Categoria: SAÚDE GOV

  • Ministério da Saúde inicia aplicação da vacina Pneumo 20 em todo o país

    Ministério da Saúde inicia aplicação da vacina Pneumo 20 em todo o país

    Crianças menores de 5 anos que não completaram o esquema vacinal já podem ser vacinadas pelo SUS com a vacina Pneumo 20, que protege contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo, causadora de doenças graves como pneumonia e meningite. A estratégia nacional será lançada neste sábado (20), em São Paulo, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Novidade na rede pública, a vacina passou a integrar o Calendário Nacional de Vacinação — esse é o quarto imunobiológico incorporado para crianças durante a atual gestão. Na rede privada, pode custar mais de R$ 500.

    O diferencial da vacina é a ampliação da proteção contra sorotipos que mais causam doença pneumocócica invasiva, especialmente os tipos 3, 6A e 19A, oferecendo cobertura mais abrangente que as formulações anteriores. Também protege contra otite média, que pode causar perda auditiva e evoluir para infecções mais graves. Desde maio, o Ministério da Saúde distribuiu mais de 570 mil doses para todos os estados, garantindo o início da vacinação. Até o fim do ano, a previsão é de distribuição de mais de 6,1 milhões de doses.

    Ao acompanhar o início da estratégia nacional de vacinação, o ministro da saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância da ampliação da proteção oferecida pelo imunizante: “Estou muito feliz de a gente poder transformar essa vacinação em realidade. Eu pude ver as primeiras bebezinhas, com dois meses de idade, já sendo protegidas com essa vacina, que é uma vacina que protege contra 20 tipos dessa bactéria, que é o pneumococcus. E como essa vacina é muito mais ampla do que a que a gente utilizava, ela vai proteger ainda, contra pneumonia grave e contra meningite. ”

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil por doença prevenível. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos, com taxa de letalidade superior a 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram 616 casos e 188 mortes no mesmo período.

    Além de reduzir casos e mortes, a vacinação em larga escala vai ajudar a reduzir os custos do SUS com internações, UTIs, reabilitação e tratamento de sequelas. Padilha também ressaltou os avanços recentes da vacinação no país e o papel dos profissionais do SUS na recuperação das coberturas vacinais: “O Brasil voltou a ser campeão mundial da vacinação no país e isso se deve, também, ao esforço dos agentes comunitários de saúde, dos profissionais de saúde, dos enfermeiros e enfermeiras, auxiliares de enfermagem, vacinadores e vacinadoras. Em 2019 perdemos o título de País livre do Sarampo e recuperamos esse título agora em 2024. E todos os profissionais de saúde do SUS nos ajudaram a chegar em 2025 com a maior cobertura vacinal dos últimos 9 anos no Brasil”.

    Quem pode receber a nova vacina?

    A vacina Pneumo 20 é destinada às crianças menores de 5 anos que ainda não completaram o esquema vacinal recomendado. Até agora, as vacinas ofertadas são a Pneumo 10, Pneumo 13 e a polissacarídica 23.

    Com a incorporação da Pneumo 20, o Ministério da Saúde inicia uma transição gradual para substituição dos imunizantes, ampliando a proteção contra mais sorotipos da bactéria pneumococo com potencial de prevenção de casos graves.

    Além das crianças, a vacina também será destinada a povos indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacinação pneumocócica conjugada, idosos com 60 anos ou mais que estejam acamados ou institucionalizados e pessoas com condições clínicas especiais atendidas na Rede de Imunobiológicos para Pessoas em Situações Especiais (RIE).

    Durante a transição, o esquema vacinal infantil será de uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses, uma dose da vacina Pneumo 10 aos 4 meses de idade e um reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, com intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço. As vacinas 13 e 23 seguem em uso em estratégias específicas até o fim dos estoques.

     Após o esgotamento dos estoques da vacina Pneumo 10, o esquema passará a ser exclusivamente com a Pneumo 20. O histórico de vacinação pode ser acompanhado pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, no aplicativo Meu SUS Digital.

    Ministério da Saúde

  • Lula e Padilha anunciam R$ 476 milhões para ampliar atendimento especializado e reforçar a rede SUS em Minas Gerais

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciaram nesta sexta-feira (19), em Minas Gerais, R$ 91 milhões para o Hospital Luxemburgo, do Instituto Mário Penna, que se tornou uma unidade 100% SUS. Pelo programa Agora Tem Especialistas, o hospital recebeu um acelerador linear para radioterapia e um equipamento de cirurgia robótica. Em Divinópolis, foi inaugurado o Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), que contará com R$ 341 milhões anuais do Governo Federal. No município, também foram realizadas entregas do Novo PAC Saúde, e assinatura de atos que inclui oferta de novos leitos.

    “Resolvemos criar o Agora Tem Especialistas para que as pessoas mais humildes deste país, independente do berço em que nasceram, da renda, da cor, do time, todos devem ser tratados em igualdade de condições. E tratar da saúde é um direito do estado brasileiro”, destacou o presidente Lula. 

    O Hospital Luxemburgo, do Instituto Mário Penna, é referência em oncologia em Minas Gerais e atende pacientes de mais de 500 municípios. A unidade concentra cerca de 30% da demanda de quimioterapia e 23% das cirurgias oncológicas realizadas na capital.

    “O equipamento mais moderno que temos para radioterapia está aqui e é pelo SUS, que proporciona isso de forma gratuita ao povo brasileiro. Estamos fazendo essa entrega em um hospital que conta com uma rede valiosa para o tratamento do câncer, formada por profissionais de saúde qualificados. Além de investir na oncologia, o que já é muito importante, por meio do Agora Tem Especialistas, estamos abrindo portas também para tratar cardiologia e realizar cirurgias aqui”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

    Durante a agenda, foram apresentados os marcos da transformação do hospital em uma unidade 100% SUS, iniciativa que contará com aporte anual de R$ 70,5 milhões do Ministério da Saúde para o custeio dos serviços. 

    O novo acelerador linear de alta tecnologia qualificará a oferta de radioterapia na região. Com investimento federal de R$ 9,3 milhões, o equipamento permite tratamentos mais rápidos e precisos, reduzindo o número de sessões e os impactos para os pacientes. O Instituto Mário Penna já contava com outros três aceleradores lineares, e agora com o novo aparelho poderá disponibilizar ainda mais atendimentos. 

    Alta tecnologia para pacientes do SUS 

    Em Belo Horizonte, também foi assinada a autorização para a aquisição de um equipamento de cirurgia robótica prostática, com investimento federal de R$ 11,4 milhões. A iniciativa permitirá que o Instituto Mário Penna, por meio do Hospital Raja, realize, pela primeira vez, cirurgias robóticas oncológicas pelo SUS na capital mineira, com previsão de cerca de 200 procedimentos por ano.

