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  • Entenda como será o interrogatório de Bolsonaro e membros do Núcleo 1

    Entenda como será o interrogatório de Bolsonaro e membros do Núcleo 1

    O Supremo Tribunal Federal (STF) dará início nesta segunda-feira (9) aos interrogatórios dos réus do chamado “Núcleo 1” da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022. A etapa marca a fase final da instrução processual, dedicada à coleta de provas. Estão entre os acusados o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-ministros militares apontados como integrantes do núcleo decisório da articulação golpista.

    As audiências ocorrem presencialmente na sala da Primeira Turma do STF, em Brasília. O ambiente foi adaptado com estrutura semelhante à de um tribunal do júri, com a presença de todos os réus. Alexandre de Moraes, relator da ação penal, conduz os trabalhos. As sessões seguem até sexta-feira (13).

    Mauro Cid abre a série de oitivas nesta segunda; Braga Netto será ouvido por videoconferência.

    Mauro Cid abre a série de oitivas nesta segunda; Braga Netto será ouvido por videoconferência.Fellipe Sampaio /STF

    Ordem dos depoimentos

    O primeiro a ser interrogado é o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, único delator entre os réus. Delatores devem ser ouvidos antes dos demais. Os chamados seguintes seguem a ordem alfabética: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e, por fim, Walter Braga Netto. Todos os interrogatórios serão feitos de forma presencial, com exceção de Braga Netto, que será ouvido por videoconferência, já que está preso preventivamente no Rio de Janeiro.

    Cada réu será chamado individualmente ao centro da sala, onde estarão duas cadeiras, uma para ele e outra para seu advogado. As perguntas serão feitas inicialmente por Moraes. Depois, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá a palavra. Por fim, a defesa de cada acusado poderá se manifestar, respeitando a ordem de chamada.

    Estrutura da sala de audiência foi organizada para assemelhar a um tribunal do júri.

    Estrutura da sala de audiência foi organizada para assemelhar a um tribunal do júri.Arte/Congresso em Foco

    Alegações dos réus

    Os interrogatórios permitirão que os réus falem diretamente ao juiz. Eles deverão esclarecer onde estavam durante os fatos narrados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os acusados também poderão apresentar provas em sua defesa ou simplesmente permanecer em silêncio, como previsto em lei.

    Sete dos oito acusados respondem por cinco crimes: tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Alexandre Ramagem, deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), responde por três desses crimes. A Câmara dos Deputados suspendeu parte das acusações contra ele, preservando apenas as que tratam de atos cometidos antes de sua diplomação como parlamentar.

  • Túlio Gadelha cobra ação do Brasil na ONU por ativistas presos em Gaza

    Túlio Gadelha cobra ação do Brasil na ONU por ativistas presos em Gaza

    O deputado Túlio Gadelha (Rede-PE) cobrou nesta segunda-feira (9) uma reação imediata do governo brasileiro à interceptação do navio humanitário Madleen, ocorrida em águas internacionais por forças israelenses. A embarcação, que transportava ajuda à Faixa de Gaza, levava a bordo 12 ativistas, entre eles o brasileiro Thiago Ávila e a sueca Greta Thunberg.

    Em ofício enviado ao Itamaraty, o parlamentar detalhou os fundamentos legais e diplomáticos que embasam sua cobrança. Ele observa que a abordagem do navio pode configurar uma infração ao direito internacional, já que foi realizada fora das águas territoriais de Israel: “a ação foi realizada em águas internacionais, o que pode configurar violação ao princípio da liberdade de navegação, conforme previsto no Artigo 87 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS)”.

    Em ofício, parlamentar exige garantias e ação na ONU pela liberdade de ativistas presos na rota para Gaza.

    Em ofício, parlamentar exige garantias e ação na ONU pela liberdade de ativistas presos na rota para Gaza.UN Photo/Manuel Elías

    Gadelha ainda requisita uma mobilização formal da diplomacia brasileira, com medidas como o acionamento da Embaixada do Brasil em Tel Aviv, a obtenção de informações sobre os detidos e o contato direto com Thiago Ávila. No documento, ele solicita que sejam asseguradas “garantias por parte das autoridades israelenses quanto à integridade física, psíquica e jurídica dos ativistas”.

    O parlamentar também pede que o governo brasileiro leve o episódio aos organismos multilaterais. Ele defende que o país “atue nas instâncias multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Conselho de Direitos Humanos, para que seja apurado o episódio e reforçado o direito de missões humanitárias de navegação pacífica”.

