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  • STF condena homem que furtou bola assinada por Neymar em ato golpista

    STF condena homem que furtou bola assinada por Neymar em ato golpista

    A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Nelson Ribeiro Fonseca Junior a 17 anos de prisão por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Durante a invasão ao Congresso Nacional, ele furtou uma bola de futebol assinada por Neymar Jr. e outros jogadores do Santos.

    Bola assinada por Neymar foi encontrada em Sorocaba (SP) e devolvida ao Congresso.

    Bola assinada por Neymar foi encontrada em Sorocaba (SP) e devolvida ao Congresso.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    A condenação se deu na Ação Penal 2422, por seis crimes: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, furto qualificado, associação criminosa armada e deterioração de patrimônio tombado. A bola foi localizada dias depois em Sorocaba (SP), com o nome de Neymar Jr. ainda visível.

    Relator diz que houve dolo

    O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, destacou em seu voto que o réu admitiu estar no Congresso e ter subtraído o objeto. Segundo Moraes, a justificativa de que a bola foi retirada para ser protegida não se sustenta, já que ela só foi devolvida 20 dias após os ataques.

    “A devolução tardia descaracteriza qualquer boa-fé e evidencia dolo”, afirmou o ministro, ao rejeitar a tese da defesa. Para ele, houve no máximo um arrependimento posterior, que não exclui a ilicitude do ato nem reduz a pena.

    Divergências

    Moraes foi acompanhado integralmente pelos ministros Cármen Lúcia e Flávio Dino. Cristiano Zanin votou por uma pena menor, de 15 anos. Luiz Fux propôs 11 anos e seis meses. Ainda assim, a maioria acolheu o voto do relator.

  • Haddad diz que aguarda ligação de Hugo Motta sobre IOF

    Haddad diz que aguarda ligação de Hugo Motta sobre IOF

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (1) que está aguardando o retorno de uma ligação que fez para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na semana passada. O comandante da economia no governo Lula diz que até agora não entendeu por que o decreto que elevava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi derrubado no Congresso.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que ligou para o presidente da Câmara na semana passada e aguarda um retorno.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que ligou para o presidente da Câmara na semana passada e aguarda um retorno.Gabriela Biló/Folhapress

    A declaração foi feita em frente ao Ministério da Fazenda. Haddad mencionou a ligação ao ser questionado por jornalistas sobre como está a sua relação com o presidente da Câmara.

    “Estou aguardando o retorno de uma ligação que eu fiz para ele”, respondeu Haddad. “Tem que ficar à vontade também, né, não vou… O presidente Hugo Motta frequentou o Ministério da Fazenda como poucos parlamentares. Ele é uma pessoa que é considerada amiga do Ministério da Fazenda. Por todos aqui, não é só de mim. E ele sabe que tem livre trânsito comigo”.

    Ministro diz que não houve “traição”

    Questionado sobre o comentário de que o Congresso teria traído o governo Lula ao derrubar o decreto, Haddad disse que o termo não cabe na situação. “Temos respeito pelo congresso. Esse tipo de expressão não cabe numa relação institucional”, afirmou.

    “O que nós não sabemos é a razão pela qual mudou o encaminhamento que tinha sido anunciado no domingo”, completou o ministro, referenciando uma reunião feita na Residência Oficial da Câmara. “Vamos manter o diálogo para entender melhor o que se passou”.

  • Após derrota no IOF, governo fez liberação recorde de emendas

    Após derrota no IOF, governo fez liberação recorde de emendas

    Na última semana de junho, o governo federal realizou os dois maiores pagamentos de emendas de 2025. O recorde foi batido na sexta-feira (27) com o pagamento de R$ 474 milhões. O segundo maior valor foi na segunda-feira (23), com o envio de R$ 403 milhões às bases eleitorais de parlamentares.

    As liberações ocorreram na mesma semana em que o Congresso Nacional impôs a maior derrota ao Executivo na agenda econômica, derrubando o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Deputados e senadores, inclusive de partidos da base, se uniram para anular o decreto do presidente Lula, adotado como principal estratégia do Ministério da Fazenda para atingir a meta fiscal deste ano, com estimativa de arrecadação em R$ 7 bilhões.

    Valores foram pagos antes e depois de derrubada do aumento do IOF.