    Homenagem aos sanitaristas

    Lula e Padilha homenagearam sanitaristas em BH, com a entrega da Carteira Nacional de Sanitaristas para profissionais que estão dentro da determinação estabelecida por lei. A regulamentação da profissão de sanitarista é um avanço estratégico para o fortalecimento das políticas públicas de saúde no Brasil. Além de contribuir para conferir maior segurança institucional, valorização profissional e densidade técnica a uma categoria fundamental para o planejamento, a gestão e a implementação de respostas aos desafios sanitários do país. 

    Novo hospital universitário em Divinópolis 

    Em Divinópolis (MG), o presidente da República, o ministro da Saúde e o ministro da Educação, Leonardo Barchini, inauguraram o Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), unidade 100% SUS de média e alta complexidade voltada às especialidades clínicas, cirúrgicas e materno-infantis. Integrante da Rede HU Brasil, o hospital atenderá os 54 municípios da Macrorregião Oeste de Saúde de Minas Gerais, beneficiando cerca de 1,3 milhão de pessoas.

    A estrutura conta com 198 leitos e capacidade para realizar 8.760 internações e 74 mil consultas ambulatoriais por ano. A unidade dispõe de leitos clínicos, cirúrgicos, pediátricos, obstétricos e de terapia intensiva, além de estrutura completa para diagnóstico por imagem, com ressonância magnética, tomografia computadorizada, mamografia, ultrassonografia e hemodinâmica. O funcionamento ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos 12 meses.

    Ao final da implantação, o hospital contará com cerca de 1.300 profissionais, integrando assistência, ensino, pesquisa e inovação. Para garantir o funcionamento da unidade, o Governo do Brasil destinará R$ 341 milhões por ano, sendo R$ 111 milhões do Ministério da Saúde para custeio dos serviços e R$ 230 milhões do Ministério da Educação para o pagamento dos profissionais de saúde.

    Mais atendimentos de média e alta complexidade 

    Também nesta sexta-feira (19), o presidente e o ministro da Saúde assinaram dois atos voltados ao fortalecimento da assistência de saúde de média e alta complexidade em Minas Gerais. O primeiro autoriza a contratação de financiamento de R$ 41,9 milhões, por meio do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), para a modernização e aquisição de equipamentos para o Complexo de Saúde São João de Deus, em Divinópolis. O segundo formaliza a habilitação de 10 leitos de UTI Adulto Tipo II para a Santa Casa de Arcos, com a destinação de R$ 1,9 milhão anuais para o custeio da unidade, reforçando a capacidade de atendimento na região. 

    Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde 

    Ainda em Divinópolis (MG), foram entregues 13 veículos por meio do Novo PAC Saúde e do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. A iniciativa garante o transporte de pacientes que precisam percorrer mais de 50 quilômetros para realizar consultas, exames e tratamentos especializados, como radioterapia, oncologia e hemodiálise. 

    Do total de entregas, foram duas vans para os municípios de Minduri e São Bento Abade, seis micro-ônibus para Baependi, Cristina, Extrema, Itamonte, Pedralva e Pirapetinga, além de cinco ambulâncias destinadas a Brazópolis, Cana Verde, Canápolis, Dom Bosco e Serranos.

    Em Minas Gerais, já foram selecionados 314 veículos do programa Caminhos da Saúde, com investimentos superiores a R$ 127 milhões, ampliando o acesso da população aos serviços especializados em todas as regiões do estado.

    Avanços na atenção especializada

    Lançado para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, o programa Agora Tem Especialistas mobilizou as redes pública, filantrópica e complementar para ampliar o acesso da população aos serviços especializados do SUS. Em 2025, contribuiu para o recorde histórico de 14,9 milhões de cirurgias eletivas, volume 42% superior ao registrado em 2022, além da realização de 1,6 bilhão de consultas especializadas (+30%) e 1,3 bilhão de exames (+22%).

    A estratégia também ampliou a oferta de profissionais, com mais de 1,3 mil novos médicos especialistas atuando em regiões com carência desses serviços, e realizou 470 mil procedimentos por meio das Carretas da Saúde, que já zeraram filas de exames de imagem, oncológicos e oftalmológicos em mais de 40 regiões de saúde. Nos cinco mutirões promovidos pelo programa, foram realizados mais de 383 mil procedimentos, incluindo o maior mutirão da história voltado à saúde da mulher, com 230 mil atendimentos em um único fim de semana.

    Para acelerar a redução do tempo de espera, o programa passou a utilizar a capacidade instalada de hospitais privados e filantrópicos para atender pacientes do SUS em troca de abatimento de dívidas tributárias com a União. Além disso, o Ministério da Saúde investiu na aquisição de 3,3 mil veículos para garantir o transporte dos pacientes.

    Outra medida foi a criação da Tabela Agora Tem Especialistas, com valores que chegam a triplicar a remuneração de determinados procedimentos em relação à antiga Tabela SUS, resultando em um repasse federal adicional de R$ 1 bilhão para Santas Casas e hospitais filantrópicos.

    Camila Marques
    Ministério da Saúde

  • Governo do Brasil cria política integrada para formação médica

    Governo do Brasil cria política integrada para formação médica

    O Governo do Brasil editou, nesta sexta-feira, 19 de junho, Medida Provisória que cria uma política integrada para a formação em medicina no país. O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) passa a valer como avaliação obrigatória da graduação, exame de acesso à residência médica e, ainda, requisito para o exercício profissional. A medida foi assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado dos ministros da Educação, Leonardo Barchini, e da Saúde, Alexandre Padilha, durante a inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), em Divinópolis (MG).

    A normativa parte do entendimento de que todos esses processos possuem objetivo comum: a verificação da capacidade do participante de exercer a medicina com segurança, responsabilidade ética e domínio técnico. Assim, o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) buscam garantir que a graduação, a residência e a habilitação desses profissionais operem com referenciais comuns e alinhamento às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS), para atender ao direito fundamental da população brasileira à saúde.

    Com a proposta, as pastas esperam melhorar a qualidade da formação médica e ampliar a comparabilidade dos resultados avaliativos para o aprimoramento dos processos regulatórios. O texto foi construído a partir do diálogo com diferentes atores da formação médica, incluindo órgãos governamentais, instituições de ensino e entidades representativas da área da saúde.

    O Enamed será realizado semestralmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com aplicação descentralizada em todos os municípios que tenham oferta de cursos de graduação em medicina. A edição de 2026 já tem inscrições abertas, que seguem até 29 de junho. As provas serão aplicadas em 13 de setembro e seus resultados serão válidos, nessa edição, apenas para avaliação dos cursos de graduação e para acompanhamento da formação dos estudantes.

    Criação – Concebido como modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina, o Enamed teve sua primeira edição em 2025, quando unificou matrizes de referência e instrumentos de avaliação para análise de competências de estudantes, a fim de monitorar o ensino ofertado por instituições públicas e privadas. Dessa forma, o exame tornou-se parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

    Além disso, a prova converteu-se na parte teórica do Exame Nacional de Residência (Enare) e seus resultados foram utilizados para programas de residência médica de acesso direto. As inscrições para o Enare 2026/2027 também estão abertas, e o processo seletivo das especialidades de acesso direto continuará utilizando os resultados do Enamed.

