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  • Davi Alcolumbre se diz contra cotas fixas de mulheres no Legislativo

    Davi Alcolumbre se diz contra cotas fixas de mulheres no Legislativo

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou em entrevista na quinta-feira (5) que é pessoalmente contra o estabelecimento de cotas fixas de cadeiras para mulheres no Legislativo. No novo Código Eleitoral, matéria relatada pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI) e que atualmente está Comissão de Constituição e Justiça, há o debate sobre cotas mínimas para candidaturas femininas. 

    Davi Alcolumbre

    Davi AlcolumbreWaldemir Barreto/Agência Senado

    “Minha opinião é que precisamos de uma legislação eficiente que incentive, e não imponha, a presença de mulheres na política. Criar cadeiras obrigatórias pode gerar um efeito contrário ao desejado. O caminho é fornecer instrumentos, recursos e condições para que as mulheres se destaquem no debate político”, afirmou. 

    Alcolumbre acrescentou ainda que reconhece a baixa representatividade feminina, mas que o protagonismo feminino será ampliado por meio do fortalecimento dos partidos e da promoção de espaços de formação e atuação política. Atualmente, as mulheres são menos de 20% no Senado, são 16 senadoras no total de 81 parlamentares da Casa. 

    O presidente do Senado também elogiou a condução do relator diante do texto do novo Código Eleioral. “Precisamos, de fato, entregar um Código Eleitoral que nos livre dos remendos em períodos pré-eleitorais. Muitas vezes, o Tribunal Superior Eleitoral [TSE] edita resoluções a poucos meses da eleição, alterando decisões já consolidadas. É necessário regular isso”, argumentou.

    Representatividade feminina

    No parecer apresentado por Castro, foi suprimido trecho que garantia 30% de cotas para candidaturas femininas. A medida foi criticada pela bancada feminina do Senado, que começou a articular junto ao relator para tentar alterar a proposição. 

    O principal ponto de controvérsia é a proposta de substituir a atual exigência legal que obriga os partidos a reservar pelo menos 30% das candidaturas para mulheres por uma nova regra que fixa em 20% o número de cadeiras destinadas ao sexo feminino nos parlamentos.

    “Não abrimos mão da cota mínima de 30% de candidaturas femininas por partido. Também não aceitaremos cortes no fundo partidário destinado às campanhas de mulheres”, afirmou a senadora Zenaide Maia (PSD-RN). 

    Mais deputados

    Se por um lado Alcolumbre se manifestou contrariamente ao estabelecimento de cotas femininas nas candidaturas, por outro o presidente do Senado expressou a intenção de pautar logo o projeto que aumenta o número de deputados de 513 para 531. Conforme o senador, a matéria pode ser pautada até o final do mês. 

    Como a Câmara dos Deputados já aprovou o texto, uma célere aprovação no Senado pode acelerar que o projeto se torne lei e passe a valer nas eleições de 2026. Ele ainda refutou a ideia de que a proposta acarretaria um aumento nas despesas e enfatizou que a medida é resultado de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a redistribuição do número de deputados federais por estado, conforme a população de cada um.

    De acordo com Davi Alcolumbre, o Orçamento da Casa já contempla essa mudança, sem gerar impacto financeiro adicional. “É apenas o cumprimento de uma decisão judicial. A Câmara considerou o melhor caminho. Se o Senado se debruçar sobre o projeto e aumentar o número de vagas, não haverá aumento de despesa em lugar algum. Minha intenção é deliberar até antes do dia 30 de junho, prazo estabelecido pela decisão do STF”, afirmou. 

  • Projeto garante acesso a áreas naturais mesmo em propriedades privadas

    Projeto garante acesso a áreas naturais mesmo em propriedades privadas

    A Câmara dos Deputados analisa o projeto de lei 874/2025, que propõe garantir o livre acesso de pessoas a áreas naturais de domínio público, mesmo quando o trajeto inclua a travessia de propriedades particulares. A medida abrange espaços como montanhas, paredões rochosos e praias, situados em parques nacionais e reservas ecológicas.

    De autoria do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), o texto prevê que trilhas, travessias e rotas de escalada já existentes possam ser utilizadas sem necessidade de guias, desde que o visitante declare ter aptidão técnica e assine termo de responsabilidade. O objetivo é permitir atividades como montanhismo, escalada e canoagem.

    O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) é o autor do projeto.