    Valores foram pagos antes e depois de derrubada do aumento do IOF.Agência Senado/Divulgação

    Entre os pagamentos realizados na sexta, destacam-se emendas individuais destinadas à área da saúde em estados como Amazonas, Bahia e Amapá. Ao todo, foram quitadas 149 emendas parlamentares, sendo R$ 343 milhões para deputados e R$ 131 milhões para senadores. A cifra foi levantada pelo G1, com base nos dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), do Ministério do Planejamento.

    Na mesma semana também houve aumento no valor dos empenhos, parcela reservada do orçamento para o pagamento de emendas parlamentares: eles subiram de R$ 1,9 bilhão para R$ 2,3 bilhões.

    Queixas no Congresso

    Parlamentares vinham reclamando desde 2024 sobre o atraso na liberação dos recursos. A liberação em massa coincidiu com o desgaste do governo no Legislativo e com críticas à morosidade no pagamento, que enfrenta entraves diante dos questionamentos à transparência e controle das emendas parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Durante o debate sobre a derrubada do IOF, o governo reiteradamente alertou que, sem o aumento do tributo, a execução de emendas poderia ser submetida a um congelamento geral para assegurar o cumprimento da meta fiscal. Ainda assim, o argumento não prosperou, e o Congresso seguiu adiante com a decisão.

    Leia mais: entenda o que são as emendas parlamentares, os R$ 50 bilhões nas mãos do Congresso Nacional.

  • PF publica requisitos para porte de armas por guardas municipais

    PF publica requisitos para porte de armas por guardas municipais

    A Polícia Federal definiu novas regras para que guardas municipais possam portar armas de fogo. Conforme a instrução normativa publicada nesta segunda-feira (30), o porte de arma só será autorizado quando a prefeitura firmar um termo formal com a PF, chamado Termo de Adesão e Compromisso (TAD), e cumprir uma série de exigências.

    Segundo a nova regra, os guardas poderão andar armados tanto durante o serviço quanto fora dele, mas apenas dentro do estado onde atuam. A arma também poderá ser levada no trajeto entre a casa e o trabalho, mesmo que o agente more em um município de estado vizinho. Em situações excepcionais, como desastres ou crises de segurança, a PF pode permitir que o porte tenha abrangência maior.

    Exigências envolvem instalação de corregedoria, ouvidoria e laudos atualizados.

    Exigências envolvem instalação de corregedoria, ouvidoria e laudos atualizados.Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O porte tem validade de dez anos, mas essa autorização só continua valendo enquanto o município mantiver o acordo com a PF. Se o termo for rompido por qualquer motivo, o porte é cancelado automaticamente.

    Procedimentos para o porte

    Para conseguir o aval da Polícia Federal, o município precisa demonstrar que sua guarda municipal segue critérios mínimos de controle e transparência. É obrigatório ter uma corregedoria que investigue possíveis abusos e uma ouvidoria para receber denúncias e fiscalizar a atuação da corporação. Também é preciso mostrar que há um local seguro para guardar as armas e que existe um plano de como elas serão usadas, inclusive fora do horário de trabalho.

    Outro ponto importante é que os profissionais que avaliam os guardas tanto na parte psicológica quanto no treinamento com armas devem ser reconhecidos pela própria PF. E todo esse processo precisa estar documentado, com indicação de quem é o responsável pela formação da tropa.

    Depois que o município firma o termo com a Polícia Federal, o comando da guarda pode pedir o porte para seus agentes. Cada guarda precisa apresentar documentos que comprovem que está com a situação legal em dia e apto para usar arma de fogo. Isso inclui desde a ausência de antecedentes criminais até exames recentes de saúde psicológica e técnica para manuseio da arma.

    A Polícia Federal vai conferir as informações e pode até fazer vistorias presenciais ou pedir documentos à distância. Se for identificada alguma irregularidade, a autorização pode ser suspensa ou até cancelada. E se a prefeitura dificultar as fiscalizações, o acordo pode ser encerrado de forma imediata.

    Curso obrigatório

    Para manter o porte, os guardas municipais também terão que passar por um treinamento anual, chamado Estágio de Qualificação Profissional. O curso deve ter pelo menos 80 horas de duração, com boa parte das atividades sendo práticas. Quem faltar sem justificativa ou for reprovado perde o direito de portar arma. A regra também vale para a prefeitura: se ela não oferecer o curso, pode sofrer sanções da PF.

