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  • Projeto obriga rótulos de alimentos a informar teor alcoólico

    Projeto obriga rótulos de alimentos a informar teor alcoólico

    Projeto torna obrigatória a indicação de teor alcoólico em rótulos de alimentos.

    Projeto torna obrigatória a indicação de teor alcoólico em rótulos de alimentos.Anvisa

    Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe a obrigatoriedade da inclusão da informação sobre o teor alcoólico nos rótulos de alimentos. O projeto de lei 447/25 abrange todos os produtos alimentícios que contenham álcool, independentemente de sua origem ser por adição intencional ou resultado de processos fermentativos.

    De autoria do deputado Nitinho (PSD-SE), a proposta visa proteger a saúde de grupos vulneráveis, como crianças, adolescentes, gestantes e pessoas que fazem uso de medicamentos que interagem com o álcool.

    A exigência de que a informação sobre o teor alcoólico seja exibida em local visível na embalagem busca garantir a transparência e a segurança alimentar.

    Segundo o deputado, “a inclusão do teor de álcool na rotulagem de alimentos está em consonância com as melhores práticas internacionais e com a crescente preocupação da sociedade com a saúde e a segurança alimentar”.

    O não cumprimento das normas estabelecidas pelo projeto sujeitará as empresas infratoras às penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

    O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas Comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

  • Projeto do novo código eleitoral prevê autonomia partidária

    Projeto do novo código eleitoral prevê autonomia partidária

    O projeto do novo Código Eleitoral (PLP 112/2021), relatado por Marcelo Castro (MDB-PI) no Senado, busca consolidar a autonomia partidária, princípio constitucional, incorporando a Lei dos Partidos Políticos de 1995. A nova legislação assegura aos partidos o direito de definir sua estrutura, organização e funcionamento, incluindo “assuntos internos”.

    O Código Eleitoral é relatado por Marcelo Castro na CCJ do Senado

    O Código Eleitoral é relatado por Marcelo Castro na CCJ do SenadoGeraldo Magela/Agência Senado

    Entre eles: “elaboração e modificação das normas estatutárias Estabelecimento de requisitos e de procedimentos para a filiação e o cancelamento dela Eleições para composição dos órgãos partidários Celebração de convenções para a seleção de candidatos a cargos eletivos e para a formação de coligações Processos deliberativos para a definição das estratégias políticas e eleitorais”.

    O projeto, originário da Câmara dos Deputados, define a autonomia partidária como inalienável, vedando sua renúncia total ou parcial, exceto para a formação de coligações. Ronaldo Jorge Araujo Vieira Junior, consultor legislativo do Senado, destaca a importância da autonomia partidária para o sistema democrático e a participação política, permitindo que os partidos apresentem suas propostas à população. Entretanto, ressalta a necessidade de responsabilização partidária e obediência às regras eleitorais, visando um processo isonômico e livre de abuso de poder.

    Arlindo Fernandes de Oliveira, também consultor do Senado, reconhece o fortalecimento da autonomia e independência dos partidos, mas alerta para potenciais fragilidades na fiscalização estatal e na garantia da democracia interna. A limitação da intervenção do Poder Judiciário em “assuntos internos” pode dificultar a garantia do funcionamento democrático das agremiações.

    O novo Código Eleitoral propõe mudanças como o aumento do número mínimo de assinaturas para a criação de partidos, passando de 0,5% para 1,5% dos votos válidos na última eleição da Câmara, distribuídos em pelo menos um terço dos estados.

    Prevê, ainda, sanções para partidos que se desfiliarem de federações partidárias antes de quatro anos, como a perda de inserções de propaganda. Outra novidade é a inclusão da carta de anuência do presidente do diretório regional como justa causa para mudança de filiação partidária, sem perda de mandato.

    A Justiça Eleitoral passa a ser competente para julgar conflitos intrapartidários, mesmo sem impacto direto no processo eleitoral. O prazo máximo de vigência dos diretórios provisórios foi reduzido para dois anos pelo relator na CCJ. 

