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  • Governo recebe frentes por plebiscito de escala 6×1 e reforma do IR

    Governo recebe frentes por plebiscito de escala 6×1 e reforma do IR

    O ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral) se reúne nesta segunda (19), no Palácio do Planalto, com organizadores de uma proposta de plebiscito sobre o fim da escala de trabalho 61 e sobre a taxação de super-ricos para custear a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais.

    O ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral do Planalto.

    O ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral do Planalto.Rafaela Araújo/Folhapress

    O encontro reúne representantes de movimentos como CUT, UNE, CNBB, MST, MTST e partidos como PT, PCdoB e Psol. A mobilização foi inspirada na experiência de 2002 com o plesbiscito feito a respeito da Alca (Área de Livre Comércio entre as Américas), ideia de bloco econômico que reuniria países de todo o continente americano e foi reprovada em votação que reuniu mais de 10 milhões de eleitores.

    A ideia é realizar o plebiscito sobre o tema e entregar os resultados devem aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

    A proposta de jornada de fim da jornada 6×1, já protocolada na Câmara, enfrenta resistência entre parlamentares e empresários. A reforma do Imposto de Renda, por sua vez, tramita na Casa com a relatatoria de Arthur Lira. O texto propõe isentar do imposto quem ganha até R$ 5 mil e aumentar a taxação dos mais ricos para compensar a perda arrecadatória, mas é quase certo que ele deve sofrer modificações no Congresso.

  • Pauta do Senado tem novo marco do licenciamento ambiental e PECs sociais

    Pauta do Senado tem novo marco do licenciamento ambiental e PECs sociais

    O Senado incluiu na pauta de quarta-feira (21) o projeto de lei 2159/2021, que estabelece o novo Código de Licenciamento Ambiental. O texto estabelece regras comuns para a concessão de licenças a empreendimentos e atividades com impacto sobre o meio ambiente, buscando uniformizar procedimentos adotados hoje por diferentes entes da federação.

    A proposta tem como objetivo simplificar o processo de licenciamento, considerado por setores produtivos como lento, complexo e fragmentado. Entre as principais mudanças estão novas modalidades de licença, como a licença por adesão e compromisso e a licença ambiental única, e a definição de prazos, critérios e responsabilidades dos órgãos licenciadores. Também são previstas isenções de licenciamento para determinadas atividades consideradas de baixo impacto.

    O projeto é um antigo motivo de controvérsia entre parlamentares favoráveis à desburocratização e defensores de maior controle ambiental.

    O projeto é um antigo motivo de controvérsia entre parlamentares favoráveis à desburocratização e defensores de maior controle ambiental.Jefferson Rudy/Agência Senado

    Segundo o texto, as novas regras deverão ser seguidas por todos os órgãos integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente, incluindo autarquias estaduais e municipais, o que busca reduzir disputas jurídicas e divergências normativas.

    Pontos de atrito

    Apesar da proposta de unificação e racionalização, o projeto é um antigo motivo de controvérsias, recebendo oposição de parlamentares ambientalistas. Um dos pontos sensíveis é a dispensa de licenciamento para atividades agropecuárias, como o cultivo de lavouras e a pecuária de pequeno porte, desde que em propriedades regularizadas.

    Outro tema que gera debate é a isenção automática para empreendimentos militares, além da possibilidade de licenciamento simplificado para obras de manutenção e ampliação em infraestruturas já existentes, como estradas, linhas de transmissão e ferrovias.

    Na área da mineração, o projeto estabelece que empreendimentos de grande porte e alto risco sigam o rito do novo marco, revertendo entendimento anterior que os deixava sob regras específicas do Conselho Nacional do Meio Ambiente. A mudança é vista por alguns como avanço regulatório, enquanto outros temem que a generalização possa reduzir exigências técnicas.