    Há exceções para guardas que não conseguirem fazer o curso por motivos graves, como problemas de saúde ou emergências comprovadas. Mas essas situações precisam ser analisadas e aceitas pela Polícia Federal.

    Cancelamentos e suspensões

    Se um guarda for afastado, mudar de função, for demitido ou se aposentar, o porte deve ser suspenso imediatamente e a arma recolhida. A suspensão também pode ser aplicada quando houver algum impedimento legal, e, nesse caso, até as armas particulares do agente precisam ser devolvidas.

    A Polícia Federal também poderá exigir que alguns agentes façam novamente o curso ou sejam reavaliados, caso encontre falhas no processo. Essas medidas podem ser adotadas como forma preventiva, sem necessidade de cancelar todo o acordo com o município.

    Veja a íntegra da instrução normativa da PF.

  • Câmara: Audiência discute alimentação escolar nos institutos federais

    Câmara: Audiência discute alimentação escolar nos institutos federais

    A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados agendou uma audiência pública para a próxima quarta-feira (2), com o objetivo de examinar a questão da alimentação escolar nos institutos federais (IFs).

    O debate, conforme proposto pelo deputado Reginaldo Veras (PV-DF), está previsto para as 16 horas, em local a ser confirmado.

    Veras destaca que, ao contrário do que ocorre na educação básica, os institutos federais não são contemplados diretamente pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Segundo ele, essa omissão, combinada com a falta de infraestrutura adequada em diversos campi, tem provocado protestos por parte dos estudantes, que demandam soluções.

    Dep. Prof. Reginaldo Veras (PV - DF).

    Dep. Prof. Reginaldo Veras (PV – DF).Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O deputado enfatiza que a alimentação é um direito fundamental dos estudantes, crucial para o processo de aprendizado. “A alimentação escolar não é um benefício opcional, mas um direito fundamental estabelecido pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), essencial para o desenvolvimento físico, cognitivo e para a permanência e sucesso dos estudantes na trajetória educacional”, afirma.

    O parlamentar complementa: “a interrupção ou ausência da alimentação nos institutos federais acarreta uma série de prejuízos que afetam diretamente a qualidade do ensino e a vida dos alunos, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social”.

    Veja a lista de convidados.

  • Comissão de Direitos Humanos debate atualização do PNDH-3

    Comissão de Direitos Humanos debate atualização do PNDH-3

    A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado promoveu, nesta segunda-feira (30), um debate acerca da efetividade do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), estabelecido em 2009. Durante a audiência, os participantes apresentaram opiniões divergentes, oscilando entre a necessidade de uma reformulação completa do Plano e a preferência por um aprimoramento dentro da estrutura já existente.

    Comissão de Direitos Humanos do Senado.

    Comissão de Direitos Humanos do Senado.Edilson Rodrigues/Agência Senado

    O debate foi proposto pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e coordenado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que preside o colegiado. O PNDH-3 figura entre as políticas públicas selecionadas pela CDH para acompanhamento e avaliação no decorrer de 2025, juntamente com o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios.

    Damares Alves enfatizou que o PNDH-3 foi instituído por meio de um decreto do Poder Executivo, defendendo a necessidade de atualização através de um projeto de lei, a ser amplamente discutido e votado pelo Congresso Nacional.

    Segundo a senadora, “passados tantos anos de sua criação, é nossa responsabilidade ir além do papel e da intenção. O programa ainda norteia as políticas públicas de direitos humanos no Brasil, mas muitos anos se passaram, o mundo mudou, as relações pessoais, trabalhistas e comerciais mudaram. As relações no Parlamento também mudaram”.

    A secretária municipal de Relações Internacionais de São Paulo, Angela Gandra, também manifestou apoio à atualização do programa por meio de legislação. Em sua visão, tal medida evitaria a “ideologização” das ações relacionadas aos direitos humanos.

    “Que não seja somente um plano, mas que possa chegar a ser uma legislação para orientar estavelmente uma nação. O que eu vejo, muitas vezes, é o reducionismo e a ideologização dos direitos humanos, a instrumentalização de algumas pautas para conseguir eleitores, e não para servir o ser humano na sua completude”, disse Gandra.

    Em contrapartida, a diretora do Departamento de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, Claudia de Angelo Barbosa, defendeu a manutenção do PNDH-3 em sua forma atual. Ela argumentou que, embora implementado por decreto, o programa contou com ampla participação popular em sua elaboração, e ressaltou que ainda há necessidade de implementação integral.