    O projeto também aborda o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral, cujos valores aumentaram significativamente nos últimos anos. A distribuição dos recursos, baseada principalmente no desempenho eleitoral, reserva 30% para candidaturas femininas e prevê distribuição proporcional para candidaturas negras. O texto assegura a obrigatoriedade do repasse desses recursos até 30 de agosto do ano eleitoral e permite o bloqueio dos fundos apenas em casos de malversação.

    Informações da Agência Senado

  • Advogado de Nadine defende asilo e rejeita comparação com Bolsonaro

    Advogado de Nadine defende asilo e rejeita comparação com Bolsonaro

    Nadine Heredia Alarcón ficará em São Paulo com o filho de 14 anos enquanto recorre de condenação no Peru

    Nadine Heredia Alarcón ficará em São Paulo com o filho de 14 anos enquanto recorre de condenação no PeruPresidência do Peru

    O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa a ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia Alarcón, afirmou ao Congresso em Foco que o asilo político concedido pelo governo brasileiro à peruana é legal, segue os trâmites diplomáticos e tem base na Convenção de Caracas de 1954, da qual Brasil e Peru são signatários. Segundo ele, a medida respeita princípios do direito internacional e possui caráter humanitário.

    Coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio rechaçou comparações entre o caso de Nadine e uma eventual solicitação de asilo por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro em caso de condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

    “Não tem base jurídica para isso. Ele cometeu o crime mais grave contra a democracia, que é a tentativa de abolição do Estado democrático de direito. Está sendo julgado na mais alta corte do país. Seus advogados não têm cerceamento à defesa”, declarou. “Bolsonaro está livre, está fazendo live, andando de lancha, tratando-se em hospital particular… Esse barulho da oposição é espécie de jus esperneandi”, acrescentou.

    Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas, atua na defesa de ex-primeira-dama peruana

    Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas, atua na defesa de ex-primeira-dama peruanaZanone Fraissat/Folhapress

    Julgamento e condenação

    Na última terça-feira (15), o Tribunal Superior Nacional do Peru condenou Nadine e o ex-presidente Ollanta Humala a 15 anos de prisão por participação em um esquema de caixa dois e lavagem de dinheiro. Segundo a promotoria, o casal recebeu US$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha presidencial de 2011 e outros US$ 200 mil do então presidente venezuelano Hugo Chávez para a campanha de 2006. Ambos negam as acusações e alegam perseguição política.

    Marco Aurélio sustenta que o julgamento do casal peruano contém inconsistências e arbitrariedades, baseando-se unicamente na delação do ex-diretor da Odebrecht Jorge Barata. “Delação é meio de prova. Não pode ser o único meio. Não tem absolutamente nada a ver”, defendeu o advogado, que também criticou o uso de provas provenientes da Lava Jato brasileira. Cabe recurso contra a decisão, que ainda é de primeira instância. Humala foi levado para a prisão logo após o anúncio da sentença. 

    Nadine não acompanhou o julgamento do local, alegando problemas de saúde, e se dirigiu para a Embaixada do Brasil em Lima após o anúncio da condenação. Marco Aurélio afirma que não participou do processo e que a ex-primeira-dama tomou a decisão de pedir asilo em acordo com seus defensores peruanos. O pedido de asilo foi aceito horas depois pelas autoridades brasileiras, que acolheram as alegações humanitárias apresentadas pela defesa.

    Asilo

    Segundo o advogado, o asilo político seguiu todos os trâmites legais e diplomáticos. O governo peruano, liderado pela presidente Dina Boluarte, de direita, concedeu salvo-conduto para que Nadine e seu filho de 14 anos deixassem a embaixada brasileira em Lima rumo ao Brasil. “Ela está se recuperando de tratamento da tireóide e fez uma cirurgia de coluna. Ela está com colar no pescoço”, explicou Marco Aurélio, acrescentando que Nadine e o filho vão morar em São Paulo.

    “A prisão imposta à senhora Nadine Heredia, além de arbitrária, ignora sua frágil condição de saúde, decorrente de uma delicada cirurgia. Ignora, também, a necessidade de Nadine cuidar de um filho que é menor de idade e que precisa do amparo da família. Merecem, pois, aplausos as decisões dos governos peruano e brasileiro, que foram um verdadeiro gesto de respeito à dignidade da pessoa humana e à legalidade internacional”, disse o advogado. “O asilo concedido não busca obstruir a Justiça busca assegurar que ela se realize em sua forma mais pura, livre e imparcial”, ressaltou.

