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  • Tributaristas analisam proposta do governo para isenção do IR

    Tributaristas analisam proposta do governo para isenção do IR

    O Congresso Nacional recebeu, na terça-feira (18), proposta do Poder Executivo para dar descontos ou isentar do Imposto de Renda (IR) mais de 90 milhões de brasileiros. Quem recebe até R$ 5 mil por mês não pagará o imposto que também será cobrado em valor reduzido para quem ganha até R$ 7 mil mensais.

    Para compensar os cofres públicos, o projeto de lei 1.087/2025 propõe o estabelecimento de um piso na cobrança de Imposto de Renda de quem recebe mais de R$ 50 mil por mês. O texto prevê que o tributo mínimo ficará entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano.

    O governo espera que as regras de isenções funcionem a partir de 2026. Para isso, Câmara, que está com o texto, e Senado devem aprovar o projeto ainda neste ano.

    Diante da relevância da proposta, o Congresso em Foco consultou especialistas para uma análise detalhada dos impactos da medida.

    Tributaristas emitiram suas opiniões sobre o projeto de isenção do IR.

    Tributaristas emitiram suas opiniões sobre o projeto de isenção do IR.Freepik

    Justiça fiscal e capacidade contributiva

    A tributarista Betina Grupenmacher considera que a isenção atende ao princípio da capacidade contributiva. “Quem ganha até R$ 5 mil não tem mesmo capacidade contributiva para pagar o imposto. Tem apenas o mínimo existencial.”

    Ela também observa que, do ponto de vista da arrecadação, a proposta busca um equilíbrio: “Sob o aspecto das contas públicas também é bom porque vai compensar a arrecadação que será perdida com a isenção dos R$ 5 mil.”

    No entanto, alerta para um problema prático: “Se passar de 34% haverá retenção na fonte e devolução só será feita com o ajuste, e com isso o governo fica ‘trabalhando’ com o dinheiro do contribuinte, o que, no meu entendimento, fere o direito de propriedade.”

    Ela ainda levanta um questionamento relevante sobre a destinação dos recursos arrecadados: “Para onde vai esse dinheiro que vai abastecer ainda mais os cofres públicos? É certo que a tributação deve ser progressiva e observar a capacidade contributiva, mas o governo tem que fazer a sua parte e não faz. Não temos serviços públicos de qualidade, o que compromete o princípio da dignidade humana. Por isso não gostamos de pagar cada vez mais impostos.”

    Lina Santin também avalia positivamente a ampliação da faixa de isenção e destaca que “a medida é bem-vinda pois aumenta a faixa de isenção, que já sofreu duas correções sob a gestão do ministro Fernando Haddad, mas ficou congelada desde 2015 até 2023.”

    Entretanto, ela ressalta a necessidade de clareza no conceito de alíquota efetiva e alerta para possíveis distorções:

    “Se o projeto está chamando de ‘alíquota efetiva’ o que em realidade é ‘carga tributária efetiva’, estaríamos então falando em um limite de alíquota nominal aplicada sobre o faturamento total das empresas que estão no lucro presumido, ignorando assim o percentual da base presumida de lucro estabelecido em lei – e como resultado estaria inviabilizada a restituição de valores retidos de sócios de pessoas jurídicas sujeitas ao lucro presumido ou simples nacional, criando insegurança jurídica e abrindo espaço para contencioso.”

    Impactos na arrecadação e a tributação de dividendos

    Para Luiz Gustavo Bichara, a medida pode resultar em um aumento de arrecadação em vez de neutralidade fiscal. “A proposta acaba por gerar aumento de arrecadação em 2026, ano eleitoral, postergando para depois de abril/2027 o ‘acerto de contas’.”

    Ele também observa que a tributação sobre dividendos pode não cumprir a promessa de neutralidade fiscal: “O documento em questão estima que o IRPF e a retenção sobre dividendos pagos ao exterior gerem uma arrecadação que supera em R$ 10 bilhões anuais os valores da renúncia fiscal resultante da ampliação da faixa de isenção.”

    Além disso, Bichara destaca um aspecto importante da proposta:

    “Estender o limite de isenção até R$ 5 mil mensais é exagerado em um país de renda média como o nosso. Para se ter ideia, um casal sem filhos em que cada um tenha rendimento mensal de R$ 5 mil figura no topo da nossa distribuição de renda, entre os 10% mais ricos. A medida reduz a apenas 10 milhões de cidadãos a base de contribuintes do IRPF em uma população economicamente ativa de 100 milhões de pessoas.”