    Claudia de Angelo Barbosa exemplificou: “Consideramos o PNDH-3 um programa robusto, avançado e que segue atual. Sua construção com ampla participação social conferiu legitimidade que perdura até os dias de hoje. Ele, no entanto, não foi plenamente implementado. É o caso do monitoramento dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado Brasileiro em matéria de direitos humanos”.

    A secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Mello dos Santos, também se manifestou em defesa do fortalecimento do PNDH-3. Para a gestora, o programa expressa “o compromisso do país com a promoção e a defesa dos direitos humanos”.

    Janine Mello dos Santos complementou: “O PNDH-3 continua orientando as ações do governo federal e permanece atual frente aos desafios contemporâneos, ao abarcar os debates sobre democracia, violência, desigualdade justiça, diversidade e participação social. Ele representa um pacto institucional e democrático, que orienta as políticas públicas e enseja avaliações, aprimoramentos e atualizações com base em seu viés metodológico”.

  • Lula assina decreto para reduzir agrotóxicos na agricultura

    Lula assina decreto para reduzir agrotóxicos na agricultura

    O presidente Lula formalizou, nesta segunda-feira (30), o decreto que estabelece o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). A iniciativa tem como objetivo congregar recursos de pesquisa, informação, monitoramento de resíduos, além de suporte técnico, a fim de diminuir a utilização de agrotóxicos e expandir a produção sustentável de alimentos saudáveis pela agricultura familiar.

    Presidente Lula e os ministros Fernando Haddad e Paulo Teixeira.

    Presidente Lula e os ministros Fernando Haddad e Paulo Teixeira.Diego Zacarias/MF

    A assinatura ocorreu durante a cerimônia de apresentação do Plano Safra da Agricultura Familiar. Instituído em 2012, durante o governo Dilma, o decreto para criar o Pronara ainda não havia sido assinado até esta segunda-feira em razão de divergências entre o Ministério da Agricultura e o Ministério de Desenvolvimento Agrário. 

    Em 2013, foi criado o Grupo de Trabalho sobre agrotóxicos na Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo), com o objetivo de consolidar as propostas de movimentos sociais e estruturar o programa. A estruturação foi organizada em seis eixos:

    • Regulação,
    • Fiscalização,
    • Incentivos econômicos,
    • Alternativas sustentáveis,
    • Informação 
    • Formação.

    O programa foi aprovado pela Cnapo em 2016, mas permaneceu paralisado no governo federal até o retorno do presidente Lula, em 2023. O tema foi incluído no ano passado no terceiro Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, após articulação interministerial e atendendo a uma demanda dos movimentos sociais. Na Cnapo, foi criada a subcomissão temática do programa para atualizar a proposta.

    “É uma luta de pelo menos uma década, luta de várias organizações, de movimentos sociais, de agricultores e agricultoras, da nossa Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e da campanha pela redução dos agrotóxicos. Este é um dia muito importante, dia de comemorar”, enfatizou Kelli Mafort, ministra substituta da Secretaria-Geral da Presidência.

  • “Galípolo é um presidente muito sério”, diz Lula

    “Galípolo é um presidente muito sério”, diz Lula

    Durante o lançamento do Plano Safra do período 2025/2026, o presidente Lula elogiou a condução do presidente do Branco Central (BC), Gabriel Galípolo, na condução da autarquia. Em discurso, afirmou que o gestor público é “muito sério”, e que tem expectativa de queda da taxa de juros, que alcançou 15% ao ano na reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), na última terça (24).

    Presidente afirmou que alta dos juros é herança da gestão Bolsonaro e defendeu expectativa de queda.

    Presidente afirmou que alta dos juros é herança da gestão Bolsonaro e defendeu expectativa de queda.Ricardo Stuckert / PR

    “Eu gostaria que todos os juros fossem zero. Mas ainda não depende da nossa política econômica, que não tem muito a ver com a taxação de juros. O Banco Central é independente, o Galípolo é um presidente muito sério e eu tenho certeza que as coisas vão ser corrigidas com o passar do tempo”, disse Lula.

