A inclusão de pessoas LGBTQI+ no mercado de trabalho ainda é um desafio para as empresas brasileiras. Muitas companhias ainda não contam com uma cultura de acolhimento em seus ambientes internos, o que dificulta a integração dessas pessoas com os demais colaboradores.
No entanto, cada vez mais se intensifica a necessidade de transformação desse cenário. Segundo Keyllen Nieto, fundadora da Integra Diversidade, se as empresas que ainda não enxergam essas questões não mudarem, elas acabarão se tornando irrelevantes em um curto período de tempo.
“As pessoas LGBTQI+, ou de qualquer outro grupo minorizado, estão cada vez mais precisando e exigindo um ambiente no qual elas possam ser elas mesmas”, destacou a ativista e especialista em temas LGBTQI+, juventude e gênero.
Keyllen listou algumas recomendações para as empresas que desejam tornar seus ambientes mais inclusivos para pessoas LGBTQI+. Em primeiro lugar, é importante entender que a sigla faz referência a diferentes grupos, cada um com suas próprias características. Entenda:
L: Lésbicas – mulheres que se identificam com seu gênero e tem preferência sexual por mulheres;
G: Gays – homens que se identificam com seu gênero e tem preferência sexual por homens;
B: Bissexuais – pessoas que têm preferência por dois ou mais gêneros;
T: Trans (engloba travestis, transexuais e transgêneros) – pessoas que não se identificam com os gêneros que lhes foram atribuídos na hora do nascimento, baseados em seus órgãos sexuais;
Q: Queer – pessoas que transitam entre os gêneros sem se identificar com rótulos;
I: Intersexuais – pessoas não definidas distintamente como homens ou mulheres (hermafroditas); e
+: outras letras, como A de assexual.
► Empregabilidade trans ainda é um desafio para o mercado de trabalho
(Foto: Pixabay)
Como desenvolver um ambiente inclusivo dentro da empresa?
A empresa que deseja fomentar uma cultura mais inclusiva em seu ambiente deve ter o cuidado de promover ações reais de formação, contando com o envolvimento de todas as áreas. Esse processo pode iniciar pelo RH, setor mais ligado às pessoas, mas deve incluir, também, áreas que geralmente ficam de fora dessas ações, como o setor de TI.
“Devem ser realizadas ações de promoção da diversidade dentro de uma perspectiva transversal. Se você comunica que a empresa preza por um ambiente diverso e inclusivo, ela deve ser capaz de acolher pessoas LGBTQI+ e de outras diversidades” enfatizou Keyllen.
O primeiro passo é, justamente, iniciar um trabalho interno, orientando sobre como as questões de diversidade e inclusão são importantes para a empresa. Os processos de seleção e recrutamento também devem ser repensados.
Os recrutadores devem saber usar a linguagem correta e entender quais perguntas não devem ser feitas, por exemplo. De acordo com a especialista, a linguagem inclusiva é fundamental na atração desses talentos diversos.
O conceito de linguagem inclusiva está atrelado a um vocabulário que evite afirmações preconceituosas e qualquer tipo de discriminação. O intuito é usar a linguagem como mais uma ferramenta para promoção da igualdade. Diante disso, alguns termos comumente usados devem ser evitados, como:
| Termos que não deve usar | Termo correto |
| Opção sexual | Orientação sexual |
| GLS | LGBTQI+ |
| Parceiro/casal homossexual | Casal homoafetivo |
| Mudança de sexo | Readequação de sexo e gênero |