    Também há previsão de mudança na legislação penal: o texto aumenta as penas para quem iniciar atividades sem licença ambiental válida. Por outro lado, permite renovações automáticas para empreendimentos de pequeno e médio porte, o que suscita discussões sobre o grau de controle do Estado sobre essas operações.

    Confira os demais itens na pauta da semana:

    Terça-feira (20):

    -PEC 52/2023 Altera a Constituição para incluir, como princípio do ensino, a garantia de educação inclusiva em todos os níveis.

    -PEC 81/2015 Acrescenta a proteção ao idoso entre as competências legislativas concorrentes da União, estados e Distrito Federal.

    -Projeto de lei 5066/2020 Altera leis do setor de petróleo para incentivar pesquisa e adoção de novas tecnologias na exploração e produção.

    -Projeto de lei 4206/2020 Proíbe tatuagens e piercings com fins estéticos em cães e gatos, alterando a Lei de Crimes Ambientais.

    -Projeto de lei 5636/2019 Institui o Dia da Amizade Brasil-Israel.

    -Projeto de resolução 2/2025 Cria a Frente Parlamentar do Senado em Defesa da Exploração de Petróleo na Margem Equatorial.

    Quarta-feira (21):

    -Projeto de lei 2159/2021 Estabelece normas gerais para o licenciamento ambiental, com mudanças em exigências, isenções e sanções.

    -PEC 52/2023 Continuação da discussão da proposta sobre educação inclusiva.

    -PEC 81/2015 Discussão em segundo turno sobre a proteção ao idoso.

    -Projeto de lei 4558/2019 Estabelece diretrizes para o atendimento e a proteção de pessoas vítimas de queimaduras.

    -Projeto de lei complementar 234/2020 Incentiva a participação de micro e pequenas empresas nas compras públicas, com alterações na Lei do Simples Nacional.

    -Projeto de resolução 41/2024 Institui a Frente Parlamentar Mista das Ferrovias Autorizadas, voltada à articulação do setor ferroviário privado.

  • Luciano Ducci defende manutenção de APAEs e escolas especiais no sistema de ensino

    Luciano Ducci defende manutenção de APAEs e escolas especiais no sistema de ensino

    O deputado federal Luciano Ducci (PSB-PR) se manifestou, na última semana, contra a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7796, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e propõe que os recursos da educação especial sejam destinados exclusivamente à inclusão de estudantes no ensino regular.

    Segundo o parlamentar, a proposta representa uma ameaça às instituições que atendem pessoas com deficiência severa ou múltipla. “A verdadeira inclusão passa pelo reconhecimento da diversidade. Forçar um único modelo de ensino não atende às necessidades de todos”, afirma.

    Ducci critica ação que propõe repasse exclusivo à rede regular e defende atendimento às deficiências severas.

    Ducci critica ação que propõe repasse exclusivo à rede regular e defende atendimento às deficiências severas.Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    De acordo com a Federação Nacional das APAEs (Fenapaes), mais de 330 mil estudantes são atendidos por essas instituições no país, sendo que cerca de 90% apresentam deficiências severas. A permanência desses alunos na rede regular, mesmo com apoio pedagógico, é considerada inviável em muitos casos.

    No Paraná, a rede estadual atende cerca de 100 mil estudantes com deficiência, distribuídos entre escolas regulares e especiais. O estado conta com 350 unidades da APAE, que prestam atendimento em diversos municípios.

    Ducci afirma ter destinado mais de R$ 20 milhões às APAEs do Paraná, sendo quase R$ 6 milhões apenas em 2025. “Esses recursos refletem a preocupação do nosso mandato em promover oportunidades e melhorar a qualidade de vida das crianças atendidas pelas APAEs”, disse.

    A proposta em discussão tem recebido críticas de famílias, especialistas e entidades da sociedade civil. Ducci declarou que seguirá atuando no Congresso para defender a manutenção das escolas especiais no sistema educacional e a coexistência com o ensino regular: “Continuarei defendendo a coexistência dos dois modelos como forma de garantir acesso universal e equitativo à educação”.

