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  • Câmara avança em projeto de acessibilidade digital para PCDs

    Câmara avança em projeto de acessibilidade digital para PCDs

    Dep. Erika Kokay (PT-DF)

    Dep. Erika Kokay (PT-DF)Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que visa ampliar os recursos de acessibilidade na internet e em jogos eletrônicos. A proposta contempla diversas medidas, incluindo a obrigatoriedade de fornecedores de jogos eletrônicos garantirem, “na medida do possível”, o pleno acesso a pessoas com deficiência.

    O projeto também determina que sites governamentais adotem medidas de acessibilidade, como audiodescrição de vídeos e tradução para Libras. Além disso, prevê que as transmissões de vídeo pela internet, incluindo videoconferências, disponibilizem legendas fechadas (“closed caption”) em tempo real e janela para intérprete de Libras, além de um canal de áudio dedicado à audiodescrição, configurável pelo usuário.

    Serviços de streaming e de conteúdos audiovisuais na internet terão um prazo de até dez anos para implementar os requisitos de acessibilidade.

    O parecer da relatora, deputada Erika Kokay (PT-DF), ao projeto de lei 3.503/19, da deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), consolidou em um substitutivo o projeto original e os apensados. A deputada Kokay afirmou que os textos reforçam a acessibilidade digital para pessoas com deficiência, propondo a inclusão de funcionalidades adaptadas em diversos meios e dispositivos.

    “Trata-se de uma medida necessária para enfrentar barreiras de acessibilidade digital que, apesar dos avanços legislativos, ainda persistem de forma significativa”, disse Erika.

    O projeto aprovado também prevê a criação de um conselho consultivo governamental para monitorar e aprimorar os serviços de acessibilidade digital. Coordenado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), o conselho será composto por representantes de instituições públicas, privadas e da sociedade civil. As novas regras serão incorporadas ao Estatuto da Pessoa com Deficiência.

    A proposta seguirá para análise, em caráter conclusivo, nas comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação; Comunicação; e Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Para se tornar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

  • CCJ aprova projeto que garante apoio a famílias em luto gestacional

    CCJ aprova projeto que garante apoio a famílias em luto gestacional

    A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), um projeto oriundo da Câmara dos Deputados que assegura direitos a mulheres e parentes diante de perda gestacional, morte fetal ou falecimento neonatal. O projeto de lei 1640/2022 cria a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental.

    A senadora Augusta Brito (PT-CE) é a relatora do projeto

    A senadora Augusta Brito (PT-CE) é a relatora do projetoJefferson Rudy/Agência Senado

    A proposta prevê um atendimento mais acolhedor às famílias, com suporte psicológico especializado, exames para apurar as causas das perdas e acompanhamento durante uma nova gestação. Também inclui a criação de áreas exclusivas em hospitais para mulheres em luto, a fim de evitar novos traumas. O foco é oferecer amparo emocional e reforçar a assistência nos serviços públicos de saúde.

    O parecer favorável foi apresentado pela senadora Augusta Brito (PT-CE), relatora da matéria. O texto segue agora para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O colegiado também aprovou o regime de urgência para a tramitação do projeto.

    Rituais e acolhimento

    A proposta garante o direito ao sepultamento ou à cremação do feto ou do recém-nascido morto, sempre que viável, com a presença dos familiares no preparo da cerimônia. Os pais poderão pedir um documento com o nome do bebê natimorto, data e local do parto e, se possível, registros da planta dos pés e das digitais.

    Hospitais deverão permitir a presença de acompanhante no parto de natimorto, manter alas separadas para mulheres que passaram por perdas e garantir orientação social para os procedimentos legais.

    O texto também assegura que a perda gestacional, a morte fetal ou neonatal não impeça a mulher de doar leite materno, desde que autorizada por profissional responsável pelo banco ou posto de coleta.

    A política define princípios como acesso universal e igualitário à saúde, descentralização dos serviços e capacitação de profissionais. União, estados e municípios deverão dividir responsabilidades, como criação de protocolos nacionais, destinação de recursos e estratégias de apoio a famílias enlutadas.

