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  • Congresso perde o prazo dado pelo STF para aprovar licença-paternidade

    Congresso perde o prazo dado pelo STF para aprovar licença-paternidade

    O Congresso Nacional perdeu o prazo de 18 meses dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para regulamentar a licença-paternidade. O período terminou em 8 de julho. O benefício continua limitado à regra transitória de cinco dias prevista na Constituição de 1988.

    A omissão foi reconhecida pelo STF em dezembro de 2023, ao julgar uma ação apresentada por trabalhadores da saúde. A Corte decidiu que, caso o Legislativo continue inerte, caberá ao Supremo fixar o tempo de afastamento.

    Licença-paternidade: projetos no Congresso não avançaram no prazo estipulado pelo STF.

    Licença-paternidade: projetos no Congresso não avançaram no prazo estipulado pelo STF.Tim Mossholder (via Flickr)

    Propostas em tramitação

    Na Câmara, está previsto requerimento de urgência para um projeto aprovado pelo Senado em 2008, de autoria de Patrícia Saboya (PDT), que amplia a licença para 15 dias. A matéria já tem mais de 100 propostas apensadas.

    No Senado, tramita projeto do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), aprovado na Comissão de Direitos Humanos da Casa em 2024, com parecer da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O texto prevê licença-paternidade de até 75 dias e criação de um “salário-parentalidade”. A proposta agora aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

    Exemplos no exterior

    Países como Suécia, Islândia e Espanha já adotam licenças mais longas e igualitárias para pais e mães. A Suécia oferece até 390 dias que podem ser divididos entre os responsáveis; na Espanha, o afastamento é de 16 semanas para cada um. Esses modelos têm sido apontados como referência por defensores de uma mudança na legislação brasileira.

  • Câmara aprova projeto que torna Lei de Incentivo ao Esporte permanente

    Câmara aprova projeto que torna Lei de Incentivo ao Esporte permanente

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (14) o projeto que torna permanente a Lei de Incentivo ao Esporte. A proposta permite que empresas e pessoas físicas continuem deduzindo do Imposto de Renda valores destinados a projetos esportivos. O texto agora será analisado pelo Senado.

    De autoria do deputado Felipe Carreras (PSB-PE) e outros parlamentares, o PLP 234/24 substitui a lei atual, que perderia validade em 2027. O relator Orlando Silva (PCdoB-SP), que já foi ministro dos Esportes por cinco anos, incluiu a elevação do limite de dedução para empresas de 2% para 3% a partir de 2028 e manteve o patamar de 4% para projetos sociais voltados a comunidades vulneráveis.

    Proposta foi relatada pelo deptuado Orlando Silva (PCdoB-SP), que já foi ministro dos Esportes.

    Proposta foi relatada pelo deptuado Orlando Silva (PCdoB-SP), que já foi ministro dos Esportes.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Mudanças e alcance da nova lei

    A proposta atualiza a nomenclatura de modalidades, como “excelência esportiva” (antigo desporto de rendimento) e “esporte para toda vida” (participação). Também prevê que estados e municípios sigam os parâmetros federais enquanto não aprovarem leis próprias, que perderão validade com a implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, aprovado na reforma tributária) em 2033.

    O texto ainda evita que os incentivos ao esporte concorram com projetos de reciclagem previstos na Lei do ProRecicle, mantendo os atuais limites de dedução para cada área.

    Durante a votação, parlamentares da base e da oposição elogiaram a medida. Atletas como Ana Moser, Lars Grael, Hortência e Emanuel Rego acompanharam a aprovação no Plenário. O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o Executivo trabalha para que a nova lei seja sancionada por Lula.

  • Painel do Poder mostrou maioria pela licença-paternidade no Congresso

    Painel do Poder mostrou maioria pela licença-paternidade no Congresso

    O Congresso Nacional deixou vencer o prazo estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para aprovar um projeto de licença-paternidade – mesmo com um cenário favorável. Segundo levantamento exclusivo do Painel do Poder realizado entre março e abril, a maioria dos parlamentares é favorável à ampliação da licença-paternidade para 30 dias.

