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  • PL que protege estudantes por gravidez ou adoção vai à sanção

    PL que protege estudantes por gravidez ou adoção vai à sanção

    Senado aprova PL que proíbe discriminação de estudantes por gravidez ou adoção.

    Senado aprova PL que proíbe discriminação de estudantes por gravidez ou adoção.Freepik

    O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (26) o projeto de lei 475/2024, que proíbe qualquer forma de discriminação contra estudantes e pesquisadores por motivo de gestação, parto, nascimento de filho ou adoção. A proposta, originária da Câmara dos Deputados, visa garantir igualdade de condições nos processos seletivos para bolsas de estudo e pesquisa em instituições de ensino superior e agências de fomento. A matéria agora vai à sanção presidencial.

    O projeto também considera discriminatória a realização de perguntas de cunho pessoal sobre planejamento familiar durante entrevistas nos processos seletivos. Em caso de descumprimento da norma, a proposta prevê a instauração de procedimento administrativo contra os responsáveis pela prática discriminatória.

    Outro ponto importante do texto é a ampliação do período de avaliação da produtividade científica para mulheres que se afastarem por licença-maternidade. Nesses casos, o prazo será estendido em dois anos, além do tempo originalmente estipulado pela instituição de fomento.

    A proposta busca promover mais equidade no ambiente acadêmico e científico, especialmente para mulheres, assegurando que a maternidade ou a adoção não sejam fatores de exclusão ou desvantagem em suas trajetórias educacionais e profissionais.

  • Tentativa de golpe: entenda a corrida de obstáculos para a anistia

    Tentativa de golpe: entenda a corrida de obstáculos para a anistia

    Para cruzar a linha de chegada da anistia dos envolvidos nos atos golpistas, os apoiadores da medida terão de vencer uma corrida de obstáculos no Congresso. Cada vez considerada mais prioritária pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, a proposta terá de superar barreiras legislativas, políticas e jurídicas para se tornar realidade.

    A medida estará sujeita, inclusive, ao crivo dos dois principais alvos dos bolsonaristas: o presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), responsáveis, respectivamente, pela sanção da lei e pela palavra final sobre a constitucionalidade da anistia aos acusados de planejar o golpe de Estado.

    Milhares de pessoas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo e o Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023

    Milhares de pessoas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo e o Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O Código Penal define anistia como o perdão dado a um ou mais indivíduos que respondem por crimes na Justiça. Na prática, o Estado perde o direito de punir quem praticou os atos considerados criminosos mencionados.

    Sanção de Lula

    O artigo 48 da Constituição Federal, que trata das atribuições do Congresso Nacional, estabelece que cabe à Câmara e ao Senado a aprovação de anistia, por meio de projeto de lei, com a sanção do presidente da República. Ou seja, se for aprovada, a proposta será submetida a Lula, que terá 15 dias úteis para concordar ou não com a medida.

    “Projeto de lei ordinária ou complementar, que tem tramitação nas duas Casas, tem de ser sancionado ou vetado pelo presidente da República”, explica o professor de Processo Legislativo Miguel Gerônimo, especialista nos regimentos da Câmara, do Senado e do Congresso.

    “Sendo uma lei, ela tem de ser sancionada. Toda lei é fruto do Congresso. Caso contrário, é outro ato normativo”, reforça a professora Eneá Stutz e Almeida, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), ao refutar o argumento de que, por ser um ato do Congresso, a anistia estaria sujeita a promulgação, sem necessidade de passar pelo crivo presidencial.

    No caso de vetos, deputados e senadores são obrigados a se reunir em sessão conjunta para analisar a decisão presidencial. O presidente tem 48 horas para enviar suas justificativas ao presidente do Congresso. A partir desse momento, começa a contar o prazo de 30 dias corridos para a deliberação. O prazo, no entanto, nem sempre é respeitado. Para derrubar um veto é necessário o apoio de pelo menos 257 deputados e 41 senadores. Se uma das Casas não alcançar a maioria, a decisão do presidente é mantida.

