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  • Câmara dos Deputados institui Grupo Parlamentar Brasil-Malta

    Câmara dos Deputados institui Grupo Parlamentar Brasil-Malta

    A Câmara dos Deputados aprovou na última quinta-feira a criação do grupo parlamentar Brasil-Malta. A matéria, relatada pelo deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), já foi promulgada.

    Bandeira de Malta.

    Bandeira de Malta.Gerada por inteligência artificial

    O projeto prevê a cooperação entre os parlamentos do Brasil e de Malta por meio de diversas iniciativas, citando “visitas parlamentares; intercâmbio de experiências parlamentares; permuta periódica de publicações e trabalhos com temática legislativa; e diversos tipos de encontros nas áreas de atuação parlamentar para a busca de soluções de problemas a fim de desenvolver as relações bilaterais.”

    De acordo com o deputado Marangoni (União-SP), autor da proposta, o grupo tem como objetivo principal “incentivar e desenvolver as relações entre os países e cooperar para um maior intercâmbio entre os parlamentos”. O texto assegura que a iniciativa não acarretará despesas extras para a Câmara dos Deputados.

  • Senado discute autonomia e blindagem de cortes de agências reguladoras

    Senado discute autonomia e blindagem de cortes de agências reguladoras

    Dois projetos de lei recém-apresentados no Senado buscam fortalecer as agências reguladoras federais, ampliando sua autonomia administrativa e protegendo suas atividades-fim de eventuais cortes no orçamento. As propostas, de autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), contam com o apoio da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC), da qual ele é diretor de infraestrutura.

    O deputado Júlio Lopes e o senador Laércio Oliveira, da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, são os principais articuladores da proposta

    O deputado Júlio Lopes e o senador Laércio Oliveira, da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, são os principais articuladores da propostaIngrid Neiva/Ascom/Laércio Oliveira

    Embora compartilhem o mesmo objetivo, os projetos atuam de forma complementar: um se concentra na proteção orçamentária das atividades-fim, enquanto o outro dá mais liberdade para os órgãos reguladores gerenciarem pessoal e operações.

    Autonomia

    Segundo Laércio, as propostas buscam “jogar luz” sobre problemas enfrentados por todas as agências reguladoras. Para ele, as mudanças permitirão equilibrar os interesses de consumidores, empresas e do próprio setor público.

    “As agências precisam de autonomia de verdade, estabilidade e capacidade técnica, sem estarem sujeitas a limitações orçamentárias indevidas. E elas têm arrecadação suficiente para melhorar, cada vez mais, a qualidade dos serviços prestados. Só que, quase a totalidade do que recebem em multas, taxas e outras entradas, fica com o governo federal, no bolo do Orçamento Geral da União”, afirmou o senador ao Congresso em Foco.

    As duas propostas o Projeto de Lei Complementar (PLP) 73/2025 e o Projeto de Lei (PL) 1374/2025 serão levadas pelo parlamentar à Mesa Diretora e aos líderes partidários do Senado para tentar acelerar a tramitação dos dois textos, que ainda aguardam encaminhamento do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

    Blindagem orçamentária

    O PLP 73/2025 altera o artigo 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal para impedir que as atividades-fim das agências reguladoras sejam alvo de bloqueios orçamentários, como contingenciamentos impostos pela União em períodos de ajuste fiscal.

    A proposta proíbe limitações nas despesas que:

    • sejam obrigações constitucionais ou legais;
    • envolvam inovação e desenvolvimento científico e tecnológico com recursos de fundos específicos;
    • estejam vinculadas às atividades-fim das agências, desde que financiadas com receitas próprias, taxas de fiscalização ou fundos setoriais;
    • estejam expressamente ressalvadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

    Para respeitar o planejamento em curso, o projeto estabelece que as novas regras só entram em vigor 365 dias após a publicação da lei.

