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  • Lindbergh descarta votação da anistia e critica interferência no STF

    Lindbergh descarta votação da anistia e critica interferência no STF

    O líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que o projeto de lei que trata da anistia a envolvidos nos atos antidemocráticos não será votado nesta semana. Em pronunciamento, o parlamentar argumentou que a proposta não conta com apoio suficiente entre os principais líderes partidários e classificou a iniciativa como geradora de instabilidade institucional.

    Segundo Lindbergh, o projeto de anistia atende a interesses restritos ao ex-presidente Jair Bolsonaro e não reflete uma pauta consensual entre os partidos do Congresso Nacional. O deputado declarou ter conversado com lideranças dos maiores partidos da Câmara, incluindo representantes do chamado “Centrão”, que, segundo ele, reconhecem que a matéria é inconstitucional e poderia paralisar o país ao provocar uma crise entre os Poderes.

    A crítica principal do líder do PT está centrada na possibilidade de interferência do Poder Legislativo no julgamento de acusados pelos atos do dia 8 de janeiro de 2023, que estão sendo processados no Supremo Tribunal Federal (STF). Farias citou a decisão do STF no caso do ex-deputado Daniel Silveira como referência para destacar que crimes contra o Estado Democrático de Direito não são passíveis de anistia, conforme interpretação vigente da Constituição Federal.

    “Não temos o direito de atrapalhar uma investigação que está acontecendo no Supremo”, afirmou o parlamentar. Ele argumentou ainda que o projeto em debate vai além dos eventos de janeiro e busca proteger envolvidos em outras ações investigadas, como na chamada Operação Punhal Verde e Amarela, deflagrada recentemente.

    O deputado também anunciou que não há reunião de líderes prevista para esta semana, o que inviabilizaria qualquer avanço no debate sobre o projeto. A próxima reunião de líderes deve ocorrer apenas na quinta-feira da semana seguinte. “Não está em discussão. Não tem reunião de líderes hoje, não tem reunião de líderes amanhã”, declarou.

    Durante o discurso, Lindbergh defendeu que o Parlamento retome as pautas legislativas em andamento, como a instalação das comissões permanentes e a análise de medidas provisórias. Ele mencionou, por exemplo, a apresentação iminente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a tramitação do projeto de isenção do Imposto de Renda, como temas prioritários.

    O parlamentar também disse que o projeto de lei sobre medidas de defesa comercial, aprovado por unanimidade no Senado e relatado pela senadora Tereza Cristina, deve ser votado em breve na Câmara. O projeto trata da reação brasileira às tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump. Para ele, esse deveria ser o foco do Legislativo neste momento.

  • PL quer suspender processo contra Ramagem por tentativa de golpe

    PL quer suspender processo contra Ramagem por tentativa de golpe

    O Partido Liberal (PL) anunciou que apresentará um pedido formal à Câmara dos Deputados para sustar a ação penal em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). O parlamentar é réu em processo que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

    O líder da bancada na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que o partido vai acionar o artigo 53 da Constituição Federal, que prevê a possibilidade de sustação de processos contra parlamentares, desde que a denúncia tenha sido apresentada por crime ocorrido após a diplomação e o pedido seja aprovado por maioria absoluta do plenário da respectiva Casa legislativa.

    “Não faltará do PL luta para provar que o Delegado Ramagem tem que ter respeitada todas as suas garantias constitucionais”, declarou Sóstenes.

    O artigo citado determina que, após o recebimento da denúncia, o STF deve comunicar a Câmara. A partir disso, qualquer partido com representação na Casa pode apresentar o pedido de sustação. Para ser aprovado, o requerimento precisa do apoio de ao menos 257 deputados e deve ser analisado no prazo de até 45 dias.

    Caso aprovado, a ação penal contra o deputado fica suspensa até o fim de seu mandato. Se ele não for reeleito ou perder o cargo, o processo volta a tramitar normalmente.