    Artigo 48 da Constituição Federal prevê sanção para projeto de lei da anistia

    Artigo 48 da Constituição Federal prevê sanção para projeto de lei da anistiaReprodução

    Pressão sobre Hugo Motta

    Tramitam nas duas Casas, atualmente, dez projetos de lei que concedem anistia aos acusados de tentativa de golpe. O clamor pela aprovação da proposta tende a crescer, no Parlamento, com a provável aceitação da denúncia do Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro e outros sete aliados do chamado núcleo crucial da trama golpista. Depois de um longo dia de discussões nessa terça-feira (25), os ministros devem decidir se aceitam ou não abrir ação penal contra eles nesta quarta-feira (26).

    A oposição aguarda o retorno do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de viagem com o presidente Lula à Ásia, para apresentar na próxima semana um requerimento de urgência para acelerar o andamento do projeto de lei de anistia. A intenção é trazer a votação da proposta (PL 2858/22) diretamente para o plenário da Câmara. O requerimento de urgência, por si só, não é garantia de votação. “Há centenas deles no plenário”, lembra Miguel Gerônimo. 

    Sóstenes Cavalcante encabeça movimento pró-anistia na Câmara

    Sóstenes Cavalcante encabeça movimento pró-anistia na CâmaraBruno Spada/Agência Câmara

    O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que Hugo se reunirá no próximo dia 1º com outras lideranças que apoiam a anistia para avaliar a possibilidade de incluir o item na pauta na semana seguinte. Caso contrário, adiantou, a bancada usará o regimento interno para impedir as votações. O partido de Bolsonaro tem a maior representação na Casa, com 92 deputados.

    Sóstenes afirma que cerca de 300 dos 513 deputados são favoráveis à anistia, número que garante uma maioria folgada. Para a aprovação de projeto de lei, basta haver maioria de votos entre os parlamentares presentes.

    Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) considera que não há apoio suficiente para se aprovar uma anistia pura. “Para a moderação das penas”, sim, disse ele ao Congresso em Foco. “Nesse caso, se o Bolsonaro for retirado do projeto, fica mais fácil ainda”, acrescentou.

    Comissão especial

    Junto com o PL 2858, de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que foi líder do governo Bolsonaro, há outras cinco propostas de teor semelhante na Câmara. Em outubro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), então liderada pela deputada Caroline de Toni (PL-SC), chegou a pautar a votação do projeto.

    A proposta de Major Vitor Hugo prevê:

    • perdão por crimes previstos no Código Penal relacionados às manifestações;
    • o cancelamento de multas aplicadas pela Justiça;
    • a manutenção dos direitos políticos;
    • a revogação de medidas, transitadas em julgado ou não, que limitem a liberdade de expressão em meios de comunicação social e em redes sociais.

    No papel

    De olho na pressão popular e nas articulações pela disputa da presidência da Câmara, o então presidente, Arthur Lira (PP-AL), retirou o texto da CCJ poucos minutos antes da votação e determinou a criação de uma comissão especial para analisar o assunto. Cinco meses depois, o colegiado não foi instalado.

    Hugo Motta deve decidir o andamento do projeto na Câmara nas próximas semanas

    Hugo Motta deve decidir o andamento do projeto na Câmara nas próximas semanasMarina Ramos/Agência Câmara

    O tema deve ser devidamente debatido pela Casa. Mas não pode jamais, pela sua complexidade, se converter em indevido elemento de disputa política, especialmente no contexto das eleições futuras para a Mesa Diretora da Câmara, disse Lira.

    Cautela

    Sucessor e aliado de Lira, Hugo Motta tem adotado discurso cauteloso sobre o assunto, evitando criar briga com o governo e com o Judiciário, mas sem desagradar também aos bolsonaristas que apoiaram sua candidatura.

