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  • Damares entra na Justiça para barrar posse de ministro da Previdência

    Damares entra na Justiça para barrar posse de ministro da Previdência

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) entrou com ação na Justiça Federal de Brasília para tentar impedir a posse de Wolney Queiroz como novo ministro da Previdência Social. A nomeação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (2), após a demissão de Carlos Lupi, envolvido na crise provocada pelas fraudes bilionárias no INSS.

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é a autora do pedido.

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é a autora do pedido.Geraldo Magela/Agência Senado

    Na petição de 27 páginas protocolada na madrugada deste sábado (3), Damares sustenta que a nomeação de Queiroz representa a “permanência da estrutura que ignorou alertas sobre os descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas”.

    Segundo a senadora, o agora ministro esteve presente em reuniões do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) nas quais foram denunciadas as irregularidades entre elas uma, em junho de 2023, quando a conselheira Tônia Galletti teria alertado para os descontos não autorizados. A ação destaca também a presidência de Queiroz na 303ª reunião do CNPS, em abril de 2024, quando um relatório detalhado sobre o caso foi apresentado.

    Além de tentar barrar a posse de Queiroz, Damares solicita que o caso seja remetido à Câmara dos Deputados, para avaliar se a nomeação de Lula configura crime de responsabilidade. A petição também requer a aplicação de multa diária de R$ 1 milhão, caso o presidente mantenha o novo ministro no cargo.

  • Há 65 anos acontecia a primeira sessão da Câmara em Brasília

    Há 65 anos acontecia a primeira sessão da Câmara em Brasília

    São 1.167 km que separam o Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, e o Congresso Nacional, em Brasília. O primeiro, inaugurado em 1926, foi prédio da Câmara dos Deputados até 1960, quando a capital foi transferida para o Planalto Central. A mudança foi consolidada em 2 de maio de 1960, em sessão presidida pelo deputado Ranieri Mazzili (PSD-SP), então presidente da Câmara dos Deputados. A primeira sessão na, à época, nova capital federal.

    Plenário Ulysses Guimarães em 1960

    Plenário Ulysses Guimarães em 1960Arquivo Nacional

    A alteração da capital não ensejou apenas a mudança arquitetônica ou de clima. A saída da arquitetura eclética carioca com sua fachada estampando esculturas para a entrada na moderna brasiliense com seus traços leves e concreto armado, e a mudança do clima tropical com praias para o seco do Cerrado. Essa alteração também representou a transferência do poder para o coração do país. O sonho de Dom Bosco realizado pela gestão de Juscelino Kubitschek.

    Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro

    Palácio Tiradentes, no Rio de JaneiroNikolof/Wikipédia

    Congresso Nacional, em Brasília

    Congresso Nacional, em BrasíliaEBC

    Diferentemente da primeira sessão da Câmara, a sessão solene de instalação do Congresso Nacional coincidiu com a inauguração de Brasília, dia 21 de abril. A do Senado, um dia depois. Os deputados, por sua vez, demoraram pouco mais de uma semana para darem o pontapé inicial.

    Homenagens à Nova Capital

    Às 14h, daquele 2 de maio, uma segunda-feira, a Câmara registrou o quórum de 72 deputados, menos da metade dos 326 eleitos nas eleições de 1958 para compor a 41ª legislatura. O presidente da Casa, Ranieri Mazzili, que foi presidente do Brasil em duas ocasiões, inaugurou a sessão dando destaque à Nova Capital, mas também citou a dificuldade de os parlamentares terem alojamento.

    “No particular, Brasília manterá também aos pósteros auspiciosa era para as tarefas legislativas. Nos primeiros dias, em consequência ainda de condições materiais e de suas limitações, no que tange ao alojamento dos Srs. Deputados e funcionários, a Nova Capital terá de pôr à prova tantas das nossas renúncias para enfrentarmos algumas dificuldades”, afirmou.