    À época, a pesquisa ouviu 69 deputados e senadores e captou uma maioria a favor da expansão do benefício: 46% disseram concordar totalmente com a ampliação e 6% parcialmente – mais do que o suficiente para formar maioria no Parlamento.

    Congresso deixou passar o prazo

    Em dezembro de 2023, o STF reconheceu que há omissão legislativa sobre o tema e decidiu que o Congresso teria até 8 de julho de 2025 para aprovar uma regra definitiva. Desde a Constituição de 1988, a licença-paternidade é regida por uma norma provisória, que garante apenas cinco dias de afastamento prorrogáveis para 20 em casos específicos.

    A Corte já indicou que poderá fixar ela mesma o período da licença, caso a omissão persista.

    A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) presidente a Frente Parlamentar Mista pela Licença Paternidade, lançada em 2024.

    A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) presidente a Frente Parlamentar Mista pela Licença Paternidade, lançada em 2024.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Projetos parados na Câmara e no Senado

    Na Câmara, há requerimento de urgência para um projeto que amplia o benefício para 15 dias. No Senado, tramita uma proposta do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), com parecer da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que prevê até 75 dias de licença e a criação de um salário-parentalidade. O texto aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça.

    Apesar do apoio registrado no Painel do Poder, que se estende a parlamentares da base, da oposição e independentes, o tema não avançou. Agora, com o prazo expirado, cabe ao STF decidir se vai intervir e definir o tempo mínimo de afastamento.

  • “O esporte pode unir o Brasil”, diz Hugo sobre aprovação de Lei de Incentivo

    “O esporte pode unir o Brasil”, diz Hugo sobre aprovação de Lei de Incentivo

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a aprovação unânime da proposta que torna permanente a Lei de Incentivo ao Esporte mostra que o tema é capaz de “unir o Brasil em uma pauta de convergência”. O projeto segue agora para o Senado.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comemorou a aprovação do projeto no plenário.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comemorou a aprovação do projeto no plenário.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Hugo ressaltou que a tramitação do projeto envolveu todo o mapa político. O relator foi o deputado Orlando Silva, do PC do B (esquerda), enquanto a comissão especial que analisou o texto foi presidida por Maurício do Vôlei, que é do PL (direita).

    A Lei de Incentivo permite que empresas e pessoas físicas deduzam do Imposto de Renda doações e patrocínios a projetos esportivos.

    Esporte e inclusão social

    Motta também destacou o papel social da proposta: “Que o Brasil possa cada vez mais avançar em uma agenda onde o esporte tire nossos filhos, crianças e jovens de caminhos ligados a drogas”, disse.

  • Parlamentares discutem impactos das tarifas dos EUA na economia

    Parlamentares discutem impactos das tarifas dos EUA na economia

    A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados promoverá uma reunião na quarta-feira (16), às 9h30, com o objetivo de examinar as repercussões do anúncio de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O deputado Rogério Correia (PT-MG), presidente do colegiado, foi autor do requerimento.

    Conforme o anúncio do presidente Donald Trump, na semana anterior, a taxação se inicia a partir de 1º de agosto. Em carta pública dirigida ao presidente Lula, o chefe do Executivo americano justificou a medida com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), referindo-se ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como “vergonha internacional” e acusando o Brasil de atacar eleições livres e censurar redes sociais americanas.

    Comissão de Finanças e Tributação.

    Comissão de Finanças e Tributação.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    A decisão suscitou críticas de diversos deputados. Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), divulgaram uma nota conjunta à imprensa. “O Congresso Nacional está pronto para agir com equilíbrio e firmeza em defesa da economia brasileira”, diz trecho do documento. Para ambos, a decisão dos EUA deve ser respondida por meio do diálogo diplomático e comercial.

