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  • Radar do Congresso é destacado por antropólogo na Folha de S.Paulo

    Radar do Congresso é destacado por antropólogo na Folha de S.Paulo

    O professor de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Rodrigo Toniol contestou em artigo na Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira (7), a descrição do deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), novo presidente da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), como bolsonarista. Toniol recorreu ao Radar do Congresso, ferramenta de monitoramento legislativo do Congresso em Foco, para comparar o grau de alinhamento do deputado paulista com o governo ao de seu principal oponente, Otoni de Paula (MDB-RJ), considerado aliado do presidente Lula. Os dois parlamentares refutram o rótulo de bolsonarista e governista ao longo de suas campanhas.

    O antropólogo destacou que os índices de governismo dos dois deputados são próximos. Desenvolvido pelo Radar do Congresso, o indicador é baseado no cruzamento entre o voto do parlamentar e a orientação do líder do governo em cada votação nominal em plenário.

    “Os índices de governismo dos deputados que disputaram a presidência da FPE são próximos. O novo presidente, Gilberto Nascimento (PSD-SP), acompanhou a orientação do líder do governo Lula na Câmara em 63% de suas votações, segundo dados do Radar do Congresso. Já seu adversário na disputa pela presidência da FPE, Otoni de Paula (MDB-RJ), descrito como aliado do presidente Lula, acompanhou o governo em 65% de seus votos”, ponderou o antropólogo. 

    Os índices de governismo deles foi destacado em reportagem do Congresso em Foco no último dia 24.

    Gilberto Nascimento refutou rótulo de bolsonarista ao longo de sua campanha

    Gilberto Nascimento refutou rótulo de bolsonarista ao longo de sua campanhaMario Agra / Câmara dos Deputados

    Simplificação

    Membro da Academia Brasileira de Ciência, Toniol critica a “simplificação equivocada” utilizada por parte da imprensa, segundo ele, na cobertura da bancada evangélica, retratada como se fosse um bloco monolítico e anti-governo. A realidade, ressalta, é mais complexa.

    Para ele, é preciso observar que Gilberto, apesar de ter sido aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, possui extensa experiência política, com quatro mandatos como deputado federal, dois como estadual e três como vereador. O professor ressalta que o seu índice de governismo é próximo ao do deputado Glauber Braga (RJ), do Psol, partido que integra a base governista. 

    Experiência política

    Na visão de Toniol, a eleição de Gilberto Nascimento representa uma aposta na experiência política e na capacidade de negociação, não necessariamente um alinhamento ideológico com o bolsonarismo.

    “As notícias sobre sua eleição para a presidência da FPE enfatizaram sua relação com Bolsonaro. Isso pode ter deixado para trás um dos principais fatos que cercaram a disputa pelo cargo e seu resultado”, considerou. “Os deputados e senadores da Frente Parlamentar Evangélica elegeram um político tradicional, experiente e que, na maior parte das votações, não tem se colocado como antagonista do presidente Lula. Foi um voto no decano da FPE, uma aposta em quem sabe fazer política”, acrescentou.

    Ainda no artigo, o antropólogo defende uma interpretação mais sofisticada a respeito da “bancada da bíblia”, que é uma das mais numerosas do Congresso. “Enquanto as interpretações sobre a presença e atuação de evangélicos na política seguirem refletindo a fantasia do ‘evangelistão’, os fantasmas de quem tem medo dos evangélicos terão mais espaço do que as análises das nuances da atuação política desse grupo”, concluiu.

  • Lula visita MST nesta sexta-feira e anuncia medidas de reforma agrária

    Lula visita MST nesta sexta-feira e anuncia medidas de reforma agrária

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita nesta sexta-feira (7) o acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio (MG), onde participa do Ato Nacional em Defesa da Reforma Agrária. No evento, o governo federal anuncia a criação de novos assentamentos, recursos para a produção de alimentos e medidas de apoio às famílias sem-terra.

    Lula faz sua primeira visita no mandato a um acampamento do MST nesta sexta-feira (7)

    Lula faz sua primeira visita no mandato a um acampamento do MST nesta sexta-feira (7)Paulo Pinto/Agência Brasil

    Entre as ações, Lula assinará sete decretos de desapropriação por interesse social, retomando um mecanismo paralisado desde 2019. As áreas somam mais de 13 mil hectares em estados como Minas Gerais, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul, beneficiando cerca de 800 famílias. Além disso, o governo destinará R$ 1,6 bilhão ao Crédito Instalação, para apoiar novos assentados, e R$ 1,1 bilhão ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que prioriza compras de pequenos produtores.

