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  • Gratuidade e prioridade para vítimas de violência avança no Senado

    Gratuidade e prioridade para vítimas de violência avança no Senado

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (23), o projeto de lei 435/2023, de autoria do senador Jader Barbalho (MDB-PA), que assegura gratuidade e prioridade automáticas em ações cíveis movidas por mulheres vítimas de violência. O texto tramita no Senado e deve passar por turno suplementar antes de seguir para análise da Câmara dos Deputados.

    Prioridade para vítimas de violência deve ser formalizada e automatizada

    Prioridade para vítimas de violência deve ser formalizada e automatizadaRubens Chaves/Folhapress

    O relator, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), apresentou um substitutivo que amplia o alcance do benefício. Segundo o novo texto, a gratuidade será estendida a familiares da vítima, como cônjuges, filhos, pais ou irmãos, nos casos em que a mulher tenha morrido e eles assumam o processo.

    Mourão argumenta que, embora leis já determinem prioridade para vítimas de violência, a exigência de pedido formal torna o benefício ineficaz em muitos casos. Mulheres agredidas, por desconhecimento ou falhas na defesa, nem sempre requisitam a prioridade judicial. O substitutivo garante que a preferência na tramitação e a isenção de custas passem a ser automáticas, desde que haja comprovação da agressão.

    A mudança vale para todas as instâncias da Justiça, inclusive tribunais superiores, sem necessidade de autorização do juiz ou solicitação por parte da defesa. O benefício poderá ser revogado se for constatada má-fé processual. A reunião foi presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA).

    Barreiras econômicas

    O relator destacou que o custo do processo pode afastar vítimas do Judiciário. Atualmente, a gratuidade é concedida apenas a quem comprova não ter renda suficiente.

    “Se a mulher já sabe que poderá ser condenada a pagar custas e despesas processuais, ela não irá buscar a proteção do Poder Judiciário”, afirmou Mourão.

    A proposta altera o Código de Processo Civil para garantir a prioridade no trâmite sem necessidade de requerimento. A medida abrange ações de direito civil, como casos de família, herança, contratos e indenizações.

    Antes de chegar à CCJ, o projeto foi aprovado nas Comissões de Segurança Pública (CSP) e de Direitos Humanos (CDH), ainda em sua versão original.

  • Vaticano considera estender horários para visitas ao caixão do papa

    Vaticano considera estender horários para visitas ao caixão do papa

    O velório do papa Francisco, falecido na segunda-feira (21), iniciou-se às 6h desta quarta-feira (23) e deve se estender até sexta-feira (25). A cerimônia fúnebre é aberta aos fiéis. Estima-se que nesta quarta-feira mais de 20 mil pessoas fizeram suas homenagens ao Pontífice. Em razão disso, o Vaticano considera estender o horário de visita ao caixão do papa.

    Velório do papa Francisco

    Velório do papa FranciscoCecilia Fabiano/LaPresse/DiaEsportivo/Folhapress

    Conforme a Santa Sé, o funeral será realizado no sábado (26) com a Missa de Exéquias, na Basílica de São Pedro. Os ritos seguem as diretrizes do Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, documento que regula as exéquias de um Pontífice Romano.

    Nesta quarta-feira, o corpo do papa Francisco foi transportado da capela da Casa de Santa Marta para a Basílica de São Pedro, onde ficará até sábado. Após a celebração da missa, serão realizados os ritos da Última Commendatio e da Valedictio, cerimônias solenes de despedida. Em seguida, o caixão do papa será transferido para a Basílica de Santa Maria Maior, onde será sepultado.

    A Missa de Exéquias será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. A celebração marca o início do Novendiali, tradicional novenário de luto e orações pela alma do Pontífice.

    O próximo papa será escolhido após Conclave entre os 135 cardeais a ser realizado daqui a 15 ou 20 dias. Conforme o Vaticano, 103 cardeais já chegaram ao país para participar da despedida do papa Francisco. Entre os clérigos elegíveis, sete são brasileiros.