    Rodrigo Massud destaca que o projeto não propõe uma reforma tributária estruturante e pode incentivar a pejotização:

    “Me parece que essa medida vai acabar induzindo uma pejotização, porque não está previsto ali, aparentemente, a tributação de dividendos entre pessoas jurídicas. Uma pessoa jurídica sócia de outra vai receber dividendos e esses dividendos não estão sendo contemplados nessa alíquota mínima de 10%.”

    Ele também observa que “não há uma garantia efetiva de que terá uma restituição desse imposto mínimo no ajuste anual. Aliás, conforme entrevistas recentes divulgadas pela própria Receita, parece que o que se indica é que a alíquota de 10% de tributação mínima é um piso e não um teto.”

    Consequências fiscais e macroeconômicas

    Massud também alerta para os impactos macroeconômicos da isenção: “Os economistas todos, há uma unanimidade, essa isenção vai estimular consumo, vai injetar dinheiro na economia e fazer mais pressão sobre a inflação e o impacto nos juros que já estão com uma projeção de alta.”

    Ele critica a falta de medidas para reduzir gastos: “O governo continua resistente a fazer cortes de gastos ou reformas administrativas, parece não estar no radar, sobretudo na proximidade de um ano eleitoral.”

    Bichara complementa esse ponto ao indicar que a proposta “ignora os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade. Embora não se possa negar que o indivíduo que aufira R$ 1,2 milhão anuais esteja em condições privilegiadíssimas quando comparado à esmagadora maioria da nossa população, a aplicação desses postulados demandaria uma gradação de alíquotas que diferenciasse esse contribuinte daqueles cujos rendimentos alcancem R$ 1,2 bilhão ao ano. Trata-se de grandezas completamente distintas, que devem assim ser tratadas pela legislação.”

  • Copom aumenta Selic em 1 ponto pela 3ª vez seguida, para 14,25% ao ano

    Copom aumenta Selic em 1 ponto pela 3ª vez seguida, para 14,25% ao ano

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou as expectativas do mercado e decidiu nesta quarta-feira (19) por uma nova elevação na taxa básica de juros, a Selic, em 1 ponto percentual. Com isso, a Selic foi de 13,35% para 14,25% ao ano.

    A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Os reajustes do Copom são a principal ferramenta do Banco Central para o controle da inflação.

    • se a Selic diminui, há uma queda nos juros de outras operações. Isso estimula o consumidor a tomar empréstimos ou a realizar operações no crédito, já que fica mais barato tomar dinheiro emprestado, e impulsiona o consumo.
    • se a Selic aumenta, fica mais caro e difícil tomar empréstimos. Isso desestimula o consumo, o que segura a inflação.

    Este é o quinto aumento consecutivo da Selic pelo Copom, e o terceiro de um ponto percentual, em ritmo mais acelerado. O comitê já havia sinalizado a possibilidade de um ciclo de altas na taxa de juros nos encontros anteriores.

    As subidas visam a trazer a inflação para dentro da meta. A última edição do Boletim Focus mostrou que, atualmente, o mercado prevê que o IPCA, que mede a inflação oficial, deve fechar o ano com alta de 5,66%. Para entrar no intervalo permitido pela meta, a inflação de 2025 deve ficar, no máximo, em 4,5%.

    O Copom se reúne a cada 45 dias para deliberar sobre a taxa de juros. A próxima reunião está marcada para 6 de maio.

    Edifício-sede do Banco Central, em Brasília

    Edifício-sede do Banco Central, em BrasíliaRafa Neddermeyer/Agência Brasil

  • Partidos começam a indicar presidentes das comissões; veja a lista

    Partidos começam a indicar presidentes das comissões; veja a lista

    Filipe Barros foi indicado pelo PL para presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional

    Filipe Barros foi indicado pelo PL para presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa NacionalMário Agra/Agência Câmara

    Depois de muitas negociações, os partidos começam a indicar os presidentes das comissões temáticas na Câmara. Até o final da manhã, desta quarta-feira (19), cerca de 20 deputados haviam sido indicados pelos seus líderes para comandar os colegiados. Os nomes precisam ser confirmados em eleição dos colegiados, mas, em geral, são respeitadas as escolhas feitas pelos partidos. O rateio das comissões entre as bancadas foi definido na noite dessa terça-feira (18).