    Em uma de suas declarações mais abertas sobre a anistia, Hugo defendeu a tese de que não houve tentativa de golpe no 8 de janeiro de 2023. “O que aconteceu não pode ser admitido novamente, foi uma agressão às instituições. Agora, querer dizer que foi um golpe Golpe tem que ter um líder, uma pessoa estimulando, tem que ter apoio de outras instituições interessadas, e não houve isso”, declarou ele em entrevista à rádio Arapuan, da Paraíba, em 7 de fevereiro.

    Ainda assim, ressaltou, é preciso tranquilidade antes de levar o projeto a votação. “É um assunto que divide a Casa, que gera tensionamento com o Judiciário e com o Executivo. Por isso, o nosso cuidado em tratar sobre o tema. Eu não posso chegar aqui dizendo que vou pautar a anistia na semana que vem ou não vou pautar de jeito nenhum”, afirmou na mesma ocasião.

    Resistência de Davi

    Se passar pela Câmara, o projeto deve enfrentar maior resistência no Senado a começar pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AC). O senador já disse que não considera a votação da proposta prioritária nem para o Congresso nem para o Brasil.

    “A agenda do brasileiro não é essa. É preciso trabalhar todos os dias, incansavelmente, para diminuir a pobreza no país”, disse logo após sua eleição e posse como presidente, em 1º de fevereiro.

    Divisão

    Três semanas depois, Davi voltou a se posicionar. Isso não é um assunto que nós estamos debatendo. “Quando a gente fala desse assunto em todo instante, a gente está dando, de novo, a oportunidade de nós ficarmos, na nossa sociedade, dividindo um assunto que não é um assunto dos brasileiros”, afirmou.

    Em entrevista à RedeTV!, em 27 de fevereiro, o presidente do Senado defendeu uma “mediação e modulação” nas penas impostas pelo Supremo aos envolvidos no 8 de janeiro. “Ela não pode ser uma anistia para todos de maneira igual. E ela também não pode nas decisões do Judiciário ser uma punibilidade para todos na mesma gravidade”, avaliou.

    Na gaveta

    No Senado, há quatro projetos de lei sobre anistia apresentados após os atos golpistas. Entre eles está o PL 5064/23, de autoria do ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O senador e general propõe perdão para aqueles acusados ou condenados pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito em razão dos atos de 8 de janeiro.

    Outras três propostas tramitam em conjunto. Uma delas, do senador Márcio Bittar (União-AC), vai além ao tentar revogar a inelegibilidade de Bolsonaro e reabilitar seus direitos políticos imediatamente.

    Voto declarado

    O pacote, no entanto, está parado na Comissão de Defesa da Democracia desde outubro de 2023. A relatoria está nas mãos do senador Humberto Costa (PE), atual presidente do PT. A posição do petista é clara. “Golpistas não merecem anistia, merecem justiça. Quem ataca a democracia deve responder por cada ato de violência e destruição”, escreveu Humberto em suas redes no último dia 18.

    Se for analisado pela Comissão de Defesa da Democracia, o texto será submetido ainda à Comissão de Direitos Humanos e, posteriormente, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No Senado, diferentemente da Câmara, a oposição avalia que terá de trabalhar mais para alcançar os votos necessários para aprovar a proposta.

    Obstáculos no Supremo

    Caso vença a corrida de obstáculos na Câmara, a anistia ainda estará sujeita a contestações no Supremo Tribunal Federal a respeito de sua constitucionalidade. De acordo com um balanço divulgado pelo Supremo no início do ano, 497 pessoas já haviam sido condenadas pelos atos de 8 de janeiro em dois anos. A denúncia em análise pelo Supremo sobre a trama golpista envolve 34 pessoas ao todo.

    A anistia é geralmente aplicada a crimes políticos, mas é vedada para crimes como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e aqueles definidos como hediondos, como estupro, e inafiançáveis, como racismo.

    O criminalista Alberto Toron disse ao site Migalhas, em dezembro, que, como os crimes contra o Estado Democrático de Direito não estão entre os vedados pelo Código Penal, há margem para uma lei de anistia, conforme o apoio político recebido pela medida.