    Trecho de reportagem do jornal Ultima Hora em 3 de maio de 1960

    Trecho de reportagem do jornal Ultima Hora em 3 de maio de 1960Ultima Hora/Hemeroteca Digital

    O autor da lei que definiu o dia 21 de abril de 1960 para a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília, Emival Caiado (UDN-GO), fez uso da palavra na sessão para exaltar a mudança. O ex-deputado é da família Caiado, uma das mais influentes na política em Goiás, inclusive Emival é primo de Ronaldo Caiado (União Brasil), atual governador do estado e pré-candidato à presidência.

    “Agora Brasília aqui está toda engalanada e juvenil acabando de receber em caráter definitivo os nossos órgãos do Governo da União. Muitos frente à personalidade do seu urbanismo, à leveza, elegância e concisão de suas linhas arquitetônicas que o gênio de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa lhe imprimiram rompendo os cânones clássicos, empolgam-se e extasiam-se de tal maneira diante dessa obra de inexcedível beleza e arte, que se esquecem dos renis e sérios motivos que determinaram sua edificação”, iniciou o deputado.

    Emival acrescentou que a interiorização da capital “se inspirou na necessidade de impor um corretivo ao tremendo desequilíbrio econômico-financeiro, ao insuportável desnível social, à chocante disparidade até mesmo cultural, à perigosa quebra do princípio federativo”. Em relação às desigualdades, o parlamentar afirmou que o país estava dividido em duas regiões: a dos favorecidos, privilegiados e a dos esquecidos, abandonados.

    Requerimento de CPI

    Mas como nem tudo são flores, houve quem levantasse questões sobre a construção de Brasília, propondo, inclusive, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O caráter da oposição de questionar as realizações do governo e achar que tudo se resolve com a instituição de uma CPI, portanto, não é de hoje.

    Nomes da oposição como Adauto Cardoso (UDN-GB) capitanearam o movimento. “Depois da apoteose, srs. deputados, dos fogos de artifício, de aplausos, do povo iludido pela propaganda ou embriagado pela esperança, chegou a vez dos que escolheram a tarefa mais áspera dos que cumprem o dever de denunciar a corrupção empreendedora, e gloriosa, a desonestidade mérita e dinâmica”.

    Trecho de reportagem do Jornal do Brasil em 3 de maio de 1960

    Trecho de reportagem do Jornal do Brasil em 3 de maio de 1960Jornal do Brasil/Hemeroteca Digital

    Na mesma sessão, o então deputado João Agripino (UDN-PB), pai do ex-deputado João Agripino Maia e parente do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, estava responsável por coletar assinaturas para o requerimento. A oposição conseguiu 125, o mínimo necessário eram 109 assinaturas. Instalada em setembro de 1960, a CPI fez mais barulho do que resultados, uma vez que se encerrou sem apurar irregularidades na construção da capital.

  • AtlasIntel: 85% dos brasileiros defendem demissão de Carlos Lupi

    AtlasIntel: 85% dos brasileiros defendem demissão de Carlos Lupi

    Segundo pesquisa do instituto AtlasIntel publicada na quinta-feira (1º), 85,3% dos brasileiros defendem que o presidente Lula demita o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT. Para outros 8,7%, ele deve permanecer no cargo, enquanto 6% não souberam ou não quiseram responder.

    O levantamento foi realizado entre os dias 29 de abril e 1º de maio, com mil entrevistados em todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A coleta foi feita por meio de recrutamento digital aleatório.

    Esquema de fraudes no INSS comprometeu reputação de Carlos Lupi, mostra pesquisa.

    Esquema de fraudes no INSS comprometeu reputação de Carlos Lupi, mostra pesquisa.Lula Marques/Agência Brasil

    Além da opinião sobre o ministro, a pesquisa investigou o grau de conhecimento da população sobre as denúncias de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Dos entrevistados, 84,4% disseram estar acompanhando caso, que envolve suspeitas de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Outros 15,6% declararam saber pouco sobre o assunto.

    O sentimento pró-demissão é dominante entre os eleitores declarados do ex-presidente Jair Bolsonaro, 94,6% favoráveis. Entre eleitores de Lula, 76,9% querem a saída de Lupi.