    Oposição

    Questionado sobre as reações no Congresso, que incluem pedidos de investigação à Procuradoria-Geral da República (PGR) e a convocação do chanceler Mauro Vieira, o advogado declarou: “A defesa recebe esses questionamentos com muita tranquilidade. São saudáveis e oportunos. A diplomacia brasileira prestará todos os esclarecimentos”.

    A oposição brasileira critica o uso de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) no transporte de Nadine e o filho. A defesa argumenta que a medida foi necessária por razões de segurança e que o procedimento foi autorizado pelas convenções internacionais. O Prerrogativas acompanha o caso desde o início. Estou trabalhando de forma voluntária, espontânea e gratuita, afirmou Marco Aurélio.

    O Prerrogativas é um coletivo de advogados e estudiosos do Direito constituído durante a Lava Jato. Tornou-se um dos principais movimentos de oposição à operação, apontando ilegalidades nas condutas de juízes e promotores, e um forte aliado do presidente Lula no meio jurídico.

    Histórico e investigações

    Nadine Heredia é uma figura popular no Peru. Comunicadora e socióloga de formação, é uma das principais lideranças do Partido Nacionalista Peruano, fundado por Humala em 2005. Durante o governo do marido, exerceu papel político relevante e chegou a ser especulada como possível candidata à presidência.

    Ela foi acusada pelo Ministério Público no Peru de atuar nas operações financeiras do partido e de participar da lavagem de dinheiro ligada ao financiamento de campanhas. A promotoria sustenta que ela também coordenou arrecadações ilícitas. Acusações negadas pela defesa dela tanto no Brasil quanto no país vizinho.

    Crise política

    O Peru vive uma longa série de escândalos políticos envolvendo seus ex-presidentes. Quatro ex-presidentes, além da filha de um quinto ex-mandatário, foram implicados nas investigações da chamada Lava Jato peruana, braço das apurações iniciadas no Brasil. A empreiteira Odebrecht, atualmente chamada Novonor, é acusada de ter pago propina a políticos peruanos em troca de benefícios em contratos públicos. 

    No Peru, as apurações foram oficialmente abertas ainda em janeiro de 2015, enquanto Humala ainda ocupava o cargo de presidente. Desde então, o país tem enfrentado uma série de crises políticas marcadas por afastamentos, denúncias e prisões de seus ex-líderes.

    Recém-condenado a 15 anos de prisão, Ollanta Humala cumprirá pena no presídio Barbadillo, em Lima, um centro penitenciário reservado para ex-presidentes da República. Com sua chegada, passam a ser três os ex-chefes de Estado detidos no local: Humala, Alejandro Toledo e Pedro Castillo. Por anos, o presídio também foi a morada do ex-ditador Alberto Fujimori. O ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, também condenado na Lava Jato peruana, está em prisão domiciliar.

  • Projeto prevê cota para mulheres em cargos de direção no SUS

    Projeto prevê cota para mulheres em cargos de direção no SUS

    Para virar lei, proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

    Para virar lei, proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.Tomaz Silva/Agência Brasil

    O projeto de lei 459/25 busca reservar 50% dos cargos de chefia, direção e assessoramento no Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres. A implementação das cotas ocorrerá gradualmente em até cinco anos, a partir da vigência da lei. A proposta, em tramitação na Câmara dos Deputados, modifica a Lei Orgânica da Saúde e a lei 8.142/90, que regulamenta a participação comunitária na gestão do SUS.

    O texto legal prevê medidas para fomentar a liderança feminina na saúde, incluindo flexibilização da jornada de trabalho, possibilidade de trabalho remoto ou teletrabalho, auxílio-creche e extensão das licenças maternidade e paternidade.

    O deputado Romero Rodrigues (Pode-PB), autor do projeto, destaca que, embora representem 70% da força de trabalho na saúde, segundo dados do IBGE, as mulheres ainda são sub-representadas em posições de liderança.

