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  • Brasil rebate EUA, defende Pix e nega práticas comerciais desleais

    Brasil rebate EUA, defende Pix e nega práticas comerciais desleais

    O governo brasileiro enviou uma resposta oficial ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da investigação aberta pela gestão Donald Trump sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O documento de mais de 90 páginas, coordenado pelo Itamaraty em conjunto com outros ministérios e consultas ao setor privado, refuta as acusações americanas de práticas comerciais desleais e sustenta que o Brasil atua em conformidade com as normas multilaterais.

    A manifestação ressalta que as políticas brasileiras são transparentes, não discriminatórias e compatíveis com os compromissos assumidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, aponta que os EUA mantêm um superávit crescente na balança comercial bilateral, o que contradiz a premissa de prejuízo alegada por Washington. “Não há base factual nem jurídica para medidas retaliatórias”, argumenta o texto.

    De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não há base jurídica para retaliações comerciais contra o Brasil.

    De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não há base jurídica para retaliações comerciais contra o Brasil.Pedro Ladeira/Folhapress

    O pano de fundo da crise

    A investigação foi aberta em julho, após o governo Trump impor um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, afetando setores estratégicos de exportação. A medida foi vista em Brasília como uma retaliação política às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra Jair Bolsonaro, aliado do presidente norte-americano, e à regulação de plataformas digitais estrangeiras.

    Ao responder, o Brasil deixou claro que participa do processo “em espírito de diálogo”, mas que não reconhece a legitimidade da Seção 301, instrumento considerado unilateral e incompatível com o sistema multilateral de comércio.

    Defesa do Pix como símbolo de inovação

    Um dos pontos mais destacados da resposta foi a defesa do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020. O USTR levantou suspeitas de que o modelo poderia restringir a atuação de empresas americanas no mercado digital.

    O Itamaraty, porém, apresentou dados robustos: em 2024, o Pix movimentou R$ 26,4 trilhões, com mais de 165 milhões de usuários e 19,2 milhões de empresas cadastradas. O sistema, segundo o governo, não só ampliou a inclusão financeira como também estimulou a concorrência, beneficiando inclusive empresas americanas.

    O Google Pay, por exemplo, já processa 1,5 milhão de transações via Pix por mês, e companhias como Uber e WhatsApp utilizam a ferramenta amplamente.

    Além disso, Brasília lembrou que o Pix é parte de uma tendência global: a União Europeia, a Índia e os próprios Estados Unidos têm iniciativas semelhantes, como o FedNow, lançado pelo Federal Reserve em 2023.

    STF e liberdade de expressão

    Outro alvo da acusação americana é a atuação do STF na regulação das redes sociais. O governo Trump alega que decisões judiciais brasileiras prejudicam empresas norte-americanas de tecnologia.

    Na resposta, o Brasil afirmou que tais medidas não são discriminatórias, mas refletem o esforço de equilibrar liberdade de expressão, combate à desinformação e responsabilidades legais. O documento ressalta que exigências formais de funcionamento para companhias estrangeiras existem em qualquer democracia, inclusive nos Estados Unidos.

    Etanol, meio ambiente e propriedade intelectual

    A resposta também abordou temas sensíveis como etanol, meio ambiente e propriedade intelectual:

    • Etanol: o Brasil destacou que mantém tarifas bem abaixo do teto permitido pela OMC (35%) e inferiores às praticadas pelos próprios EUA, que hoje aplicam 52,5% sobre o produto brasileiro.
    • Meio ambiente: o governo reiterou que combate o desmatamento ilegal e que tais políticas não constituem barreira comercial, mas esforço para conciliar produção e sustentabilidade.
    • Propriedade intelectual: o Itamaraty afirmou que o país dispõe de um arcabouço legal “robusto e de alto padrão”, elogiado inclusive pelo próprio USTR em ocasiões anteriores.

