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  • Apenas parte do processo contra Ramagem poderá ser suspensa, diz Zanin

    Apenas parte do processo contra Ramagem poderá ser suspensa, diz Zanin

    O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a Câmara dos Deputados não pode suspender integralmente o processo penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). O comunicado foi feito em ofício encaminhado à presidência da Casa nesta quinta-feira (24).

    A suspensão do processo contra Ramagem foi solicitada por seu partido após a abertura da ação penal, no final de março. A Constituição permite à Câmara sustar processos contra parlamentares por crimes cometidos após a diplomação, desde que haja iniciativa de partido político e maioria absoluta em votação.

    Decisão limita atuação da Câmara e mantém Ramagem réu por tentativa de golpe.

    Decisão limita atuação da Câmara e mantém Ramagem réu por tentativa de golpe.Valter Campanato/Agência Brasil

    Zanin esclareceu que, conforme decisão do colegiado, apenas dois crimes da denúncia podem ser objeto de suspensão: dano qualificado com violência e deterioração de patrimônio tombado. Segundo a turma, esses foram os únicos delitos atribuídos a Ramagem cometidos após sua diplomação, em dezembro de 2022.

    Mesmo com eventual aplicação do artigo 53 da Constituição, Ramagem seguiria como réu por outros três crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

    Ramagem é o único parlamentar denunciado no inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022 e a atuação da cúpula do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), aliado do ex-presidente, foi designado relator do caso na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O colegiado tem até 45 dias para deliberar sobre a solicitação de suspensão.

    Confira o ofício do ministro Zanin:

  • Veja quem vai com Lula ao funeral do papa Francisco

    Veja quem vai com Lula ao funeral do papa Francisco

    O corpo do Papa Francisco é velado em um caixão na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

    O corpo do Papa Francisco é velado em um caixão na Basílica de São Pedro, no Vaticano.Cecilia Fabiano/LaPresse/DiaEsportivo/Folhapress

    O Palácio do Planalto divulgou, nesta quinta-feira (24), a lista de autoridades que acompanharão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no funeral do papa Francisco, marcado para o sábado (26), na Itália. O chefe do Executivo embarca ainda nesta quinta em avião da Força Aérea Brasileira (FAB), acompanhado da primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), e de outras autoridades dos Três Poderes.

    Entre os integrantes da comitiva estão os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso; do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Também participam os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Ricardo Lewandowski (Justiça), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos).

    O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, integra a delegação, ao lado de senadores e deputados de diferentes partidos.

    O papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, morreu na segunda-feira (21), aos 88 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral e apresentar quadro de insuficiência cardíaca, segundo informações divulgadas pelo Vaticano.

    Confira a lista completa da comitiva:

    • Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)
    • Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores
    • Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública
    • Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
    • Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e Cidadania
    • Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal
    • Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados
    • Renan Calheiros (MDB-AL), senador
    • Leila Barros (PDT-DF), senadora
    • Soraya Thronicke (Podemos-MS), senadora
    • Luis Tibé (Avante-MG), deputado federal
    • Odair Cunha (PT-MG), deputado federal
    • Padre João (PT-MG), deputado federal
    • Reimont (PT-RJ), deputado federal
    • Luiz Gastão (PSD-CE), deputado federal
    • Dagoberto Nogueira (PSDB-MS), deputado federal
    • Professora Goreth (PDT-AP), deputada federal
    • Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente
  • Lula critica gênero masculino em visto de Erika Hilton: “Abominável”

    Lula critica gênero masculino em visto de Erika Hilton: “Abominável”

    O presidente Lula criticou, nesta quinta-feira (24), a modificação do gênero da deputada Erika Hilton (Psol-SP) em visto americano. O chefe do Executivo afirmou, durante a cerimônia de sanção de lei que proíbe práticas discriminatórias contra gestantes em processos, que a prática contra a parlamentar foi “abominável”.