  • Câmara pauta fim dos descontos associativos no INSS

    Câmara pauta fim dos descontos associativos no INSS

    A Câmara dos Deputados incluiu na pauta desta semana a votação do requerimento de urgência e do mérito para o projeto de lei 1846/2025, que propõe o fim dos descontos automáticos de mensalidades de associações nos benefícios pagos pelo INSS. O texto exclui da norma que define os descontos automáticos de aposentadorias a possibilidade de inclusão das entidades de aposentados legalmente reconhecidas, mesmo que com consentimento do beneficiário.

    O autor da proposta, deputado Sidney Leite (PSD-AM), justificou a medida com base na necessidade de proteção aos segurados e de combate a fraudes. “Recentes investigações conduzidas pela Polícia Federal revelaram esquemas criminosos envolvendo a realização de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, com prejuízos que ultrapassam R$ 6 bilhões”, escreveu Leite.

    Proposta é de autoria do deputado Sidney Leite.

    Proposta é de autoria do deputado Sidney Leite.Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    Para ele, é preciso “proteger os segurados da Previdência Social, especialmente os aposentados e pensionistas, que frequentemente se encontram em situação de vulnerabilidade”.

    Ainda na justificativa, o deputado afirma que o projeto busca “resguardar os direitos dos segurados e garantir maior transparência e controle sobre os valores recebidos”, além de atualizar o ordenamento jurídico com foco na “dignidade da pessoa humana e da moralidade administrativa”.

    Projeto enfrenta pauta trancada

    Apesar da urgência, a votação do projeto está condicionada à análise do projeto de lei 1466/2025, do Poder Executivo, que tranca a pauta. Esse PL trata da criação de novas carreiras e da reestruturação remuneratória de servidores federais.

    Somente após a deliberação sobre esse texto é que o projeto 1846 poderá ser discutido em plenário. Se aprovada a urgência, a proposta será votada diretamente no plenário, sem passar pelas comissões temáticas.

    Além do fim dos descontos associativos no INSS, também estão na pauta da semana:

    -Projeto de lei 5669/2023, que institui política de combate à violência em escolas;

    -Projeto de lei 2583/2020, sobre incentivo à produção de insumos de saúde no Brasil;

    -Projeto de lei 3224/2024, que cria campanha pelo uso consciente da tecnologia digital;

    -Projeto de lei 6969-B/2013, que propõe a Política Nacional para o Bioma Marinho;

    -Projeto de lei 2922/2022, que trata da instalação de “botão de pânico” em celulares;

    -Projeto de lei 6749-A/2016, que agrava penas para crimes contra profissionais da saúde.

    Todos esses textos também aguardam o destrancamento da pauta para serem analisados.

  • Projeto prevê isenção para mães de múltiplos comprarem veículo

    Projeto prevê isenção para mães de múltiplos comprarem veículo

    Dep. Zé Neto, autor da proposta.

    Dep. Zé Neto, autor da proposta.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Um projeto de lei (PL 895/25) em tramitação na Câmara dos Deputados visa conceder isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a mães de múltiplos (gêmeos, trigêmeos, quadrigêmeos, etc.) na aquisição de veículos com sete lugares. De autoria do deputado Zé Neto (PT-BA), a proposta busca auxiliar as mães no transporte de seus filhos, uma vez que o parlamentar argumenta que “o modelo geralmente é muito caro”.

    O deputado Zé Neto justifica a necessidade da medida alegando a dificuldade enfrentada por essas mães para transportar seus filhos, o que impacta em tarefas cotidianas como levar as crianças à escola ou ao médico.

    Atualmente, a lei 8.989/95 concede isenção de IPI para pessoas com deficiência física, visual, auditiva, mental severa ou profunda, ou transtorno do espectro autista, e também para motoristas profissionais (taxistas).

