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  • Diretor da PF rebate acusações de uso político da instituição

    Diretor da PF rebate acusações de uso político da instituição

    Em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, rebateu, nesta quarta-feira (9), as alegações de parlamentares sobre o suposto uso da instituição para silenciar opositores e proteger membros do governo.

    O convite para a audiência partiu do presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), com o objetivo de discutir duas investigações em curso: fraudes de sindicatos contra aposentados no INSS e um incidente envolvendo uma senhora que se manifestou contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Diretor-geral da PF presta esclarecimentos sobre assuntos diversos.

    Diretor-geral da PF presta esclarecimentos sobre assuntos diversos. Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Bilynskyj questionou: “É a isso que se presta a Polícia Federal hoje? Investigar, instaurar inquérito contra uma senhora que chamou Lula de ladrão?”. O deputado também afirmou que “impedir essa manifestação de raiva, de ódio do povo brasileiro, é algo característico de polícia de governo e não de polícia de Estado”.

    Outros deputados, como General Girão (PL-RN), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Coronel Meira (PL-PE), também levantaram questionamentos sobre o incidente. Em resposta, Rodrigues reiterou o compromisso da PF com o país, independentemente do governo em exercício, e enfatizou que, no caso da senhora investigada, a atuação dos policiais evitou uma possível tragédia.

    O diretor da PF declarou: “Não estamos tratando de liberdade de expressão, mas da segurança de uma autoridade e de uma quase tragédia, que não aconteceu pela responsabilidade desse policial que lá estava. O que nós, policiais federais, fazemos é cumprir a lei. Nós só, única e exclusivamente, cumprimos a lei. Não é um deleite nosso, não é um direito nosso, é uma obrigação”.

    Rodrigues informou que, entre 2019 e 2022, foram instaurados mais de 30 inquéritos policiais em situações semelhantes. “Isso é um dever funcional do policial federal fazer e nós vamos fazer sempre”, acrescentou.

    Os parlamentares também questionaram Rodrigues sobre uma entrevista de abril, na qual ele teria afirmado que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente o irmão de Lula, Frei Chico, não estava entre os investigados nas fraudes do INSS.

    Bilynskyj questionou: “O senhor deu uma entrevista no dia 25 de abril, dizendo: ‘O irmão do Lula não está sendo investigado’. E essa entrevista violou o sigilo da investigação, que era sigilosa até o dia 28 de abril”. O deputado também perguntou: “Ao afirmar que o sindicato do irmão do Lula não estava sendo investigado, o senhor mentiu propositadamente para eximir Lula e seu irmão de responsabilidade nessa fraude?”

    Rodrigues negou ter afirmado que o sindicato não era investigado, esclarecendo que não houve mandados de busca e apreensão na fase ostensiva da operação. “O que a jornalista me perguntou é se houve mandados de busca e apreensão em relação a essa entidade. E eu respondi objetivamente: houve investigações e essa entidade não foi objeto de busca e apreensão”, explicou.

    O deputado Marcel van Hattem questionou as medidas da PF contra delegados que produzem relatórios “baseados em informações falsas”. Van Hattem foi indiciado pela PF em novembro de 2024, após acusar o delegado federal Fábio Alvarez Schor de produzir “relatórios fraudulentos” sobre o ex-assessor de Jair Bolsonaro, Filipe Martins.

    “Eu quero saber o que a Polícia Federal, sob o seu comando, está fazendo em relação a Fábio Schor, em relação a Luís Eduardo Teles Pereira e tantos outros que estão fazendo relatórios com informações que estão se confirmando cada vez mais falsas?”, indagou o deputado.

    Em resposta, Rodrigues citou uma decisão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados sobre os limites da liberdade de expressão parlamentar, especialmente em casos de ataques pessoais e ofensas morais. Ele sugeriu que o deputado formalize denúncias nos órgãos competentes, como o Ministério Público, a corregedoria ou a ouvidoria, caso identifique irregularidades na atuação da PF.

  • Câmara aprova proibição de testes em animais para cosméticos e higiene

    Câmara aprova proibição de testes em animais para cosméticos e higiene

    A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (9) um projeto de lei que veda a utilização de animais vertebrados vivos em testes de ingredientes ou produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, inclusive para verificar sua segurança ou eficácia. O texto segue agora para a sanção presidencial.