    Mudanças – Com a MP, a novidade é que a avaliação acontecerá, obrigatoriamente, em dois momentos: ao final do 4º ano, etapa predominantemente diagnóstica e formativa; e na conclusão do último ano do curso — a aprovação nesta segunda etapa passa a ser requisito para que o graduado realize sua inscrição no Conselho Regional de Medicina, necessária para o exercício legal da profissão.

    A MP entra em vigor imediatamente, mas a exigência de proficiência na prova para o exercício profissional vai valer apenas para quem ingressar na graduação a partir da data da sua publicação. Além disso, o graduado que não obtiver avaliação satisfatória na segunda etapa do Enamed poderá refazê-la em edições seguintes.

    A etapa voltada a estudantes que ainda estão cursando medicina busca identificar dificuldades de aprendizagem antes do internato, oferecer retroalimentação pedagógica às instituições e acompanhar o desenvolvimento das competências ao longo da formação. Os resultados não valerão, porém, para fins regulatórios.

    Avaliação dos cursos – Um dos princípios centrais da nova norma é responsabilizar não apenas os estudantes pela qualidade da sua formação, mas, principalmente, as instituições de educação superior. Para isso, a nota individual do estudante servirá para gerar uma nota geral do curso, o chamado Conceito Enade, indicador que varia de 1 a 5. Resultados insatisfatórios (conceitos 1 e 2) podem resultar em medidas cautelares de regulação e supervisão, previstas na legislação educacional, que vão desde a redução de vagas até a desativação dos cursos.

    O exame deverá, ainda, ser usado como parâmetro para atos regulatórios dos sistemas estaduais e distrital de educação na supervisão de cursos que pertencem a esses sistemas, reforçando a coordenação federativa e promovendo a integração dos diferentes instrumentos nacionais de avaliação da formação médica.

    Revalida – A Medida Provisória também propõe um alinhamento entre o Enamed e o Revalida, destinado a avaliar as competências e os conhecimentos de graduados no exterior para validação de diplomas e exercício da medicina no Brasil. A etapa do exame destinada aos concluintes substituirá a etapa teórica do Revalida, assegurando maior isonomia de tratamento entre formados no Brasil e no exterior, ao exigir que ambos se submetam ao mesmo exame. A prova prática do Revalida continuará sendo realizada pelo Inep. Ficam dispensados da realização do Enamed os médicos com diploma revalidado em data anterior à de entrada em vigor da normativa.

    Residência – A nota obtida na segunda etapa do Enamed poderá ser utilizada em todos os processos seletivos para programas de residência médica de acesso direto. O exame segue como etapa teórica do Enare, que prosseguirá selecionando, para além de candidatos a programas de acesso direto, também aqueles que concorrem a residências que exijam pré-requisito, ano adicional e área de atuação e para a residência em área profissional da saúde (multiprofissional e uniprofissional), por meio de provas específicas.

    Visando ampliar a capacidade regulatória do Estado sobre a formação também de especialistas, o texto cria ainda o Sistema Nacional de Avaliação das Residências (Sinares). Os objetivos, os componentes, a governança e a forma de execução do sistema serão regulamentados pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).

    Governança – Para operar a governança da nova política de maneira democrática, a MP prevê a criação de uma comissão consultiva de acompanhamento do Enamed, com representantes do MEC, do MS, do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira e de entidades da sociedade civil.

    Além da comissão consultiva do Enamed, o Ministério da Saúde participa da política definindo contrapartidas relacionadas ao uso da rede do SUS como campo de prática dos cursos de medicina e da articulação entre formação médica e necessidades do sistema de saúde. A proposta reforça a integração ensino-serviço em benefício da qualidade da formação e da atenção à saúde.

    No que diz respeito à residência médica, a CNRM manterá sua atuação regulatória específica. O CFM, por sua vez, continuará exercendo suas atribuições legais de fiscalização e normatização do exercício profissional.

    Histórico – Ainda em 2013, o programa Mais Médicos deu início a uma transformação histórica na formação médica brasileira ao estabelecer bases legais para alinhar a graduação às necessidades do SUS e da população. Como resultado, pela primeira vez, o número de vagas de medicina ofertadas no interior do país superou o das capitais, seguindo uma estratégia reconhecida internacionalmente para reduzir desigualdades regionais e ampliar a fixação de profissionais em áreas de maior vulnerabilidade.

    Essa trajetória, no entanto, foi interrompida nos governos que se seguiram. A partir de 2018, o enfraquecimento da regulação e da avaliação da qualidade dos cursos gerou um cenário de expansão desordenada. Entre 2016 e 2022, foram autorizadas cerca de 23 mil novas vagas de medicina, concentradas principalmente em grandes centros urbanos.

    A lei proposta pelo governo federal responde à necessidade de preservação da qualidade da formação médica diante dessa expansão, sobretudo no setor privado, inclusive em decorrência de decisões judiciais dissociadas dos critérios regulatórios do MEC.

    Dados do Enamed 2025 evidenciaram que parcela relevante dos concluintes não apresentou o nível esperado de proficiência, ao mesmo tempo em que persistiu proporção significativa de cursos com desempenho inferior ao recomendado nos instrumentos oficiais de avaliação.

    Os resultados do exame demonstraram que 67% dos 39.258 concluintes apresentaram desempenho proficiente. Isso significa que os cerca de 13 mil concluintes identificados pelo Enamed como abaixo do nível mínimo de proficiência já ingressam ou ingressarão em breve no exercício da profissão, expondo diretamente a população a riscos assistenciais concretos.

    Além de fragilidades no desempenho individual dos estudantes, 32,6% das escolas médicas apresentaram conceito Enade 1 ou 2, ou seja, abaixo do recomendado. Também há assimetrias regionais e institucionais relevantes: universidades públicas federais e estaduais concentram mais de 84% de seus cursos nas faixas de excelência, ao passo que os piores resultados se concentram em instituições municipais e privadas com fins lucrativos, segmento responsável pela maior parte da expansão recente de vagas no país.

    Diante disso, o MEC adotou, em março de 2026, medidas cautelares, incluindo a suspensão de ingresso de novos estudantes e a redução de vagas em cursos com desempenho insuficiente, com vigência até a divulgação dos resultados do próximo Enamed, prevista para dezembro de 2026. Essas ações, contudo, são restritas ao Sistema Federal de Ensino. Com a nova política, porém, as regras passam a valer para todos os cursos de medicina do país.

    Leia mais: Enamed: divulgadas avaliação dos cursos de medicina e medidas de supervisão

    Dessa forma, a medida do Governo do Brasil atende com urgência à necessidade de fortalecer os instrumentos legais de supervisão da formação desses profissionais, em consonância com outras medidas de aprimoramento do ambiente regulatório e da retomada de investimentos na área.