    Conscientização em outubro

    O texto também prevê a criação do Mês do Luto Gestacional, Neonatal e Infantil, a ser celebrado em outubro.

    A senadora Augusta Brito ressaltou a importância da proposta para ampliar a compreensão sobre o luto familiar e reforçar o respeito à dignidade em momentos de perda. Para ela, as ações previstas são fundamentais para que os pais se sintam acolhidos.

    “As medidas buscam não apenas oferecer suporte em uma fase de grande fragilidade emocional, mas também colaborar na prevenção de novas perdas, promovendo empatia e reconhecimento da dor vivida pelas famílias”, afirmou a relatora.

  • Aposentados já reservaram 35 mil passagens pelo Voa Brasil

    Aposentados já reservaram 35 mil passagens pelo Voa Brasil

    Lançado em julho de 2024, o programa Voa Brasil já viabilizou a reserva mais de 35 mil passagens aéreas com valor de até R$200 por trecho. A iniciativa federal tem como foco incentivar aposentados a utilizar o transporte aéreo.

    Voa Brasil já viabilizou mais de 35 mil passagens aéreas para aposentados a preços acessíveis, sem uso de verba pública

    Voa Brasil já viabilizou mais de 35 mil passagens aéreas para aposentados a preços acessíveis, sem uso de verba públicaEduardo Knapp/Folhapress

    O total de bilhetes emitidos em oito meses seria suficiente para ocupar 270 aviões com capacidade para até 131 pessoas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o objetivo de ampliar o acesso ao transporte aéreo, sem subsídios, foi alcançado.

    “O programa permite que aposentados do INSS encontrem tarifas mais acessíveis, promovendo inclusão e uso mais amplo da aviação civil”, afirmou o ministro Silvio Costa Filho em nota oficial.

    São Paulo lidera como destino mais procurado

    Entre as cidades mais requisitadas pelos beneficiários, São Paulo aparece no topo, com 10.261 passagens. Em seguida vêm Rio de Janeiro (3.050), Recife (2.745), Fortaleza (2.453) e Brasília (2.268). Das 20 rotas mais populares, apenas três não ligam capitais: Campinas (SP), Juazeiro do Norte (CE) e Porto Seguro (BA).

    Ao todo, os bilhetes emitidos entre julho e março têm como destino 82 cidades do país, entre os 5.570 municípios brasileiros. Em fevereiro e março, Recife ultrapassou o Rio como segundo destino mais buscado.

    Segundo o secretário nacional de Aviação Civil, Tomé Barros Franca, 150 mil aposentados acessaram o sistema no período. Cerca de 24% conseguiram reservar passagens. “É um índice muito superior ao registrado em sites das companhias aéreas, que varia entre 1% e 3%”, comparou.

    Passagens por até R$200 e ampliação prevista

    O programa, considerado pelo governo como medida de inclusão na aviação, não utiliza verbas públicas. As companhias parceiras oferecem assentos ociosos por até R$ 200, em voos com baixa procura.

    Na criação do programa, o ministério estimou a oferta de até três milhões de bilhetes para um público de 23,3 milhões de aposentados. A segunda fase do Voa Brasil, ainda sem data anunciada, deve incluir parte dos estudantes brasileiros.

    Como funciona o Voa Brasil

    Para participar, o aposentado precisa ter conta ouro ou prata no portal gov.br. Só pode reservar quem não viajou de avião nos últimos 12 meses. Cada participante pode adquirir até dois bilhetes por ano.

    A compra é feita no site oficial, onde é possível consultar datas, locais de embarque e destino, conforme a disponibilidade.

  • Frente de apoio ao Sistema Nacional de Fomento lança agenda de 2025

    Frente de apoio ao Sistema Nacional de Fomento lança agenda de 2025

    A Frente Parlamentar Mista de Apoio ao Sistema Nacional de Fomento para o Financiamento do Desenvolvimento (FPSNF) lançou nesta terça-feira (1º), na Câmara dos Deputados, sua Agenda Legislativa 2025. O documento reúne propostas para facilitar o acesso ao crédito, estimular a inovação e garantir investimentos em áreas estratégicas da economia nacional. A iniciativa foi elaborada em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

    Frente parlamentar encerrou o ano de 2024 com 60% de suas propostas aprovadas.