  • Projeto que exige proteção contra ataques cibernéticos avança na Câmara

    Projeto que exige proteção contra ataques cibernéticos avança na Câmara

    A Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 2987/2023, de autoria do deputado Caio Vianna (PSD-RJ), que obriga órgãos públicos a adotarem medidas contra acessos indevidos e ataques cibernéticos. A proposta visa reforçar a proteção de informações públicas e privadas, prevenindo vazamentos e adulterações.

    Órgãos públicos  enfrentam desafios para garantir segurança e integridade das informações

    Órgãos públicos enfrentam desafios para garantir segurança e integridade das informaçõesMarcello Casal Jr/Agência Brasil

    O texto determina que os dados devem ter segurança, imutabilidade e permanência asseguradas, independentemente da mudança de governos. Para cumprir as novas regras, os órgãos poderão elaborar um plano estratégico, com metas e cronograma adaptados às restrições orçamentárias. As exigências serão incorporadas à Lei de Acesso à Informação (LAI), que garante a qualquer cidadão o direito de solicitar dados de órgãos públicos.

    Relator da proposta, o deputado Luiz Gastão (PSD-CE) recomendou a aprovação de um substitutivo. A nova versão retira referências a tecnologias específicas, como blockchain. Segundo Gastão, a lei deve ser ampla e adaptável. A inclusão de termos específicos pode tornar a norma obsoleta à medida que novas tecnologias emergem, afirmou.

    O parlamentar também destacou que a gestão centralizada de dados representa risco à integridade das informações, o que justifica a adoção de camadas adicionais de segurança.

    O projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), onde será analisado em caráter conclusivo. Para virar lei, ainda precisa ser aprovado pelo Senado.

  • Associação lança Gasto Brasil para monitorar despesas públicas

    Associação lança Gasto Brasil para monitorar despesas públicas

    Painel com os dados de impostos pagos pelos contribuintes brasileiros.

    Painel com os dados de impostos pagos pelos contribuintes brasileiros.Divulgação/ACSP

    A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) lançou nesta quarta-feira (23) a plataforma Gasto Brasil, que permite acompanhar em tempo real os gastos públicos da União, Estados e municípios. A ferramenta foi apresentada durante o evento que marcou os 20 anos do Impostômetro, painel eletrônico instalado no centro histórico de São Paulo que exibe a arrecadação de tributos no país desde 2005.

    O Gasto Brasil se propõe a complementar o Impostômetro, ampliando a transparência ao mostrar como os recursos arrecadados são utilizados. A nova plataforma permite a consulta por tipo de despesa, região geográfica e nível de governo. Estão incluídos, por exemplo, dados sobre benefícios previdenciários, programas de transferência de renda como o Bolsa Família e créditos extraordinários.

    De acordo com a ACSP, a metodologia utilizada no Gasto Brasil incorpora, além das despesas do Tesouro Nacional, os gastos do Banco Central, o que, segundo a entidade, torna a ferramenta mais abrangente. Os dados são atualizados com base em informações públicas disponibilizadas pelo governo federal.

    Durante a cerimônia de lançamento, também foi divulgado um estudo que analisa os 20 anos de arrecadação tributária no país. Desde a sua criação, o Impostômetro já registrou cerca de R$ 40 trilhões em impostos pagos pela população. Em 2025, o painel atingiu a marca de R$ 1 trilhão arrecadado no dia 30 de março – cinco dias antes do que no ano anterior. Em 2024, a arrecadação total chegou a R$ 3,6 trilhões, a maior desde o início da série histórica.

    A nova ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e conta com o apoio do governo estadual de São Paulo.

  • Senado aprova Lei Joca, que cria regras para transporte aéreo de pets

    Senado aprova Lei Joca, que cria regras para transporte aéreo de pets

    O Senado aprovou nesta quarta-feira (23), em turno suplementar, o projeto de lei 13/2022, também conhecido como Lei Joca. A proposição cria regras para o transporte aéreo de animais domésticos. O projeto ganhou esse nome após a repercussão da morte do cachorro Joca, em 2024, em voo operado pela Gol. O texto volta para Câmara dos Deputados.

    Senadora Margareth Buzetti, relatora da proposta

    Senadora Margareth Buzetti, relatora da propostaJefferson Rudy/Agência Senado

    Em seu relatório, a senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) destacou a reconhecida necessidade de disciplinar o tema, de forma que o cidadão possa transportar seu animal de estimação com segurança e tranquilidade por via aérea. A parlamentar ainda acrescentou que a implementação dos princípios deve acontecer de forma compatível com a necessária flexibilidade normativa.