    Erika Hilton e Lula

    Erika Hilton e LulaReprodução/Twitter

    “Erika, o que aconteceu com você, na minha opinião, é abominável. É importante que as deputadas que estão aqui se lembrem que vocês poderiam chegar na Câmara dos Deputados, vocês fazerem o ofício de todas as deputadas e mandar para o parlamento americano, dizendo da inconformidade de vocês com a ingerência da embaixada americana no documento de uma deputada brasileira”, disse o presidente.

    Lula ainda acrescentou que “quem tem o direito de discutir o que essa mulher é, é o Brasil”, não decreto de Donald Trump. “Tem que ter um protesto da Câmara dos Deputados brasileira para a Câmara dos Deputados americana. E defender isso é defender a soberania brasileira”, completou.

    No início de abril, o governo dos Estados Unidos emitiu um visto para a deputada com o gênero masculino, contrariando a identidade de gênero de Erika Hilton, reconhecida legalmente pelo país como mulher. A parlamentar afirmou se tratar de “transfobia de Estado”. Além dela, a também deputada trans, Duda Salabert (PDT-MG) teve o gênero alterado no documento.

    Apesar de a viagem aos EUA ter sido autorizada pela Câmara e o visto posteriormente validado como missão oficial, a designação incorreta de gênero levou Erika a recusar o uso do documento. Segundo a deputada, o erro configura desrespeito à sua identidade e ao Estado brasileiro, já que viola registros civis reconhecidos por lei.

    O perfil em português do Departamento de Estado dos Estados Unidos no X (antigo Twitter), dias depois, rebateu a deputada sob o argumento de que “os vistos americanos são um privilégio, e não um direito, reservados àqueles que tornam os Estados Unidos melhores, e não àqueles que buscam destruí-los por dentro”. O perfil replicou a resposta do secretário de Estado, Marco Rubio.

    Nas redes sociais, Erika Hilton agradeceu ao presidente pela manifestação nesta quinta-feira. “Hoje, o Presidente Lula defendeu, ativamente, a soberania do nosso país, o direito das pessoas que aqui vivem ao registro civil e a inviolabilidade diplomática de parlamentares em missão oficial”, escreveu.

  • Relator na CCJ defende rejeição do recurso de Glauber; confira parecer

    Relator na CCJ defende rejeição do recurso de Glauber; confira parecer

     A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados discute nesta quinta-feira (24) o recurso apresentado pela defesa do deputado Glauber Braga (Psol-RJ) contra o parecer aprovado no Conselho de Ética pela sua cassação. O colegiado deverá averiguar se houve ou não vício regimental na condução do julgamento. Se acatado, o processo retorna ao Conselho. Caso contrário, seguirá ao Plenário, onde deverá ser pautado apenas no próximo semestre.

    Glauber responde por ter expulsado a chutes, em abril de 2024, o militante Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre (MBL), de dentro das instalações da Casa. Ele acusa Costenaro de ter tecido ofensas à sua falecida mãe, Saudade Braga, que até então estava internada em estado grave com problemas cardiorrespiratórios. O Conselho de Ética concluiu que houve violação do decoro parlamentar.

    O réu afirma que o processo foi submetido a vícios regimentais, tese que é negada pelo relator, Alex Manente (Cidadania-SP), que votou pelo indeferimento do recurso.

    Alex Manente, relator do recurso na CCJ, nega vícios no parecer do Conselho de Ética.

    Alex Manente, relator do recurso na CCJ, nega vícios no parecer do Conselho de Ética.Marina Ramos/Câmara dos Deputados

    Argumentos da defesa

    A defesa de Glauber alegou que a acusação era vaga, sem provas claras, e que o relator do caso no Conselho, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), agiu com parcialidade. Ele também apontou supostos erros de procedimento, como a divulgação tardia do relatório e o indeferimento de testemunhas.

    Glauber disse ainda que agiu em legítima defesa e acusou o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), com quem possui uma rivalidade de longa data, de interferir politicamente na análise do Conselho, e afirmou que suas ações estavam protegidas pela imunidade parlamentar. Essa alegação foi sustentada por ele ao longo de todo processo, e foi negada por Lira.

