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  • População vê Lula e Bolsonaro como culpados por fraudes no INSS

    População vê Lula e Bolsonaro como culpados por fraudes no INSS

    Duas pesquisas de opinião divulgadas nesta segunda-feira (16) indicam que a população brasileira atribui responsabilidades tanto ao governo atual quanto à gestão anterior pelo avanço das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os levantamentos realizados pelos institutos Ipsos-Ipec e Datafolha mostram que, embora a percepção de culpa recaia sobre os dois presidentes, o atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concentra índices maiores de responsabilização.

    Dados revelam percepção de falhas nas gestões petista e bolsonarista diante de irregularidades no INSS.

    Dados revelam percepção de falhas nas gestões petista e bolsonarista diante de irregularidades no INSS.Adriana Toffetti/A7 Press/FolhaPress

    Responsabilidade dividida, mas com peso maior sobre Lula

    Na pesquisa Ipsos-Ipec, realizada entre os dias 5 e 9 de junho com 2.000 entrevistados em 132 municípios, 43% dos participantes afirmam que a atual gestão é responsável pela escalada do problema, devido ao aumento dos valores envolvidos nas fraudes. Outros 35% acreditam que o esquema se originou no governo de Jair Bolsonaro (PL), mas só foi revelado graças à atuação investigativa do governo Lula.

    Além disso, 6% disseram concordar com as duas afirmações, 4% não concordaram com nenhuma, e 12% não souberam ou não responderam. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

    A Datafolha, por sua vez, ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 11 de junho, em 136 cidades. De acordo com o levantamento, 78% dos entrevistados atribuem ao menos alguma responsabilidade ao presidente Lula, sendo que 50% o consideram “muito responsável” e 28% atribuem “um pouco” de responsabilidade. Jair Bolsonaro também é responsabilizado por 70% dos entrevistados, com 41% dizendo que ele tem “muita responsabilidade” e 29%, “um pouco”.

    Avaliação negativa da resposta do governo Lula

    O Ipsos-Ipec também avaliou a percepção da população sobre a resposta do governo federal à crise envolvendo descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões. Para 54% dos entrevistados, a atuação foi ruim ou péssima. Já 22% avaliaram a resposta como ótima ou boa, 18% como regular, e 6% não souberam ou não responderam.

    A pesquisa Datafolha apresenta resultado semelhante: 38% classificaram a reação do governo Lula como ruim ou péssima, e 26% como ótima ou boa. A sondagem também mostrou que 59% acreditam que os aposentados serão ressarcidos, mas a maioria dos que confiam no reembolso (80%) acham que ele será lento.

    Cresce pressão por CPI e queda na confiança no INSS

    Os dados da Datafolha revelam ainda que 87% dos entrevistados defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso. A confiança na instituição também foi afetada: 51% deram nota 1 ou 2 ao INSS, numa escala de 0 a 10.

  • Gleisi diz que, “com um bom diálogo”, decreto do IOF não vai cair

    Gleisi diz que, “com um bom diálogo”, decreto do IOF não vai cair

    A ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, disse que o governo deve convencer o Congresso Nacional a não derrubar a versão mais recente do decreto de alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A declaração está em entrevista concedida ao jornal Valor Econômico publicada nesta segunda-feira (16), data em que a Câmara já pode votar o regime de urgência para o projeto de derrubada do decreto.

    A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais):

    A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais): “Todo mundo vai sofrer com um aperto orçamentário”.Pedro Ladeira/Folhapress

    “Penso que conseguiremos demovê-los de votar a derrubada do decreto no diálogo. Com um bom diálogo, manteremos o decreto”, disse a ministra. Segundo ela, o decreto atualmente em vigor “foi feito conversando com os líderes, adequando-se ao que eles falaram, porque a gente queria fazer a coisa de forma compartilhada”.