    De autoria do ex-deputado Ricardo Izar (SP), o projeto já havia sido aprovado pela Câmara em 2014. Segundo o relator da proposta, deputado Ruy Carneiro (Podemos-PB), manter a experimentação animal seria um retrocesso ético e científico, em desacordo com os avanços da bioética e do bem-estar animal.

    “Métodos substitutivos ao uso de animais – como modelos computacionais, bioimpressão 3D de tecidos, organoides e culturas celulares – vêm se consolidando como ferramentas confiáveis, éticas e muitas vezes mais eficazes”, declarou o relator. Ele acrescentou que a proposta atende tanto aos defensores dos animais quanto à indústria que busca um selo de ética. “No Brasil, isso é uma página virada. Usar animais em testes da indústria nunca mais”, afirmou.

    A proposta altera a Lei 11.794/08, definindo de forma abrangente os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, classificados como de uso externo ou em mucosas, com finalidade de limpeza, alteração de aparência, perfumação ou proteção da pele, cabelos, unhas, lábios e outras partes do corpo.

    Plenário da Câmara dos Deputados.

    Plenário da Câmara dos Deputados.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Após a publicação das mudanças, dados de testes em animais não poderão ser usados para autorizar a comercialização desses produtos ou seus ingredientes, exceto para cumprir regulamentação não cosmética nacional ou estrangeira. Nesses casos, as empresas deverão fornecer evidências documentais do propósito não cosmético do teste, quando solicitado pelas autoridades.

    O fabricante autorizado a utilizar novos dados de testes com animais não poderá incluir no rótulo frases como “não testado em animais”, “livre de crueldade” ou outras expressões similares.

    O projeto permite a venda de produtos e ingredientes testados em animais antes da entrada em vigor da lei. As autoridades brasileiras deverão priorizar métodos alternativos de testagem reconhecidos internacionalmente.

    O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) poderá afastar as proibições em casos excepcionais de graves preocupações com a segurança de um ingrediente cosmético, desde que ele seja amplamente utilizado, insubstituível, relacionado a um problema de saúde humana específico e não haja método alternativo de testagem.

    Em dois anos, as autoridades sanitárias deverão implementar as novas regras, assegurando o reconhecimento de métodos alternativos, estabelecendo medidas de fiscalização e publicando relatórios bienais. As expressões “não testado em animais” deverão ser regulamentadas.

    Cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes deverão cumprir as regras sobre testagem em animais para obter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

  • Pesquisa aponta que apostas afetam acesso ao ensino superior de jovens

    Pesquisa aponta que apostas afetam acesso ao ensino superior de jovens

    De acordo com a pesquisa O Impacto das Bets 2, divulgada em abril de 2025, os gastos com apostas esportivas online estão interferindo no início da graduação em faculdades particulares. Segundo o levantamento, 33,8% dos entrevistados relataram dificuldades para iniciar o ensino superior por causa dos gastos com as chamadas bets.

    Realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes) em parceria com o instituto Educa Insights, a pesquisa busca entender como as apostas online estão impactando o acesso de brasileiros à educação superior.

    O estudo revela ainda que 34,4% dos apostadores precisarão interromper os gastos com apostas para conseguir ingressar em um curso de graduação no início de 2026.

    Nesta semana, o plenário do Senado retirou de pauta projeto de lei que libera o funcionamento de bingos, cassinos e jogo do bicho no Brasil. A matéria não foi avaliada em razão de divergências dos parlamentares e baixo quórum na Casa. 

    Bets.

    Bets.Joédson Alves/Agência brasil

    Perfil dos apostadores

    A segunda edição da pesquisa contou com 11.762 entrevistas realizadas entre 20 e 24 de março de 2025, das quais 2.317 participantes responderam integralmente ao questionário. Os entrevistados, com idades entre 18 e 35 anos, representam todas as regiões do país e diferentes classes sociais.

    O perfil predominante do apostador manteve-se semelhante ao da primeira edição do levantamento, realizada em setembro de 2024:

    • 85% são homens;
    • 85% exercem alguma atividade profissional;
    • 72% têm filhos;
    • 38% pertencem à classe B, e 37%, à classe C;
    • 79% têm como principal fonte de renda o salário;
    • 40% têm entre 26 e 30 anos; e 30%, entre 31 e 35 anos.