    A expansão da residência médica é um desses exemplos de ampliação orçamentária. O país saiu de apenas 150 vagas com financiamento federal em 2021 e nenhuma em 2022 para mais de 2,4 mil vagas financiadas atualmente. Paralelamente, programas como o Agora Tem Especialistas já garantem a atuação de mais de 1,5 mil especialistas em regiões que historicamente enfrentavam dificuldade de acesso a esses profissionais.

    Conteúdo – O Enamed avalia conteúdos, habilidades e competências definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Medicina, que já orientam a organização curricular de todos os cursos de graduação do país. A matriz de referência adotada desde sua primeira edição tem um modelo avaliativo contemporâneo, centrado na mobilização integrada de conhecimentos, no raciocínio clínico, na tomada de decisão baseada em evidências, na atuação ética e humanizada e na compreensão do funcionamento das redes de atenção à saúde.

    Os itens do exame são construídos a partir de situações-problema e casos clínicos que reproduzem cenários reais de prática profissional encontrados nos diferentes níveis de atenção à saúde, em especial no contexto do SUS. Isso porque as DCNs determinam que a formação médica brasileira esteja orientada pelas necessidades de saúde da população e pelos princípios organizadores do sistema público. Assim, entre os cenários propostos pela prova estão as redes de Atenção Primária à Saúde, materno-infantil, de atenção psicossocial, de doenças crônicas e de reabilitação.

    A avaliação também considera competências relacionadas ao cuidado integral da pessoa, da família e da comunidade, à vigilância em saúde e ao enfrentamento dos principais problemas epidemiológicos do país, a partir das especialidades: clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, medicina de família e comunidade, saúde mental e saúde coletiva.

    Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria Executiva, do Inep e do Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde destaca contribuição de migrantes para o fortalecimento do SUS

    Ministério da Saúde destaca contribuição de migrantes para o fortalecimento do SUS

    No Dia Nacional do Migrante, celebrado em 19 de junho, o Ministério da Saúde (MS) reconhece a contribuição das pessoas migrantes para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade, da inclusão e da cooperação entre povos na construção de uma saúde pública universal, equitativa e de qualidade. Instituída pela Lei nº 14.678, a data também marca o início da Semana do Migrante e do Refugiado, realizada entre 19 e 23 de junho.

    Anualmente, durante o período, são promovidos debates sobre direitos, dignidade, integração e reconhecimento das contribuições das pessoas que cruzaram fronteiras e hoje contribuem para o desenvolvimento do país. No MS, essas trajetórias se traduzem em cuidado, inovação, troca de experiências e fortalecimento das políticas públicas. Ao ultrapassar limites geográficos em busca de novos horizontes, essas pessoas trouxeram conhecimentos e heranças culturais que hoje se refletem no aprimoramento contínuo do SUS.

    O trabalho é impactado por profissionais de diferentes nacionalidades que atuam em áreas como assistência, vigilância em saúde, gestão, pesquisa, ensino e atenção. Por meio de suas vivências, formações e trajetórias, essas pessoas ampliam perspectivas, fortalecem práticas e contribuem para qualificar as ações e os serviços de saúde em todo o país.

    Marcas da guerra, adaptação cultural e acolhimento no Brasil

    A coordenadora-geral de Articulação Interfederativa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Fatima Ali, é palestina. Enfermeira de formação e servidora aposentada da Secretaria Municipal de Porto Alegre, a profissional atua no SUS há 20 anos. Filha de pai palestino da região norte da Cisjordânia, Ali relembra as dificuldades da adaptação cultural e da resistência para a sobrevivência do seu povo, após 78 anos da catástrofe que provocou o deslocamento forçado de 750 mil palestinos durante a Guerra Árabe-Israelense. “O fenômeno não é resultado de conflitos pontuais, mas de extermínio. Lutamos para manter vivos os laços familiares”, relata ao citar o que mais a marcou no percurso de adaptação e acolhimento em outro país.

    Foto: Acervo Pessoal
    Foto: Acervo Pessoal

    A enfermeira explica o que pensa e como se sente atuando há duas décadas no sistema de saúde brasileiro. “O SUS é um grande desafio, a maior política social do mundo, inclusiva, universal. É a prática da constante solidariedade, do reconhecimento das diversidades e dos territórios”. Quando perguntada sobre qual mensagem deixaria sobre acolhimento, cooperação e construção coletiva na saúde pública, ela faz um convite à reflexão e à justiça. “Imagine você sendo forçado a sair [do seu país] sem olhar para trás. A sensação do desterro é permanente. É necessário manter viva a esperança como princípio fundamental para sobreviver à limpeza étnica. Por um mundo mais justo!”, conclui.

    Estudos, mudança de vida e ascensão profissional

    A nutricionista Maria del Pilar Flores-Quispe, de 44 anos, é peruana e atua como consultora no Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS. No Peru, atuou em sua área de formação em serviços de alimentação, academia, hospital, presídio, projetos de assistência e numa prefeitura, mas vislumbrava avanços acadêmicos e profissionais que pareciam inacessíveis. “Queria realizar um mestrado, mas a pós-graduação no Peru é muito cara, mesmo em universidades públicas. Soube que no Brasil davam bolsas de estudo, eu lia relatórios da UNICEF e via que o país era destaque na América Latina no avanço de indicadores nutricionais e de saúde. Isso me motivou a buscar uma oportunidade. Em 2015, houve um chamado para latino-americanos e consegui obter uma vaga para o mestrado em Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul”, conta.

    Foto: Acervo pessoal
    Foto: Acervo pessoal

    Ao citar o que mais a impactou no processo de migração, a peruana destaca a dificuldade com o idioma e as mudanças progressivas na ascensão social. “Me marcou falar o que realmente sentia em outra língua, como se não pudesse traduzir, mesmo já sabendo português. Também estava me incorporando a outro nível social. No Peru, minha mãe e eu pertencíamos à classe baixa, e aqui, por causa do ambiente acadêmico, parecíamos pertencer à classe média. Isso foi um choque, pois essa transição estava acontecendo fora do meu país”, explica.

    Pilar diz que suas experiências anteriores e trajetória migratória foram fundamentais para a atuação profissional. “Não é instintivo e fácil entender que há um sistema de saúde como o SUS, que não existe em outros países da América Latina. Isso ajuda na interação com outros estrangeiros em projetos ou instituições, para explicar a dimensão do SUS e como ele realmente faz toda diferença na saúde da população que vive aqui, assim como faz diferença na minha saúde e da minha mãe, que mora comigo há um ano. A oportunidade de eu ter morado em diferentes regiões do Brasil tem me ajudado a compreender mais da dimensão territorial e cultural do país”, afirma.

    Entre culturas, aprendizados e compromisso com a saúde pública 

    Jesualdo Costa, de 38 anos, é natural de Guiné-Bissau, um país lusófano com cerca de 2 milhões de habitantes localizado na África Ocidental. Ele atua na Coordenação-Geral de Provimento Profissional no âmbito do Programa Mais Médicos no Brasil e integra a equipe da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do MS. Licenciado em Letras/Língua Portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, mestre em Teoria e Crítica da Literatura e Cultura, e doutorando em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia. Vive há 13 anos no Brasil. Para ele, trabalhar no SUS significa aprender e compartilhar.

