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  • Adriana Accorsi propõe margarida como símbolo contra abuso infantil

    Adriana Accorsi propõe margarida como símbolo contra abuso infantil

    A deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO) apresentou um projeto de lei que propõe reconhecer a flor margarida como símbolo oficial do combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. A proposta modifica a Lei nº 14.432, de 2022, que criou a campanha Maio Laranja, dedicada anualmente a ações de prevenção e enfrentamento da violência sexual infantojuvenil.

    Adriana Accorsi quer oficializar margarida como símbolo da luta em defesa da infância

    Adriana Accorsi quer oficializar margarida como símbolo da luta em defesa da infânciaZeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    Para a deputada, o tema deveria ocupar uma posição de destaque na agenda do Congresso Nacional. “Os dignos representantes do povo brasileiro precisam se debruçar sobre maneiras de impedir que atos dessa natureza continuem ocorrendo no País”, afirmou.

    Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023 mostram que cerca de 46 mil crianças foram vítimas de estupro em 2022. Além disso, levantamento da SaferNet identificou, entre os dois semestres de 2024, 2,65 milhões de usuários em grupos e canais do Telegram com imagens de abuso e exploração sexual infantil.

    Segundo a deputada, a adoção de um símbolo reconhecido nacionalmente pode contribuir para aumentar a conscientização social e mobilizar esforços de proteção à infância. “Queremos que o País inteiro, ao olhar para essa flor, possa se lembrar de nossa responsabilidade coletiva na proteção da inocência e da dignidade de nossos filhos, netos, sobrinhos, alunos, enfim, de nossas crianças e adolescentes”, disse.

    A margarida já é utilizada como símbolo da Campanha de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infantojuvenil, marcada pelo Dia Nacional de Enfrentamento em 18 de maio.

  • Turma do STF julga integrantes do núcleo 4 da trama golpista

    Turma do STF julga integrantes do núcleo 4 da trama golpista

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (6) o recebimento da denúncia contra sete investigados apontados como integrantes do núcleo 4 da trama golpista que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), atuaram para desestabilizar o processo eleitoral e as instituições democráticas em 2022.

    Primeira Turma do STF começa o julgamento do núcleo 4 às 9h30.

    Primeira Turma do STF começa o julgamento do núcleo 4 às 9h30.Antonio Augusto/STF

    O grupo é acusado de disseminar desinformação sobre a segurança das urnas eletrônicas, promover ataques virtuais a autoridades contrárias à ruptura institucional e utilizar indevidamente sistemas de inteligência estatal para perseguir opositores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    O núcleo 4 tem os seguintes acusados:

    • Ailton Gonçalves Moraes Barros Capitão expulso do Exército, é acusado de incitar militares à rebelião e promover ataques virtuais contra oficiais contrários à tentativa de golpe. Enviou mensagens ao então comandante do Exército cobrando ação “patriótica”.
    • Ângelo Martins Denicoli Major da reserva do Exército, teria articulado a aproximação entre bolsonaristas e o influenciador argentino Fernando Cerimedo, que espalhou teorias falsas sobre as urnas. Um dos documentos fraudulentos estaria vinculado a um arquivo criado por ele.
    • Giancarlo Gomes Rodrigues Subtenente do Exército cedido à Abin, é acusado de realizar monitoramentos ilegais no sistema FirstMile, contribuindo com a espionagem de adversários políticos do governo.
    • Guilherme Marques de Almeida Tenente-coronel do Exército, teria participado da campanha de desinformação sobre as urnas e incentivado mobilizações golpistas em frente a quartéis.
    • Reginaldo Vieira de Abreu Coronel do Exército, também ligado à disseminação de fake news eleitorais com o objetivo de gerar instabilidade e justificar uma intervenção militar.
    • Marcelo Araújo Bormevet Policial federal, apontado como um dos líderes da chamada “Abin paralela”, que operava o sistema de inteligência do governo para fins políticos. É acusado de coordenar ações de espionagem e campanhas de difamação.
    • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha Presidente do Instituto Voto Legal, é acusado de produzir um relatório com supostas fraudes eleitorais usado como base para desacreditar as urnas eletrônicas.

