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  • Ministério da Saúde cria ação inédita para incentivar a doação de órgãos e reverter recusa de 45% das famílias

    Ministério da Saúde cria ação inédita para incentivar a doação de órgãos e reverter recusa de 45% das famílias

    O Brasil atingiu a marca de 14,9 mil transplantes no primeiro semestre de 2025, o maior da série histórica. Representa um crescimento de 21% em relação a 2022. Mas esse número pode ser ainda maior, pois 45% das famílias ainda recusam a doação. Durante o lançamento da campanha de incentivo à doação de órgãos nesta quinta-feira (25/09), o Ministério da Saúde apresentou programa inédito para qualificar o diálogo com as famílias e o acompanhamento das doações nos hospitais.

    O Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (PRODOT) busca reconhecer e valorizar as equipes que atuam dentro dos hospitais, responsáveis pela identificação de potenciais doadores, logística do processo e a conversa com os familiares. Um momento delicado, de dor, dúvidas e, muitas vezes, falta de informação, mas decisivo para salvar outras vidas. Pela primeira vez, esses profissionais terão incentivos financeiros conforme o volume do atendimento e indicadores de desempenho, incluindo o aumento das doações.

    A iniciativa integra um conjunto de medidas que somam investimento de R$ 20 milhões por ano para fortalecer o Sistema Nacional de Transplantes. A maior parte, R$ 13 milhões para a inclusão de novos procedimentos, como transplantes de membrana amniótica, para casos graves de queimadura, e o transplante multivisceral, para falência intestinal. Os outros R$ 7,4 milhões são para o Prodot, cujo objetivo é aumentar o percentual de doação das famílias no país.

    “A principal mensagem que queremos passar às famílias é a segurança e a seriedade do Sistema Nacional de Transplantes, reconhecido mundialmente. Quando um profissional de saúde aborda uma família, ele carrega esse reconhecimento e atua dentro de um sistema sólido e seguro. Ao mesmo tempo, reforçamos a importância de o doador manifestar à família o desejo de doar. Esse gesto, mesmo em um momento de dor, pode salvar a vida de três ou quatro pessoas e manter viva a memória do ente querido. Por isso, estamos investindo também na formação e orientação dos profissionais, para que saibam acolher e apoiar as famílias nesse processo tão delicado.”, ressaltou o ministro, Alexandre Padilha.

    Foto: Rafael Nascimento/MS
    Foto: Rafael Nascimento/MS

    Campanha “Você diz sim, o Brasil inteiro agradece”

    Atualmente, mais de 80 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, o que reforça a importância de valorizar quem atua diretamente na sensibilização das famílias. A campanha de incentivo a doação de órgãos deste ano do Ministério da Saúde, que começa a ser veiculada neste mês, reforça a importância de todos informarem a sua família sobre a decisão de doar órgãos.

    São as famílias que decidem pela doação ainda no hospital. Com o mote, “Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece. Converse com a sua família, seja um doador”, apresenta um caso real de uma mãe que disse sim à doação de órgãos do seu filho. E a história de profissionais da saúde que atuam desde o acolhimento das famílias até o transplante do órgão.

    Inclusão de novos transplantes no SUS

    O evento de lançamento da campanha de doação de órgãos de 2025 do Ministério da Saúde, realizado no Hospital do Rim em São Paulo, marcou a assinatura da portaria que cria a Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT). É a primeira vez que a política foi descrita em portaria específica, desde a criação do sistema em 1997.

    A política inédita organiza de forma clara os princípios e diretrizes do SNT, reforçando a ética, a transparência, o respeito ao anonimato e a gratuidade no acesso pelo SUS.

    “A nova Política e o Regulamento Técnico representam um avanço importante para o Sistema Nacional de Transplantes. A redistribuição macrorregional garante que os órgãos sejam direcionados de forma mais eficiente, respeitando as malhas aéreas e assegurando que cheguem mais rapidamente aos hospitais. Isso amplia a possibilidade de transplantes em regiões que hoje realizam menos procedimentos e fortalece a equidade no acesso. Essa iniciativa se soma a outras ações do Ministério da Saúde, o Agora Tem Especialistas, que leva investimentos a hospitais com estrutura adequada e apoio por meio da telessaúde, criando condições para que mais transplantes sejam realizados em todo o país.”, afirmou, Alexandre Padilha.

    Um dos avanços mais significativos é a regulamentação dos transplantes de intestino delgado e multivisceral, agora incluídos no SUS. A medida garante que pacientes com falência intestinal tenham 100% do tratamento ofertado na rede pública de saúde, desde a reabilitação intestinal até os procedimentos pré e pós-transplante.

    Inicialmente, cinco centros em São Paulo e no Rio de Janeiro estão autorizados a realizar o procedimento, com expectativa de ampliar o número de unidades habilitadas nos próximos anos. O novo Regulamento Técnico do SNT também prevê o reajuste da diária de reabilitação intestinal, que passou de R$ 120 para R$ 600, um aumento de 400%. 