    Galípolo foi indicado por Lula à presidência do BC após o fim do mandato de Roberto Campos Neto, escolhido por Bolsonaro, criticado desde o início do atual governo diante da política de manutenção dos juros elevados. Mesmo com a passagem do bastão, Galípolo manteve a mesma postura do antecessor, desta vez afastado de críticas da cúpula do Executivo.

    Lula atribuiu a alta dos juros exatamente ao legado do governo Bolsonaro. “Nós sabemos o que nós herdamos e nós não queremos ficar chorando o que nós herdamos. Nós queremos mostrar o que vai vir pela frente. E o que vai vir pela frente é mais produção de alimento”, declarou.

  • “Nem foi julgado e está pedindo perdão”, diz Haddad sobre Bolsonaro

    “Nem foi julgado e está pedindo perdão”, diz Haddad sobre Bolsonaro

    Durante evento oficial nesta segunda-feira (30), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez declarações públicas nas quais criticou a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação às investigações que envolvem sua conduta no episódio de 8 de janeiro de 2023.

    A fala ocorreu durante a cerimônia de lançamento do Plano Safra para a agricultura familiar, realizada no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Haddad comparou a reação de Bolsonaro às acusações com a de Lula, que foi preso em 2018 e, posteriormente, teve condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    Segundo Haddad, enquanto Lula teria solicitado julgamento com base nas provas apresentadas à época, Bolsonaro estaria pedindo perdão e anistia antes mesmo de ser julgado. “Esse [Bolsonaro] nem foi julgado ainda e já está pedindo perdão, pedindo anistia, correndo, como sempre corre do debate”, disse o ministro.

    Leia também: Haddad rebate crítica de Bolsonaro a Lula: “Todo dia uma mentira nova”

    Fernando Haddad durante pronunciamento.

    Fernando Haddad durante pronunciamento.Diogo Zacarias/MF

    A declaração foi feita um dia após Bolsonaro discursar em um ato político na Avenida Paulista, em São Paulo, no qual criticou o governo federal e afirmou que é alvo de processos, mas não por corrupção. “Me processam, mas não processam por corrupção, por desviar dinheiro da Petrobras”, declarou o ex-presidente no domingo (29).

    Durante o evento no Planalto, Haddad relembrou ainda o período da prisão de Lula e destacou que, mesmo naquele contexto, o então ex-presidente não teria solicitado favores políticos ou perdão. “O senhor [Lula] nunca pediu anistia, nunca pediu perdão, nunca pediu nada disso”, afirmou. “O senhor teve a dignidade de pedir justiça, para ser julgado com base nas provas apresentadas”, acrescentou.

    Haddad também retomou a campanha eleitoral de 2018, na qual substituiu Lula como candidato do PT, e alegou que desde então espera um debate público com Bolsonaro. “Desde 2018, eu estou esperando esse homem para fazer um debate com ele, que está sempre fugindo do debate. Se esconde nas redes sociais”, disse.

  • 15 anos de Ficha Limpa: a lei popular que sacudiu a política

    15 anos de Ficha Limpa: a lei popular que sacudiu a política

    Manifestantes lavam a rampa do Congresso Nacional durante protesto para pedir a aprovação do projeto da Ficha Limpa.

    Manifestantes lavam a rampa do Congresso Nacional durante protesto para pedir a aprovação do projeto da Ficha Limpa.Sergio Lima/Folhapress

    Em junho de 2010, no último ano de seu segundo mandato, o presidente Lula sancionou a Lei da Ficha Limpa, resultado de uma ampla mobilização popular que reuniu mais de 1,6 milhão de assinaturas. A proposta endureceu as regras para barrar políticos condenados pela Justiça, restringindo a participação de quem tivesse condenações por órgãos colegiados, ainda que sem sentença definitiva.

    Ironia do destino: a mesma lei que Lula sancionou acabou impedindo sua candidatura em 2018 e, atualmente, trava o retorno de Jair Bolsonaro às urnas em 2026. Ao completar 15 anos neste mês, a Ficha Limpa se mantém como uma das principais referências mundiais no combate à corrupção eleitoral, mas segue alvo de tentativas de flexibilização no Congresso e de críticas de políticos de diferentes correntes.

    Mobilização histórica

    A Ficha Limpa nasceu de uma rede organizada por entidades como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que reúne mais de 70 organizações, e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), liderada na ocasião por Dom Dimas Lara Barbosa. A coleta de assinaturas começou em 2008, contando com forte engajamento de paróquias, associações civis e campanhas na internet. Em setembro de 2009, o projeto foi apresentado ao Congresso, que, pressionado pela opinião pública, o aprovou de forma célere no primeiro semestre de 2010.