    Durante o anúncio da medida, Ramagem afirmou que considera a ação penal parte de uma perseguição política. “Essa ação penal, sabemos, é fruto de farsa e perseguição. Nós acreditamos que possamos angariar a maioria absoluta para demonstrar que esse parlamento cuida do mandato parlamentar”, afirmou.

    O deputado também criticou o Judiciário e alegou que há uma tentativa de controle do Legislativo. “Estamos nos acostumando a ver atropelos ao texto constitucional, instalação de inquéritos de forma irregular, quebra do devido processo, destruição das garantias de liberdade. Estamos recorrendo ao texto constitucional, que prevê a imunidade processual parlamentar”, disse.

    Ramagem é o único parlamentar entre os oito réus denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito da tentativa de golpe. Além dele, também foram denunciados o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o almirante Almir Garnier.

    A denúncia foi aceita pela Primeira Turma do STF em 25 de março. O julgamento, que tornou os oito acusados réus, foi unânime. Com a formalização do pedido do PL, caberá agora à Câmara decidir se o processo contra Ramagem será ou não suspenso até o término do mandato parlamentar.

  • Câmara aprova MP com recursos para combate à seca e outras áreas

    Câmara aprova MP com recursos para combate à seca e outras áreas

    A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (1º), a Medida Provisória 1.268/2024, que libera R$ 938,4 milhões para sete ministérios. A aprovação ocorreu em regime de urgência, dada a necessidade de votação também pelo Senado até a meia-noite de hoje para que a medida não perca a validade.

    O montante mais significativo, R$ 418,4 milhões, destina-se ao pagamento do Seguro Defeso a pescadores artesanais do Norte, categoria impactada pela persistente estiagem.

    MP precisava ser aprovada pela Câmara hoje porque perde a validade à meia-noite

    MP precisava ser aprovada pela Câmara hoje porque perde a validade à meia-noiteKayo Magalhães/Agência Câmara

    A MP contempla recursos para combater os efeitos da seca e os incêndios que assolam o Pantanal e a Amazônia. Adicionalmente, prevê iniciativas nas áreas de saúde pública, segurança alimentar, defesa civil e combate ao crime.

    A saúde receberá um aporte de R$ 238 milhões, a serem investidos em assistência farmacêutica, aquisição de insumos básicos, atenção de média e alta complexidade, saúde indígena e vigilância sanitária.

    No âmbito da defesa civil, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional gerenciará R$ 143 milhões para ações emergenciais na Amazônia Legal, com foco em resposta e recuperação nos municípios castigados pela seca e por incêndios.

    O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social disporá de R$ 74,9 milhões para expandir o acesso à água potável e fomentar a produção de alimentos em regiões com escassez hídrica, por meio do Programa Cisternas.

    Outros R$ 36,7 milhões serão destinados ao Ministério do Meio Ambiente, que os aplicará em atividades do Instituto Chico Mendes (ICMBio), como locação de aeronaves, treinamento e contratação de equipes especializadas.

    O Ministério da Justiça e Segurança Pública contará com R$ 25,8 milhões para ações da Força Nacional de Segurança Pública, incluindo a contratação temporária de 120 profissionais por 100 dias.

    Por fim, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) receberá R$ 1,4 milhão para garantir a segurança de famílias assentadas e proteger áreas ambientais.

    Segundo o governo, a medida emergencial visa atender prontamente as regiões atingidas por desastres climáticos e fortalecer a atuação de políticas públicas em áreas consideradas críticas.

  • Compra do Master pelo BRB agita mercado; veja repercussão nos jornais

    Compra do Master pelo BRB agita mercado; veja repercussão nos jornais

    Rafa Neddemeyer/Agência Brasil

    Rafa Neddemeyer/Agência BrasilOperação terá de ser aprovada pelo Banco Central

    Os principais jornais do país repercutiram, nesta terça-feira (1º), a reação do mercado à compra de 58% do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), anunciada na última sexta-feira (28). De acordo com os jornais, a operação, avaliada em R$ 2 bilhões, foi recebida com surpresa por analistas, que levantaram dúvidas sobre os riscos financeiros, a motivação política do negócio e a manutenção do controle do Master nas mãos de Daniel Vorcaro.