    Outro anúncio é a ampliação do acesso ao Pronaf A, linha de crédito rural voltada a assentados, quilombolas e indígenas, permitindo uma segunda operação de até R$ 50 mil com juros reduzidos. O evento também marca o início da parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para oferecer, pela primeira vez, um curso de medicina dentro do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

    A visita de Lula ao MST ocorre em um contexto de mobilização do movimento, que planeja o “Abril Vermelho”, período marcado por ocupações de terras em todo o país. O Quilombo Campo Grande é um dos acampamentos mais antigos do MST e abriga cerca de 459 famílias.

  • Humberto Costa assume presidência interina do PT no lugar de Gleisi

    Humberto Costa assume presidência interina do PT no lugar de Gleisi

    O senador Humberto Costa (PT-PE) assumiu nesta sexta-feira (7) a presidência interina do Partido dos Trabalhadores (PT) após a saída de Gleisi Hoffmann, que será a ministra responsável pela articulação política do governo Lula. A decisão foi anunciada durante reunião da executiva nacional do partido.

    O senador Humberto Costa (PT-PE) vai ocupar a presidência do PT interinamente

    O senador Humberto Costa (PT-PE) vai ocupar a presidência do PT interinamenteEdilson Rodrigues/Agência Senado

    Pelas regras do PT, filiados não podem ocupar simultaneamente cargos no governo e na direção partidária. Humberto era vice-presidente da sigla, indicado pelo campo majoritário Construindo um Novo Brasil (CNB), e terá até 60 dias para convocar uma reunião do diretório nacional que deverá referendar sua nomeação.

    O PT realiza eleições diretas em julho para escolher sua nova direção pelos próximos quatro anos. O favorito para assumir a presidência definitiva é o ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva.

  • Casos de feminicídio no Brasil chegaram ao pior índice em 2024

    Casos de feminicídio no Brasil chegaram ao pior índice em 2024

    Neste sábado (8), é celebrado o Dia Internacional da Mulher. No Brasil, os números relacionados à segurança das mulheres indicam que há pouco a se comemorar. No ano de 2024 foram registrados 1.458 casos de feminicídio no Brasil, configurando-se como o pior da série histórica iniciada em 2015. Conforme os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) do Ministério da Justiça, a região Centro-Oeste foi a que apresentou os piores resultados a nível proporcional.

    Mato Grosso apresentou o maior índice proporcional de feminicídios, com 1,23 casos por 100 mil habitantes, totalizando 47 vítimas. Em seguida, aparecem Mato Grosso do Sul (1,21) e Piauí (1,18). Outros estados com altos índices incluem Maranhão e Roraima, ambos com 0,98 por 100 mil habitantes.

    Confira o mapa da violência contra as mulheres por estado:

    Por outro lado, os estados com os menores índices proporcionais são Amapá (0,25), Sergipe (0,44) e Ceará (0,44). O Amapá também registrou o menor número absoluto de feminicídios, com apenas dois casos.

    Em termos absolutos, São Paulo alcançou o pior resultado, registrando 253 casos de feminicídio ao longo de 2024. Proporcionalmente, o número foi baixo em relação aos demais entes federados, com 0,55 a cada 100 mil habitantes. Minas Gerais (133), Paraná (109), Bahia (107) e Rio de Janeiro (107) também figuram entre os estados com maiores registros totais.

    Piora contínua

    Observando o acumulado da série histórica, Rondônia atingiu os piores índices proporcionais, com média de 2,76 casos para cada 100 mil habitantes. O pior ano no estado foi 2022, quando foram registradas 23 vítimas. Já em termos absolutos, São Paulo acumulou 1.556 casos de feminicídio entre 2015 e 2014.

    O acumulado histórico também revela um crescimento contínuo dos casos, que passaram de 535 em 2015 para 1.458 em 2024. A única exceção foi entre 2022 e 2023, quando houve uma leve redução de 1.453 para 1.448 casos. Somando todos os anos da série, 11,882 mil mulheres foram vítimas de feminicídio.

    Ainda é possível que o cenário seja pior do que o apresentado nos números acima. A base de dados do Sinesp tem como critério as informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública de cada estado. Com isso, unidades da federação com menor capacidade de elucidação de crimes ou menor índice de acesso aos instrumentos de denúncia podem acabar sofrendo com subnotificação.

  • Projeto de lei visa reduzir subsídios a usinas de carvão mineral

    Projeto de lei visa reduzir subsídios a usinas de carvão mineral

    Em tramitação na Câmara dos Deputados, o projeto de lei 219/25 propõe a eliminação gradual dos subsídios concedidos às usinas termelétricas a carvão mineral. De autoria dos deputados Talíria Petrone (Psol-RJ) e Ivan Valente (Psol-SP), o texto prevê o fim dos repasses da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial que financia políticas públicas de energia, para essas usinas.