    Representantes do setor já manifestam preocupação com os riscos. Em audiência na Câmara na semana passada, Cristina Yuan, diretora de assuntos institucionais do Instituto Aço Brasil, afirmou que a tarifa “inviabilizará a exportação de aço e alumínio”. Ela também enfatizou que, ao contrário do alegado por Trump, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos apresenta superávit para os norte-americanos.

  • Avança na Câmara regra para remover réplicas de conteúdo ilegal online

    Avança na Câmara regra para remover réplicas de conteúdo ilegal online

    A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta legislativa que visa aprimorar a remoção de conteúdos ilegais na internet. O projeto de lei em questão determina que os provedores de aplicações de internet devem envidar “os melhores esforços” para tornar indisponíveis conteúdos que sejam réplicas de materiais já considerados ilegais por decisão judicial.

    Essa exigência se aplica mesmo que o conteúdo replicado esteja veiculado sob outros endereços ou localizações dentro da mesma aplicação. Conforme o texto aprovado, o esforço requerido deve ser proporcional aos limites técnicos e operacionais do serviço prestado, restringindo-se aos conteúdos idênticos detectáveis por meios técnicos disponíveis e adequados ao porte e à natureza do serviço.

    A medida não implica na obrigação de monitoramento prévio ou generalizado de conteúdos por parte dos provedores de aplicação. A legislação vigente, o Marco Civil da Internet, estabelece que os provedores de aplicações de internet só podem ser responsabilizados civilmente por danos causados por conteúdo publicado por terceiros caso descumpram uma ordem judicial específica.

    Entretanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu, em tese de repercussão geral, que quando um fato ofensivo já foi reconhecido por decisão judicial e é replicado repetidamente, todos os provedores devem remover as publicações com conteúdos idênticos, mediante notificação judicial ou extrajudicial, independentemente de novas decisões judiciais.

    O texto aprovado é um substitutivo do deputado Ossesio Silva (Republicanos-PE) ao projeto de lei 1.910/24, da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), e incorpora emendas dos deputados Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Gustavo Gayer (PL-GO). Segundo o relator, a delimitação expressa da obrigação de indisponibilizar conteúdos idênticos ao âmbito da própria aplicação do provedor reforça a segurança jurídica da norma e evita interpretações equivocadas.

    Deputado Ossesio Silva, relator da proposta.

    Deputado Ossesio Silva, relator da proposta.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Outra emenda relevante exclui menção expressa a tecnologias específicas, garantindo a contemporaneidade da norma e permitindo que o dispositivo acompanhe a evolução das ferramentas de detecção de conteúdos digitais. O projeto de lei 1.910/24 original impõe aos provedores de aplicação a obrigação de tomar medidas imediatas para tornar indisponíveis URLs que contenham ou apontem para conteúdo já identificado como ilegal.

    O projeto seguirá para análise em caráter conclusivo pelas Comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

  • Prêmio Congresso em Foco: cerimônia mais objetiva e conectada

    Prêmio Congresso em Foco: cerimônia mais objetiva e conectada

    A 18ª edição do Prêmio Congresso em Foco chega com novidades e avanços em relação aos anos anteriores. A premiação mais importante da política brasileira terá, neste ano, uma cerimônia mais objetiva e mais conectada, mas mantendo o foco principal de reconhecer e valorizar a atuação parlamentar de excelência no Congresso Nacional.

    O Prêmio visa a estimular a cidadania ativa, contribuir para o fortalecimento da democracia e promover o acompanhamento crítico e qualificado da atividade legislativa. Para reconhecer os melhores parlamentares, qualquer cidadão pode acessar o site e votar nos seus 10 deputados e cinco senadores favoritos. A votação fica aberta até o domingo (20).

    A cerimônia de premiação será realizada no dia 20 de agosto, com transmissão ao vivo pelos canais oficiais do Congresso em Foco. De forma sucinta e mais conectada, o objetivo é fazer com que a audiência se sinta dentro da premiação mais tradicional da política.