    Apesar disso, as ações do BRB chegaram a subir fortemente, e o banco público projeta ascender entre os maiores do país em volume de crédito. A operação ainda depende da aprovação do Banco Central e pode ter implicações para o uso do Fundo Garantidor de Crédito e para a estrutura do sistema bancário nacional.

    Além disso, os jornais destacaram a possível participação do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que negocia a aquisição de parte dos ativos de risco do Master como precatórios e participações societárias em uma operação paralela. A entrada do BTG é vista como uma forma de reduzir a exposição do BRB e minimizar riscos regulatórios.

    Pelo negócio desenhado, o BRB ficará com 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais, totalizando 58% do capital, mas sem controle efetivo que seguirá com Vorcaro, como presidente do Conselho. Caso a compra seja concretizada, o BRB pode virar a nona maior instituição em ativos de crédito do país.

    Veja como os jornais repercutiram o assunto:

    FOLHA DE S.PAULO

    Mercado reage com desconfiança à compra do Banco Master pelo BRB, diz jornal

    A aquisição de 58% do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), anunciada na última sexta-feira (28), gerou reações mistas no mercado financeiro. Segundo a Folha de S.Paulo, agentes do setor veem a transação, estimada em R$ 2 bilhões, como mais política do que técnica, levantando dúvidas sobre suas motivações e a solidez dos envolvidos.

    O negócio transforma o BRB, banco público de menor porte, na 9ª maior instituição em ativos de crédito do país. Ainda assim, a operação foi vista como um possível socorro ao Master, conhecido por práticas agressivas no mercado de CDBs, oferecendo remunerações de até 140% do CDI e investindo em empresas de alto risco. Estima-se que o banco tenha captado cerca de R$ 60 bilhões, valor próximo à metade do total coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

    Apesar das críticas, dirigentes do BRB e do Master dizem não ver obstáculos à aprovação pelo Banco Central. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou esperar uma decisão em até seis meses, embora o prazo legal seja de 360 dias. Ele também minimizou as desconfianças, atribuindo-as à ascensão do banco no ranking nacional.

    Na segunda-feira (31), Costa se reuniu com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, enquanto o controlador do Master, Daniel Vorcaro criticado por sua forma de captação tem reunião marcada para esta terça (1º). A Folha destaca ainda que o desenho societário da aquisição, que mantém Vorcaro no controle, evita a necessidade de aprovação legislativa no Distrito Federal, o que, segundo críticos, reforça a ideia de blindagem institucional.

    O GLOBO

    Compra do Banco Master pelo BRB surpreende mercado e impulsiona ações

    Segundo O Globo, a operação de R$ 2 bilhões surpreendeu o mercado e causou reação imediata nas ações do BRB, que chegaram a subir 100% na segunda-feira (31), refletindo mais o perfil inesperado do comprador um banco estatal regional do que a venda em si, já aguardada diante das dificuldades do Master.

    O negócio virou tema nas reuniões do Banco Central. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o chairman do BTG Pactual, André Esteves, foram recebidos por Gabriel Galípolo. Daniel Vorcaro, controlador do Master, também tem encontro agendado.

    Apesar do entusiasmo do mercado, analistas demonstram cautela. O BRB ficará com 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais, totalizando 58% do capital, mas sem controle efetivo que seguirá com Vorcaro, agora presidente do Conselho. A transação exclui cerca de R$ 23 bilhões em ativos de risco, como precatórios e participações societárias, que ficarão com subsidiárias do grupo Master. O BTG pode assumir parte desses ativos em negociação paralela.

    O Master se destacou por sua captação agressiva via CDBs que pagavam até 140% do CDI, atingindo R$ 40 bilhões em passivos quase um terço do patrimônio do FGC. Embora sem risco imediato de solvência, o modelo vinha sendo monitorado pelo BC.

