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  • Carlos Fávaro defende soberania e agropecuária sustentável na COP

    Carlos Fávaro defende soberania e agropecuária sustentável na COP

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou nesta quarta-feira (19) de audiência na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado. Durante o debate, o ministro destacou a importância da agropecuária brasileira na produção sustentável e na recuperação de áreas degradadas, reforçando a necessidade de manter a soberania nacional em discussões internacionais, especialmente na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP).

    Fávaro apresentou iniciativas do governo voltadas para o desenvolvimento sustentável do setor agropecuário. Entre elas, mencionou a plataforma AgroBrasil mais sustentável, a restaurabilidade de governo e o programa de recuperação de pastagens degradadas. Segundo o ministro, essas ações demonstram que o Brasil pode continuar expandindo sua produção sem a necessidade de novos desmatamentos, incorporando anualmente entre 1,5 e 2 milhões de hectares em áreas produtivas.

    O ministro ressaltou que a ciência e a tecnologia são pilares fundamentais para a agropecuária nacional, com instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desempenhando um papel estratégico. Ele defendeu que o Brasil tem muito a apresentar ao mundo sobre práticas sustentáveis na produção de alimentos e energias renováveis.

    Fávaro também enfatizou a importância de preservar a soberania nacional em fóruns internacionais, alertando para a necessidade de evitar que a agropecuária brasileira seja vista como vilã. Segundo ele, é essencial que a participação do Brasil na COP seja pautada na apresentação de suas iniciativas ambientais e produtivas, sem interferências externas que possam comprometer o setor.

  • Isnaldo Bulhões e Efraim Filho vão liderar discussão do orçamento 2026

    Isnaldo Bulhões e Efraim Filho vão liderar discussão do orçamento 2026

    O governo Lula contará novamente com um aliado na relatoria da proposta orçamentária de 2026. O líder do MDB, Isnaldo Bulhões (AL), será o relator do Orçamento Geral da União do ano que vem. Atualmente, a função é exercida pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA), também integrante da base governista.

    Isnaldo Bulhões e Efraim Filho: um governista e um oposicionista moderado à frente da Comissão Mista de Orçamento

    Isnaldo Bulhões e Efraim Filho: um governista e um oposicionista moderado à frente da Comissão Mista de OrçamentoBruno Spada e Pablo Valadares/Agência Câmara/Montagem Congresso em Foco

    Isnaldo é um dos principais aliados do governo no MDB e faz parte do grupo político do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e do ministro dos Transportes, Renan Filho. Grupo este que se opõe ao ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O deputado emedebista chegou a ser cotado para disputar a presidência da Câmara, mas desistiu devido à resistência de Lira.

    Já a presidência da Comissão Mista de Orçamento ficará com um senador que faz oposição ao governo. Efraim Filho (União-PB) é considerado pelo governo, entretanto, um oposicionista moderado, com quem é possível dialogar. A cada ano, um deputado e um senador se revezam na relatoria e no comando do colegiado. 

    De acordo com o Radar do Congresso, ferramenta de monitoramento legislativo do Congresso em Foco, Isnaldo Bulhões votou em 96% das vezes conforme a orientação do líder do governo na Câmara. Já Efraim Filho tem índice de governismo de 71%. 

    A presidência da comissão atualmente está com o deputado Júlio Arcoverde (PP-PI), que marcou para a próxima sexta-feira (21) a votação do projeto da lei orçamentária de 2025.

    A votação, que deveria ter ocorrido em dezembro, foi adiada devido ao impasse nas regras das emendas parlamentares, modificadas por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), à demora na aprovação do pacote de ajuste fiscal e ao envio de ofícios por parte do Executivo, solicitando ajustes nas propostas. Depois de passar pela comissão, o texto será submetido ao Plenário.

    A função da Comissão Mista de Orçamento, composta por deputados e senadores, é crucial no Congresso. Cabe à CMO analisar o orçamento federa, emitir pareceres e votar propostas relacionadas ao ciclo orçamentário, como o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

  • Novo presidente da CCJ defende retomada do protagonismo das comissões

    Novo presidente da CCJ defende retomada do protagonismo das comissões

    O deputado Paulo Azi (União-BA) assumiu, nesta quarta-feira (19), a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Em seu discurso de posse, ele destacou a importância do colegiado e mencionou que as comissões perderam espaço nos últimos anos, principalmente em razão da pandemia.