    Outra inovação é a incorporação do uso rotineiro da membrana amniótica, tecido obtido da placenta após o parto, para pacientes queimados, em especial crianças. O procedimento favorece a cicatrização, reduz o risco de infecções e diminui a dor, beneficiando mais de 3,3 mil pessoas por ano.

    Modernização e novas tecnologias

    A política também estabelece a realização da prova cruzada virtual, exame feito remotamente para avaliar a compatibilidade imunológica entre doador e receptor. Esse recurso reduz riscos de rejeição, traz mais segurança e garante maior agilidade em situações de urgência, permitindo que o transplante aconteça o mais rápido possível.

    A criação de critérios específicos de priorização para pacientes hipersensibilizados, grupo que, após transfusões sanguíneas ou gestações, desenvolve anticorpos que dificultam a compatibilidade é mais um avanço. A medida reduz o tempo de espera e amplia as chances de sucesso nos transplantes renais, impactando diretamente a qualidade de vida dessas pessoas.

    No campo dos transplantes de medula óssea, o teste de quimerismo, exame de DNA utilizado para monitorar a rejeição e orientar condutas médicas, passa a ser ofertado de forma regular.

    Liderança mundial

    O Brasil ocupa a 3ª posição mundial em número absoluto de procedimentos, atrás apenas de Estados Unidos e China, mas lidera em transplantes realizados integralmente por um sistema público. 

    Assista à Coletiva de Imprensa

    Confira a Apresentação sobre transplantes

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde

  • Consulta pública: Caderno de Atenção Básica de Saúde dos Homens recebe contribuições até 16 de outubro

    Consulta pública: Caderno de Atenção Básica de Saúde dos Homens recebe contribuições até 16 de outubro

    O cuidado integral da população masculina ganhou destaque nesta semana. O Ministério da Saúde lançou uma consulta pública sobre o Caderno de Atenção Básica (CAB) nº 42 – Saúde dos Homens. O material em construção é inédito e será o primeiro CAB voltado a esse público no Sistema Único de Saúde (SUS). As contribuições poderão ser enviadas pelo Brasil Participativo até 16 de outubro.

    Clique para participar

    O caderno terá como base a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (Pnaish), instituída em 2009, para qualificar o cuidado de homens de 20 a 59 anos, contribuindo para a redução da morbidade e da mortalidade. A política tem cinco eixos estratégicos: acesso e acolhimento; saúde sexual e reprodutiva; paternidade e cuidado; doenças prevalentes; e prevenção de violências e acidentes. 

    “Reforçando a centralidade da participação social no SUS, queremos ouvir profissionais de saúde, gestores, pesquisadores e toda a sociedade, assegurando que o conteúdo reflita de forma legítima as demandas e especificidades da população masculina em seus diferentes contextos”, convida o coordenador de Atenção à Saúde do Homem, Celmário Brandão. 

    O CAB auxiliará profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) a promoverem práticas integrais, reconhecendo as masculinidades como determinantes sociais de saúde e o respeito às diversidades. “O documento não busca esgotar o tema, mas oferecer diretrizes flexíveis e adaptáveis às realidades locais, reafirmando a APS como porta de entrada privilegiada no SUS”, ressalta.

    Fórum nacional

    O Caderno de Atenção Básica de Saúde dos Homens também foi apresentado no Fórum Nacional de Coordenadores Estaduais de Saúde do Homem, em Brasília (DF), nesta quinta-feira (25). O evento reuniu dirigentes do Ministério da Saúde, instituições parceiras e os 27 coordenadores estaduais e distrital de saúde do homem para discutir temas relativos à masculinidade a partir dos eixos da Pnaish, além de desafios e potencialidades da atenção à saúde dos homens nos territórios.

    “A gente não pode resumir a saúde do homem apenas ao Novembro Azul, ao câncer de próstata e à violência. É necessário abordar esse tema de forma integral, com a complexidade que ele precisa”, ressaltou o secretário-adjunto de Atenção Primária à Saúde, Ilano Barreto, na abertura do fórum ontem (24).

    Os debates contaram com a apresentação de projetos estratégicos da Coordenação de Atenção à Saúde do Homem em parceria com as universidades federais de Pernambuco (UFPE), da Bahia (Ufba) e de Brasília (UnB), além do Instituto Promundo. Eles abordaram participação social, pesquisa-ação na atenção à saúde do homem, territórios de cuidado, formação sobre masculinidades, paternidades e pré-natal do parceiro e a Estratégia Nacional da Saúde do Homem e Masculinidades (Equalisah). Os participantes ainda elaboraram a Agenda Nacional de Saúde do Homem 2025/2026.

    Iniciativas premiadas

    No primeiro dia do evento, houve a premiação dos três primeiros colocados na I Mostra de Práticas Bem-Sucedidas da Gestão e da Assistência à Saúde dos Homens no SUS, promovida pelo Ministério da Saúde:

    • O poder da intersetorialidade na promoção à saúde integral do homem

    “As ações intersetoriais potencializam e promovem o cuidado integral, o conhecimento sobre a realidade e a demanda local, fortalecendo os saberes multiprofissionais”, relatou a coordenadora da Saúde do Adulto e Idoso de Campinas (SP), Camila Monteiro.