    “A disparidade de gênero nas direções dos hospitais e clínicas do SUS não apenas configura uma injustiça para as profissionais de saúde mulheres, mas também acarreta prejuízos para a qualidade e a eficiência do sistema de saúde como um todo”, afirma o parlamentar.

    O projeto seguirá para análise conclusiva nas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; de Saúde; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

  • 99 anuncia investimento de R$ 1 bilhão no Brasil e retorno do 99Food

    99 anuncia investimento de R$ 1 bilhão no Brasil e retorno do 99Food

    A empresa de aplicativo de transporte individual 99 destinará investimentos da ordem de R$ 1 bilhão para a expansão de sua plataforma de serviços no Brasil. O anúncio foi feito em reunião entre o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o diretor global da Didi’s International Business Group, controladora da 99, Stephen Zhu, na quarta-feira (16).

    99 anunciou que vai retomar o serviço do 99Food no Brasil, com investimentos de R$ 1 bilhão no país.

    99 anunciou que vai retomar o serviço do 99Food no Brasil, com investimentos de R$ 1 bilhão no país.Paulo Pinto/Agência Brasil

    A expansão incluirá a futura 99Food, serviço de entrega de comida. Com isso, a 99 adiciona mais uma oferta ao seu portfólio, que já abrange transporte individual, entregas de encomendas e gerenciamento de finanças pessoais (99Pay). “Este investimento reflete nosso compromisso de longo prazo com o Brasil”, afirmou Stephen Zhu.

    O vice-presidente Alckmin comemorou o anúncio e disse que ele “mostra que o compromisso do presidente Lula com um ambiente econômico estável, em um momento de incertezas no mundo, está gerando resultados positivos para o país”. A 99Food tem previsão de lançamento para consumidores, restaurantes e entregadores em meados deste ano.

    A empresa opera em mais de 3,3 mil cidades mundialmente, com 1,5 milhão de motoristas, motociclistas e entregadores credenciados. A 99 registrou um crescimento de 125% no último ano.

  • Hugo Motta prega união no balanço dos primeiros meses como presidente

    Hugo Motta prega união no balanço dos primeiros meses como presidente

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresentou um balanço dos primeiros dois meses e meio de sua gestão à frente da Casa. Em mensagem publicada nessa sexta-feira (18) em suas redes sociais, Hugo ressaltou que, desde que assumiu a presidência, em fevereiro, tem buscado ampliar a eficiência legislativa por meio do diálogo e da conciliação.

    Parlamento se une quando Brasil precisa, diz Hugo Motta em balanço de gestão

    Parlamento se une quando Brasil precisa, diz Hugo Motta em balanço de gestãoMarcelo Camargo/Agência Brasil

    “Tudo isso não é um mérito exclusivamente meu. É de todo o Parlamento que se mostra resiliente e se une quando o Brasil mais precisa”, afirmou. O deputado reiterou o compromisso com o fortalecimento institucional da Câmara e da atuação conjunta dos deputados para enfrentar os desafios do país, garantindo governabilidade, protagonismo legislativo e abertura ao diálogo.

    Hugo Motta destacou a aprovação de mais de 75 matérias em 29 sessões deliberativas realizadas desde o início de sua presidência. Entre os projetos aprovados, estão iniciativas com impacto direto na legislação eleitoral, econômica e educacional.

    Entre os principais destaques, segundo ele: o PL da Reciprocidade: que trata de benefícios e contrapartidas a países estrangeiros em solo brasileiro; o PL que criminaliza a manipulação de imagens com inteligência artificial nas eleições, para conter abusos e desinformação em campanhas eleitorais; e o projeto de lei complementar de incentivo à exportação para micro e pequenas empresas, com objetivo de fomentar a inserção de pequenos negócios no mercado internacional.

    Ele também destacou o início da tramitação do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda, com a criação de uma comissão especial para análise do tema e a instalação das comissões permanentes da Casa para o ano legislativo. Hugo citou, ainda, a criação das comissões especiais para discutir temas como o novo Plano Nacional de Educação e regulamentação da inteligência artificial.