    Costa afirma que a compra busca dar protagonismo ao BRB sem estatizar o Master. O banco projeta ascender ao 9º lugar em volume de crédito no país. O negócio ainda depende da análise do Banco Central, que pode levar até 360 dias.

    O ESTADO DE S. PAULO

    BTG pode assumir parte dos ativos do Banco Master; BRB adota modelo inspirado no Proer, diz Estadão

    A compra do Banco Master pelo BRB ainda não está totalmente definida, segundo O Estado de S. Paulo. Há expectativa de que o BTG Pactual, de André Esteves, volte às negociações para adquirir ativos específicos, como a carteira de precatórios, avaliada em R$ 7 bilhões.

    A entrada do BTG não afetaria a operação já aprovada pelo conselho do BRB, mas abriria uma negociação paralela, com análise conjunta do Banco Central. A divisão dos ativos é vista como positiva, pois reduziria o risco de intervenção do BC ou acionamento do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

    Na segunda (31), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reuniu-se com Esteves e depois com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Costa afirmou que o BRB ficará com ativos mais alinhados ao seu perfil, como crédito consignado, câmbio e banco digital. Já ativos de maior risco, como precatórios e operações do Voiter e Master BI, serão segregados.

    A operação tem sido comparada ao Proer, programa dos anos 1990 que reestruturou bancos problemáticos. A diferença é que agora não há uso direto de dinheiro público, embora o BRB seja um banco estatal vinculado ao governo do DF.

    O Banco Central já começou a análise da operação, com prazo legal de até 360 dias, mas expectativa de conclusão em seis meses. O mercado vê a operação com cautela, especialmente por causa dos ativos de risco fora do acordo. Se esses papéis entrarem em colapso, o FGC pode ser acionado, o que elevaria os custos do crédito no país.

    VALOR ECONÔMICO

    Valor: compra do Banco Master expõe contradições e levanta dúvidas no mercado

    A aquisição de 58% do Banco Master pelo BRB revelou riscos financeiros e uma contradição nas finanças do Distrito Federal. Segundo a colunista Maria Cristina Fernandes (Valor Econômico), embora o BRB atue como se fosse um banco privado, sua capacidade de investimento se deve ao Fundo Constitucional do DF, que transfere R$ 25 bilhões anuais da União. Esse apoio permitiu uma proposta de até R$ 2 bilhões por uma participação minoritária no Master.

    Fernandes questiona a lógica de comprar um banco com passivos incertos e práticas agressivas, como CDBs com rendimento de até 140% do CDI. Destaca também o componente político: o controlador do Master, Daniel Vorcaro, tem forte influência em Brasília, e a operação teria sido favorecida politicamente como na tentativa de ampliar a cobertura do FGC (emenda Master).

    Para ela, o caso revela uma “anomalia federativa”, em que um governo dependente da União intervém no sistema financeiro. O mercado também reagiu com desconfiança. A operação exclui R$ 23 bilhões em ativos de alto risco, que serão mantidos fora do BRB, levantando a possibilidade de um bad bank sustentado pelo FGC.

    O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirma que a exclusão de ativos vem com a retirada proporcional de passivos. A estratégia é ampliar a presença do banco nacionalmente como nas tentativas anteriores de adquirir o Banco Original e o Banese.

    O negócio mantém Vorcaro como controlador, enquanto o BRB terá 49% das ações com direito a voto, o que levanta dúvidas sobre sua efetividade. O Cade não vê barreiras concorrenciais, mas o Banco Central ainda analisa a estrutura e pode exigir ajustes. A decisão pode influenciar o uso do FGC em futuras operações semelhantes.

