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  • Bolsonaro sobre Le Pen inelegível: “ativismo judicial da esquerda”

    Bolsonaro sobre Le Pen inelegível: “ativismo judicial da esquerda”

    Líder da ultradireita francesa Marine Le Pen

    Líder da ultradireita francesa Marine Le PenReprodução/Instagram Marine Le Pen

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (31) que a decisão da Justiça francesa que tornou a política Marine Le Pen inelegível por cinco anos é resultado de claro ativismo judicial da esquerda. A declaração foi feita em entrevista por telefone à agência Reuters.

    Le Pen, líder do partido de ultradireita União Nacional (RN), foi condenada por apropriação indébita de recursos do Parlamento Europeu. Além da inelegibilidade, ela foi sentenciada a quatro anos de prisão e multada em 100 mil euros (aproximadamente R$ 618 mil). A pena de prisão e a multa ainda estão sujeitas a recurso, mas a proibição de concorrer a cargos públicos tem aplicação imediata, por meio de execução provisória.

    Na entrevista, Bolsonaro fez um paralelo entre o caso da francesa e sua própria situação no Brasil. O ex-presidente está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Além disso, na semana passada, ele se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

    “Essa decisão é um claro ativismo judicial da esquerda. A denúncia contra mim também é fumaça, e quem vai julgar a gente põe no mínimo uma interrogação. Que desvio de recurso público é esse da Le Pen? O Trump também foi acusado de algo parecido nos Estados Unidos, ele enfrentou, é bilionário, líder do maior partido, conseguiu enfrentar.”

    Marine Le Pen é uma das principais figuras da direita populista na Europa e vinha aparecendo como favorita nas pesquisas para a eleição presidencial francesa de 2027. A execução provisória da decisão judicial pode comprometer seus planos eleitorais, mesmo com possibilidade de recurso.

  • Comissão da Câmara discute políticas para pessoas com autismo

    Comissão da Câmara discute políticas para pessoas com autismo

    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados realiza uma audiência pública na próxima terça-feira (1º) para discutir as políticas públicas destinadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A reunião será na véspera do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.

    O quebra-cabeças colorido é considerado um símbolo pela conscientização sobre o autismo.

    O quebra-cabeças colorido é considerado um símbolo pela conscientização sobre o autismo.MrRomanelli (via Pixabay)

    A audiência, marcada para 13h, foi solicitada pelo deputado Duarte Jr. (PSB-MA), que é o presidente da comissão. O evento tem como objetivo principal analisar a necessidade de garantir acesso igualitário e de qualidade aos serviços de atendimento para pessoas autistas.

    Veja abaixo quem deve participar da sessão:

    • André Anselmo Araújo, do Instituto Nexus Direitos;
    • David Morais, da Abraça;
    • Raimara Frota Uchoa, da Associação de Amigos do Autista no Amazonas (AMA/Am);
    • Ana Maria Silva do Nascimento Melo, do Instituto Autismo no Amazonas (IAAM);
    • Poliana Gatinho, do Movimento Orgulho Autista Brasil da região Nordeste;
    • Cléo Bohn, da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD).

    O deputado Duarte Jr. destacou a “falta de infraestrutura adequada, a escassez de profissionais qualificados e a disparidade no acesso aos serviços de saúde e educação” como desafios enfrentados por pessoas com autismo em diferentes regiões do país. Ele defende a federalização dessas políticas públicas para assegurar uma distribuição justa de serviços e recursos entre estados e municípios.

  • ICMS de compras internacionais sobe para 20% em dez estados na terça

    ICMS de compras internacionais sobe para 20% em dez estados na terça

    Começa a valer nesta terça-feira (1º) o aumento do ICMS sobre compras internacionais em dez estados brasileiros. A alíquota passa de 17% para 20% e afeta encomendas recebidas por consumidores em Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. A decisão foi aprovada em dezembro de 2024 pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), mas só entra em vigor agora.

    Vitrine de loja de roupas, no Rio de Janeiro.

    Vitrine de loja de roupas, no Rio de Janeiro.Fernando Frazão/Agência Brasil

    Com a mudança, o custo final de importações de até US$ 50 como roupas, eletrônicos e acessórios pode subir consideravelmente. Isso porque essas compras já estão sujeitas a uma alíquota de 20% do Imposto de Importação, estabelecida em agosto passado. Assim, a carga tributária total pode chegar a 50% do valor do produto.

