Categoria: SAÚDE GOV

  • Dia D de vacinação contra o sarampo mobiliza a tríplice fronteira neste sábado (7)

    Dia D de vacinação contra o sarampo mobiliza a tríplice fronteira neste sábado (7)

    Neste sábado (7), a região da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia terá uma mobilização conjunta de vacinação contra o sarampo. No lado brasileiro, a ação será realizada em Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte, no Amazonas, em uma estratégia coordenada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o governo local. A iniciativa busca ampliar a proteção da população diante do avanço da doença nas Américas.  

    “Diante do aumento dos casos de sarampo em países vizinhos, a vacinação é fundamental para proteger a população da região de fronteira e evitar a entrada da doença no Brasil. Por isso, intensificamos as ações de vacinação nos portos, nas comunidades ribeirinhas e nas áreas indígenas, criando uma importante barreira de proteção. Essa mobilização é essencial para proteger não apenas a população do Alto Solimões, mas todo o país”, destacou o  diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti.  

    As equipes estarão nas unidades de saúde e em locais de grande circulação, como portos, feiras, escolas e estabelecimentos comerciais, além de realizar visitas domiciliares. A mobilização também alcança comunidades indígenas, ribeirinhas e de difícil acesso, com apoio dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Alto Rio Solimões e Vale do Javari e das Casas de Saúde Indígena (Casai).  

    Para fortalecer a resposta regional, o Ministério da Saúde disponibilizou 500 mil doses da vacina tríplice viral ao Peru, que registra mais de 2 mil casos em 2026 e está entre os países com maior número de notificações nas Américas. O envio está previsto para os próximos dias. A Colômbia confirmou 17 casos neste ano.  

    Nos três quatro municípios amazonenses, todas as pessoas a partir de 6 meses de idade poderão receber a vacina, independentemente do histórico vacinal. Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias recebem a chamada dose zero, que não substitui as doses previstas no calendário de rotina. A partir dos 12 meses, devem seguir o esquema recomendado para a idade.   

    Cenário epidemiológico 

    O Brasil permanece livre da circulação endêmica do sarampo, condição recuperada em 2024, após o país perder o reconhecimento em 2019, quando registrou mais de 20 mil casos. Em 2026, foram confirmados 65 casos importados. Para evitar a reintrodução da circulação do vírus, o Ministério da Saúde mantém a busca ativa de casos, a vigilância epidemiológica e o bloqueio vacinal em áreas prioritárias.  

    Dos casos confirmados no país, 23 21 foram registrados no Amazonas, em municípios da faixa de fronteira com o Peru e a Colômbia. A maioria ocorreu em Tabatinga (9) e Benjamin Constant (6), além de Atalaia do Norte (2) e São Paulo de Olivença (4). Outros dois casos foram registrados em Rio Branco, no Acre.  

    Em 2025, a cobertura vacinal no Amazonas chegou a 89,7% para a primeira dose e 76% para a segunda. No mesmo período, os índices nacionais foram de 93,15% e 78,61%, respectivamente.  

    João Vitor Moura
    Ministério da Saúde
     

  • Ministério da Saúde inaugura unidade de saúde indígena no Pará

    Ministério da Saúde inaugura unidade de saúde indígena no Pará

    O Ministério da Saúde inaugurou, neste sábado (7), a Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) Mapuera, na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera, em Oriximiná (PA). A estrutura conta com dois consultórios para atendimentos gerais, consultório odontológico, sala de vacinação, farmácia, laboratório, enfermaria, sala de espera e alojamentos. A unidade vai beneficiar cerca de 660 indígenas dos povos Wai Wai, Arara e Tirió. 

    Entre os serviços oferecidos estão consultas e procedimentos de enfermagem, pré-natal, vacinação, atendimento odontológico, acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento infantil e cuidado de pessoas com hipertensão e diabetes. A equipe também realizará ações de prevenção do câncer do colo do útero, testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, além de atividades de vigilância em saúde, com atenção a agravos como malária e doenças diarreicas. 

    A secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, destaca que a estrutura vai permitir melhores condições de atendimento, com mais privacidade nas consultas e espaços adequados para armazenar vacinas, medicamentos e insumos. 

    “Com a nova unidade, as famílias da Aldeia Mapuera terão melhores condições de receber atendimento e dar continuidade ao cuidado dentro do próprio território. Essa entrega reafirma o compromisso do Ministério da Saúde e do Governo Federal com a saúde dos povos indígenas de todo o Brasil”, disse. 

    Ministério destinou R$ 1,17 milhão para viabilizar a logística da obra  

    A implantação da Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) Mapuera foi viabilizada por meio de um acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Saúde e a organização Target Rüdiger Nehberg Brasil. Pelo acordo, cada instituição ficou responsável pelas despesas e atividades sob sua atribuição, sem transferência de recursos financeiros entre os parceiros. 

    O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Guamá-Tocantins assumiu o transporte aéreo e fluvial de materiais, equipamentos e insumos até a aldeia.  O valor de R$ 1,17 milhão enviados pelo Ministério da Saúde foram utilizados em despesas logísticas. 

    A organização forneceu equipamentos, materiais de construção e equipe técnica especializada. A obra utilizou o sistema steel frame, com perfis leves de aço, que permite uma montagem mais rápida e reduz a geração de resíduos.  

    Edjalma Borges 
    Ministério da Saúde

  • Dois anos do Novo Acordo do Rio Doce: ações de saúde chegam R$ 825,6 milhões repassados a 49 municípios

    Dois anos do Novo Acordo do Rio Doce: ações de saúde chegam R$ 825,6 milhões repassados a 49 municípios

    Exatamente dois anos após a homologação do Novo Acordo do Rio Doce pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 06 de novembro de 2024, a reparação dos danos à saúde das populações atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), avança com ações de estruturação e ampliação dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Por meio do Programa Especial de Saúde do Rio Doce (PES Rio Doce), o Ministério da Saúde atua em 49 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo, com iniciativas que abrangem desde a atenção especializada e a saúde indígena até o monitoramento da qualidade da água para consumo humano. Mais de 1,5 milhão de usuários são beneficiados pelas ações.