    Parecer do relator

    O relator, deputado Alex Manente, rejeitou todas as alegações de vício no processo. Ele afirmou que a representação trazia provas suficientes, que o relator foi escolhido conforme as regras regimentais e que não houve violação ao direito de defesa. Sobre a suposta parcialidade, destacou que processos políticos como esse não seguem as mesmas regras de suspeição usadas na Justiça. Também considerou regular o indeferimento de testemunhas e a condução da votação.

    No tocante às alegações de supostos vícios de mérito no parecer do Conselho de Ética, Manente ressaltou que a análise não cabe à CCJ, mas sim ao Plenário.

    Confira a íntegra do relatório:

  • 74 deputados que votam com Lula na Câmara assinaram lista da anistia

    74 deputados que votam com Lula na Câmara assinaram lista da anistia

    O requerimento de urgência para o PL da Anistia dependeu da assinatura de parlamentares próximos do governo para avançar. Levantamento do Congresso em Foco mostra que, dos 274 deputados que assinaram a lista, pelo menos 74 votaram com o governo Lula em mais de 80% das vezes nos dois primeiros anos de mandato do presidente. Protocolado em 14 de abril, o pedido segue dividindo a Câmara: na última quarta (23), o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que não permitirá que o tema atrapalhe a votação de projetos importantes e o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), respondeu com um ultimato no plenário.

    Plenário da Câmara dos Deputados: lista do PL da Anistia incluiu nomes que costumam votar com o governo Lula.

    Plenário da Câmara dos Deputados: lista do PL da Anistia incluiu nomes que costumam votar com o governo Lula.Pedro Ladeira/Folhapress

    O levantamento levou em consideração as votações realizadas em 2023 e 2024 na Casa, que estão armazenadas na ferramenta Radar do Congresso, e cruzou a votação dos parlamentares com a orientação do líder do Governo na Câmara. A Câmara, no geral, tem uma taxa de governismo de 72%, o que significa que todos os deputados na lista abaixo têm um perfil de votação mais próximo do governo do que a média na Casa.

    Eis, abaixo, os signatários da anistia que acompanharam o governo em 80% das votações ou mais.

    15% da Câmara

    O requerimento de urgência precisa do apoio da maioria dos deputados da Casa para ser protocolado, o que equivale a 257 assinaturas. Isso significa que, se os deputados na lista acima não tivessem assinado o pedido, ele estaria com 57 assinaturas a menos do que o necessário.

    O número de 74 deputados é expressivo, equivalendo a pouco menos de 15% da Câmara. O grupo supera a quantidade de deputados do PT na Casa, por exemplo, que tem 67 parlamentares.

    A maior parte da lista, 61 deputados, é de partidos próximos ao centro político que comandam pelo menos um ministério no governo Lula – MDB, PP, PSD, Republicanos e União Brasil. Os dois nomes mais governistas, porém, são de outros partidos: João Carlos Bacelar, do PL de Bolsonaro, e Pastor Sargento Isidório, do Avante, são, os dois, eleitos pelo estado da Bahia e marcam um alinhamento de 94% com o governo Lula.

    Ultimato em plenário

    A tramitação do PL da Anistia é uma das pautas defendidas com mais veemência pela oposição na Câmara. Na última quarta-feira (24), o deputado Sóstenes fez uma espécie de ultimato no plenário, demandando que a pauta entre em discussão na reunião de líderes desta quinta (25). Em discurso, o líder do PL disse o partido vai entender que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), estará fazendo um gesto à legenda se não colocar o tema em pauta na reunião.

    Hugo, por sua vez, vem dizendo que a votação da anistia será decidida pela maioria dos deputados e acertada com os líderes na Câmara. Em evento na quarta-feira, o presidente da Casa afirmou que não vai permitir que o andamento da anistia atrapalhe a tramitação de projetos de importância econômica, como o projeto enviado pelo governo Lula que isenta pessoas de renda até R$ 5 mil do pagamento do Imposto de Renda.