    Outro ponto enfatizado pelo presidente foi a retomada da presença no plenário, num contexto de tentativa de valorização dos debates presenciais, após anos de sessões híbridas e remotas iniciadas durante a pandemia de covid-19.

    Desde que assumiu o comando da Câmara dos Deputados, Hugo Motta tem adotado um discurso de moderação e conciliação política, procurando distanciar-se da polarização partidária e buscando apoio amplo entre as bancadas para aprovar pautas de interesse do Executivo e do Legislativo.

    Pressionado pela oposição a pautar a votação do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, ele anunciou nesta semana que vai submeter a avaliação do regime de urgência aos líderes partidários. Ele também mediou um acordo para encerrar a greve de fome do deputado Glauber Braga (Psol-RJ) contra a aprovação do parecer do Conselho de Ética que recomendou a cassação de seu mandato.

  • Fundo Clima aprova R$11,2 bi para ações contra mudanças climáticas

    Fundo Clima aprova R$11,2 bi para ações contra mudanças climáticas

    O Comitê Gestor do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), conhecido como Fundo Clima, aprovou o plano de investimentos para 2025. Estão previstos R$ 11,2 bilhões em projetos voltados à mitigação e adaptação do Brasil diante da emergência climática. Do total, R$ 4,46 milhões serão destinados a projetos não reembolsáveis, sob responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A maior parte, formada pelos investimentos reembolsáveis, será administrada pelo BNDES.

    Comitê Gestor define prioridades para aplicar recursos do Fundo Clima em projetos sustentáveis e inclusão socioambiental

    Comitê Gestor define prioridades para aplicar recursos do Fundo Clima em projetos sustentáveis e inclusão socioambiental Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    Os recursos cobrem áreas como desenvolvimento urbano resiliente, logística de transportes, mobilidade verde, indústria e serviços sustentáveis, transição energética e manejo de florestas nativas.

    Segundo o secretário-executivo do MMA e presidente do comitê, João Paulo Capobianco, os projetos devem promover o desenvolvimento sustentável com foco na justiça climática. “A intenção é reduzir riscos e impactos sociais, principalmente sobre os grupos mais vulneráveis”, afirmou. Na mesma reunião, o comitê aprovou o edital Periferias Verdes Resilientes. Com orçamento de até R$ 25 milhões, a iniciativa é uma parceria entre o MMA e o Ministério das Cidades. Os recursos serão repassados a organizações da sociedade civil para ações de adaptação nas periferias urbanas, com foco em soluções baseadas na natureza.

    Fundo Clima

    Criado pela lei nº 12.114/2009, o Fundo Clima é regulamentado pelo Decreto nº 9.578/2018 e vinculado ao MMA. Atua por meio de duas frentes: uma com recursos reembolsáveis, sob gestão do BNDES, e outra com recursos não reembolsáveis, administrada pelo ministério.

    O Comitê Gestor, formado por 28 representantes de órgãos públicos e da sociedade civil, é responsável pela aprovação das diretrizes anuais, editais e projetos. A participação social foi decisiva na formulação do plano para o próximo ano.

  • Projeto visa criminalizar crédito consignado sem aval do consumidor

    Projeto visa criminalizar crédito consignado sem aval do consumidor

    O projeto de lei 683/2025, em análise na Câmara dos Deputados, propõe criminalizar a oferta de crédito consignado sem autorização expressa do consumidor. O texto altera o Código de Defesa do Consumidor e estabelece pena de seis meses a dois anos de detenção, além de multa de 20% sobre o valor depositado, que deve ser devolvida ao cliente em até 60 dias.

    O deputado Capitão Alden (PL-BA) é o autor da proposta

    O deputado Capitão Alden (PL-BA) é o autor da propostaKayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    De autoria do deputado Capitão Alden (PL-BA), a proposta responde ao aumento de casos de empréstimos não solicitados depositados diretamente em contas bancárias. Segundo o parlamentar, mesmo após a Lei do Superendividamento, que exige clareza na oferta de crédito, fraudes e abusos continuam sendo registrados.

    A concessão de empréstimos sem solicitação ou sem informação clara sobre os termos contratuais deve ser considerada crime. A proteção administrativa e civil não é suficiente. “É preciso atuação penal”, argumenta o deputado.