    Entre os entrevistados que já estão cursando o ensino superior, 14% informaram que atrasaram o pagamento da mensalidade ou trancaram o curso em razão dos gastos com apostas. No caso dos que estudam em instituições particulares, 35% afirmaram que precisarão parar de apostar para dar continuidade aos estudos.

    O estudo mostra que as apostas fazem parte da rotina de cerca de metade dos entrevistados, com frequência média entre uma e três vezes por semana. Dentre esses, 41% vivem na região Sudeste e 40% no Nordeste.

  • Bancada do agro pede resposta “firme e estratégica” com taxas de Trump

    Bancada do agro pede resposta “firme e estratégica” com taxas de Trump

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reúne deputados e senadores ligados ao agronegócio, divulgou uma nota pedindo “cautela, diplomacia afiada e presença ativa do Brasil” com relação à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada nesta quarta-feira (10) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    Setor do agro deve sofrer grande impacto com tarifa anunciada por Trump. Na foto, plantação de soja em Alto Paraíso (GO)

    Setor do agro deve sofrer grande impacto com tarifa anunciada por Trump. Na foto, plantação de soja em Alto Paraíso (GO)Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O presidente norte-americano fez o anúncio via redes sociais, em uma mensagem que destacava o processo que corre na Justiça contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra redes sociais, descritas por Trump como “censura”. Se o imposto de fato entrar em vigor na data marcada, em 1º de agosto, o setor do agronegócio deve ser um dos mais prejudicados.

    A nota da FPA declara “preocupação” com anúncio, e diz que ele representa um “alerta ao equilíbrio das relações comerciais e políticas entre os dois países”. Segundo o texto, a taxação vai reverberar na taxa de câmbio e prejudicar as exportações.

    “A FPA reitera a importância de fortalecer as tratativas bilaterais, sem isolar o Brasil perante as negociações”, diz o texto divulgado pela bancada.

    Leia a nota na íntegra

    “A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifesta preocupação com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, comunicada por meio de carta oficial enviada ao governo brasileiro, representa um alerta ao equilíbrio das relações comerciais e políticas entre os dois países.

    A nova alíquota produz reflexos diretos e atingem o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no consequente aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras.

    Diante desse cenário, a FPA defende uma resposta firme e estratégica: é momento de cautela, diplomacia afiada e presença ativa do Brasil na mesa de negociações.

    A FPA reitera a importância de fortalecer as tratativas bilaterais, sem isolar o Brasil perante as negociações. A diplomacia é o caminho mais estratégico para a retomada das tratativas.

    Frente Parlamentar da Agropecuária”

  • CNI diz que tarifa de Trump é injustificada e defende negociação

    CNI diz que tarifa de Trump é injustificada e defende negociação

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota questionando a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar para 50% as tarifas sobre produtos brasileiros. A entidade classificou a medida como injustificada e prejudicial à relação comercial “robusta e complementar” entre os dois países.

    Segundo o presidente da confederação, Ricardo Alban, a indústria brasileira é fortemente integrada à cadeia produtiva americana e será gravemente afetada. Para ele, a prioridade deve ser intensificar o diálogo entre os governos para reverter a medida.

    Edifício-sede da CNI, em Brasília.

    Edifício-sede da CNI, em Brasília.Pedro Ladeira/Folhapress

    Impactos e números

    A entidade destacou que cerca de 10 mil empresas brasileiras exportam para os EUA e que, para cada R$ 1 bilhão vendido, são gerados 24 mil empregos no país. Também contestou a alegação americana de desequilíbrio comercial, afirmando que os EUA têm superávit acumulado de US$ 256,9 bilhões com o Brasil na última década.

    Leia a íntegra da nota

    Para CNI, não há fato econômico que justifique tarifas de 50% e é preciso preservar relação comercial com os EUA

    Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende intensificar negociação diante de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil

    A imposição de 50% de tarifas sobre o produto brasileiro por parte dos Estados Unidos foi recebida com preocupação e surpresa pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a instituição, a prioridade deve ser intensificar a negociação com governo de Donald Trump para preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países.