    • Ouvindo o silêncio dos homens na encruzilhada entre a justiça e a saúde

    “Nós estamos ouvindo o silêncio do homem, entendendo os padrões de violência transnacionais que ele vivenciou e como é que essa violência impacta no modo de esse homem se comportar, de ele ser e estar no mundo”, compartilhou o psicólogo da Policlínica Municipal de Alagoinhas (BA), Itamar Carneiro.

    • Influência das ações da Rede Bem Cuidar na promoção do pré-natal do parceiro na Atenção Primária à Saúde

    “A Rede Bem Cuidar é um projeto estratégico de financiamento do governo do estado para o fortalecimento e a qualificação da APS, que tem induzido as ações do pré-natal do parceiro na prática cotidiana das equipes do Rio Grande do Sul”, disse a assessora técnica da Coordenação Estadual da Saúde do Homem do Rio Grande do Sul, Talita Donatti.

    Os profissionais compartilharam com o público como foi o desenvolvimento dos trabalhos em cada território, abordando estratégias que deram certo e que podem auxiliar outros estados e municípios a implementar iniciativas semelhantes. Essas e outras 17 experiências exitosas selecionadas na Mostra serão detalhadas em um caderno temático em breve.

    O Fórum Nacional de Coordenadores Estaduais de Saúde do Homem contou com representantes do Conselho Nacional de Saúde (CNS), da Organização Panamericana de Saúde (Opas/OMS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa).

    Conheça as iniciativas do Ministério da Saúde para os homens

    Laísa Queiroz, Renata Osório e Luciana Soares
    Ministério da Saúde

  • Brasil denuncia restrições ao ministro da Saúde e reforça compromisso global contra doenças crônicas não transmissíveis na ONU

    Brasil denuncia restrições ao ministro da Saúde e reforça compromisso global contra doenças crônicas não transmissíveis na ONU

    Nova York, 25 de setembro de 2025 – O governo brasileiro manifestou nesta quinta-feira (25) profundo desacordo com as restrições de movimento impostas ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que o impediram de participar da Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). A fala do Brasil foi realizada pela vice-ministra da Saúde, Mariângela Simão, que lamentou a ausência do ministro e reafirmou que “o governo dos Estados Unidos pode violar as regras da ONU e restringir a circulação do ministro da Saúde brasileiro neste país, mas não pode restringir suas ideias”.

    Ao discursar no plenário da ONU, Mariângela ressaltou que as DCNTs, como diabetes, hipertensão e doenças pulmonares, são uma das principais causas de mortalidade prematura no mundo e que, por isso, “o Brasil apoia a Declaração sobre as DCNTs”.

    A vice-ministra destacou os avanços do país no enfrentamento a essas doenças. Entre as iniciativas, mencionou o programa “Agora tem Especialistas”, que mobiliza as redes pública e privada para reduzir filas de espera por atendimento; a ampliação do Farmácia Popular, que garante medicamentos gratuitos para doenças crônicas; e o fortalecimento do Mais Médicos, ampliando o acesso a consultas, exames e tratamentos.

    A vice-ministra também frisou o forte compromisso do Brasil com a imunização, que oferece 40 vacinas gratuitas nos centros de atenção primária, ao mesmo tempo em que aumentamos a produção nacional de vacinas. Também ressaltou a intensificação da vacinação contra o HPV, a ampliação do rastreamento para diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, a expansão do acesso à mamografia, além do fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações com produção nacional de vacinas e ações de combate à desinformação.

    O Brasil reafirmou ainda seu compromisso com a Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, destacou os avanços na integração da saúde mental à atenção primária e especializada e defendeu o fortalecimento da OMS e da OPAS, bem como a retomada da cooperação internacional em saúde.

    “O ministro Alexandre Padilha não pode estar aqui, mas sob a liderança do presidente Lula, tem defendido no Brasil e no mundo a cobertura universal de saúde (UHC), a ciência e o fortalecimento das instituições multilaterais”, afirmou Mariângela Simão.

    Acordo bilateral

    Antes de discursar na Assembleia da ONU, Mariângela Simão assinou em Nova York um memorando de entendimento com o Ministério da Saúde de Ruanda para ampliar a cooperação entre os dois países na área da saúde. 

    O acordo prevê parcerias em serviços especializados, como nefrologia, cardiologia, ortopedia, neurocirurgia, reabilitação, cirurgia laparoscópica e urologia, além do intercâmbio e capacitação de profissionais, realização de pesquisas conjuntas e organização de seminários e treinamentos. 

    O memorando reforça a aproximação entre Brasil e Ruanda e marca um passo importante na cooperação Sul-Sul para o fortalecimento dos sistemas de saúde.