    Até setembro de 2026, R$ 825,6 milhões foram repassados diretamente aos fundos municipais de saúde das 49 cidades contempladas. Com o Novo Acordo, os recursos previstos para a área da saúde passaram de aproximadamente R$ 700 milhões para R$ 12 bilhões, permitindo estruturar uma estratégia específica de reparação dos impactos do desastre sobre as condições de saúde da população.

    “O Novo Acordo permitiu estruturar uma estratégia específica para enfrentar os impactos do desastre sobre a saúde da população. Nosso compromisso é fazer com que esses recursos se traduzam em serviços mais estruturados, ampliação do acesso à assistência e melhores condições de cuidado para quem vive nos territórios atingidos. É um trabalho que exige articulação com os municípios e participação das comunidades, considerando as necessidades de cada região”, afirma o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda.

    Entre as entregas realizadas estão 208 veículos destinados a ampliar a capacidade de atendimento e a estrutura dos serviços municipais. O conjunto inclui ambulâncias, vans e Unidades Odontológicas Móveis, contribuindo para a renovação das frotas e para a ampliação do acesso da população aos serviços de saúde. Também foram destinados veículos aos Conselhos de Saúde dos municípios mineiros e capixabas, apoiando as atividades de participação e controle social do SUS.

    A ampliação do acesso à assistência especializada também integra as ações do programa. Três carretas do Agora Tem Especialistas foram disponibilizadas para atendimento nos territórios atingidos, com serviços de oftalmologia, saúde da mulher e exames de diagnóstico por imagem. A unidade oftalmológica está instalada em Mariana (MG), com atendimento também em Ouro Preto, Ponte Nova e Itabirito. Os serviços de saúde da mulher são ofertados em municípios como Colatina e São Mateus, no Espírito Santo, e Ouro Preto e Timóteo, em Minas Gerais. Já os atendimentos para exames de imagem ocorrem a partir de Ponte Nova e Governador Valadares, alcançando municípios do entorno.

    Na atenção primária, o programa prevê a construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Academias da Saúde. Dez municípios já possuem Acordos de Cooperação Técnica (ACT) assinados para essas construções, dos quais sete estão com projetos concluídos. Também foi firmado acordo para implantação do Hospital Dia de Santana do Paraíso. Em Mariana, o Hospital Universitário teve a pedra fundamental lançada, em um empreendimento com investimento pactuado de R$ 284 milhões entre os ministérios da Saúde e da Educação e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). O projeto prevê 33 mil metros quadrados de área construída e 225 leitos.

    A estruturação dos serviços inclui ainda a ampliação do acesso à telessaúde. A entrega de kits para essa finalidade já começou nos 49 municípios, com previsão de conclusão em dezembro de 2026. Os equipamentos deverão estruturar 484 unidades de saúde, beneficiando 695 equipes de Saúde da Família e seis Equipes Multiprofissionais de Saúde Indígena. Também está em andamento a distribuição de kits para os Conselhos de Saúde, compostos por projetor, computador e periféricos, com previsão de atendimento a todos os municípios contemplados até dezembro.

    Outra frente de atuação é o monitoramento da qualidade da água para consumo humano. Desde maio de 2026, o Ministério da Saúde, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) são responsáveis pelo acompanhamento, com ampliação dos parâmetros analisados, incluindo características organolépticas e a presença de agrotóxicos, que não eram monitorados anteriormente pela Samarco. As campanhas de coleta realizadas em junho, julho, setembro e outubro foram concluídas. A iniciativa também prevê a divulgação de um boletim informativo e a disponibilização de um painel de informações ainda em 2026. Paralelamente, a Funasa iniciou a estruturação laboratorial, com aquisição de equipamentos para análise da água.

    As ações voltadas à saúde indígena também integram a estratégia de reparação. Entre as principais entregas estão purificadores de água, caixas d’água, coletores de pilhas e baterias e a contratação de Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN). Dois pontos de atendimento à saúde indígena, nas localidades de Amarelos e Olhos d’Água, estão com os projetos finalizados. Também estão em fase de contratação três ações emergenciais em serviços de abastecimento de água nessas localidades e em Comboios.

    A produção de conhecimento sobre os efeitos do desastre na saúde da população é outra dimensão do programa. Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Ministério da Saúde estruturou a Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce para desenvolver estudos e diagnósticos sobre as condições de saúde dos habitantes dos municípios atingidos. Cerca de R$ 22 milhões já foram liberados para a Fiocruz estruturar a iniciativa. Uma oficina já foi realizada no Espírito Santo, enquanto os estudos estão em fase preparatória e um seminário está previsto para 2026. A rede deverá produzir informações epidemiológicas e toxicológicas sobre a região, contribuindo para orientar políticas públicas e ações de cuidado à população.

    Para acompanhar a execução das ações, o PES Rio Doce conta com um Escritório Territorial inaugurado em 30 de março de 2026, em Governador Valadares (MG). A governança do programa envolve representantes dos governos e da sociedade civil atingida, por meio da Câmara Técnica e do Comitê Especial Tripartite. Também foi instituída uma Comissão Temática da Saúde no âmbito do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba, ampliando os espaços de participação da população nas decisões relacionadas à reparação.