    A percepção sobre o impacto direto também foi medida: 6,4% afirmaram já ter sido vítima dos descontos indevidos nos benefícios. 35,6% dizem conhecer alguém que sofreu com os descontos indevidos, e 58% dizem não conhecer nenhuma vítima.

    Fragilidade política

    Carlos Lupi não é investigado, mas passou a ser alvo de pressão política após a deflagração da operação Sem Desconto, da Polícia Federal, no dia 23 de abril. A operação mira entidades que firmaram convênios com o INSS e teriam aplicado cobranças irregulares sobre os valores recebidos por aposentados e pensionistas.

    Ele está reunido nesse momento com o presidente Lula no Palácio do Planalto. A expectativa entre interlocutores é de que o encontro consista exatamente no seu pedido de demissão da pasta.

  • Após reunião com Lula, Carlos Lupi pede demissão de ministério

    Após reunião com Lula, Carlos Lupi pede demissão de ministério

    Durante reunião com o presidente Lula no Palácio do Planalto nesta sexta (2), o ministro da Previdência, Carlos Lupi, pediu sua demissão da pasta. O pedetista enfrenta desgaste diante da revelação de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), descoberta pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) na segunda quinzena de abril.

    As fraudes consistiam na inclusão de mensalidades associativas e serviços fictícios nos contracheques dos segurados. Esses valores eram repassados a entidades conveniadas por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs), firmados com o próprio INSS. A CGU apurou que a maioria dessas entidades não possuía estrutura operacional para prestar os serviços que alegavam oferecer. O prejuízo estimado foi de R$ 6,3 bilhões, e o governo ainda estuda formas de ressarcir as vítimas.

    Confiança de Lula em Carlos Lupi ficou comprometida após escândalo no INSS.

    Confiança de Lula em Carlos Lupi ficou comprometida após escândalo no INSS. Lula Marques/Agência Brasil

    Embora não haja indícios de envolvimento direto do ministro nas irregularidades, o Planalto considerou que Lupi agiu com lentidão diante dos alertas. Documentos do Conselho Nacional de Previdência Social mostram que o tema foi mencionado em junho de 2023, mas só entrou oficialmente na pauta em abril de 2024, quase dez meses depois. A CGU também informou ter enviado seis ofícios ao INSS cobrando providências, sem resposta.

    A relação entre o presidente Lula e o ex-ministro estava comprometida desde a própria descoberta do esquema: Lupi assumiu publicamente a responsabilidade por ter indicado o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, afastado judicialmente em meio às investigações, e se opôs à sua demissão sem que pudesse se defender. A situação se agravou na quarta (30), quando Lula nomeou diretamente o atual presidente do instituto, Gilberto Waller Júnior.

    No lugar de Lupi, assume o seu ex-secretário executivo, Wolney Queiroz. Ele foi líder da oposição na Câmara dos Deputados nos últimos meses do governo Bolsonaro, e pertence à ala do PDT simpática ao presidente Lula, e possui proximidade com os demais partidos do núcleo duro do governo.

    Complicações no Congresso

    Mesmo com a sangria sobre a imagem do governo, a decisão sobre manter ou não Carlos Lupi não foi simples: o ex-ministro é presidente licenciado do PDT, partido que, apesar de historicamente e ideologicamente próximo ao PT, disputa com o partido de Lula por espaço dentro do eleitorado de esquerda. Sem espaços no governo, a sigla também pode romper com a base no Congresso.

    A bancada do PDT não é grande, mas conta com números suficientes para influenciar em resultados de votação: a sigla conta com 17 deputados e três senadores. O partido conta com uma ala interna contrária à permanência da aliança com o governo, liderada pelo ex-governador Ciro Gomes.

  • Lupi diz que seguirá acompanhando investigações no INSS

    Lupi diz que seguirá acompanhando investigações no INSS

    O agora ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, se pronunciou em nota oficial nesta sexta-feira (2) após reunião com o presidente Lula, em que formalizou seu pedido de demissão. Na mensagem, Lupi agradeceu pela confiança e ressaltou não ter sido citado nas investigações em curso sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e se dispôs a colaborar com a investigação.