    Autonomia administrativa

    O PL 1374/2025 modifica o artigo 3º da Lei nº 13.848/2019 para explicitar e ampliar a autonomia administrativa das agências reguladoras. O texto garante que as agências poderão:

    • alterar seus quadros de pessoal com base em estudos técnicos;
    • modificar planos de carreira, inclusive no que se refere à remuneração e gratificações.

    A proposta também define de forma clara o que são as atividades-fim das agências: regulação, concessão de outorgas, mediação, atendimento aos consumidores e fiscalização incluindo parcerias com agências estaduais.

    Laércio argumenta que a medida busca garantir que essas necessidades estejam entre as prioridades na elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), por meio de comunicação antecipada da Secretaria de Orçamento Federal.

    “A limitação de empenho e movimentação financeira, embora uma ferramenta indispensável para controle fiscal, pode afetar gravemente as capacidades operacionais das agências reguladoras. A redução de recursos direcionados às atividades-fim pode comprometer a fiscalização, retardar processos de licenciamento e regulamentação, e, consequentemente, impactar negativamente a prestação de serviços à sociedade e a execução de políticas públicas estratégicas”, afirma.

    Segundo o senador, limitar o orçamento dessas atividades pode gerar ineficiências e ampliar os riscos em setores regulados. “Tais riscos incluem interrupções de serviços essenciais, falhas de mercado e incertezas jurídicas que desestimulam novos investimentos. A regulação inadequada, por sua vez, pode gerar impactos econômicos de grande magnitude, afetando não apenas a arrecadação tributária, mas também a competitividade do país”, disse.

    Próximos passos 

    O presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, deputado Júlio Lopes (PP-RJ), disse que as propostas são fruto de demandas do setor produtivo e das próprias agências. O objetivo, segundo ele, é garantir um ambiente regulatório mais eficiente, com segurança jurídica e capacidade de atrair investimentos.

    “Alinhei com o senador Laércio essas propostas e acertei com ele que é meu amigo e diretor de infraestrutura da FPBC que o PL começaria pelo Senado. Eventuais alterações virão, claro, no decorrer da tramitação. Mas, com minha experiência de cinco mandatos na Câmara, nunca vi esse tema ser debatido de forma tão completa e alinhada com os interesses de todos os envolvidos”, afirmou.

    Atualmente, a frente parlamentar é composta por 178 deputados e 18 senadores. Ambos os projetos aguardam despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para início da tramitação nas comissões da Casa.

    O Brasil tem 11 agências reguladoras atualmente. São elas:

    • Agência Nacional de Águas (ANA);
    • Agência Nacional de Aviação Civil (Anac);
    • Agência Nacional do Cinema (Ancine);
    • Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);
    • Agência Nacional de Mineração (ANM);
    • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
    • Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);
    • Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel);
    • Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq);
    • Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT);
    • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
  • Aposentados podem pedir dobro por descontos indevidos, dizem advogados

    Aposentados podem pedir dobro por descontos indevidos, dizem advogados

    A fraude em descontos indevidos em aposentadorias e pensões no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode trazer prejuízos ainda maiores para o governo se houver judicialização das cobranças indevidas. Apesar de o governo já se articular para ressarcir os aposentados, advogados especialistas em direito previdenciário ouvidos pelo Congresso em Foco apontam que, se judicializadas as ações, esses aposentados podem exigir o dobro do valor descontado, juros e correção monetária.

    Fila no INSS

    Fila no INSSAntônio Cruz/Agência Brasil

    Na última semana, o INSS anunciou que devolverá R$ 292,7 milhões a aposentados e pensionistas entre os dias 26 de maio e 6 de junho. O montante é referente a mensalidades descontadas em abril por associações e sindicatos, mesmo após o bloqueio determinado pelo órgão. Conforme o instituto, a folha de bloqueio já havia sido processada antes da suspensão.

    O ressarcimento previsto para valores cobrados a partir de março de 2020. O INSS, além de atribuir a devolução automática dos valores, vai notificar os cerca de 9 milhões de beneficiários lesados pelo aplicativo Meu INSS. Após o aposentado ou pensionista afirmar não reconhecer o desconto, o governo dará 15 dias para a entidade apresentar documentos e comprovar que houve autorização do beneficiário nos descontos.