  • Lula sanciona aumento de pena por uso de IA em crimes contra mulheres

    Lula sanciona aumento de pena por uso de IA em crimes contra mulheres

    O presidente Lula sancionou nesta quinta-feira (24) o projeto de lei 370/2024, que aumenta em 50% a pena para crimes de violência psicológica contra mulheres envolvendo o uso de inteligência artificial (IA) ou outras tecnologias de manipulação da imagem ou voz da vítima.

    A nova norma altera o Código Penal e tem como foco combater o uso de deepfakes e ferramentas similares para humilhar, ameaçar ou constranger mulheres. A pena-base para esse tipo de violência, que vai de seis meses a dois anos de reclusão, será majorada em casos que envolvam recursos tecnológicos.

    Texto também amplia punição por divulgação de imagens íntimas sem consentimento.

    Texto também amplia punição por divulgação de imagens íntimas sem consentimento.Ricardo Stuckert / PR

    O texto também amplia a punição para quem divulgar, sem consentimento, cenas de estupro ou de sexo envolvendo a vítima. Nesses casos, a pena pode chegar a seis anos de prisão.

    O projeto, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), teve relatoria na Câmara pela deputada Camila Jara (PT-MS) e no Senado pela senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), que defendeu a medida como essencial diante do avanço do uso nocivo de tecnologias.

    Além deste projeto, Lula sancionou outras duas leis voltadas à proteção das mulheres. Uma determina o uso de tornozeleira eletrônica para agressores em casos de violência doméstica. Outra proíbe discriminação contra mulheres em situação de gravidez, parto ou adoção em processos seletivos de bolsas acadêmicas.

  • Bolsonaro tem piora clínica e segue sem previsão de alta da UTI

    Bolsonaro tem piora clínica e segue sem previsão de alta da UTI

    O ex-presidente Jair Bolsonaro teve piora clínica e segue sem previsão para deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, segundo boletim médico divulgado nesta quinta-feira (24). O documento, divulgado pelo perfil de Bolsonaro na rede social Instagram, afirma que o ex-presidente segue em jejum oral, recebendo alimentação parenteral exclusiva – ou seja, por um cateter colocado em uma veia – e realizando fisioterapia.

    De acordo com o relatório, Bolsonaro vai passar por novos exames de imagem nesta quinta. A recomendação segue de não receber visitas.

    A atualização vem um dia depois de Bolsonaro ser intimado por uma oficial do Supremo Tribunal Federal (STF) no quarto de hospital. O político foi informado oficialmente sobre a abertura da ação penal contra seu nome e do prazo de apresentação de sua defesa, no caso referente ao esquema de tentativa de golpe de Estado.

    O momento da intimação foi filmado por alguém que acompanhava o ex-presidente do quarto. Enquanto Bolsonaro falava com a oficial, é possível, em determinado momento, ouvir alguém dizer: “A pressão do senhor subiu bastante”. O ex-presidente se exalta com a interrupção e eleva a voz ao responder.

    Leia abaixo a transcrição do boletim médico divulgado nesta quinta.

    “NOTA À IMPRENSA

    Brasília, 24 de abril de 2025

    O Hospital DF Star informa que o ex-Presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em acompanhamento pós-operatório. Apresentou piora clínica, elevação da pressão arterial e piora dos exames laboratoriais hepáticos. Será submetido hoje a novos exames de imagem. Continua em jejum oral e com nutrição parenteral exclusiva. Segue com a fisioterapia motora e as medidas de prevenção de trombose venosa. Persiste a recomendação de não receber visitas e não há previsão de alta da UTI.