  • Senado aprova projeto de lei em resposta a tarifaço de Trump

    Senado aprova projeto de lei em resposta a tarifaço de Trump

    Ex-ministra da Agricultura e uma das lideranças da bancada do agro, Tereza Cristina foi relatora da proposta

    Ex-ministra da Agricultura e uma das lideranças da bancada do agro, Tereza Cristina foi relatora da propostaSaulo Cruz/Agência Senado

    A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira (1º) um projeto que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de retaliação comercial contra países que impuserem barreiras a produtos nacionais, a exemplo dos Estados Unidos. A proposta, que tem apoio tanto do governo federal quanto da bancada do agronegócio, permite a aplicação de sobretaxas, suspensão de acordos e até o bloqueio de direitos de propriedade intelectual em resposta a tarifas adicionais, exigências ambientais mais rígidas ou violações a tratados internacionais.

    Veja a íntegra do projeto aprovado

    Como tramita em caráter terminativo, o projeto será enviado à Câmara, sem passar pelo plenário, a não ser que seja apresentado recurso, o que não deve ocorrer. O texto foi aprovado com 16 votos favoráveis e nenhum contrário.

    A medida surge como resposta a tensões recentes com a União Europeia que dificulta a ratificação do acordo com o Mercosul e, principalmente, aos anúncios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre sobretaxas a importações. Embora respeite regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), a iniciativa busca garantir reciprocidade e proteção aos exportadores brasileiros.

    A relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), defendeu que a proposta não é direcionada a um país específico, mas sim um mecanismo legal para proteger a economia brasileira. O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), reforçou a decisão de aplicar a reciprocidade caberá ao Executivo. É uma resposta legítima ao tarifaço americano. Estamos apenas suprindo a legislação com a reciprocidade. Não estamos adotando reciprocidade. Mas se o governo quiser adotar a reciprocidade, não será por falta de legislação que não fará isso, disse o senador.

    Renan também adiantou que pedirá ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Repulicanos-PB), que acelere a votação do projeto na Casa para que o texto possa seguir rapidamente para a sanção do presidente Lula.

    Donald Trump reafirmou nessa terça-feira (31) que pretende aplicar sua política de tarifas recíprocas a todos os países, rebatendo especulações de que as medidas, previstas para serem anunciadas nesta quarta-feira (2), poderiam ter um alcance mais restrito. “Vamos começar com todos os países e ver o que acontece”, disse ele a jornalistas.

    Veja os principais pontos do projeto

  • O que diz o projeto que permite ao Brasil retaliar tarifaço de Trump

    O que diz o projeto que permite ao Brasil retaliar tarifaço de Trump

    O Senado aprovou, nesta terça-feira (1º), um projeto de lei que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de retaliação comercial contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras consideradas injustas às exportações do Brasil. A proposta, que ainda precisa passar pela Câmara, é vista como uma resposta do Brasil a ações internacionais que afetam a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global, mais notadamente as tarifas impostas pelo governo Donald Trump.

    Reunião da CAE desta terça-feira no Senado

    Reunião da CAE desta terça-feira no SenadoGeraldo Magela/Agência Senado

    Com autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) e relatoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), o projeto estabelece que produtos importados devem seguir normas ambientais equivalentes às aplicadas à produção nacional. De acordo com a relatora, a medida busca evitar distorções na concorrência, promover equilíbrio nas relações comerciais e incentivar práticas sustentáveis. O texto passou pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e seguirá diretamente para a Câmara.

    Veja a íntegra do projeto aprovado

    O que prevê o projeto

    O projeto de lei cria instrumentos legais para que o Brasil possa suspender concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual de países que adotem práticas unilaterais prejudiciais ao país. Caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex) coordenar essas medidas, em parceria com o setor privado.

    Quando o Brasil poderá retaliar

    As medidas poderão ser adotadas quando outro país ou bloco econômico:

    • Interferir nas decisões soberanas do Brasil, impondo ou ameaçando sanções comerciais, financeiras ou de investimento;
    • Violar acordos comerciais dos quais o Brasil é signatário, prejudicando os benefícios garantidos nesses tratados;
    • Impor exigências ambientais mais duras do que aquelas praticadas no Brasil o que pode servir como barreira comercial disfarçada.