    Foto: Acervo Pessoal
    Foto: Acervo Pessoal

    “Venho de Guiné-Bissau, onde a saúde é um grande desafio. Contribuir para um sistema universal como o SUS significa aprender e colaborar. É a oportunidade de vivenciar um modelo que busca garantir acesso à saúde para todos, ao mesmo tempo em que fortaleço meu compromisso com a equidade e a qualidade da assistência”. O profissional contextualiza, ainda, as motivações da migração. “Migrantes não estão aqui apenas pela oportunidade de trabalho, mas também para compartilhar as experiências e vivências que trazem de outras realidades. Essa troca fortalece o cuidado e o próprio sistema. Muitos também vivenciam a importância do SUS como, talvez, a única opção de acesso à saúde, o que reforça ainda mais o compromisso com a luta por um cuidado mais justo e acessível”.

    Jesualdo enfatiza que o SUS também se fortalece com a contribuição de profissionais migrantes e exemplifica citando a atuação dos médicos cubanos no Programa Mais Médicos. “Essa experiência mostra que o acolhimento e a cooperação salvam vidas. No fim, todos somos migrantes em nossas trajetórias, e é essa diversidade que fortalece a saúde pública. Que possamos seguir com base no acolhimento, na cooperação e no respeito às diferenças, guiados pelo princípio do Ubuntu: “eu sou porque nós somos”. É na coletividade que encontramos a força para cuidar melhor de todos”, declara.

    Saúde para migrantes, refugiados e apátridas

     No Brasil, o direito à saúde das populações migrantes, refugiadas e apátridas é assegurado pelos princípios de universalidade e equidade do SUS e respaldado por marcos legais como a Lei de Migração, que garante o acesso a direitos e serviços públicos sem discriminação por nacionalidade ou condição migratória. No âmbito do Ministério da Saúde, normas e iniciativas recentes têm buscado fortalecer esse acesso por meio da qualificação dos serviços, da redução de barreiras documentais e culturais e da construção de uma Política Nacional de Saúde voltada a essas populações, reafirmando o compromisso com o cuidado integral e a inclusão.

     Essas populações são atendidas de forma universal e gratuita, assim como acontece com as pessoas nativas. As ações e estratégias para o cuidado em saúde no âmbito da Atenção Primária estão focadas em afirmar a necessidade de promover acesso à saúde e qualificar os serviços para o melhor cuidado e acolhimento. Na chegada ao país, são orientadas a realizar o cadastramento no e-SUS APS. Os profissionais que recepcionam e realizam o primeiro atendimento são orientados, também, a considerar os aspectos interculturais, para garantir o respeito às diferenças identitárias, enfrentar preconceitos e promover uma abordagem humanizada que considere os contextos socioculturais da comunidade.

    Suellen Siqueira
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde reforça a importância do diagnóstico precoce, do cuidado contínuo e da ampliação do acesso à assistência integral

    Ministério da Saúde reforça a importância do diagnóstico precoce, do cuidado contínuo e da ampliação do acesso à assistência integral

    Neste 19 de junho, Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, o Ministério da Saúde reforça a importância do cuidado integral e da atuação coordenada da Rede de Atenção à Saúde. Ao investir no diagnóstico precoce, no acompanhamento contínuo e na ampliação do acesso à assistência especializada, o Sistema Único de Saúde (SUS) fortalece o direito à saúde e contribui para que mais pessoas vivam com qualidade, autonomia e cidadania.

    “Falar sobre Doença Falciforme é falar sobre equidade, acesso e cuidado integral. Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico e a inserção da pessoa na linha de cuidado do SUS, maiores são as possibilidades de minimizar complicações e assegurar uma vida com mais saúde e autonomia. A conscientização da sociedade e dos profissionais de saúde é essencial para fortalecer essa rede de atenção e qualificar o cuidado das pessoas”, destaca o diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática (DAET), Arthur Mello.

    A Doença Falciforme é uma condição genética hereditária que altera o formato das hemácias, as células responsáveis por transportar oxigênio pelo corpo. Em vez de arredondadas, essas células assumem formato semelhante ao de uma foice, o que dificulta a circulação sanguínea e pode provocar crises dolorosas, infecções, anemia, lesões em órgãos e outras complicações que exigem acompanhamento especializado ao longo de toda a vida.

    Embora seja mais frequente entre pessoas negras e afrodescendentes, a Doença Falciforme está presente em todas as regiões do Brasil e pode afetar pessoas de diferentes origens étnicas. Por isso, ampliar a conscientização e combater a desinformação são estratégias fundamentais para garantir diagnóstico oportuno, acesso ao tratamento e redução das desigualdades em saúde.

    No Brasil, estima-se o registro de cerca de 1.000 novos casos anuais em recém-nascidos com Doença Falciforme. A condição integra o grupo das hemoglobinopatias e representa um importante desafio para a saúde pública, exigindo ações permanentes de vigilância, assistência e educação em saúde.

    Diagnóstico precoce transforma trajetórias

    Um passo fundamental na identificação da doença é a realização do Teste do Pezinho, feito nos primeiros dias de vida (preferencialmente a partir de 48 horas após o nascimento até o 5º dia de vida do recém-nascido) por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). O exame permite detectar de forma precoce a Doença Falciforme e encaminhar a criança para acompanhamento especializado ainda nos primeiros meses de vida, reduzindo riscos e melhorando os desfechos clínicos.

    Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde - DF
    Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde – DF

    Quando o diagnóstico acontece em tempo oportuno, é possível iniciar medidas preventivas importantes, como vacinação ampliada, acompanhamento regular na Rede de Atenção à Saúde, monitoramento clínico e acesso a medicamentos que ajudam a evitar complicações.

    Entre essas medidas estão a profilaxia com Fenoximetilpenicilina para crianças de 0 a 5 anos, a atualização do calendário vacinal, o acompanhamento multiprofissional e a realização de exames periódicos para identificação precoce de alterações clínicas e prevenção de eventos graves, como o acidente vascular cerebral (AVC).

    Linha de cuidado estruturada no SUS

    No SUS, as pessoas com Doença Falciforme contam com uma rede de cuidado estruturada que acompanha diferentes momentos da vida, desde a Atenção Primária até os serviços especializados e hospitalares de alta complexidade.

    Entre as ações disponíveis estão o acompanhamento clínico contínuo, a oferta de medicamentos essenciais, a prevenção de infecções, o aconselhamento genético e, em situações específicas, o transplante de medula óssea, atualmente a única alternativa terapêutica com potencial curativo.

    O SUS disponibiliza ainda medicamentos como a hidroxiureia, a partir de 9 meses de idade, considerada um dos principais avanços terapêuticos para a Doença Falciforme, capaz de reduzir crises dolorosas, internações e outras complicações associadas à doença.