    Relator dos processos sobre a trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes, em decisões sobre os atos antidemocráticos, levantou a possibilidade de alguns deles serem classificados como terrorismo, utilizando os termos “ato terrorista” e “criminosos terroristas”.

    Inconstitucionalidade

    A professora de Direito da UnB, Eneá Stutz e Almeida, conselheira e ex-presidente da Comissão de Anistia, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, entende que não há possibilidade de o STF manter a anistia caso ela seja aprovada pelo Congresso.

    Eneá Stutz, da UnB e da Comissão de Anistia, vê inconstitucionalidade em proposta

    Eneá Stutz, da UnB e da Comissão de Anistia, vê inconstitucionalidade em propostaLula Marques/Agência Brasil

    Segundo ela, o que os parlamentares discutem nos projetos apresentados é uma anistia política de esquecimento. Esse instrumento, frisa ela, contraria convenções de direitos humanos das quais o Brasil é signatário e a própria Constituição.

    Eles pedem anistia política de esquecimento. É por isso que o próprio ex-presidente fala em passar uma borracha em tudo que aconteceu para podermos nos reconciliar. Em síntese, a Constituição não admite leis de anistia política de esquecimento, em especial por causa do art. 8º do ADCT, que comanda a Justiça de transição no Brasil.

    O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, ao qual a professora de Direito se refere, é um conjunto de normas que regulam transições e adaptações da Constituição brasileira.

    Memória x esquecimento

    “Eu defendo que a anistia política de 1979 foi uma anistia política de memória e não de esquecimento. É por isso que eu defendo que o STF, em 2010, afirmou isso, que a lei de 1979 foi uma lei de memória e não de esquecimento”, defende a jurista.

    Em 2010, por 7 votos a 2, o Supremo arquivou ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que questionava a abrangência da Lei da Anistia para casos de tortura e crimes comuns, cometidos por civis e agentes do Estado durante a ditadura militar. A lei de 1979, construída no governo de Ernesto Geisel e assinada pelo então presidente João Batista Figueiredo, permitiu o retorno de exilados e a libertação de presos políticos, mas também anistiou militares que cometeram graves violações de direitos humanos. Uma discussão que se arrasta ainda hoje.

  • Governo cria estrutura oficial para comandar COP30 em Belém

    Governo cria estrutura oficial para comandar COP30 em Belém

    O governo federal formalizou a criação da estrutura que coordenará a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), prevista para ocorrer em Belém (PA) de 10 a 21 de novembro de 2025. Um decreto assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que hoje ocupa o cargo de presidente enquanto Lula está em viagem na Ásia, oficializou a criação da Presidência da COP30, vinculada diretamente ao Gabinete Pessoal do Presidente da República.

    A Presidência da COP30 terá como funções centrais liderar as negociações internacionais do Brasil durante o evento, coordenar articulações com órgãos da ONU e mobilizar atores nacionais e estrangeiros em torno da agenda climática. Também será responsável por promover o engajamento da sociedade nas discussões que antecedem e ocorrem durante a conferência.

    O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, ao lado da CEO da conferência, Ana Toni.

    O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, ao lado da CEO da conferência, Ana Toni.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    O decreto publicado no Diário Oficial da União também detalha o quadro de cargos comissionados e funções de confiança que irão compor a nova estrutura, com duração prevista até 1º de dezembro de 2026. A equipe será composta por oito cargos, incluindo diretor-executivo, coordenadores e chefes de gabinete, todos com funções de coordenação administrativa e estratégica.

    O presidente da COP 30 é o embaixador André Corrêa do Lago, que é secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores. A secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni, é a diretora-executiva da conferência.

    A COP30 será a primeira conferência climática da ONU realizada na região amazônica e uma das maiores já organizadas no Brasil. O evento reunirá chefes de Estado, negociadores, cientistas e representantes da sociedade civil para discutir metas globais de combate à mudança do clima.