    Para avaliar essas situações, serão considerados, entre outros critérios:

    • A legislação ambiental brasileira (como o Código Florestal);
    • Os compromissos assumidos no Acordo de Paris;
    • A matriz energética brasileira, majoritariamente renovável.

    Quais são as contramedidas permitidas

    A Camex poderá adotar uma ou mais das seguintes medidas:

    • Sobretaxar importações de bens e serviços;
    • Suspender concessões comerciais e benefícios para investimentos;
    • Suspender direitos de propriedade intelectual, como patentes e royalties;
    • Alterar regras tributárias e de licenciamento para empresas de países retaliados.

    As contramedidas devem ser proporcionais ao prejuízo causado e devem evitar impactos excessivos na economia brasileira.

    Antes da punição, vem a negociação

    Antes de adotar retaliações, o governo deverá buscar soluções diplomáticas, lideradas pelo Ministério das Relações Exteriores. Além disso, o processo será transparente e contará com:

    • Consultas públicas para ouvir empresas e setores afetados;
    • Monitoramento contínuo dos impactos econômicos e do andamento das negociações;
    • Possibilidade de suspensão ou ajuste das medidas, caso haja avanços diplomáticos.

    Adaptação de leis já existentes

    O projeto também altera leis atuais para permitir o uso efetivo das retaliações. Isso inclui:

    • A autorização de licenças especiais de importação;
    • A possibilidade de ajustar alíquotas de impostos sobre remessas ao exterior (como a Cide);
    • A flexibilização da cobrança da Condecine, usada no setor audiovisual.

    Quando entra em vigor?

    A lei passa a valer a partir da data de sua publicação oficial, após aprovação final pelo Congresso. O texto tramita em caráter terminativo. Com isso, não está sujeito a votação em plenário nem na Câmara nem no Senado. Após essa etapa, seguirá para a sanção do presidente Lula para ser transformado em lei.

    Por que esse projeto é importante?

    O projeto surge em um momento em que o sistema de solução de disputas da OMC está paralisado, e países como a União Europeia e os Estados Unidos têm adotado medidas comerciais unilaterais. Para o Brasil, a proposta representa uma forma de defender sua soberania e seus interesses econômicos, especialmente no setor agropecuário.

    A ideia central é estabelecer uma reciprocidade justa: se o Brasil for alvo de barreiras injustas, poderá reagir na mesma medida com base em critérios objetivos e dentro dos parâmetros legais.

    Alternativas diplomáticas

    Entre as mudanças introduzidas pela CAE, destaca-se a exigência de que qualquer sanção comercial aplicada pelo Brasil seja proporcional ao prejuízo causado pelas barreiras estrangeiras aos produtos brasileiros. O texto também determina que todas as alternativas diplomáticas sejam esgotadas antes da adoção de medidas retaliatórias, com o objetivo de preservar as relações internacionais.

    Durante a tramitação na Comissão de Meio Ambiente, a relatora apresentou uma complementação de voto. O novo trecho, incluído no parágrafo único do artigo 5º do substitutivo, especifica que a suspensão de direitos de propriedade intelectual só poderá ser aplicada em caráter excepcional e caso o Poder Executivo considere insuficientes as demais medidas disponíveis.

  • Conselho de Ética marca julgamento de Glauber Braga para quarta-feira

    Conselho de Ética marca julgamento de Glauber Braga para quarta-feira

    O presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Leur Lomanto Júnior (União-BA), agendou para quarta-feira (2) a reunião para deliberar sobre o processo contra o deputado Glauber Braga (Psol-RJ), que responde desde abril por quebra de decoro. O parecer, elaborado pelo relator Paulo Magalhães (PSD-BA), foi apresentado em dezembro de 2024, pouco antes do início do recesso legislativo.

    O Conselho pode votar o relatório ainda nesta sessão. Caso o colegiado decida pela cassação, a decisão final ficará sob responsabilidade do Plenário.