    O parlamentar considera que é chegado o momento de reverter as mudanças no processo legislativo estabelecidas durante a pandemia, que privilegiavam a votação de projetos em regime de urgência em detrimento da discussão nas comissões. Segundo ele, o modelo de votação adotado limitou o debate e a análise detalhada das propostas.

    Deputado ressaltou que a CCJ tem mais de 9 mil propostas na fila para apreciação.

    Deputado ressaltou que a CCJ tem mais de 9 mil propostas na fila para apreciação.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    “Essa comissão precisa cada vez mais deliberar, essa comissão precisa cada vez mais propiciar que o plenário dessa Casa, quando for apreciar as matérias, já tenha uma análise prévia da sua constitucionalidade, uma análise prévia da sua admissibilidade, para que se evite que, muitas vezes, os parlamentares sejam pegos de surpresa, chamados a apreciar e a votar um projeto em regime de urgência”, declarou.

    Ele também relembrou o compromisso do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesse sentido. “O presidente da Câmara, os deputados, o deputado Hugo Mota, desde quando era candidato, externou de forma muito clara o seu desejo de fazer com que as diversas comissões possam voltar a ter o protagonismo, possam voltar a ser o ambiente para a discussão, o aprimoramento e a votação dos diversos projetos que tramitam nessa Casa”, afirmou

    Organização dos trabalhos

    Azi também manifestou a meta de celeridade na organização dos trabalhos da CCJ, que atualmente tem mais de 9 mil proposições na fila. Durante o discurso, ele solicitou que os líderes partidários indiquem rapidamente os coordenadores de bancada para dar início o quanto antes às atividades da comissão.

    O parlamentar também cobrou agilidade dos membros para que apresentem suas indicações de emendas relativas ao ano de 2024, tendo em vista a data limite de votação para o dia 31 de março, conforme definido no acordo entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional para apreciação das emendas de comissão.

    “Tenho a absoluta convicção e a certeza de que, com o apoio de todos, nobres parlamentares, senhores deputados, senhoras deputadas, possamos oferecer a nossa contribuição ao povo brasileiro de melhorar, de aperfeiçoar as propostas que cheguem, seja do governo, seja das ruas, transmitida pelos projetos de autoria dos próprios parlamentares, mas, acima de tudo, sempre com o Norte voltado para votar matérias que venham a melhorar a vida do povo brasileiro”, concluiu.

  • Dr. Hiran é relator de projeto que cria exame de proficiência médica

    Dr. Hiran é relator de projeto que cria exame de proficiência médica

    O senador Dr. Hiran (PP-RR) foi nomeado relator na Comissão de Assuntos Sociais do projeto de lei 2294/2024, que propõe a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, avaliação semelhante à aplicada aos bacharéis em Direito.

    Proposta prevê avaliação obrigatória para médicos

    Proposta prevê avaliação obrigatória para médicosWaldemir Barreto/Agência Senado

    A proposta estabelece que apenas médicos aprovados nesse exame poderão se registrar no Conselho Regional de Medicina (CRM). A aplicação da prova ficará sob responsabilidade dos CRMs, que, em parceria com a Coordenação Nacional do Exame, definirão a regulamentação. O exame deverá ser realizado pelo menos duas vezes ao ano, abrangendo todos os estados e o Distrito Federal.

    Competências médicas

    “A medicina exige rapidez e precisão, e a diferença entre a vida e a morte pode ser mínima. O raciocínio clínico que envolve diagnóstico diferencial, interpretação de sinais e sintomas, solicitação de exames e escolha de tratamentos adequados precisa ser fortemente testado. Além disso, aspectos como custos, efeitos colaterais e preferências do paciente também devem ser considerados”, afirmou Dr. Hiran.

    O senador manifestou preocupação com a qualidade do ensino médico no Brasil, especialmente diante do aumento do número de faculdades e vagas oferecidas, o que tem impulsionado o crescimento do número de profissionais na área da saúde.

    “É essencial que, além da ampliação da oferta de cursos e vagas, a qualidade da formação seja preservada. A criação de mecanismos eficazes de avaliação, como o Exame Nacional de Proficiência, é uma forma de garantir que a expansão do ensino médico não comprometa a qualificação dos profissionais”, destacou o parlamentar.

    O Exame Nacional de Proficiência em Medicina deverá medir não apenas o conhecimento teórico e as habilidades clínicas dos candidatos, mas também sua conduta ética e aptidão para o exercício da profissão.