  • Prefeito de BH, Fuad Noman teve parada cardiorrespiratória à noite

    Prefeito de BH, Fuad Noman teve parada cardiorrespiratória à noite

    O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), 77 anos, está internado em estado grave após sofrer uma parada cardiorrespiratória na noite de terça-feira (25). Segundo boletim médico divulgado na manhã desta quarta (26), ele foi reanimado, mas evoluiu para um quadro de choque cardiogênico, necessitando de altas doses de medicamentos para manter a pressão arterial.

    O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, foi reeleito em 2024 para o comando da capital mineira.

    O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, foi reeleito em 2024 para o comando da capital mineira.Alexandre Rezende/Folhapress

    Ainda de acordo com o boletim, Noman está com insuficiência renal aguda e respira com auxílio de aparelhos. Ele segue internado no Hospital Mater Dei, na região Centro-Sul da capital mineira, onde está desde 3 de janeiro para acompanhamento de seu tratamento oncológico.

    Durante o afastamento do titular, o vice-prefeito Álvaro Damião (União Brasil) permanece como prefeito interino. Em 2023, Fuad revelou publicamente que enfrentava um linfoma abdominal e passou por quimioterapia durante a pré-campanha eleitoral. Foi declarado curado pouco antes da eleição.

    Esta é a quinta internação do prefeito desde que assumiu o cargo em substituição a Alexandre Kalil, que deixou a prefeitura para disputar o governo de Minas em 2022.

  • Como será o segundo dia de análise da denúncia contra Bolsonaro

    Como será o segundo dia de análise da denúncia contra Bolsonaro

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nesta quarta-feira (26), a partir das 9h30, se o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados vão responder a uma ação penal por tramar um golpe de Estado para impedir a posse do presidente Lula. Caberá ao relator da denúncia da Procuradoria-Geral da República, ministro Alexandre de Moraes, proferir seu voto. Os ministros analisarão se estão dadas as condições para que os acusados se tornem réus, ou seja, se há indícios de que houve crime e de que os acusados o praticaram.

    Primeiro dia de julgamento da denúncia

    Primeiro dia de julgamento da denúnciaGustavo Moreno/Ascom/STF

    Na sequência, os demais integrantes da Primeira Turma os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, finalizando a rodada, o presidente do colegiado, Cristiano Zanin darão seus respectivos votos, obedecendo à ordem de antiguidade. A tendência é que os ministros aceitem a denúncia e que o julgamento termine hoje.

    Veja como foi a primeira sessão de julgamento da denúncia

    Veja como foi a segunda sessão de julgamento da denúncia

    Defesa e acusação

    Nessa terça-feira (25), a Primeira Turma realizou duas sessões, nas quais as defesas de cada um dos oito acusados se manifestaram. Os advogados também tentaram, sem sucesso, anular a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid Ferreira, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Os pedidos das defesas foram rejeitados. Também houve contestações a respeito da tramitação do processo na Primeira Turma e alegações de cerceamento da defesa. Argumentos também refutados pelos ministros.

    Bolsonaro acompanhou as discussões sentado na primeira fila do espaço reservado aos advogados dos acusados.

    Em sua manifestação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou os termos da denúncia. Com base nas investigações, Gonet acusa Jair Bolsonaro e outros de terem formado uma organização criminosa com o objetivo de se manter no poder após as eleições de 2022, independentemente do resultado. De acordo com o procurador-geral da República, a organização incluía civis e militares, sendo liderada pelo próprio Bolsonaro e seu candidato a vice-presidente, general Braga Netto.

    Poder a todo custo

    Segundo a denúncia, o ex-presidente intensificou discursos antidemocráticos e planejou sua permanência no poder em 2022 como parte de uma trama golpista. Gonet destacou a crescente ruptura institucional nos discursos de Bolsonaro a partir de 2021, intensificada após a candidatura de Lula e a vantagem nas pesquisas. Ele alegou que planos foram articulados para manter Bolsonaro na Presidência “a todo custo”.