    Deflagrada em 23 de abril, a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), revelou um sistema de descontos não autorizados por sindicatos e associações em pensões e aposentadorias. O valor, entre 2019 e 2023, pode chegar a R$ 6,3 bilhões em descontos. Diante do escândalo, caíram o presidente do INSS e o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.

    Como se enquadra a conduta?

    O advogado Elimar Mello explica que antes de enquadrar os descontos, “deverá ser analisada do ponto de vista criminal pelos órgãos de controle administrativo a intenção de praticar o ato ilícito”. Ele ressalta que a análise do dolo ou culpa é fundamental para o prosseguimento da ação penal ou responsabilização pessoal de algum agente.

    A responsabilidade civil das associações e dos sindicatos relacionada à restituição de valores indevidamente descontados, por outro lado, “deve ser analisada de forma objetiva, ou seja, sem observar a presença de culpa ou dolo”. Ao passo que a responsabilidade do INSS diz respeito a “não adotar as medidas de cautela, governança e cuidado que deveriam ser fundamentais para proteção de pessoas que estão em situação de enorme vulnerabilidade”.

    Para Márcio Pires, a situação pode ser enquadrada como apropriação indébita. “No âmbito do direito previdenciário, essa situação pode ser enquadrada como apropriação indébita previdenciária, conforme previsto no artigo 168-A do Código Penal. Além disso, pode envolver crimes como estelionato e falsificação de documentos, dependendo da forma como os descontos foram realizados”, afirma o advogado.

    Pagamento em dobro

    A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aponta que, comprovada a má-fé praticada pelas associações e sindicatos beneficiados, pode acontecer a devolução em dobro dos valores que comprovadamente ocorreram sem a prévia e expressa autorização dos aposentados e pensionistas. Elimar Mello argumenta que, apesar disso, “a devolução, a princípio, deverá ocorrer apenas de forma simples”.

    “Entretanto, os tribunais brasileiros deverão voltar a analisar esses casos, inclusive sendo necessário revisar esse entendimento, para que as medidas de controle e prevenção sejam adotadas de forma efetiva. Caso as medidas para contornar a situação sejam adotadas de forma administrativa, não será o caso de aplicação de juros ou correção monetária, eis que a adoção de medidas de boa-fé, com devolução imediata, afasta a aplicação de juros e correção monetária”, explica o advogado.

    Ele destaca ainda que, caso não sejam adotadas medidas eficazes no curto prazo, “demandas judiciais serão apresentadas e, com isso, em tempos de SELIC alta, o rombo pode ser muito maior”. O advogado Márcio Pires acrescenta que a “devolução em dobro, prevista no art. 42, único do Código de Defesa do Consumidor, pode ser pleiteada quando houver má-fé ou dolo da instituição que realizou o desconto. Em alguns casos, ele afirma, pode ser possível pleitear indenização por danos morais, dependendo da extensão do prejuízo”.

    Judicialização dos processos

    Ubiratan Dias, advogado especialista em direito previdenciário, reforça que além da possibilidade do pagamento em dobro, juros e correção na judicialização dos casos, aposentados podem apresentar ação por danos morais. Ele também afirma que atende casos de descontos indevidos desde antes de 2019.

    “Esses descontos já estão acontecendo desde antes da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Só nós aqui no meu escritório aqui no Rio Grande do Sul, atendemos mais de 100 casos que já tínhamos pedido o cancelamento do desconto”, iniciou o advogado. “O que acontecia: quando olhávamos eram descontos de R$ 40 a R$ 90, e o desconto também era feito no 13º salário”.

    Em razão da iniciativa do INSS propor um pagamento automatizado dos valores descontados sem autorização dos aposentados e pensionistas, Ubiratan Dias relata ter orientado seus clientes a não judicializarem os processos antes de ver como será a devolução. “Não adianta nada sobrecarregar o Judiciário e não ter decisão formada ainda. Até para ter maior celeridade para o segurado que sofreu desconto de forma indevida”.

