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  • Comissão debate mudanças na legislação do Imposto de Renda

    Comissão debate mudanças na legislação do Imposto de Renda

    A Comissão Especial da Câmara dos Deputados, responsável pela análise do projeto de lei que promove alterações na legislação do Imposto de Renda (PL 1.087/25), realizará audiência pública nesta terça-feira (17), às 9h30, no plenário 8.

    O debate, proposto pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), relator do projeto, tem como objetivo discutir o impacto da iniciativa sobre os contribuintes, empresas, entes federativos e o mercado financeiro.

    Conforme Lira, “a realização da audiência pública com a participação de especialistas e de representantes de entidades relevantes permitirá um debate qualificado e plural sobre os possíveis efeitos da proposta, contribuindo para o aperfeiçoamento legislativo e para a construção de soluções equilibradas e justas para o sistema tributário nacional”.

    Proposta aumenta o limite de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil.

    Proposta aumenta o limite de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil.Freepik

    O PL 1.087/25 propõe o aumento do limite de isenção do Imposto de Renda para aqueles que auferem renda de até R$ 5 mil mensais, com vigência a partir de 2026. A proposta governamental visa compensar essa isenção, estimada em R$ 25,8 bilhões anuais, por meio do aumento da taxação sobre os contribuintes com renda superior a R$ 600 mil por ano.

    De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida atingirá 0,13% dos contribuintes, que atualmente pagam, em média, 2,54% de Imposto de Renda, considerando a alíquota efetiva após as deduções legais.

    A comissão especial foi instalada em 6 de maio, sob a presidência do deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA). O colegiado é composto por 34 membros titulares e igual número de suplentes. O cronograma estabelecido por Arthur Lira prevê a apresentação do relatório para o dia 27 de junho, com a votação na comissão agendada para 16 de julho.

  • Congresso propõe uso de emendas para pagar profissionais da saúde

    Congresso propõe uso de emendas para pagar profissionais da saúde

    O Congresso Nacional apresentou, na última sexta-feira (13), o projeto de resolução 3/2025 que autoriza o uso de emendas parlamentares de comissão e de bancada para o pagamento de salários de profissionais da saúde em atividade, mantendo a vedação apenas para emendas individuais. O texto está previsto para ser votado na próxima sessão do Congresso, marcada para esta terça-feira (17).

    Atualmente, as regras determinam que ao menos 50% do valor das emendas parlamentares sejam aplicados em ações e serviços públicos de saúde. Por outro lado, elas não podem ser usadas para o custeio de folhas de pagamento de servidores, buscando evitar que instituições passem a depender da destinação das emendas para preservar suas atividades.

    Congresso Nacional analisa projeto que destina emendas a profissionais da saúde.

    Congresso Nacional analisa projeto que destina emendas a profissionais da saúde.Rodolfo Stuckert – Conselho Nacional de Justiça/CNJ

    A proposta também altera a destinação de verbas para instituições privadas, que passam a ter que cumprir determinados requisitos para receber emendas. Entre eles estão:

    • possuir uma unidade ativa;
    • contar com equipe técnica própria;
    • demonstrar experiência na área correspondente aos recursos previstos na emenda parlamentar;
    • comprovar que tem condições técnicas e operacionais para atuar no estado beneficiado pelos recursos da emenda.

    Segundo os autores, o projeto busca esclarecer procedimentos para a destinação de recursos às transferências regulares e automáticas da União para os fundos de saúde de estados e municípios. Esses recursos devem ser aplicados na atenção primária e nos atendimentos de média e alta complexidade. O texto esteve aberto a sugestões de alteração até o último domingo (15).

    O texto também prevê a obrigatoriedade da inclusão do nome do parlamentar que indicou cada emenda de comissão, buscando assim adequar a identificação aos requisitos exigidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    Leia mais: Entenda os tipos de emendas parlamentares e o funcionamento de cada uma delas

  • Nelinho assume mandato após deputado Eunício Oliveira se licenciar

    Nelinho assume mandato após deputado Eunício Oliveira se licenciar

    O ex-deputado estadual do Ceará Nelinho Freitas (MDB-CE), primeiro suplente da sigla no partido, assumiu nesta segunda-feira (16) o mandato após o deputado Eunício Oliveira (MDB-CE) se licenciar. O parlamentar tirou licença de 120 dias, iniciada em 12 de junho, para tratar de interesse particular.