    A vice-ministra também se reuniu com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García. O objetivo do encontro foi dialogar sobre o estado atual da arquitetura global da saúde, relação entre saúde e mudanças climáticas, a realização da COP 30 no Brasil e a produção nacional de medicamentos.

    Regina Xeyla
    Ministério da Saúde

  • Sistema Único de Saúde oferece cuidado em todas as fases da vida

    Sistema Único de Saúde oferece cuidado em todas as fases da vida

    Igualdade, garantia de acesso e cuidado de referência. É assim que o Sistema Único de Saúde (SUS) é definido há 35 anos por milhões de brasileiros assistidos anualmente na rede pública de saúde. Seja na realização de consultas, exames, cirurgias ou na retirada de medicamentos, a população conta com o atendimento próximo e gratuito em todas as regiões do Brasil, promovido por meio de diversos programas do Ministério da Saúde.

    Maria Alice de Medeiros Rodrigues, de 70 anos, é diretora escolar e realiza tratamento cardíaco e contra a hipertensão, com os medicamentos que retira gratuitamente no Programa Farmácia Popular. “Hoje não preciso me preocupar com dinheiro para a compra dos remédios. Tenho tudo por meio do SUS”, afirma. Ela conta que economiza cerca de R$ 150 ao mês e tem acesso ao serviço em qualquer estado do país.

    “O programa permite acesso às medicações sem distinção de poder aquisitivo, facilitando a prevenção de doenças e a continuidade dos tratamentos de forma correta e gratuita. Hoje moro em Brasília, mas já consegui retirar os meus medicamentos em Minas Gerais, por exemplo, não ficando desassistida mesmo longe de casa”, relembra Maria Alice.

    Mais de 12 milhões de pessoas são atendidas pelo Farmácia Popular por mês. Em 2025, o governo federal já destinou R$ 4,2 bilhões ao programa. Ao todo, são distribuídos 41 itens gratuitamente, incluindo medicamentos para hipertensão, diabetes, osteoporose, doença de Parkinson, fraldas geriátricas, além de absorventes dentro do Programa Dignidade Menstrual.

    Fitoterapia no SUS

    “Uso o SUS desde quando foi implantado em Montes Claros e ele faz parte de muitos momentos marcantes na minha vida e de toda a minha família, como o nascimento dos meus filhos. Na rede pública sempre encontrei o acolhimento e diversos tipos de tratamento, desde o convencional até o mais natural, como a fitoterapia”, conta Cláudia de Cássia Gomes Vieira, de 52 anos.

    Entre os diversos tratamentos realizados no SUS, a coordenadora de relações institucionais conheceu a fitoterapia em 2021, durante a pandemia de Covid-19, após apresentar um quadro de estresse traumático. “Eu trabalhava em um hospital e toda a tensão em volta da doença com dúvidas, medos, incertezas e a perda de colegas, vizinhos e amigos abalou muito a minha saúde mental. Foi quando conheci as opções de tratamentos naturais disponíveis na rede pública de saúde sem custo algum e iniciei o meu tratamento com ervas naturais”.

    Foto: arquivo pessoal
    Foto: arquivo pessoal

    Anualmente, o Ministério da Saúde repassa, por meio da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, recursos aos municípios para o financiamento de atividades relacionadas às plantas medicinais e aos fitoterápicos no âmbito do SUS. Em 2025, foram selecionados 1.462 municípios e o Distrito Federal para habilitação, o maior número da história. Neste ano, serão investidos R$ 30 milhões na política.

    “Minha saúde física e mental melhorou bastante, principalmente por utilizar um tratamento alternativo e de origem natural, que causa menos efeitos colaterais. O tratamento fitoterápico é gratuito pelo SUS e um direito do cidadão, realizado de forma segura, acessível e humanizada”, reforça Cláudia.

    SUS: excelência e segurança a todos

    Lucas Henrique Silva Bucar, de 30 anos, foi diagnosticado com diabetes quando tinha apenas nove anos. Desde então, o designer e social media é atendido no SUS por meio da Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, onde retira regularmente a insulina e outros medicamentos para o cuidado da doença e da hipertensão.

    “Na época do meu diagnóstico, todos me indicaram o tratamento no SUS devido à excelência no atendimento com os melhores especialistas. Hoje, faço uso da insulina glargina e da ultrarrápida, além de pegar todos os insumos para a aplicação do medicamento na unidade de saúde próxima de casa”, aponta.

    O paciente estima uma economia de até mil reais ao mês com a assistência recebida, além de ressaltar a confiança e gratidão que tem pelos profissionais de saúde. “O SUS é uma segurança e faz parte da minha vida, permitindo acesso a todo o tratamento que preciso. É um amparo, garantindo qualidade de vida e continuidade do tratamento sem preocupações.”

    Foto: arquivo pessoal
    Foto: arquivo pessoal

    Ao todo, são distribuídos mais de mil itens na Assistência Farmacêutica do SUS, sendo 987 medicamentos para o tratamento de diversas doenças e 28 insumos como canetas de insulina, agulhas, seringas, luvas e kit calamidade.