    A medida é justificada pelos estados como uma tentativa de garantir isonomia com o comércio nacional e proteger o mercado interno diante do crescimento das compras em plataformas internacionais. O Comsefaz afirmou que a alta do ICMS contribui para uma tributação mais justa e para o fortalecimento da indústria e do varejo locais.

    Para compras acima de US$ 50, a tributação federal salta para 60%, mantendo-se os mesmos 20% de ICMS. O programa Remessa Conforme, da Receita Federal, continua oferecendo benefícios fiscais às plataformas que aderirem às regras brasileiras, mas o ICMS permanece sendo cobrado integralmente pelos estados.

  • STF forma maioria para manter multa de R$ 40 mil a Bolsonaro

    STF forma maioria para manter multa de R$ 40 mil a Bolsonaro

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria, nesta segunda-feira (31), para manter a multa de R$ 40 mil imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro por propaganda eleitoral irregular nas eleições de 2022. O relator, ministro Flávio Dino, foi acompanhado por Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Luiz Fux tem até sexta-feira (4) para votar. Cristiano Zanin se declarou impedido e não participa do julgamento.

    A condenação, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), refere-se ao impulsionamento de anúncios no Google que direcionavam eleitores ao site da campanha de Bolsonaro. Na abertura da página, havia imagem de destaque do presidente Lula, então candidato, com críticas, além de link para o site “Lulaflix”, que reunia material negativo. O TSE entendeu que o impulsionamento, ainda que contratado para promoção própria, foi usado para atacar adversário prática proibida pela legislação eleitoral.

    Multa foi aplicada por uso de anúncios para desviar eleitor a site com ataques a Lula.

    Multa foi aplicada por uso de anúncios para desviar eleitor a site com ataques a Lula.Pedro Ladeira/Folhapress

    Argumentos da defesa

    A defesa alegou violação à liberdade de expressão e sustentou que o conteúdo promovido era lícito. Também afirmou que o TSE deixou de analisar aspectos relevantes do caso e aplicou de forma indevida regras sobre propaganda paga na internet.

    Flávio Dino rejeitou esses argumentos. Para ele, o TSE fundamentou adequadamente sua decisão e não era obrigado a rebater ponto por ponto das alegações. “O órgão julgador enfrentou as causas de pedir veiculadas pela parte, bem como motivou adequadamente sua decisão e solucionou a controvérsia aplicando o direito que entendeu pertinente na hipótese”, afirmou.

    Segundo Dino, o recurso ao STF exigiria reexame de provas e da legislação infraconstitucional, o que não é permitido. “Rever as premissas fático-probatórias e dissentir das razões encampadas pelo Tribunal de origem demandaria necessariamente o reexame de fatos e provas”, escreveu.

    Voto de Dino

    No mérito, o relator afirmou que houve uso indevido do impulsionamento digital. “Os representados lançaram mão de propaganda eleitoral a princípio regular […], mas que, ao fim e ao cabo, direcionava os usuários a sítio eletrônico no qual estampada de forma ostensiva publicidade em desfavor de concorrente político”.

    Dino classificou a prática como tentativa de contornar a proibição legal. “O caso dos autos revela verdadeira burla à disciplina do impulsionamento de propaganda, na medida em que os representados se valeram de ardil para contornar a vedação estabelecida na legislação e na jurisprudência desta Corte Superior, em afronta ao princípio da boa-fé objetiva”.

  • Democracia ainda enfrenta ameaças, diz Lula sobre ditadura militar

    Democracia ainda enfrenta ameaças, diz Lula sobre ditadura militar

    Em nota de lembrança sobre a ditadura militar, o presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (31) em suas redes sociais que a democracia ainda enfrenta ameaças no País. O chefe de governo ressaltou que, apesar da democracia ter retornado em 1985, ainda lida com “ameaças autoritárias que, infelizmente, ainda insistem em sobreviver”.

    “Nosso povo, com muita luta, superou os períodos sombrios de sua história”, disse Lula.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    A manifestação foi publicada no aniversário de 61 anos do golpe militar de 1964. “Hoje é dia de lembrarmos da importância da democracia, dos direitos humanos e da soberania do povo para escolher nas urnas seus líderes e traçar o seu futuro”, escreveu. “E de seguirmos fortes e unidos em sua defesa”, acrescentou.