    Túlio Gadelha conclui o ofício com uma crítica ao que considera omissão governamental, advertindo que “o silêncio institucional em contextos como este coloca em risco a segurança dos cidadãos brasileiros no exterior e fragiliza nossa posição histórica na defesa do Direito Internacional Humanitário”.

    Resposta do Itamaraty

    O Itamaraty, por sua vez, divulgou nota oficial afirmando que acompanha o caso com atenção e demandando a libertação dos detidos. No comunicado, o governo brasileiro reafirma o princípio da liberdade de navegação e declara que “insta o governo israelense a libertar os tripulantes detidos”.

    Prisão de ativistas

    A Freedom Flotilla Coalition, responsável pela embarcação, relatou que o navio foi cercado por drones e lanchas israelenses, teve suas comunicações bloqueadas e recebeu jatos de uma substância branca. Pouco antes da interceptação, Thiago Ávila gravou um vídeo alertando sobre o risco que enfrentava: “Se você está assistindo a esse vídeo, isso significa que eu fui preso ou sequestrado por Israel ou por alguma outra força cúmplice no Mediterrâneo”.

    Veja a íntegra do ofício do deputado:

  • “Vai ficar tudo bem”, disse ativista Thiago Ávila em áudio para o pai

    “Vai ficar tudo bem”, disse ativista Thiago Ávila em áudio para o pai

    O aposentado Ivo de Araújo Oliveira Filho fez nesta segunda-feira (9) um apelo emocionado por notícias do filho, o publicitário e ativista pró-Palestina Thiago Ávila, coordenador da Coalizão Flotilha da Liberdade. O grupo, que inclui 12 ativistas de diferentes nacionalidades, entre eles a sueca Greta Thunberg, teve sua embarcação detida por forças israelenses no domingo (8), ao se aproximar da Faixa de Gaza. O último contato entre Thiago e o pai foi às 17h29 (horário de Brasília), pouco antes da interceptação do barco. “Vai ficar tudo bem, amo vocês”, disse o ativista brasiliense de 38 anos, em um áudio enviado pelo Instagram ao pai, à madrasta e à irmã. 

    O áudio foi compartilhado por Ivo com o Congresso em Foco. Em vídeo gravado para este site, o aposentado fez um apelo por informações sobre o paradeiro do filho. Confira:

    Receio do pai

    “A única coisa que estou querendo é notícia do meu filho. Quero uma imagem dele, para ter certeza de que ele está bem, que sua vida está preservada. É só isso que estou pedindo”, disse Ivo. Ele teme que o filho esteja em situação mais delicada do que a dos demais integrantes da embarcação.

    “A preocupação com meu filho é maior porque ele se posicionou de forma mais agressiva do que os outros em relação às ações de Israel. O ministro da Defesa de Israel já o chamou de ‘porta-voz do Hamas’”, afirmou o servidor aposentado do Senado ao Congresso em Foco.

    Para ele, Thiago corre o risco de ser mantido em território israelense, sem deportação para o Brasil: “Israel não está tendo freio, nem limite. Tudo pode acontecer. Precisamos de uma força maior para garantir que nada aconteça com ele além da deportação”.

    Outro motivo de preocupação é a visibilidade: “Os outros são influencers com grande projeção internacional. Com eles não deve acontecer nada. Mas meu filho não tem a mesma visibilidade”.

    Itamaraty

    Thiago é casado e pai de uma menina de um ano e sete meses, que vivem no Brasil. O pai reforça a necessidade de apoio das autoridades brasileiras para garantir sua integridade física. O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota cobrando de Israel a libertação dos ativistas.

    “O governo brasileiro acompanha com atenção a interceptação, pela marinha israelense, da embarcação Madleen […] e cuja tripulação inclui o cidadão brasileiro Thiago Ávila. […] O Brasil insta o governo israelense a libertar os tripulantes detidos.”

    O deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) telefonou para Ivo e enviou ofício à Embaixada de Israel pedindo a libertação imediata dos ativistas. “Esse é um momento de mobilização para garantir a segurança de todos os tripulantes em respeito aos direitos humanos. Não vamos tolerar o silêncio diante da violência contra ações humanitárias”, declarou o deputado.

    Histórico de ativismo

    Thiago começou a atuar em causas humanitárias ainda adolescente. Aos 17 anos, participou da defesa de moradores do assentamento da Estrutural, no Distrito Federal, e da luta de indígenas no bairro Noroeste, em Brasília.