    O decreto do IOF que hoje é alvo na Câmara é um recuo em relação ao que o governo propunha inicialmente, amenizando as taxas para crédito a empresas e subindo o piso para o início dos impostos sobre previdência privada. O Congresso, porém, reagiu mal ao aumento da carga tributária. O governo estabeleceu ainda um pacote de medidas para compensar a perda de arrecadação, que inclui aumento de impostos sobre apostas online e fintechs.

    Queda do decreto afetaria emendas

    Gleisi disse ainda que a queda do decreto e a rejeição das medidas compensatórias acabaria afetando os próprios congressistas: com as contas mais apertadas, o governo seria obrigado a contingenciar mais recursos do Orçamento, o que atingiria as emendas parlamentares (recursos que são direcionados pelos próprios senadores e deputados).

    “Isso seria ruim também para o Congresso com as emendas, que são igualmente submetidas a bloqueio e contingenciamento”, explicou a ministra. “Nós estamos acreditando que as medidas que estamos enviando sejam aprovadas, se não integralmente como estão, mas em sua maioria. Mas sempre caberá ao Congresso 25% do contingenciamento porque as emendas parlamentares são parte dos recursos discricionários”.

  • Comitiva brasileira em Israel chega em segurança à Jordânia

    Comitiva brasileira em Israel chega em segurança à Jordânia

    O grupo de 12 prefeitos e gestores públicos que saiu de Israel na manhã desta segunda-feira (16) atravessou com segurança a fronteira com a Jordânia, fora da zona de conflito. A informação foi confirmada por Nélio Aguiar, tesoureiro da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que integra o grupo.

    O deslocamento ocorre após o agravamento do conflito entre Israel e Irã, que levou ao fechamento do espaço aéreo israelense e à suspensão de voos comerciais. Ao todo, 12 políticos iniciaram a retirada. Inicialmente, eram 13, mas um deles desistiu da viagem por receio de bombardeios.

    Deslocamento foi confirmado por integrante da comitiva.

    Deslocamento foi confirmado por integrante da comitiva.Mapa: Google Maps (Acesso em 16/06/2025)

    Após entrar em território jordaniano, o grupo segue em deslocamento interno e aguarda definição sobre o voo de retorno ao Brasil. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou estar de prontidão, mas ainda não foi acionada.

    A comitiva é formada por prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários municipais de diversas cidades. Entre os nomes estão os prefeitos Álvaro Damião (Belo Horizonte), Cícero Lucena (João Pessoa), Welberth Porto (Macaé) e a vice-prefeita de Goiânia, Cláudia da Silva. Eles participavam da Expo Muni Israel 2025, feira internacional de tecnologia voltada à gestão pública, interrompida por causa do conflito.

  • Deputado propõe usar verba da privatização da Eletrobrás na Amazônia

    Deputado propõe usar verba da privatização da Eletrobrás na Amazônia

    O deputado Pauderney Avelino (União-AM) apresentou uma emenda à medida provisória 1300/2025, que trata da reforma do setor elétrico para destinar parte dos recursos oriundos da privatização da Eletrobrás a projetos de geração de energia limpa nos estados da Amazônia Legal.

    Na justificativa, o parlamentar destaca que “usinas de geração de energia renovável contribuem para a modicidade tarifária com preços reduzidos de contratos de energia para as concessionárias de distribuição de energia elétrica”. Essas usinas também desempenham papel relevante na redução de emissões de gases de efeito estufa.

    Iniciativa busca reduzir custos de geração de energia e levar estabilidade elétrica a áreas isoladas da região.

    Iniciativa busca reduzir custos de geração de energia e levar estabilidade elétrica a áreas isoladas da região.Fernando Frazão/Agência Brasil

    A proposta inclui a criação de um comitê gestor para definir os critérios de aplicação dos recursos e a seleção dos projetos. Estão previstas iniciativas como interligações de áreas isoladas e o desenvolvimento de usinas consideradas estratégicas.