    Outra importante estratégia é a realização do exame Doppler Transcraniano em crianças de 2 a 16 anos de idade, que permite identificar precocemente o risco de acidente vascular cerebral e adotar medidas preventivas oportunas, contribuindo para a redução da morbimortalidade.

    O cuidado também inclui orientação às famílias, estímulo ao autocuidado e apoio para que crianças, adolescentes e adultos possam desenvolver suas atividades cotidianas com mais segurança, autonomia e qualidade de vida.

    Saiba mais sobre o Programa Nacional de Triagem Neonatal

    Patricia Coelho
    Ministério da Saúde

  • Governo aposta em comunicação direta com os cidadãos para ampliar acesso às políticas do SUS

    Governo aposta em comunicação direta com os cidadãos para ampliar acesso às políticas do SUS

    O Ministério da Saúde vem intensificando o uso de tecnologias digitais para aproximar o Sistema Único de Saúde (SUS) da população. A estratégia, apresentada no projeto “Serviço na Ponta”, aposta no envio de mensagens personalizadas por canais como WhatsApp, caixa postal do Gov.br e do aplicativo Meu SUS Digital, com o objetivo de ampliar o acesso às políticas públicas e facilitar a interação do cidadão com serviços públicos.

    A iniciativa funciona como um serviço de comunicação ativa, que combina envio de alertas, lembretes e informações relevantes sobre direitos e programas e políticas do SUS. Entre as modalidades em operação atualmente estão mensagens proativas, como avisos de vacinação, campanhas, ações e serviços de saúde, e o uso de agentes de inteligência artificial para responder dúvidas em tempo real com informações oficiais do Ministério da Saúde.

    Além de informar, ela busca fortalecer o relacionamento entre a população e o SUS, promovendo maior sensação de pertencimento e valorização dos serviços públicos de saúde. Esta estratégia de comunicação foi apresentada na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) de fevereiro de 2026 no intuito de fortalecer a agenda junto aos territórios em parceria com os gestores estaduais e municipais.

    Os resultados iniciais indicam alto alcance e engajamento. Atualmente, as ações já alcançaram cerca de 100 milhões de comunicações, incluindo campanhas de vacinação, prevenção à dengue e arboviroses, informações sobre o Programa Farmácia Popular, assistência farmacêutica, serviços voltados à saúde das caminhoneiras e caminhoneiros, saúde da mulher e o programa Agora Tem Especialistas.

    Outro destaque é o uso de chatbots temáticos, que neste momento atendem demandas específicas de alguns programas e políticas do Ministério da Saúde. Essas ferramentas permitem ao cidadão esclarecer suas dúvidas e consultar rapidamente informações sobre elegibilidade, prazos e serviços disponíveis.

    A estratégia também já foi aplicada em campanhas de grande alcance. Na mobilização contra a influenza no ano de 2026, foram disparadas cerca de 10 milhões de mensagens direcionadas ao público prioritário para a vacinação, reforçando o papel da comunicação digital como instrumento das políticas públicas de saúde.

    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde lança programa inédito de cuidado domiciliar à pessoa idosa

    Ministério da Saúde lança programa inédito de cuidado domiciliar à pessoa idosa

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lança nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil). A iniciativa marca a primeira estratégia nacional de cofinanciamento federal voltada exclusivamente para estruturar e levar Equipes Multiprofissionais (eMulti), às residências de usuários idosos da Atenção Primária à Saúde com limitações funcionais. Para isso, serão investidos cerca de R$ 500 milhões em recursos federais, sendo R$163,2 milhões em 2026 e R$ 329,3 milhões em 2027.

    O ministro destacou que mais de 3 milhões de idosos acamados são atendidos pelo SUS no Brasil. “Com a implantação do Padi Brasil, mais da metade dessa população passará a contar também com acompanhamento em casa, ampliando o acesso ao cuidado e oferecendo mais qualidade de vida aos pacientes e às suas famílias”, afirmou.

    “Junto ao Programa Farmácia Popular, que oferece gratuitamente medicamentos para diabetes e hipertensão, além de fraldas geriátricas, e ao Agora Tem Especialistas, que está reduzindo o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, estamos fortalecendo ainda mais o cuidado com a saúde da população idosa em todo o país”, acrescentou o ministro Alexandre Padilha.

    Com o incremento financeiro, os municípios poderão solicitar novas equipes ou ampliar as já existentes, com aumento da carga horária, contratação de mais profissionais, inclusive médicos especialistas. Ao todo, 2.733 municípios já solicitaram ao Ministério da Saúde a adesão ao Padi Brasil, totalizando 3.677 equipes eMulti, entre ampliações de equipes existentes e implantações de novas equipes. Os números demonstram a demanda dos territórios pelo fortalecimento do cuidado domiciliar à pessoa idosa.

    Cada equipe poderá receber um incremento mensal de até R$ 10 mil por meio do Padi Brasil, totalizando até R$ 57,5 mil por mês, a depender da modalidade da equipe multiprofissional, que pode ser Ampliada, Complementar ou Estratégica. Essas equipes são compostas por profissionais de saúde de diferentes áreas e categorias profissionais, possibilitando o atendimento por psicólogos, nutricionistas, cardiologistas, geriatras, entre outros especialistas, que atuam de forma integrada às equipes de Saúde da Família, ampliando o acesso ao cuidado especializado. Também haverá repasse de parcela única de implantação para ações de estruturação de ações no território no mesmo valor do incremento.

    Atenção primária à Saúde e envelhecimento saudável

    A promoção do envelhecimento saudável é uma das prioridades do Governo do Brasil. Nas últimas décadas, a população brasileira passou a viver mais: em 2024, a expectativa de vida ao nascer alcançou 76,6 anos. Esse avanço representa uma importante conquista social, resultado da melhoria das condições de vida, da ampliação do acesso aos serviços de saúde e do fortalecimento das políticas públicas. Atualmente 80% das pessoas idosas dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Nesse contexto, as equipes da Atenção Primária à Saúde desempenham papel fundamental no acompanhamento da população idosa, identificando precocemente sinais de alerta, fragilidades e condições crônicas. Com o Padi Brasil, esse cuidado será ampliado, levando atendimento multiprofissional especializado até a residência das pessoas idosas com limitações funcionais.

    As equipes contam com diversos instrumentos de apoio ao cuidado. Entre eles, destaca-se a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, importante ferramenta para o acompanhamento das condições de saúde dessa população, disponível tanto na versão impressa quanto digital, por meio do aplicativo Meu SUS Digital.

    O Ministério da Saúde também disponibiliza materiais educativos e orientativos voltados a profissionais de saúde, gestores, cuidadores e familiares, abordando temas como a promoção de uma linguagem positiva sobre demência, a prevenção de quedas e a adoção de práticas que contribuam para um envelhecimento saudável e com mais qualidade de vida.

    Foto: Matheus Oliveira/ Agência Saúde- DF
    Foto: Matheus Oliveira/ Agência Saúde- DF

    Homenagem ao pioneirismo

    Durante o lançamento dos novos recursos, o Ministério da Saúde realizou uma homenagem à médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, idealizadora do projeto que inspirou o programa nacional.