    Usina termelétrica

    Usina termelétricaPixabay

    Em 2023, segundo os autores do projeto, as usinas de carvão receberam mais de R$ 1 bilhão em incentivos da CDE. A proposta também estipula a redução anual de 25% na contratação compulsória de energia gerada a partir do carvão mineral, outro mecanismo de subsídio ao setor.

    De acordo com dados do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), citados na justificativa da proposiçãp, as termelétricas a carvão, embora representem apenas 2,6% da matriz elétrica nacional, foram responsáveis por 39% das emissões de gases de efeito estufa do setor energético em 2022. “Essas usinas são ineficientes, desperdiçando mais de 60% da energia gerada, e apresentam custos de geração mais que o dobro das fontes renováveis, comprometendo a modicidade tarifária à sociedade”, afirmam os deputados do Psol.

    O projeto também prevê a obrigatoriedade de o governo divulgar as perdas econômicas decorrentes da contratação de energia fóssil em detrimento de fontes renováveis, além do impacto dessas decisões na tarifa de energia. A proposta tramita em caráter conclusivo, isto é, não precisará ser votada no plenário, a não ser que haja recurso para tal. O texto será analisado pelas comissões de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

  • Talíria propõe auxílio emergencial para brasileiros deportados

    A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) apresentou o projeto de lei 194/2025, que institui o Auxílio Emergencial para Repatriados Forçados. A proposta visa oferecer apoio financeiro a brasileiros deportados ou expulsos de outros países, buscando garantir condições mínimas para sua reinserção social e econômica no Brasil. Os demais quadros da bancada do Psol também assinaram a proposta.

    O projeto prevê o pagamento de um salário mínimo mensal por um período de 12 meses para famílias que atendam aos critérios estabelecidos. Entre as condições para o recebimento estão a residência fixa no exterior antes da deportação e a inexistência de renda per capita superior a um salário mínimo. Funcionários públicos e repatriados por crime reconhecido pela legislação brasileira não serão contemplados.

    Projeto surge após incidente diplomático entre Brasil e Estados Unidos sobre condições das deportações.

    Projeto surge após incidente diplomático entre Brasil e Estados Unidos sobre condições das deportações.LC Moreira/Thenews2/Folhapress

    Na justificativa do projeto, a deputada destaca que “diferente da repatriação voluntária, que acontece por decisão do próprio migrante, esta repatriação muitas vezes ocorre de maneira abrupta e sem possibilidade de organização financeira, colocando essas pessoas em extrema vulnerabilidade social ao retornarem sem estrutura para recomeçar suas vidas”.

    O projeto também menciona o aumento das deportações nos últimos anos e os impactos para os brasileiros que retornam ao país sem emprego ou moradia. “Muitos desses indivíduos, após anos construindo suas vidas no exterior, são forçados a voltar sem emprego, moradia ou meios de subsistência, enfrentando enormes dificuldades para se reinserir no mercado de trabalho”, afirma a congressista.

    A proposta surge poucas semanas após um incidente diplomático envolvendo deportações. No fim de janeiro, o governo dos Estados Unidos enviou ao Brasil um grupo de 88 deportados em uma aeronave avariada, e ainda por cima submetidos ao uso de algemas e correntes, prática proibida no espaço aéreo brasileiro. O episódio levou o Ministério das Relações Exteriores a questionar o governo norte-americano sobre o tratamento dispensado aos imigrantes, alegando violação do acordo de deportação firmado em 2018.

    Os recursos para o pagamento do auxílio vão partir de dotação orçamentária da União, do Fundo Nacional de Assistência Social e de outros fundos de financiamento, como acordos bilaterais com organismos internacionais. A Caixa Econômica Federal será a instituição responsável pelo pagamento do benefício.

    O projeto tramita em caráter conclusivo: ele será analisado pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, Previdência e Assistência Social, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça. Se aprovado em todas, será enviado ao Senado sem a necessidade de votação em Plenário.

  • Fundo Nacional para assistência à saúde de crianças com deficiência

    Fundo Nacional para assistência à saúde de crianças com deficiência

    Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe a criação de um fundo nacional para financiar a assistência à saúde e a reabilitação física, neurológica e social de crianças com deficiência. O projeto de lei 111/2025 institui o Fundo Nacional de Apoio às Crianças com Deficiência (FNACD), que será financiado por recursos da União e doações.

    As empresas que contribuírem com doações ao fundo poderão deduzir até 1,5% do Imposto de Renda devido. A administração do FNACD ficará a cargo do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade).