    Frente parlamentar encerrou o ano de 2024 com 60% de suas propostas aprovadas.ABDE/Divulgação

    Proposições para 2025

    Entre os principais projetos defendidos pela frente está o projeto de lei 5876/2016, que destina parte do dinheiro arrecadado com o petróleo do pré-sal para investimentos em ciência e tecnologia. Hoje, esses recursos ficam parados ou aplicados no sistema financeiro. A proposta quer que eles sejam usados diretamente para financiar pesquisas e inovações no setor produtivo.

    “Temos que tirar esse dinheiro e jogar para financiar a nova indústria do Brasil e a inovação”, afirmou Celso Pansera, presidente da ABDE e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

    Outra proposta importante é o projeto de lei 2996/2024, que garante com que, se um banco que trabalha com o BNDES, a FINAME ou a FINEP quebrar ou tiver problemas graves, essas três instituições possam automaticamente assumir os contratos de empréstimo e as garantias feitos por esse banco. A mudança, de acordo com Pansera, permite proteger os investimentos e dar mais segurança ao sistema de crédito.

    Fomento à economia verde

    A agenda também apoia o projeto de lei 460/2024, que cria a Letra de Crédito Verde. Esse título de investimento vai permitir que pessoas e empresas apliquem dinheiro em projetos voltados ao meio ambiente, como reflorestamento e energia limpa. A ideia é criar uma forma de financiamento específica para iniciativas sustentáveis.

    Na área da inovação, a frente defende mudanças na chamada Lei do Bem, que concede benefícios fiscais a empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento. Dois projetos os 4944/2020 e 2838/2020 ampliam esses incentivos e permitem que empresas pequenas e médias também se beneficiem, facilitando o acesso a recursos para inovação.

    Articulação política

    A deputada Luísa Canziani (PSD-PR), presidente da FPSNF, ressaltou a abrangência do sistema que a frente representa. “Nosso sistema é composto por 34 instituições financeiras e de fomento. Juntas, têm a missão de apoiar e executar políticas públicas por meio do financiamento, estruturação de projetos, garantias e outros instrumentos”.

    Canziani também reforçou o papel da frente na promoção de políticas sustentáveis. “Temos o compromisso de impulsionar o desenvolvimento sustentável no Brasil, articulando parlamentares e o Sistema Nacional de Fomento”.

    O sistema hoje responde por 84% do investimento em infraestrutura e mais de 75% do crédito rural no país, segundo dados da ABDE.

    Participação institucional

    Durante o evento, Pansera celebrou o engajamento dos parlamentares: “Em um ano, essa frente apresentou uma presença forte, disputando espaço, voto e apoio. Conseguiu aprovar pautas importantes, como a reforma tributária e a defesa do BNDES”. Luísa Canziani destacou que, no ano de 2024, a frente parlamentar alcançou a aprovação de 60% de suas propostas, porcentagem que ela ainda pretende aumentar em 2025.

    A frente parlamentar conta com 193 deputados e 15 senadores dos mais diversos partidos: desde o PT, principal legenda do governo, ao PL, maior da oposição.

    Confira aqui a Agenda Parlamentar de 2025 da Frente Parlamentar Mista de Apoio ao Sistema Nacional de Fomento para o Financiamento do Desenvolvimento.

  • Quaest: Lula é desaprovado por 56%, uma alta de sete pontos

    Quaest: Lula é desaprovado por 56%, uma alta de sete pontos

    A taxa de desaprovação do presidente Lula deu um salto de sete pontos nos últimos dois meses, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2). De acordo com o levantamento, hoje o presidente da República é aprovado por 41% dos brasileiros e desaprovado por 56%, os piores números de seu mandato até agora. Outros 3% não sabem ou não responderam à pergunta.

    O presidente Lula está em seu patamar mais baixo de aprovação até agora, segundo a Quaest.