    Thiago, no alto à esquerda, é o único brasileiro entre os ativistas que tentam furar o bloqueio em Gaza.

    Thiago, no alto à esquerda, é o único brasileiro entre os ativistas que tentam furar o bloqueio em Gaza.Divulgação/Flotilha da Liberdade

    A adesão à causa palestina se intensificou após uma visita a Gaza. “Desde então, ele vem criticando a atuação de Israel”, conta o pai. Para Ivo, a chegada da embarcação nas proximidades da costa de Gaza foi bem-sucedida. “Os mantimentos que levavam tinham caráter simbólico. O objetivo era chamar a atenção do mundo para o que acontece em Gaza.”

    Bloqueio e ação israelense

    A embarcação Madleen, organizada pela Freedom Flotilla Coalition (FFC), partiu da Itália em 1º de junho com arroz e leite em pó para bebês, tentando romper o bloqueio israelense a Gaza, em vigor desde 2007.

    A FFC relatou que o navio foi “atacado em águas internacionais”, cercado por drones e lanchas rápidas. “Drones borrifaram uma substância branca. As comunicações foram bloqueadas”, informou a FFC.

    A relatora da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, confirmou que houve três incidentes durante a travessia. Foto divulgada pela FFC, após a interceptação do barco, mostra os tripulantes com coletes salva-vidas e mãos erguidas.

    O governo israelense afirmou que os passageiros estão “ilesos” e que serão “repatriados para seus países de origem”.

    Além de Thiago, entre outros, estavam a bordo Greta Thunberg, a deputada francesa Rima Hassan e o ator irlandês Liam Cunningham (Game of Thrones).

    O governo de Israel chamou a embarcação de “iate de selfies” e a iniciativa de “provocação midiática”. Alegou ainda que o bloqueio busca impedir armas ao Hamas, mas a ONU e organizações humanitárias o consideram ilegal e agravante da crise em Gaza.

    O Hamas classificou a interceptação como uma “violação flagrante do direito internacional” e pediu a libertação dos ativistas.

    A Organização das Nações Unidas (ONU) acompanha o caso. A ação revive memórias do ataque ao navio turco Mavi Marmara, em 2010, quando dez ativistas foram mortos.

    A crise humanitária em Gaza se intensificou. Segundo o Ministério da Saúde local, mais de 54 mil pessoas morreram desde o início da ofensiva israelense em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

  • Medida propõe proteção trabalhista contra efeitos da mudança climática

    Medida propõe proteção trabalhista contra efeitos da mudança climática

    O projeto de lei 848/2025, de autoria da deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), propõe alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para incluir medidas preventivas diante dos impactos do aquecimento global e de eventos meteorológicos intensos. O texto visa reforçar a proteção de trabalhadores expostos a condições climáticas extremas e está em análise na Câmara dos Deputados.

    Atualmente, a legislação já atribui ao Ministério do Trabalho a responsabilidade por definir normas que protejam os empregados contra riscos como insolação, calor, frio, umidade e ventos, principalmente em atividades ao ar livre. O novo projeto amplia esse escopo ao prever regras específicas para o enfrentamento de riscos climáticos emergentes, como calor extremo, radiação ultravioleta, poluição do ar, doenças transmitidas por vetores e eventos climáticos extremos.

    A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) é a autora do projeto.

    A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) é a autora do projeto.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Segundo a deputada, a proposta responde a um cenário alarmante. “Mais de 70% da força de trabalho global está exposta a riscos relacionados às mudanças climáticas”, afirma Talíria.

    Adicional e medidas emergenciais

    A medida também concede ao Ministério do Trabalho a criação de um adicional salarial para casos em que as medidas preventivas não forem suficientes para mitigar os riscos à saúde dos trabalhadores. A regulamentação desse adicional ainda será detalhada em atos posteriores.

    Entre as medidas de proteção previstas no texto, estão:

    • Pausas frequentes e prolongadas durante períodos de calor intenso;
    • Suspensão das atividades quando as temperaturas ultrapassarem limites seguros;
    • Oferta de água para hidratação e monitoramento da saúde dos trabalhadores;
    • Áreas sombreadas para descanso;
    • Equipamentos de proteção contra radiação ultravioleta;
    • Rotas de fuga e abrigos seguros para situações de emergência climática.