    O deputado Filipe Barros (PL-PR) assumirá a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. O principal cotado para o cargo era o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentou grande resistência da base governista. Eduardo anunciou nessa terça-feira que vai se licenciar do mandato e permanecer nos Estados Unidos para articular politicamente em favor de seu pai. O deputado chegou a informar que o líder da oposição, Zucco (PL-RS), assumiria o comando da comissão. Zuco, no entanto, preferiu seguir à frente da oposição.

    A mais poderosa das comissões, a de Constituição e Justiça (CCJ), será presidia pelo deputado Paulo Azi (União-BA), ex-presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. O PT priorizou a escolha da Comissão de Finanças e Tributação, responsável pela fiscalização das ações do governo, com o deputado Rogério Correia (MG).

    Veja quem já foi indicado para presidência de comissão até agora:

    Comissão de Constituição e Justiça – Paulo Azi (União-BA)

    Comissão de Educação – Maurício Carvalho (União-RO)

    Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional – Yandra Moura (União-SE)

    Comissão de Minas e Energia – Diego Andrade (PSD-MG)

    Comissão de Esporte – Laura Carneiro (PSD-RJ)

    Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional – Filipe Barros (PL-PR)

    Comissão de Finanças e Tributação – Rogério Correia (PT-MG)

    Comissão da Saúde – Zé Vitor (PL-MG)

    Comissão de Trabalho – Léo Prates (PDT-BA)

    Comissão de Viação e Transportes – Maurício Neves (PP-SP)

    Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado – Paulo Bilynskyj (PL-SP)

    Comissão de Turismo – Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG)

    Comissão de Indústria, Comércio e Serviços Beto Richa (PSDB-PR)

    Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Duarte Jr (PSB-MA)

    Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família – Ruy Carneiro (Podemos-PB)

    Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa – Zé Silva (Solidariedade-MG)

    Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação – Ricardo Barros (PP-PR)

    Comissão de Desenvolvimento Econômico – Lafayette Andrada (Republicanos-MG)

    Comissão de Comunicação – Julio César Ribeiro (Republicanos-DF)

    Veja abaixo a distribuição das comissões entre os partidos:

    1. Relações Exteriores – PL

    2. Saúde- PL

    3. Fiscalização e Controle – PT

    4. Agricultura – PL

    5. Finanças e Tributação – PT

    6. Constituição e Justiça – União Brasil

    7. Segurança – PL

    8. Aviação e Transporte – PP

    9. Direitos Humanos – PT

    10. Meio Ambiente – MDB

    11. Minas e Energia – PSD

    12. Educação – União Brasil

    13. Comunicação – Republicanos

    14. Turismo – PL

    15. Ciência e Tecnologia – PP

    16. Cultura – PT

    17. Desenvolvimento Urbano – MDB

    18. Esporte – PSD

    19. Integração e Desenvolvimento Regional – União Brasil

    20. Desenvolvimento Econômico – Republicanos

    21. Previdência – Podemos

    22. Indústria e Comércio – PSDB/Cidadania

    23. Trabalho – PDT

    24. Pessoa com Deficiência – PSB

    25. Administração – Avante

    26. Idoso – Solidariedade

    27. Consumidor – PCdoB

    28. Povos Originários – PV

    29. Legislação Participativa – PRD

    30. Mulher – Psol

  • Gusttavo Lima desiste de eleição para presidente: “Não tenho estômago”

    Gusttavo Lima desiste de eleição para presidente: “Não tenho estômago”

    Dois meses após ter anunciado que pretendia ser candidato a presidente, o cantor Gusttavo Lima anunciou nesta quarta-feira (19) que desistiu de concorrer ao Planalto em 2026. Em entrevista ao Metrópoles, Gusttavo disse que sua decisão foi motivada principalmente pela oposição de sua família e pela percepção da intensa polarização política esperada para as eleições.