    Como vai funcionar

    O julgamento é conduzido pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Turma, e o relator é o ministro Alexandre de Moraes. A subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques apresenta a acusação. Se a maioria dos ministros entender que há indícios suficientes, os sete acusados se tornarão réus e passarão a responder a processo criminal pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, entre outros.

    Além de Zanin e Moraes, compõem a Primeira Turma os ministros Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

    O STF já aceitou denúncias contra os núcleos 1 e 2 da mesma investigação, que incluem o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados mais próximos. Ainda estão pendentes os julgamentos dos núcleos 3 e 5.

  • Deputada diz ser barrada na Câmara e atribui episódios à cor da pele

    Deputada diz ser barrada na Câmara e atribui episódios à cor da pele

    A deputada federal Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) denunciou nesta segunda-feira (5) episódios recorrentes de discriminação dentro da Câmara dos Deputados. Segundo ela, servidores da Casa frequentemente questionam se ela é, de fato, parlamentar, mesmo quando está com o broche que identifica os membros da Câmara.

    “Todas as vezes que entro sou barrada, e me perguntam se sou ou não deputada. E estou sempre usando o meu brochinho. Eu acho, deputado, presidente em exercício, que talvez seja pela minha cor”, afirmou em sessão no plenário da Casa. A parlamentar disse ainda que o constrangimento se repete em diferentes pontos do prédio, inclusive nos elevadores.

    Em resposta, o deputado Lula da Fonte (PP-PE), que presidia a sessão no momento, se comprometeu a acionar a Polícia Legislativa para apurar a denúncia.

    Leia abaixo a transcrição da fala da deputada no plenário:

    “Eu queria deixar registrado o assédio que estou sofrendo em todos os momentos que adentro tanto o prédio do Congresso quanto o plenário. Eu acho, presidente [deputado Lula da Fonte (PP-PE), que presidia a seção naquele momento], que os funcionários e as funcionárias da Casa têm instrumentos para reconhecer quem é deputado ou deputada. Até mesmo o uso do broche nos identifica quando entramos na Casa. Todas as vezes que entro sou barrada, e me perguntam se sou ou não deputada. E estou sempre usando o meu brochinho.

    Eu acho, deputado, presidente em exercício, que talvez seja pela minha cor, porque não é possível que a gente precise ser identificada pela cor. Então, ao entrar aqui agora, com o uso do broche, fui barrada para saber se eu era ou não deputada. Só que isso está acontecendo todas as vezes que entro no elevador, que entro no prédio. Não sei se é por conta da minha roupa, não sei se é por conta da minha cor.

    Então eu queria fazer esse registro e pedir providências de Vossa Excelência, para não ser barrada. Não é possível que isso só aconteça comigo. Eu já estou achando que é por conta da minha cor. Infelizmente, os funcionários deste Congresso não podem verificar a presença ou não dos deputados por conta de roupa ou de cor.

    Eu uso o meu broche todas as vezes. Sei que existe uma relação com a fotografia de todos os deputados e não gostaria mais que isso voltasse a acontecer aqui na Casa.

    Muito obrigada.”

  • Partidos com ministros aderem à CPI do INSS no Congresso; veja a lista

    Partidos com ministros aderem à CPI do INSS no Congresso; veja a lista

    Movimento de aposentados, segurados e pensionistas na agência do INSS, unidade Santa Cruz, na zona sul de São Paulo

    Movimento de aposentados, segurados e pensionistas na agência do INSS, unidade Santa Cruz, na zona sul de São PauloRenato S. Cerqueira/Ato Press/Folhapress

    Partidos com ministros no governo Lula respondem por 43% das assinaturas coletadas para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) mista no Congresso, destinada a investigar um esquema bilionário de desvio de aposentadorias e pensões do INSS. O pedido deve ser oficializado nesta terça-feira (6).

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada Coronel Fernanda (PL-SP) reuniram o apoio de 182 deputados e 29 senadores (211 no total). Para a instalação de uma CPI mista, formada por deputados e senadores, são exigidas no mínimo 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

    Ao todo, 81 deputados e 11 senadores de seis partidos com representantes no primeiro escalão do governo endossaram o pedido de investigação.

    Veja quem apoia a CPI mista:

    Recorte partidário

    A federação União Progressistas formada por União Brasil e PP contribuiu com 53 assinaturas. A bancada tem 109 deputados e 14 senadores, além de quatro ministros no governo Lula. Também assinaram o requerimento o Republicanos (15 assinaturas), MDB e PSD (11 cada), e o PSB (2 parlamentares).