    “Entrego, na tarde desta sexta-feira (02), a função de Ministro da Previdência Social ao Presidente Lula, a quem agradeço pela confiança e pela oportunidade”, escreveu o pedetista.

    Lupi pediu demissão do Ministério da Previdência nesta sexta (2).

    Lupi pediu demissão do Ministério da Previdência nesta sexta (2).Mateus Bonomi/AGIF/Folhapress

    A saída do ministro ocorre em meio a denúncias de irregularidades na aplicação de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, investigadas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. Embora não haja indícios de envolvimento direto de Lupi, o Planalto avaliou que houve demora na resposta aos alertas enviados ao ministério.

    Lupi afirmou ter apoiado as apurações desde o início. “Faço questão de destacar que todas as apurações foram apoiadas, desde o início, por todas as áreas da Previdência, por mim e pelos órgãos de controle do governo Lula”, declarou.

    O ex-ministro defendeu que os responsáveis pelo esquema sejam punidos. “Espero que as investigações sigam seu curso natural, identifiquem os responsáveis e punam, com rigor, aqueles que usaram suas funções para prejudicar o povo trabalhador”.

    Por fim, ele se comprometeu a acompanhar o desfecho do caso. “Continuarei acompanhando de perto e colaborando com o governo para que, ao final, todo e qualquer recurso que tenha sido desviado do caminho de nossos beneficiários seja devolvido integralmente.”

  • Inquérito do INSS começou a partir de reportagem do site Metrópoles

    Inquérito do INSS começou a partir de reportagem do site Metrópoles

    Uma série de reportagens do portal Metrópoles sobre descontos não autorizados em aposentadorias motivaram a abertura do inquérito sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que vem tomando espaço no noticiário. O material revelou que associações como a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) vinham descontando mensalidades diretamente dos benefícios de aposentados, sem consentimento, por meio de acordos firmados com o próprio INSS.

    Reportagens do portal Metrópoles embasaram investigação sobre esquema de desvio no INSS.

    Reportagens do portal Metrópoles embasaram investigação sobre esquema de desvio no INSS.Pedro Ladeira/Folhapress

    Em 23 de abril de 2025, a Polícia Federal deflagrou uma operação que identificou movimentações milionárias e a existência de entidades de fachada utilizadas para aplicar os descontos. O prejuízo estimado, segundo os investigadores, pode chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Somente a Ambec movimentou cerca de R$ 228 milhões em menos de um ano, valor considerado incompatível com sua estrutura declarada.

    O que foi publicado

    As reportagens do Metrópoles, já em 2023, detalhavam como essas associações foram habilitadas a operar por meio de acordos de cooperação técnica firmados com o INSS. Os documentos obtidos pelo portal apontam o envolvimento de figuras com ligações políticas e contratos públicos, como o empresário José Hermicesar e o lobista Maurício Camisotti e Antonio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como o “careca do INSS”.

    Reprodução

    O Ministério Público Federal, a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União passaram a investigar o caso. As ações resultaram no afastamento de servidores e na exoneração de diretores do INSS, incluindo André Fidelis, responsável por assinar novos convênios com as entidades suspeitas.

    O Metrópoles também havia noticiado que o esquema de descontos em aposentadorias, já apelidado em 2024 de “farra do INSS”, rendera um faturamento de R$ 2 bilhões para as associações desde janeiro do ano anterior. Também noticiou que as entidades respondiam a um total de 62 mil processos judiciais em todo o país.

    Depois da operação da PF, o governo federal suspendeu os descontos associativos e prometeu a devolução dos valores indevidamente retidos dos beneficiários. O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido no mesmo dia em que a operação foi deflagrada.

  • Dino rejeita imunidade parlamentar e manda Congresso explicar emendas

    Dino rejeita imunidade parlamentar e manda Congresso explicar emendas

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou a justificativa apresentada pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), para não prestar esclarecimentos sobre a gestão de emendas de comissão. Em despacho publicado nesta sexta-feira (2), o magistrado afirmou que a imunidade parlamentar não impede a apuração de possíveis irregularidades no uso de verbas públicas.

    Ele deu o prazo de cinco dias para o Congresso, Governo e demais partes interessadas se manifestarem a respeito.