    O presidente Lula está em seu patamar mais baixo de aprovação até agora, segundo a Quaest.Bruno Santos/Folhapress

    É a primeira vez que a taxa de desaprovação de Lula se descola da de aprovação, abrindo uma diferença de 15 pontos percentuais. Na rodada anterior, em janeiro, Lula era aprovado por 47% e desaprovado por 49%. Tecnicamente, as duas taxas empatavam, considerando-se a margem de erro de 2 pontos percentuais.

    A Quaest também questionou os entrevistados sobre como avaliam o trabalho de Lula. O governo é visto de forma negativa por 41% e positiva por 27%, enquanto 29% o veem como regular e 3% não responderam.

    A pesquisa Quaest entrevistou 2004 brasileiros por entrevistas presenciais no período de 27 a 31 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para um nível de confiança de 95%.

  • Congresso prepara “dia da reação” contra “dia da libertação” de Trump

    Congresso prepara “dia da reação” contra “dia da libertação” de Trump

    A quarta-feira (2) começou com atenção redobrada em Brasília e nos mercados internacionais diante da expectativa do anúncio de um novo pacote tarifário por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ainda cercadas de incertezas, as medidas devem ser divulgadas ao longo do dia e podem atingir diretamente exportações brasileiras, especialmente do agronegócio. O presidente norte-americano tem chamado esta data de “Dia da Libertação”.

    Mesmo diante do cenário de incertezas a respeito das medidas que serão anunciadas, o Brasil vive “dias de reação”. Em resposta, a Câmara deve votar nesta quarta-feira um projeto de lei que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de retaliação comercial contra países que impuserem barreiras a produtos nacionais.

    Donald Trump anuncia nesta quarta-feira o

    Donald Trump anuncia nesta quarta-feira o “tarifaço”Flickr/Casa Branca

    A proposta passou pelo Senado, em regime de urgência, nessa terça-feira (1), por unanimidade, unindo o governo e a oposição, capitaneada pela bancada do agronegócio. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), designou o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar do Agropecuária, para relatar o texto. 

    “Este episódio entre Estados Unidos e Brasil deve nos ensinar, definitivamente, que nas horas mais importantes não existe Brasil de esquerda ou Brasil de direita. Existe apenas o povo brasileiro e nós, representantes do povo, temos de ter a capacidade de defender o povo acima das nossas diferenças. É isso que o povo espera de nós. Que pensemos diferente, sim; mas não quando nosso povo está ameaçado”, discursou Hugo em plenário, ao anunciar que dará celeridade à votação do projeto.

    Na Câmara, a expectativa é para saber como o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, se comportará. O partido anunciou que vai obstruir as votações na Casa enquanto a proposta da anistia política para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 não for votada. Hugo sinalizou que não considera o assunto prioritário neste momento. Na avaliação dele, a aprovação da anistia deflagraria uma guerra com o Supremo Tribunal Federal.

    Veja a íntegra do projeto aprovado

    Brasil preocupado

    O projeto tem sido visto como um instrumento de proteção estratégica diante do cenário externo imprevisível. O governo brasileiro demonstra profunda preocupação com os impactos das políticas protecionistas implementadas durante a gestão de Donald Trump, especialmente a recente imposição de tarifas sobre as importações de aço e alumínio. A medida, que entrou em vigor em 12 de março, estabeleceu uma taxação de 25% sobre esses produtos, acendendo um alerta no Palácio do Planalto devido à sua significativa representatividade na balança comercial brasileira com os Estados Unidos.

    Dados revelam que produtos derivados de ferro e aço ocupam a segunda posição no ranking das exportações brasileiras para o mercado americano, com um volume de vendas que alcançou US$ 2,8 bilhões em 2024. Esse montante expressivo só é superado pelas exportações de petróleo (US$ 5,8 bilhões), sublinhando a vulnerabilidade do setor siderúrgico nacional diante da barreira tarifária imposta por Washington.