    Nenhum integrante do PDT, partido do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi demitido por Lula após as revelações sobre os desvios no INSS , apoiou a CPI. A sigla, no entanto, segue no comando da pasta, agora com Wolney Queiroz.

    Estratégia

    Além da CPI mista, a oposição também tenta instalar uma comissão exclusiva na Câmara. O pedido foi protocolado em 30 de abril pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), também com apoio de siglas com ministro. Líderes oposicionistas avaliam que há mais chances de abertura da investigação no Congresso, já que na Câmara há 11 pedidos de CPI à frente na fila. No máximo cinco podem funcionar ao mesmo tempo.

    A decisão sobre a criação das comissões cabe, respectivamente, ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), no caso da mista, e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    O esquema

    O escândalo que culminou na demissão de Carlos Lupi do Ministério da Previdência Social envolveu um esquema de fraudes no INSS, em que entidades sindicais e associações descontavam mensalidades de aposentados e pensionistas sem autorização, utilizando assinaturas falsificadas.

    Entenda a crise na Previdência

    A investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União revelou que, entre 2019 e 2024, aproximadamente R$ 6,3 bilhões foram desviados, afetando cerca de 4,1 milhões de beneficiários, especialmente os mais vulneráveis, como moradores de zonas rurais e pessoas com deficiência.

    Embora Lupi não tenha sido diretamente implicado nas investigações, documentos indicam que ele foi alertado sobre as irregularidades em junho de 2023, mas só tomou medidas concretas em março de 2024, o que gerou críticas por sua demora em agir e pressão para que fosse demitido do cargo, o que ocorreu na última sexta-feira (2).

    Oposição protocola pedido de CPI do INSS na Câmara

  • Câmara instala nesta terça comissão sobre isenção do IR até R$ 5 mil

    Câmara instala nesta terça comissão sobre isenção do IR até R$ 5 mil

    Aprovação de projeto relatado por Arthur Lira, à esquerda, é considerada prioritária pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad

    Aprovação de projeto relatado por Arthur Lira, à esquerda, é considerada prioritária pelo ministro da Fazenda, Fernando HaddadLula Marques/Agência Brasil

    A Câmara dos Deputados instala nesta terça-feira (6), às 14 horas, a comissão especial que vai analisar o projeto de lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês (PL 1087/25). A reunião será realizada no plenário 7 e marca o início da tramitação de uma das principais propostas da agenda econômica do governo para 2025.

    A comissão será presidida pelo deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), e o relator será o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Casa.

    “Vamos trabalhar de modo republicano e colaborativo, dialogando com nossos pares na Câmara, com o governo, com a sociedade e com representantes de segmentos econômicos, uma vez que o tema é plural e envolve setores diversos”, declarou Lira ao ser anunciado relator em abril. “No ritmo de discussões sobre este PL, vamos colher contribuições rumo a um relatório consistente e preciso. O PP, por exemplo, vai apresentar sugestões à relatoria. Outros partidos devem fazer o mesmo”, acrescentou.

    Quem será beneficiado

    O projeto, enviado pelo governo ao Congresso em 18 de abril, propõe elevar a faixa de isenção do Imposto de Renda de R$ 2.259,20 para R$ 5 mil mensais, a partir de janeiro de 2026. A medida poderá reduzir a carga tributária de milhões de brasileiros, especialmente trabalhadores assalariados e aposentados que hoje estão sujeitos à cobrança.

    Para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, a proposta prevê uma redução parcial e progressiva do imposto devido. Acima desse valor, os contribuintes não terão benefícios com a mudança. A nova faixa de isenção também valerá para o cálculo do Imposto de Renda incidente sobre o 13º salário.

    Compensação

    Para compensar a perda estimada de arrecadação calculada em R$ 25,8 bilhões por ano , o governo propõe medidas para ampliar a tributação sobre os mais ricos. Entre as mudanças está a criação de uma alíquota de 10% sobre lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas quando esses rendimentos ultrapassarem R$ 50 mil por mês.

    Além disso, será instituído um imposto progressivo para quem recebe acima de R$ 600 mil ao ano, com faixas superiores podendo alcançar contribuintes com rendimentos acima de R$ 1,2 milhão por ano.