    Eunício Oliveira e Nelinho Freitas.

    Eunício Oliveira e Nelinho Freitas.Reprodução/Instagram @euniciooliveira

    Eleito em 2018 como deputado estadual, Nelinho era filiado ao PSDB quando assumiu o primeiro cargo eletivo. A sigla era a mesma de seu pai, Raimundinho Correia, que foi prefeito de Russas (CE). Durante o mandato, Nelinho assumiu a presidência das comissões de Indústria, Comércio e de Desenvolvimento Regional na Assembleia Legislativa do Ceará.

    Nas eleições de 2020, tentou ser prefeito de Juazeiro do Norte, mas amargou o terceiro lugar no pleito. Em 2022, candidatou-se a deputado federal. Na ocasião, Nelinho recebeu 38.820 votos nas eleições. Mesmo não tendo sido eleito, conseguiu garantir a primeira suplência do MDB no estado.

    Apesar da derrota, foi nomeado pelo governador Elmano de Freitas (PT) como Assessor Especial da Casa Civil do Governo do Ceará. O parlamentar, de 42 anos, é formado em Administração e possui pós-graduação em Gestão Pública.

  • Itamaraty prepara novas operações de evacuação de políticos em Israel

    Itamaraty prepara novas operações de evacuação de políticos em Israel

    O Ministério das Relações Exteriores informou que prepara novas operações para retirar 27 autoridades brasileiras ainda em Israel. Segundo a pasta, o governo israelense apresentou proposta de evacuação por via terrestre até a Jordânia, de onde os brasileiros deverão embarcar em voos comerciais de volta ao país.

    A iniciativa ocorre após o início dos ataques de Israel ao Irã, que resultaram no fechamento do espaço aéreo israelense e na suspensão dos voos comerciais. Em nota, o Itamaraty afirmou que a embaixada em Tel Aviv “permanece em coordenação com as autoridades israelenses para possibilitar novas operações de retorno dos brasileiros”.

    Ministério reforçou alerta levantado em 2023 para que brasileiros evitem ficar em solo israelense.

    Ministério reforçou alerta levantado em 2023 para que brasileiros evitem ficar em solo israelense.Ana de Oliveira/AIG-MRE

    Na segunda-feira (16), um primeiro grupo de 12 autoridades, formado por prefeitos e secretários municipais, já havia deixado Israel. Eles cruzaram a fronteira por terra rumo à Jordânia e seguiram para a Arábia Saudita, de onde contrataram voo particular para retornar ao Brasil. A operação foi articulada pessoalmente pelo chanceler Mauro Vieira, em coordenação com o governo jordaniano, bem pelas embaixadas brasileiras em Amã, Tel Aviv e Riade e o grupo parlamentar Brasil-Israel, coordenado pelo deputado Carlos Viana (Podemos-MG).

    Os integrantes da comitiva participavam da Expo Muni Israel 2025, feira de tecnologia voltada à gestão pública, suspensa por causa do agravamento da crise regional. A viagem foi realizada a convite do governo israelense, apesar do alerta consular emitido pelo Brasil desde outubro de 2023, que desaconselha deslocamentos não essenciais ao país.

    O ministério também advertiu sobre golpes praticados por criminosos que estariam oferecendo, por aplicativos de mensagem, passagens para deixar Israel. “Recorda-se que o espaço aéreo israelense segue fechado, sem previsão de reabertura”, alertou a chancelaria. Brasileiros no país foram orientados a seguir as instruções do comando de defesa local e a permanecer sempre próximos de abrigos fortificados.