    A implementação desses dispositivos como parte do marco legal que disciplina o transporte aéreo no Brasil certamente contribuirá para que o transporte de cães e gatos ocorra de forma mais segura e permitirá, de um lado, que os operadores planejem e ofertem serviços adequados para o público pet e, de outro, que os tutores tenham plena consciência de seus direitos e deveres e possam usufruir, com confiança, do transporte aéreo público junto aos seus animais, acrescentou.

    A versão da Câmara previa medidas mais rígidas: obrigava o transporte de cães e gatos na cabine, junto aos tutores, e determinava que todas as companhias aéreas disponibilizassem serviço de rastreamento em tempo real.

    Já o substitutivo do Senado flexibiliza esses pontos. O transporte de animais poderá ser feito tanto na cabine quanto no porão, dependendo do porte do pet. A regulamentação caberá à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    O texto obriga as companhias aéreas a aceitarem o transporte de animais, o que hoje é facultativo – com exceção dos cães-guia, cujo embarque já é garantido por lei. Também prevê a criação de um sistema de monitoramento, mas sem a obrigatoriedade expressa do rastreamento.

  • Lula determina demissão de presidente do INSS acusado de corrupção

    Lula determina demissão de presidente do INSS acusado de corrupção

    O presidente Lula determinou nesta quarta-feira (23) a demissão de Alessandro Stefanutto da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão ocorre no mesmo dia em que foi deflagrada a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de cobrança irregular de mensalidades associativas aplicadas a aposentadorias e pensões.

    Stefanutto foi indicado ao cargo pelo ministro da Previdência e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, que assumiu a responsabilidade política pela decisão de trazê-lo ao governo. Ele era filiado ao PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, até o último mês de janeiro, quando entrou para o PDT.

    Stefanutto estava afastado da gestão do INSS por determinação judicial desde a manhã desta quarta (23).

    Stefanutto estava afastado da gestão do INSS por determinação judicial desde a manhã desta quarta (23).Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    Esquema investigado

    A operação, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, apura a existência de descontos não autorizados em benefícios previdenciários. Segundo as investigações, entidades sindicais e associativas cobraram cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. O valor era debitado diretamente dos benefícios sem a devida autorização dos titulares.

    A CGU identificou que muitas entidades investigadas não tinham capacidade de entregar os serviços que diziam oferecer, como convênios com academias, planos de saúde e assistência jurídica. Nove organizações já tiveram seus descontos suspensos.

    Demais alvos

    Além de Stefanutto, outros cinco servidores públicos foram afastados. Entre eles estão o procurador-geral do INSS, o coordenador-geral de Suporte ao Atendimento ao Cliente, o diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão e o coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios. Também foi afastado um agente da Polícia Federal que dava apoio ao esquema.

    Após a operação, o governo federal anunciou a suspensão de todos os Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) que autorizavam entidades da sociedade civil a realizarem descontos diretamente nos benefícios do INSS. A medida visa reorganizar o sistema e proteger os beneficiários de novas irregularidades.

  • Senado aprova projeto que cria regras sobre modificações em jipes

    Senado aprova projeto que cria regras sobre modificações em jipes

    O plenário do Senado aprovou na sessão deliberativa desta quarta-feira (23) o projeto de lei 410/2022 que altera o Código de Trânsito Brasileiro para dispor sobre modificações e adequações destinadas ao uso não convencional dos veículos automotores, em especial jipes. A matéria de autoria do ex-deputado Luis Miranda retorna para a Câmara dos Deputados.

    Plenário do Senado

    Plenário do SenadoJefferson Rudy/Agência Senado

    A proposição aponta que modificações nas características de fábrica de veículos não vão mais depender de prévia autorização, mas deverão ser informadas aos órgãos competentes. Além disso, o texto também prevê uma lista de adequações possíveis para o uso não convencional de jipes, como aumento do diâmetro e largura dos pneus e aumento da altura da suspensão, por exemplo, desde que respeitados os limites de altura e peso.