    O parlamentar se recusou a responder aos questionamentos do ministro, alegando estar protegido pela imunidade parlamentar. Para Dino, a manifestação do deputado não resolve as dúvidas levantadas e tenta aplicar indevidamente uma prerrogativa que não se estende a eventuais crimes contra o patrimônio público.

    Ministro deu cinco dias para as demais partes interessadas se manifestarem sobre posição de Sóstenes.

    Ministro deu cinco dias para as demais partes interessadas se manifestarem sobre posição de Sóstenes.Rosinei Coutinho/STF

    A decisão ocorre no âmbito da ADPF 854, ação que discute a transparência na destinação de recursos públicos controlados por comissões da Câmara. Dino considerou vago o ofício enviado por Sóstenes e afirmou que persistem incertezas sobre o cumprimento das normas constitucionais e da Lei Complementar 210/2024, que regulamenta a destinação de emendas.

    “São inaceitáveis quaisquer orçamentos secretos, sob velhas ou novas roupagens”, escreveu o ministro.

    Contexto

    A cobrança por explicações veio após declarações públicas do deputado, na última semana de abril, quando sugeriu romper acordos internos da Câmara e assumir integralmente o controle das emendas nas comissões presididas pelo PL como forma de pressionar a votação da urgência ao projeto de anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023.

    Sóstenes alegou que havia um acordo no qual 30% das emendas de cada comissão ficariam para o partido que a preside, e os demais 70% ficariam à disposição dos demais partidos.

    Leia mais: Entenda o que são as emendas parlamentares, e por quê elas são motivo constante de disputa.

    O Supremo já havia vetado, em 2022, práticas semelhantes associadas ao orçamento secreto, por falta de transparência. Desde então, a Corte estabeleceu, em conjunto com o Executivo e o Congresso, regras para rastrear a origem e o destino das emendas parlamentares. Dentre as condições, estaria a vinculação das emendas de comissão a projetos de interesse temático daquele colegiado, e não à vontade dos líderes partidários. A decisão de Dino busca reforçar esse entendimento.

    Veja a íntegra do despacho de Dino:

  • Lewandowski destaca atuação de Adriana Accorsi na PEC da Segurança Pública

    Lewandowski destaca atuação de Adriana Accorsi na PEC da Segurança Pública

    O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, destacou a atuação da deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO) no debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Durante audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara, Lewandowski afirmou que a inclusão das guardas municipais no texto da PEC contou com o empenho da parlamentar.

    “Quero dar o testemunho que a inclusão na PEC das guardas municipais da forma como está se deve graças ao seu empenho e à sua expertise e à sua sabedoria, no que diz respeito a esse tema tão complicado, e à sua generosidade, porque vossa Excelência é oriunda da Polícia Civil e compreende a necessidade da colaboração da guarda civil”, declarou o ministro.

    Lewandowski ressalta papel de Adriana Accorsi na inclusão das guardas municipais na PEC da Segurança

    Lewandowski ressalta papel de Adriana Accorsi na inclusão das guardas municipais na PEC da SegurançaBruno Spada/Câmara dos Deputados

    Adriana Accorsi agradeceu o reconhecimento e reforçou a importância da medida. Segundo ela, as guardas civis vêm recebendo o devido reconhecimento. “Elas são também forças de segurança”, afirmou. A PEC da Segurança Pública, segundo a deputada, representa um avanço ao modernizar o arcabouço legislativo do setor. Ela defendeu que o envio da proposta ao Congresso amplia o debate sobre a reestruturação das políticas de segurança no país.

    Ainda durante a audiência, a deputada parabenizou o Ministério da Justiça e a Polícia Federal pela operação que apura um esquema de fraude no INSS, estimado em R$ 6,3 bilhões, envolvendo aposentados e pensionistas. Lewandowski garantiu que o caso será investigado “até as últimas consequências”.