  • População vê Lula e Bolsonaro como culpados por fraudes no INSS

    População vê Lula e Bolsonaro como culpados por fraudes no INSS

    Duas pesquisas de opinião divulgadas nesta segunda-feira (16) indicam que a população brasileira atribui responsabilidades tanto ao governo atual quanto à gestão anterior pelo avanço das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os levantamentos realizados pelos institutos Ipsos-Ipec e Datafolha mostram que, embora a percepção de culpa recaia sobre os dois presidentes, o atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concentra índices maiores de responsabilização.

    Dados revelam percepção de falhas nas gestões petista e bolsonarista diante de irregularidades no INSS.

    Dados revelam percepção de falhas nas gestões petista e bolsonarista diante de irregularidades no INSS.Adriana Toffetti/A7 Press/FolhaPress

    Responsabilidade dividida, mas com peso maior sobre Lula

    Na pesquisa Ipsos-Ipec, realizada entre os dias 5 e 9 de junho com 2.000 entrevistados em 132 municípios, 43% dos participantes afirmam que a atual gestão é responsável pela escalada do problema, devido ao aumento dos valores envolvidos nas fraudes. Outros 35% acreditam que o esquema se originou no governo de Jair Bolsonaro (PL), mas só foi revelado graças à atuação investigativa do governo Lula.

    Além disso, 6% disseram concordar com as duas afirmações, 4% não concordaram com nenhuma, e 12% não souberam ou não responderam. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

    A Datafolha, por sua vez, ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 11 de junho, em 136 cidades. De acordo com o levantamento, 78% dos entrevistados atribuem ao menos alguma responsabilidade ao presidente Lula, sendo que 50% o consideram “muito responsável” e 28% atribuem “um pouco” de responsabilidade. Jair Bolsonaro também é responsabilizado por 70% dos entrevistados, com 41% dizendo que ele tem “muita responsabilidade” e 29%, “um pouco”.

    Avaliação negativa da resposta do governo Lula

    O Ipsos-Ipec também avaliou a percepção da população sobre a resposta do governo federal à crise envolvendo descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões. Para 54% dos entrevistados, a atuação foi ruim ou péssima. Já 22% avaliaram a resposta como ótima ou boa, 18% como regular, e 6% não souberam ou não responderam.

    A pesquisa Datafolha apresenta resultado semelhante: 38% classificaram a reação do governo Lula como ruim ou péssima, e 26% como ótima ou boa. A sondagem também mostrou que 59% acreditam que os aposentados serão ressarcidos, mas a maioria dos que confiam no reembolso (80%) acham que ele será lento.

    Cresce pressão por CPI e queda na confiança no INSS

    Os dados da Datafolha revelam ainda que 87% dos entrevistados defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso. A confiança na instituição também foi afetada: 51% deram nota 1 ou 2 ao INSS, numa escala de 0 a 10.

  • Gleisi diz que, “com um bom diálogo”, decreto do IOF não vai cair

    Gleisi diz que, “com um bom diálogo”, decreto do IOF não vai cair

    A ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, disse que o governo deve convencer o Congresso Nacional a não derrubar a versão mais recente do decreto de alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A declaração está em entrevista concedida ao jornal Valor Econômico publicada nesta segunda-feira (16), data em que a Câmara já pode votar o regime de urgência para o projeto de derrubada do decreto.

    A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais):

    A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais): “Todo mundo vai sofrer com um aperto orçamentário”.Pedro Ladeira/Folhapress

    “Penso que conseguiremos demovê-los de votar a derrubada do decreto no diálogo. Com um bom diálogo, manteremos o decreto”, disse a ministra. Segundo ela, o decreto atualmente em vigor “foi feito conversando com os líderes, adequando-se ao que eles falaram, porque a gente queria fazer a coisa de forma compartilhada”.

    O decreto do IOF que hoje é alvo na Câmara é um recuo em relação ao que o governo propunha inicialmente, amenizando as taxas para crédito a empresas e subindo o piso para o início dos impostos sobre previdência privada. O Congresso, porém, reagiu mal ao aumento da carga tributária. O governo estabeleceu ainda um pacote de medidas para compensar a perda de arrecadação, que inclui aumento de impostos sobre apostas online e fintechs.