    Prêmio Congresso em Foco.

    Prêmio Congresso em Foco.Arte/Congresso em Foco

    Critérios e categorias

    Participam do prêmio apenas os parlamentares que exerceram o mandato por pelo menos 60 dias até 31 de maio deste ano e que não possuam condenações por crimes ou improbidade administrativa. Também ficam de fora aqueles que respondem a ações relacionadas a violência doméstica, racismo, homofobia ou ataques ao Estado Democrático de Direito.

    A premiação, em sua 18ª edição, contempla três eixos: votação popular, júri técnico e júri de jornalistas. Os reconhecimentos abrangem os melhores parlamentares da Câmara e do Senado, além de destaques em categorias temáticas como Direitos Humanos, Inovação, Justiça, Meio Ambiente, Agricultura e Cultura.

    Próximas etapas

    Com a divulgação da segunda parcial, os resultados agora permanecem sob sigilo até o anúncio oficial dos finalistas, previsto para 1º de agosto.

    Mais informações sobre o regulamento, categorias e formulário de votação estão disponíveis no site oficial do prêmio.

    Patrocinadores do Prêmio Congresso em Foco.

    Patrocinadores do Prêmio Congresso em Foco.Arte/Congresso em Foco

  • Diante de exílio de Eduardo, projeto prevê exercício remoto do mandato

    Diante de exílio de Eduardo, projeto prevê exercício remoto do mandato

    O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) propôs em junho deste ano projeto para alterar o regimento interno da Câmara dos Deputados para permitir o exercício remoto do mandato. Apesar de a proposição não se referir diretamente ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, a eventual mudança pode beneficiá-lo para exercer o mandato mesmo nos Estados Unidos, onde está desde março deste ano.

    “Temos que regimentalizar essa possibilidade”, disse o deputado capixaba ao Congresso em Foco. Questionado se o projeto surgiu em razão do autoexílio de Eduardo Bolsonaro, o parlamentar respondeu: “A demanda da produção legislativa tem diversas motivações iniciadoras. Ela vem muitas vezes de novos cenários e possibilidades. Plenário virtual já é uma realidade , que veio para ficar desde a pandemia”.

    Para o parlamentar, a possibilidade de flexibilizar o exercício do mandato de forma remota pode ser “ainda mais efetiva” para as contas públicas. “Pode, entre outras coisas, reduzir os custos significativos do Congresso Nacional”, apontou Evair Vieira de Melo.

    Evair Vieira de Melo e Eduardo Bolsonaro.

    Evair Vieira de Melo e Eduardo Bolsonaro.Kayo Magalhães e Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    O que diz a matéria

    Conforme o projeto do deputado, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados pode permitir o exercício parlamentar a partir do exterior em caráter excepcional,. Para isso, os deputados devem apresentar requerimento expondo razões de força maior e segurança política ou jurídica que impeçam o retorno ao país.

    Em entrevista nesta segunda-feira (14), ao jornal O Estado de S. Paulo, Eduardo Bolsonaro expôs que seu retorno ao país depende da impossibilidade de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes prendê-lo. O filho do ex-presidente também afirmou temor em ter o passaporte apreendido caso retorne ao Brasil.

    A matéria, por sua vez, também garante o exercício do mandato nos exterior apenas se houver garantia tecnológica de que o parlamentar estará apto para participar das sessões e votações da Casa. Por fim, o texto também assegura que o benefício seja dado por prazo determinado, com possibilidade de renovação por sucessivos períodos e prevê que a presença do parlamentar será computada.

    “Em especial, [o projeto] visa garantir que deputados democraticamente eleitos não sejam privados do exercício de seu mandato em virtude de perseguição político-ideológica, ameaças à sua integridade física ou riscos jurídicos desproporcionais sobretudo quando essas situações decorrem de contextos de evidente assimetria entre os Poderes da República”, justificou Evair Vieira de Melo na proposição.