    Segundo o presidente, “não existe, fora da democracia, caminhos para que o Brasil seja um país mais justo e menos desigual”. Ele citou o processo de redemocratização iniciado em 1985 e destacou o papel da Constituição de 1988 no fortalecimento do regime democrático. “Esta é uma trajetória que, tenho certeza, continuaremos seguindo. Sem nunca retroceder”, concluiu.

    Foi durante a ditadura militar que o presidente Lula se consolidou como liderança sindical. Chegou a ser preso pelo regime em abril de 1980, enquanto liderava uma greve de metalúrgicos no ABC paulista.

  • Receita começa a pagar lote de restituição do IR nesta segunda

    Receita começa a pagar lote de restituição do IR nesta segunda

    A Receita Federal efetua o pagamento do lote da malha fina de março do Imposto de Renda nesta segunda-feira, 31 de julho. Perto de 120 mil contribuintes que regularizaram suas pendências com o Fisco têm um total de R$ 253,88 milhões a receber em restituições. Este montante também inclui restituições residuais de anos anteriores.

    Consulta ao lote de restituição pode ser feita no site da Receita Federal

    Consulta ao lote de restituição pode ser feita no site da Receita FederalAdriana Toffetti/Ato Press/Folhapress

    Do valor total, R$ 168,86 milhões serão destinados aos contribuintes com prioridade legal para recebimento. A prioridade foi dada a 75.790 contribuintes que informaram a chave Pix do tipo Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) em suas declarações ou utilizaram a declaração pré-preenchida. Desde 2023, a inclusão da chave Pix dá prioridade no recebimento da restituição. Seguindo a lista de prioridades, 16.215 contribuintes têm entre 60 e 79 anos; 4.013 contribuintes têm o magistério como principal fonte de renda; 3.163 contribuintes possuem mais de 80 anos; e 2.405 contribuintes declararam alguma deficiência física ou mental, ou moléstia grave. Os 18.453 contribuintes restantes que não informaram a chave Pix e não se enquadram em nenhuma categoria de prioridade legal completam a lista.

    A consulta à restituição está disponível desde o dia 24 de julho no site da Receita Federal, na seção “Meu Imposto de Renda”, opção “Consultar a Restituição”. O aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones também oferece essa funcionalidade. O pagamento será creditado na conta bancária ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda.

    Contribuintes não incluídos neste lote devem acessar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) para verificar o extrato da declaração. Em caso de pendências, é possível enviar uma declaração retificadora e aguardar os próximos lotes da malha fina. Se a restituição não for depositada na conta indicada na declaração, por exemplo, devido à desativação da conta, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil. O resgate pode ser agendado em qualquer conta bancária do contribuinte através do Portal BB ou pela Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (para deficientes auditivos).

    Caso o valor não seja resgatado dentro de um ano, o contribuinte deverá solicitá-lo pelo Portal e-CAC, no menu “Declarações e Demonstrativos”, opção “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, “Solicitar Restituição Não Resgatada na Rede Bancária”.

  • Deputado propõe projeto que aumenta pena por injúria racial

    Deputado propõe projeto que aumenta pena por injúria racial

    O projeto de lei 309/25, de autoria do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), prevê punições mais severas para quem for condenado por injúria racial, incluindo a perda de cargos ou funções públicas e o cancelamento do registro profissional. O texto pretende modificar tanto a lei Antirracismo quanto o Código Penal.

    Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) é autor da proposta

    Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) é autor da propostaCleia Viana/Câmara dos Deputados

    Segundo o deputado responsável pela iniciativa, “embora a lei já preveja penas de reclusão e multa para esse crime, a realidade demonstra que tais medidas, isoladamente, mostram-se insuficientes para coibir a prática”.

    Desde 2023, com a sanção da lei 14.532, a injúria racial passou a ser considerada uma forma de racismo, resultando em penas mais duras: reclusão de dois a cinco anos e aplicação de multa. A legislação também determina que o crime é imprescritível e não admite fiança.

    A proposta legislativa será submetida à análise das comissões de Trabalho; de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, com tramitação em caráter conclusivo.