    Em 5 de novembro de 2026, o rompimento da barragem de Fundão completou 11 anos. O desastre-crime despejou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos no ambiente, atingiu comunidades e territórios em toda a Bacia do Rio Doce e provocou 19 mortes, além de uma vítima reconhecida posteriormente. Os efeitos sobre a saúde física e mental da população permanecem. Nesse cenário, as ações do Ministério da Saúde buscam ampliar a capacidade de resposta do SUS, apoiar os municípios e assegurar que a reparação também alcance as condições de saúde e de vida das pessoas atingidas.

     Thamirys Santos
    Ministério da Saúde

  • Lula sanciona lei que fortalece avaliação da formação médica e torna Enamed requisito para exercício da profissão

    Lula sanciona lei que fortalece avaliação da formação médica e torna Enamed requisito para exercício da profissão

    O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou, nesta sexta-feira (6/11), o Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 14 que determina a aplicação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como requisito obrigatório para exercício da profissão no país.

    O PLV provém da Medida Provisória nº 1.370, que foi proposta pelo Poder Executivo com o objetivo de assegurar a consolidação de uma política nacional integrada de avaliação da formação médica, articulando a aferição da qualidade dos cursos de medicina, os mecanismos de acesso à residência médica e os instrumentos relacionados à habilitação para o exercício profissional no Brasil.

    “Hoje, nós estamos vendo que se o Estado assumir a sua responsabilidade, o sonho do povo pobre de ter um tratamento decente vai se realizar. Estamos aqui dizendo para o povo brasileiro: vale a pena a gente acreditar que, através de políticas públicas corretas, a gente vai consertar esse país. E quanto mais qualificado for o nosso médico, mais garantia nós temos de que vamos viver bem”, afirmou o presidente Lula durante a cerimônia de sanção, em Brasília.

    O exame será aplicado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com participação do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina (CFM), em três momentos da graduação: no segundo, quarto e sexto anos do curso. A pontuação é acumulada com maior peso na última prova realizada na conclusão do curso. O resultado do Enamed também poderá ser utilizado para ingresso em programas de residência médica de acesso direto, por meio do Exame Nacional de Residência (Enare). Além disso, a prova passa a substituir a etapa teórica do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Revalida).

    O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a política acompanhará toda a formação do estudante. “Nós vamos cuidar da qualidade da formação médica, da qualidade do atendimento no SUS, nós vamos cuidar da proficiência durante todo o percurso formativo desse estudante na graduação. Para nós, do Ministério da Educação, é muito importante ter um instrumento efetivo de regulação e de supervisão desses cursos.” 

    PADRÃO NACIONAL — Os egressos no Enamed que não atingirem o desempenho mínimo poderão refazer a prova nas edições futuras, mas ficarão impedidos de exercer a medicina até a aprovação. Para o Sistema Único de Saúde (SUS), a medida garante que os profissionais da medicina que atendem a população nas unidades básicas, nos hospitais ou nos programas de provimento, tenham a proficiência aferida pelo mesmo padrão nacional.

    “A população brasileira, quando vai ao médico, tem expectativa que a palavra do médico vai ser uma palavra ética, de acolhimento, de sabedoria. Então essa lei tem um impacto muito grande para mostrar que, juntos, a gente pode fazer muito mais pela qualidade da formação médica no Brasil”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

    A exigência de proficiência para obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) vale para estudantes que ingressaram no curso de medicina a partir de 19 de junho de 2026. Os cursos com conceito insatisfatórios no exame ficam submetidos a processos de supervisão instaurados pelo MEC, com possibilidade de aplicação de medidas cautelares, como a redução de vagas ou a suspensão temporária de ingresso.

    A política pública permanente de avaliação da formação médica é conduzida conjuntamente pelos ministérios da Educação e da Saúde, considerando o papel central do SUS na formação médica. É nas unidades básicas de saúde, nos ambulatórios e nos hospitais da rede que os estudantes realizam o internato e os residentes se especializam.

     O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, definiu a sanção como algo histórico e destacou que a lei trará benefícios para todos. “É um ganha-ganha. Ganham os alunos que vão ser melhor formados. Ganham as faculdades que vão ter que se preparar. E ganha a sociedade com profissionais mais bem qualificados para atendê-los”, disse. 

    SINARES — A nova legislação também constitui o Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica (Sinares), responsável por instrumentos de avaliação ao longo da residência médica, que serão apresentados de forma conjunta pelo Ministério da Educação, pelo Ministério da Saúde, pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira, visando qualificar a formação de especialistas no país.

    VETO — O texto foi sancionado com um veto, que se refere ao estabelecimento de contrapartidas de 2% do faturamento líquido das instituições que ofertem cursos de medicina e utilizem a estrutura e os serviços do SUS para a realização de estágios curriculares obrigatórios e demais atividades formativas práticas. O veto se justifica pela dificuldade de definir o montante a partir de critérios objetivos e equânimes entre as instituições.

    HISTÓRICO – Em 2023, o Ministério da Educação (MEC) encontrou um cenário de expansão dos cursos de medicina marcado pela judicialização e por dificuldades no planejamento da oferta. A moratória para a abertura de novos cursos, vigente entre 2018 e 2022, havia provocado mais de 360 decisões liminares, fora da sistemática prevista no Programa Mais Médicos. Mesmo nesse contexto, a oferta anual de vagas em cursos de medicina nas redes pública e privada cresceu em mais de 23 mil no período.

    Diante desse cenário, o MEC, em articulação com o Ministério da Saúde, iniciou a reorganização da política de formação médica, com foco na qualidade dos cursos, na distribuição regional da oferta e na integração com o SUS. Entre as medidas adotadas estão a retomada dos editais do Mais Médicos, a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina e o aprimoramento dos instrumentos de avaliação e supervisão.

    O Enamed foi instituído em 23 de abril de 2025, por meio de uma iniciativa conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde, com o apoio do Inep e da HU Brasil, com objetivo de unificar a avaliação da formação médica no país. Para consolidar o exame como política pública, o Governo Federal encaminhou ao Congresso Nacional, em 19 de junho de 2026, a Medida Provisória nº 1.370, cujo Projeto de Lei de Conversão foi aprovado em outubro deste ano.

    Inicialmente estruturado como modalidade específica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina, o Enamed foi concebido para integrar a avaliação dos concluintes e a produção de indicadores nacionais sobre a qualidade da formação médica. A primeira prova foi aplicada em outubro de 2025, com 96,6 mil inscritos confirmados. Dos 351 cursos avaliados, 107 receberam conceitos insatisfatórios (1 ou 2) e aproximadamente 13 mil egressos foram considerados não proficientes. Os cursos com conceito 5 somaram apenas 49, evidenciando o desafio de qualidade da formação médica no país. Os cursos de graduação cuja autorização se deu por via judicial tiveram o pior desempenho.

    Em 2026, o exame cresceu de forma expressiva. A segunda edição contabilizou 152,9 mil inscritos, aumento superior a 58% em relação ao número de inscrições confirmadas no ano anterior, com a inclusão dos estudantes do 4º ano, além dos concluintes.

    INTEGRAÇÃO COM ENARE – Os resultados do Enamed são utilizados na seleção para programas de residência médica de acesso direto por meio do Enare, processo seletivo unificado coordenado pela HU Brasil. A iniciativa reúne instituições públicas e privadas, busca democratizar o acesso à residência médica, reduzir a multiplicidade de provas e contribuir para a ocupação eficiente das vagas disponíveis.

    No Enare, a nota do Enamed corresponde à etapa objetiva da seleção. A partir da edição 2026/2027, também passou a ser possível utilizar resultado proficiente obtido na edição anterior, dentro do prazo de validade. Caso o candidato possua mais de um resultado válido, o sistema considera a maior nota para fins de classificação.

    Além do Enare, outros programas de residência médica de acesso direto também podem utilizar os resultados do Enamed em seus processos seletivos, como etapa de avaliação cognitiva ou de conhecimentos teóricos. A integração contribui para reduzir a fragmentação dos instrumentos de avaliação, ampliar a comparabilidade dos resultados e fortalecer a articulação entre a graduação, a residência médica e as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

    PADRÃO NACIONAL DE FORMAÇÃO – A consolidação do Enamed permite ao país estabelecer um parâmetro nacional comum de proficiência para a formação médica. Esse padrão não substitui a autonomia pedagógica das instituições, mas cria uma referência objetiva sobre o conjunto mínimo de conhecimentos e competências que deve ser desenvolvido ao longo da graduação.

    A matriz do exame está alinhada às Diretrizes Curriculares Nacionais e contempla áreas essenciais da prática médica: clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, medicina de família e comunidade, saúde mental e saúde coletiva. Além de avaliar o estudante, o Enamed produz indicadores sobre a qualidade dos cursos de medicina.

    Com a nova lei, o Brasil passa a contar com uma política integrada que articula avaliação da graduação, aferição de proficiência, supervisão dos cursos, acesso à residência médica e fortalecimento do SUS. A medida amplia a transparência e estimula o aprimoramento contínuo das escolas médicas.

  • Saúde antirracista: Ministério da Saúde participa da Campanha do Mês da Consciência Negra 2026

    Saúde antirracista: Ministério da Saúde participa da Campanha do Mês da Consciência Negra 2026

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou do lançamento da campanha do Mês da Consciência Negra 2026, nesta quarta-feira (04), no Ministério da Igualdade Racial (MIR). Com o lema “Brasil pela Igualdade Racial: o Legado para o Futuro”, a campanha destaca a quarta edição do Mapa do Brasil pela Igualdade Racial, uma ferramenta colaborativa que reúne a programação de debates, encontros, lançamentos e articulações com órgãos públicos, instituições parceiras e sociedade civil em todo o país, aprofundando e fortalecendo as discussões sobre a relação entre memória, presente e futuro.  

    “Não existe saúde pública para todos sem igualdade racial e os dados oficiais revelam a profunda desigualdade que ainda existe para que a população negra possa acessar os serviços de saúde. O enfrentamento ao racismo precisa se traduzir em políticas concretas, com ações, investimentos e compromisso institucional para assegurar um SUS cada vez mais equânime”, afirmou o ministro durante o evento. 

    As atividades do Novembro Negro se estendem até o fim do mês e incluem encontros sobre cooperação internacional e justiça racial, saúde e direitos da população negra, entre outros temas correlacionados. As datas, os locais e os detalhes de parte da programação de outras pastas, podem ser conferidas no Mapa do Brasil pela Igualdade Racial.   

    Saúde antirracista 

    No Brasil, o Ministério da Saúde e a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) reconhecem oficialmente que não é possível promover equidade no Sistema Único de Saúde (SUS) sem combater o racismo como determinante da saúde. Isto porque o racismo se configura como o principal fator de produção de iniquidades em saúde a que estão expostas as populações negras africanas e afrodescendentes.  Nesse contexto, o Ministério da Saúde reforça seu compromisso com o enfrentamento das desigualdades raciais e a promoção de uma saúde pública mais justa e inclusiva, por meio de iniciativas voltadas ao fortalecimento da PNSIPN, à promoção da equidade racial e ao enfrentamento do racismo estrutural e institucional no SUS. 

    Para a coordenadora-geral de Atenção à Saúde da População Negra do Ministério da Saúde, Rose Santos, as iniciativas apresentadas para este Novembro Negro representam avanços na consolidação de uma agenda de cooperação interministerial. “Estamos construindo caminhos para que a equidade racial se materialize nos territórios, por meio do fortalecimento da formação em saúde, da atenção psicossocial antirracista e do financiamento de ações que ampliem o acesso e qualifiquem o cuidado à população negra”, destacou Rose. 