    O projeto tramita em caráter conclusivo e pode ser aprovado diretamente pelas comissões responsáveis, de Trabalho e de Constituição e Justiça (CCJ), sem necessidade de passar pelo plenário. Se aprovado, seguirá para análise no Senado Federal antes de se tornar lei.

  • Mercado aumenta projeção do PIB de 2025 para 2,18%

    Mercado aumenta projeção do PIB de 2025 para 2,18%

    O mercado financeiro melhorou as expectativas para o crescimento da economia brasileira e para a inflação em 2025, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (9). O relatório indica que hoje os analistas esperam uma alta de 2,18% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e uma alta de 5,44% no IPCA, índice do IBGE considerado como inflação oficial.

    Há uma semana, os números eram de 2,13% e de 5,46%, respectivamente – ou seja, houve alta na estimativa para o PIB e baixa na de inflação. A previsão para o IPCA, porém, ainda indica um resultado foram da meta fiscal, que tem seu teto em 4,5%.

    Previsões do Focus para o PIB e a inflação em 2025 são mais otimistas que as da semana anterior.

    Previsões do Focus para o PIB e a inflação em 2025 são mais otimistas que as da semana anterior.Saulo Angelo/Thenews2/Folhapress

    O Focus é um relatório divulgado periodicamente com estimativas de analistas do mercado financeiro para os principais números da economia. Como a frequência do boletim é semanal, as variações tendem a ser de pequena magnitude.

    O relatório manteve as previsões da semana anterior a respeito do dólar (R$ 5,80) e da taxa Selic (14,75% ao ano) para o final de 2025.

  • Hugo diz que Câmara vai cassar Carla Zambelli: “É a única alternativa”

    Hugo diz que Câmara vai cassar Carla Zambelli: “É a única alternativa”

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (9) que a Casa vai cumprir a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e declarar a perda do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão por ataques ao sistema do CNJ.

    A deputada Carla Zambelli (PL-SP) deve perder seu mandato na Câmara sem votação pelos outros parlamentares.

    A deputada Carla Zambelli (PL-SP) deve perder seu mandato na Câmara sem votação pelos outros parlamentares.Nino Cirenza/Ato Press/Folhapress

    “Quando há uma conclusão de julgamento do Supremo Tribunal Federal, não cabe mais ao presidente da Câmara colocar isso em votação, porque já tem a condenação. Então a decisão judicial tem que ser cumprida. E o tratamento que nos vamos dar é o tratamento de seguir o rito regimental para o cuprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal, porque é a única alternativa”, afirmou Hugo.

    Zambelli é considerada foragida após fugir para a Itália. A cassação será oficializada por ato da Mesa Diretora.

    Prisão e extradição

    O ministro Alexandre de Moraes já determinou o início do cumprimento da pena e enviou a decisão ao Ministério da Justiça, para dar início à extradição da parlamentar.

    Zambelli também perdeu os direitos políticos e foi multada em R$ 2 milhões. Seu nome foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.

  • Ministro da Previdência será ouvido sobre fraudes no INSS

    Ministro da Previdência será ouvido sobre fraudes no INSS

    As Comissões de Previdência e de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados promovem, nesta terça-feira (10), audiência pública com o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz Maciel. O objetivo é esclarecer os parlamentares sobre descontos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. O debate está previsto para as 14 horas, sem local definido.

    A convocação atende a requerimentos dos deputados Ruy Carneiro (Podemos-PB), Sanderson (PL-RS), Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Evair Vieira de Melo (PP-ES), Mario Frias (PL-SP) e Nelson Barbudo (PL-MT).

    Descontos indevidos em benefícios do INSS motivam investigação de irregularidades.

    Descontos indevidos em benefícios do INSS motivam investigação de irregularidades.Fernando Frazão/Agência Brasil

    Entre os temas em pauta, estão as providências adotadas pelo ministério para suspender os descontos indevidos e responsabilizar os agentes públicos envolvidos, inclusive em casos de omissão. Os parlamentares também pedem esclarecimentos sobre a programação de ações da pasta.

    Para Cabo Gilberto Silva, a presença do ministro pode oferecer à sociedade “informações detalhadas sobre os avanços nas investigações, as responsabilidades das partes envolvidas e as estratégias para mitigar os impactos negativos dos empréstimos consignados”.

    O deputado ressalta ainda que a falta de mecanismos eficazes de controle pode expor os beneficiários a dívidas excessivas. A audiência busca ampliar a transparência nas políticas do INSS e na gestão dos recursos voltados à Previdência.

  • CPI das Bets apresenta relatório final sobre apostas on-line

    CPI das Bets apresenta relatório final sobre apostas on-line

    A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dedicada à análise das atividades das empresas de apostas online, conhecidas como ‘Bets’, receberá o relatório conclusivo elaborado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) nesta terça-feira (10). A sessão de votação do documento está agendada para às 10h.

    Soraya Thronicke e Dr. Hiran

    Soraya Thronicke e Dr. HiranCarlos Moura/Agência Senado

    Iniciada em novembro de 2024, a CPI realizou um total de 20 reuniões, nas quais foram ouvidas 19 pessoas. Entre os depoentes, estiveram presentes representantes do governo federal, responsáveis pela regulamentação do setor, influenciadores digitais e proprietários de plataformas de apostas. Sete dos convocados foram intimados a comparecer, sendo obrigatória sua presença. Contudo, em diversas ocasiões, a CPI registrou a ausência de seis depoentes.

    O relatório final tem como objetivo consolidar os trabalhos realizados pela CPI e, além de sugerir alterações na legislação vigente, poderá propor o enquadramento de indivíduos em determinados crimes, resultando em indiciamentos. Nesses casos, o relatório será encaminhado ao Ministério Público ou à Polícia Federal para as devidas providências.

    Um dos principais focos da CPI foi o debate sobre a publicidade das empresas de apostas online, especialmente por meio de influenciadores digitais. A senadora Soraya Thronicke ressaltou que a divulgação dessas atividades deve estar em conformidade com o “Código de Defesa do Consumidor”, as normas do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e as regulamentações do governo federal, como a Portaria 1.231, de julho de 2024.

    A senadora também levantou questionamentos sobre a legalidade da exploração de apostas a partir de 2018, quando a Lei 13.756 abriu caminho para o setor, exigindo uma regulamentação que só foi implementada sete anos depois. O colegiado, sob a presidência do senador Dr. Hiran (PP-RR), investigou ainda suspeitas de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e outros ilícitos relacionados ao setor de apostas online.

    Para tanto, a CPI solicitou informações à Polícia Federal e às polícias civis de diversos estados, como Pernambuco e Distrito Federal. A comissão analisou 192 requerimentos de informações sigilosas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), dos quais metade foi aprovada. Em resposta, o Coaf encaminhou 63 documentos à comissão até o início de junho.

    Além de investigar a possível ligação entre o setor de apostas online e organizações criminosas, a CPI busca analisar a influência dessas atividades no orçamento familiar e seus impactos sociais. Ex-dependentes de jogos e especialistas em saúde mental foram convidados a apresentar os efeitos da liberalização dos jogos de apostas na saúde dos brasileiros.

  • Entenda lei que obriga investimento em pesquisas de petróleo e gás

    Entenda lei que obriga investimento em pesquisas de petróleo e gás

    Aprovado no Senado em maio, o projeto de lei 5.066/2020 propõe obrigatoriedade de investimentos em pesquisas no setor de petróleo e gás natural para empresas que exploram os combustíveis. A matéria é criticada por representantes do setor e atualmente está na Câmara dos Deputados, no aguardo de despacho do presidente da Casa para começar a tramitar nas comissões.

    De iniciativa do senador Plínio Valério (PSDB-AM), a proposição altera a Lei do Petróleo e a Lei do Pré-Sal para estabelecer investimentos mínimos obrigatórios em pesquisas, desenvolvimento e inovação nos contratos de exploração e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos. Portanto, as empresas que atuam no setor serão obrigadas a destinar uma porcentagem para pesquisas.

    Plataforma de petróleo.

    Plataforma de petróleo.Divulgação/Petrobras

    Como vai funcionar o investimento

    Conforme a matéria, as companhias vão precisar destinar 1% da receita bruta da produção para as pesquisas nos contratos de concessão para explorar o mineral. Para os contratos de partilha de produção, será mantida a porcentagem de 1%, ao passo que nos contratos de cessão onerosa será 0,5% da receita bruta.

    Além disso, o texto também inclui que o estímulo à pesquisa deve contemplar a promoção da aquisição de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos e da perfuração de poços estratigráficos e de avaliação do potencial petrolífero em áreas terrestres não contratadas.

    Em relação à distribuição dos recursos provenientes da receita bruta das empresas para estímulo à pesquisa, desenvolvimento e inovação, o projeto de lei propõe que metade dos recursos sejam destinados a universidades e centros de pesquisas credenciados junto à Agência Nacional de Petróleo (ANP). A matéria também estabelece um prazo de cinco anos para que desses 1% investidos em pesquisas pelo menos 10% seja destinado a cada região do país.

    Por fim, a proposição ainda garante que até 30% do recursos destinados às universidades e aos centros de pesquisa, poderão ser utilizados para incubadoras de empresas e empresas fornecedoras da cadeia de petróleo e gás natural, para consecução dos objetos dos termos de cooperação das referidas instituições de ciência e tecnologia com as operadoras.

    Críticas ao projeto

    A Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (ABESPetro) nota contra o projeto de lei. A organização reconhece que a iniciativa é “louvável”, mas não lida diretamente com a realidade do setor para pesquisas e novas tecnologias para exploração e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos.

    “Os resultados das políticas de inovação levam mais tempo para produzir seus efeitos do que os períodos de 4 anos dos governos. Portanto, as grandes linhas e princípios destas políticas precisam ser perenes e previsíveis, como são as leis e as políticas de Estado”, argumenta o presidente da ABESPetro, Telmo Ghiorzi.

    O presidente acrescenta que a exploração de novas reservas é “rotina essencial das petroleiras” e é estimulada pela regularidade dos leilões de novos blocos exploratórios e pela simplicidade na obtenção de licenças ambientais. Portanto, ele explica que a obrigatoriedade de destinar parte desses recursos para a aquisição de dados exploratórios “desvia a finalidade e reduz os investimentos em inovação”.

    Academia e empresas de petróleo

    Ao Congresso em Foco, Telmo Ghiorzi afirma que a proposta limita o entendimento da inovação em um processo linear e automático que começa nas universidades e termina no ambiente produtivo. Para ele, a matéria propõe uma separação entre as empresas do setor e o ambiente acadêmico, enquanto deveria propor integração. O presidente defende que, ao isolar as empresas, as universidades não estarão em sintonia com as demandas do setor para aumentar a produtividade.

    “São as interações entre empresas que geram as inovações. No setor de petróleo, são as interações entre petroleiras e seus fornecedores de bens e serviços, com as universidades gerando o conhecimento demandado pelas empresas, que desenvolvem e introduzem as novidades no ambiente produtivo, isto é, geram as inovações”, diz em nota.

    Como amostra do sucesso da integração entre empresas e universidades trabalhando juntas em um propósito em comum, Telmo Ghiorzi apresenta a experiência de parceria entre a Petrobras e a Universidade Federal de Itajubá. Em conjunto entre o setor e o meio acadêmico, foi criada a tecnologia HiSep, que processa correntes de gás natural, ainda no fundo do mar, extrai o gás carbônico e reinjeta este contaminante no reservatório de onde os hidrocarbonetos foram extraídos.

    Assim, o órgão representante das empresas de produção de petróleo entende que as pesquisas já fazem parte da rotina produtiva do setor e que não há necessidade de obrigatoriedade de um mínimo para investimento na área. A ABESPetro também argumenta que a distribuição geográfica não leva em consideração as particularidades de cada lugar e trata a pesquisa sob uma lógica neoliberal que afasta a integração entre o meio acadêmico e o setor produtivo.

  • Acompanhe o interrogatório de Bolsonaro e membros do “Núcleo 1”

    Acompanhe o interrogatório de Bolsonaro e membros do “Núcleo 1”

    O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta segunda-feira (10) os interrogatórios dos réus do chamado “Núcleo 1”, grupo acusado de articular uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Entre os investigados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-ministros militares. As audiências seguem até sexta-feira (13), presencialmente, em Brasília. O relator Alexandre de Moraes comanda os trabalhos.

    Confira a transmissão:

    O tenente-coronel Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, será o primeiro a depor. Na sequência, a ordem segue o critério alfabético: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto único a participar por videoconferência, por estar preso preventivamente. As perguntas são feitas por Moraes, depois pelo procurador-geral Paulo Gonet, e, por fim, pela defesa.

    Os réus poderão esclarecer sua atuação nos fatos investigados ou optar pelo silêncio, conforme prevê a lei. Sete dos oito acusados respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e dano ao patrimônio público. Ramagem, atual deputado, responde por três acusações, restritas a atos anteriores à sua diplomação.

    Leia mais: veja como funciona o interrogatório dos réus na ação penal contra o Núcleo 1.