    Apoio do setor privado brasileiro

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Embraer também enviaram manifestações paralelas. A CNI defendeu a resolução via diálogo e cooperação técnica. Já a Embraer destacou sua relevância nos EUA: um terço dos voos no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, utiliza aeronaves da empresa. A fabricante afirmou que sanções contra seus produtos seriam “contrárias aos interesses norte-americanos”.

    Próximos passos

    A investigação segue em curso no USTR, com audiência pública marcada para 3 de setembro, quando representantes de governos, empresas e entidades apresentarão argumentos adicionais. A decisão final, porém, caberá ao governo Trump e pode resultar em novas sobretaxas.

    Para analistas, o embate pode abrir um novo ciclo de tensões no comércio bilateral, lembrando disputas anteriores entre Brasil e EUA no campo agrícola. Diferentemente de contenciosos passados, contudo, o atual conflito carrega forte componente ideológico, já que a Casa Branca vinculou o tarifaço a decisões internas do STF.

    Leia ainda:

    Tarifaço é rejeitado e só 44% o ligam a Bolsonaro, diz pesquisa

  • Comissão aprova pena maior para quem violar guarda legal de menores

    Comissão aprova pena maior para quem violar guarda legal de menores

    A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados deu seu aval ao projeto de lei 75/2025, que classifica como hediondo o ato de remover uma criança ou adolescente de quem possui a guarda legal, colocando-o em outra família ou local. Além disso, a proposta eleva a pena prevista para tal crime.

    Atualmente, a pena varia de reclusão de dois a seis anos, acrescida de multa. Com a nova proposta, essa pena será aumentada para reclusão de seis a dez anos, também com a imposição de multa. O texto modifica a Lei dos Crimes Hediondos e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

    Comissão aprova pena maior para quem violar guarda de menores.

    Comissão aprova pena maior para quem violar guarda de menores.Freepik

    O relator da proposta, deputado Allan Garcês (PP-MA), recomendou sua aprovação, sendo esta de autoria do ex-deputado Marco Brasil. “A pena [atual] é irrisória para um crime tão odioso, que priva a criança ou adolescente de ser criado pela sua família, por quem tem a guarda legal, atentando dessa forma contra a família, a criança e o adolescente e ferindo o princípio pilar da dignidade humana”, afirmou Garcês.

    O próximo passo para o projeto é a análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e pelo Plenário. Para que a proposta se torne lei, é necessário que seja aprovada tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

    Leia a íntegra da proposta.

  • Comissão retoma discussão sobre novo Plano Nacional de Educação

    Comissão retoma discussão sobre novo Plano Nacional de Educação

    A Comissão de Educação (CE) do Senado Federal realizará, nesta terça-feira (19), uma audiência pública com o objetivo de aprofundar o debate em torno do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que terá vigência entre 2024 e 2034. O projeto de lei 2.614/2024, atualmente em análise na Câmara dos Deputados, tem sido objeto de discussões na Comissão desde o ano anterior.

    A audiência integra um ciclo de debates proposto pela presidente da comissão, senadora Teresa Leitão (PT-PE), e terá início logo após a conclusão da fase deliberativa da reunião de terça-feira, agendada para as 10h.

    Comissão de Educação debate novo Plano Nacional de Educação nesta terça- feira (19).

    Comissão de Educação debate novo Plano Nacional de Educação nesta terça- feira (19).Waldemir Barreto/Agência Senado

    O Plano Nacional de Educação é definido como um documento que estabelece “diretrizes, metas e estratégias para a política educacional dentro de um período de dez anos”. Com base nesse plano, as esferas governamentais estruturam seus planos específicos, tomam decisões sobre aquisições e alocam investimentos, considerando o contexto e a realidade local.

    O novo PNE aborda temas como o aumento salarial para os professores, a expansão do número de vagas em creches, a melhoria da infraestrutura das escolas e a criação de canais de participação popular.

    Leia a íntegra da proposta.