    O texto final, transformado na Lei Complementar nº 135/2010, alterou a antiga Lei de Inelegibilidades de 1990 e estabeleceu 14 hipóteses de inelegibilidade. Entre elas, a proibição de candidatura para quem tivesse mandato cassado, contas rejeitadas, condenação por abuso de poder ou corrupção, mesmo sem decisão transitada em julgado.

    Impacto imediato

    O efeito da Ficha Limpa foi imediato. Além de Lula e Bolsonaro, outros políticos tiveram suas candidaturas indeferidas em algum momento, entre eles os ex-deputados Deltan Dallagnol, José Dirceu, Daniel Silveira e Roberto Jefferson, além dos ex-governadores José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz e Anthony Garotinho.

    Segundo levantamento da CNN Brasil no Tribunal Superior Eleitoral, apenas entre 2014 e 2024 a lei impediu quase 5 mil candidaturas, cerca de 8% de todas as registradas no período. O mecanismo ajudou a filtrar candidatos com histórico de crimes graves e se transformou em símbolo de participação popular na construção de regras mais rígidas para a política. Muitos sequer se arriscam a concorrer por saber que não atendem às exigências para disputar as eleições.

    Pressão fez diferença

    Jovita Rosa, que foi diretora do MCCE na época da elaboração da lei, recorda como o Congresso, inicialmente refratário, mudou de posição diante da pressão social.

    “Na época eu percebia que a sociedade estava sedenta por mudança. As pessoas dizem ter nojo da corrupção, mas não conseguem sair desse discurso terraplanista de direita e esquerda. É preciso ressaltar que a corrupção não é exclusividade do meio político, está nas empresas, está nas pessoas”, afirmou Jovita, hoje presidente do Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), ao Congresso em Foco.

    Segundo ela, os parlamentares sentiram um verdadeiro “levante da sociedade” em 2010. “Os políticos tinham resistência ao projeto e medo da sociedade. Os partidos eram contra”, lembrou. “Hoje perderam o receio de se colocar favoráveis a questões de desvio. Não têm mais medo”, acrescentou. O projeto foi aprovado sem nenhum voto contrário na Câmara ou no Senado. As casas eram presididas na época por Michel Temer (MDB-SP) e José Sarney (MDB-AP), respectivamente.

    Lula e Bolsonaro

    A Ficha Limpa também marcou a eleição presidencial de 2018 ao impedir a candidatura de Lula, preso após condenação na Operação Lava Jato. O TSE barrou o registro de sua candidatura, decisão que só seria revertida anos depois, quando o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações ao concluir que houve irregularidades no processo e ausência de provas de crime.

    Na época, além de protestarem contra a condenação de Lula, seus aliados criticavam o rigor da lei de inelegibilidade. Nenhum parlamentar, porém, propôs a revogação da Ficha Limpa.

    Agora, quem está fora da disputa graças à mesma lei é Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi declarado inelegível até 2030 por abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação ao atacar, sem provas, a segurança das urnas. Incomodado, Bolsonaro já defendeu reduzir o tempo de inelegibilidade de oito para dois anos, chegando até a propor a revogação completa da lei, sob o argumento de perseguição à direita mesmo tendo votado a favor dela em 2010, quando ainda era deputado.

    “A Lei da Ficha Limpa serve apenas para isso: perseguir a direita, e ponto final”, disse Bolsonaro em fevereiro deste ano. Ele defendeu a revogação integral do texto: “Eu sou até radical, o ideal seria revogar essa lei, que assim não vai perseguir mais ninguém, e quem decide se vai eleger ou não o candidato é você”, completou.

    Parlamentares aliados apresentaram o PLP 141/2023, que encurtaria o período de inelegibilidade. Se aprovado, poderia permitir a candidatura de Bolsonaro em 2026, mas a proposta ainda enfrenta resistência e precisaria passar por revisão judicial.