    O prazo para comunicar ao Detran as alterações será de 60 dias, conforme o relatório do senador Jorge Seif (PL-SC). O parlamentar acrescentou que nem todas modificações podem ser realizadas sem autorização prévia, como previa o projeto inicial, e todas devem observar as disposições fixadas pelo Contram. “O entendimento construído durante as discussões sobre este PL é de que muitas alterações podem ser dispensadas de autorização prévia, mas não todas”, aponta.

    A matéria ainda ressalta a necessidade de diferenciação do jipe em relação aos demais veículos utilitários. Dessa forma, o jipe poderá ser um veículo regular ou um veículo especial. “No caso dos veículos regulares, isto é, os veículos de uso misto que sejam de marca-modelo com características de jipe, a reclassificação será automática, desde que não tenham sofrido alterações”, argumenta o senador no relatório.

    Veja quais mudanças serão permitidas em jipes:

    • aumento do diâmetro externo do conjunto de pneus e rodas
    • aumento da largura do conjunto de pneus e rodas, mediante uso de alargadores de para-lamas que encubram o excesso lateral
    • aumento da altura da suspensão
    • substituição dos para-choques dianteiros e traseiros
    • instalação de grade quebra-mato frontal
    • instalação de guincho
    • instalação de equipamento contra infiltração de água no motor (snorkel)
    • instalação ou substituição de bagageiro externo
    • instalação de equipamentos de proteção da parte inferior do veículo
    • adição de sistema de iluminação secundário, mantidas as características do sistema de iluminação obrigatório
    • alteração de combustível, respeitadas as regras relativas ao uso do óleo diesel e do gás liquefeito de petróleo
    • alteração da motorização, desde que a variação em relação à potência original não ultrapasse dez por cento
  • STF analisa se Justiça pode acessar buscas de usuários na internet

    STF analisa se Justiça pode acessar buscas de usuários na internet

    Sessão Plenária do STF.

    Sessão Plenária do STF.Antonio Augusto/STF

    O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (23) o julgamento que discute se ordens judiciais podem autorizar a quebra de sigilo de dados de internet de pessoas não identificadas em investigações criminais. O caso será novamente analisado na quinta-feira (24).

    O recurso em análise trata de uma solicitação da Polícia Civil do Rio de Janeiro no âmbito da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. As autoridades requisitaram ao Google os registros de usuários que pesquisaram termos como “Marielle Franco” e “Casa das Pretas” nos dias que antecederam o crime.

    O julgamento teve início em 2023, no plenário virtual, com voto da então relatora, ministra Rosa Weber, que considerou inválida a quebra de sigilo sem individualização dos usuários. Segundo ela, a medida pode atingir pessoas sem qualquer ligação com o caso, violando os direitos à privacidade, à proteção de dados e ao devido processo legal.

    Em outubro de 2024, o ministro Alexandre de Moraes apresentou voto divergente, sustentando que, em determinadas circunstâncias, o acesso aos dados pode ser constitucional, desde que fundamentado, proporcional e necessário à investigação. O entendimento foi acompanhado pelo ministro Cristiano Zanin.

    Nesta quarta-feira, André Mendonça também apresentou voto, alinhando-se ao entendimento da ministra Rosa Weber. Ele defendeu a imposição de critérios rigorosos para a autorização judicial de acesso a dados de usuários indeterminados, a fim de evitar o que classificou como “fishing expedition” – buscas genéricas por provas sem alvos definidos.

    Para Mendonça, o compartilhamento de dados só deve ocorrer se houver elementos concretos que vinculem os usuários à investigação, e se a medida for essencial para a obtenção da prova.

    O julgamento envolve repercussão geral, ou seja, o entendimento firmado pelo STF será aplicado a todos os casos semelhantes nas instâncias inferiores. Até o momento, o placar está empatado: dois votos favoráveis à quebra de sigilo em casos justificados (Moraes e Zanin) e dois contrários (Weber e Mendonça).

    O recurso foi apresentado pelo Google, que contestou a decisão da Justiça brasileira que o obrigava a fornecer dados de todos os usuários que fizeram pesquisas por termos relacionados a Marielle Franco na semana do crime. A empresa alegou que a medida compromete direitos fundamentais e pode abrir precedente para novas quebras de sigilo indiscriminadas.