  • Falta um dia para o “Oscar da política”; veja como acompanhar ao vivo

    Falta um dia para o “Oscar da política”; veja como acompanhar ao vivo

    Falta apenas um dia para a noite em que a política brasileira ocupará o centro do palco. Nesta quarta-feira (20), o Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, recebe a 18ª edição do Prêmio Congresso em Foco, já conhecido como o “Oscar da política brasileira“. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo Congresso em Foco e também pelas nossas páginas oficiais no YouTube e no Instagram. Anote na agenda: nesta quarta-feira (20), a partir das 18h30.

    Será a chance de acompanhar, em primeira mão, a revelação dos premiados e a atmosfera de uma noite que já entrou para o calendário da política nacional. Esta é a 18ª edição do prêmio. Mais do que uma cerimônia de entrega de troféus, o evento é uma celebração da cidadania e da boa política. A edição de 2025 promete ser histórica. Pela primeira vez, todos os parlamentares estão convidados a participar, não apenas os premiados. A ideia é valorizar a política em sua essência: feita de encontros, debates, diferenças e, sobretudo, compromisso com o país.

    Cerimônia será transmitida ao vivo pelo Congresso em Foco, tanto pelo site quanto pelas redes sociais.

    Cerimônia será transmitida ao vivo pelo Congresso em Foco, tanto pelo site quanto pelas redes sociais.Arte Congresso em Foco

    A inspiração vem de grandes premiações internacionais, como o Oscar, em que não apenas os vencedores são homenageados, mas todo o conjunto da obra que torna possível a representação democrática.

    Além de deputados e senadores, a plateia reunirá ministros, representantes do Judiciário, governadores, líderes de movimentos sociais, acadêmicos, empresários e cidadãos. O prêmio quer mostrar a política como espaço de convergência, pluralidade e construção coletiva.

    Como são escolhidos os vencedores

    A escolha dos melhores do ano reflete olhares distintos sobre o Parlamento:

    • Voto popular: aberto pela internet, mobilizou eleitores de todo o país entre 23 de junho e 30 de julho.
    • Jornalistas que cobrem o Congresso: profissionais que acompanham diariamente o trabalho parlamentar.
    • Júri especializado: composto por cinco representantes da sociedade, que analisam critérios técnicos como presença, qualidade das propostas e capacidade de articulação.

    As categorias vão desde Melhores da Câmara e Melhores do Senado, até áreas específicas que dialogam com os principais desafios do Brasil, como Direitos Humanos, Desenvolvimento Sustentável, Saúde, Cultura e Diplomacia Cidadã.

    Mais que um prêmio, um gesto político

    Criado em 2006, o Prêmio Congresso em Foco nasceu para valorizar parlamentares que exercem o mandato com ética, competência e dedicação ao interesse público. Em um contexto de desconfiança nas instituições, ele se tornou também um gesto político: mostrar que o Parlamento pode e deve ser espaço de diálogo, transparência e transformação social.

    A grande homenageada da noite de 2025 não será apenas a lista de vencedores, mas a própria política, aquela praticada com respeito às diferenças, escuta da sociedade e compromisso com a cidadania e a democracia.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Comissão aprova suspensão de normas sobre câmeras corporais policiais

    Comissão aprova suspensão de normas sobre câmeras corporais policiais

    A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de decreto legislativo (PDL) que busca a suspensão de duas normas editadas pelo Ministério da Justiça, as quais versam sobre a utilização de câmeras corporais por agentes policiais em suas interações com cidadãos.

    As portarias de números 572/24 e 648/24 estabelecem diretrizes concernentes aos padrões mínimos de qualidade exigidos para as câmeras, à infraestrutura necessária para o armazenamento das imagens captadas, ao treinamento do pessoal responsável pela operação dos equipamentos e às circunstâncias específicas em que o uso das câmeras é considerado apropriado.