    O texto dá prioridade a usinas de energia renovável consideradas estratégicas pelo Conselho Nacional de Política Energética. São projetos localizados em áreas remotas da Amazônia, com potencial de substituir o uso de geradores a diesel e ampliar a integração da região ao Sistema Interligado Nacional. Essas usinas foram indicadas como prioritárias entre 2017 e 2019 para licitação e implantação.

    A emenda propõe ainda que parte desses recursos seja destinada a cobrir os altos custos de projetos exigidos por lei em áreas de impacto ambiental, como compensações relacionadas a comunidades indígenas. Segundo Pauderney, os estudos usados nos leilões de energia costumam subestimar esses gastos, o que prejudica a viabilidade econômica dos empreendimentos.

    O principal objetivo da emenda, de acordo com o deputado, é atender aos municípios do interior do Amazonas, ainda dependentes de sistemas movidos a diesel. “Além de pagar caro pela energia, a população ainda sofre com apagões, uma energia instável e poluente”, afirmou.

  • Entenda as “emendas paralelas” de comissão que entraram no radar do STF

    Entenda as “emendas paralelas” de comissão que entraram no radar do STF

    A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino que chacoalhou as relações entre os Três Poderes na semana passada menciona a suposta existência de “emendas paralelas” no Orçamento de 2025. O caso, informado à Corte pelas ONGs Transparência Brasil, Transparência Internacional Brasil e Associação Contas Abertas, indica uma espécie de “drible” na lei orçamentária, em uma jogada que esconderia informações sobre os repasses e estouraria o teto definido por lei.

    Emendas parlamentares são, como o Congresso em Foco já detalhou antes, a parte do Orçamento federal que tem seu destino decidido pelos deputados e senadores. São uma forma para que congressistas direcionem dinheiro para as suas bases eleitorais e, por isso, são assunto de intensa negociação política. Nesse universo, as emendas de comissão são aquelas que são definidas pelas comissões temáticas da Câmara e do Senado, o que, em 2025, representaria R$ 11,5 bilhões do orçamento.

    Até aí, tudo bem. O que as entidades narram, porém, é que uma norma da Comissão Mista de Orçamento (leia aqui, na íntegra, e procure o Artigo 13) abriu uma brecha para que parte dessas emendas fossem registradas com outro código – ou seja, funcionam como emendas, são indicadas pelos congressistas, mas aparecem na peça orçamentária como se não fossem.

    A gambiarra, além de dar margem para um estouro de R$ 8,51 bilhões no teto para emendas de comissão, ainda serviria para tornar esses repasses de dinheiro menos rastreáveis e mais difíceis de checar. Desça na reportagem e entenda.

    Os gastos têm nome

    O Orçamento federal é um plano financeiro do governo para cada ano. Nele, cada despesa é registrada com um código específico: RP1 são despesas obrigatórias, RP2 são gastos não-obrigatórios, RP3 são custos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e assim por diante.

    Emendas parlamentares também entram na regra. As de comissão, por exemplo, aparecem como RP8 no orçamento. Isso significa que o teto de R$ 11,5 bilhões para emendas fica aplicado ao código: para vermos o quanto o Orçamento tem de emendas de comissão, em teoria, somamos tudo o que ele tem de despesas RP8.

    A manobra narrada pelas entidades ao STF se sustenta, justamente, na rotulação errada dos gastos:

    • Uma resolução da CMO, que começou a valer só em 2025, determina que as emendas de comissão sejam apresentadas inicialmente com o código RP2, reservado para gastos não-obrigatórios do governo.
    • Pela mesma resolução, cabe ao relator-geral do Orçamento, que pode ser um deputado ou um senador, fazer a mudança do código de cada emenda de comissão – RP2 para RP8 – para que ela seja identificado corretamente na versão final aprovada pelo Congresso. A norma da CMO não coloca isso como necessidade, dizendo que ele está “autorizado” a fazer a alteração.

    O que acontece, então, se o relator não faz essa mudança em todas as emendas? De acordo com as entidades de transparência, acontece o cenário relatado ao STF: parte desse dinheiro acaba registrado como gasto do governo, e não como emenda parlamentar. Com isso, ele não entra na contabilização e fica fora do limite estabelecido pela lei para as emendas.