    Tramitação

    O projeto já conta com parecer favorável da comissão de Educação e Cultura. Ele tramita em caráter terminativo: se aprovado, poderá ser enviado à Câmara dos Deputados sem a necessidade de votação em Plenário.

  • Senado aprova PL que aumenta pena de crime contra mulher feito com IA

    Senado aprova PL que aumenta pena de crime contra mulher feito com IA

    Projeto aumenta a pena do crime de violência psicológica contra mulher quando há uso de inteligência artificial para criação de vídeos falsos.

    Projeto aumenta a pena do crime de violência psicológica contra mulher quando há uso de inteligência artificial para criação de vídeos falsos.Freepik

    O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (19) o projeto de lei 370/2024, que aumenta a pena para o crime de violência psicológica contra a mulher quando houver uso de inteligência artificial ou de qualquer outra tecnologia para alterar imagem ou voz da vítima. A proposta, de autoria da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), foi relatada pela senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB).

    No plenário, a relatora classificou a proposta como bem-vinda e necessária.

    O projeto altera o Código Penal para incluir o uso de tecnologias como fator de agravamento da pena no crime de violência psicológica contra a mulher.

    A pena, atualmente fixada entre seis meses e dois anos de reclusão, será aumentada da metade nos casos em que a alteração de imagem ou som da vítima for utilizada para causar dano emocional, perturbar o desenvolvimento da mulher ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões.

    O crime de violência psicológica contra a mulher é caracterizado por ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outra forma de abuso que cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação da vítima.

    Com a aprovação no Senado, o projeto segue agora para sanção presidencial.

  • Plano Nacional de Educação: bancada quer responsabilizar gestores

    Plano Nacional de Educação: bancada quer responsabilizar gestores

    A Frente Parlamentar da Educação pretende alterar o projeto do Plano Nacional de Educação (PNE), de autoria do governo, para tornar mais clara a responsabilização dos governantes e gestores que não cumprirem as metas estipuladas pela proposta. O texto contém 18 objetivos, 58 metas e 253 estratégias que União, estados e municípios devem cumprir na educação básica, desde a educação infantil até os ensinos fundamental e médio, na educação profissional e tecnológica, e no ensino superior até 2034.

    Rafael Brito e Tabata Amaral são duas das principais lideranças da Frente Parlamentar da Educação

    Rafael Brito e Tabata Amaral são duas das principais lideranças da Frente Parlamentar da EducaçãoMário Agra/Agência Câmara

    “O gestor tem de ser responsabilizado. Nem que seja obrigado a entregar um balanço anual de educação a respeito das ações ao alance dele. Tem de entregar ao tribunal de contas um relatório que nem seja para mostrar sua incompetência. Precisa ter a prestação de contas rejeitadas e multa”, defendeu o presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, deputado Rafael Brito (MDB-AL). “Há 20 anos a meta da primeira infância não é cumprida e fica por issso mesmo”, acrescentou.

    A frente parlamentar se reuniu em um almoço nesta quarta-feira (19), em um restaurante em Brasília, para abrir os trabalhos do ano e discutir suas prioridades para 2025. A aprovação do PNE foi apontada como principal tema a ser enfrentado este ano no Congresso. Ex-secretário da Educação em Alagoas, Rafael fez coro ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao defender que o debate não seja contaminado pelas divergências ideológicas nem por radicalismos à esquerda ou à direita. 

    Hugo determinou a criação de uma comissão especial para tratar do assunto, o que deve ocorrer na primeira semana de abril, após ele retornar de uma missão oficial ao Japão, liderado pelo presidente Lula. Questões como colégio cívico-militares e de gênero podem causar atrito, avalia Rafael Brito.

    Para ele, no entanto, o foco deve ser outro, como garantir acesso básico a crianças e adolescentes a água e higiene. Em dezembro de 2024, 440 mil estudantes brasileiros estavam matriculados em escolas sem banheiro. Em 2023, cerca de 1,2 milhão de estudantes estavam matriculados em 7,5 mil escolas públicas que não tinham acesso adequado à água potável. Os dados são do Censo Escolar. “Não podemos deixar ficar como está”, afirmou o deputado. 

    A Câmara definiu nesta quarta-feira o nome do deputado Mauricio Carvalho (União-RO) como novo presidente da Comissão de Educação. Integrante da frente parlamentar temática, o deputado Pedro Uczai (PT-SC) é cotado para assumir a relatoria ou a presidência da comissão especial do PNE.”A pauta do Brasil este ano tem de ser o PNE”, defendeu o petista, que é um dos coordenadores da bancada da Educação. 