    O deputado Sargento Portugal (Podemos-RJ), relator da proposta, manifestou o entendimento de que o Poder Executivo extrapolou os limites de sua competência ao regulamentar uma matéria que, em sua visão, deveria ser objeto de legislação específica. Segundo Portugal, a lei 13.675/18, utilizada como fundamento para a edição das portarias, não aborda diretamente a questão do uso de câmeras corporais.

    Comissão aprova suspensão de normas sobre câmeras corporais policiais.

    Comissão aprova suspensão de normas sobre câmeras corporais policiais. Rubens Cavallari/Folhapress

    A referida lei instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). “No âmbito da segurança pública contemporânea, o uso de tecnologias e equipamentos modernos é tema fundamental e de grande relevância para o aprimoramento de políticas públicas da área”, afirmou Portugal. “Contudo, as medidas a serem tomadas precisam seguir a legalidade e os preceitos constitucionais, sob pena de, em nome de um bem maior, serem usurpados os pilares do nosso Estado de Direito”, concluiu.

    O deputado apresentou um substitutivo fundindo o projeto principal, o projeto de decreto legislativo 294/24, de autoria do deputado Alberto Fraga (PL-DF) , a outras cinco propostas que tramitam em conjunto.

    O projeto será analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e pelo Plenário. Para vigorar, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

  • AGU aciona Meta contra robôs que promovem erotização infantil

    AGU aciona Meta contra robôs que promovem erotização infantil

    A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou extrajudicialmente a empresa Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, para que retire de suas plataformas robôs de inteligência artificial que simulam perfis com linguagem e aparência infantil e que permitem a manutenção de diálogos de cunho sexual com usuários.

    Esses chatbots foram criados por usuários a partir da ferramenta “Meta IA Studio”, disponibilizada pela empresa em suas redes, e utilizam inteligência artificial para simular conversas. Os robôs citados na representação são de autoria de usuários das plataformas.

    A medida da AGU foi conduzida pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), a partir de demanda da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). A representação se baseou em reportagens da Agência Reuters e do Núcleo Jornalismo, que revelaram como a inteligência artificial da Meta permitia conversas de teor sexual com crianças.

    Chatbots de inteligência artificial criados no Meta AI Studio podiam manter diálogos de cunho sexual com os usuários.

    Chatbots de inteligência artificial criados no Meta AI Studio podiam manter diálogos de cunho sexual com os usuários.Freepik

    No documento, a AGU solicita que a Meta retire todos os chatbots que utilizam linguagem infantil para propagar conteúdo sexual e que apresente esclarecimentos sobre as medidas adotadas, inclusive no Facebook, Instagram e WhatsApp, para garantir a proteção de crianças e adolescentes, com ações para que não tenham acesso a conteúdos sexuais ou eróticos.

    “Tais chatbots têm potencialidade de alcançar um público cada vez mais amplo nas plataformas digitais, especialmente nas redes sociais da Meta, ampliando de forma exponencial o risco do contato de menores de idade com material sexualmente sugestivo e potencialmente criminoso. Essa situação oferece risco concreto à integridade psíquica de crianças e adolescentes, além de gerar danos institucionais e dificultar o efetivo exercício do direito à proteção integral [às crianças e adolescentes] previsto no art. 227 da Constituição Federal”, afirma a AGU em trecho do documento.

    A representação também aponta que, embora as plataformas digitais da Meta sejam permitidas a partir dos 13 anos, não há filtro etário eficaz para verificar se usuários entre 13 e 18 anos acessam conteúdos inadequados, como os gerados por esses chatbots.

    O documento ainda destaca que esse tipo de conteúdo viola os próprios Padrões da Comunidade da Meta, que proíbem a erotização infantil, a exploração sexual infantil e conversas de caráter sexual em mensagens privadas com crianças.

    A AGU ressalta, por fim, que na recente decisão sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os provedores de aplicações de internet podem ser responsabilizados por conteúdos de terceiros quando, tendo ciência inequívoca de ilícitos, não promoverem a remoção imediata do material, além de manterem o dever de cuidado em situações de circulação massiva de conteúdos graves e ilegais.