    Parecer foi apresentado em dezembro, e tramita sob sigilo.

    Parecer foi apresentado em dezembro, e tramita sob sigilo.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    “Amanhã finalmente saberei o resultado do processo contra mim que foi movido pelo partido Novo no Conselho de Ética. O relator já colocou o voto no sistema desde dezembro mas está sob sigilo. Esse mês completa 1 ano que essa representação tá rolando. Tô preparado para o que vier”, disse o deputado em suas redes sociais.

    Disputa de narrativas

    Braga é acusado de ter expulsado com empurrões e chutes o militante Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre (MBL), de dentro das instalações da Câmara em abril de 2024. O caso motivou uma representação do Partido Novo, acolhida com dez votos favoráveis e dois contrários.

    O episódio ocorreu durante uma audiência sobre projeto que regulamenta o trabalho de motoristas de aplicativo. Segundo o relator, após uma troca de provocações, o deputado agrediu Costenaro mesmo após intervenção da Polícia Legislativa.

    A defesa sustenta que o militante dirigiu ofensas pessoais à mãe de Braga, Saudade Braga, internada até então por problemas respiratórios. Ela veio a falecer menos de um mês depois.

    Durante o processo, Braga renunciou à presidência da Comissão de Legislação Participativa e anunciou que abriria mão de recursos regimentais, como o direito de recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em caso de eventual recomendação de cassação.

  • Licença-maternidade para estagiárias é proposta na Câmara

    Licença-maternidade para estagiárias é proposta na Câmara

    O projeto de lei 301/25, apresentado pela deputada Ely Santos (Republicanos-SP), propõe alterações na legislação que regula os estágios para garantir licença-maternidade de 120 dias às estagiárias gestantes. O texto mantém o pagamento da bolsa-auxílio durante o afastamento, exceto quando a beneficiária já recebe salário-maternidade. O auxílio-transporte, por sua vez, será suspenso.

    Texto garante a estagiárias grávidas licença de 120 dias, com bolsa mantida e direito à adaptação das atividades.

    Texto garante a estagiárias grávidas licença de 120 dias, com bolsa mantida e direito à adaptação das atividades.Jardiel Carvalho/Folhapress

    A proposta permite que a licença seja solicitada a partir do 28º dia antes do parto. O prazo pode ser ampliado em até duas semanas antes e depois do nascimento, com apresentação de atestado médico. “Esse afastamento não pode acarretar prejuízos à estagiária, nem de ordem financeira, nem de ordem educacional”, afirma a deputada.

    O projeto também garante estabilidade provisória à gestante, desde a confirmação da gravidez até o fim da licença. Em casos de aborto previsto em lei, o afastamento será de duas semanas.

    Assegura ainda a prioridade ao teletrabalho para estagiárias gestantes e para estagiários com filhos, enteados ou crianças sob guarda judicial de até seis anos. Se necessário, as atividades de aprendizagem poderão ser adaptadas às condições de saúde da estagiária durante a gestação.

    O texto tramita em caráter conclusivo na Câmara e será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; de Trabalho; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de chegar ao Senado.

  • Deputados cobram redução da taxa de juros durante sessão com Galípolo

    Deputados cobram redução da taxa de juros durante sessão com Galípolo

    Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo.

    Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou nesta terça-feira (1º) de uma sessão especial na Câmara dos Deputados em homenagem aos 60 anos da autoridade monetária. Parlamentares aproveitaram a ocasião para fazer críticas à taxa básica de juros, atualmente fixada em 14,25% ao ano, e pedir sua redução.

    Durante os discursos, o deputado Heitor Schuch (PSB-RS) afirmou que a taxa elevada tem impacto direto no setor da agricultura familiar. Segundo ele, a alta dos juros tem desestimulado a compra de equipamentos. “Semana passada teve a maior feira de agricultura familiar em Rio Pardo e não deu um negócio porque ninguém se atreve a comprar uma máquina, por maior ou menor que seja, pagando 15% de juros”, declarou.