    O PL 895/25, caso aprovado, alterará a legislação vigente. O projeto seguirá para análise em caráter conclusivo nas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A proposta, para se tornar lei, precisa ser aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

  • Dino convoca audiência no STF sobre emendas parlamentares impositivas

    Dino convoca audiência no STF sobre emendas parlamentares impositivas

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou uma audiência pública para discutir a constitucionalidade das emendas parlamentares impositivas, de execução obrigatória. O debate ocorrerá em 27 de junho, no plenário da Segunda Turma do STF, e tratará da validade das chamadas emendas impositivas, inclusive as transferências especiais conhecidas como “emendas PIX”.

    A discussão foi motivada por ações apresentadas pelo PSOL, pela Procuradoria-Geral da República e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que questionam mudanças introduzidas desde 2015, quando começou a ser implementado o modelo de emendas impositivas. Para os autores, o atual modelo transfere ao Congresso o controle do Orçamento, esvaziando a função do Executivo.

    Evento discutirá constitucionalidade das emendas

    Evento discutirá constitucionalidade das emendas “PIX” e de bancada, apontadas como ameaças à independência do Executivo.Rosinei Coutinho/STF

    As ações questionam a compatibilidade dessas emendas com a separação dos Poderes, cláusula pétrea da Constituição, e com princípios como planejamento e eficiência administrativa.

    Leia mais: Emendas parlamentares: entenda os R$ 50 bilhões nas mãos do Congresso

    Dino considera necessário ouvir especialistas e representantes da sociedade sobre o tema. “Trata-se de discussão que envolve a interpretação do postulado da separação dos Poderes”, afirmou. A convocação da audiência, segundo ele, visa garantir que a Corte tenha acesso a argumentos técnicos antes de julgar o mérito das ações.

    Estudos citados na decisão indicam que o Brasil adotou um modelo orçamentário incomum entre democracias consolidadas. “O Congresso Nacional tem um poder de determinação do orçamento muito superior ao observado nos países analisados”, afirmam os economistas Marcos Mendes e Hélio Tollini, ao compararem o Brasil com onze países da OCDE.

    As inscrições para a audiência devem ser feitas até 10 de junho. Serão aceitos expositores com “experiência e autoridade na matéria”. A lista dos participantes será divulgada no site do STF a partir de 12 de junho.

    O ministro deixou claro que a discussão não envolverá denúncias ou apuração de desvios de recursos. “A audiência versará exclusivamente sobre controvérsias constitucionais”, registrou. Ao final, os subsídios serão enviados à Procuradoria-Geral da República e à Advocacia-Geral da União para manifestação antes do julgamento definitivo.

    Veja a íntegra da decisão:

  • Projeto de lei propõe redução da idade para proteção a idosos

    Projeto de lei propõe redução da idade para proteção a idosos

    A Câmara dos Deputados analisa o projeto de lei 461/25, que propõe reduzir a idade mínima de idosos em casos de estelionato contra idosos ou pessoas vulneráveis. Pela legislação atual, são considerados idosos, nos casos de estelionato, aqueles com 70 anos.

    A proposta de autoria da deputada Ely Santos (Republicanos-SP), que modifica o Código Penal, visa padronizar a idade do idoso no estelionato com a idade em que são legalmente considerados idosos, 60 anos. Assim, quem praticar estelionato contra idosos, agora a partir de 60 anos, terão aplicação de um aumento de pena, de 1/3 ao dobro, nesses casos.

    Idoso usa o celular.

    Idoso usa o celular.Reprodução/RSN

    “Atualmente, o Código Penal estabelece essa proteção apenas para pessoas com 70 anos ou mais, mas a legislação brasileira já reconhece como idoso aquele que possui 60 anos ou mais, conforme o Estatuto do Idoso”, justifica a deputada. Ela complementa: “Considerando que pessoas a partir dos 60 anos frequentemente são mais vulneráveis a fraudes e golpes financeiros, é imprescindível adequar a legislação penal para garantir maior proteção a essa parcela da população”.