    Para entrar em vigor, o texto precisa ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

  • Mentira, vaias e aplausos: a sessão do Congresso que selou a ditadura

    Mentira, vaias e aplausos: a sessão do Congresso que selou a ditadura

    Auro de Moura Andrade dá posse a Ranieri Mazzilli como presidente da República em 2 de abril de 1964

    Auro de Moura Andrade dá posse a Ranieri Mazzilli como presidente da República em 2 de abril de 1964Senado/Domínio público

    Na madrugada de 2 de abril de 1964, sob aplausos, vaias e tumulto, o Congresso Nacional protagonizou um dos episódios mais controversos de sua história: a declaração da vacância da Presidência da República, mesmo com o presidente João Goulart ainda em território nacional e no exercício de suas funções. A sessão foi presidida pelo presidente do Congresso, o paulista Auro de Moura Andrade, figura central no processo que deu aparência de legalidade ao golpe militar que mergulharia o país em uma ditadura de 21 anos.

    “O senhor presidente da República deixou a sede do governo, abandonou o governo! Assim sendo, declaro vaga a Presidência da República”, declarou o senador, sob protestos dos governistas e das aclamações dos golpistas.

    Ouça o áudio histórico e leia mais abaixo a transcrição da declaração de vacância da Presidência da República:

    Fake news

    Os 61 anos do golpe militar são lembrados uma semana depois de o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados se tornaram réus no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.

    A declaração de vacância do cargo, feita por Moura Andrade, foi sustentada em uma falsa alegação: a de que o presidente da República teria abandonado o país sem autorização do Parlamento. Na realidade, uma carta lida em plenário minutos antes, assinada pelo chefe da Casa Civil, Darcy Ribeiro, informava que Jango havia viajado no dia dia anterior (1º) de Brasília para o Rio Grande do Sul, onde buscava apoio junto a tropas legalistas, tentando articular uma reação. Em pleno exercício de seus poderes constitucionais, frisava o comunicado. Mesmo assim, Moura Andrade insistiu: a Nação estava acéfala. 

    Naquela sessão conturbada, convocada às pressas, apenas 178 dos 460 parlamentares estavam presentes. O presidente do Congresso levou adiante o rito, desconsiderando questionamentos sobre a legalidade de seus procedimentos. “Declaro vaga a Presidencia da República e, nos termos do artigo 79 da Constituição, declaro presidente da República o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli”, determinou antes de encerrar a sessão, em meio a aplausos, vaias e xingamentos. “Canalha, canalha, canalha”, gritou Tancredo Neves. “Golpista”, apontaram outros parlamentares. O deputado governista Rogê Ferreira, de São Paulo, recepcionou o colega com uma cusparada no rosto.

    O plenário da Câmara em 1964

    O plenário da Câmara em 1964Arquivo/Câmara dos Deputados

    Moura Andrade, acompanhado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Álvaro Ribeiro da Costa, dirigiu-se até o Palácio do Planalto, onde, às 3h45 da madrugada de 2 de abril, deu posse a Mazzilli como presidente da República. Horas mais tarde, no Rio, cerca de 1 milhão de pessoas saíam às ruas para a “Marcha da Vitória”.

    Forças Armadas

    Vigiada de perto por militares, a cerimônia realizada no Congresso Nacional marcou o desfecho de uma escalada de eventos que, nos dois dias anteriores, havia incluído a marcha de tropas de Minas Gerais rumo ao Rio de Janeiro e a ocupação do Forte de Copacabana, marcos decisivos do golpe de 1964. 

    A articulação dos militares legalistas não se concretizou. Uma greve geral, proposta pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) em defesa do governo, também não obteve sucesso. Buscando proteção, João Goulart deslocou-se do Rio para Brasília em 1º de abril, seguindo posteriormente para Porto Alegre. Lá, Leonel Brizola buscava organizar a resistência, contando com o apoio de oficiais legalistas, numa tentativa de repetir o que havia acontecido em 1961.

    Choro e exílio

    A notícia da posse de Ranieri Mazzilli como presidente interino chegou a João Goulart nas primeiras horas da manhã do dia, em Porto Alegre, onde ele estava acompanhado do deputado Leonel Brizola. Eram 5h21 quando Jango foi informado de que tropas vindas de Curitiba se aproximavam da capital gaúcha.

    Abalado, teve uma crise de choro e, temendo ser capturado, decidiu se refugiar na fazenda Riacho Grande, em São Borja (RS), onde sua família o esperava. Ali, sob orientação do general Assis Brasil, ex-ministro de seu governo, redigiu um pedido de asilo ao Uruguai. Jango morreu em 1976 sem voltar ao Brasil.