    Danielly Schulthais
    Ministério da Saúde

  • Governo Federal libera R$ 1,6 bilhão para ações de saúde nos municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Mariana

    Governo Federal libera R$ 1,6 bilhão para ações de saúde nos municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Mariana

    O Governo Federal começou a transferir recursos do Novo Acordo do Rio Doce para reforçar a assistência em saúde de 48 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. De um total de R$ 1,6 bilhão do Ministério da Saúde, mais de 51% serão repassados diretamente às prefeituras a partir desta sexta-feira (26/09), o equivalente a R$ 826 milhões até o fim de 2026 para a construção de 104 novos serviços do SUS. A iniciativa beneficiará a população atingida pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), que ainda sofre as consequências do desastre. 

    Além do apoio aos municípios, o Ministério da Saúde investirá R$ 745 milhões na construção de quatro unidades de referência no atendimento de pessoas expostas a substâncias tóxicas e no monitoramento da qualidade da água. O recurso também vai viabilizar a expansão da rede de serviços de saúde local, como hospitais, unidades odontológicas móveis e ambulâncias. A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas, voltadas a redução do tempo de espera por consultas, exames e cirurgias no SUS.  

    O Novo Acordo da Bacia do Rio Doce prevê o pagamento de R$ 12 bilhões por parte das empresas responsáveis pelo desastre como reparação à população atingida. O montante, viabilizado pelo Governo Federal, representa um avanço significativo em relação à proposta anterior de 2016 que previa R$ 750 milhões. O valor homologado pelo presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado é 160 vezes maior.  

    Os anúncios foram feitos pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a cerimônia de posse do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce, no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (26/09), em Brasília (DF).  

    Novo acordo garante 104 novas unidades do SUS nos municípios atingidos 

    São destinados R$ 825,7 milhões ao fortalecimento do SUS em 38 municípios de Minas Gerais e 10 do Espírito Santo, a partir de Planos de Ação em Saúde elaborados pelos próprios gestores locais. Do total, R$ 562,6 milhões serão repassados ainda neste ano e R$ 263 milhões em 2026. 

    Os Planos de Ação em Saúde dos municípios preveem despesas de custeio e investimentos (construção ou reformas) a serem executados até o fim de 2026, contemplando: 

    • 51 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em 37 municípios; 

    • 34 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em 34 municípios; 

    • 8 Policlínicas em 7 municípios; 

    Plano de Ação do Ministério da Saúde 

    Os R$ 745 milhões do Plano de Ação do Ministério da Saúde serão aplicados na construção de hospitais, unidades de saúde e odontológicas móveis, além da compra de veículos e ambulâncias. A Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) será responsável por adquirir os equipamentos e qualificar a estrutura das instalações que serão construídas.  

    Entre as iniciativas, destaca-se a implantação do Centro de Referência das Águas, em Governador Valadares (MG). Com investimento de R$ 20 milhões, o espaço contará com infraestrutura para análise da qualidade da água, produção de conhecimento técnico-científico e suporte às ações de vigilância em saúde ambiental. O objetivo é criar um sistema permanente de monitoramento e resposta a riscos relacionados ao consumo de água. 

    Os Centros de Referência em Exposição a Substâncias Químicas, que serão instalados em três locais ao longo da Bacia e terão investimento de R$ 30 milhões, serão voltados ao cuidado de pessoas expostas a contaminantes. As unidades fortalecerão a vigilância em saúde e apoiarão profissionais que atuam em territórios afetados pelo desastre. 

    Outra medida prevista é o investimento de R$ 20 milhões para a construção do HospitalDia de Santana do Paraíso, no Vale do Rio Doce (MG). O hospital oferecerá exames diagnósticos, tratamentos, pequenas cirurgias e procedimentos ambulatoriais, ampliando o acesso da população regional aos serviços de saúde. O Hospital é uma parceria com a Prefeitura Municipal de Santana do Paraíso e o Consórcio de Saúde da Região do Vale do Aço. 

    Investimentos em pesquisa 

    O programa contempla ainda investimentos em pesquisa. Em maio deste ano, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, firmou acordo de cooperação com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a instituição da Rede de Pesquisas em Saúde do Rio Doce, que contará com o repasse de R$ 80 milhões em recursos em 2025 e 2026. O estudo terá duração de 15 anos e focará em análises epidemiológicas, toxicológicas e de avaliação de risco à saúde humana em decorrência da exposição a substâncias químicas nos territórios atingidos. 

    Conselho Federal de Participação Social 

    O Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce empossado nesta sexta-feira (26), tem caráter deliberativo e será responsável por garantir transparência, fiscalização e monitoramento dos compromissos do Governo Federal no Acordo do Rio Doce. A representação também será responsável por gerir o Fundo Popular de R$ 5 bilhões destinado a projetos das comunidades atingidas em áreas como economia solidária, segurança alimentar, educação, tecnologias sociais e ambientais, esporte, cultura e defesa de territórios.  