  • 1ª Turma do STF forma maioria para condenar Zambelli a 10 anos

    1ª Turma do STF forma maioria para condenar Zambelli a 10 anos

    A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar a deputada Carla Zambelli (PL-SP) a 10 anos de prisão e perda do mandato por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro Alexandre de Moraes também votou pela pena de 8 anos e 3 meses de reclusão para o hacker Walter Delgatti Neto, acusado de executar as invasões sob o mando da parlamentar.

    Carla Zambelli

    Carla ZambelliLula Marques/Agência Brasil

    O julgamento está em plenário virtual e os magistrados têm até a próxima sexta-feira (16) para depositar os votos. Até o momento, já votaram Alexandre de Moraes, relator da ação penal, e os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia, que seguiram o entendimento do relator. Apenas o ministro Luiz Fux ainda não votou.

    Para Alexandre de Moraes, a deputada “demonstrou pleno conhecimento da ilicitude de suas condutas, agindo de modo premeditado, organizado e consciente, na busca de atingir instituições basilares do Estado Democrático de Direito, em especial o Poder Judiciário”.

    Relembre o caso

    Entre agosto de 2022 e janeiro de 2023, a dupla invadiu de maneira ilegal seis sistemas do Judiciário, incluindo o CNJ, em 13 ocasiões. Ambos são acusados de cometer violação de segredo profissional, falsificação ideológica e invasão de dispositivo informático com resultado em prejuízo econômico.

    A mando de Carla Zambelli, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu no sistema do CNJ em 4 de janeiro de 2023 documentos falsos, como um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes assinado pelo próprio ministro registrado no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). Além disso, na invasão pediam também a quebra do sigilo bancário de Moraes.

    Para Moraes, “a invasão dos sistemas judiciários, a inserção de documentos falsos e a divulgação desses eventos na mídia constituem parte de uma estratégia mais ampla de desestabilização institucional, cujo ápice se materializou nos eventos de 8 de janeiro”.

    Perda do mandato

    Além da pena de prisão, Moraes propôs que os dois sejam condenados a pagar R$ 2 milhões por danos morais coletivos e fiquem inelegíveis, caso a decisão seja confirmada. A eventual perda do mandato de Zambelli, caso se torne definitiva, deverá ser declarada pela Câmara dos Deputados.

    Na denúncia apresentada ao STF, a Procuradoria-Geral da República afirma que os ataques aos sistemas do CNJ foram orquestrados com o objetivo de incitar atos antidemocráticos e colocar em xeque a legitimidade da Justiça brasileira.

    A Procuradoria sustenta ainda que os crimes “atentaram contra a segurança, o sigilo, a inviolabilidade de dados sensíveis e, ainda, a fé pública do Poder Judiciário”.

    Com base nisso, o órgão também solicitou a cassação do mandato da deputada, apontando “descompromisso com o cargo parlamentar” e disposição para o cometimento de atos ilícitos no exercício da função pública.

    Além de ser ré nesta ação, Carla Zambelli também responde a outro processo no STF. A parlamentar é acusada de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento com uso de arma caso em que perseguiu um jornalista com arma de fogo, no bairro do Jardins, em São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

  • Comissão da Câmara aprova uso de crédito de carbono na agropecuária

    Comissão da Câmara aprova uso de crédito de carbono na agropecuária

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 1436/2024, que autoriza a utilização de crédito de carbono para o pagamento de impostos ligados à atividade agropecuária. A proposta, de autoria do deputado Lucio Mosquini (MDB-RO), recebeu parecer favorável do relator, deputado Tião Medeiros (PP-PR).