    Poder militar

    Mazzilli ocupou a Presidência por 13 dias. Era seu segundo mandato interino, após ter assumido o cargo pela primeira vez em 1961, durante a crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros. Mas, em 1964, seu papel era apenas simbólico. O verdadeiro poder estava nas mãos de uma junta militar autodenominada Comando Supremo da Revolução, formada pelo almirante Augusto Rademaker (Marinha), pelo general Artur da Costa e Silva (Exército) e pelo brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica).

    Essa junta foi responsável por consolidar o novo regime. No dia 9 de abril, publicou o Ato Institucional nº 1, que abriu caminho para a suspensão de direitos políticos, cassações e outras medidas de exceção. Dez dias após o golpe, 40 parlamentares haviam perdido seus mandatos e direitos políticos. O Congresso, ainda em funcionamento formal, passaria a ser tutelado pelos militares, com recesso decretado sempre que contrariasse os interesses do regime.

    Em 11 de abril, já sob influência do novo regime, o Congresso elegeu indiretamente o general Humberto Castelo Branco para a Presidência. Foram 361 votos favoráveis e 72 abstenções. No dia 15, Mazzilli passou o cargo, selando o início oficial de uma longa e sombria era de ditadura no Brasil. Em 1965, o Ato Institucional nº 2 extinguiu os partidos políticos e instaurou o bipartidarismo, ampliou o número de ministros do Supremo Tribunal Federal e concentrou ainda mais poderes no Executivo.

    Sessão anulada

    A atuação de Auro de Moura Andrade em 2 de abril de 1964 ficou marcada como um gesto decisivo para a consolidação do golpe. A falsa legalidade criada por ele deu respaldo institucional à ação militar. Meio século depois, em 2013, o Congresso Nacional anulou simbolicamente a sessão que declarou a vacância da Presidência, reconhecendo o erro histórico. Mas a farsa construída naquela madrugada já havia feito seu estrago.

    O golpe de 1964 teve o apoio direto dos Estados Unidos, que temiam o avanço de políticas mais independentes na América Latina. A deposição de João Goulart, que pretendia combater as desigualdades com reformas sociais e econômicas, abriu caminho para uma ditadura que silenciou vozes, censurou a imprensa, torturou opositores e atrasou em décadas o processo democrático brasileiro. 

    Opositor declarado

    Auro de Moura Andrade não era um político qualquer. Formado em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco (USP), começou a carreira política na década de 1940. Passou por diversos partidos – UDN, PTN, PSD – e, em 1961, assumiu a Presidência do Senado, cargo que ocuparia por sete anos consecutivos.

    Seu protagonismo no cenário político ficou evidente durante a crise que se seguiu à renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961. Na época, conduziu o Congresso durante os debates que culminaram na adoção provisória do parlamentarismo, medida que viabilizou a posse de João Goulart como presidente. Curiosamente, foi o mesmo político que, menos de três anos depois, usaria seu poder para destituir o presidente que ajudou a empossar.

    Em 1962, chegou a ser indicado por João Goulart para ser primeiro-ministro e substituir Tancredo Neves. Declinou da indicação após o então presidente solicitar que ele deixasse escrita, em seu poder, uma carta de renúncia.

    Marcha da Família

    O senador se tornou um dos principais opositores de Jango, acusado por setores conservadores de ser comunista por defender reformas estruturais, as chamadas “Reformas de Base”. Moura Andrade participou ativamente das articulações golpistas: discursou na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, apelou às Forças Armadas para restabelecerem a ordem constitucional e declarou publicamente o rompimento entre os poderes Legislativo e Executivo semanas antes do golpe. 

    Moura Andrade tentou integrar a chapa de Castelo Branco como vice-presidente, mas foi preterido por José Maria Alkmin. Em 1970, perdeu a disputa interna pela candidatura ao Senado por São Paulo e deixou a política. Entre 1968 e 1969, ocupou o cargo de embaixador do Brasil na Espanha. Faleceu em 1982, aos 67 anos, enquanto presidia o Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

    Apesar de sua fidelidade aos militares, Moura Andrade demonstrou, em episódios pontuais, desconforto com os excessos do regime. Em 1966, apoiou o presidente da Câmara, Adauto Lúcio Cardoso, que se recusou a acatar a cassação de seis deputados. A retaliação veio com o fechamento do Congresso por um mês. O Parlamento seria fechado outras duas vezes pela ditadura, 1968 e 1977.