    Na década de 1990, ela atuou no Hospital Municipal Paulino Werneck, que atende a população da Ilha do Governador e parte da região da Maré. Ao observar que muitos pacientes idosos retornavam repetidamente ao hospital, Guilhermina iniciou uma investigação para compreender as causas dessas reinternações.

    Ao constatar que muitos pacientes, após receberem alta, permaneciam sem acompanhamento adequado, Guilhermina liderou a criação do Programa de Atenção Domiciliar (PADI) do Hospital Paulino Werneck, considerado uma experiência inovadora no Sistema Único de Saúde (SUS) carioca. O programa passou a acompanhar pacientes em suas próprias casas, oferecendo assistência médica, de enfermagem, fisioterapia, psicologia e apoio aos cuidadores familiares.

    Conheça a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa

    Janaína Oliveira
    Priscila Viana
    Ministério da Saúde

  • Ministro da Saúde participa de cerimônia da Funasa para instalação de mais de 20,9 mil cisternas em 498 municípios do Brasil

    Ministro da Saúde participa de cerimônia da Funasa para instalação de mais de 20,9 mil cisternas em 498 municípios do Brasil

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, nesta quarta-feira (17), da cerimônia promovida pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que autorizou a instalação de 20,9 mil cisternas em 498 municípios brasileiros. Com investimento superior a R$ 250 milhões, a iniciativa beneficiará mais de 20 mil famílias e representa uma das maiores ações recentes de promoção da segurança hídrica no Semiárido brasileiro. Durante o evento, também tomou posse o novo presidente da Funasa, Lenildo Morais.

    Ao destacar a importância da iniciativa, o ministro Alexandre Padilha ressaltou que o acesso à água de qualidade é fundamental para a promoção da saúde, a prevenção de doenças e o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas. “Levar água ao povo do Semiárido brasileiro é uma das ações mais importantes para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. O aumento da temperatura média eleva o risco de secas e enchentes, exigindo novos desafios para o saneamento. A Funasa tem um papel histórico no combate às doenças relacionadas à falta de saneamento e, agora, contribui para garantir água de qualidade e mais segurança às populações vulneráveis”, afirmou Padilha.

    As cisternas serão instaladas em municípios da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. A tecnologia social permite captar e armazenar água da chuva para consumo humano, ampliando a segurança hídrica, reduzindo a vulnerabilidade das famílias e contribuindo para melhores condições de saúde e qualidade de vida.

    A autorização das ordens de serviço marca o início da fase de implantação de uma das maiores ações de acesso à água conduzidas pelo Governo do Brasil na região. Para milhares de famílias, a chegada das cisternas representará mais segurança no abastecimento, redução da dependência de fontes precárias de água e maior proteção diante dos períodos de estiagem prolongada.

    Prioridade às famílias em situação de vulnerabilidade

    A nova etapa é resultado de um processo iniciado pela Funasa em 2025, com a seleção pública dos municípios aptos a receber as cisternas. Ao final da etapa de habilitação, foram contemplados 498 municípios distribuídos pelos oito estados participantes da ação.

    A definição dos beneficiários priorizou famílias em situação de maior vulnerabilidade social, especialmente aquelas chefiadas por mulheres, pessoas com deficiência, famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e comunidades quilombolas.

    Antes da autorização das obras, equipes técnicas da Funasa realizaram análises e vistorias para validar as propostas e os locais previstos para implantação das estruturas, garantindo o cumprimento dos critérios técnicos estabelecidos.

    Além de ampliar o acesso à água para consumo humano, a iniciativa contribui para a prevenção de doenças relacionadas à escassez hídrica e à falta de abastecimento adequado, fortalecendo as ações de saúde ambiental desenvolvidas pelo Governo do Brasil. A ampliação da segurança hídrica é considerada estratégica para proteger a saúde da população e aumentar a resiliência das comunidades mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.

    Com a implantação das 20.976 cisternas, o Brasil avança na promoção da saúde, da qualidade de vida e da dignidade de milhares de famílias do Semiárido, reforçando o compromisso do Sistema Único de Saúde com a prevenção, a equidade e a adaptação às mudanças climáticas.

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde impulsiona desenvolvimento de tecnologias de ponta para acelerar entrega de soluções concretas para o SUS

    Ministério da Saúde impulsiona desenvolvimento de tecnologias de ponta para acelerar entrega de soluções concretas para o SUS

    Uma pequena amostra de saliva pode revelar muito sobre a nossa saúde. A técnica já é usada para detecção de vírus, bactérias e até sequenciamento de DNA. Uma pesquisa desenvolvida por cientistas brasileiros foi além e criou um biossensor em formato de chip que, combinado com inteligência artificial, é capaz de identificar sinais de metástase de câncer de boca.

    O projeto é conduzido há oito anos por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), mas foi em 2026 que alcançou um novo impulso. A virada de chave ocorreu com a integração ao Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa do Ministério da Saúde desenhada para alavancar o desenvolvimento e oferta de tecnologias de última geração no Sistema Único de Saúde (SUS) e impulsionar a soberania nacional no setor.

    Historicamente, o ciclo que separa o início de uma pesquisa até a oferta de um medicamento na prateleira da farmácia pode ultrapassar os 10 anos. Isso porque o percurso envolve etapas complexas, como testes laboratoriais, ensaios clínicos, validação regulatória e adaptação para produção em escala.

    A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, destaca que o foco do programa é justamente encurtar esse caminho, com atuação integrada e direta para superar os desafios que ainda costumam travar projetos promissores. “A missão é fortalecer a inovação radical, com o desenvolvimento de novas moléculas, medicamentos e produtos de saúde de ponta para reduzir a dependência externa e garantir a soberania do SUS”, pontuou.

    De acordo com De Negri, a iniciativa parte do diagnóstico de que o país possui alta capacidade científica, mas ainda apresenta baixa conversão de conhecimento em soluções. “Para viabilizar essa transição, o Governo do Brasil vai financiar a instalação de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento dedicado às necessidades estratégicas do setor produtivo de saúde, com foco na indústria farmacêutica. A criação dessa infraestrutura no CNPEM representa um marco de inovação, uma vez que o Brasil passará a contar com um suporte tecnológico inédito, essencial para transformar pesquisa em recursos reais que posicionem o país como referência em biotecnologia e saúde.”

    A pesquisa do biossensor, por exemplo, já utilizava um método sólido estruturado em 60 amostras de pacientes com e sem metástase. Agora, a iniciativa contará com um volume 13 vezes maior que o inicialmente previsto, explicou a pesquisadora Líder do Núcleo de Tecnologia em Proteômica e líder da Divisão de Núcleos Avançados em Tecnologias para Saúde do Laboratório Nacional de Biociências do CNPEM, Adriana Franco Paes Leme.