    O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) é o autor do projeto.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    A proposta determina que os usuários respeitem normas ambientais e adotem práticas de mínimo impacto. Também é exigido o cumprimento de regras estabelecidas pelos proprietários e pelos órgãos responsáveis pela conservação da área.

    Alencar afirma que a proposta é uma resposta ao avanço da especulação imobiliária, que tem restringido o acesso a pontos turísticos. Ele cita casos em Petrópolis (RJ), onde a construção de condomínios impediu a entrada em áreas antes frequentadas por praticantes de esportes na natureza.

    Em locais ainda não explorados, a criação de novas trilhas dependerá de autorização do dono da terra. O processo deverá contar com a participação da sociedade civil e de entidades esportivas, e o acesso continuará gratuito.

    O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovado, seguirá para o Senado.

  • Câmara pode votar suspensão de alta do IOF na terça, diz Hugo Motta

    Câmara pode votar suspensão de alta do IOF na terça, diz Hugo Motta

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou neste sábado (7) que poderá pautar na próxima terça-feira (10) a votação de um projeto de decreto legislativo (PDL) para revogar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), caso isso seja a deliberação dos líderes na Casa.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).Pedro Ladeira/Folhapress

    A decisão depende da reunião com o governo prevista para domingo (8), quando será apresentado um pacote fiscal alternativo.

    “Temos um respeito muito grande ao colégio de líderes. Vamos amanhã, após a apresentação das medidas do governo, decidir sobre o PDL, que pode entrar na pauta na próxima terça-feira. Tudo isso será deliberado após essa conversa de amanhã”, disse Motta a jornalistas durante o Fórum Esfera 2025.

    Sem “movimentos bruscos”

    Apesar da possibilidade de votação, Motta ponderou que a Câmara agirá com cautela. “A Casa não fará movimentos bruscos, para não piorar o que já está difícil”, afirmou, ressaltando que a apresentação das medidas cabe à equipe econômica. Ele também indicou que a revisão de isenções fiscais estará na pauta do encontro com o governo.

    “Estamos colocando na mesa de discussão um corte nas isenções fiscais que ao longo do tempo foram dadas ao nosso país. Isenções que chegam a um número não mais possível de suportar pelas contas do nosso país”, declarou. Segundo ele, “há um sentimento na Câmara e no Senado que a hora de um debate mais estruturante chegou”.

  • Após STF confirmar prisão de Zambelli, PT reforça pedido de cassação

    Após STF confirmar prisão de Zambelli, PT reforça pedido de cassação

    O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), que já havia pedido a cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP) pela condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) , complementou o documento nesta sexta-feira (6). O parlamentar protocolou petição ao pedido após a Corte rejeitar o recurso da deputada e votar pela manutenção da pena de dez anos de prisão e perda de mandato parlamentar.

    Lindbergh Farias.

    Lindbergh Farias.Marina Ramos/Câmara dos Deputados

    “Protocolizei petição informando o fato novo no bojo do pedido anterior endereçado à Mesa da Câmara dos Deputados para que cumpra imediatamente a decisão do Supremo Tribunal Federal, declarando a perda do mandato parlamentar, conforme exige a Constituição”, escreveu o deputado.

    Lindbergh complementou que o pedido de cassação de mandato de Carla Zambelli se justifica pelo artigo 55 da Constituição Federal. O deputado ainda citou o pedido de prisão preventiva determinado pelo Supremo Tribunal Federal após a fuga de Zambelli do Brasil. Por este motivo, a parlamentar foi incluída na quinta-feira (5) na difusão vermelha da Interpol e é considerada foragida.

    “A decisão do STF e a minha nova manifestação à Mesa da Casa Baixa confirmam que não há mais espaço para manobras ou postergações por parte de Zambelli”, escreveu o líder do PT. “O direito à licença parlamentar e o mandato não podem ser usados como escudos contra decisões judiciais, pois a condenação é definitiva e a pena é de privação de liberdade, incompatível com o exercício de mandato parlamentar. A responsabilidade da Câmara é dar imediato cumprimento à Constituição”.

    Pedido de cassação

    Lindbergh Farias apresentou à Mesa Diretora da Casa um requerimento solicitando a cassação imediata de Carla Zambelli na quarta-feira (4). Na justificativa, o parlamentar apontou que, diante da fuga da deputada, tornou-se insustentável a manutenção do mandato parlamentar.

    O deputado argumentou que a cassação deve ser tratada como ato administrativo, não político. “A perda do mandato foi decretada por se tratar de pena a ser cumprida em regime fechado e incompatível com o comparecimento mínimo exigido às sessões legislativas”, escreveu. “A perda do mandato é automática, cabendo à Mesa apenas declará-la formalmente, sem deliberação política ou discricionariedade, por tratar-se de ato meramente declaratório”.

    Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão, pagamento de multa e perda do mandato parlamentar por invasão aos sistemas virtuais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde tentou inserir documentos falsos. Entre uma das falsificações articuladas por Zambelli e pelo hacker Walter Delgatti, também condenado na ação, estava um pedido de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes assinado pelo próprio magistrado.

  • Justiça em MG confirma condenação de R$ 40 milhões ao Facebook

    Justiça em MG confirma condenação de R$ 40 milhões ao Facebook

    O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ/MG) confirmou, nesta quinta-feira (5), a condenação da Meta, empresa proprietária da plataforma Facebook ao pagamento de R$ 40 milhões por danos morais coletivos, além de R$ 10 mil para cada consumidor afetado pelos vazamentos de dados ocorridos entre 2018 e 2019.

    A decisão mantém a sentença de primeira instância, proferida em julho de 2023, e se refere a dois processos abertos após ações civis públicas movidas pelo Instituto Defesa Coletiva. Os dados expostos pertenciam a usuários do Facebook, do Messenger e do WhatsApp, todos serviços operados pela Meta, empresa controladora da rede social.

    Decisão original foi proferida em 2023, mas a Meta recorreu.

    Decisão original foi proferida em 2023, mas a Meta recorreu.Marcello Casal jr/Agência Brasil

    No entendimento da Justiça, a Meta violou tanto o Código de Defesa do Consumidor quanto o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

    O desembargador Newton Teixeira, relator do caso, determinou que o pagamento seja feito diretamente aos consumidores, sem necessidade de novas ações judiciais. A reparação individual será de R$ 5 mil por processo, totalizando R$ 10 mil por pessoa afetada.

    A advogada Lillian Salgado, presidente do Comitê Técnico do Instituto Defesa Coletiva, comemorou a decisão. “Nenhuma empresa, por maior que seja, está acima da lei. E os direitos digitais são direitos humanos”, disse na sustentação oral.

  • Justiça suspende apostas de quota fixa de loteria em Tocantins

    Justiça suspende apostas de quota fixa de loteria em Tocantins

    A 2ª Vara da Fazenda do Tribunal de Justiça do Estado de Tocantins (TJ-TO) determinou na quinta-feira (5) a suspensão da disponibilização de apostas de quota fixa, como apostas esportivas, pela Lototins. A empresa de loterias, que era mantida pelo estado tocantinense, foi relançada em 2024 sob concessão com o Consórcio Lototins, da iniciativa privada.

    Máquinas da Lototins.

    Máquinas da Lototins.Divulgação

    Desde então, foram espalhadas no Tocantins máquinas semelhantes à caça-níqueis em que o cadastramento do usuário depende apenas de depósito feito por Pix. O juiz Roniclay Alves de Morais considerou que a instalação das máquinas foi feita “sem controles” e que “coloca em risco crianças e adolescentes”, que legalmente são proibidos de apostar.

    A ação popular ajuizada por Carlos Amastha (PSB), vereador de Palmas, solicitou a suspensão do funcionamento dos sites e aplicativos da Lototins e a proibição da manutenção das máquinas físicas de jogos. O juiz, por sua vez, acolheu parcialmente os pedidos e suspendeu imediatamente a disponibilização de apostas de quota fixa da Lototins, tanto pelo site quanto por videoloteria.

    O magistrado ainda determinou a proibição temporária da manutenção, exposição ou operação de máquinas físicas de jogos de apostas de quota fixa, ficando a cargo da empresa requerida o recolhimento e depósito, sob pena de apreensão judicial.

    A decisão foi justificada pelo fato de que as apostas de quota fixa, conforme a Lei de Bets, só podem ser realizadas mediante autorização administrativa. No caso, a concessão da Lototins, antes uma loteria do poder público, para uma empresa privada, não pressupõe a autorização para exploração da categoria de apostas.

    A lei estabelece que as apostas de quota fixa dependem de autorização expressa do Ministério da Fazenda para serem realizadas em ambiente concorrencial. A autorização deve ter natureza de ato discricionário e pode ser outorgada para durar um prazo de até cinco anos.