    Dr. Cláudio Birolini – Médico chefe da equipe cirúrgica

    Dr. Leandro Echenique – Médico Cardiologista

    Dr. Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Júnior – Coordenador da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star

    Dr. Brasil Caiado – Médico Cardiologista

    Dr. Guilherme Meyer – Diretor Médico do Hospital DF Star

    Dr. Allisson Barcelos Borges – Diretor Geral do Hospital DF Star”

    Bolsonaro no hospital, em imagem divulgada em perfil oficial de redes sociais.

    Bolsonaro no hospital, em imagem divulgada em perfil oficial de redes sociais.Reprodução/Instagram (@jairmessiasbolsonaro)

  • CCJ adia votação do recurso contra a cassação de Glauber Braga

    CCJ adia votação do recurso contra a cassação de Glauber Braga

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou para a próxima terça-feira (29) a votação do recurso apresentado pela defesa de Glauber Braga (Psol-RJ) contra o parecer do Conselho de Ética pela sua cassação. O adiamento se deu graças a uma série de pedidos de vistas apresentados tanto por parlamentares do governo quanto da oposição.

    Glauber alega ter sido alvo de perseguição política no Conselho de Ética.

    Glauber alega ter sido alvo de perseguição política no Conselho de Ética.Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    Glauber foi condenado pelo Conselho de Ética por expulsar a chutes e empurrões o militante Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre (MBL), de dentro das instalações da Câmara. Ele alega ter reagido a uma provocação, na qual Costenaro teria tecido ofensas à sua falecida mãe, Saudade Braga, quando ela estava internada em estado grave com problemas cardiorrespiratórios.

    A defesa de Glauber apresentou o recurso alegando cerceamento de sua defesa, perseguição política e parcialidade do relator no Conselho. As alegações foram negadas pelo relator na CCJ, Alex Manente (Cidadania-SP), que votou pela rejeição do recurso. Se o parecer for aprovado, a discussão sobre a cassação seguirá ao Plenário, com previsão de ser incluída na pauta apenas no segundo semestre.

  • Lula nomeia presidente da Telebras como novo ministro das Comunicações

    Lula nomeia presidente da Telebras como novo ministro das Comunicações

    O engenheiro Frederico de Siqueira Filho tomou posse na manhã desta quinta-feira (24) como novo ministro das Comunicações. A nomeação foi formalizada pelo presidente Lula em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, e representa uma aposta do governo em um perfil técnico com forte trânsito político para comandar uma das pastas estratégicas da Esplanada.

    Lula empossou o novo ministro das Comunicações nesta quinta-feira

    Lula empossou o novo ministro das Comunicações nesta quinta-feiraRicardo Stuckert/PR

    A indicação de Frederico foi articulada pelo União Brasil e apresentada ao presidente Lula pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pelo ex-ministro Juscelino Filho e pelo líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA). A reunião decisiva ocorreu na tarde da quarta-feira (23), com a presença da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e selou o nome de consenso para evitar novas disputas políticas em torno do ministério.

    Juscelino deixou o governo no começo de abril após ser denunciado ao Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria-Geral da República por desviar recursos de emenda parlamentar. Pedro Lucas foi convidado para assumir o cargo. Depois de aceitar o convite e pedir tempo para assumir, desistiu do posto em meio a pressões de seu partido.

    Carreira no setor de telecomunicações

    Com 26 anos de experiência no setor, Frederico Siqueira Filho é engenheiro civil formado pela Universidade de Pernambuco e também possui formação em administração de empresas pela PUC-Rio. Sua trajetória profissional é marcada por uma longa atuação na iniciativa privada, especialmente na operadora Oi, onde ingressou em 2002 como gerente de vendas empresariais.

    Em 2008, migrou para a área de relações institucionais da empresa, assumindo em 2011 a diretoria da área para o Nordeste. A partir de 2018, chefiou a diretoria de vendas corporativas para as regiões Norte e Nordeste, liderando projetos de infraestrutura e segurança pública em parceria com governos estaduais como sistemas de vigilância em Pernambuco, redes de dados na Paraíba e soluções LTE para a segurança da Bahia.