    “Tivemos a oportunidade de entrar na esteira dessa iniciativa e vislumbramos concretizar o projeto utilizando uma análise multicêntrica, onde conseguiremos crescer esse número para quase 800 amostras. E a gente vai conseguir trabalhar em parceria com os hospitais de excelência”, ressaltou Adriana Franco Paes Leme.

    A ampliação é possível porque o programa aproxima instituições de peso como o próprio CNPEM, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e os hospitais de excelência vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

    Para acelerar a pesquisa da detecção de metástase, a cooperação será feita com o Hospital Sírio Libanês, que irá contribuir com acesso a pacientes e validação clínica, enquanto o CNPEM aporta infraestrutura, conhecimento científico e a engenharia para o desenvolvimento do dispositivo.

    Antes dessa parceria, o biossensor já tinha a acurácia, como é definido o grau de proximidade entre um resultado medido e seu valor real, de 76%. Os esforços agora são para elevar essa confiabilidade, enfatiza Adriana Franco Paes Leme. “Essa oportunidade de ter esses estudos em parceria com os centros de excelência vai nos dar outras perspectivas que a gente não tinha antes”, completa.

    Como funciona o biossensor

    Com um formato pequeno que permite ser levado para qualquer lugar, o biossensor utiliza princípios semelhantes aos dos microchips de smartphones para identificar biomarcadores de metástase de câncer de boca. A tecnologia utiliza espectroscopia de impedância eletroquímica para detectar biomarcadores do câncer, a partir da saliva. O método identifica alterações elétricas na superfície do chip e converte os dados em sinais digitais em tempo real, o que já substitui nessa fase o uso de um equipamento laboratorial de grande porte chamado espectrômetro de massas, orçado em até US$ 1 milhão.

    Ciclo de inovação

    Ao todo, quatro projetos-piloto em execução no CNPEM foram selecionados para integrar o Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. Além do biossensor, há pesquisas avançadas para desenvolver soluções para dor crônica neuropática, doenças neurodegenerativas e autoimunes.

    Para sair do laboratório e chegar ao paciente, os projetos percorrem um processo estruturado em duas etapas. Primeiro, as iniciativas passam por avaliação técnica, regulatória e de viabilidade comercial, com foco no potencial de escalabilidade e incorporação ao SUS. Em seguida, o programa apoia a captação de recursos, a formalização de parceiros e o acesso à infraestrutura de ponta do CNPEM, para transformar pesquisas em soluções reais e validadas para a saúde pública.

    Tecnologia feita no Brasil

    Em novembro do ano passado, o Ministério da Saúde celebrou um acordo com o CNPEM, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, para torná-lo o primeiro polo de inovação radical em saúde do país. Com isso, a instituição assumiu o papel de primeiro centro-âncora nacional, com atuação voltada às prioridades do SUS.

    Na prática, a parceria fortalece a autonomia tecnológica e a soberania nacional ao disponibilizar infraestrutura científica de alto nível para pesquisadores, startups e indústrias parceiras do programa. Entre os destaques, está o Sirius, maior fonte de luz síncrotron da América Latina, capaz de visualizar estruturas biológicas em nível atômico. Essa infraestrutura é essencial para desenvolver e validar projetos de inovação radical, com a redução da dependência externa e a aceleração na entrega de novos tratamentos à população.

    O que é uma inovação radical?

    Diferentemente da inovação incremental, que apresenta melhorias graduais de tecnologias que já conhecemos (como uma nova formulação de medicamento ou a versão atualizada de um protocolo), a inovação radical promove rupturas tecnológicas capazes de transformar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças. Exemplos incluem o uso de inteligência artificial para diagnóstico, a implementação de terapias celulares avançadas e as vacinas com novas plataformas tecnológicas.

    Roberta Paola
    Ministério da Saúde

  • Ministro da Saúde participa de cerimônia da Funasa para instalação de mais de 20,8 mil cisternas em 498 municípios do Brasil

    Ministro da Saúde participa de cerimônia da Funasa para instalação de mais de 20,8 mil cisternas em 498 municípios do Brasil

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, nesta quarta-feira (17), da cerimônia promovida pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que autorizou a instalação de 20,9 mil cisternas em 498 municípios brasileiros. Com investimento superior a R$ 250 milhões, a iniciativa beneficiará mais de 20 mil famílias e representa uma das maiores ações recentes de promoção da segurança hídrica no Semiárido brasileiro. Durante o evento, também tomou posse o novo presidente da Funasa, Lenildo Morais.

    Ao destacar a importância da iniciativa, o ministro Alexandre Padilha ressaltou que o acesso à água de qualidade é fundamental para a promoção da saúde, a prevenção de doenças e o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas. “Levar água ao povo do Semiárido brasileiro é uma das ações mais importantes para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. O aumento da temperatura média eleva o risco de secas e enchentes, exigindo novos desafios para o saneamento. A Funasa tem um papel histórico no combate às doenças relacionadas à falta de saneamento e, agora, contribui para garantir água de qualidade e mais segurança às populações vulneráveis. Essa é mais uma ação do Ministério da Saúde para adaptar o SUS ao enfrentamento das mudanças climáticas”, afirmou Padilha.

    As cisternas serão instaladas em municípios da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. A tecnologia social permite captar e armazenar água da chuva para consumo humano, ampliando a segurança hídrica, reduzindo a vulnerabilidade das famílias e contribuindo para melhores condições de saúde e qualidade de vida.

    A autorização das ordens de serviço marca o início da fase de implantação de uma das maiores ações de acesso à água conduzidas pelo Governo do Brasil na região. Para milhares de famílias, a chegada das cisternas representará mais segurança no abastecimento, redução da dependência de fontes precárias de água e maior proteção diante dos períodos de estiagem prolongada.

    Prioridade às famílias em situação de vulnerabilidade

    A nova etapa é resultado de um processo iniciado pela Funasa em 2025, com a seleção pública dos municípios aptos a receber as cisternas. Ao final da etapa de habilitação, foram contemplados 498 municípios distribuídos pelos oito estados participantes da ação.

    A definição dos beneficiários priorizou famílias em situação de maior vulnerabilidade social, especialmente aquelas chefiadas por mulheres, pessoas com deficiência, famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e comunidades quilombolas.

    Antes da autorização das obras, equipes técnicas da Funasa realizaram análises e vistorias para validar as propostas e os locais previstos para implantação das estruturas, garantindo o cumprimento dos critérios técnicos estabelecidos.

    Além de ampliar o acesso à água para consumo humano, a iniciativa contribui para a prevenção de doenças relacionadas à escassez hídrica e à falta de abastecimento adequado, fortalecendo as ações de saúde ambiental desenvolvidas pelo Governo do Brasil. A ampliação da segurança hídrica é considerada estratégica para proteger a saúde da população e aumentar a resiliência das comunidades mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.

    Com a implantação das 20.976 cisternas, o Brasil avança na promoção da saúde, da qualidade de vida e da dignidade de milhares de famílias do Semiárido, reforçando o compromisso do Sistema Único de Saúde com a prevenção, a equidade e a adaptação às mudanças climáticas.

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde