjunto.

    “Nós precisamos juntar muitas forças para obtermos o sucesso. Então, uma ferramenta que vai disponibilizar dados tão relevantes a partir do sistema de Justiça, eu acredito que eles podem se transformar numa tecnologia social para que a gente possa ter novos mecanismos de enfrentamento às violências”, frisou a secretária Lídia Moura.

    De acordo com dados fornecidos pela Polícia Civil da Paraíba, referentes a procedimentos de medidas protetivas de urgência, relativas à Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), de janeiro a dezembro de 2024, foram registradas 7.697 medidas protetivas, 5.970 inquéritos policiais e 2.115 autos de prisão em flagrante.

    Por Lila Santos com informações da Agência CNJ de Notícias

     

  • Presidente do TJPB apoia campanha Sinal Vermelho contra a violência doméstica, do CNJ

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    Luciana Rocha, Fred Coutinho e Graziela Queiroga

    O presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), desembargador Fred Coutinho, manifestou apoio à campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A adesão foi reforçada nesta sexta-feira (7), durante a visita da juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Luciana Lopes Rocha, ao TJPB. O encontro abordou temas relacionados à proteção dos direitos das mulheres e a importância da campanha no combate à violência doméstica.

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    Juíza Luciana Rocha conheceu ambientes do TJPB

    Após a reunião, o desembargador Fred Coutinho acompanhou a juíza Luciana Rocha em uma visita ao Museu e à Cripta de Epitácio Pessoa, além do Salão Nobre do TJPB. Em seguida, ele participou de um evento promovido pelo Governo do Estado no Espaço Cultural, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

    Sobre a Campanha Sinal Vermelho

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    A campanha tem como objetivo proporcionar um meio silencioso e eficaz para que mulheres vítimas de violência doméstica possam pedir ajuda em farmácias, órgãos públicos e agências bancárias. O sinal “X” desenhado na palma da mão, com batom vermelho ou qualquer outro material, permite que os atendentes desses estabelecimentos identifiquem a situação e acionem imediatamente as autoridades policiais.

    A juíza Luciana Rocha destacou a importância da campanha e a emoção em participar das atividades no TJPB. “Nesta celebração do Dia Internacional da Mulher eu estou especialmente emocionada por conhecer esse prédio histórico do Tribunal de Justiça. Tivemos a oportunidade de estar junto com o presidente divulgando a campanha Sinal Vermelho, que é uma política importante de proteção aos direitos humanos das mulheres. Por meio de um X na mão, é possível um pedido silencioso de socorro. E o presidente engajou-se na luta pelos direitos humanos das mulheres, fortalecendo essa importante política”, afirmou.

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    Fred Coutinho prestigiou evento do Governo sobre mulher

    O desembargador Fred Coutinho também ressaltou a relevância da iniciativa: “Hoje é um dia diferente para nós. Iniciamos com a comemoração do Dia Internacional da Mulher, com a presença da doutora Luciana, da doutora Graziela, com servidoras, magistradas e com a sociedade. É uma campanha de suma importância. É um alerta que deve ser amplamente divulgado para que possamos proteger cada vez mais a mulher, porque o objetivo do nosso Judiciário é o bem-estar social. E esse bem-estar é formado, acima de tudo, por políticas voltadas à cidadania. E cidadania, como eu sempre digo, é tudo para nós”, pontuou.

    Por Lenilson Guedes