    Tião Medeiros (PP-PR) é o relator da proposta que autoriza o uso de crédito de carbono

    Tião Medeiros (PP-PR) é o relator da proposta que autoriza o uso de crédito de carbonoMario Agra/Câmara dos Deputados

    O deputado Medeiros fez mudanças no projeto original e sugeriu que a produção de crédito de carbono em fazendas passe a ser considerada uma atividade rural pela lei nº 8.023/1990, que trata do Imposto de Renda no campo. Se isso for aprovado, o dinheiro que o produtor ganhar vendendo esses créditos será incluído na sua renda e usado para calcular os impostos.

    “Isso permitirá a dedução das despesas e investimentos incorridos para a produção de créditos de carbono, o que estimulará que mais produtores empreendam esforços para a produção de tais créditos, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e econômica da atividade rural”, afirmou o relator. 

    O projeto, que tramita em caráter conclusivo, seguirá para análise das Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

  • Deputada denuncia Ednaldo Rodrigues à Comissão de Ética da CBF

    Deputada denuncia Ednaldo Rodrigues à Comissão de Ética da CBF

    A deputada federal Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) apresentou nesta semana denúncia à Comissão de Ética do Futebol Brasileiro (CEFB) contra Ednaldo Rodrigues, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A denúncia da parlamentar é mais um capítulo da crise institucional que tem minado a credibilidade da autoridade máxima do futebol no Brasil.

    Presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues

    Presidente da CBF, Ednaldo RodriguesJoedson Alves/Agência Brasil

    A parlamentar apontou possíveis infrações devido ao uso de um documento judicial supostamente assinado por Antônio Carlos Nunes,que pode ter sido falsificado. Conhecido como Coronel Nunes, o ex-presidente da instituição assinou o documento que validou o acordo que previu a permanência de Ednaldo Rodrigues à frente da CBF. No caso, o atual presidente da entidade já havia exercido dois mandatos, previstos no regulamento.

    O acordo firmado com assinatura de Nunes, porém, tem indícios de falsificações, conforme laudos médicos e periciais, o que levantou a hipótese de que o documento teria sido elaborado e protocolado em juízo de forma fraudulenta. Para Daniela Carneiro, “trata-se de fato gravíssimo, que compromete a lisura institucional da entidade e atinge em cheio os princípios da ética, da probidade e da responsabilidade que devem reger o futebol brasileiro.”

    Outras ações em curso

    O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quarta-feira (7) que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro apure, com urgência, suspeitas de fraude no acordo que manteve Ednaldo Rodrigues na presidência da Confederação Brasileira de Futebol.

    A decisão foi tomada após a apresentação de documentos que colocam em dúvida a validade da assinatura do ex-presidente da CBF, Coronel Nunes, no acordo homologado pelo Supremo. Segundo laudos médicos e uma perícia grafotécnica, Nunes teria comprometimento cognitivo grave e não estaria em condições de assinar o documento. O magistrado determinou que o TJ-RJ tome as providências necessárias no processo original para verificar a validade do acordo.

    Na esteira da decisão do ministro do STF, a Comissão de Esporte do Senado, presidida por Leila Barros (PDT-DF), aprovou, por unanimidade, um requerimento para convocar Ednaldo Rodrigues, a fim de prestar esclarecimentos sobre as denúncias de irregularidades em sua gestão.

    O requerimento foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que também defende a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Como justificativa, o senador cita indícios de favorecimento indevido e suposto conflito de interesses em decisões judiciais que possibilitaram a recondução de Ednaldo Rodrigues à presidência da CBF.

  • Plano Safra injeta R$ 51 bi no campo nos primeiros meses de execução

    Plano Safra injeta R$ 51 bi no campo nos primeiros meses de execução

    O Plano Safra da Agricultura Familiar impulsionou o setor em 2024 com políticas e programas de crédito favoráveis, incentivos à transição agroecológica e apoio para enfrentar eventos climáticos. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) destinou R$ 64,9 bilhões em crédito rural em 2024, superando em 30% os R$ 49,7 bilhões de 2022.