    Também uma das lideranças da frente parlamentar, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) defendeu que o assunto seja discutido com profundidade e traga resultados concretos. “Quero um PNE que seja mais que uma lista de desejos. Quero um PNE que nos faça avançar”, afirmou a deputada durante o almoço, acompanhado pelo Congresso em Foco.

    O projeto do PNE será debatido paralelamente no Senado, na Comissão de Educação, presidida pela senadora Teresa Leitão (PT-PE.

    De acordo com a proposta do governo, estão entre os objetivos a serem alcançados até 2034:

    • Universalizar a pré-escola e ampliar a oferta para crianças de até três anos
    • Garantir a alfabetização ao final do 2º ano do ensino fundamental
    • Assegurar que os estudantes concluam o ensino fundamental e médio na idade regular
    • Ampliar a oferta de educação em tempo integral na rede pública
    • Promover a educação digital
    • Garantir o acesso à educação para a população com deficiência, transtornos ou altas habilidades
    • Incorporar as competências socioemocionais ao currículo escolar
    • Garantir a qualidade dos cursos de graduação
    • Ampliar a proporção de mestres e doutores no corpo docente

    O PNE é um programa que define diretrizes, objetivos, metas e estratégias para o desenvolvimento do ensino. O atual PNE foi prorrogado até 31 de dezembro de 2025 pela Lei 14.934, de 2024, sancionada pelo presidente Lula.

    O PNE aborda as áreas de:

    • Educação infantil
    • Alfabetização
    • Ensinos fundamental e médio
    • Educação integral
    • Diversidade e inclusão
    • Educação profissional e tecnológica
    • Educação superior
  • Senado: Aprovado projeto que aumenta penas para crimes contra idosos

    Senado: Aprovado projeto que aumenta penas para crimes contra idosos

    Projeto em proteção dos idosos foi aprovado.

    Projeto em proteção dos idosos foi aprovado.Freepik

    Nesta quarta-feira (19), o Senado Federal aprovou o projeto de lei 4.626/2020, que aumenta as penas para os crimes de abandono de incapaz, maus-tratos e exposição a perigo da saúde e da integridade física ou psíquica do idoso.

    O texto, de autoria do deputado Helio Lopes (PL-RJ), teve relatoria do senador Carlos Viana (Podemos-MG) e agora retorna para a Câmara dos Deputados.

    A proposta prevê o endurecimento das penas para diferentes crimes contra idosos. No caso de abandono de pessoa com deficiência em hospitais, casas de saúde, abrigos ou estabelecimentos similares, a pena será ampliada de seis meses a três anos para três a cinco anos de reclusão.

    Para o crime de abandono de incapaz, a punição passará de seis meses a três anos para dois a cinco anos de reclusão.

    Já para a exposição da vida ou da saúde de pessoa sob guarda ou vigilância a perigo, a pena será aumentada de dois meses a um ano para dois a cinco anos de reclusão.

    O projeto também modifica regras processuais, retirando a competência dos Juizados Especiais para crimes previstos no Estatuto do Idoso e para qualquer crime praticado com violência contra idosos.

    Além disso, impede a possibilidade de acordos entre o réu e o Ministério Público e veda a concessão de benefícios penais e processuais nesses casos.

  • Davi defende Marina Silva após Plínio Valério falar em enforcá-la

    Davi defende Marina Silva após Plínio Valério falar em enforcá-la

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se pronunciou na tribuna da Casa nesta quinta-feira (19) para repudiar o discurso de um colega. Na semana anterior, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) havia sugerido em um evento o enforcamento da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Davi considerou aquela uma “fala infeliz”, e cobrou uma retratação do congressista amazonense.

    Veja o vídeo:

    Plínio Valério possui um longo histórico de rivalidade tanto com a ministra Marina Silva quanto com outras lideranças da equipe ambiental do governo. Em 2023, ele presidiu a CPI das ONGs, criada para investigar a atuação das organizações atuantes na Amazônia. Em palestra para o Instituto Fecomércio do Amazonas na última sexta, relatou o depoimento da ministra. “A Marina teve, na CPI das ONGs, seis horas e dez minutos. Imaginem o que é tolerar a Marina, seis horas e dez minutos, sem enforcá-la”, declarou.