    Queda do decreto afetaria emendas

    Gleisi disse ainda que a queda do decreto e a rejeição das medidas compensatórias acabaria afetando os próprios congressistas: com as contas mais apertadas, o governo seria obrigado a contingenciar mais recursos do Orçamento, o que atingiria as emendas parlamentares (recursos que são direcionados pelos próprios senadores e deputados).

    “Isso seria ruim também para o Congresso com as emendas, que são igualmente submetidas a bloqueio e contingenciamento”, explicou a ministra. “Nós estamos acreditando que as medidas que estamos enviando sejam aprovadas, se não integralmente como estão, mas em sua maioria. Mas sempre caberá ao Congresso 25% do contingenciamento porque as emendas parlamentares são parte dos recursos discricionários”.

  • Comitiva brasileira em Israel chega em segurança à Jordânia

    Comitiva brasileira em Israel chega em segurança à Jordânia

    O grupo de 12 prefeitos e gestores públicos que saiu de Israel na manhã desta segunda-feira (16) atravessou com segurança a fronteira com a Jordânia, fora da zona de conflito. A informação foi confirmada por Nélio Aguiar, tesoureiro da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que integra o grupo.

    O deslocamento ocorre após o agravamento do conflito entre Israel e Irã, que levou ao fechamento do espaço aéreo israelense e à suspensão de voos comerciais. Ao todo, 12 políticos iniciaram a retirada. Inicialmente, eram 13, mas um deles desistiu da viagem por receio de bombardeios.

    Deslocamento foi confirmado por integrante da comitiva.

    Deslocamento foi confirmado por integrante da comitiva.Mapa: Google Maps (Acesso em 16/06/2025)

    Após entrar em território jordaniano, o grupo segue em deslocamento interno e aguarda definição sobre o voo de retorno ao Brasil. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou estar de prontidão, mas ainda não foi acionada.

    A comitiva é formada por prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários municipais de diversas cidades. Entre os nomes estão os prefeitos Álvaro Damião (Belo Horizonte), Cícero Lucena (João Pessoa), Welberth Porto (Macaé) e a vice-prefeita de Goiânia, Cláudia da Silva. Eles participavam da Expo Muni Israel 2025, feira internacional de tecnologia voltada à gestão pública, interrompida por causa do conflito.

  • Deputado propõe usar verba da privatização da Eletrobrás na Amazônia

    Deputado propõe usar verba da privatização da Eletrobrás na Amazônia

    O deputado Pauderney Avelino (União-AM) apresentou uma emenda à medida provisória 1300/2025, que trata da reforma do setor elétrico para destinar parte dos recursos oriundos da privatização da Eletrobrás a projetos de geração de energia limpa nos estados da Amazônia Legal.

    Na justificativa, o parlamentar destaca que “usinas de geração de energia renovável contribuem para a modicidade tarifária com preços reduzidos de contratos de energia para as concessionárias de distribuição de energia elétrica”. Essas usinas também desempenham papel relevante na redução de emissões de gases de efeito estufa.

    Iniciativa busca reduzir custos de geração de energia e levar estabilidade elétrica a áreas isoladas da região.

    Iniciativa busca reduzir custos de geração de energia e levar estabilidade elétrica a áreas isoladas da região.Fernando Frazão/Agência Brasil

    A proposta inclui a criação de um comitê gestor para definir os critérios de aplicação dos recursos e a seleção dos projetos. Estão previstas iniciativas como interligações de áreas isoladas e o desenvolvimento de usinas consideradas estratégicas.

    O texto dá prioridade a usinas de energia renovável consideradas estratégicas pelo Conselho Nacional de Política Energética. São projetos localizados em áreas remotas da Amazônia, com potencial de substituir o uso de geradores a diesel e ampliar a integração da região ao Sistema Interligado Nacional. Essas usinas foram indicadas como prioritárias entre 2017 e 2019 para licitação e implantação.