    A apreensão em Brasília se intensifica com a concretização, a partir desta quarta-feira do aumento da alíquota sobre o etanol brasileiro destinado aos Estados Unidos. A taxa, que anteriormente se fixava em 2,5%, sofreu uma elevação para 18%, equiparando-se à tributação incidente sobre o etanol americano importado pelo Brasil. Embora o etanol possua uma menor participação no conjunto das exportações brasileiras, o incremento tarifário é interpretado pelo governo como mais um fator de complicação nas relações comerciais bilaterais.

    Diálogo e OMC

    O governo Lula tem priorizado a via diplomática na tentativa de mitigar os efeitos dessas medidas. A estratégia adotada consiste em buscar o diálogo e a negociação com os Estados Unidos, na esperança de reverter ou, ao menos, amenizar o impacto das tarifas. O presidente Lula já sinalizou que pretende esgotar todas as possibilidades de acordo antes de considerar outras medidas, como a formalização de queixas na Organização Mundial do Comércio (OMC) ou a adoção de retaliações comerciais.

    Em declarações proferidas durante sua recente viagem ao Vietnã, Lula enfatizou: “Antes de fazer a briga da reciprocidade, ou de fazer a briga na Organização Mundial do Comércio, a gente quer gastar todas as palavras que estão no nosso dicionário para fazer um livre comércio com os Estados Unidos”.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem se mostrado um crítico contundente das tarifas americanas, classificando-as como “injustificáveis”. O ministro argumenta que o histórico da balança comercial entre os dois países não justifica tais medidas. “Nossa conta é deficitária com os Estados Unidos. Então, nos causaria uma certa estranheza se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificada”, afirmou Haddad na última segunda-feira (31/03).

    O principal argumento defendido pelo governo brasileiro nas conversas com autoridades norte-americanas está no fato de que, historicamente, o Brasil importa mais produtos dos Estados Unidos do que exporta. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços revelam que, nos últimos dez anos (2015 a 2024), o Brasil acumulou um déficit de US$ 43 bilhões nas trocas comerciais com o país norte-americano.

    Diante desse cenário delicado, o governo brasileiro busca convencer os Estados Unidos dos potenciais prejuízos mútuos decorrentes das tarifas, apostando na construção de um entendimento que preserve o fluxo comercial entre as duas nações.

    O que prevê o projeto

    O texto aprovado pelo Senado cria instrumentos legais para que o Brasil possa suspender concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual de países que adotem práticas unilaterais prejudiciais ao país. Caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex) coordenar essas medidas, em parceria com o setor privado.

    Por que a proposta é importante?

    O projeto surge em um momento em que o sistema de solução de disputas da OMC está paralisado, e países como a União Europeia e os Estados Unidos têm adotado medidas comerciais unilaterais. Para o Brasil, a proposta representa uma forma de defender sua soberania e seus interesses econômicos, especialmente no setor agropecuário.

    A ideia central é estabelecer uma reciprocidade justa: se o Brasil for alvo de barreiras injustas, poderá reagir na mesma medida com base em critérios objetivos e dentro dos parâmetros legais.

    Quando o Brasil poderá retaliar

    As medidas poderão ser adotadas quando outro país ou bloco econômico:

    • Interferir nas decisões soberanas do Brasil, impondo ou ameaçando sanções comerciais, financeiras ou de investimento;
    • Violar acordos comerciais dos quais o Brasil é signatário, prejudicando os benefícios garantidos nesses tratados;
    • Impor exigências ambientais mais duras do que aquelas praticadas no Brasil o que pode servir como barreira comercial disfarçada.

    Para avaliar essas situações, serão considerados, entre outros critérios:

    • A legislação ambiental brasileira (como o Código Florestal);
    • Os compromissos assumidos no Acordo de Paris;
    • A matriz energética brasileira, majoritariamente renovável.

    Quais são as contramedidas permitidas

    A Camex poderá adotar uma ou mais das seguintes medidas:

    • Sobretaxar importações de bens e serviços;
    • Suspender concessões comerciais e benefícios para investimentos;
    • Suspender direitos de propriedade intelectual, como patentes e royalties;
    • Alterar regras tributárias e de licenciamento para empresas de países retaliados.