    “Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano. Uma quebra nessa relação traria muitos prejuízos à nossa economia. Por isso, para o setor produtivo, o mais importante agora é intensificar as negociações e o diálogo para reverter essa decisão”, avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.

    Brasil e Estados Unidos sustentam uma relação econômica robusta, estratégica e mutuamente benéfica alicerçada em 200 anos de parceria. Os EUA são o 3 principal parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. O aumento da tarifa para 50% terá impacto significativo na competitividade de cerca de 10 mil empresas que exportam para os Estados Unidos.

    Resultados preliminares de consulta realizada pela CNI indicaram que um terço das empresas respondentes que exportam bens e/ou serviços aos EUA tiveram impactos negativos nos seus negócios. O levantamento foi realizado entre os meses de junho e início de julho, ainda no contexto da tarifa básica de 10% e demais medidas comerciais setoriais.

    A CNI reforça a importância de intensificar uma comunicação construtiva e contínua entre os dois governos. “Sempre defendemos o diálogo como o caminho mais eficaz para resolver divergências e buscar soluções que favoreçam ambos os países. É por meio da cooperação que construiremos uma relação comercial mais equilibrada, complementar e benéfica entre o Brasil e os Estados Unidos” destaca Ricardo Alban.

    EUA têm superávit de US$ 256,9 bi com Brasil

    Ao contrário da afirmação do governo dos Estados Unidos, o país norte-americano mantém superávit com o Brasil há mais de 15 anos. Somente na última década, o superávit norte-americano foi de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens. Incluindo o comércio de serviços, o superávit americano atinge US$ 256,9 bilhões. Entre as principais economias do mundo, o Brasil é um dos poucos países com superávit a favor dos EUA.

    A CNI aponta que a entrada de produtos norte-americanos no Brasil estava sujeita a uma tarifa real de importação de 2,7% em 2023, o que diverge da declaração da Casa Branca. A tarifa efetiva aplicada pelo Brasil aos Estados Unidos foi quatro vezes menor do que a tarifa nominal de 11,2% assumida no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

    Nova medida impacta relação de forte complementariedade econômica

    A tarifa afeta a economia americana. O relacionamento bilateral é marcado por complementariedade, isto é, o comércio bilateral é composto por fluxos intensos de insumos produtivos. Na última década, esses bens representaram, em média, 61,4% das exportações e 56,5% das importações brasileiras.

    A forte integração econômica entre os dois países é evidenciada pelas 3.662 empresas americanas com investimentos no Brasil e pelas 2.962 empresas brasileiras com presença nos Estados Unidos. Os Estados Unidos foram o principal destino dos anúncios de investimentos greenfield brasileiro no mundo entre 2013 e 2023, concentrando 142 projetos de implantação produtiva.

    As exportações brasileiras para os EUA têm grande relevância para a economia nacional. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado americano foram gerados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil. Portanto, o aumento da tarifa de importação americana para 50% impacta diretamente a economia brasileira e abala a cooperação com os EUA.”

  • Deputado apresenta moção de repúdio contra tarifa de Trump

    Deputado apresenta moção de repúdio contra tarifa de Trump

    O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) apresentou moção de repúdio à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. Segundo o parlamentar, a medida “politicamente contaminada” fere a soberania nacional e representa um ataque disfarçado ao Brasil.

    No requerimento, o deputado cita os prejuízos diretos à indústria, ao agronegócio e a setores estratégicos como siderurgia, aviação, mineração e automóveis, com impacto em milhões de empregos.

    O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) é o autor do requerimento.

    O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) é o autor do requerimento.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Defesa da soberania

    Mattos defende que o governo brasileiro leve o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) e avalie contramedidas proporcionais. Ele afirma que o Parlamento “não se calará” diante de tentativas de intimidação e exorta o Executivo a responder com firmeza e diplomacia. A moção será enviada ao Itamaraty, à embaixada dos EUA e à imprensa.