    Como parte desse esforço, a pasta ampliou o incentivo financeiro federal de custeio mensal às equipes de Saúde da Família (eSF) que atuam em territórios com população quilombola, instituído pela Portaria GM/MS nº 9.572/2025. Em março de 2026, foram credenciados e habilitados 130 municípios e 245 equipes, com previsão de profissionais adicionais, unidades de apoio e meios de transporte. Destaca-se ainda a publicação da Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ), em setembro de 2026. 

    Desde setembro do ano passado, o Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Atenção à Saúde da População Negra – CGAPN, realiza oficinas e ações de educação na saúde antirracista com trabalhadores e gestores da pasta, além de estratégias de qualificação de trabalhadores do SUS, em ciclos de Educação permanente antirracista. Neste ano, também estão sendo realizadas oficinas regionais para formação de gestores e trabalhadores da Atenção Primária em Saúde (APS) sobre a primeira infância antirracista, a justiça reprodutiva e a saúde das mulheres negras.  

    Para identificar e enfrentar possíveis vieses raciais em tecnologias e sistemas digitais utilizados no SUS, o Ministério da Saúde desenvolve o projeto Saúde Digital sem Racismo, estruturado em três frentes de investigação: a primeira prevê auditorias em sistemas automatizados utilizados na saúde, com o objetivo de identificar possíveis diferenças de desempenho entre grupos raciais; a segunda está voltada ao monitoramento da implementação da PNSIPN nas políticas de digitalização da saúde e a terceira contempla o mapeamento e a escuta de lideranças negras e quilombolas, para compreender suas experiências, necessidades e desafios relacionados ao acesso às tecnologias digitais em saúde. 

    Já por meio do projeto “Feira de Saúde: Saberes Ancestrais dos Terreiros e o Cuidado na Atenção Primária à Saúde”, o Ministério da Saúde, em parceira com as gestões municipais de saúde e organizações da sociedade civil, promove nos territórios tradicionais das religiões de matriz africana e afrobrasileira  a oferta de  serviços de saúde e  diálogos comunitários de valorização dos terreiros como espaços promotores de saúde, valorizando as práticas ancestrais de cuidado em diferentes cidades brasileiras. 

    Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra 

    Desde 2023, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, é feriado nacional, conforme a Lei nº 14.759/2023. A data reconhece a trajetória de Zumbi dos Palmares e a importância histórica das lutas da população negra por liberdade e direitos.   

    Priscila Viana
    Ministério da Saúde 

  • Ministério da Saúde lança novo Regimento Interno com foco em inovação e saúde digital

    Ministério da Saúde lança novo Regimento Interno com foco em inovação e saúde digital

    O Ministério da Saúde deu um passo decisivo rumo à modernização de sua gestão nesta quinta-feira (5/11). Em cerimônia realizada no Auditório Emílio Ribas, no Edifício Sede da pasta, foi lançado o novo Regimento Interno da instituição. O documento, que atualiza a estrutura organizacional do ministério, redefine competências e fortalece a governança do Sistema Único de Saúde (SUS), foi entregue de forma simbólica pelo mascote Zé Gotinha. A reformulação administrativa foi oficializada pela Portaria GM/MS nº 12.169, publicada no Diário Oficial da União (DOU).

    Na abertura do evento, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, destacou o esforço do Governo do Brasil para reconstruir e consolidar a autoridade sanitária da pasta no país. “Isso aqui não é só um livro. Ele representa toda a engrenagem de funcionamento do Ministério da Saúde. O novo texto consolida o nosso papel na coordenação nacional do SUS, detalhando as competências e responsabilidades de cada unidade para que possamos, na ponta, modernizar o atendimento à população e garantir o cuidado à saúde com universalidade, integralidade e equidade”, pontuou.

    Composto por 874 artigos distribuídos em 22 títulos, o novo regimento detalha o fluxo de trabalho de órgãos de assistência direta ao ministro, conselhos colegiados, entidades vinculadas e hospitais federais. O texto também amarra as competências das sete secretarias finalísticas que desenham as políticas de saúde do Brasil hoje:

    • Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS)

    • Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES)

    • Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE)

    • Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA)

    • Secretaria de Saúde Indígena (SESAI)

    • Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES)

    • Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI)

    Saúde Digital e Inovação

    Um dos principais destaques do novo documento é o fortalecimento das diretrizes voltadas para a transformação tecnológica da saúde pública. O regimento detalha a atuação da Secretaria de Informação e Saúde Digital, consolidando as bases normativas para a expansão da telessaúde, a integração de sistemas nacionais de dados e a regulamentação do uso ético de inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e monitoramento epidemiológico.

    Desburocratização e Transparência

    Com a entrada em vigor da nova portaria, quatro normativas anteriores que regulavam as estruturas internas do ministério foram integralmente revogadas (as Portarias GM/MS nº 1.844/2016 e nº 1.419/2017, e as Portarias SE/MS nº 756/2017 e nº 801/2020). A consolidação extingue redundâncias burocráticas e simplifica o organograma institucional, garantindo maior transparência pública e segurança nos atos de trabalhadores e gestores da pasta.

    Tatiany Volker Boldrini
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde promove 1º encontro intercultural entre parteiras, parteiros, lideranças e profissionais de saúde indígena do Ceará e do Piauí

    Ministério da Saúde promove 1º encontro intercultural entre parteiras, parteiros, lideranças e profissionais de saúde indígena do Ceará e do Piauí

    O Ministério da Saúde promove, até 5 de novembro, na Aldeia Almofala, no Ceará, um encontro intercultural entre parteiras, parteiros, lideranças e profissionais de saúde indígena do Ceará e do Piauí. Com o tema central “Saberes do Cuidar e do Nascer”, o encontro regional estimula a troca de experiências para qualificar e humanizar a atenção à gestação, ao parto, ao puerpério e ao recém-nascido.