    O conselho será paritário, formado por 18 representantes do governo e 18 da sociedade civil, incluindo indígenas, quilombolas, povos tradicionais e movimentos sociais, com participação também dos suplentes da sociedade civil. As reuniões ocorrerão nos territórios afetados, e a primeira será realizada logo após a posse. 

    Ministério da Saúde 

  • Cooperação entre MP e PC da Paraíba leva à prisão suspeito de assaltos a bancos

    Cooperação entre MP e PC da Paraíba leva à prisão suspeito de assaltos a bancos

    O Ministério Público da Paraíba, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPPB), e a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol), prenderam um homem suspeito de assaltos a bancos e carros-forte no estado.

    A operação conjunta aconteceu no bairro das Malvinas, em Campina Grande. Com o homem, conhecido como “Coroa Ronaldo”, foram apreendidos três fuzis e drogas.

    Essa união de esforços de MPPB e PC no combate ao crime organizado, já é resultado do acordo firmado pelo Ministério Público e a Secretaria de Segurança e Defesa Social da Paraíba, no primeiro dia da gestão do procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans, em 1º de setembro de 2025. A nova gestão colocou, entre suas prioridades, o combate ao crime organizado.

    A cooperação técnica, assinada pelo PGJ, Leonardo Quintans; o coordenador do Núcleo de Gestão do Conhecimento (NGC) e do Gaeco, o promotor de Justiça Octávio Celso Gondim Paulo Neto; o secretário de Segurança Pública, Jean Francisco Bezerra Nunes, e o delegado-geral da PCPB, André Luís Rabelo de Vasconcelos.  O documento prevê a atuação conjunta do MPPB e PCPB, o compartilhamento e o intercâmbio de informações relativas à macrocriminalidade e à atuação de organizações criminosas na Paraíba, visando à otimização das investigações e a produção de provas. Estabelece ainda a cessão de apoio logístico (incluindo o intercâmbio de recursos humanos, materiais e capacitação técnica, por exemplo) e a divulgação padronizada e organizada dos resultados dos trabalhos decorrentes das investigações.

  • MPPB decreta luto oficial pela morte de procurador de Justiça aposentado

    MPPB decreta luto oficial pela morte de procurador de Justiça aposentado

    O Ministério Público da Paraíba está de luto pela morte do procurador de Justiça aposentado Manoel Henrique Serejo Silva, nesta quinta-feira (25/09), aos 80 anos de idade. O procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans Coutinho, lamentou a perda e se solidarizou com a família do membro do MPPB, nesse momento de dor e luto. 

    Natural da capital paraibana, Manoel Serejo ingressou no Ministério Público em 12 de fevereiro de 1988, atuando, ao longo da carreira no MP em várias Promotorias de Justiça do estado, com destaque para os municípios de Serraria, Solânea, Itabaiana, Santa Rita, Pilar e Campina Grande. Em fevereiro de 2015, assumiu o cargo de procurador de Justiça e, em março do mesmo ano, depois de 27 anos servindo à instituição, se aposentou.

    O procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans, determinou luto oficial de três dias na instituição. A Portaria nº 1524/2025, que declara o ato simbólico – marcado pelo hasteamento das bandeiras a meio-mastro nos prédios da instituição em todo o estado, em sinal de pesar – será publicada nesta quinta-feira (25/09) no Diário Oficial Eletrônico do MPPB. O procurador-geral lamentou a partida de Manoel Serejo, reconhecendo os serviços prestados por ele à instituição e desejando conforto à família do procurador de Justiça.

    O velório ocorrerá na Funerária São João Batista, a partir das 19h, e o sepultamento será nesta sexta (26/09), às 16h, no Cemitério Senhor da Boa Sentença, em João Pessoa. 

  • MPPB recomenda que Câmara de Emas declare extinção de mandato de vereador

    MPPB recomenda que Câmara de Emas declare extinção de mandato de vereador

    O Ministério Público da Paraíba recomendou ao presidente da Câmara Municipal de Emas, no Sertão do Estado, que declare imediatamente a extinção do mandato do vereador Graciliano Kalino Angelim Rodrigues, sem a necessidade de instauração de procedimento político-administrativo, em razão de suspensão de direitos políticos por condenação criminal. A recomendação foi expedida pelo promotor de Justiça, Caio Terceiro Neto Parente Miranda.

    De acordo com o promotor Caio Terceiro Neto, a Justiça Eleitoral informou ao MPPB que o vereador Graciliano Rodrigues, eleito em 2024 para a Câmara Municipal de Emas, encontra-se com os direitos políticos suspensos em decorrência de condenação criminal definitiva proferida no Processo nº 0800426-54.2022.4.05.8205, com trânsito em julgado ocorrido em 22 de novembro de 2024. A decisão condenatória foi devidamente comunicada à Justiça Eleitoral pela 14ª Vara Federal de Patos.