    Leia a íntegra da notificação.

  • Decisão de Dino pode proteger Moraes contra sanções dos EUA; entenda

    Na manhã desta segunda-feira (18), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou como presumidamente inválidas quaisquer normas judiciais ou leis estrangeiras que não tenham sido homologadas pela corte. Apesar de tratar de ações internacionais movidas por municípios, a decisão alcança casos mais amplos, inclusive dificultando o cumprimento das sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes.

    Dino sustentou que atos estrangeiros “que contrariem a ordem pública e a soberania brasileira presumem-se ineficazes” e destacou que esse tipo de interferência só poderá ser admitido mediante aval expresso do Supremo. Segundo ele, ordens vindas do exterior que envolvam bloqueio de contas, cancelamento de contratos ou sanções financeiras precisarão de autorização judicial específica para serem aplicadas em território nacional.

    Com decisão de Dino, sanções contra Alexandre de Moraes terão de ser homologadas pelo STF para ter efeito no Brasil.

    Com decisão de Dino, sanções contra Alexandre de Moraes terão de ser homologadas pelo STF para ter efeito no Brasil.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    A Lei Magnitsky, usada pelos EUA para punir Moraes por alegadas violações de direitos humanos, determina a suspensão de contas, revogação de vistos e interrupção de relações comerciais com empresas ou bancos ligados aos Estados Unidos. A decisão de Dino, ao declarar que leis e ordens externas não produzem efeitos sobre “pessoas naturais por atos em território brasileiro”, impõe um entrave direto à aplicação automática dessas sanções no país.

    O ministro afirmou que há um “altíssimo risco de demandas patrocinadas por entes subnacionais em tribunais estrangeiros servirem de veículo ou pretexto para sanções e medidas contra o patrimônio nacional”. A decisão impede que bancos ou empresas com sede no Brasil cumpram ordens estrangeiras por iniciativa própria, sob pena de desrespeitar a Constituição.

    Com isso, instituições financeiras ficam proibidas de aplicar restrições com base apenas em normas estrangeiras. “Transações, operações, cancelamentos de contratos, bloqueios de ativos, transferências para o exterior (…) por determinação de Estado estrangeiro, em desacordo aos postulados dessa decisão, dependem de expressa autorização desta Corte”, escreveu Dino.

    Isso pode anular ou adiar muitos dos problemas que podem ser enfrentados por Moraes em decorrência das sanções. Operadoras internacionais de cartão de crédito, por exemplo, enfrentarão dificuldades se tentarem utilizar a norma americana para justificar um cancelamento de serviços ao ministro. O mesmo pode acontecer com empresas de software por assinatura, ou mesmo plataformas de redes sociais.

  • Câmara instala comissão sobre transporte e entrega por aplicativo

    Câmara instala comissão sobre transporte e entrega por aplicativo

    A Comissão Especial sobre Transporte e Entrega por Plataforma Digital da Câmara dos Deputados será instalada nesta terça-feira (19), às 16 horas, no plenário 4. Na reunião, serão eleitos o presidente e os vice-presidentes do colegiado.

    O grupo de trabalho se dedicará à análise do Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/25, que propõe a criação de um novo marco legal para os serviços de transporte individual de passageiros e de entrega, ambos mediados por plataformas digitais, a exemplo de Uber, 99 e InDrive.

    A proposição legislativa, de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), visa estabelecer diretrizes para o funcionamento dessas atividades em território nacional, definindo direitos e obrigações para as empresas, os usuários e os trabalhadores envolvidos.

    Entregadores de aplicativo trabalham na região do Centro do RJ.

    Entregadores de aplicativo trabalham na região do Centro do RJ.Fernando Frazão/Agência Brasil

    De acordo com Gastão, o propósito fundamental é “acabar com o vazio jurídico dos trabalhadores de aplicativos, que são essenciais para as plataformas, mas ainda não têm seus direitos garantidos por lei”.