    “Foram, então, postos em prática planos articulados para a manutenção, a todo custo, do poder do então Presidente da República. A organização criminosa documentou seu projeto e, durante as investigações, foram encontrados manuscritos, arquivos digitais, planilhas e trocas de mensagens reveladoras da marcha da ruptura da ordem democrática, que era o objeto dos esforços da organização”, afirmou o procurador-geral da República.

    Desdobramento

    Caso a denúncia seja rejeitada, o inquérito será arquivado.

    Se o STF aceitar a denúncia, o processo seguirá para a fase de instrução penal, que inclui a coleta de provas, depoimentos de testemunhas e interrogatórios dos réus. Após essa etapa, as partes apresentarão alegações finais antes do julgamento definitivo. Caso o tribunal decida pela condenação, será determinada a pena a ser cumprida. Ainda caberão recursos dentro do próprio STF antes que a decisão transite em julgado, ou seja, se torne definitiva.

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  • STF retoma análise da denúncia contra Bolsonaro e mais sete

    STF retoma análise da denúncia contra Bolsonaro e mais sete

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira, a partir das 9h30, a sessão que vai analisar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete acusados de operar um esquema para a tentativa de um golpe de Estado.

    Nesta sessão, os ministros devem ler seus votos para aceitar ou rejeitar a denúncia. Se ela for aceita, Bolsonaro e os outros citados se tornam réus na Justiça.

    Ministros da Primeira Turma do STF devem ler seus votos nesta quarta-feira (26)

    Ministros da Primeira Turma do STF devem ler seus votos nesta quarta-feira (26)Rosinei Coutinho/STF

  • Bolsonaro vai ao gabinete de Flávio, no Senado, assistir a julgamento

    Bolsonaro vai ao gabinete de Flávio, no Senado, assistir a julgamento

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não vai presencialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (26), quando a Primeira Turma da Corte segue com o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele e mais sete acusados de organizar uma tentativa de golpe de Estado. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, disse ao canal Globo News que Bolsonaro vai assistir à sessão no gabinete dele, no Senado.

    Jair Bolsonaro com o filho Flávio.

    Jair Bolsonaro com o filho Flávio.Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress

    Na sessão de hoje, os ministros devem ler os votos e tomar uma decisão a respeito da denúncia. Se ela for aceita, Bolsonaro e os outros acusados se tornam réus. Acompanhe a sessão ao vivo aqui ou clique aqui para entender o julgamento.

  • Moraes abre voto com vídeo do 8 de janeiro: “Isso não é violência?”

    Moraes abre voto com vídeo do 8 de janeiro: “Isso não é violência?”

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), exibiu um vídeo dos atos antidemocráticos do 8 de janeiro para sustentar seu argumento em defesa da aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro e mais outros sete acusados. Em sessão da Primeira Turma do Supremo nesta quarta-feira (26), Moraes defendeu que há materialidade nos crimes investigados – ou seja, há comprovação de que os crimes aconteceram.

    “Todos nós temos, nossos cérebros, temos o viés de lembrar as noticias boas e esquecer as notícias ruins”, afirmou o ministro. “Dia 8 de janeiro de 2023 foi uma notícia péssima para a democracia, para as instituições, para todos os brasileiros e brasileiras que acreditam num país melhor. Esse viés de positividade faz com que aos poucos nós relativizemos isso”.

    Prosseguiu: “As pessoas de boa fé que tem esse viés de positivdade acabam sendo enganadas pelas pessoas de má fé. […] Aqueles que se esqueceram, de boa ou má fá, vão se recordar agora”. Durante a projeção do vídeo, que incluiu cenas dos acampamentos em frente ao Quartel-General em Brasília e da depredação de prédios públicos na Praça dos Três Poderes, questionou: “Se isso não é violência, o que seria violência?”.