    Segundo o Ministério da Fazenda, a proposta está alinhada à estratégia de justiça tributária e ao esforço de equilibrar as contas públicas sem prejudicar a população de baixa e média renda. A Secretaria de Política Econômica será responsável por acompanhar e divulgar os impactos fiscais da medida.

  • Relator propõe suspensão de Gilvan da Federal por ofensas a Gleisi

    Relator propõe suspensão de Gilvan da Federal por ofensas a Gleisi

    O deputado Ricardo Maia (MDB-BA) vai apresentar um relatório no Conselho de Ética da Câmara propondo a suspensão, por seis meses, do mandato de Gilvan da Federal (PL-ES, por quebra de decoro. A medida atende a um pedido da Mesa Diretora da Câmara, que considerou que o parlamentar cometeu ofensas gravemente desonrosas contra a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) em audiência pública.

    O deputado Ricardo Maia (MDB-BA), à esquerda, escreveu um relatório propondo a suspensão de Gilvan da Federal (PL-ES) por seis meses.

    O deputado Ricardo Maia (MDB-BA), à esquerda, escreveu um relatório propondo a suspensão de Gilvan da Federal (PL-ES) por seis meses.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados e Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Na sessão, Gilvan tinha chamado Gleisi de “Amante”, em referência a um apelido associado a ela em uma planilha da empreiteira Odebrecht, descoberta nas investigações da Lava Jato. Também chamou a ministra de “prostituta do caramba”. Para Maia, as declarações extrapolaram a liberdade de expressão e feriram a dignidade do mandato parlamentar.

    Gilvan chegou a se desculpar no plenário, mas sem citar Gleisi diretamente.

    Além da tramitação no Conselho de Ética, a ministra apresentou uma queixa-crime ao Supremo Tribunal Federal. Ela pede que Gilvan responda por injúria e difamação e seja condenado ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais. A ministra afirma que o ataque teve motivação misógina.

    O Conselho de Ética começa a analisar o parecer nesta terça-feira (6). Caso os membros concordem com a punição, Gilvan poderá ainda se tornar alvo de processo que leve à cassação do mandato.

  • Defensoria Pública da União defende revogação da Lei de Alienação Parental

    Defensoria Pública da União defende revogação da Lei de Alienação Parental

    A Defensoria Pública da União (DPU) publicou nesta semana uma manifestação oficial defendendo a revogação da Lei de Alienação Parental (leia aqui na íntegra). O posicionamento, assinado por órgãos especializados da instituição, como o Observatório da Violência contra a Mulher e o Grupo de Trabalho Mulheres, critica o uso do conceito e recomenda que ele deixe de ser utilizado por autoridades estatais e em políticas públicas.

    Edifício-sede da DPU, em Brasília.

    Edifício-sede da DPU, em Brasília.Ailton de Freitas/DPU

     

    O conceito de alienação parental se refere a quando um dos responsáveis por uma criança interfere na relação dela com o outro genitor, tentando afastá-los afetivamente por meio de críticas, mentiras ou manipulações. A Lei da Alienação Parental define o conceito e prevê medidas judiciais contra ele, como advertências, mudança de guarda ou suspensão da autoridade parental, para proteger o vínculo familiar.

    Segundo o documento da DPU, a teoria da alienação parental não possui base científica e é incompatível com os direitos humanos e com o interesse de crianças e adolescentes. A aplicação dessa abordagem, segundo a defensoria, contribui para reforçar estereótipos de gênero e impedir denúncias legítimas de violência doméstica. “Constitui um instrumento para obstaculizar denúncias legítimas de violência doméstica, implicando, ao final, violações aos direitos das crianças e adolescentes e aos direitos das mulheres”, afirma a nota.

    A manifestação baseia-se em um conjunto de marcos legais e normativos, como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança. Também são citados documentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

    Para a DPU, a atual lei “silencia as narrativas e/ou vivências de crianças e adolescentes, tornando-os invisíveis e revitimizando-os”. O mesmo efeito, segundo a defensoria, atinge as mulheres que denunciam situações de violência e que são as principais afetadas pelas acusações de “alienação” nos processos judiciais. A recomendação é que o termo seja revogado do ordenamento jurídico e abandonado pelas instituições públicas.