    O parlamentar ressalta ainda a importância de assegurar direitos e deveres aos usuários, “buscando garantir que os serviços sejam prestados de forma segura, respeitosa, ética e responsável”.

    A comissão especial foi instituída em 16 de julho pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O colegiado será composto por 19 membros titulares, com igual número de suplentes, acrescidos de um titular e um suplente para atender ao sistema de rodízio entre as bancadas não contempladas.

  • “Narrativas” de Eduardo “envenenaram” relação Brasil-EUA, diz Moraes

    “Narrativas” de Eduardo “envenenaram” relação Brasil-EUA, diz Moraes

    Em entrevista ao jornal americano The Washington Post publicada nesta segunda-feira (18), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atribuiu ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a culpa pelo agravamento das relações entre Brasil e Estados Unidos. Ele também declarou que não vai recuar no julgamento da ação penal que tramita contra o pai do parlamentar, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março, onde busca impor sanções contra autoridades brasileiras envolvidas no julgamento do ex-presidente. Nesse meio tempo, o governo americano revogou os vistos de ministros da Suprema Corte, impôs o pacote tarifário de 50% sobre produtos brasileiros e aplicou a Moraes as penalidades previstas na Lei Magnitsky, que vedam relações comerciais com empresas ou cidadãos americanos.

    Entrevista de Moraes foi vista por Eduardo Bolsonaro como

    Entrevista de Moraes foi vista por Eduardo Bolsonaro como “desafio a Trump”.
    Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A justificativa do governo americano para as punições consiste em uma alegação de “caça às bruxas” de Moraes a Bolsonaro. Moraes avalia que Eduardo teria repassado “falsas narrativas” à Casa Branca, e que estas “acabaram envenenando a relação” entre os países. “Falsas narrativas apoiadas por desinformação e espalhadas por essas pessoas na mídia social”, apontou.

    De acordo com Moraes, a solução para normalizar o relacionamento Brasil-EUA seria “esclarecer” o que está acontecendo. A seu ver, é isso “o que o Brasil está fazendo”.

    “Nem um milímetro”

    Alexandre de Moraes também foi questionado sobre se as sanções americanas podem levá-lo a recuar na condução das investigações e no julgamento de Bolsonaro, no que ele respondeu que “não há a menor possibilidade de recuar nem um milímetro”.

    “Nós vamos fazer o que é certo: vamos receber a acusação, analisar as evidências e quem tiver que ser condenado, será condenado, e quem tiver de ser absolvido, será absolvido. (…) Enquanto houver necessidade, as investigações devem continuar”, disse.

    “Dobrar a aposta”

    Em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro comentou sobre as falas de Moraes na entrevista. “Moraes desafiou Trump em jornal americano. Em nossos planos, há dois preceitos: Lula vai continuar falando bobagem, e Moraes vai sempre dobrar a aposta, porque ele é um psicopata”, disse em inglês.

  • Tarifaço é rejeitado e só 44% o ligam a Bolsonaro, diz pesquisa

    Tarifaço é rejeitado e só 44% o ligam a Bolsonaro, diz pesquisa

    Pesquisa feita pelo Congresso em Foco com leitores via WhatsApp revela duas conclusões centrais sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos: a maioria rejeita a medida e também não acredita que ela tenha sido adotada para “defender” Jair Bolsonaro. Segundo o levantamento, 51,9% dos entrevistados são contrários às tarifas anunciadas por Donald Trump para proteger a indústria americana, enquanto 51,6% descartam qualquer relação direta com o ex-presidente.

    Por outro lado, 38,8% dos leitores consultados se disseram favoráveis à sobretaxação de produtos brasileiros importados. Embora predomine a visão de que a decisão de Trump atendeu antes a interesses econômicos dos EUA, 44,5% associam o tarifaço a uma defesa de Bolsonaro.