    A sessão será retomada nesta quinta-feira (24), com a continuidade da votação.

    Confira a cobertura completa do julgamento no Portal Migalhas.

  • MEC lança exame nacional de avaliação da formação médica

    MEC lança exame nacional de avaliação da formação médica

    O Ministério da Educação (MEC) instituiu o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), com o objetivo de criar um instrumento padronizado para avaliar a formação médica nacional. Os resultados do exame poderão ser utilizados para ingresso em programas de residência médica. A aplicação ficará a cargo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

    Lançamento do Enamed

    Lançamento do EnamedLuis Fortes/MEC

    Com previsão de início em 2025, o Enamed será anual e unificará as matrizes de referência e os instrumentos de avaliação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para medicina e da prova objetiva de acesso direto do Exame Nacional de Residência (Enare). O exame possui importância estratégica para o país, visando à avaliação da formação médica e impactando o Sistema Único de Saúde (SUS) e a entrada de médicos no mercado de trabalho.

    O MEC prevê um ciclo de fortalecimento mútuo entre os exames. O Enamed, segundo o ministério, incentivará a participação dos estudantes no Enade, já que a nota poderá ser utilizada para ingresso em programas de residência médica de acesso direto. Isso também afetará positivamente o Enare, pois todos os concluintes de medicina realizarão a prova anualmente.

    Os objetivos do Enamed são:

    • avaliar a formação médica, verificando se os concluintes adquiriram as competências e habilidades exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs)
    • apoiar a melhoria dos cursos de medicina, fornecendo informações para o aprimoramento das graduações
    • aprimorar a seleção para a residência médica, unificando a avaliação do Enade e a prova objetiva do Enare
    • fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), assegurando que os futuros médicos estejam aptos a atuar no sistema
    • unificar e dar transparência ao processo, criando um modelo padronizado de avaliação para o ingresso em programas de residência médica de acesso direto.

    O Enamed funcionará como um exame “guarda-chuva”, com base na aplicação do Enade, atendendo a dois públicos: estudantes de medicina inscritos no Enade que desejam usar a nota no processo seletivo do Enare; e médicos interessados em participar do processo seletivo de programas de residência médica de acesso direto do Enare, inscritos no Enamed.

    As inscrições para o Enamed devem abrir em julho. O exame será obrigatório para todos os concluintes de medicina. A aplicação está prevista para outubro e a divulgação dos resultados individuais para dezembro.

    Para usar os resultados do Enamed no Enare, é necessário inscrever-se no Enare e pagar uma taxa, exceto em casos de isenção previstos em edital. Estudantes que farão o Enade e não pretendem usar os resultados para ingressar na residência estão isentos da taxa.

  • CCJ do Senado debate PEC de fim da reeleição

    CCJ do Senado debate PEC de fim da reeleição

    A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado retomou o debate nesta quarta-feira (23) de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a reeleição para chefes do Poder Executivo – prefeitos, governadores e presidente da República. O texto também propõe o aumento da duração dos mandatos e a unificação das datas das eleições no país.

    O texto precisa passar pela CCJ antes de seguir a uma comissão especial e, depois, ao plenário do Senado.

    De autoria do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), a PEC recebeu parecer favorável de Marcelo Castro (MDB-PI), que apresentou um substitutivo incorporando outras mudanças estruturais no sistema político-eleitoral brasileiro. A proposta fixa em cinco anos o mandato para os cargos de presidente, governador e prefeito, atualmente de quatro anos com possibilidade de recondução por mais quatro. A medida, segundo os defensores, passaria a valer apenas a partir de 2030, permitindo que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorra à reeleição em 2026, caso deseje.

    O senador Marcelo Castro (MDB-PI) é o relator da proposta.

    O senador Marcelo Castro (MDB-PI) é o relator da proposta.Geraldo Magela/Agência Senado

    O substitutivo de Marcelo Castro propõe também o aumento do tempo de mandato para vereadores e deputados (de quatro para cinco anos) e para senadores (de oito para dez anos). A justificativa é dar mais estabilidade política e reduzir a frequência de eleições, que mobilizam grandes recursos públicos.