    Projeto adota modelo da Lei Rouanet, em que valores são doados por empresas em troca de desconto no IR.

    Projeto adota modelo da Lei Rouanet, em que valores são doados por empresas em troca de desconto no IR.Pixabay

    O deputado Thiago Flores (Republicanos-RO), autor da proposta, afirmou que a iniciativa se baseia na Lei Rouanet, em que empresas podem abater doações ao fundo na declaração do Imposto de Renda, e “permitirá o financiamento de projetos e programas de grande alcance social”.

    O projeto de lei seguirá para análise das comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Por tramitar em caráter conclusivo, não precisará passar pelo Plenário da Câmara, a menos que haja recurso. Após a aprovação nas comissões, seguirá para o Senado

  • Símbolos cristãos em paradas LGBTQIA+ podem ser proibidos

    Símbolos cristãos em paradas LGBTQIA+ podem ser proibidos

    Deputado Coronel Chrisóstomo.

    Deputado Coronel Chrisóstomo.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Um projeto de lei (PL 106/25) em trâmite na Câmara dos Deputados busca proibir a utilização de símbolos cristãos em eventos relacionados à comunidade LGBTQIA+, como Paradas do Orgulho, marchas, desfiles e outras manifestações. O texto em análise define como símbolo cristão qualquer objeto, figura, vestimenta ou representação ligada às práticas e tradições cristãs, incluindo a Bíblia, cruz, crucifixo, terço e imagens de santos.

    O descumprimento da proposta acarretaria em sanções: advertência para a primeira infração; multa de R$ 50 mil por símbolo utilizado em caso de reincidência; e suspensão da permissão para a realização de eventos semelhantes por até três anos, em situações de reincidência grave.

    Os recursos provenientes das multas seriam direcionados a programas que promovam a liberdade religiosa, o respeito à diversidade cultural e o combate à intolerância religiosa.

    A fiscalização da medida ficaria a cargo dos órgãos municipais, estaduais e federais competentes, que poderiam estabelecer parcerias com instituições religiosas e culturais para ações de conscientização sobre o respeito aos símbolos religiosos.

    O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), autor do projeto, argumenta que o Código Penal já criminaliza o vilipêndio a objetos de culto religioso, prevendo penalidades para quem desrespeita símbolos e crenças.

    “No entanto, a crescente instrumentalização desses elementos em eventos públicos de grande porte demonstra a necessidade de uma regulamentação mais específica, visando garantir a segurança jurídica e o equilíbrio entre liberdade de expressão e respeito às tradições religiosas”, disse.

    A proposta seguirá para análise conclusiva nas comissões de Cultura; de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

  • Projeto propõe atendimento completo para endometriose no SUS

    Projeto propõe atendimento completo para endometriose no SUS

    O deputado Ícaro de Valmir (PL-SE) propôs o projeto de lei 85/25, que visa garantir o acesso integral a tratamentos médicos, diagnóstico e acompanhamento para pessoas diagnosticadas com endometriose no Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto, já em caráter conclusivo, passará por análise em diversas comissões antes de ser votado para se tornar lei.

    Projeto prevê diagnóstico precoce e tratamento adequado para a doença

    Projeto prevê diagnóstico precoce e tratamento adequado para a doença Geovana Albuquerque / Arquivo Agência Saúde GDF

    O deputado destaca que, embora o SUS ofereça atendimento e medicamentos, ainda existem limitações no acesso a tratamentos especializados para casos mais graves de endometriose. Quando a doença é um agravante, é necessário o uso de medicamentos específicos. “Além disso, tratamentos cirúrgicos, frequentemente exigidos, podem ser de difícil acesso devido às limitações no sistema de saúde”, complementou.

    O texto busca assegurar o direito ao diagnóstico precoce e gratuito da endometriose, com exames específicos para a identificação da doença; tratamento médico integral e personalizado, incluindo medicamentos como anticoncepcionais hormonais, agonistas de GnRH (medicamento utilizado para inibir a produção de estrogênio), analgésicos e outros; além de acompanhamento com profissionais qualificados, como ginecologistas, fisioterapeutas, psicólogos e especialistas em dor. Pacientes também terão acesso gratuito a cirurgias, quando necessárias.

    O projeto determina a inclusão da endometriose na lista de doenças prioritárias para fornecimento de medicamentos de alto custo e terapias especializadas pelo Ministério da Saúde, por meio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Além disso, prevê a criação de programas para capacitação de profissionais de saúde, garantindo diagnóstico precoce e tratamento adequado. A proposta também sugere a criação de unidades de saúde especializadas em endometriose, com atendimento multidisciplinar.