    O projeto seguirá para análise das comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Posteriormente, será submetido à votação no Plenário da Câmara. Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

  • Em missa inaugural, Leão XIV faz apelo pela paz

    Em missa inaugural, Leão XIV faz apelo pela paz

    O papa Leão XIV celebrou neste domingo (18), na Praça de São Pedro, a missa que marca o início oficial de seu pontificado. Diante de 200 mil fiéis e autoridades de diversos países, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o novo líder da Igreja Católica fez um apelo pela paz e pela superação de divisões em um mundo que, segundo ele, ainda enfrenta “ódio, violência e preconceito”.

    Leão XIV iniciou seu discurso com uma menção direta à sua eleição. “Eu fui escolhido sem nenhum mérito da minha parte, e agora, com medo e tremendo, eu venho a vocês como um irmão”, afirmou, ao relatar a condução do conclave que o escolheu como sucessor de Francisco.

    Na Praça de São Pedro, novo pontífice exorta Igreja a ser fermento de fraternidade e reconciliação

    Na Praça de São Pedro, novo pontífice exorta Igreja a ser fermento de fraternidade e reconciliação Julia Mineeva/Thenews2/Folhapress

    Durante a homilia, o papa defendeu o papel da Igreja como serva da fé e promotora da unidade entre os povos. Ele rejeitou o uso da fé como instrumento de poder e afirmou que o seu papado deve refletir o amor de Cristo por meio do serviço.

    Ao tratar dos desafios atuais, Leão XIV foi enfático em denunciar estruturas de exclusão. “Em nossos temos, nós ainda vemos muita discordância, feridas demais causadas pelo ódio, violência, preconceitos, pelo medo da diferença e por um paradigma econômico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres”, declarou, manifestando por uma igreja unida que sirva de “fermento para um mundo reconciliado”.

    Após a missa, ele manifestou ter sentido a “forte presença espiritual” de seu antecessor Francisco I, e manifestou sua preocupação em relação aos conflitos ativos pelo mundo. “Em Gaza, as crianças sobreviventes, famílias e os idosos estão reduzidos à fome. Em Myanmar, novas hostilidades encurtam jovens vidas. Finalmente, a Ucrânia quebrada pela guerra aguarda as negociações por uma paz justa e duradoura”, disse.

  • Bolsa Família ajusta regra para quem começa a ganhar mais

    Bolsa Família ajusta regra para quem começa a ganhar mais

    O Governo Federal atualizou as regras de transição do Bolsa Família para famílias que superam o limite de entrada no programa. A nova Regra de Proteção entra em vigor em junho deste ano e se aplica a quem ultrapassar a renda de R$218 por pessoa, mas ainda permanecer abaixo de R$706.

    Novas regras garantem transição segura para o emprego formal.

    Novas regras garantem transição segura para o emprego formal.Roberta Aline/MDS

    As mudanças foram definidas pela Portaria nº 1.084, publicada nesta quinta-feira (15) pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Os efeitos serão aplicados nos pagamentos a partir de julho e valem apenas para famílias que entrarem na Regra de Proteção após junho.

    Nessa nova faixa, o benefício será reduzido pela metade e pago por até 12 meses. A medida busca garantir segurança para famílias que aumentam sua renda, especialmente com a formalização no mercado de trabalho. O valor de R$706 segue o critério de pobreza usado por organismos internacionais.

    Para casos de renda considerada estável ou permanente, como aposentadorias, pensões ou o BPC (Benefício de Prestação Continuada), o prazo de permanência será de dois meses. Já famílias com pessoas com deficiência que recebem o BPC poderão continuar por até 12 meses, devido às revisões periódicas exigidas por lei.