  • Acompanhe o julgamento da denúncia contra o núcleo 4 da trama golpista

    Acompanhe o julgamento da denúncia contra o núcleo 4 da trama golpista

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga na manhã desta terça-feira (6) o recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra sete investigados apontados como integrantes do núcleo 4 da trama golpista. O grupo, segundo a denúncia, atuou para desestabilizar o processo eleitoral e as instituições democráticas em 2022.

    Assista ao julgamento ao vivo:

    Nesse momento, a Turma – composta pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino – julga apenas se a denúncia da PGR atende aos requisitos legais para a abertura de uma ação penal contra os investigados. A Primeira Turma já acolheu as denúncias do órgão contra o núcleo 1 e 2 da trama golpista, que somam 14 réus. O julgamento do núcleo 3, por sua vez, está marcado para 20 e 21 de maio.

    Primeira Turma do STF

    Primeira Turma do STF
    Reprodução/TV Justiça

    O núcleo 4 tem os seguintes acusados:

    • Ailton Gonçalves Moraes Barros Capitão expulso do Exército, é acusado de incitar militares à rebelião e promover ataques virtuais contra oficiais contrários à tentativa de golpe. Enviou mensagens ao então comandante do Exército cobrando ação “patriótica”.
    • Ângelo Martins Denicoli Major da reserva do Exército, teria articulado a aproximação entre bolsonaristas e o influenciador argentino Fernando Cerimedo, que espalhou teorias falsas sobre as urnas. Um dos documentos fraudulentos estaria vinculado a um arquivo criado por ele.
    • Giancarlo Gomes Rodrigues Subtenente do Exército cedido à Abin, é acusado de realizar monitoramentos ilegais no sistema FirstMile, contribuindo com a espionagem de adversários políticos do governo.
    • Guilherme Marques de Almeida Tenente-coronel do Exército, teria participado da campanha de desinformação sobre as urnas e incentivado mobilizações golpistas em frente a quartéis.
    • Reginaldo Vieira de Abreu Coronel do Exército, também ligado à disseminação de fake news eleitorais com o objetivo de gerar instabilidade e justificar uma intervenção militar.
    • Marcelo Araújo Bormevet Policial federal, apontado como um dos líderes da chamada “Abin paralela”, que operava o sistema de inteligência do governo para fins políticos. É acusado de coordenar ações de espionagem e campanhas de difamação.
    • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha Presidente do Instituto Voto Legal, é acusado de produzir um relatório com supostas fraudes eleitorais usado como base para desacreditar as urnas eletrônicas.

    Eles são acusados dos seguintes crimes: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, envolvimento em organização criminosa, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.

  • Gleisi recebe líder do PL em casa e busca diálogo com a oposição

    Gleisi recebe líder do PL em casa e busca diálogo com a oposição

    Em um gesto que simboliza a tentativa do governo de reaproximação com o Congresso Nacional, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, recebeu o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara e um dos nomes mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro, em sua casa em Brasília. O encontro, reservado e fora da agenda oficial, ocorreu em clima amistoso e sinaliza uma guinada na estratégia de articulação política do Palácio do Planalto.

    Sóstenes diz que Gleisi se comprometeu a liberar emendas parlamentares do PL represadas

    Sóstenes diz que Gleisi se comprometeu a liberar emendas parlamentares do PL represadasMarina Ramos/Agência Câmara e Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Sóstenes, convidado inicialmente a comparecer ao Planalto recusou o convite por temer a repercussão negativa de uma visita pública à sede do governo. O parlamentar, entretanto, aceitou a proposta de um diálogo informal na residência da ministra, o que garantiu discrição e afastou os holofotes da conversa.

    Desde que assumiu a Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi tem buscado uma atuação mais ampla e pragmática, tentando romper a imagem de defensora exclusiva da esquerda. Parte dessa missão inclui estabelecer pontes com legendas tradicionalmente adversárias, como o PL, de Bolsonaro.

    Segundo o deputado, o encontro foi marcado por cordialidade e “Gleisi se colocou à disposição”. Em entrevista ao jornal O Globo, o líder do PL afirmou que dará “o benefício da dúvida” à ministra, mas advertiu que “esse prazo não durará muitos meses”.