    A iniciativa inclui rodas de conversa, exposições e dinâmicas entre as parteiras, parteiros e as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) do Distrito Sanitário Especial Indígena do Ceará (DSEI/Ceará).

    Participam também representantes do Controle Social e das Secretarias de Saúde de Itarema e do Estado, além de parceiros institucionais, como a Secretaria dos Povos Indígenas (SEPIN), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e a Universidade Federal do Ceará (UFC).

    O movimento indígena local e regional está representado pela Articulação das Mulheres Indígenas (AMICE), pela Federação dos Povos Indígenas do Ceará (FEPOINCE), pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) e pelo Conselho Local de Saúde Indígena do povo Tremembé.

    O evento amplia a troca de experiências iniciada em junho deste ano, quando foi realizado o I Encontro Nacional de Parteiras e Parteiros Indígenas, em Porto Velho (RO). Na ocasião, representantes indígenas de todo o país reforçaram a necessidade de uma assistência à saúde que reconheça e valorize os saberes ancestrais.

    Entre os resultados da iniciativa está a elaboração de guias com orientações para compartilhar conhecimentos, práticas e experiências entre parteiras e parteiros indígenas e apoiar os profissionais de saúde no diálogo intercultural e na articulação com os sistemas indígenas de cuidado, promovendo um trabalho conjunto que respeite os saberes e as formas de cuidar de cada povo.

    Para a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, as ações promovem a escuta ativa, o diálogo e fomentam a aproximação dos saberes tradicionais com a rede de atenção à saúde. “Valorizar os conhecimentos passados de geração em geração fortalece a autonomia e a autodeterminação dos povos, promove o bem-viver nos territórios e impulsiona a construção de uma linha de cuidado à mulher indígena que respeita as culturas e as memórias ancestrais. Ao longo dos últimos anos, o Ministério da Saúde tem reafirmado o compromisso com o respeito às práticas tradicionais ao reconhecer seu protagonismo”, disse.

    Guardiões dos saberes ancestrais

    As parteiras e os parteiros indígenas integram os especialistas das medicinas indígenas, reconhecidos por seus próprios povos e comunidades como detentores de conhecimentos e práticas de cuidado. A Portaria GM/MS nº 10.676, de 2 de abril de 2026, reafirma esse reconhecimento no âmbito da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) e do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS).

    Esse reconhecimento reafirma o respeito à autonomia e à autodeterminação dos povos indígenas, aos seus conhecimentos, práticas e sistemas próprios de cuidado, sem interferência em suas formas de organização e transmissão de conhecimentos. A medida também contribui para o fortalecimento de políticas públicas que respeitem esses sistemas de cuidado.

    Rayane Bueno
    Ministério da Saúde

  • Brasil sedia reunião de cooperação para eliminar a malária no Escudo das Guianas

    Brasil sedia reunião de cooperação para eliminar a malária no Escudo das Guianas

    Representantes de seis países e territórios reafirmam o compromisso político de fortalecer a cooperação regional para eliminar a malária no Escudo das Guianas: Brasil, Colômbia, Guiana, Suriname, Venezuela e França (Departamento Ultramarino da Guiana Francesa). A Reunião Ministerial de Alto Nível para a Eliminação da Malária foi realizada na terça-feira (3) pelo Ministério da Saúde (MS), na capital federal. Agendas semelhantes serão promovidas até a próxima sexta-feira (6), data em que é celebrado o Dia da Malária nas Américas, instituído pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) para conscientizar e mobilizar esforços contra a doença infecciosa.

    Entre os objetivos do encontro estiveram compartilhar experiências e prioridades nacionais, discutir desafios epidemiológicos comuns, fortalecer a cooperação transfronteiriça, além de formalizar a Carta de Compromisso para a Eliminação da Malária no Escudo das Guianas e avançar na definição de mecanismos conjuntos de coordenação, implementação e acompanhamento das ações, alinhados ao Plano de Ação para a Eliminação da Malária nas Américas 2026-2030.

    O entendimento central é que a doença exige uma resposta coordenada entre os países, considerando que a transmissão ultrapassa fronteiras nacionais, em razão da intensa mobilidade populacional, dos ecossistemas compartilhados e das atividades econômicas em áreas de difícil acesso. A programação abrangeu a situação epidemiológica no Escudo das Guianas e abordou novas estratégias de combate ao Plasmodium vivax, como a tafenoquina, o tratamento guiado por sorologia e esquemas inovadores com primaquina.

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou em seu discurso que os países participantes compartilham a convicção de que é possível eliminar a malária. “Isso exige compromisso político, investimento contínuo, cooperação entre nossos países e ação determinada da alta direção de cada um deles”, afirmou.

    Para ele, é necessário fortalecer a vigilância epidemiológica, compartilhar informações, combater a resistência a medicamentos, investir em novas tecnologias e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, coordenando respostas de maneira ágil e efetiva. “A eliminação da malária também é um compromisso com a equidade. Não basta dispor de medicamentos, protocolos e conhecimento científico. Precisamos garantir que esses recursos cheguem a quem mais precisa, com prioridade para as populações que enfrentam maior dificuldade de acesso”, declarou Padilha.