    O número de contratos também cresceu, atingindo 1,8 milhão de operações em 2024, contra 1,45 milhão em 2022, um aumento de 26,2%. As regiões Sul, Nordeste e Sudeste lideraram o volume de crédito, com a região Nordeste apresentando o maior crescimento proporcional, passando de R$ 6,14 bilhões em 2022 para R$ 12,61 bilhões em 2024, um aumento de 106%.

    “Os números mostram que quando investimos na agricultura familiar com políticas públicas consistentes, como o Pronaf, colhemos mais do que alimentos: colhemos desenvolvimento, inclusão social e sustentabilidade no campo”, afirmou Vanderley Ziger, Secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia.

    Plano Safra da Agricultura Familiar segue impulsionando a agricultura familiar em todo o Brasil.

    Plano Safra da Agricultura Familiar segue impulsionando a agricultura familiar em todo o Brasil.Freepik

    Entre as linhas do PRONAF, os recursos para máquinas, equipamentos e implementos agrícolas cresceram cerca de 60% em valor e operações entre 2022 e 2024, totalizando R$ 12,9 bilhões em 2024. O Microcrédito Produtivo Rural (Grupo B) também apresentou aumento expressivo de 123% no mesmo período, passando de R$ 3,2 bilhões para R$ 7,2 bilhões.

    O Plano Safra também promoveu a inclusão. O crédito contratado por mulheres agricultoras aumentou 52,5%, de R$ 9 bilhões em 2022 para R$ 13,7 bilhões em 2024. O número de contratos assinados por mulheres subiu 35,7%, de 485.214 mil para 658.415 mil. Povos e comunidades tradicionais também tiveram maior acesso ao crédito, com aumento de 153% para indígenas e 464% para quilombolas entre 2022 e 2024, totalizando R$ 63,6 milhões.

    O crédito para jovens rurais no PRONAF aumentou de R$ 6,3 bilhões para R$ 8,3 bilhões entre 2022 e 2024. O PRONAF Jovem reduziu as taxas de juros para 3% ao ano e ampliou o limite de crédito.

    As linhas de crédito sustentáveis também avançaram. O crédito para produção agroecológica, orgânica e de sociobiodiversidade cresceu 84% entre 2022 e 2024, atingindo R$ 454 milhões. As linhas sustentáveis para agroecologia, bioeconomia, semiárido e florestas produtivas tiveram taxas de juros reduzidas para 3% ao ano no investimento e 2% ao ano no custeio. Novas linhas para regularização fundiária e incentivo à produção agroecológica e orgânica, com juros de 2% ao ano no custeio e 3% ao ano no investimento, também foram criadas.

    O próximo Plano Safra está em fase de construção, com a participação de movimentos sociais, Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (CONDRAF), Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e Conselho Nacional para a Economia Social (CNES). O lançamento está previsto para o segundo semestre deste ano.

  • Deputada defende fim da norma do Banco Central sobre chaves Pix

    Deputada defende fim da norma do Banco Central sobre chaves Pix

    A deputada Daniela Reinehr (PL-SC) apresentou o Projeto de Decreto Legislativo 113/2025, que propõe cancelar a Resolução 457 do Banco Central. A norma atual exclui chaves PIX de pessoas físicas e jurídicas com pendências na Receita Federal.X.

    A deputada Daniela Reinehr (PL-SC) é a autora da proposta

    A deputada Daniela Reinehr (PL-SC) é a autora da propostaMario Agra/Câmara dos Deputados

    Segundo a parlamentar, a norma pode causar instabilidade financeira e prejudicar principalmente pequenos empreendedores e trabalhadores informais.

    “Essa decisão atinge, de forma automática e generalizada, pessoas e negócios que, por diversas razões, podem estar com pendências cadastrais, incluindo questões burocráticas que não necessariamente indicam irregularidades graves”, justifica a deputada.

    O texto será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o Plenário.

  • Projeto libera uso de recursos do FGTS para uso de energia solar

    Projeto libera uso de recursos do FGTS para uso de energia solar

    Um projeto do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) que tramita no Senado Federal autoriza o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a aquisição e instalação de sistemas de geração de energia solar em residências urbanas e rurais. A matéria aguarda designação para comissão.