    Durante a conversa, Sóstenes cobrou o pagamento de emendas impositivas da bancada do PL, que estariam pendentes desde 2023. De acordo com relatos do parlamentar e de aliados da ministra, Gleisi se comprometeu a iniciar os repasses, que agora estão sob monitoramento da liderança do partido.

    Apesar do alinhamento com a oposição, Sóstenes mantém uma relação pessoal com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), namorado de Gleisi e também presente no encontro. Ambos foram “caras pintadas” na campanha pelo impeachment de Fernando Collor, em 1992. Sóstenes presidia a União Estudantil de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, enquanto Lindbergh era o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

    Segundo Sóstenes, no encontro com Gleisi, não foi discutido o projeto de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O líder do PL conseguiu recentemente apoio necessário para acelerar a votação da proposta.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não pretende pautar o projeto. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), busca a elaboração de uma proposta alternativa, que reduza a pena dos participantes dos atos antidemocráticos e aumente a punição para os mentores e financiadores.

  • Mara Gabrilli critica descumprimento de acordo sobre Lei Brasileira de Inclusão

    Mara Gabrilli critica descumprimento de acordo sobre Lei Brasileira de Inclusão

    A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) criticou o deputado Duarte Jr. (PSB-MA), presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Câmara, por não ter cumprido compromissos assumidos sobre o Projeto de Lei 1584/2025. A proposta cria um novo “Código Brasileiro de Inclusão” e revoga integralmente a atual Lei Brasileira de Inclusão (LBI), além de outros marcos legais.

    Segundo Mara, durante uma reunião no dia 22 de abril em seu gabinete, com a participação de senadores, representantes da sociedade civil e lideranças do setor, Duarte Jr. se comprometeu a revisar a proposta, apresentar uma nova versão do texto e até considerar a retirada do projeto da pauta. O deputado também teria ligado à senadora após a reunião, reiterando o compromisso de reformular o texto e agendar novo encontro para discutir as alterações. Nenhuma dessas promessas, no entanto, foi cumprida até agora de acordo com a senadora.

    “Hoje (6), o deputado vai realizar a primeira audiência pública para discutir um projeto que ele mesmo se comprometeu a reavaliar. Ontem, segunda-feira (5), era o dia em que deveríamos ter recebido um novo texto ou, no mínimo, um posicionamento sobre a retirada da proposta. Nada disso aconteceu. O que vemos é o rompimento absoluto da palavra empenhada diante de parlamentares, lideranças da sociedade civil e milhões de brasileiros com deficiência”, afirmou Mara.

    Senadora denuncia tentativa de desmontar garantias conquistadas na Lei Brasileira de Inclusão

    Senadora denuncia tentativa de desmontar garantias conquistadas na Lei Brasileira de InclusãoPedro França/Agência Senado

    Impasse sobre legislação

    O PL prevê a revogação da LBI (Lei nº 13.146/2015), da Lei da Acessibilidade (nº 10.098/2000) e da Lei nº 7.853/1989. Para a senadora, o projeto é apresentado sob o rótulo de modernização, mas representa um retrocesso: “Não é um novo código. É um retrocesso completo. Começar do zero é apagar tudo que foi conquistado com décadas de luta. O deputado Duarte Jr. tenta apresentar isso como avanço, mas o que está fazendo é abrir caminho para suprimir direitos e desmontar garantias consolidadas”.

    Relatora da LBI, Mara destacou que a lei atual foi fruto de três anos de construção coletiva, baseada na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. “A LBI é o nosso Estatuto da Pessoa com Deficiência. Revogá-la é como revogar o Estatuto da Criança ou da Pessoa Idosa. E ninguém em sã consciência cogitaria isso”, reforçou.

    Com base em dados do IBGE, que apontam 18,6 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, a senadora argumenta que o problema não está na falta de legislação, mas na ausência de implementação efetiva. “Até hoje, seguimos aguardando a regulamentação da avaliação biopsicossocial, a contratação efetiva de profissionais de apoio escolar, a fiscalização da acessibilidade em serviços essenciais. O país ainda falha diariamente com as pessoas com deficiência. Em vez de corrigir essas falhas, querem nos fazer voltar ao ponto de partida”, aponta Mara.

    No domingo (4), a Avenida Paulista foi palco de manifestações em defesa da LBI, com a participação de coletivos e ativistas. O movimento ganhou força em meio às críticas ao projeto apresentado por Duarte Jr.