    A emenda propõe ainda que parte desses recursos seja destinada a cobrir os altos custos de projetos exigidos por lei em áreas de impacto ambiental, como compensações relacionadas a comunidades indígenas. Segundo Pauderney, os estudos usados nos leilões de energia costumam subestimar esses gastos, o que prejudica a viabilidade econômica dos empreendimentos.

    O principal objetivo da emenda, de acordo com o deputado, é atender aos municípios do interior do Amazonas, ainda dependentes de sistemas movidos a diesel. “Além de pagar caro pela energia, a população ainda sofre com apagões, uma energia instável e poluente”, afirmou.

  • Entenda as “emendas paralelas” de comissão que entraram no radar do STF

    Entenda as “emendas paralelas” de comissão que entraram no radar do STF

    A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino que chacoalhou as relações entre os Três Poderes na semana passada menciona a suposta existência de “emendas paralelas” no Orçamento de 2025. O caso, informado à Corte pelas ONGs Transparência Brasil, Transparência Internacional Brasil e Associação Contas Abertas, indica uma espécie de “drible” na lei orçamentária, em uma jogada que esconderia informações sobre os repasses e estouraria o teto definido por lei.

    Emendas parlamentares são, como o Congresso em Foco já detalhou antes, a parte do Orçamento federal que tem seu destino decidido pelos deputados e senadores. São uma forma para que congressistas direcionem dinheiro para as suas bases eleitorais e, por isso, são assunto de intensa negociação política. Nesse universo, as emendas de comissão são aquelas que são definidas pelas comissões temáticas da Câmara e do Senado, o que, em 2025, representaria R$ 11,5 bilhões do orçamento.

    Até aí, tudo bem. O que as entidades narram, porém, é que uma norma da Comissão Mista de Orçamento (leia aqui, na íntegra, e procure o Artigo 13) abriu uma brecha para que parte dessas emendas fossem registradas com outro código – ou seja, funcionam como emendas, são indicadas pelos congressistas, mas aparecem na peça orçamentária como se não fossem.

    A gambiarra, além de dar margem para um estouro de R$ 8,51 bilhões no teto para emendas de comissão, ainda serviria para tornar esses repasses de dinheiro menos rastreáveis e mais difíceis de checar. Desça na reportagem e entenda.

    Os gastos têm nome

    O Orçamento federal é um plano financeiro do governo para cada ano. Nele, cada despesa é registrada com um código específico: RP1 são despesas obrigatórias, RP2 são gastos não-obrigatórios, RP3 são custos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e assim por diante.

    Emendas parlamentares também entram na regra. As de comissão, por exemplo, aparecem como RP8 no orçamento. Isso significa que o teto de R$ 11,5 bilhões para emendas fica aplicado ao código: para vermos o quanto o Orçamento tem de emendas de comissão, em teoria, somamos tudo o que ele tem de despesas RP8.

    A manobra narrada pelas entidades ao STF se sustenta, justamente, na rotulação errada dos gastos:

    • Uma resolução da CMO, que começou a valer só em 2025, determina que as emendas de comissão sejam apresentadas inicialmente com o código RP2, reservado para gastos não-obrigatórios do governo.
    • Pela mesma resolução, cabe ao relator-geral do Orçamento, que pode ser um deputado ou um senador, fazer a mudança do código de cada emenda de comissão – RP2 para RP8 – para que ela seja identificado corretamente na versão final aprovada pelo Congresso. A norma da CMO não coloca isso como necessidade, dizendo que ele está “autorizado” a fazer a alteração.

    O que acontece, então, se o relator não faz essa mudança em todas as emendas? De acordo com as entidades de transparência, acontece o cenário relatado ao STF: parte desse dinheiro acaba registrado como gasto do governo, e não como emenda parlamentar. Com isso, ele não entra na contabilização e fica fora do limite estabelecido pela lei para as emendas.

    O caso é detalhado em um relatório produzido pela Transparência Brasil (leia aqui na íntegra). A entidade diz que um total de R$ 8,51 bilhões em emendas de comissão não foram ajustadas pelo relator, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), e acabaram marcadas como RP2 ou, ainda, como RP3, como despesas do PAC. Com a contagem dessas, o Orçamento na prática somou um total de R$ 20 bilhões nesse tipo de emenda, estourando o teto de R$ 11,5 bi.