    A Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher, que inclui diretrizes para tratamento e protocolos de orientação aos profissionais, também deverá ser revisada. O projeto será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher, de Saúde, de Constituição e Justiça, de Cidadania, e de Finanças e Tributação, já que recursos financeiros do Ministério da Saúde devem ser alocados para a implementação das medidas.

    Para se tornar lei, a proposta precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

    A endometriose é a causa principal de infertilidade no Brasil

    A endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero, o que pode causar sintomas graves, como dores intensas e, em casos mais avançados, infertilidade, prejudicando significativamente a qualidade de vida das mulheres afetadas. No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de mulheres sejam acometidas pela endometriose.

    Segundo dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade fértil possui a doença, que muitas vezes se apresenta de forma silenciosa, com um diagnóstico podendo levar de 7 a 10 anos. O tratamento geralmente inclui o uso de anticoncepcionais hormonais, agonistas de GnRH e inibidores de aromatase, que reduzem a produção de estrogênio, além de analgésicos para controle da dor.

    Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece apenas analgésicos e anticoncepcionais hormonais para mulheres com diagnóstico confirmado da doença.

  • Assembleia do AM pede ao STF que valide a reeleição de seu presidente

    Assembleia do AM pede ao STF que valide a reeleição de seu presidente

    A validade da reeleição de Roberto Cidade (União) à presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). O Legislativo amazonense espera que o STF aplique o mesmo critério usado na validação da reeleição de Marcelo Victor (MDB) ao comando da Assembleia de Alagoas, permitindo que Cidade permaneça no cargo para o biênio 2025/2026.

    A situação é semelhante ao caso alagoano, como mostra o site Migalhas. O Supremo limitou, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) 6.524, a reeleição consecutiva de líderes de Casas Legislativas estaduais a uma única vez, com marco temporal em 7 de janeiro de 2021. Esse marco permitiu a reeleição de Marcelo Victor, pois sua primeira eleição ocorreu antes dessa data.

    Roberto Cidade afirma que sua reeleição está dentro das regras definidas pelo próprio Supremo

    Roberto Cidade afirma que sua reeleição está dentro das regras definidas pelo próprio SupremoDanilo Mello/Assembleia Legislativa do Amazonas

    Em decisão proferida nesta semana, o ministro Flávio Dino avalizou a reeleição de Victor. “Os mandatos diretivos correspondentes aos biênios de 2019/2020 e de 2021/2022 não devem ser considerados para efeito de inelegibilidade, pois, nos termos da tese fixada no julgamento conjunto das ADIs 6.688, 6.698, 6.714 e 7.016, não serão consideradas, para fim de inelegibilidade, as composições eleitas antes de 7 de janeiro de 2021, decidiu o ministro.

    A Procuradoria do Amazonas alega que Roberto Cidade, eleito em 2021, reeleito em 2023 e novamente em 2025, encontra-se na mesma situação.

    Nova eleição

    A reeleição do presidente do Legislativo amazonense foi contestada em setembro do ano passado pelo partido Novo, que questionou a mudança da Constituição e do regimento interno da Casa que permitiu a recondução do parlamentar a um terceiro mandato à frente da Casa. Em outubro, o ministro Cristiano Zanin, relator da ação no Supremo, suspendeu a reeleição de Cidade, ocorrida ainda em fevereiro de 2023, e determinou a realização de nova eleição para a Mesa Diretora.

    Dois dias depois, os deputados estaduais fizeram nova votação e voltaram a reeleger Cidade. Na ocasião, o deputado alegou que a ação contra ele era política. “Quem entrou com essa ação foi o partido Novo, a candidata à vice [prefeita] do Capitão Alberto Neto, foi ela quem entrou com essa ação contra essa casa. É uma ação política, é uma ação que tenta desfazer uma construção desse pleito e queriam me prejudicar se eu fosse para o segundo turno [das eleições municipais 2024]”, disse.

    Isonomia

    A Assembleia Legislativa do Amazonas defende que seja estendido a Cidade o mesmo entendimento adotado na decisão favorável Marcelo Victor. Para a Procuradoria do Estado, não há justificativa para que o o caso amazonense seja tratado de maneira diferente, uma vez que os precedentes fixados pelo STF em outros casos idênticos indicam que a reeleição de Roberto Cidade está dentro das regras.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer contrário à reeleição de Roberto Cidade, argumentando que sua terceira recondução violaria a jurisprudência do Supremo. O ministro Cristiano Zanin solicitou informações à Assembleia do Amazonas, no último dia 17, e aguarda posicionamento para decidir.