  • Brasil tem a tarifa mais alta de 22 países notificados por Trump. Leia a lista

    Brasil tem a tarifa mais alta de 22 países notificados por Trump. Leia a lista

    O Brasil foi o país mais atingido pela nova rodada de sobretaxas anunciada por Donald Trump. A tarifa de 50%, válida a partir de 1º de agosto, supera a imposta a outras 21 nações notificadas pelos EUA. A medida integra uma estratégia protecionista do republicano para pressionar países que, segundo ele, prejudicam os interesses comerciais e políticos dos Estados Unidos.

    Veja a lista de países e as tarifas anunciadas:

    Na carta enviada a Lula, Trump criticou o julgamento de Jair Bolsonaro, acusou o STF de “censura secreta” e ameaçou ampliar tarifas caso o Brasil reaja. Disse ainda que o país pode escapar da alíquota se empresas brasileiras passarem a produzir dentro dos EUA.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o processo contra Jair Bolsonaro na carta em que anunciou a taxação de 50% contra o Brasil.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o processo contra Jair Bolsonaro na carta em que anunciou a taxação de 50% contra o Brasil.Gage Skidmore (via Flickr/licença CC BY-SA 2.0)

    A resposta brasileira veio em tom firme: Lula afirmou que o país “não aceitará ser tutelado” e que a reação seguirá a Lei da Reciprocidade. Entidades como a CNI e a FPA alertaram para impactos sobre empregos e setores estratégicos.

  • Lira apresenta relatório do projeto de isenção do IR nesta quinta

    Lira apresenta relatório do projeto de isenção do IR nesta quinta

    O deputado Arthur Lira (PP-AL) deve apresentar nesta quinta-feira (10) o seu relatório para o projeto do governo Lula que isenta o pagamento do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários. A sessão está marcada para 15h30.

    Ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) hoje é o encarregado de um dos projetos mais importantes da segunda metade do mandato de Lula.

    Ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) hoje é o encarregado de um dos projetos mais importantes da segunda metade do mandato de Lula.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Depois da apresentação, é possível que os deputados peçam vista coletiva do projeto (mais tempo para análise), adiando a votação. A proposta é um dos projetos-chave do governo Lula no Congresso.

    Entenda o projeto

    O PL 1.087/25 propõe o aumento do limite de isenção do Imposto de Renda para aqueles que auferem renda de até R$ 5 mil mensais, com vigência a partir de 2026. A proposta governamental visa compensar essa isenção, estimada em R$ 25,8 bilhões anuais, por meio do aumento da taxação sobre os contribuintes com renda superior a R$ 600 mil por ano.

    Como relator, cabe a Lira conduzir a tramitação do projeto, propondo modificações ao texto, e apresentar um parecer a ser votado na comissão. O deputado chegou a dizer que considera reduzir a alíquota do imposto que será cobrado das pessoas que ganham mais: enquanto o projeto do governo estabelece um mínimo em 10%, Lira considera que 8% ou 9% podem ser suficientes para compensar a isenção dos que ganham menos.

  • Taxação de Trump impacta setor do petróleo e agro brasileiro

    Taxação de Trump impacta setor do petróleo e agro brasileiro

    O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxação em 50% aos produtos brasileiros deve gerar impactos imediatos a setores da economia como o agronegócio e o setor petrolífero. O chefe do Executivo americano afirmou em carta aberta endereçada ao presidente Lula que a tarifa começará a ser imposta em 1º de agosto. 

    Embora os Estados Unidos representem 12% das exportações brasileiras, o que equivale a uma fatia aparentemente modesta de 2,2% do Produto Interno Bruto, o impacto setorial, regional e social da medida pode ser profundo.

    Em 2024, o Brasil exportou US$ 40,3 bilhões para os EUA, seu segundo maior parceiro comercial. Desse total, quase um quarto está concentrado em apenas dois setores: petróleo e derivados (US$ 7,6 bilhões) e ferro e aço (US$ 5,9 bilhões), segundo dados compilados a partir da balança comercial.

    Para o setor de ferro e aço, que já enfrenta tarifas adicionais de 25% desde o governo Trump anterior, o aumento para 50% representa, na prática, o fechamento do mercado norte-americano. A medida atinge em cheio estados como Minas Gerais e Espírito Santo, que têm forte vocação exportadora nessa cadeia produtiva e podem sofrer impactos diretos no emprego e na arrecadação local.