    Antes disso, na década de 1990, passou por empresas como Autelserv Serviços de Telecomunicações e Globaltalk, onde atuou nas áreas de engenharia e vendas.

    Frederico assumiu a presidência da Telebras em maio de 2023, estatal vinculada ao Ministério das Comunicações. Sua nomeação na época foi articulada pelo então ministro Juscelino Filho, com quem mantinha afinidade técnica e profissional.

    Telebras

    À frente da Telebras, Frederico reforçou sua imagem como gestor técnico, ao mesmo tempo em que cultivava boa interlocução política especialmente com parlamentares das regiões Norte e Nordeste, onde sua atuação executiva ganhou destaque.

    Embora não tenha trajetória eleitoral nem filiação partidária destacada, Frederico é considerado um nome com forte trânsito no Congresso, sobretudo no centrão. Sua indicação ao ministério foi patrocinada por Davi Alcolumbre, figura de destaque na articulação entre o governo e o Parlamento.

    A escolha de Frederico também atende ao desejo do Palácio do Planalto de garantir continuidade na gestão e interlocução fluente com o setor de telecomunicações, sem acirrar tensões políticas.

  • CNI reduz previsão de crescimento do PIB para 2,3% em 2025

    CNI reduz previsão de crescimento do PIB para 2,3% em 2025

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê um crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o ano de 2025. Essa projeção representa uma redução em relação à estimativa anterior de 2,4%, divulgada no final do ano passado. “Reduzimos um pouco a projeção de crescimento do país para este ano, porque a desaceleração da economia está sendo mais forte do que a CNI esperava, e porque o Banco Central dá sinais de que vai elevar ainda mais a taxa Selic”, justifica Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI.

    Caso a projeção se concretize, o PIB de 2025 será o menor em cinco anos, 1,1 ponto percentual inferior ao de 2024 (3,4%). A CNI estima um crescimento de 2% para o PIB industrial e 1,8% para o setor de serviços, ambos com desempenho inferior ao registrado em 2024, quando as taxas foram de 3,3% e 3,7%, respectivamente.

    “A economia brasileira dá claros sinais de desaceleração e eles vêm do último trimestre de 2024. O PIB, no último trimestre do ano passado, cresceu apenas 0,2%, um crescimento muito abaixo do que a gente tinha visto nos outros trimestres. Há um desaquecimento geral da economia”, esclarece Telles.

    CNI estima alta de 2,3% no PIB neste ano.

    CNI estima alta de 2,3% no PIB neste ano.Paulo Pinto/Agência Brasil

    A expectativa de menor expansão da demanda deve impactar tanto a indústria quanto os serviços. A CNI projeta um crescimento de 1,9% para a indústria de transformação em 2025, metade do registrado em 2024 (3,8%). A construção civil também deve apresentar desaceleração, passando de 4,3% em 2024 para 2,2% em 2025.

    Em contrapartida, a indústria extrativa deve crescer 1% em 2025, superando os 0,5% de 2024. A agropecuária também deve apresentar recuperação, com crescimento estimado de 5,5% em 2025, após uma queda de 3,2% no ano anterior.

    A CNI projeta uma taxa de juros real de 9,8% ao ano para o final de 2025, superior aos 7% de 2024. As concessões totais de crédito devem crescer 6,5% em termos reais, abaixo dos 10,6% de 2024.

    As despesas do governo devem apresentar crescimento real de 2%, inferior aos 3,7% de 2024. O consumo das famílias deve aumentar 2,2%, menos da metade do registrado em 2024 (4,8%).

    A projeção para o contingente de pessoas ocupadas no mercado de trabalho é de 0,5% em 2025, inferior aos 2,8% de 2024. A massa salarial deve crescer 4,8%, menos que os 7,6% de 2024. Os investimentos no país devem crescer 2,8% em 2025, abaixo dos 7,3% de 2024. A demanda externa também deve apresentar desaceleração. Segundo a CNI, o cenário externo será afetado pela nova política comercial dos Estados Unidos.