    O caso é detalhado em um relatório produzido pela Transparência Brasil (leia aqui na íntegra). A entidade diz que um total de R$ 8,51 bilhões em emendas de comissão não foram ajustadas pelo relator, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), e acabaram marcadas como RP2 ou, ainda, como RP3, como despesas do PAC. Com a contagem dessas, o Orçamento na prática somou um total de R$ 20 bilhões nesse tipo de emenda, estourando o teto de R$ 11,5 bi.

    O problema

    A diretora de programas da Transparência Brasil, Marina Atoji, que foi responsável pelo levantamento da entidade sobre as “emendas paralelas”, afirma que o problema desses gastos vai além no drible do teto. Na falta do código que as identifique corretamente, as emendas paralelas ficam opacas.

    “Na hora em que o gasto é concretizado, elas se misturam aos gastos não direcionados por emendas”, diz Atoji. “A sociedade não consegue saber exatamente quem direcionou esse recurso, nem se esse direcionamento foi baseado em dados, indicadores de políticas públicas ou apenas em interesse político-eleitoral. Além disso, também ficamos às escuras sobre o quanto de fato do orçamento executado teve influência direta de parlamentares”.

    E o procedimento de registrar as emendas inicialmente como RP2 tem alguma justificativa – é mais eficiente, ou dá alguma margem para uma melhor gestão de recursos? “Dessas perspectivas, esse procedimento não faz sentido”, responde Atoji. “Tampouco faz sentido que o relator fique responsável por determinar quais seriam consideradas como RP 8, especialmente quando não foram estabelecidos critérios para essa ação.”

    Ponto de conflito

    A questão da transparência das emendas parlamentares vem sendo um ponto de conflito entre os Três Poderes. O ministro Flávio Dino é relator de uma série de ações no STF a respeito das regras para a execução dos repasses. Como os pagamentos funcionam como moeda de troca entre governo e Congresso Nacional, as decisões do Judiciário costumam ser vistas como invasão de um Poder nas atribuições dos outros.

    Na sua decisão sobre o caso, Dino chega a dizer que, a princípio, os pagamentos rotulados como RP2 e RP3 não fariam parte do processo, por não serem tecnicamente emendas parlamentares, e pede mais informações. A Transparência Brasil sustenta que, de fato, isso só se dá no nome: seriam despesas propostas por parlamentares, registradas como emendas nas atas das comissões, e só registradas de outra forma. Seguem todo o caminho reservado às emendas e, no final, só ganham um nome diferente.

  • Comissão da Câmara aprova piso salarial para tradutores e intérpretes

    Comissão da Câmara aprova piso salarial para tradutores e intérpretes

    A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece um piso salarial nacional de R$4 mil mensais para tradutores, intérpretes e guias-intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A medida visa garantir uma remuneração mínima para profissionais que atuam na inclusão e acessibilidade de pessoas surdas em todo o país.

    O valor será reajustado anualmente, sempre em 1º de janeiro, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Caso o índice seja extinto, será adotado o indicador oficial que vier a substituí-lo.

    Profissionais de Libras exercem papel essencial na comunicação entre surdos e ouvintes em diversos contextos sociais.

    Profissionais de Libras exercem papel essencial na comunicação entre surdos e ouvintes em diversos contextos sociais.José Cruz/Agência Brasil

    O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Ossesio Silva (Republicanos-PE), ao projeto de lei 3348/2024, de autoria do deputado Ronaldo Nogueira (Republicanos-RS). Segundo Silva, os ajustes foram apenas de redação, mantendo-se o teor e objetivo original da proposta.

    “A instituição do piso salarial nacional contribuirá para uniformizar o tratamento remuneratório dessas categorias, combater distorções entre os entes federativos e fomentar a qualificação continuada do serviço prestado”, argumentou o relator.

    Para Ronaldo Nogueira, a proposta representa um avanço importante na valorização da categoria. “Esta proposta visa assegurar uma remuneração justa para esses profissionais, que desempenham papel crucial na inclusão e na acessibilidade de pessoas surdas”, afirmou.

    A medida tramita em caráter conclusivo, o que significa que pode ser aprovado diretamente pelas comissões designadas, sem passar pelo plenário, salvo se houver recurso. Agora, ele segue para análise nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado, seguirá para o Senado Federal.

  • Gleisi sai em defesa de Hugo Motta diante do impasse do IOF

    Gleisi sai em defesa de Hugo Motta diante do impasse do IOF

    A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, saiu em defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta segunda-feira (18). Em publicação nas redes sociais, a chefe da pasta afirmou que o relacionamento entre Câmara e Executivo tem se caracterizado por “responsabilidade e firmeza” nos acordos entre os poderes.

    Ministra Gleisi Hoffmann.

    Ministra Gleisi Hoffmann.Gil Ferreira/SRI

    “No comando da Câmara, [Hugo Motta] trouxe previsibilidade na pauta legislativa, sempre fruto do colégio de líderes, que expressa manifestações dos parlamentares. Tratamos às claras dos interesses do país e isso tem sido fundamental para a tramitação das propostas do governo no Legislativo”, escreveu Gleisi Hoffmann.

    O posicionamento da ministra se dá em um momento de tensão entre os desejos do Executivo e da Câmara na pauta econômica. A Casa pautou para esta segunda-feira a urgência do projeto de decreto legislativo para sustar os efeitos de decreto da Fazenda para aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O texto foi apresentado pelo deputado Zucco (PL-RS), no mesmo dia da publicação da norma pelo governo.

    Caso a urgência seja aprovada, a derrubada do decreto já pode ser votada ainda nesta segunda-feira com a inclusão do projeto na pauta. A medida faz parte da tentativa da Fazenda de ampliar a arrecadação para atingir as metas do arcabouço fiscal. O decreto, porém, foi recebido com resistência pelo Legislativo. Hugo Motta, inclusive, antecipou à equipe econômica que, mesmo diante do recuo em relação ao texto original, os deputados não aceitaram bem o texto.

    Para a ministra Gleisi Hoffmann, a derrubada do decreto do IOF e a rejeição das demais medidas arrecadatórias apresentadas pela Fazenda após o recuo podem ocasionar contingenciamento nas emendas parlamentares.

    “Isso seria ruim também para o Congresso com as emendas, que são igualmente submetidas a bloqueio e contingenciamento”, explicou a ministra em entrevista ao Valor Econômico.

    “Nós estamos acreditando que as medidas que estamos enviando sejam aprovadas, se não integralmente como estão, mas em sua maioria. Mas sempre caberá ao Congresso 25% do contingenciamento porque as emendas parlamentares são parte dos recursos discricionários”, complementou.

  • Prêmio Congresso em Foco amplia categorias e mira diversidade

    Prêmio Congresso em Foco amplia categorias e mira diversidade

    O Prêmio Congresso em Foco 2025 amplia seu escopo com novas categorias que dialogam com a atual composição do Congresso Nacional e com temas de crescente relevância para a sociedade. A iniciativa acompanha as transformações graduais observadas no Legislativo federal, que, embora ainda marcado por assimetrias, registra aumento na presença de mulheres, pessoas negras, indígenas e representantes de outros grupos historicamente sub-representados.

    Fique por dentro do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Prêmio Congresso em Foco amplia categorias em 2025.

    Prêmio Congresso em Foco amplia categorias em 2025.Arte Congresso em Foco

    A premiação é realizada pelo Congresso em Foco, com apoio de entidades da sociedade civil e do setor privado, e tem como propósito reconhecer a atuação parlamentar de excelência, fortalecer a cidadania ativa e incentivar o acompanhamento crítico da atividade legislativa. Os premiados não recebem valores em dinheiro; o reconhecimento é simbólico e institucional, com a entrega de troféus, certificados e selos digitais.

    Além das tradicionais categorias que elegem os melhores parlamentares da Câmara e do Senado por voto popular e júri técnico, o prêmio incorporou novas categorias temáticas que valorizam atuações legislativas em áreas como:

    • Direitos Humanos e Cidadania,
    • Desenvolvimento Sustentável e Clima,
    • Regulação e Acesso à Saúde,
    • Acesso à Justiça,
    • Diplomacia Cidadã,
    • Incentivo à Cultura,
    • Inovação e Tecnologia,
    • Agricultura e Desenvolvimento Rural,
    • Apoio ao Comércio, Indústria e Serviços.

    A categoria Parlamentar Revelação, que contempla congressistas em primeiro mandato com desempenho destacado, também reflete a preocupação em acompanhar a renovação política no Parlamento.

    As categorias regionais, definidas por votação popular, reconhecem os parlamentares mais votados de cada uma das cinco regiões do país. A iniciativa busca valorizar o trabalho legislativo de representantes de diferentes contextos políticos e sociais, contribuindo para uma avaliação mais ampla e descentralizada do desempenho parlamentar.

    A atual legislatura apresenta avanços tímidos, porém relevantes, na representatividade de grupos historicamente excluídos da política institucional. Ainda que a presença de mulheres, pessoas negras e indígenas esteja aquém da composição da sociedade brasileira, os números superam os das legislaturas anteriores – o que reflete, ainda que parcialmente, mudanças em curso no cenário político nacional.

    Ao incorporar essas novas categorias, o Prêmio Congresso em Foco reafirma seu compromisso com a promoção da diversidade, da transparência e do fortalecimento democrático, acompanhando as transformações institucionais e sociais que moldam o Legislativo brasileiro.

    Veja quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Veja quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Lula participa de Cúpula do G7 no Canadá

    Lula participa de Cúpula do G7 no Canadá

    O presidente Lula embarca nesta segunda-feira (16) para Kananaskis, na província de Alberta, no Canadá, onde participará da Cúpula do G7 na terça-feira (17). Convidado pelo governo canadense, Lula estará presente no segmento de engajamento externo, um espaço reservado para diálogo com países não membros e organismos internacionais. Esta será a nona participação de Lula em uma reunião do G7.

    Lula em sua última viagem internacional, à França, no início do mês.

    Lula em sua última viagem internacional, à França, no início do mês.Ricardo Stuckert/PR

    O encontro deste ano acontece em um momento delicado do cenário global. A guerra entre Rússia e Ucrânia segue sem perspectivas de encerramento. Em Gaza, os bombardeios de Israel continuam, levando o presidente Lula a reiterar, em diversas ocasiões, sua visão de que o conflito representa um genocídio contra civis palestinos, especialmente mulheres e crianças.

    O clima de tensão foi agravado na última semana com os ataques de Israel ao Irã, que geraram uma contraofensiva iraniana e acenderam o alerta sobre o risco de uma nova guerra de grandes proporções envolvendo potências ocidentais.

    Além da instabilidade geopolítica, a emergência climática segue pressionando os líderes mundiais. Nações ricas, como as que compõem o G7, são frequentemente cobradas por Lula em foros internacionais pela falta de compromisso com os acordos ambientais firmados nas últimas décadas.

    O tema principal do segmento de engajamento externo, com presença do presidente Lula, será a segurança energética, com foco em tecnologia, inovação, diversificação de fontes e fortalecimento de cadeias produtivas de minerais críticos. Também estarão em debate a preservação de florestas e a prevenção de incêndios.

    “A participação do presidente Lula na reunião do G7 é muito importante, porque nós teremos a COP 30 no Brasil. É uma oportunidade para que o presidente possa falar da organização da COP 30 e convidar os outros líderes para que venham ao Brasil. E o tema principal de discussão do G7 tem uma ligação direta com o que será tratado na conferência em Belém”, destacou o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Mauricio Lyrio.

    A COP 30, que ocorrerá em Belém em 2025, terá justamente como foco a transição energética e a preservação ambiental, temas em sintonia com as discussões que o G7 promove este ano.

    Ampla participação internacional

    Além do Brasil, também foram convidados para o segmento de engajamento externo líderes da África do Sul, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Índia e México. Representantes de organismos multilaterais como a ONU, o Banco Mundial, a Comissão Europeia e o Conselho da União Europeia também estarão presentes.

    Criado em 1975 pelo então presidente francês Valéry Giscard dEstaing, o G7 reúne os sete países mais industrializados da época: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Em 2025, o bloco celebra 50 anos de existência.

    O Brasil mantém diálogo constante com os membros do G7, seja de forma bilateral, seja em instâncias como o G20 e em organismos internacionais.

    Agenda no Canadá

    A programação da visita começa nesta segunda-feira, com a chegada de Lula a Alberta. Às 17h30 (horário local), o presidente participará de uma recepção oferecida pela premiê da província, Danielle Smith, com presença dos demais países convidados. Logo após, às 18h30, está previsto um jantar de boas-vindas promovido pela governadora-geral do Canadá, Mary Simon, em Calgary.

    Na terça-feira, dia 17, as atividades incluem a recepção oficial e a tradicional foto de família com os líderes do G7 e das nações convidadas. Lula terá uma reunião bilateral confirmada com o primeiro-ministro canadense Mark Carney.

    O ponto alto da participação brasileira será o almoço de trabalho do segmento de engajamento externo. O tema será “O futuro da segurança energética: diversificação, tecnologia e investimentos para assegurar acesso e sustentabilidade em um mundo dinâmico”. O encerramento da agenda está previsto para as 15h30.

    Expectativas para a COP 30

    A participação de Lula também deve servir como uma plataforma para reforçar o convite oficial aos líderes do G7 para a COP 30, em Belém, no próximo ano. O Brasil tenta posicionar a conferência como um marco global na retomada de compromissos climáticos, diante da inércia histórica das grandes potências em cumprir metas de redução de emissões e financiamento climático para países em desenvolvimento.

    A expectativa é de que a participação de Lula no G7 fortaleça o protagonismo brasileiro no debate climático e amplie o diálogo com os países industrializados sobre segurança energética e desenvolvimento sustentável.

  • Câmara vota fim da regra que exige acordo para trabalho em feriados

    Câmara vota fim da regra que exige acordo para trabalho em feriados

    A Câmara dos Deputados pode votar nesta segunda-feira (16) um projeto que derruba a portaria do governo Lula que restringe o funcionamento de comércios em feriados. A norma estabeleceu para 1º de julho o prazo para que empresas como supermercados, farmácias e concessionárias possam abrir nesses dias só com convenção coletiva.

    Portaria do governo Lula se aplica ao trabalho em supermercados.

    Portaria do governo Lula se aplica ao trabalho em supermercados.Rivaldo Gomes/Folhapress

    A regra dá mais poder aos sindicatos e anula parte de uma portaria de 2021 editada por Jair Bolsonaro, que dispensava a negociação entre patrões e empregados. Parlamentares ligados ao setor empresarial tentam evitar o novo modelo e pressionam o governo por uma contraproposta.

    Impacto político e disputa jurídica

    A portaria reacendeu o embate entre governo e setor privado sobre a regulação do trabalho em feriados. O ministro Luiz Marinho sinalizou que pode adiar a entrada em vigor, mas negociações com o Congresso seguem em curso. A oposição acusa o governo de criar obstáculos ao comércio, enquanto centrais sindicais defendem a regra.

    O que muda com a portaria

    • 12 atividades do comércio passam a precisar de convenção coletiva;
    • hotéis, construção civil, call centers e educação seguem liberados;
    • empresas que descumprirem podem ser multadas;
    • trabalhadores ganham poder de negociação por benefícios em feriados.