  • Congresso agenda primeira sessão de vetos de 2025

    Congresso agenda primeira sessão de vetos de 2025

    O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), convocou para o dia 27 a primeira sessão conjunta voltada para a análise de vetos em 2025. Adicionalmente, caso haja tempo disponível na agenda, serão avaliados os projetos de lei do Congresso voltados a matéria orçamentária. Os dois principais itens são os vetos do governo ao orçamento de 2025.

    Sessão conjunta do Congresso ficou marcada para o dia 27.

    Sessão conjunta do Congresso ficou marcada para o dia 27.Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O primeiro veto foi sobre um valor de R$ 40,2 milhões, que seriam destinados a projetos com endereços muito específicos usando recursos originalmente previstos para despesas primárias discricionárias do Executivo, que por lei deve ter maior poder de escolha na matéria. 

    O segundo veto foi bem maior, quase R$ 3 bilhões, e dizia respeito ao fundo que financia pesquisas científicas e tecnológicas, o FNDCT. O Congresso quis permitir que mais dinheiro do fundo fosse usado em empréstimos (ou seja, dinheiro que seria emprestado e depois devolvido). Mas existe um limite legal para esse tipo de operação, e o valor aprovado pelos parlamentares ultrapassava esse limite. Por isso, o governo vetou essa parte também, para seguir o que manda a lei.

    Também entram na pauta os vetos aos trechos da regulamentação da Reforma Tributária considerados incompatíveis com a emenda constitucional que a originou, como a isenção do Imposto Seletivo sobre a mineração e dos tributos federais e estaduais sobre fundos de investimentos imobiliários (FIIs) ou Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro).

    O Congresso também deverá deliberar sobre os vetos ao Programa de Pleno Pagamento de Dívida dos Estados. O principal deles trata da possibilidade dos governos estaduais que aderirem ao programa utilizarem o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional para o abatimento de dívidas com a União.

  • Sancionada lei que garante terapia nutricional para autistas

    Sancionada lei que garante terapia nutricional para autistas

    A lei estabelece diretrizes específicas para a terapia nutricional de pessoas autistas.

    A lei estabelece diretrizes específicas para a terapia nutricional de pessoas autistas.Imagem gerada por IA

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei 15.131/2025, que estabelece diretrizes para a terapia nutricional de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A lei, publicada no Diário Oficial da União em 30 de abril, altera a lei 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA.

    A legislação determina que a terapia nutricional para autistas englobe ações de cuidado, promoção e proteção alimentar, realizadas por profissionais de saúde habilitados e de acordo com protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas oficiais.

    Originária do PL 4.262/2020, da ex-deputada Aline Gurgel (AP), a proposta visa combater dificuldades alimentares comuns em pessoas com TEA, como a seletividade alimentar, que pode restringir a variedade nutricional e causar deficiências ou problemas como obesidade e desnutrição.

    No Senado, o projeto recebeu parecer favorável da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), relatado pelo senador Flávio Arns (PSB-PR). O senador destacou que entre 40% e 80% das crianças autistas apresentam dieta restrita e de baixo valor nutricional, justificando a importância da lei.

    O senador Paulo Paim (PT-RS) leu o relatório no Plenário, enfatizando que “o projeto garante que os profissionais de saúde realizem avaliações criteriosas dos riscos nutricionais – alergia, intolerância, aversão a determinados alimentos -, além do ônus financeiro desses tratamentos para as famílias e para o poder público, especialmente porque os hábitos alimentares inadequados, o sedentarismo e o uso de medicação podem levar ao aumento do peso”.

    Na votação, em 2 de abril, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ressaltou a importância da medida para a inclusão. “Muitas coisas que aparentemente possam ser ou parecer pequenas são grandiosas na vida dessas pessoas quando a gente coloca na legislação brasileira, no arcabouço legislativo brasileiro, uma lei que possa proteger essas pessoas. E hoje é um sinal claro que nós estamos cuidando de quem precisa ser cuidado”, afirmou Davi.

    A senadora Dra. Eudócia (PL-AL), médica, defendeu a iniciativa, destacando a importância do diagnóstico precoce e acesso a terapias. “A empatia e a informação são ferramentas poderosas para desmistificar preconceitos e construir um futuro no qual todas as pessoas sejam valorizadas por quem realmente são”, declarou.