    As contramedidas devem ser proporcionais ao prejuízo causado e devem evitar impactos excessivos na economia brasileira.

    Antes da punição, a negociação

    Antes de adotar retaliações, o governo deverá buscar soluções diplomáticas, lideradas pelo Ministério das Relações Exteriores. Além disso, o processo será transparente e contará com:

    • Consultas públicas para ouvir empresas e setores afetados;
    • Monitoramento contínuo dos impactos econômicos e do andamento das negociações;
    • Possibilidade de suspensão ou ajuste das medidas, caso haja avanços diplomáticos.

    Adaptação de leis já existentes

    O projeto também altera leis atuais para permitir o uso efetivo das retaliações. Isso inclui:

    • A autorização de licenças especiais de importação;
    • A possibilidade de ajustar alíquotas de impostos sobre remessas ao exterior (como a Cide);
    • A flexibilização da cobrança da Condecine, usada no setor audiovisual.

    Quando entra em vigor?

    A lei passa a valer a partir da data de sua publicação oficial, após aprovação final pelo Congresso. O texto tramita em caráter terminativo. Com isso, não está sujeito a votação em plenário nem na Câmara nem no Senado. Após essa etapa, seguirá para a sanção do presidente Lula para ser transformado em lei.

    Alternativas diplomáticas

    Entre as mudanças introduzidas pelo Senado, destaca-se a exigência de que qualquer sanção comercial aplicada pelo Brasil seja proporcional ao prejuízo causado pelas barreiras estrangeiras aos produtos brasileiros. O texto também determina que todas as alternativas diplomáticas sejam esgotadas antes da adoção de medidas retaliatórias, com o objetivo de preservar as relações internacionais.

    Durante a tramitação na Comissão de Meio Ambiente, a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), apresentou uma complementação de voto. O novo trecho, incluído no parágrafo único do artigo 5º do substitutivo, especifica que a suspensão de direitos de propriedade intelectual só poderá ser aplicada em caráter excepcional e caso o Poder Executivo considere insuficientes as demais medidas disponíveis. Oposição ao governo Lula, Tereza foi ministra da Agricultura e Pecuária no governo Bolsonaro e é uma das principais lideranças da bancada do agro no Congresso.

  • Desaprovação de Lula no Nordeste sobe 20 pontos em 5 meses, diz Quaest

    Desaprovação de Lula no Nordeste sobe 20 pontos em 5 meses, diz Quaest

    O Nordeste vem puxando para baixo os números de aprovação do governo Lula nos últimos meses, segundo as últimas rodadas da pesquisa Quaest. De acordo com o levantamento divulgado nesta quarta-feira (2), a taxa de desaprovação do presidente escalou 20 pontos percentuais nos últimos cinco meses na região onde costuma ter mais apoio.

    O presidente Lula na Festa da Independência da Bahia, em Salvador.

    O presidente Lula na Festa da Independência da Bahia, em Salvador.Rafael Martins/UOL/Folhapress

    Em outubro de 2024, Lula era aprovado por 69% e desaprovado por 26% no Nordeste. Hoje, tem aprovação de 52% e desaprovação de 46% na região. O Nordeste, porém, ainda é a região onde o presidente marca seus melhores números.

    Leia abaixo as taxas regionais de aprovação do presidente.

    A pesquisa Quaest entrevistou 2004 brasileiros por entrevistas presenciais no período de 27 a 31 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para um nível de confiança de 95%.

  • Brasil e Paraguai vivem tensão diplomática 155 anos após guerra sangrenta

    Brasil e Paraguai vivem tensão diplomática 155 anos após guerra sangrenta

    Mais de 150 anos após a Guerra do Paraguai o conflito mais sangrento da história da América do Sul , Brasil e Paraguai voltam a enfrentar um episódio de tensão. Nesta terça-feira (1º), o governo paraguaio convocou seu embaixador em Brasília e chamou o embaixador brasileiro em Assunção para prestar esclarecimentos sobre uma possível operação de espionagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra autoridades paraguaias.