    Abaixo, a transcrição do pronunciamento do presidente do Congresso em 1964:

    “Atenção. O Sr. presidente da República deixou a sede do governo. Deixou a nação acéfala.

    Numa hora gravíssima da vida brasileira, em que é mister que o chefe de Estado permaneça à frente do seu governo, abandonou o governo.

    E esta comunicação faço ao Congresso Nacional. Esta acefalia, esta acefalia configura a necessidade de o Congresso Nacional, como poder civil, imediatamente tomar a atitude que lhe cabe nos termos da Constituição brasileira.

    Para o fim de restaurar nesta pátria conturbada a autoridade do governo, e a existência de governo, não podemos permitir que o Brasil fique sem governo, abandonado.

    Há sob a nossa responsabilidade a população do Brasil, o povo, a ordem. Assim sendo, declaro vaga a Presidência da República.”

  • STF publica mensagem sobre golpe de 64: “lembrar para não repetir”

    STF publica mensagem sobre golpe de 64: “lembrar para não repetir”

    Fachada do Supremo Tribunal Federal

    Fachada do Supremo Tribunal FederalGustavo Moreno/SCO/STF

    O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta segunda-feira (31), em seus perfis oficiais nas redes sociais, uma mensagem alusiva ao golpe militar de 1964. Segundo o texto, a data deve ser lembrada para que nunca se repita.

    O golpe civil-militar, que completa 61 anos nesta segunda-feira, deu início a um regime ditatorial no Brasil liderado por generais, que se estendeu por 21 anos. Durante esse período, o país viveu sob suspensão de eleições diretas e restrições à liberdade de expressão e à atuação de forças políticas de oposição.

    A publicação do Supremo destaca: “Há 61 anos, direitos fundamentais foram comprometidos no Brasil: era o início da ditadura militar, que perdurou por 21 anos. A Constituição Federal de 1988 foi o marco da redemocratização e restabeleceu garantias, princípios e diretrizes para reger o Estado Democrático de Direito.”

    O conteúdo foi publicado nos perfis do STF nas redes Instagram, X e Facebook. A mensagem termina ressaltando a importância de se refletir sobre a data: “lembrar para que nunca mais se repita. Hoje e sempre, celebre a democracia e a Constituição Cidadã”.

  • MPF arquiva investigação contra Bolsonaro por aproximação de baleia

    MPF arquiva investigação contra Bolsonaro por aproximação de baleia

    O Ministério Público Federal (MPF) arquivou a investigação que apurava se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cometeu crime ambiental ao se aproximar de uma baleia jubarte durante um passeio de jet ski, em junho de 2023, no litoral norte de São Paulo.

    O parquet seguiu a conclusão da Polícia Federal, que também não viu elementos para responsabilização penal. Para o MPF, não ficou demonstrado que houve intenção de incomodar ou causar prejuízo ao animal, condição necessária para caracterizar crime segundo a legislação vigente.

    Procuradores entenderam que não houve intenção de importunação ao animal.

    Procuradores entenderam que não houve intenção de importunação ao animal.Pedro Ladeira/Folhapress

    A apuração teve início após a divulgação de vídeos nas redes sociais. As imagens mostraram Bolsonaro manobrando um jet ski a menos de 15 metros da baleia, distância inferior aos 100 metros exigidos por norma do Ibama. O ex-presidente foi multado em R$ 2,5 mil pela infração.

    No depoimento prestado à Polícia Federal, Bolsonaro afirmou que reduziu a velocidade, manteve o jet ski em ponto morto e aguardou o afastamento do animal antes de retomar o trajeto. Disse ainda que tomou cuidado para não cruzar a linha de deslocamento da baleia.

    Após o arquivamento, o advogado do ex-presidente, Paulo Amador da Cunha Bueno, divulgou nota em que criticou a investigação. “A eminente procuradora da República, subscritora do parecer, acolheu, in totum, as razões que articulamos, como linha de defesa, durante as diligências da Polícia Federal e que, ao final, evidenciaram, a um só tempo, o absurdo daquela apuração e a mobilização da máquina estatal na direção de um episódio nitidamente sem qualquer repercussão jurídica”, afirmou.