    Outro setor sensível é o de aeronaves e equipamentos de transporte, com destaque para produtos da Embraer e seus fornecedores. Representando quase 7% da pauta exportadora brasileira para os EUA, esse segmento enfrenta agora o risco de perda de mercado para concorrentes como Boeing e Bombardier, beneficiados pela proteção tarifária. Além do prejuízo direto à balança comercial, a mudança compromete investimentos em inovação e tecnologia, áreas nas quais o Brasil vinha ganhando competitividade.

    A tarifação também atinge o agronegócio, setor no qual o Brasil é tradicionalmente competitivo. Produtos como café, carnes, frutas e celulose, que variam entre 3% e 5% da pauta exportadora para os EUA, podem perder espaço para países concorrentes com acesso mais facilitado ao mercado norte-americano, como Colômbia, Vietnã, Argentina e Chile. Para produtores médios e pequenos, a medida representa queda de demanda e maior incerteza nos contratos de exportação.

    Apesar de o gráfico do PIB mostrar que as exportações respondem por apenas 18,1% da composição econômica brasileira, e o peso específico das exportações para os EUA ser relativamente pequeno, os efeitos da tarifa não são homogêneos. A medida afeta empresas de alta densidade tecnológica, cadeias regionais integradas e postos de trabalho especializados, com consequências que ultrapassam a métrica do PIB.

    Taxação de Trump impacta setor do petróleo e o agro brasileiro.

    Taxação de Trump impacta setor do petróleo e o agro brasileiro.Freepik

    A resposta do governo brasileiro já indicou que poderá haver retaliação com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

    A medida de Trump, mais do que um instrumento de política comercial, é vista por muitos como um gesto político com efeitos colaterais econômicos, cujo alcance real ainda será mensurado nos próximos meses.

    O certo, por ora, é que os efeitos mais duros não se darão nos gráficos de crescimento, mas nos balanços empresariais, nos orçamentos estaduais e no mercado de trabalho.

  • Eduardo Bolsonaro pede para apoiadores agradecerem Trump por tarifa

    Eduardo Bolsonaro pede para apoiadores agradecerem Trump por tarifa

    O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou as redes sociais para convocar seus seguidores a agradecerem publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a divulgação de uma carta em que o líder norte-americano impôs tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

    Na publicação, feita em inglês e português, Eduardo escreveu: “Povo Brasileiro, vamos fazer o mundo ouvir a nossa voz. Coloque o seu agradecimento ao Presidente Donald Trump abaixo e vamos rumo à Lei Magnitsky!”.

    A mensagem foi acompanhada pelas frases: “THANK YOU PRESIDENT TRUMP MAKE BRAZIL FREE AGAIN WE WANT MAGNITSKY!”.

    A Lei Magnitsky, citada no post, é uma legislação dos Estados Unidos que permite ao governo norte-americano impor sanções a indivíduos estrangeiros acusados de violar Direitos Humanos. A menção à norma é interpretada como um pedido para que o governo dos EUA adote medidas contra autoridades brasileiras, especialmente o ministro do STF Alexandre de Moraes.

    A manifestação de Eduardo ocorre horas após a divulgação da carta de Trump, em que o republicano classifica o julgamento de Bolsonaro como “vergonha internacional” e acusa o Brasil de promover censura contra plataformas digitais.

    A medida foi acompanhada do anúncio de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

    A movimentação de Eduardo, que está licenciado nos EUA e já afirmou que busca sanções ao Brasil, começou a gerar ruídos dentro da própria base bolsonarista. Parte da bancada agro, historicamente alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, demonstrou preocupação com os efeitos da tarifa imposta por Trump.

    Integrantes do setor avaliam que a tarifa atingirá diretamente a agricultura e a indústria de base exportadora, especialmente no que se refere a produtos como café, carne, frutas, celulose e derivados de ferro e aço.

    O movimento também expõe uma contradição com o slogan que norteou a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

    A defesa da soberania nacional, da pátria e dos interesses econômicos do país era uma das principais bandeiras do bolsonarismo. Agora, diante da tentativa explícita de um dos filhos do ex-presidente de buscar apoio internacional contra instituições brasileiras, até aliados históricos passaram a demonstrar incômodo.