    Gusttavo Lima diz que vai priorizar carreira internacional, mas não descarta candidatura no futuro

    Gusttavo Lima diz que vai priorizar carreira internacional, mas não descarta candidatura no futuroRubens Cavallari/Folhapress

    “Eu fiquei impressionado com a boa receptividade do Brasil, mas muitas pessoas próximas se posicionaram contra, inclusive minha família, o que pesou muito. As eleições de 2026 ainda serão muito polarizadas. Você tem que sentar para negociar coisas que, às vezes, não são de interesse do Brasil, mas de partidos e de pessoas. Não tenho estômago. Meu negócio é trabalhar e ajudar as pessoas”, declarou.

    O cantor afirmou que pretende focar em sua carreira internacional, recém-impulsionada por uma parceria com a Sony Mundo, e na criação do Instituto Gusttavo Lima, com o objetivo de auxiliar 2 mil idosos ainda este ano. “Estou desistindo da candidatura a presidente do Brasil em 2026. Nada impede que, na próxima eleição ou daqui a duas ou três, eu seja candidato”, ressaltou o artista, de 36 anos.

    Ele declarou que irá acompanhar o desenrolar das eleições e opinar, mas sem se envolver diretamente em nenhuma campanha. “Quero que as pessoas estejam bem atentas, porque 2026 é um ano crucial para a gente. Espero que o povo saiba escolher bem, porque não quero ver mais meu povo sofrer. Não vou desistir de ajudar e sempre vou correr atrás para angariar coisas boas aos brasileiros.”

    O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), pré-candidato a presidente em 2026, havia defendido uma aliança com Gusttavo Lima. O nome do sertanejo, que mora em Goiânia, também era cotado para a disputa ao Senado por Goiás. 

  • Elcione Barbalho assume Comissão de Meio Ambiente com foco na COP30

    Elcione Barbalho assume Comissão de Meio Ambiente com foco na COP30

    A deputada federal Elcione Barbalho (MDB-PA) assumiu, nesta quarta-feira (19), a presidência da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados. No discurso de posse, destacou a importância da COP30 como prioridade e oportunidade para fortalecer o protagonismo do Brasil na agenda ambiental global.

    Elcione Barbalho é também presidente da Frente Parlamentar para o Fortalecimento da COP30.

    Elcione Barbalho é também presidente da Frente Parlamentar para o Fortalecimento da COP30.Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    “A COP30 não é apenas um evento, é um compromisso real de que podemos liderar um modelo de desenvolvimento sustentável para o mundo. O Pará tem muito a mostrar: da bioeconomia à valorização dos produtos florestais, do incentivo às cadeias sustentáveis como açaí, castanha e cacau, ao investimento em infraestrutura e qualificação para que esse evento deixe um legado duradouro para nossa gente”, afirmou.

    Elcione é presidente da Frente Parlamentar para o Fortalecimento da COP30 e mãe do governador Helder Barbalho, do Pará, onde será realizada a conferência no mês de novembro. Ela também reforçou a necessidade de respeitar as populações que protegem os biomas brasileiros, promovendo inclusão social e geração de renda. Também reafirmou o compromisso da comissão com políticas públicas que integrem inovação, economia e preservação ambiental.

    “A responsabilidade é grande, mas estou pronta para esse trabalho e confiante de que, juntos, faremos a diferença”, concluiu.

  • STF tem maioria para manter Dino, Zanin e Moraes em julgamento de Bolsonaro

    STF tem maioria para manter Dino, Zanin e Moraes em julgamento de Bolsonaro

    O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou nesta quarta-feira (19) maioria para manter os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino no julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados por suposta tentativa de golpe de Estado.

    Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

    Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.Fotos: Rosinei Coutinho/STF; Nelson Jr./STF; Nelson Jr./STF

    A decisão foi tomada no plenário virtual da Corte, onde seis ministros votaram pela rejeição dos recursos apresentados pela defesa de Bolsonaro e dos generais Walter Souza Braga Netto e Mário Fernandes. A defesa do ex-presidente tentava afastar Dino e Zanin do caso, enquanto Braga Netto questionava a relatoria de Moraes.

    • os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luís Roberto BarrosoLuiz Edson Fachin já votaram contra os recursos. Os ministros não votam nos casos em que são alvo do questionamento. Ou seja: Alexandre de Moraes não pôde votar no caso que analisa a sua própria permanência no processo, mas pôde votar a favor de Flávio Dinl e Cristiano Zanin.

    Com a decisão, a Primeira Turma do STF seguirá com o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), marcado para a próxima terça-feira (25). A PGR acusa Bolsonaro e um grupo de aliados de integrar uma organização criminosa que teria planejado um golpe de Estado para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2023.