    O gesto foi anunciado pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, que também suspendeu as negociações sobre o Anexo C de Itaipu, essencial para a definição das tarifas de energia da usina binacional. Na diplomacia, a convocação de embaixadores expressa descontentamento público e representa uma forma de protesto formal entre países (entenda a crise mais abaixo).

    Feridas históricas

    Batalha de Campo Grande: pintura de Pedro Américo, de 1871, retrata a Guerra do Paraguai

    Batalha de Campo Grande: pintura de Pedro Américo, de 1871, retrata a Guerra do Paraguai Reprodução

    A tensão diplomática se dá entre países que já se enfrentaram no campo de batalha. Entre 1864 e 1870, o Paraguai enfrentou a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai na Guerra do Paraguai, e saiu devastado do confronto. Estima-se que até 280 mil paraguaios tenham morrido, o que representava mais da metade da população do país na época. Cerca de 80% dos homens adultos paraguaios foram mortos, em grande parte por doenças, fome e más condições sanitárias.

    Além do desastre demográfico, o Paraguai perdeu cerca de 40% de seu território para Brasil e Argentina, sofreu destruição de infraestrutura, colapso econômico, endividamento externo e um longo período de instabilidade política e ocupação militar. A guerra comprometeu profundamente o desenvolvimento do país.

    O Brasil também pagou um preço alto: entre 50 mil e 60 mil mortos, enquanto a Argentina perdeu cerca de 18 mil homens, e o Uruguai, cerca de 3 mil. A maioria das mortes não ocorreu em batalhas, mas em decorrência de epidemias como cólera, disenteria e tifo.

    A Guerra do Paraguai é, até hoje, objeto de debates entre historiadores, com diferentes interpretações sobre suas causas e consequências, mas há consenso quanto à catástrofe que representou especialmente para os paraguaios.

    Espionagem

    A nova crise foi desencadeada por uma reportagem do portal UOL, que revelou que a Abin monitorou autoridades paraguaias para obter informações estratégicas nas negociações sobre Itaipu. O planejamento da operação ocorreu ainda no governo Jair Bolsonaro, com execução já sob a gestão Lula. Em nota, o governo atual reconheceu a existência da operação, mas afirmou que ela foi desativada em março de 2023 e que não teve envolvimento com sua execução.

    O impasse atual surgiu em meio à retomada das negociações sobre Itaipu. Em maio, Brasil e Paraguai haviam fechado um acordo para manter as tarifas da usina pelos próximos três anos. O reajuste foi abaixo do esperado pelo Paraguai, mas preservou o custo atual para o consumidor brasileiro.

    Na segunda-feira (30), o chanceler paraguaio havia dito que não havia indícios de invasão digital nos sistemas do governo. No entanto, após a confirmação oficial da existência da operação por parte do Brasil, a postura mudou e vieram a convocação de embaixadores e a suspensão das negociações.

  • Ao vivo: CCJ do Senado discute novo Código Eleitoral

    Ao vivo: CCJ do Senado discute novo Código Eleitoral

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) começa a discutir nesta quarta-feira (2) o projeto de lei complementar 112/2021, que atualiza do Código Eleitoral. Na sessão, está marcada a leitura do parecer do senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator da proposta na Casa.

    O senador Marcelo Castro (MDB-PI) é o relator do Novo Código Eleitoral no Senado.

    O senador Marcelo Castro (MDB-PI) é o relator do Novo Código Eleitoral no Senado.Geraldo Magela/Agência Senado

    “Este agora é o quarto relatório que eu apresento. Neste dois anos, eu recebi e estive a disposição de toda a sociedade brasileira, especialmente os senadores e deputados”, disse o senador no início da sessão. Acompanhe abaixo.

    O texto relatado por Marcelo Castro busca unificar, em uma única lei, toda a legislação eleitoral dispersa no Código Eleitoral e em uma série de leis que estabelecem regras eleitorais e partidárias. O relator do projeto disse ainda defender que a comissão conceda vista coletiva (mais tempo para que os senadores analisem o projeto) por um “prazo mais dilatado”

    O novo Código Eleitoral já foi aprovado na Câmara dos Deputados. Se for aprovado na CCJ, ele segue para o plenário do Senado. Depois de passar pelo crivo dos senadores, ainda precisa voltar ao plenário da Câmara, que vai deliberar sobre as mudanças no texto feitas pelo Senado.

