Moraes determina oitiva de Fábio Wajngarten pela PF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal colha, em até cinco dias, o depoimento de Fábio Wajngarten. A medida foi tomada no âmbito de inquérito que apura suposta tentativa de obstrução de Justiça por parte de advogados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o magistrado, em despacho assinado nesta quarta-feira (25), Wajngarten é suspeito de abordar familiares do tenente-coronel Mauro Cid para tentar influenciar o conteúdo de sua delação premiada.

Ministro atendeu pedido da defesa do delator, que relatou tentativas de contato com sua família.

Ministro atendeu pedido da defesa do delator, que relatou tentativas de contato com sua família.Ronny Santos/Folhapress

As investigações indicam que Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência e então assessor de imprensa de Bolsonaro, teria feito “intensa tentativa de falar com a família e com Mauro Cid, tanto através da filha G.R.C. como de sua esposa, Gabriela Ribeiro Cid”. Cid, que firmou acordo de delação com a Polícia Federal, relatou abordagens de advogados tentando interferir nas informações repassadas à Justiça.

Moraes também ordenou a oitiva do advogado Paulo Costa Bueno. Ambos são mencionados em declarações entregues pela defesa de Mauro Cid à PF. “As condutas narradas à autoridade policial indicam a prática, em tese, do delito de obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa”, escreveu o ministro.

As acusações surgem após a revelação de que advogados teriam buscado a filha, a esposa e a mãe de Cid, na tentativa de convencê-lo a mudar de postura ou aceitar nova defesa. Wajngarten deixou o cargo de assessor de Bolsonaro em maio deste ano, após virem à tona mensagens em que criticava a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, trocadas com o próprio Cid.

Veja a íntegra do despacho.

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