    O texto também obriga órgãos públicos a informar servidores e aposentados sobre qualquer notificação de consignação voluntária em até 30 dias. Para contratos firmados por meios digitais, a instituição deverá utilizar dupla confirmação da identidade do contratante por reconhecimento facial com geolocalização e senha.

    O envio de cartões de crédito sem solicitação prévia também será penalizado com as mesmas sanções previstas para o crédito consignado irregular.

    A proposta será analisada pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, segue para o Plenário da Câmara e, depois, para o Senado.

  • Oposição pede investigação sobre asilo a ex-primeira-dama do Peru

    Oposição pede investigação sobre asilo a ex-primeira-dama do Peru

    A decisão do governo brasileiro de conceder asilo diplomático à ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia Alarcón, condenada por corrupção, abriu uma nova frente de embate entre governo e oposição no Congresso. Parlamentares contrários à gestão Lula questionam a legalidade do ato e cobram explicações sobre o uso de recursos públicos para o transporte da peruana ao Brasil, incluindo o uso de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

    Defesa de Nadine Heredia contesta condenação e fala em perseguição política

    Defesa de Nadine Heredia contesta condenação e fala em perseguição políticaLuis Iparraguirre/Presidência do Peru

    O deputado Sanderson (PL-RS), primeiro vice-líder da oposição, protocolou um pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar os fundamentos jurídicos do asilo. Para ele, a concessão pode contrariar a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, da qual o Brasil é signatário, já que Nadine foi condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, ao lado do marido, o ex-presidente Ollanta Humala.

    A lavagem de dinheiro, especialmente quando relacionada a corrupção transnacional, se enquadra como crime grave de direito comum, o que inviabilizaria a concessão de qualquer forma de proteção internacional, argumenta o parlamentar. Sanderson quer apurar se o Brasil está servindo de refúgio para condenados por práticas ilícitas graves, com possível conexão com crimes envolvendo empresas brasileiras, como a Odebrecht (atual Novonor).

    Outro nome da oposição, o deputado Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, anunciou que acionará o Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar a legalidade do uso da FAB e possíveis favorecimentos ideológicos no episódio. Já outros parlamentares protocolaram requerimentos para convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e para pedir explicações formais ao Itamaraty.

    Razoões humanitárias

    O Itamaraty divulgou que o asilo foi concedido com base na Convenção de Caracas (1954), que regula o asilo diplomático entre países da América Latina. A concessão foi aceita pelo governo do Peru, que emitiu um salvo-conduto autorizando a saída de Nadine do país.

    Segundo o ministro Mauro Vieira, a decisão de conceder o asilo foi tomada por critérios humanitários: Nadine estaria em tratamento pós-operatório de coluna e é responsável por um filho menor de idade.

    “Ela foi recentemente operada, por um questão grave, de coluna vertebral. Está em recuperação, precisa continuar em tratamento, e estava acompanhada de um filho menor. O marido condenado está detido, portanto, o filho menor também estaria abandonado, desprotegido. Foi com base também em critérios humanitários que o Peru teria concedido o salvo-conduto”, justificou o ministro em entrevista à GloboNews.

    Vieira também esclareceu que o pedido de asilo foi feito por Nadine diretamente à embaixada brasileira em Lima, e a resposta do Peru foi imediata, com plena concordância. O chanceler ainda destacou que a operação foi conduzida com sigilo e segurança, motivo pelo qual o governo optou por enviar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para buscá-la na madrugada do dia 16 de abril.

    Era a única forma de tirá-la com segurança e rapidez do país, com a concordância do governo peruano. Não havia avião comercial disponível, disse Mauro Vieira.

    Contestação da condenação

    A defesa de Nadine Heredia e do ex-presidente Humala alega que o processo foi viciado, com provas obtidas de forma ilegal, em um esquema que compararam à Operação Lava Jato no Brasil cujas decisões, em muitos casos, foram posteriormente anuladas pela Justiça. Ambos foram condenados por recebimento de caixa dois da Odebrecht e de fundos do governo da Venezuela nas eleições peruanas de 2006 e 2011.