    “O perigo de dano, por sua vez, mostra-se caracterizado na violação à livre iniciativa, garantida constitucionalmente no art. 1º, inciso IV e art. 170, uma vez que o contrato de concessão firmado pelo Estado irá monopolizar os serviços de apostas de quota fixa, em violação à legalidade estrita (no caso, à Lei Federal nº 14.790/2023)”, escreveu o juiz.

  • Prêmio Congresso em Foco vai escolher parlamentares revelação de 2025

    Prêmio Congresso em Foco vai escolher parlamentares revelação de 2025

    Deputados federais e senadores em início de mandato terão uma oportunidade inédita de reconhecimento nacional em 2025. A categoria Parlamentar Revelação, incluída na edição deste ano do Prêmio Congresso em Foco, vai distinguir os estreantes que mais se destacaram no exercício do cargo nessa legislatura mais recente.

    O prêmio será entregue a três congressistas, que podem ser da Câmara ou do Senado. Os vencedores serão escolhidos por um júri técnico, com base em critérios de mérito.

    A categoria Parlamentar Revelação é uma das novidades desta edição.

    A categoria Parlamentar Revelação é uma das novidades desta edição.Arte/ Congresso em Foco

    Ao destacar novatos com boa performance, o Prêmio Congresso em Foco busca estimular uma nova geração de políticos comprometidos com a ética, a democracia e o interesse público. A nova categoria é, ao mesmo tempo, um termômetro e um incentivo para quem está começando no Parlamento brasileiro.

    Conheça aqui a página oficial do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Novas regras

    A 18ª edição do Prêmio Congresso em Foco marca uma reformulação completa da premiação mais importante da política brasileira, com a inclusão de novas categorias e maior representatividade. A cerimônia de premiação está marcada para 20 de agosto, em Brasília, no Teatro Nacional Claudio Santoro, com transmissão ao vivo pelos canais oficiais do site Congresso em Foco.

    Criado para valorizar o bom desempenho parlamentar, o prêmio se consolidou como um dos eventos mais respeitados no calendário político nacional. A nova categoria dedicada a parlamentares novatos reforça esse objetivo: incentivar a excelência legislativa no Congresso, já desde os primeiros anos de atuação.

    Para concorrer, o parlamentar precisa cumprir uma série de requisitos:

    • Ter exercido o mandato por pelo menos 60 dias até 31 de maio de 2025.
    • Não ter condenações criminais transitadas em julgado, nem condenações definitivas por improbidade administrativa.
    • Não estar respondendo a processos judiciais por violência doméstica, racismo, homofobia ou crimes contra o Estado Democrático de Direito.
    • Não ter histórico, por atos públicos ou declarações, de apologia à violência ou a práticas incompatíveis com a democracia e direitos fundamentais.

    Leia aqui o regulamento do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Categorias repaginadas

    O Prêmio Congresso em Foco entra no ano de 2025 com uma lista renovada de modalidades, mas sem esquecer o modelo já consagrado. As categorias tradicionais Melhores na Câmara e Melhores no Senado seguem em realização, e serão definidas tanto pela análise do júri quanto pela votação popular na internet, que anualmente mobiliza as redes sociais dos parlamentares.

    Outras premiações temáticas também farão parte da cerimônia, todas atribuídas com base em avaliação técnica pelo júri:

    • Direitos Humanos e Cidadania
    • Inovação e Tecnologia
    • Agricultura e Desenvolvimento Rural
    • Desenvolvimento Sustentável e Clima
    • Regulação e Acesso à Saúde
    • Diplomacia Cidadã
    • Incentivo à Cultura
    • Apoio ao Comércio, Indústria e Serviços
    • Acesso à Justiça

    A votação popular será de 23 de junho a 20 de julho. O Prêmio também manterá a tradicional votação dos melhores pela imprensa, realizada por um colégio eleitoral de jornalistas com cerca de uma dezena de veículos jornalísticos atuantes no Congresso Nacional. A votação será secreta.

    O júri técnico, por sua vez, será composto por representantes da academia, do setor produtivo, de organizações da sociedade civil e da equipe do Congresso em Foco. Esses jurados avaliarão critérios objetivos e qualitativos da atuação parlamentar.

    A lista com os finalistas da votação popular será divulgada no dia 1º de agosto. A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá 19 dias depois.

  • Projeto exige autorização judicial para acesso a dados do PIX

    Projeto exige autorização judicial para acesso a dados do PIX

    O Projeto de Lei Complementar (PLP) 235/2024, em análise na Câmara dos Deputados, busca reforçar a proteção ao sigilo de transações financeiras, incluindo operações via PIX e compras com cartão de crédito. A proposta determina que o acesso a essas informações só poderá ocorrer mediante autorização judicial.