    Schuch também classificou a situação do agronegócio como dramática e sugeriu a ampliação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

    Leia também: Setores reagem à decisão do Copom de subir juros para 14,25% ao ano

    Já o deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), um dos formuladores da reforma tributária, considerou a atual taxa inaceitável e defendeu que ela seja reduzida pela metade, para cerca de 7%. Ele argumentou que o país possui uma moeda estável e que a inflação tem se mantido em média em 6% desde o Plano Real. “É inaceitável, presidente Gabriel Galípolo, você seguir a mesma metodologia do Roberto Campos [Neto]. Você foi nomeado pelo presidente Lula”, afirmou.

    Galípolo foi o último a discursar na sessão. Em sua fala, lembrou do histórico inflacionário brasileiro, principalmente entre 1980 e 1994, e destacou o papel do Banco Central na estabilidade econômica. Segundo ele, o debate sobre a política monetária é bem-vindo e deve ser ampliado no debate público. O presidente do BC defendeu que cabe à instituição comunicar suas decisões de forma clara à sociedade.

    Em março, o Banco Central elevou a taxa Selic pela quinta vez consecutiva, atingindo 14,25% ao ano, maior patamar desde 2016. A medida tem como objetivo principal o controle da inflação.

    A sessão contou ainda com a presença de integrantes da diretoria colegiada do Banco Central, além de ex-dirigentes da instituição e representantes do setor financeiro, como o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (CNF), Isaac Sidney (Febraban), Alexandre Tombini (ex-presidente do BC), Marcos Pinto (Ministério da Fazenda) e Felipe Prince (Banco do Brasil).

  • Ministros dizem que Brasil não deveria entrar no “tarifaço” de Trump

    Ministros dizem que Brasil não deveria entrar no “tarifaço” de Trump

    Os Estados Unidos não têm motivos para taxar ainda mais os produtos brasileiros, segundo as declarações de ministros do governo Lula nesta terça-feira (1º). Na véspera do chamado “tarifaço” do presidente Donald Trump, que promete anunciar na quarta (2) um conjunto de novos impostos sobre produtos importados para o país norte-americano, os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (Indústria, Comércio e Serviços) defenderam que o Brasil mantém postura de diálogo com os EUA e não tem motivo para ser alvo de mais taxações, já que a balança comercial entre os países, hoje, é superavitária para Trump.

    Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (Indústria, Comércio e Serviços), que também é vice-presidente da República, com o presidente Lula.

    Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (Indústria, Comércio e Serviços), que também é vice-presidente da República, com o presidente Lula.Bruno Santos/Folhapress

    Haddad, que está em agenda em Paris, na França, declarou em entrevista coletiva a jornalistas que uma retaliação dos EUA “causaria até uma certa estranheza”, “uma vez que nós estamos com uma mesa de negociação desde sempre com aquele país, justamente para que a nossa cooperação seja cada vez mais forte”. Haddad também disse que, comercialmente, os EUA têm uma posição “muito confortável em relação ao Brasil” e que o governo Lula trabalha com o Estado americano, sem fazer distinção entre governos.

    “O presidente Lula já adiantou que, quando uma nação mais rica do mundo adota políticas protecionistas, isso parece não concorrer para a prosperidade geral”, disse Haddad. “O mundo corre o risco de crescer menos, de aumentar menos a produtividade da sua economia”.

    Na mesma linha, Alckmin, ministro da Indústria e vice-presidente da República, declarou que “o Brasil não é problema para os EUA” e criticou abordagens comerciais baseadas na lógica do “olho por olho”. Segundo o vice-presidente, o comércio internacional deve ser uma relação de ganhos mútuos. Ele elogiou a aprovação, no Senado, do projeto de lei sobre reciprocidade econômica, mas reforçou que o caminho preferencial do governo continua sendo o diálogo.

    Trump deve anunciar nesta quarta novas medidas comerciais, após já ter elevado em março para 25% as tarifas sobre aço e alumínio.