    Ele acrescenta, ainda, que a proposta, além de proteger o mandato parlamentar em contextos excepcionais, “evita interpretações arbitrárias que possam ser usadas como instrumento de censura política”.

    A tramitação do texto, no entanto, ainda não acelerou. A matéria ainda depende de despacho do presidente da Câmara dos Deputados. O líder da Oposição, Zucco (PL-RS), protocolou requerimento de urgência para o texto. Até o momento, apenas o lider do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), aderiu à urgência em nome da bancada. 

    Corrida contra o relógio

    Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Eduardo Bolsonaro afirmou que deve abrir mão do mandato parlamentar. Os 122 dias de licença do mandato parlamentar – 120 para tratar de interesse pessoal e outros dois de licença-saúde – se encerram na última semana de julho. Para reassumir a cadeira, o deputado deve voltar ao Brasil. Caso opte por não renunciar ao cargo, pode perder a vaga por exceder o número de faltas.

    Licenciado do mandato, o filho de Jair Bolsonaro é investigado em um inquérito no STF. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), há indícios de que Eduardo teria atuado com o objetivo de provocar sanções do governo dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal.

  • Comissão discute impactos de tarifas dos EUA na economia brasileira

    Comissão discute impactos de tarifas dos EUA na economia brasileira

    A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados promoverá uma reunião na quarta-feira (16), às 9h30, com o objetivo de examinar as repercussões do anúncio de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O deputado Rogério Correia (PT-MG), presidente do colegiado, foi autor do requerimento.

    Conforme o anúncio do presidente Donald Trump, na semana anterior, a taxação se inicia a partir de 1º de agosto. Em carta pública dirigida ao presidente Lula, o chefe do Executivo americano justificou a medida com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), referindo-se ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como “vergonha internacional” e acusando o Brasil de atacar eleições livres e censurar redes sociais americanas.

    Comissão de Finanças e Tributação.

    Comissão de Finanças e Tributação.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    A decisão suscitou críticas de diversos deputados. Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), divulgaram uma nota conjunta à imprensa. “O Congresso Nacional está pronto para agir com equilíbrio e firmeza em defesa da economia brasileira”, diz trecho do documento. Para ambos, a decisão dos EUA deve ser respondida por meio do diálogo diplomático e comercial.

    Representantes do setor já manifestam preocupação com os riscos. Em audiência na Câmara na semana passada, Cristina Yuan, diretora de assuntos institucionais do Instituto Aço Brasil, afirmou que a tarifa “inviabilizará a exportação de aço e alumínio”. Ela também enfatizou que, ao contrário do alegado por Trump, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos apresenta superávit para os norte-americanos.

  • Mauro Cid reforça que Bolsonaro teve acesso à minuta do golpe

    Mauro Cid reforça que Bolsonaro teve acesso à minuta do golpe

    O ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, reafirmou nesta segunda-feira (14) que o ex-mandatário teve contato e leu o documento apontado como minuta do golpe. De acordo com o texto, eram previstas a decretação de novas eleições e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Mauro Cid voltou a depor diante do ministro Alexandre de Moraes nesta segunda-feira. O tenente-coronel, que é réu da ação penal e delator, foi arrolado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em videoconferência. O julgamento da trama golpista entra em nova fase a partir da terça-feira (15), quando as testemunhas começam a depor.

    Mauro Cid.

    Mauro Cid.Antônio Cruz/Agência Brasil

    De acordo com Mauro Cid, o ex-assessor de Assuntos Internacionais de Jair Bolsonaro, o réu Filipe Martins, levou um jurista para duas reuniões com o então presidente para discutir o conteúdo do documento. Para além da prisão dos ministros, Cid relata, o texto previa também que o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também fosse preso.

    “O documento era composto de duas partes. A primeira parte eram os considerandos. Eram possíveis interferências que o STF e o TSE fizeram no processo eleitoral. A segunda, a prisão de autoridades e a decretação de eleições”, afirmou Cid.