    Moraes também relembrou os casos de violência contra policiais em 8 de janeiro. “Não foi um passeio no parque. Ninguém, absolutamente ninguém que lá estava, estava passeando”.

    O ministro Alexandre de Moraes:

    O ministro Alexandre de Moraes: “Não foi um passeio no parque”Antonio Augusto/STF

  • Moraes e Cármen Lúcia citam Trump para defender urnas eletrônicas

    Moraes e Cármen Lúcia citam Trump para defender urnas eletrônicas

    Os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), citaram um ato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sessão da Primeira Turma do Supremo desta quarta-feira (26) para defender a eficácia do sistema de votação brasileiro, com o uso da urna eletrônica. As declarações foram no julgamento em que a Corte delibera se vai aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Jair Bolsonaro e mais sete acusados de operar uma tentativa de golpe de Estado. Se a denúncia for aceita, os acusados se tornam réus.

    Veja o trecho da sessão abaixo e, em seguida, a transcrição das falas dos dois ministros:

    Alexandre de Moraes: “Nunca houve uma comprovação de fraude ou falha das urnas eletrônicas”

    Cármen Lúcia: “Aliás, ministro, ontem foi reconhecido nos Estados Unidos o mérito do sistema brasileiro, segundo o noticiário”

    Alexandre: “Exatamente, ministra Cármen. Vossa Excelência se refere bem. O presidente norte-americano, Donald Trump, alterou a legislação por ato executivo, o que seria muito equivalente ao nosso decreto autônomo, para melhorar as eleições. Esse link está no site da Casa Branca, que diz: ‘Apesar do pioneirismo do autogoverno, os Estados Unidos agora deixam de aplicar proteções eleitorais básicas e necessárias empregadas por nações modernas e desenvolvidas, bem como aquelas que estão em desenvolvimento. A Índia e o Brasil, por exemplo, estão vinculando a identificação do eleitor a um banco de dados biométrico, enquanto os Estados Unidos dependem em grande parte da autodeclaração de cidadania’. Então o Brasil é citado expressamente como um modelo de sucesso pelo presidente norte-americano Donald Trump. Enquanto aqui no Brasil houve toda essa preparação para se colocar em dúvida as urnas eletrônicas”.

    Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, é uma referência política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump assinou um decreto que estabelece novas regras eleitorais com o objetivo declarado de impedir fraudes nas eleições americanas. A norma exige comprovação de cidadania por parte dos eleitores e determina que órgãos federais compartilhem bancos de dados com os estados para garantir esse controle. Como exemplo de boas práticas, o documento cita o uso da biometria nas eleições do Brasil e da Índia, destacando que, ao contrário dos EUA, esses países vinculam a identificação do eleitor a sistemas mais rigorosos.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.Gage Skidmore (via Flickr/licença CC BY-SA 2.0)

  • Flávio Dino dá o segundo voto a favor de denúncia contra Bolsonaro

    Flávio Dino dá o segundo voto a favor de denúncia contra Bolsonaro

    O ministro Flávio Dino deu o segundo voto na Primeira Turma da Corte do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor da aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete acusados de uma tentativa de golpe de Estado. Com isso, o placar fica em 2 a 0, a um voto de atingir a maioria dos cinco ministros da Turma pela aceitação da denúncia.

    “Golpe de Estado mata”, disse o ministro em seu voto. “Aqueles que nos anos 20 e 30 do século 20 normalizaram a chegada de Mussolini e Hitler ao poder, dizendo este é um processo normal, certamente se arrependeram”.

    Dino acompanhou o relator Alexandre de Moraes.

    Voto do ministro Flávio Dino deixa o placar em 2 a 0 pela aceitação da denuncia contra Bolsonaro:

    Voto do ministro Flávio Dino deixa o placar em 2 a 0 pela aceitação da denuncia contra Bolsonaro: “Golpe de Estado é coisa séria”Rosinei Coutinho/STF