    Declaração de Brasília sobre a Eliminação da Malária no Escudo das Guianas

    A articulação internacional e o compromisso conjunto dos países com o fortalecimento das ações de vigilância, diagnóstico, tratamento e prevenção da malária são medidas para eliminar a doença. A Declaração de Brasília estabelece eixos estratégicos que envolvem diagnóstico e tratamento, cujo foco é ampliar o acesso oportuno e universal aos serviços, especialmente em regiões remotas e fronteiriças; vigilância epidemiológica, para fortalecer a vigilância transfronteiriça, a detecção precoce e o intercâmbio de informações entre os países; ciência e inovação, para incentivar pesquisas, novas tecnologias, diagnóstico rápido, saúde digital e estratégias terapêuticas; enfrentamento da resistência, com foco na intensificação do monitoramento da eficácia dos antimaláricos, especialmente diante da resistência de Plasmodium falciparum; além de cooperação e sustentabilidade, para desenvolver um plano de trabalho conjunto, fortalecer o financiamento e manter o diálogo político entre os países.

    Na carta, as nações envolvidas reconhecem que determinadas populações enfrentam dificuldades específicas de acesso aos serviços de saúde e consideram as características territoriais e sociais das mais vulneráveis à transmissão da doença. Entre elas destacam-se povos indígenas, migrantes e populações em deslocamento, trabalhadores e comunidades de áreas de mineração de ouro, pessoas que vivem ou trabalham em regiões florestais, remotas e de fronteira. A declaração aponta para a necessidade de estratégias diferenciadas para garantir diagnóstico, tratamento e continuidade do cuidado nesses territórios.

    Dados recentes e avanços na redução de casos no Brasil

    Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos autóctones de malária, o menor número em 47 anos, com redução de 14,8% em relação a 2024. As infecções por P. falciparum e as mistas caíram 30,7%, e os óbitos passaram de 56 para 39 (queda de 30,4%). Os dados parciais de 2026 reforçam a tendência: de janeiro a agosto, foram 66.952 casos, 12,5% a menos que no mesmo período de 2025.

    Entre os fatores que contribuem para esse resultado, estão a ampliação do diagnóstico, com crescimento de 114,8% na aquisição de testes rápidos entre 2023 e 2025 e mais de 1,15 milhão de unidades já adquiridas em 2026, e a inovação terapêutica. Destacam-se, também, a tafenoquina associada à testagem quantitativa de G6PD (deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase), em dose única, que já tratou mais de 40 mil pessoas, incluindo mais de 3 mil crianças e adolescentes, e o fortalecimento da produção nacional do ASMQ (artesunato associado à mefloquina).

    Os territórios prioritários seguem como desafio. As áreas indígenas registraram 51.295 casos em 2025 (redução de 15%), com óbitos indígenas que caíram de 46, em 2023, para cinco, em 2025. Nas áreas de garimpo, a queda foi de 38,7% entre 2023 e 2025. No entanto, a mobilidade populacional e as atividades ilegais exigem atuação intersetorial.

    Reunião ministerial

    A reunião teve participação de autoridades ministeriais, representantes governamentais, organismos internacionais e delegações técnicas. Pelo Brasil, estiveram presentes, além do ministro Padilha, o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta; e a embaixadora Maria Luiza Ribeiro, diretora-adjunta da Agência Brasileira de Cooperação. Pelos demais países, estiveram presentes o ministro da Saúde, Bem-Estar e Trabalho do Suriname, André Theodorus Misiekaba; o representante do Ministério da Saúde e Proteção Social da Colômbia, Iván Mauricio Cárdenas Cañón; a diretora de Serviços de Controle Vetorial do Ministério da Saúde da Guiana, Reza Niles-Robin; o ministro-conselheiro da Embaixada da França no Brasil, Brice Fodda, representando a Guiana Francesa; e o representante do gabinete do ministro da Saúde e Desenvolvimento Social da Venezuela, Francisco Alejandro Pérez.

    Pelos organismos internacionais e regionais, integraram o encontro o representante da OPAS/OMS no Brasil, Cristian Morales; a diretora administrativa da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Edith Paredes; e dois representantes da sede da OPAS/OMS em Washington. Também acompanharam a reunião integrantes das demais delegações, representantes do Ministério da Saúde do Brasil, equipes técnicas e assessorias institucionais envolvidas na agenda de eliminação da malária.

    Um painel de governança discutirá a verificação subnacional da eliminação e a atuação conjunta das três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). No encerramento das programações sobre o tema, na sexta-feira (6), serão apresentados os compromissos políticos e um consenso regional para a eliminação da malária no período 2026-2030.

    A doença

    A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium e transmitida aos humanos pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido como mosquito-prego. Não é contagiosa, ou seja, uma pessoa doente não a transmite diretamente a outra. Conhecida também como paludismo, febre palustre, maleita e sezão, a doença pode atingir qualquer pessoa.

    Indivíduos submetidos à exposição repetida ao Plasmodium podem desenvolver imunidade parcial adquirida, caracterizada pela redução da gravidade das manifestações clínicas e, em alguns casos, pela ocorrência de infecções assintomáticas. Entretanto, essa imunidade não é esterilizante, ou seja, não impede completamente novas infecções, podendo diminuir na ausência de exposição contínua ao parasito. Sem tratamento adequado, o indivíduo pode ser fonte de infecção por meses ou anos, conforme a espécie do parasito.

    No Brasil, a maior parte dos casos se concentra na região amazônica (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), mas a doença não deve ser negligenciada nas demais regiões, onde há poucas notificações, mas a letalidade é maior.

    Suellen Siqueira
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde autoriza aquisição de 20 mil doses da vacina contra mpox por meio da Opas

    Ministério da Saúde autoriza aquisição de 20 mil doses da vacina contra mpox por meio da Opas

    O Ministério da Saúde autorizou a aquisição de até 20 mil doses da vacina contra a mpox, por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em parceria com a organização. A medida, alinhada em reunião realizada nesta quarta-feira (4), busca reforçar o estoque estratégico do imunizante e garantir a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com as necessidades identificadas no monitoramento epidemiológico e nas ações de prevenção e controle da doença. 