    A defesa de Bolsonaro também solicitou que o caso fosse analisado pelo plenário completo do STF, composto por 11 ministros, e não apenas pela Primeira Turma, que reúne cinco magistrados. Esse pedido ainda será avaliado.

    A denúncia da PGR envolve 34 pessoas, incluindo ex-ministros e militares, sob acusações como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Segundo a PGR, o grupo utilizou estrutura estatal para fragilizar a confiança no sistema eleitoral e tentou articular medidas que levariam à ruptura institucional.

    O julgamento dos recursos no plenário virtual segue até esta quinta-feira (20), mas a maioria já formada garante a manutenção dos ministros na análise do caso.

  • Filipe Barros assume Credn e defende Eduardo Bolsonaro

    Filipe Barros assume Credn e defende Eduardo Bolsonaro

    O deputado Filipe Barros (PL-PR) assumiu, nesta quarta-feira (19), a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credn). Ele foi escolhido para o cargo um dia após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciar licença por tempo indeterminado. Eduardo era o nome preferido do partido para comandar o colegiado, mas a indicação foi inviabilizada pela decisão de não retornar ao país.

    Em seu discurso de posse, Filipe Barros defendeu o colega e reforçou o alinhamento às suas teses.

    Novo presidente da Credn, Filipe Barros chama afastamento de Eduardo de

    Novo presidente da Credn, Filipe Barros chama afastamento de Eduardo de “histórico”.Mário Agra/Câmara dos Deputados

    Licença de Eduardo Bolsonaro

    Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro. Na terça-feira (18), ele anunciou que pediria licença do mandato, alegando receio de ser preso ao retornar ao Brasil. A decisão foi mantida mesmo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) negar o pedido de investigação contra ele.

    A iniciativa do deputado ocorreu após uma notícia-crime apresentada pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). O parlamentar petista solicitou que Eduardo fosse investigado e que seu passaporte fosse retido, sob a alegação de que ele agiu contra interesses nacionais.

    O pedido teve como base a articulação do deputado para a aprovação de um projeto aprovado no Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA. A proposta visava impedir a entrada do ministro Alexandre de Moraes no país, em represália ao bloqueio de plataformas de mídias sociais americanas no Brasil.

    Posicionamento de Filipe Barros

    Ao comentar a licença de Eduardo Bolsonaro, Filipe Barros classificou o afastamento como “histórico”, alegando que ele estaria se exilando para evitar uma “perseguição às liberdades e à sua família”. O novo presidente da Credn argumentou que há um movimento para excluir a direita da política nacional e questionou se pode haver democracia sem espaço para esse espectro ideológico.

    Barros criticou o que chamou de “judicialização da política” e afirmou que há um “extremismo da coerção estatal” que estaria suprimindo liberdades e criminalizando opiniões. Segundo ele, assume a comissão com a missão de resgatar “a verdadeira soberania e as liberdades”, destacando que o colegiado será uma “trincheira institucional” para reafirmar a vontade do povo.

    Influência estrangeira

    Durante seu discurso, Barros também criticou a atuação de organizações internacionais na política brasileira, em especial as ONGs que receberam recursos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAid), órgão governamental extinto pelo governo Trump que tinha como função patrocinar instituições voltadas ao desenvolvimento e defesa dos direitos humanos em países parceiros dos EUA.

    “As relações internacionais têm que ser pautadas sobretudo na ideia de Estados-nações fortes, culturalmente soberanos. Hoje, infelizmente, não é o que assistimos no Brasil nas últimas décadas, onde fundações internacionais usam seu poderio econômico para influenciar na política local”, afirmou Barros.

    Disputa pela comissão

    A definição da presidência da Credn ocorreu após semanas de atrito no Colégio de Líderes. O PT tentou impedir que o comando ficasse com o PL, defendendo que a posição fosse ocupada pelo PSDB. A preocupação era que, sob a liderança de Eduardo Bolsonaro, os trabalhos da comissão pudessem comprometer a preparação do Brasil para a COP30 e influenciar disputas comerciais com os Estados Unidos.

    Eduardo Bolsonaro é um dos principais articuladores da oposição em nível internacional. Entusiasta de Donald Trump, chegou a ser cogitado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o cargo de embaixador nos Estados Unidos. No entanto, a indicação não avançou diante de críticas e alegações de nepotismo.

  • Moraes arquiva pedido de apreensão de passaporte de Eduardo Bolsonaro

    Moraes arquiva pedido de apreensão de passaporte de Eduardo Bolsonaro

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou o pedido do PT e de deputados petistas para investigar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pela suspeita de obstrução de investigação e atentado à soberania.

    Eduardo Bolsonaro anunciou que vai morar nos Estados Unidos

    Eduardo Bolsonaro anunciou que vai morar nos Estados UnidosMário Agra/Agência Câmara

    A decisão, que seguiu a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), rejeitou a aplicação de medidas cautelares como a apreensão do passaporte.

    A PGR considerou que as alegações, que incluíam a acusação de articular retaliações contra o Brasil nos EUA, não configuram crime, principalmente atentado à soberania, que exige negociação com entidades estrangeiras para atos de guerra ou invasão. Moraes justificou o arquivamento pela ausência de denúncia do Ministério Público, titular da ação penal pública.

    O arquivamento se deu no mesmo dia em que Eduardo anunciou seu afastamento do mandato e sua decisão de morar nos Estados Unidos, de onde pretende articular contra Alexandre de Moraes e tentar intervir politicamente em favor de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, alvo de uma denúncia da PGR por tentativa de golpe. 

    “Assumi o mandato parlamentar para representar a minha nação. Eu abdico temporariamente dele para seguir bem representando esses milhões de irmãos de Pátria”, afirmou o parlamentar em vídeo.

  • Comissão de Educação no Senado começa debates do PNE na próxima semana

    Comissão de Educação no Senado começa debates do PNE na próxima semana

    A Comissão de Educação e Cultura do Senado inicia na próxima terça-feira (25) um ciclo de 12 audiências a respeito do Plano Nacional da Educação 2024-2034. Na sessão desta terça-feira (18), a presidente da comissão, senadora Teresa Leitão (PT-PE), lembrou os outros integrantes da agenda.

    A senadora Teresa Leitão (PT-PE) preside a Comissão de Educação e Cultura do Senado.

    A senadora Teresa Leitão (PT-PE) preside a Comissão de Educação e Cultura do Senado.Geraldo Magela/Agência Senado

    Plano Nacional da Educação é um conjunto de diretrizes, metas e estratégias que orientam a política educacional no Brasil a cada dez anos. O objetivo é garantir avanços na qualidade e no acesso à educação, abrangendo desde a educação infantil até o ensino superior.

    De acordo com a senadora, a ideia é realizar um trablaho conjunto com a Câmara dos Deputados na discussão do documento. “Vamos procurar a Câmara dos Deputados, que já constituiu uma comissão especial para fazer o debate sobre o Plano, para ter um intercâmbio sobre o PNE”, explica. De acordo com ela, a tramitação do plano “começa por lá, mas é bom a gente também acompanhar para que, este ano, possa ser um ano proativo, um ano de deliberação, que a gente possa concluir este ano com um plano aprovado”.

    A sequência de audiências foi estabelecida no requerimento 3/2025 (íntegra), aprovado em 11 de março. Eis a sequência de encontros planejados:

    • 1ª Audiência Pública

    1. representante do Ministério da Educação;

    2. representante do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed);

    3. representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime); e

    4. representante do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

    • 2ª Audiência Pública

    1. representante do Conselho Nacional de Educação (CNE);

    2. representante do Fórum Nacional de Educação (FNE);

    3. representante da União dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME);

    4. representante do Fórum Nacional de Conselhos Estaduais de Educação (Foncede);

    • 3ª Audiência Pública:

    1. representante da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes);

    2. representante do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB);

    3. representante da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup);

    4. representante da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem);

    5. representante da Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes).

    • 4ª Audiência Pública:

    1. representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE);

    2. representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE);

    3. representante da Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes-Federação);

    4. representante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes);

    5. representante da Federação de Sindicatos de Trabalhadores de Universidades Brasileiras (Fasubra).

    • 5ª Audiência Pública:

    1. representante do Fórum Nacional de Educação do Campo (Fonec);

    2. representante da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq).

    3. representante do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI);

    4. representante do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib);

    5. representante dos Fóruns de Educação de Jovens e Adultos do Brasil (Fóruns EJA Brasil);

    • 6ª Audiência Pública

    1. representante da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae);

    2. representante da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope);

    3. representante do Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros/Departamentos de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (Forumdir);

    4. representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC);

    5. representante da Associação Nacional e Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped); 

    6. representante da Associação Nacional de Pesquisadores em Financiamento da Educação (Fineduca)

    • 7ª Audiência Pública:

    1. representante do Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas Autistas (Abraça);

    2. representante do Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab);

    3. representante do Conselho Brasileiro para a Superdotação (Conbrasd);

    4. representante da Federação Nacional das Apaes (Fenapaes);

    5. representante da Federação Nacional das Associações Pestalozzi (Fenapestalozzi);

    6. representante da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis).

    • 8ª Audiência Pública:

    1. representante da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec);

    2. representante do Fórum Brasileiro da Educação Particular (Brasil Educação);

    3. representante da Associação Brasileira da Educação Básica de Livre Iniciativa (Abreduc);

    4. representante da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen);

    5. representante da Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (Abiee).

    • 9ª Audiência Pública:

    1. representante do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif);

    2. representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT);

    3. representante do Sistema “S”;

    4. representante da Associação Fórum Nacional das Mantenedoras de Instituições de Educação Profissional e Tecnológica (BRASILTEC).

    • 10ª Audiência Pública:

    1. representante da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes);

    2. representante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ);

    3. representante da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj);

    4. representante da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

    • 11ª Audiência Pública:

    1. representante da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes);

    2. representante da União Nacional dos Estudantes (UNE);

    3. representante da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG);

    4. representante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação;

    5. representante do Movimento Todos pela Educação.

    • 12ª Audiência Pública:

    1. representante da Comissão Permanente de Educação (Copeduc);

    2. representante da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon); e

    3. representante do Instituto Rui Barbosa.

  • Senado vota isenção de visto para americanos; Itamaraty é contra

    Senado vota isenção de visto para americanos; Itamaraty é contra

    Está na pauta do plenário do Senado, nesta quarta-feira (19), um projeto de decreto legislativo que revoga decisão do governo Lula de cobrar visto para ingresso no país de norte-americanos, canadenses, australianos e japoneses. A proposta, de autoria do líder do PL na Casa, Carlos Portinho (PL-RJ), enfrenta resistência do Itamaraty, que encaminho uma nota aos senadores, nessa terça-feira, defendendo a manutenção do visto.

    Autor do projeto de decreto legislativo, Carlos Portinho diz que cobrança de visto de americanos, canadenses, japoneses e australianos atrapalha o turismo no país

    Autor do projeto de decreto legislativo, Carlos Portinho diz que cobrança de visto de americanos, canadenses, japoneses e australianos atrapalha o turismo no paísMarcos Oliveira/Agência Senado

    O Ministério das Relações Exteriores argumenta que a exigência de visto, reimposta pelo governo Lula, restabelece a reciprocidade, uma vez que esses países mantêm a exigência de visto para brasileiros. A isenção havia sido dada na gestão de Jair Bolsonaro. De acordo com o Itamaraty, a liberação do visto para cidadãos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão não aumentou o número de visitantes desses países no Brasil e pode resultar em processos judiciais para reembolso dos valores pagos pelos vistos já emitidos, cerca de 62 mil.

    Os quatro países exigem visto de brasileiros para liberar a entrada em seus territórios.

    Carlos Portinho sustenta que a cobrança do documento aumenta a burocracia e prejudica o turismo e a economia. O projeto conta com o apoio de entidades do G20 do Turismo, incluindo associações de agências de viagens, empresas aéreas e hotéis. “A legislação não impõe a reciprocidade em todos os casos, mas sim, deixa claro que regulamento deverá definir os requisitos para concessão de visto, sua simplificação, podendo ser utilizado a reciprocidade”, afirma Portinho.

    O senador prossegue em sua justificativa: “Depreende-se que a aplicação do Princípio da Reciprocidade, quando em conflito com outros princípios, deve-se aplicar o que for mais benéfico para o país. Sendo assim, constata-se que o presidente da República, exorbita do seu poder na medida que revoga o Decreto nº 9.731, de 16 de março de 2019, sob primícias equivocadas, ferindo, ainda, o ganho da administração pública que está diretamente ligado aos princípios constitucionais da eficiência e da economicidade”.