    Pesquisa foi feita pelo Whatsapp com leitores do Congresso em Foco.

    Pesquisa foi feita pelo Whatsapp com leitores do Congresso em Foco.Arte Congresso em Foco

    Nas últimas semanas, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está morando nos Estados Unidos, intensificou o discurso de que teria convencido o governo norte-americano a sancionar o Brasil em reação à ofensiva judicial contra seu pai. Trump chegou a chamar Bolsonaro de “homem bom” e a criticar decisões da Justiça brasileira, mas, em contrapartida, classificou o Brasil como “péssimo parceiro comercial”.

    A pesquisa foi feita com 2.681 leitores do Congresso em Foco que aceitaram responder a um breve questionário pelo Whatsapp. Em relação a esse tópico, foram feitas duas perguntas:

    • “Você concorda com a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas como forma de proteger a indústria americana?”
    • “Você acha que as tarifas foram aplicadas para defender Jair Bolsonaro?”

    Polarização ideológica

    Entre os leitores, o tarifaço reflete claramente a polarização política:

    • Esquerda: rejeição quase unânime às tarifas e descrédito na tese de que Trump agiu em favor de Bolsonaro.
    • Direita: divisão equilibrada entre apoio e rejeição, com maior adesão à ideia de que o ex-presidente teria sido beneficiado.
    • Centro: maioria contrária ao tarifaço, mas em intensidade menor que a registrada na esquerda.

    Recortes

    O levantamento não encontrou diferenças significativas entre homens e mulheres quanto à rejeição às tarifas, mas apontou nuances: eles tendem a acreditar mais que Trump agiu para proteger Bolsonaro, enquanto elas se mostram mais céticas.

    Regionalmente, São Paulo e Minas Gerais, que concentram a maior parte dos entrevistados, seguem a média nacional, com maioria contra o tarifaço e sem ver relação direta com Bolsonaro. No Sul, porém, o quadro é mais fragmentado: em Santa Catarina, cresce a adesão à narrativa pró-Bolsonaro; no Paraná, predomina cautela tanto em apoiar as tarifas quanto em vinculá-las ao ex-presidente.

    Comparativo com o Datafolha

    O levantamento do Congresso em Foco dialoga com a pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana. Segundo o instituto, 39% dos entrevistados culpam a família Bolsonaro pelo tarifaço (22% Jair, 17% Eduardo), enquanto 35% responsabilizam Lula e 15% apontam o ministro Alexandre de Moraes. A margem de erro configurou um empate técnico entre os polos da polarização.

    A principal diferença está no enfoque: enquanto o Datafolha buscou identificar culpados no cenário interno, a pesquisa do Congresso em Foco mostra que, entre leitores mais engajados em política, predomina a interpretação de que o tarifaço foi fruto do protecionismo norte-americano, não de um gesto calculado em favor de Bolsonaro.

    Impactos políticos e econômicos

    O tarifaço, que pode reduzir em até US$ 54 bilhões as exportações brasileiras, já provoca turbulência no Brasil. Eduardo Bolsonaro, acusado de fazer lobby a favor das sanções, chegou a afirmar que a postura de Trump “tem valido a pena”. O discurso, somado a atos pró-Bolsonaro com bandeiras americanas e cartazes de agradecimento ao republicano, reforça o tom ideológico do debate.

    Enquanto isso, o governo Lula anunciou R$ 30 bilhões em medidas emergenciais para amenizar os impactos da taxação em setores estratégicos. A ofensiva de Trump inclui ainda sanções a autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes e médicos do programa Mais Médicos, justificadas por Washington como resposta a decisões judiciais contra Bolsonaro e a supostos entraves ao comércio americano.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), despachou na última sexta-feira (15) quatro representações que pedem a cassação do mandato de Eduardo. Entre as acusações, abandono do cargo e conspiração contra o Brasil.