    “Não concordo com muitas posições ideológicas da ministra de Estado do Meio Ambiente em relação ao país. Mas acho que meu querido colega senador Plínio Valério precisa fazer uma referência em relação a essa fala. (…) Estamos vivendo um momento tão difícil que uma fala de um senador da República, mesmo de brincadeira, ou em tom de brincadeira, agride o que nós estamos querendo para o Brasil”, disse Davi.

    Mais cedo, Marina Silva comentou sobre o episódio em entrevista à TV Brasil. “Quem brinca com a vida dos outros ou faz ameaça de brincadeira e rindo? Só os psicopatas são capazes de fazer isso”, afirmou.

    Resposta de Plínio

    Após o discurso de Davi, Plínio Valério subiu à tribuna para responder. “Se você perguntar se faria de novo, a resposta é não, mas também não me arrependo. (…) Eu não me excedi, eu talvez brinquei fora da hora. (…) Eu não a ofendi, eu passei 6 horas e 10minutos a tratando com decência, como merece toda mulher”, alegou.

    O senador acrescentou ter “certeza de que ela não se ofendeu com o que eu disse, porque ela sabe o que fez comigo” ao chamá-lo de psicopata.

  • Com Itamaraty contra, Senado aprova isenção de visto para americanos

    Com Itamaraty contra, Senado aprova isenção de visto para americanos

    Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária.

    Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária.Andressa Anholete/Agência Senado

    O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (19) o projeto de decreto legislativo que revoga a decisão do governo federal de exigir visto para a entrada de cidadãos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão no Brasil. A proposta, de autoria do senador Carlos Portinho (PL-RJ), segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

    A exigência do visto havia sido restabelecida pelo governo Lula com base no princípio da reciprocidade, uma vez que esses países mantêm a obrigatoriedade do documento para a entrada de brasileiros. A isenção anterior foi concedida em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro.

    O Itamaraty manifestou oposição à revogação da medida e encaminhou nota aos senadores defendendo a manutenção do visto, alegando que a liberação não resultou em aumento significativo no fluxo de turistas desses países para o Brasil.

    Por outro lado, defensores do projeto argumentam que a reimposição do visto aumenta a burocracia e impacta negativamente o setor do turismo e a economia. A proposta recebeu apoio de entidades ligadas ao G20 do Turismo, incluindo associações de agências de viagens, companhias aéreas e redes hoteleiras.

    O senador Carlos Portinho justificou a revogação afirmando que o princípio da reciprocidade deve ser aplicado considerando o interesse nacional e que a medida poderia trazer ganhos econômicos para o país.

    Com a aprovação no Senado, o projeto segue para votação na Câmara dos Deputados.

  • Tributaristas analisam proposta do governo para isenção do IR

    Tributaristas analisam proposta do governo para isenção do IR

    O Congresso Nacional recebeu, na terça-feira (18), proposta do Poder Executivo para dar descontos ou isentar do Imposto de Renda (IR) mais de 90 milhões de brasileiros. Quem recebe até R$ 5 mil por mês não pagará o imposto que também será cobrado em valor reduzido para quem ganha até R$ 7 mil mensais.

    Para compensar os cofres públicos, o projeto de lei 1.087/2025 propõe o estabelecimento de um piso na cobrança de Imposto de Renda de quem recebe mais de R$ 50 mil por mês. O texto prevê que o tributo mínimo ficará entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano.

    O governo espera que as regras de isenções funcionem a partir de 2026. Para isso, Câmara, que está com o texto, e Senado devem aprovar o projeto ainda neste ano.

    Diante da relevância da proposta, o Congresso em Foco consultou especialistas para uma análise detalhada dos impactos da medida.

    Tributaristas emitiram suas opiniões sobre o projeto de isenção do IR.

    Tributaristas emitiram suas opiniões sobre o projeto de isenção do IR.Freepik

    Justiça fiscal e capacidade contributiva

    A tributarista Betina Grupenmacher considera que a isenção atende ao princípio da capacidade contributiva. “Quem ganha até R$ 5 mil não tem mesmo capacidade contributiva para pagar o imposto. Tem apenas o mínimo existencial.”

    Ela também observa que, do ponto de vista da arrecadação, a proposta busca um equilíbrio: “Sob o aspecto das contas públicas também é bom porque vai compensar a arrecadação que será perdida com a isenção dos R$ 5 mil.”

    No entanto, alerta para um problema prático: “Se passar de 34% haverá retenção na fonte e devolução só será feita com o ajuste, e com isso o governo fica ‘trabalhando’ com o dinheiro do contribuinte, o que, no meu entendimento, fere o direito de propriedade.”