    De autoria do deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), o texto proíbe que órgãos como a Receita Federal e secretarias estaduais da Fazenda firmem acordos para compartilhar dados bancários de contribuintes. A medida pretende garantir maior segurança jurídica e impedir acessos administrativos indiscriminados.

    O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) é o autor o projeto.

    O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) é o autor o projeto.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Segundo o projeto, informações bancárias só poderão ser acessadas por ordem de um juiz e exclusivamente em investigações relacionadas a crimes como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, conforme prevê a Lei Complementar 105/2001, que trata do sigilo bancário.

    “O objetivo é deixar ainda mais claro que o acesso a essas informações, inclusive do PIX, somente pode se dar mediante quebra de sigilo decretada por autoridade judiciária”, afirmou o autor da proposta.

    A tramitação do texto inclui análise nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, o projeto será votado no Plenário da Câmara. Para se tornar lei, precisa ainda passar pelo Senado.

  • Governo publica orientações para órgãos de fiscalização sobre bets

    Governo publica orientações para órgãos de fiscalização sobre bets

    O Governo Federal publicou nesta sexta (6) uma nota técnica conjunta com diretrizes específicas para a fiscalização sobre as plataformas de jogos de apostas. O documento detalha como os órgãos do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) devem atuar diante dos riscos associados às chamadas “bets”, como são conhecidas as apostas de quota fixa.

    Entre as recomendações estão a criação de canais exclusivos de atendimento, monitoramento contínuo de plataformas e publicidade, além da responsabilização de fornecedores e influenciadores que descumpram regras.

    Nota traz critérios para fiscalização, publicidade, atendimento e atuação de influenciadores no setor de apostas.

    Nota traz critérios para fiscalização, publicidade, atendimento e atuação de influenciadores no setor de apostas.Pedro Affonso/Folhapress

    O material é assinado pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, e pela Secretaria de Defesa do Consumidor do Estado do Rio de Janeiro (Procon-RJ).

    Consumidor no centro

    O documento reforça que as apostas configuram relação de consumo e, por isso, devem seguir as normas do Código de Defesa do Consumidor. Apostadores têm direito à informação clara sobre regras, riscos financeiros e possibilidades reais de ganho. Operadoras, por sua vez, devem manter canais de atendimento acessíveis, realizar ações de prevenção à ludopatia (compulsão por jogos) e seguir protocolos rígidos de segurança e transparência.

    A nota também determina que toda publicidade de apostas traga alertas visíveis sobre os riscos envolvidos e seja direcionada exclusivamente ao público adulto. Mensagens que associem apostas a sucesso financeiro, superação de dívidas ou ascensão social são expressamente proibidas. Da mesma forma, peças que utilizem símbolos infantis ou linguagem voltada a menores devem ser eliminadas.

    Influenciadores também são alvo

    Um dos focos do documento é a atuação de influenciadores digitais. O texto afirma que eles podem ser responsabilizados por publicidade enganosa ou omissa, sobretudo quando ocultam os riscos e exageram nas promessas de lucro fácil. A veiculação de conteúdos sem identificação publicitária clara também é considerada infração e pode gerar sanções.

    Em decisão recente, mencionada na nota, o Tribunal de Justiça de Sergipe reconheceu a responsabilidade de um influenciador por induzir seguidores a apostas sem fornecer informações adequadas sobre os riscos envolvidos.

    Fiscalização integrada

    Além das regras voltadas aos operadores e influenciadores, a nota técnica recomenda ações conjuntas entre Procons, Ministério Público, Defensorias e entidades de proteção de dados. As medidas incluem troca de informações sobre empresas irregulares, cooperação com agências reguladoras e capacitação contínua de servidores do SNDC.

    O texto orienta, ainda, a articulação com os Ministérios da Fazenda e do Esporte, com destaque para o compartilhamento de dados e a atuação contra apostas clandestinas. Operadoras autorizadas devem, por exemplo, operar com domínio “.bet.br”, exibir o número da outorga no site e manter os dados dos consumidores em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

    Impacto social

    A nota técnica destaca o impacto desproporcional das apostas entre jovens, idosos e beneficiários de programas sociais. Um levantamento citado aponta que 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família apostaram R$ 3 bilhões em apenas um mês de 2024.