    Famílias que já estavam sob as regras anteriores até junho continuarão com direito a até 24 meses de permanência. Se voltarem a se enquadrar nos critérios de pobreza, terão o benefício integral restabelecido. Ao fim do período, caso mantenham a renda acima do limite, o auxílio será encerrado.

    Segundo o MDS, essas famílias terão prioridade para retornar ao programa, caso voltem à pobreza, por meio do mecanismo do Retorno Garantido, válido por até 36 meses.

    O Brasil gerou, nos dois primeiros meses deste ano, 574 mil empregos formais, aumento de 19,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mais de 273 mil dessas vagas foram preenchidas por beneficiários do Bolsa Família.

  • Médicos e dentistas aumentam pressão no Congresso por piso salarial

    Médicos e dentistas aumentam pressão no Congresso por piso salarial

    Cirurgiões-dentistas e médicos de todas as regiões do país vão desembarcar em Brasília, na próxima semana, para pressionar o Congresso Nacional a aprovar a atualização do piso salarial das duas categorias. A chamada Segunda Caravana pelo Piso Salarial deve mobilizar mais de cem profissionais da saúde, entre os dias 26 e 29, em visitas a gabinetes, articulações com líderes partidários e reuniões com representantes do Executivo. O grupo pretende pedir apoio, entre outras lideranças, ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Brasil tem mais de 380 mil dentistas, segundo Conselho Federal de Odontologia.

    Brasil tem mais de 380 mil dentistas, segundo Conselho Federal de Odontologia.Fernando Frazão/Agência Brasil

    A intenção do movimento é destravar a votação de dois projetos de lei que tratam do assunto um que aguarda análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, e outro que está na Comissão de Trabalho, da Câmara. Os valores iniciais previstos variam de R$ 10,9 mil, caso passe a segunda proposta, a R$ 13,6 mil, se prosperar a primeira.

    O relator da proposição na CAE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), tenta convencer o presidente da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), a pautar o projeto durante a mobilização dos profissionais de saúde, de acordo com sua assessoria. Na Câmara, o relatório do deputado Lucas Ramos (PSB-PE) está pronto desde o último dia 23 para votação. Mas ainda não foi pautado.

    O que preveem as propostas em discussão:

    • PL 1.365/22 Senado

    De autoria da senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), o PL 1.365/22 promove uma reformulação completa da Lei nº 3.999/1961 norma que, há mais de seis décadas, regula o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas, mas sem mecanismos de correção monetária nem abrangência clara para servidores públicos. A Lei nº 3.999/61, assinada ainda pelo ex-presidente João Goulart, fixa o salário-base de médicos e dentistas em três vezes o salário mínimo.

    A versão apresentada pelo relator, Nelsinho Trad, propõe:

    • Novo piso salarial de R$ 13.662,00 para médicos e dentistas, correspondente a nove salários mínimos (valor de referência de 2024), para jornada de 20 horas semanais;
    • Piso de R$ 3.036,00 para auxiliares de laboratório e radiologia, mantendo a proporção histórica de dois salários mínimos;
    • Correção anual pelo IPCA, principal índice de inflação do país, garantindo reposição do poder de compra;
    • Adicional de 50% para horas extras e noturnas, ampliando o percentual hoje previsto pela CLT para trabalho noturno;
    • Aplicação obrigatória tanto no setor privado quanto no setor público, inclusive para servidores estatutários;
    • Financiamento do impacto orçamentário por meio do Fundo Nacional de Saúde (FNS), para evitar que estados e municípios assumam o custo.

    Além disso, o texto revoga integralmente a Lei nº 3.999/61 e institui um novo marco legal, mantendo garantias como:

    • 10 minutos de descanso a cada 90 minutos de trabalho;
    • Exigência de que cargos de chefia em serviços médicos e odontológicos sejam ocupados por profissionais habilitados.

    O impacto orçamentário, segundo o Ministério da Gestão, está estimado em R$ 9,2 bilhões em 2025 para o novo piso e R$ 71 milhões para os adicionais de horas extras e noturnas.

    • PL 765/15 Câmara dos Deputados

    Apresentado há quase uma década e aprovado em novembro de 2024 na Comissão de Saúde, o PL 765/15 busca atualizar o piso salarial com foco no setor público, deixando clara sua aplicabilidade a servidores estatutários uma lacuna apontada por diversas entidades da saúde.

    O salarial inicial previsto pelo projeto para médicos e dentistas, com uma carga semanal de 20 horas, é de R$ 10.991,19. O texto prevê reajuste anual pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). De acordo com a proposta, o trabalho noturno terá remuneração superior do diurno com acréscimo de pelo menos 50% sobre a hora diurna.

    O projeto, também apoiado pelo Movimento Dentistas do SUS, é considerado complementar à proposta do Senado, pois reforça que o piso deve valer tanto para vínculos celetistas quanto estatutários ponto ainda não pacificado na legislação.

    O texto foi aprovado na Comissão de Saúde em 2024 e aguarda votação na Comissão de Trabalho, para depois seguir à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

    Por que mudar a lei atual?

    A base legal que rege os pisos a Lei nº 3.999/1961 não contempla os vínculos estatutários, não prevê mecanismos de reajuste inflacionário e está desatualizada diante das novas demandas do SUS e da realidade econômica do país.

    Após o julgamento de uma ação (ADPF 325) pelo Supremo Tribunal Federal, em 2022, o piso ficou congelado com base no salário mínimo daquele ano. Desde então, não há correção automática o que, segundo as entidades representativas, causou grave defasagem e desvalorização profissional.

    Uma das organizadoras da caravana, a secretária-geral da Federação Nacional dos Médicos, Rita Virgínia Ribeiro, defende pressa para aprovação da proposta. “Médicos e dentistas são as primeiras profissões da humanidade. Essa atualização do piso salarial na Lei 3.999 visa resgatar a dignidade das duas profissões, que estão sendo exploradas e desrespeitdas no Brasil”, disse ela ao Congresso em Foco. Estimativa da Federação Nacional dos Médicos aponta que o piso das duas categorias deveria ser superior a R$ 19 mil.

    Variação

    Rita, que também preside o Sindicato dos Médicos da Bahia, observa que a proliferação de faculdades de medicina, somada à ausência de uma legislação atualizada, tem causado queda nas remunerações dos profissionais de saúde.

    “O piso varia muito. Temos valores díspares de unidade para unidade. No Piauí, por exemplo, construiu-se uma carreira de estado. Aqui na Bahia os valores estão bem aquém do que deveriam estar. Não temos um piso de referência. É a lei da oferta e procura. Há oferta grande de médicos e os valores vão decaindo”, explicou. “A formação médica é muito rígida, exige muita dedicação e renúncia”, acrescentou.

    Fundador do Movimento Dentistas do SUS, o cirurgião-dentista Ermano Batista da Costa, do Ceará, relata que, em muitos lugares, profissionais que atendem pelo SUS recebem cerca de R$ 1,5 mil por 20 horas semanais.

    “Varia de região para região. A correção é necessária para que haja equilíbrio salarial no país”, afirmou. “A lei do piso é de 1961. De lá para cá, muita coisa mudou. Hoje existem pontos que não são englobados pela lei. Ela não era aplicada a servidores públicos, porque não havia SUS. Essa lei não me abrange porque sou servidor público, por exemplo”, completou o cirurgião-dentista, um dos organizadores da mobilização da próxima semana em Brasília.

    A primeira caravana, realizada em novembro de 2024, coincidiu com a aprovação do projeto na Comissão de Saúde da Câmara. Quase cem pessoas participaram da mobilização, entre representantes de conselhos de classe, sindicatos e associações. Os organizadores sustentam que remunerações dignas são essenciais para fixar profissionais no SUS, garantir qualidade no atendimento e combater o sucateamento das carreiras da saúde.