    O problema

    A diretora de programas da Transparência Brasil, Marina Atoji, que foi responsável pelo levantamento da entidade sobre as “emendas paralelas”, afirma que o problema desses gastos vai além no drible do teto. Na falta do código que as identifique corretamente, as emendas paralelas ficam opacas.

    “Na hora em que o gasto é concretizado, elas se misturam aos gastos não direcionados por emendas”, diz Atoji. “A sociedade não consegue saber exatamente quem direcionou esse recurso, nem se esse direcionamento foi baseado em dados, indicadores de políticas públicas ou apenas em interesse político-eleitoral. Além disso, também ficamos às escuras sobre o quanto de fato do orçamento executado teve influência direta de parlamentares”.

    E o procedimento de registrar as emendas inicialmente como RP2 tem alguma justificativa – é mais eficiente, ou dá alguma margem para uma melhor gestão de recursos? “Dessas perspectivas, esse procedimento não faz sentido”, responde Atoji. “Tampouco faz sentido que o relator fique responsável por determinar quais seriam consideradas como RP 8, especialmente quando não foram estabelecidos critérios para essa ação.”

    Ponto de conflito

    A questão da transparência das emendas parlamentares vem sendo um ponto de conflito entre os Três Poderes. O ministro Flávio Dino é relator de uma série de ações no STF a respeito das regras para a execução dos repasses. Como os pagamentos funcionam como moeda de troca entre governo e Congresso Nacional, as decisões do Judiciário costumam ser vistas como invasão de um Poder nas atribuições dos outros.

    Na sua decisão sobre o caso, Dino chega a dizer que, a princípio, os pagamentos rotulados como RP2 e RP3 não fariam parte do processo, por não serem tecnicamente emendas parlamentares, e pede mais informações. A Transparência Brasil sustenta que, de fato, isso só se dá no nome: seriam despesas propostas por parlamentares, registradas como emendas nas atas das comissões, e só registradas de outra forma. Seguem todo o caminho reservado às emendas e, no final, só ganham um nome diferente.

  • Comissão da Câmara aprova piso salarial para tradutores e intérpretes

    Comissão da Câmara aprova piso salarial para tradutores e intérpretes

    A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece um piso salarial nacional de R$4 mil mensais para tradutores, intérpretes e guias-intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A medida visa garantir uma remuneração mínima para profissionais que atuam na inclusão e acessibilidade de pessoas surdas em todo o país.

    O valor será reajustado anualmente, sempre em 1º de janeiro, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Caso o índice seja extinto, será adotado o indicador oficial que vier a substituí-lo.

    Profissionais de Libras exercem papel essencial na comunicação entre surdos e ouvintes em diversos contextos sociais.

    Profissionais de Libras exercem papel essencial na comunicação entre surdos e ouvintes em diversos contextos sociais.José Cruz/Agência Brasil

    O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Ossesio Silva (Republicanos-PE), ao projeto de lei 3348/2024, de autoria do deputado Ronaldo Nogueira (Republicanos-RS). Segundo Silva, os ajustes foram apenas de redação, mantendo-se o teor e objetivo original da proposta.

    “A instituição do piso salarial nacional contribuirá para uniformizar o tratamento remuneratório dessas categorias, combater distorções entre os entes federativos e fomentar a qualificação continuada do serviço prestado”, argumentou o relator.

    Para Ronaldo Nogueira, a proposta representa um avanço importante na valorização da categoria. “Esta proposta visa assegurar uma remuneração justa para esses profissionais, que desempenham papel crucial na inclusão e na acessibilidade de pessoas surdas”, afirmou.

    A medida tramita em caráter conclusivo, o que significa que pode ser aprovado diretamente pelas comissões designadas, sem passar pelo plenário, salvo se houver recurso. Agora, ele segue para análise nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado, seguirá para o Senado Federal.