    Conforme o promotor, a Constituição Federal determina expressamente que a condenação criminal transitada em julgado acarreta, durante a vigência de seus efeitos, a suspensão dos direitos políticos do cidadão, circunstância que impossibilita juridicamente o desempenho das funções de parlamentar.

    Além disso, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que, nestes casos de condenação criminal, a Câmara de Vereadores não tem competência para iniciar e decidir sobre a perda de mandato. Basta uma comunicação ao Legislativo Municipal e o presidente, de imediato, declarará a extinção do mandato.

    Também é destacado que a regra de suspensão dos direitos políticos prevista na Constituição é autoaplicável, tratando-se de consequência imediata da sentença penal condenatória transitada em julgado, conforme decidido pelo STF.

    Mais medidas recomendadas

    O MPPB recomendou ainda que a Câmara de Emas proceda à convocação imediata do respectivo suplente para assumir a vaga, nos termos da legislação eleitoral aplicável; suspenda imediatamente o pagamento de subsídios, verbas indenizatórias e demais vantagens ao vereador com direitos políticos suspensos; e adote todas as demais providências administrativas necessárias à regularização da situação jurídica identificada.

  • Trabalho integrado: Centros de Apoio se unem para auxiliar MPPB na defesa da sociedade

    Trabalho integrado: Centros de Apoio se unem para auxiliar MPPB na defesa da sociedade

    Os coordenadores dos Centros de Apoio Operacional (CAOs) do Ministério Público da Paraíba se reuniram na tarde desta quarta-feira (24), na sede da instituição, para alinhar expectativas, metas e estratégias de trabalho para esta gestão, que começou no último dia 1º de setembro e compreende o biênio 2025-2027. 

    A reunião foi aberta pelo procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans Coutinho, que enfatizou a confiança depositada em cada escolhido para compor a equipe e explicou o que espera do grupo, à frente dos nove CAOs existentes atualmente. “Escolhemos cada um pela competência, pelo compromisso com o Ministério Público e com temas que afetam diretamente a vida da sociedade. Queremos uma atuação finalística do Ministério Público cada vez mais forte e, para isso, temos que oferecer todo o suporte necessário aos membros. Vamos adotar uma linha comum de trabalho e o que eu quero pedir a vocês é que sejam unidos e apoiem, da melhor forma, cada colega que recorrer ao Centro de Apoio”, disse o PGJ. Uma das estratégias para nortear o planejamento será percorrer o estado, escutando os promotores, para descobrir do que eles precisam de suporte, nessa busca por uma atuação ainda mais eficiente.

    O 1º subprocurador-geral, Luis Nicomedes de Figueiredo Neto; o secretário-geral, João Benjamim Delgado Neto e o coordenador da Assessoria Técnica, Carlos David Lopes, também deram as boas-vindas aos colegas, nas suas novas atribuições e reafirmaram a promessa de parceria no trabalho diário. 

    Depois, os coordenadores dos CAOs usaram a palavra. Eles ressaltaram o desafio que têm pela frente, a sede de aprender e transformar a sociedade, a vontade de trabalhar e vencer as dificuldades para ajudar o MPPB a ser cada vez mais atuante e bem sucedido na defesa da sociedade.

    O encontro, que teve a participação, ainda, do diretor Administrativo, Marcus Vinícius Ferreira Cesário; e do diretor de Planejamento e Gestão, Jonatha Vieira de Sousa,  tratou, ainda, de outras questões práticas, como a estrutura física para acomodar todos os Centros de Apoio em um mesmo lugar, e a intenção de desburocratizar e trazer mais simplicidade, objetividade e transparência à área de planejamento, para auxiliar os membros.

    A tarde foi encerrada com um novo compromisso marcado: no próximo dia 7 de outubro, todos se reúnem, mais uma vez, agora para apresentar e discutir, em grupo, seus planos de ação nas respectivas áreas.

    Os Centros de Apoio Operacional

    Os CAOs foram criados pela Lei Complementar 97/2010 (Lomp) e funcionam como órgãos auxiliares da atividade funcional e de políticas institucionais. Atuam, principalmente, na elaboração de notas e orientações técnicas e na produção de modelos de peças jurídicas (TACs, recomendações, ACPs) sobre um determinado assunto. Os coordenadores dos centros também atendem a demandas individuais de membros respondendo a consultas feitas sobre matérias específicas da sua área. 

    Também estão entre as atribuições dos coordenadores dos centros de Apoio Operacional: representar o Ministério Público nos órgãos afins perante os quais tenha assento; manter contato permanente com os poderes legislativos, inclusive acompanhando o trabalho das comissões técnicas encarregadas do exame de projetos de lei afetos às suas áreas; e manter contato permanente e intercâmbio com entidades públicas ou privadas que, direta ou indiretamente, se dediquem ao estudo ou à proteção dos bens, valores ou interesses que lhes incumbe defender. 