    Em 2026, o Brasil confirmou 665 casos de mpox, número 94% inferior ao registrado em 2022, quando o país contabilizou mais de 10 mil ocorrências. Apesar da redução, a ocorrência de casos mantém a necessidade de vigilância e de disponibilidade de imunizantes para atender às demandas identificadas nos estados. Nesse contexto, a aquisição de novas doses tem caráter preventivo e estratégico, permitindo recompor estoques e assegurar a capacidade de resposta do SUS diante da evolução do cenário epidemiológico. 

    A estratégia nacional de vacinação prioriza pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³, grupo com maior risco de desenvolver formas graves da doença. O esquema prevê duas doses, com intervalo de 28 dias. A orientação é que essas pessoas procurem os Centros de Referência onde já realizam acompanhamento para cadastro e posterior agendamento da vacinação. 

    Também podem receber doses remanescentes pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox.  

    Vigilância e assistência 

    O monitoramento da mpox é realizado em articulação com as secretarias estaduais e municipais de saúde. As medidas incluem identificação e notificação de casos suspeitos, investigação epidemiológica, diagnóstico laboratorial, isolamento das pessoas infectadas e identificação e orientação de contatos. 

    Pessoas com sintomas compatíveis com mpox, como lesões ou erupções na pele, devem procurar um serviço de saúde para avaliação. Durante o atendimento, os profissionais investigam possíveis exposições, orientam sobre os cuidados necessários e, quando indicado, realizam a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial. 

    Quem teve contato próximo com pessoas com suspeita ou confirmação da doença também deve procurar um serviço de saúde para avaliação do risco de exposição e receber orientações sobre o monitoramento de sinais e sintomas, como lesões na pele, febre e aumento dos linfonodos. 

    A vacinação pós-exposição é recomendada preferencialmente nos primeiros quatro dias após o contato. A aplicação também pode ser realizada em até 14 dias. Nesse intervalo, a efetividade para evitar a infecção é menor, mas a imunização pode contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves.  

    Ministério da Saúde

  • Brasil segue livre do sarampo e intensifica vigilância com busca ativa em todo o país nesta quarta (4)

    Brasil segue livre do sarampo e intensifica vigilância com busca ativa em todo o país nesta quarta (4)

    O Brasil permanece livre da circulação endêmica do sarampo. Para evitar que o vírus volte a ser transmitido no país, o Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, reforça as ações de vigilância e vacinação. Nesta quarta-feira (4), a pasta realiza o Dia S, uma mobilização nacional de busca ativa de casos suspeitos, para ampliar a identificação de possíveis infecções diante dos surtos registrados em países das Américas.

    A busca ativa mobiliza as equipes de saúde para identificar casos suspeitos ou confirmados que ainda não tenham sido detectados ou que não tenham chegado aos serviços de saúde. Durante o Dia S, os profissionais reforçam a vigilância epidemiológica em comunidades, instituições e laboratórios. A estratégia inclui visitas a residências, escolas, creches, templos religiosos e unidades de saúde, em busca de pessoas com sinais e sintomas compatíveis com sarampo e rubéola.

    Além disso, são analisados os registros de atendimento dos serviços de saúde e realizados exames laboratoriais em amostras inicialmente investigadas para outras doenças. Esse conjunto de ações amplia a capacidade de detecção precoce e permite uma resposta oportuna para interromper a transmissão do vírus.

    Esta é a segunda busca ativa nacional realizada em 2026, após a primeira, em março. O cenário no país é diferente do registrado em 2019, quando mais de 20 mil casos foram confirmados e o Brasil perdeu a certificação de país livre da circulação endêmica do sarampo.

    Ações como o Dia S, os Dias D de vacinação, a intensificação da vigilância, a garantia da oferta de vacinas e o engajamento de estados e municípios têm mantido o país livre da circulação endêmica da doença. Esse conjunto de medidas permitiu ao Brasil recuperar, em 2024, o certificado de eliminação da doença, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

    No próximo sábado (7), o Ministério da Saúde, junto com equipes locais, promove um Dia D de vacinação contra o sarampo na região da tríplice fronteira, em parceria com Colômbia e Peru. Nessa área, o risco de disseminação aumenta diante do intenso trânsito de pessoas e da proximidade de eventos internacionais. A iniciativa busca ampliar a proteção da população e fortalecer a capacidade de resposta dos três países.

    Entenda o cenário nacional

    Os casos registrados atualmente no Brasil são importados, quando a infecção ocorre fora do país, ou têm relação com contatos de casos importados. Até o momento, foram confirmados 65 casos: 41 em São Paulo, 21 no Amazonas, dois no Acre e um no Rio de Janeiro.

    As ações de vigilância e vacinação são fundamentais diante do cenário epidemiológico nas Américas, que registra mais de 57,1 mil casos e 80 óbitos pela doença. No Peru, país vizinho ao Brasil, foram registrados 2,7 mil casos e um óbito. A mobilização também atende à recomendação da Comissão Regional de Monitoramento e Reverificação da Eliminação do Sarampo e da Rubéola da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

    A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo e está disponível gratuitamente no SUS para pessoas de 12 meses a 59 anos, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações. Neste ano, mais de 16 milhões de doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, foram distribuídas para atender à demanda nacional.

    Quem tem doses em atraso deve procurar uma unidade de saúde para verificar a situação vacinal e atualizar a caderneta, se necessário. Manter altas coberturas vacinais e fortalecer a vigilância epidemiológica são medidas essenciais para proteger a população e evitar que casos importados resultem na circulação sustentada do vírus no Brasil.

    João Vitor Moura
    Ministério da Saúde