    Após a condenação, Humala foi preso imediatamente, enquanto Nadine, que não compareceu à audiência por motivos de saúde, dirigiu-se à embaixada do Brasil em Lima para solicitar proteção diplomática.

    A concessão do salvo-conduto por parte do governo peruano, liderado pela presidente Dina Boluarte, foi interpretada como um gesto legal, mas politicamente delicado. Boluarte é de centro-direita e não tem vínculos com os Humala. Sua gestão é marcada por crises políticas e escândalos de corrupção, e apresenta baixos índices de aprovação.

  • Ex-senador acusado de abusar da filha e de matar a ex deixa a prisão

    Ex-senador acusado de abusar da filha e de matar a ex deixa a prisão

    O ex-senador Telmário Mota (RR) deixou a prisão na noite dessa quinta-feira (17) após a Justiça autorizar sua transferência para o regime domiciliar, com base em alegações de problemas graves de saúde física e mental. Condenado a oito anos e dois meses de prisão por importunação sexual contra a própria filha, Telmário também é investigado por suspeita de mandar matar a ex-companheira, Antônia Araújo de Sousa, assassinada três dias antes de prestar depoimento no caso que envolve a filha do casal.

    Telmário Mota alega inocência e perseguição política

    Telmário Mota alega inocência e perseguição políticaMarcos Oliveira/Agência Senado

    Telmário Mota, que ocupou uma cadeira no Senado entre 2015 e 2023, foi preso em outubro do ano passado, acusado de estuprar a própria filha, que tinha 17 anos à época do crime, ocorrido em 2022. O caso ganhou contornos ainda mais graves quando, em setembro de 2023, Antônia Araújo, mãe da adolescente e uma das principais testemunhas no processo, foi executada com um tiro na cabeça na porta de casa, em Boa Vista (RR).

    Antônia estava prestes a depor contra o ex-senador e vivia sob medida protetiva, que impedia Telmário de se aproximar dela e da filha. A polícia investiga o ex-parlamentar como mandante do crime, que teria sido articulado com o auxílio de uma assessora, responsável por monitorar a rotina da vítima. A motivação, segundo as autoridades, envolveria conflitos por pensão alimentícia e a tentativa de evitar o depoimento de Antônia contra Telmário.

    Motivos de saúde

    A defesa de Telmário alegou que ele sofre de diversas comorbidades, como hipertensão, artrose, hiperplexia, gastrite, cálculos biliares e transtorno depressivo moderado, com tendências suicidas. Os advogados sustentaram que o sistema prisional não oferece estrutura adequada para seu tratamento. Laudos médicos e uma perícia solicitada pelo Ministério Público embasaram o pedido de habeas corpus.

    A solicitação foi aceita pelo desembargador Ricardo Oliveira, da Vara de Execução Penal de Roraima, que determinou a prisão domiciliar por 60 dias, com uso de tornozeleira eletrônica. Nesse período, Telmário só poderá deixar sua residência com autorização judicial ou para realizar tratamento médico. Ao fim do prazo, a medida será reavaliada pela Justiça.

    Restou demonstrado que o paciente necessita de acompanhamento médico específico, o qual não vem sendo devidamente ofertado no sistema prisional, afirmou o desembargador.

    Investigação segue em curso

    Apesar da mudança no regime de prisão, Telmário continua sendo alvo de investigações pelo assassinato de Antônia. Ele nega envolvimento e sua defesa classifica a prisão como desproporcional.

    O crime ocorrido em 29 de setembro de 2023 é tratado pelas autoridades como uma execução premeditada, motivada pela iminência do depoimento de Antônia em audiência marcada para 2 de outubro, no processo em que o ex-senador é acusado de abuso sexual. A Polícia Civil afirma que a morte da testemunha certamente beneficiaria o réu.

    Aos 67 anos, Telmário Mota é economista e contador de formação. Iniciou a carreira política como vereador em Boa Vista e foi eleito senador em 2014. Em 2018, tentou o governo de Roraima, sem sucesso. Ficou conhecido por declarações polêmicas e episódios controversos, como a defesa de teorias conspiratórias, envolvimento com rinha de galos e festas em meio à pandemia.