    O Ministério Público da Paraíba mantém, atualmente, nove centros de Apoio Operacional (CAOs) aos promotores de Justiça. Os órgãos, ligados à procuradoria-geral de Justiça, orientam os membros e as membras que atuam nas áreas do meio ambiente, consumidor, criminal, criança e adolescente, educação, cidadania, patrimônio público,  saúde e mulher (esta última, no recém-criado CAO de Defesa das Mulheres).

    CAOs e seus coordenadores:

    Consumidor – procurador Sócrates Agra

    Patrimônio Público – promotor Arthur Magnus Dantas de Araújo

    Criminal – promotor Uirassu de Melo Medeiros

    Educação – promotor Raniere da Silva Dantas

    Criança e Adolescente – promotora Fernanda Pettersen de Lucena

    Meio Ambiente – promotora Cláudia Cabral Cavalcante

    Cível e Família e Cidadania e Direitos Fundamentais – promotora Anne Emanuelle Malheiros

    Saúde – promotor Leonardo Pereira de Assis

    Defesa das Mulheres – promotora Dulcerita Alves

  • “Lei do Gabarito”: Pedido do MPPB é deferido e edifício não deve ser ocupado, nem locado

    “Lei do Gabarito”: Pedido do MPPB é deferido e edifício não deve ser ocupado, nem locado

    O Juízo da 4ª Vara da Fazenda Pública de João Pessoa deferiu o pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e determinou que a Construtora Cobran Ltda se abstenha de proceder qualquer ocupação do imóvel “Edifício Way”, inclusive locações. A decisão, proferida nessa quarta-feira (24/09), diz ainda que, caso alguma unidade ou outro espaço do empreendimento se encontre ocupado, deverá ser feita a desocupação no prazo de 10 dias, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. 

    A determinação judicial atende ao pedido formulado pela 43ª promotora de Justiça da Capital, Claudia Cabral Cavalcante, que atua na defesa do meio ambiente. Segundo ela, foi constatado que o empreendimento ‘Way’, localizado na orla de João Pessoa, embora esteja embargado e não disponha de licença de operação, nem de licença de habitação (‘habite-se’), tem sido utilizado de forma ampla e irrestrita, inclusive para locações de temporada. “Tal conduta configura flagrante descumprimento das determinações administrativas e judiciais, evidenciando manifesta afronta à ordem legal. Essa situação encontra respaldo em fontes públicas, como os anúncios veiculados em plataformas de hospedagem, a exemplo de Booking e Airbnb, cujos links de acesso foram devidamente mencionados nos autos”, argumentou.

    Cláudia Cabral destacou ainda que o Edifício Way é alvo do Inquérito Civil Público 001.2023.098352 e que foi constatado o não atendimento às exigências urbanísticas e ambientais, pois a construção infringe a “Lei do Gabarito”, ao ultrapassar a altura máxima permitida para edificações localizadas na faixa de orla marítima. Foi constatado também que o empreendimento havia obtido licença de operação junto à Prefeitura de João Pessoa, apesar de não ter o certificado do “habite-se”. 

    Para corrigir a infração administrativa, a promotora requisitou à Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) o cancelamento da licença de operação, o que foi feito. Além disso, a Diretoria de Fiscalização da Secretaria de Planejamento de João Pessoa (Seplan) determinou o embargo da obra. “A concessão da licença de operação, à revelia do Certificado de ‘Habite-se’, não apenas caracteriza uma infração administrativa, mas também expõe o meio ambiente e a segurança pública a riscos significativos, ao comprometer o cumprimento de normas destinadas à proteção ambiental e à segurança estrutural das edificações”, justificou Cláudia Cabral, que enfatizou que o inquérito civil público sobre a construção ainda está em tramitação. 

    Entenda o caso

    A promotora de Justiça esclareceu também que a Construtora Cobran Ltda ingressou com uma ação ordinária na Justiça, pedindo a liberação do “Habite-se” do edifício e que, em sede liminar, o Juízo de 1º grau concedeu o habite-se, sem ouvir o Ministério Público. 

    Ao tomar ciência, a promotora de Justiça se habilitou nos autos como terceiro interessado e fiscal da lei e recorreu da decisão. “Nesse momento, impetrei Agravo de Instrumento, pedindo que o Tribunal de Justiça cassasse a liminar. A desembargadora relatora não atendeu ao pedido do MP e por isso, impetrei um pedido de suspensão da decisão do juiz e da desembargadora para o presidente do TJPB, por se tratar de matéria de ordem pública. O presidente suspendeu a liminar que autorizava o ‘habite-se’. Nesse ínterim, o edifício passou a ser ocupado. Em dezembro, tomei conhecimento dessa situação e entrei com uma petição nos autos da ação proposta pela construtora, comuniquei que o prédio estava sendo usado, mesmo sem ‘habite-se’ e pedi providências para determinar a desocupação do imóvel e aplicar multa diária, em caso de descumprimento, o que foi deferido ontem”, detalhou. 

    Cabral informou ainda que a Construtora recorreu da decisão que suspendeu a liminar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O recurso foi negado e o STJ manteve a decisão do TJPB favorável ao pedido do Ministério Público (saiba mais).