    Disputas jurídicas e críticas

    Desde a sanção, a Lei da Ficha Limpa já foi alvo de vários testes no Supremo Tribunal Federal. Em 2010, havia expectativa de aplicá-la imediatamente, mas o STF decidiu que ela só valeria a partir das eleições municipais de 2012, em respeito ao princípio da anualidade eleitoral. Posteriormente, a Corte reconheceu plenamente sua constitucionalidade, considerando a lei um pilar para proteger a moralidade e a probidade no processo democrático.

    Críticos, contudo, apontam que a Ficha Limpa fere a presunção de inocência, já que impede candidaturas antes do trânsito em julgado. Também alertam para o risco de politização de tribunais de contas estaduais, cujos conselheiros podem ser indicados por governadores e usar rejeição de contas para barrar adversários. Para evitar injustiças, a lei prevê a possibilidade de recursos cautelares para tentar reverter a inelegibilidade.

    Antes e depois da Ficha Limpa

    Antes da Ficha Limpa, políticos condenados por corrupção podiam voltar a disputar eleições poucos anos depois, já que a Lei Complementar 64/90 estabelecia prazos de inelegibilidade geralmente de até 3 anos e exigia decisão definitiva para impedir candidaturas. Com a LC 135/2010, as restrições ficaram mais duras e claras, elevando o prazo para até 8 anos após o término do mandato e incluindo decisões colegiadas.

    Na prática, a nova lei trouxe filtros que mudaram a forma como o eleitor avalia o histórico dos candidatos. Hoje, qualquer cidadão pode consultar no site do Tribunal Superior Eleitoral se existem processos ou irregularidades capazes de barrar uma candidatura.

    Desafios e futuro

    Mesmo comemorando 15 anos, a Lei da Ficha Limpa continua em disputa. Tentativas de flexibilizá-la não faltam, seja para reduzir prazos, seja para reinterpretar dispositivos. Especialistas alertam, porém, que as cortes superiores tendem a preservar o espírito da norma e não devem aprovar retrocessos que fragilizem seu alcance. Ainda assim, a pressão política promete seguir intensa nos próximos meses.

    Vigilância e legado

    Um dos atuais diretores do MCCE, Luciano Santos considera um desafio constante manter as regras mais rígidas da Ficha Limpa, tarefa que exige vigilância permanente da sociedade civil. Na avaliação dele, mais do que a lei em si, importa o debate que ela impulsiona no país.

    “Nossa luta é contínua. Diversas vezes tentaram alterá-la. Acreditamos que ela é importante. Hoje tem clubes e condomínios exigindo em seus estatutos que os candidatos sejam ‘ficha limpa’. Apesar desses ataques recentes, a lei é relevante porque traz esse debate”, declarou ao Congresso em Foco.

    Luciano também ressaltou o legado popular. “Ela mostrou que, quando a população se mobiliza, pode criar novas leis. Não precisa depender apenas do Congresso. Esse mecanismo de iniciativa popular pode ser uma alternativa para outros temas importantes”, afirmou.

    Para propor um projeto de lei de iniciativa popular, é necessário reunir o apoio de pelo menos 1% do eleitorado nacional. As assinaturas precisam estar distribuídas por ao menos cinco estados, com um mínimo de 0,3% dos eleitores de cada um deles.

    Preocupação de momento

    Assim como Jovita Rosa, Márlon Reis era diretor do MCCE e juiz eleitoral à época. Mesmo de volta à advocacia com atuação em oujtras frentes, Márlon defende vigilância constante sobre iniciativas do Congresso que tentam enfraquecer a Ficha Limpa. Sua maior preocupação hoje é com o projeto de reforma do Código Eleitoral, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

    A polêmica se refere à contagem do prazo de inelegibilidade. Pelo projeto, os oito anos passariam a ser contados a partir da condenação por órgão colegiado, somando também o tempo até o trânsito em julgado, independentemente do cumprimento da pena.

    “Isso praticamente torna inaplicável a punição da Lei da Ficha Limpa”, afirmou Márlon ao Congresso em Foco. “É pior do que antes, quando a inelegibilidade era de apenas três anos após o cumprimento da pena”, completou.

    Segundo ele, o novo modelo permitiria que um condenado a penas longas, como 10 ou 12 anos de prisão, cumprisse a pena já com o prazo de inelegibilidade esgotado, podendo disputar eleições assim que deixasse o sistema prisional. “Essa mudança permite que alguém recém-saído da prisão entre direto na disputa eleitoral, sem nenhum tempo de afastamento, sem depuração alguma”, criticou.