    Ela ainda levanta um questionamento relevante sobre a destinação dos recursos arrecadados: “Para onde vai esse dinheiro que vai abastecer ainda mais os cofres públicos? É certo que a tributação deve ser progressiva e observar a capacidade contributiva, mas o governo tem que fazer a sua parte e não faz. Não temos serviços públicos de qualidade, o que compromete o princípio da dignidade humana. Por isso não gostamos de pagar cada vez mais impostos.”

    Lina Santin também avalia positivamente a ampliação da faixa de isenção e destaca que “a medida é bem-vinda pois aumenta a faixa de isenção, que já sofreu duas correções sob a gestão do ministro Fernando Haddad, mas ficou congelada desde 2015 até 2023.”

    Entretanto, ela ressalta a necessidade de clareza no conceito de alíquota efetiva e alerta para possíveis distorções:

    “Se o projeto está chamando de ‘alíquota efetiva’ o que em realidade é ‘carga tributária efetiva’, estaríamos então falando em um limite de alíquota nominal aplicada sobre o faturamento total das empresas que estão no lucro presumido, ignorando assim o percentual da base presumida de lucro estabelecido em lei – e como resultado estaria inviabilizada a restituição de valores retidos de sócios de pessoas jurídicas sujeitas ao lucro presumido ou simples nacional, criando insegurança jurídica e abrindo espaço para contencioso.”

    Impactos na arrecadação e a tributação de dividendos

    Para Luiz Gustavo Bichara, a medida pode resultar em um aumento de arrecadação em vez de neutralidade fiscal. “A proposta acaba por gerar aumento de arrecadação em 2026, ano eleitoral, postergando para depois de abril/2027 o ‘acerto de contas’.”

    Ele também observa que a tributação sobre dividendos pode não cumprir a promessa de neutralidade fiscal: “O documento em questão estima que o IRPF e a retenção sobre dividendos pagos ao exterior gerem uma arrecadação que supera em R$ 10 bilhões anuais os valores da renúncia fiscal resultante da ampliação da faixa de isenção.”

    Além disso, Bichara destaca um aspecto importante da proposta:

    “Estender o limite de isenção até R$ 5 mil mensais é exagerado em um país de renda média como o nosso. Para se ter ideia, um casal sem filhos em que cada um tenha rendimento mensal de R$ 5 mil figura no topo da nossa distribuição de renda, entre os 10% mais ricos. A medida reduz a apenas 10 milhões de cidadãos a base de contribuintes do IRPF em uma população economicamente ativa de 100 milhões de pessoas.”

    Rodrigo Massud destaca que o projeto não propõe uma reforma tributária estruturante e pode incentivar a pejotização:

    “Me parece que essa medida vai acabar induzindo uma pejotização, porque não está previsto ali, aparentemente, a tributação de dividendos entre pessoas jurídicas. Uma pessoa jurídica sócia de outra vai receber dividendos e esses dividendos não estão sendo contemplados nessa alíquota mínima de 10%.”

    Ele também observa que “não há uma garantia efetiva de que terá uma restituição desse imposto mínimo no ajuste anual. Aliás, conforme entrevistas recentes divulgadas pela própria Receita, parece que o que se indica é que a alíquota de 10% de tributação mínima é um piso e não um teto.”

    Consequências fiscais e macroeconômicas

    Massud também alerta para os impactos macroeconômicos da isenção: “Os economistas todos, há uma unanimidade, essa isenção vai estimular consumo, vai injetar dinheiro na economia e fazer mais pressão sobre a inflação e o impacto nos juros que já estão com uma projeção de alta.”

    Ele critica a falta de medidas para reduzir gastos: “O governo continua resistente a fazer cortes de gastos ou reformas administrativas, parece não estar no radar, sobretudo na proximidade de um ano eleitoral.”

    Bichara complementa esse ponto ao indicar que a proposta “ignora os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade. Embora não se possa negar que o indivíduo que aufira R$ 1,2 milhão anuais esteja em condições privilegiadíssimas quando comparado à esmagadora maioria da nossa população, a aplicação desses postulados demandaria uma gradação de alíquotas que diferenciasse esse contribuinte daqueles cujos rendimentos alcancem R$ 1,2 bilhão ao ano. Trata-se de grandezas completamente distintas, que devem assim ser tratadas pela legislação.”