  • Reforma tributária: Braga propõe quatro audiências antes de votação

    Reforma tributária: Braga propõe quatro audiências antes de votação

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM) entregou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o seu plano de trabalho para a análise do segundo projeto de regulamentação da reforma tributária (PLP 108/24). A proposta prevê a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

    Eduardo Braga defende que proposta seja votada ainda no primeiro semestre no Senado

    Eduardo Braga defende que proposta seja votada ainda no primeiro semestre no SenadoMarcos Oliveira/Agência Senado

    Braga propõe a realização de quatro audiências públicas com especialistas sobre tributação. O relator não estipulou data para as reuniões nem para a votação do projeto na comissão. O plano de trabalho será submetido aos integrantes da CCJ, possivelmente ainda nesta quarta-feira (2).

    O Plano de Trabalho vem tratando dos quatro principais pontos: uma audiência pública para tratar da questão da organização do Comitê Gestor, outra audiência pública para tratar da questão administrativa, que é fundamental, entre estados, municípios e União. A questão das diversas instâncias de auditores fiscais que estão muito ansiosos com relação a essa regulamentação administrativa. E depois uma dedicada ao ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação) e outra dedicada ao ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), disse o senador.

    Na semana passada, Eduardo Braga defendeu que o projeto seja votado ainda no primeiro semestre pelo Senado. “Não dá para estabelecer uma data para a votação, pois ainda vamos realizar audiências públicas, mas a ideia é resolver no primeiro semestre”, afirmou.

    Comitê gestor do IBS

    Tema: Competências, estrutura organizacional, aspectos orçamentários e de controle externo do Comitê Gestor do IBS.

    Participantes:

    • Bernard Appy Secretário da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (Sert) do Ministério da Fazenda
    • Paulo Ziulkoski Presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM)
    • Edvaldo Nogueira Presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP)
    • Flávio César Presidente do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz)
    • Edilson de Sousa Silva Presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon)

    Disposições relativas ao IBS

    Tema: Infrações, penalidades, encargos moratórios e processo administrativo tributário do IBS.

    Participantes:

    • Manoel Nazareno Procópio de Moura Júnior Diretor de Programa da Sert
    • Ana Claudia Borges de Oliveira Presidente da Associação dos Conselheiros Representantes dos Contribuintes no Carf (Aconcarf)
    • Rodrigo Spada Presidente da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite)
    • Fábio Macêdo Presidente da Federação Nacional dos Auditores e Fiscais de Tributos Municipais (Fenafim)
    • Susy Gomes Hoffmann Advogada e Doutora em Direito Tributário
    • Zabetta Macarini Diretora-Executiva do Grupo de Estudos Tributários Aplicados (Getap)
    • Vicente Martins Prata Braga Presidente da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape)
    • Anne Karole Silva Fontenelle de Britto Presidente da Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais (ANPM)

    Disposições relativas a tributos estaduais

    Tema: Regras de transição do ICMS e normas gerais do ITCMD.

    Participantes:

    • Representante do Comsefaz (nome não especificado)
    • Francelino Valença Presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco)
    • Fernando Facury Scaff Advogado e Professor Titular de Direito Financeiro da USP
    • Fábio Lemos Cury Advogado e Doutor em Direito

    Disposições relativas a tributos municipais

    Tema: Alterações nas normas relativas ao ITBI e à Cosip.

    Participantes:

    • Lucas Morais Presidente do Conselho Tributário Fiscal de Goiânia e Auditor Fiscal do Município de Goiânia
    • Alberto Macedo Auditor Fiscal do Município de São Paulo e Doutor em Direito
    • Vanessa Rosa Advogada e Diretora de Relações Institucionais da Associação Brasileira das Concessionárias de Iluminação Pública (ABCIP)