    O senador justifica a proposição argumentando que “a energia solar é hoje uma das fontes mais acessíveis, limpas e renováveis disponíveis no Brasil, país que possui elevada incidência solar ao longo de todo o ano. A instalação de painéis solares pode reduzir em até 90% o valor da conta de energia elétrica das famílias, proporcionando alívio financeiro de longo prazo e contribuindo para a segurança energética nacional”.

    O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) é o autor da proposta.

    O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) é o autor da proposta.Jefferson Rudy/Agência Senado

    O projeto estabelece que o titular da conta do FGTS poderá utilizar, a cada cinco anos, até 50% do saldo disponível para essa finalidade. Cooperativas ou consórcios voltados à geração compartilhada de energia solar também serão contemplados. A regulamentação de regras, critérios técnicos, operacionais e documentais ficará a cargo do Poder Executivo.

    A proposta define como prioritários no acesso aos recursos:

    • consumidores com média mensal inferior a 220 kWh nos 12 meses anteriores à solicitação;
    • residentes em áreas de vulnerabilidade socioeconômica;
    • participantes de programas de regularização fundiária e habitacionais;
    • imóveis de idosos ou pessoas com deficiência;
    • moradores de áreas isoladas, sem conexão com o Sistema Interligado Nacional;
    • agricultores familiares;
    • povos originários, como indígenas e quilombolas.

    Os equipamentos adquiridos com recursos do FGTS não poderão ser revendidos por cinco anos, exceto em situações de venda do imóvel, herança ou divórcio. O projeto também permite o uso do FGTS para amortizar financiamentos bancários destinados à aquisição ou instalação de sistemas de geração de energia solar.

  • Ana Paula Leão assume vaga em comissão sobre parcelamento de dívidas

    Ana Paula Leão assume vaga em comissão sobre parcelamento de dívidas

    A deputada federal Ana Paula Leão (PP-MG) foi confirmada como membro titular da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que vai analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66/2023. A comissão foi instalada no início do mês no Senado e terá como foco medidas para aliviar o impacto fiscal nas contas dos municípios.

    A proposta em debate permite o parcelamento de dívidas previdenciárias das prefeituras em condições mais flexíveis, amplia a desvinculação de receitas de fundos e estabelece novos limites para o pagamento de precatórios. Entre os pontos centrais está o aumento do percentual de desvinculação de receitas de 30% para 50%, além da flexibilização do uso dos recursos oriundos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM).

    Deputada assume vaga em comissão sobre parcelamento de dívidas

    Deputada assume vaga em comissão sobre parcelamento de dívidasMário Agra/Câmara dos Deputados

    Deputada defende medidas de fôlego para as gestões municipais

    Defensora de pautas ligadas ao municipalismo, Ana Paula Leão considera a proposta essencial para garantir a sustentabilidade das administrações locais. “Cuidar dos municípios é cuidar das pessoas. “No início da semana, instalamos a comissão especial que irá analisar a Proposta de Emenda à Constituição 66. Essa proposta é fundamental para as nossas cidades, porque ela dá um fôlego ao caixa dos municípios brasileiros e, com isso, busca evitar o colapso de serviços públicos, como saúde, educação, áreas sociais e limpeza pública”, afirmou a deputada.

    A parlamentar também apontou dificuldades enfrentadas por prefeituras diante da perda de receitas e do aumento de responsabilidades. “Quando um município perde o equilíbrio fiscal, quem perde é a população, sobretudo as pessoas que mais precisam do poder público. Infelizmente, os municípios estão perdendo recursos de forma inesperada e ganhando despesas e responsabilidades”.

    Os debates da Comissão Especial devem começar nas próximas semanas. A expectativa, segundo parlamentares e entidades municipalistas, é de que a tramitação avance de forma célere, diante da pressão por soluções fiscais nos entes locais.