    Diante desse cenário, o documento conclui pela necessidade de um regime robusto de fiscalização, prevenção e educação. Segundo a Senacon, o objetivo é garantir um ambiente mais seguro, transparente e responsável para o consumidor, sem abrir mão do direito ao entretenimento.

  • STF rejeita recurso de Carla Zambelli e avança com prisão

    STF rejeita recurso de Carla Zambelli e avança com prisão

    A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou nesta sexta-feira (6) recurso da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) contra sua condenação, mantendo sua pena de dez anos de prisão. A decisão relatada pelo ministro Alexandre de Moraes permitirá a execução imediata da pena e poderá levar à perda automática do mandato parlamentar.

    Zambelli foi condenada por contratar o hacker Walter Delgatti para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserir documentos falsos, como um mandado de prisão contra o próprio Moraes. A deputada deixou o Brasil após a condenação e é considerada foragida. Na quinta-feira (5) teve seu nome incluído na lista vermelha da Interpol, a pedido da Polícia Federal.

    Zambelli está foragida e foi incluída na lista vermelha da Interpol, o que abre caminho para pedido de extradição.

    Zambelli está foragida e foi incluída na lista vermelha da Interpol, o que abre caminho para pedido de extradição.Lula Marques/EBC

    Entre os principais argumentos rejeitados pelo STF está a alegação de cerceamento de defesa. Os advogados da deputada sustentaram que não tiveram acesso a cerca de 700 gigabytes de arquivos armazenados em uma conta de nuvem utilizada por Delgatti. Segundo a defesa, esse conteúdo teria sido analisado pela Polícia Federal e mencionado no relatório final da investigação.

    No entanto, Moraes destacou que os dados guardados no serviço virtual “não foram juntados aos autos por absoluta impertinência e irrelevância ao objeto da demanda”. Ainda segundo o ministro, a defesa não demonstrou que esse material tivesse qualquer relação direta com os crimes apurados. “Cabe à parte requerente demonstrar a real imprescindibilidade na produção da prova requerida, além da pertinência com o objeto do processo, o que não ocorreu na espécie”.

    Mandado redigido

    O relator apontou como “prova técnica irrefutável” a existência de arquivos idênticos nos dispositivos eletrônicos de Zambelli e Delgatti. Um deles é o mandado de prisão falsificado contra o ministro Alexandre de Moraes. De acordo com laudo pericial, o arquivo foi criado no computador do hacker e acessado, minutos depois, no celular da deputada. Ambos os arquivos tinham o mesmo código identificador, o que, segundo Moraes, elimina qualquer dúvida sobre o envolvimento de Zambelli.

    “O arquivo foi gerado por Walter às 17h12min do dia 4 de janeiro de 2023, ao passo que Carla Zambelli o acessa às 18h39 do mesmo dia”, afirmou o relator. Outro documento falso, sobre o bloqueio de valores em nome do ministro, teve diferença de apenas 22 segundos entre a criação e o acesso nos dois aparelhos.

    Conduta política e dolo

    Segundo o ministro, a deputada “demonstrou pleno conhecimento da ilicitude de suas condutas, agindo de modo premeditado, organizado e consciente, na busca de atingir instituições basilares do Estado Democrático de Direito”. Moraes ressaltou que Zambelli, como parlamentar, “utilizou-se de seu mandato e prerrogativas para, deliberadamente, atentar contra a credibilidade do Poder Judiciário”.

    Conversas resgatadas do celular da deputada mostram que ela mantinha dois contatos salvos como “Walter Hacker” e chegou a perguntar se ele conseguiria “derrubar ou invadir” páginas na internet. Em outro trecho, Delgatti agradece Zambelli por mudar sua vida, e ela responde que pretendia ajudá-lo a “sair do Brasil”.

    Efeitos imediatos

    Com os votos definidos, o STF pode certificar o trânsito em julgado da decisão, mesmo sem a publicação do acórdão. Isso transforma a prisão preventiva de Zambelli em definitiva, afastando a necessidade de autorização da Câmara dos Deputados. A medida fortalece também a base legal para um pedido de extradição ao governo italiano, já que a deputada tem dupla cidadania e estaria, segundo aliados, em território italiano.

    Zambelli também foi condenada a pagar R$ 2 milhões por danos morais coletivos. O valor, segundo Moraes, leva em conta o impacto das invasões ao sistema do Judiciário, o custo público para reverter os danos e o efeito simbólico da medida. “As consequências extrapolam a esfera material, atingindo a própria essência do Estado Democrático de Direito”, afirmou o relator.

    Veja a íntegra do voto de Moraes: