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  • Ao vivo: Gabriel Galípolo, presidente do BC, comparece à CPI das Bets

    Ao vivo: Gabriel Galípolo, presidente do BC, comparece à CPI das Bets

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, presta depoimento nesta terça-feira (8) à CPI das Bets, instalada no Senado para investigar o impacto das apostas on-line no orçamento familiar e a possível ligação com organizações criminosas. A oitiva tem como foco o papel da autoridade monetária no rastreamento de transações financeiras ligadas às casas de apostas.

    O convite partiu do presidente da comissão, senador Dr. Hiran (PP-RR), que quer ouvir Galípolo sobre a capacidade de fiscalização do sistema financeiro e sobre eventuais propostas de regulamentação para o setor. A relatoria da CPI é da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.Pedro França/Agência Senado

  • Governo lança curso online gratuito sobre a COP30

    Governo lança curso online gratuito sobre a COP30

    O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e a plataforma internacional Apolitical, lançou nesta segunda-feira (7) o curso online Você sabe o que é a COP?. A capacitação é gratuita, 100% virtual e voltada a servidores públicos, jornalistas, educadores e à sociedade civil em geral, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP30, marcada para novembro, em Belém (PA).

    Com duração total de pouco mais de três horas, o curso está disponível na plataforma da Escola Virtual de Governo e oferece certificado digital aos participantes que cumprirem os requisitos. O conteúdo é assíncrono, o que permite que os inscritos avancem no seu próprio ritmo, e traz lições interativas, materiais visuais e contribuições de especialistas, como a secretária nacional de Mudança do Clima do MMA e diretora-executiva da COP30, Ana Toni.

    Iniciativa é do Ministério do Meio Ambiente.

    Iniciativa é do Ministério do Meio Ambiente.Jefferson Rudy/Agência Senado

    Além de contextualizar a história das Conferências das Partes (COPs), o curso oferece formação sobre o papel da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e o impacto de suas decisões para o Brasil e o mundo. Também busca reforçar a transversalidade do tema climático nas políticas públicas e qualificar a participação de diversos setores nos debates.

    Formação e engajamento para a COP30

    A capacitação também visa a instrumentalizar servidores públicos para incorporar a perspectiva climática nas políticas e programas nacionais e regionais. Ao mesmo tempo, pretende estimular a participação ativa de movimentos sociais, setor privado e demais organizações da sociedade civil nas discussões e decisões da conferência.

    O lançamento do curso ocorre no contexto da preparação para a COP30, que será realizada em Belém (PA) e terá como temas principais o financiamento climático, a adaptação aos impactos da mudança do clima e a promoção de uma transição justa com foco no desenvolvimento sustentável e inclusão social.

    As COPs reúnem anualmente os 198 países que fazem parte da Convenção da ONU, sendo o principal fórum internacional para negociação de ações contra as mudanças climáticas. A presidência do evento se alterna entre as regiões reconhecidas pela ONU, e a realização da edição deste ano no Brasil reforça o papel do país no debate climático global.

    A capacitação representa um esforço do governo para ampliar o engajamento da população e qualificar a atuação de representantes públicos e privados. Com isso, o MMA espera contribuir para uma participação mais informada e propositiva no evento, que deve atrair milhares de pessoas de todo o mundo.

    Interessados podem se inscrever por meio da plataforma da Enap (link aqui). O curso é aberto a todos e não exige pré-requisitos para participação.

  • PGR denuncia ministro Juscelino Filho por desvio de emendas

    PGR denuncia ministro Juscelino Filho por desvio de emendas

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro das Comunicações, Juscelino Filho. Ele é acusado de envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares na época em que atuava como deputado federal pelo União Brasil do Maranhão, cargo do qual está licenciado.

    Caberá agora ao STF decidir se aceita a acusação e transforma o ministro em réu. Juscelino já negou as irregularidades em outras ocasiões. Esta é a primeira denúncia da PGR contra um ministro do atual governo Lula. O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino.

    Juscelino Filho é deputado licenciado pelo União Brasil do Maranhão

    Juscelino Filho é deputado licenciado pelo União Brasil do MaranhãoPedro Ladeira/Folhapress

    Em junho do ano passado, a Polícia Federal indiciou Juscelino pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Nos bastidores do Palácio do Planalto, aliados de Lula avaliam que a eventual aceitação da denúncia pelo STF pode aumentar a pressão para que o presidente afaste Juscelino do cargo.

    Em 2024, Lula afirmou que o ministro tem direito de se defender, mas sinalizou que a permanência no governo dependeria do avanço das investigações. “O que eu disse para ele: só você sabe a verdade. Se o procurador denunciar, você sabe que precisa mudar de posição. Enquanto não houver denúncia, ele segue como ministro. Se houver, será afastado”, declarou Lula duas semanas após a PF entregar o relatório que baseou o indiciamento.

    A investigação gira em torno da suspeita de desvio de verbas destinadas à pavimentação de ruas no município de Vitorino Freire, no interior do Maranhão. A cidade era administrada por Luanna Rezende, irmã de Juscelino, que chegou a ser afastada do cargo por determinação judicial, mas reassumiu após decisão do STF.

    Em nota, a defesa do ministro afirma que ainda não foi notificada sobre a denúncia, critica o vazamento da informação na imprensa e nega o envolvimento de Juscelino em irregularidades. Os advogados do ministro também ressaltam que as acusações não têm nada a ver com sua atuação à frente das Comunicações.

    Em nota divulgada na época do indiciamento, Juscelino alegou que apenas indicou emendas parlamentares para custear obras e que a execução, fiscalização e licitação são responsabilidades do Poder Executivo local e de órgãos competentes. “A investigação revive fatos antigos e que sequer são de minha responsabilidade como parlamentar”, declarou. Segundo ele, o indiciamento foi “uma ação política e previsível, baseada em premissas distorcidas, omissão de fatos e sem sequer ouvir a defesa sobre o escopo do inquérito”.

  • Câmara se mexe para mudar regra de eleição de deputado e vereador

    Câmara se mexe para mudar regra de eleição de deputado e vereador

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende acelerar as discussões sobre a adoção de um novo modelo para eleição de deputados e vereadores: o chamado voto distrital misto. Ele deve se reunir com presidentes de partidos na próxima semana e instalar uma comissão especial para tratar do tema.

    Hugo Motta pretende votar projeto do sistema de voto distrital misto ainda neste ano

    Hugo Motta pretende votar projeto do sistema de voto distrital misto ainda neste anoKayo Magalhães/Agência Câmara

    O ponto de partida será o projeto de lei 9.212/2017, de autoria do ex-senador José Serra (PSDB-SP). A proposta já foi aprovada pelo Senado e está parada desde dezembro de 2022 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O texto foi relatado pelo ex-deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), mas nunca chegou a ser votado.

    Veja o relatório de Samuel Moreira na CCJ

    Como funciona o voto distrital misto

    Pelo novo modelo, o eleitor teria dois votos: um para um candidato do seu distrito eleitoral e outro para um partido político. As vagas seriam divididas igualmente: metade preenchida pelos candidatos mais votados em cada distrito, e a outra metade por nomes escolhidos nas listas organizadas pelos partidos, respeitando a proporção de votos recebidos por cada legenda.

    Esse sistema é considerado híbrido, pois combina os modelos majoritário (voto no candidato do distrito) e proporcional (voto na legenda). Países como Alemanha, Japão, México, Bolívia, Hungria, Venezuela, Sérvia e Nova Zelândia já utilizam esse formato.

    Os prós e os contras do projeto

    O que diz o projeto

    O projeto propõe a adoção do voto distrital misto para eleições proporcionais de deputados federais, estaduais, distritais e vereadores, em municípios com mais de 200 mil eleitores.

    Veja os principais pontos

    Dois votos por eleitor: um para um candidato do distrito e outro para um partido.

    Divisão de distritos: o estado ou município é dividido em distritos, em número correspondente à metade das cadeiras em disputa.

    Definição dos distritos: caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definir os limites, respeitando critérios como equilíbrio populacional (com margem de 10%) e contiguidade geográfica.

    Listas partidárias: os partidos registram listas preordenadas com alternância de gênero a cada três nomes.

    Preenchimento das vagas

    • Primeiramente, são ocupadas pelos candidatos eleitos nos distritos.
    • As demais são preenchidas por nomes das listas partidárias, com base em cálculo proporcional de maiores médias.

    Suplência

    • O suplente de um candidato eleito no distrito é o indicado junto a ele.
    • Para as vagas da lista partidária, os suplentes são os próximos nomes da lista.
    • Municípios menores (até 200 mil eleitores): o sistema atual (lista preordenada) continua valendo para a eleição de vereadores.
    • Entrada em vigor: a proposta não vale para eleições que ocorram até um ano após sua promulgação.

    Como é hoje

    Atualmente, as eleições para deputados e vereadores seguem o modelo proporcional de lista aberta. O eleitor vota em um candidato ou diretamente em um partido, e os votos de todos os candidatos da legenda são somados. O total de votos determina quantas cadeiras o partido terá direito. Essas vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados, desde que tenham ao menos 10% do quociente eleitoral (QE).

    Caso sobrem cadeiras após essa distribuição inicial, elas são preenchidas por candidatos de partidos que tenham recebido maior número de votos, por meio das sobras eleitorais. Esse modelo busca equilibrar a votação nominal (do candidato) com a proporcionalidade partidária, refletindo a diversidade política da sociedade.

    Próximos passos

    Após a instalação da comissão especial, o projeto precisará ser votado no plenário da Câmara. Para ser aprovado, é necessário o apoio da maioria dos deputados presentes. Se o texto não for alterado em relação ao que já foi aprovado pelo Senado em 2017, seguirá para a sanção do presidente Lula. Caso haja modificações, voltará para nova análise dos senadores. Em caso de veto presidencial, caberá ao Congresso Nacional decidir, em sessão conjunta.

  • União Brasil declara apoio a Juscelino após denúncia da PGR

    União Brasil declara apoio a Juscelino após denúncia da PGR

    O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, afirmou nesta terça-feira, 8, que o partido mantém apoio ao ministro das Comunicações, Juscelino Filho. A declaração foi feita por meio de nota oficial, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar denúncia contra o ministro ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    A denúncia está relacionada ao suposto desvio de verbas destinadas a obras no município de Vitorino Freire (MA), onde a irmã do ministro é prefeita. O processo corre sob sigilo e está sob relatoria do ministro Flávio Dino.

    Executiva do União diz que Juscelino ainda não exerceu o contraditório e ressalta direito à ampla defesa.

    Executiva do União diz que Juscelino ainda não exerceu o contraditório e ressalta direito à ampla defesa.Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Posicionamento da legenda

    Em nota, Rueda considera essencial que o ministro tenha a chance de apresentar sua defesa: “O ministro ainda não teve a oportunidade de exercer seu direito ao contraditório no âmbito da PGR e […] irá se manifestar no Supremo Tribunal Federal (STF), onde poderá apresentar sua defesa de forma plena.”.

    O partido reforçou a importância de princípios constitucionais, destacando que “denúncias não equivalem a culpa, e que o princípio da presunção de inocência deve ser respeitado”.

    Críticas a julgamentos antecipados

    Ainda no texto, Rueda ressaltou: “O devido processo legal é pilar fundamental do Estado Democrático de Direito, e o União Brasil não admitirá qualquer tipo de pré-julgamento ou condenação antecipada”.

    Ele também reafirmou a confiança do partido na atuação do ministro à frente da pasta: “Seguimos confiando na seriedade e competência do ministro Juscelino Filho, que tem exercido seu trabalho à frente do Ministério das Comunicações com comprometimento e resultados concretos”.

    Apoio até o fim da apuração

    O partido finaliza a nota com a promessa de permanência ao lado do ministro. “Permanece ao lado do ministro, confiante de que ele poderá esclarecer todos os pontos levantados e reafirmar sua integridade perante a justiça.”.

    Enquanto isso, o STF deverá analisar se acolhe a denúncia, o que pode tornar Juscelino Filho réu. Se isso ocorrer, o caso avança para a fase de instrução, com coleta de provas e depoimentos. A defesa do ministro nega irregularidades e afirma que ele apenas indicou emendas, sem envolvimento na execução das obras.

  • Voto distrital misto: os prós e contras do projeto que Hugo quer votar

    Voto distrital misto: os prós e contras do projeto que Hugo quer votar

    O Congresso Nacional reabriu o debate sobre uma das propostas mais sensíveis da reforma política: a adoção do sistema de voto distrital misto para eleições proporcionais no Brasil, o que mudaria a forma como são eleitos deputados federais, estaduais, distritais e vereadores.

    Projeto em discussão na Câmara já foi aprovado pelo Senado

    Projeto em discussão na Câmara já foi aprovado pelo SenadoRoque de Sá/Agência Senado

    A proposta tem ganhado apoio em diferentes partidos, sob o argumento de que é preciso reforçar a representatividade partidária por meio de um maior vínculo entre eleitor e parlamentar. No entanto, críticos alertam para os riscos de distorções no processo e para a fragilidade das estruturas partidárias brasileiras diante de um sistema mais complexo.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vai instalar uma comissão especial para discutir o assunto. Antes, fará uma reunião, provavelmente na próxima semana, com os presidentes dos partidos políticos. Um dos principais defensores da mudança é o presidente do PSD, Gilberto Kassab, cujo partido elegeu o maior número de prefeitos em 2024.

    Câmara discute mudança na forma de eleição de deputados e vereadores

    Câmara discute mudança na forma de eleição de deputados e vereadoresArte gerada por IA

    O que é o voto distrital misto?

    Trata-se de um modelo híbrido que combina dois sistemas eleitorais: o majoritário e o proporcional. O eleitor vota duas vezes uma no candidato de seu distrito (voto majoritário) e outra em uma lista partidária (voto proporcional).

    Metade das cadeiras é preenchida pelos vencedores nos distritos, e a outra metade, por candidatos de partidos que recebem votos suficientes na lista, respeitando a proporcionalidade. Países como Alemanha, Japão, México, Bolívia, Hungria, Venezuela, Sérvia e Nova Zelândia já utilizam esse formato.

    Saiba como funciona o novo modelo de votação

    Pontos fortes do voto distrital misto, segundo seus defensores

    Parlamentares e especialistas favoráveis à proposta argumentam que o voto distrital misto pode trazer uma série de benefícios institucionais e democráticos:

    – Aproximação entre eleitor e representante

    Com distritos eleitorais menores, os eleitores saberão exatamente quem é o deputado ou vereador que os representa, facilitando a cobrança e o acompanhamento de seu mandato.

    – Redução da fragmentação partidária

    Ao exigir desempenho tanto nos distritos quanto nas listas partidárias, o sistema tende a dificultar a sobrevivência de partidos nanicos sem base eleitoral consistente.

    – Equilíbrio entre mérito individual e ideologia partidária

    O modelo valoriza tanto o desempenho pessoal do candidato quanto a força programática e institucional dos partidos, promovendo uma renovação política mais qualificada.

    – Maior representatividade

    Os votos dados a partidos, mesmo que seus candidatos não vençam nos distritos, não são desperdiçados o que favorece legendas com voto difuso.

    – Estímulo à renovação e à competitividade

    Candidatos novos ou com atuação local têm mais chances de se eleger nos distritos, enfrentando menos concorrência de caciques políticos com voto pulverizado nacionalmente.

    Pontos fracos do voto distrital misto, segundo seus críticos

    Do outro lado, há críticas severas à proposta, tanto por seu desenho técnico quanto pelo contexto institucional brasileiro:

    – Sistema difícil de entender

    Exigir dois votos distintos pode confundir o eleitor, especialmente em regiões com baixo nível de informação política, dificultando a compreensão sobre como o resultado final é composto.

    – Criação de dois tipos de parlamentares

    Haverá deputados com “peso político” diferenciado: os eleitos por voto direto no distrito podem ser vistos como mais legítimos do que os escolhidos por lista, o que pode gerar disputas internas.

    – Risco de manipulação dos distritos

    A definição das fronteiras dos distritos pode ser feita de forma a favorecer partidos ou grupos políticos, comprometendo a imparcialidade e a competitividade do sistema.

    – Maior custo e complexidade logística

    A implementação do modelo exigirá a reconfiguração do processo eleitoral, novas regras de apuração e maior investimento em campanhas de informação para o eleitorado.

    – Partidos frágeis e personalistas

    O bom funcionamento do sistema proporcional depende de partidos organizados, democráticos e programáticos algo que ainda é um desafio no Brasil, onde muitas siglas funcionam como legendas de aluguel.

    Caminho na Câmara

    A proposta ainda está em fase de discussão na Câmara, mas lideranças políticas já articulam a possibilidade de votação ainda neste ano, com efeitos para as eleições municipais de 2028 ou para as gerais de 2030.

    Durante apresentação na Associação Comercial de São Paulo, nesta segunda-feira (7), Hugo Motta afirmou que o voto distrital misto “é uma evolução daquilo que nós temos no nosso sistema eleitoral”. Segundo ele, entre os avanços já ocorridos estão o fim das coligações e a cláusula de barreira, criada para reduzir o número de partidos. “O voto distrital misto traz um sistema balanceado, para que a Casa possa estar mais representativamente melhor sendo formada”, avaliou.

    “Queremos priorizar isso, para que, nos próximos dias, a Câmara possa, de forma mais prática, discutir essa iniciativa”, afirmou o deputado. Hugo Motta citou como ponto de partida das discussões o projeto de lei 9.212/2017, de autoria do ex-senador José Serra (PSDB-SP). A proposta já foi aprovada pelo Senado e está parada desde dezembro de 2022 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde chegou a receber parecer favorável do ex-deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

    A adoção do voto distrital misto pode representar um avanço em termos de representatividade e governabilidade, mas só será bem-sucedida se vier acompanhada de reformas mais amplas, adverte o cientista político Ricardo de João Braga.

    Para ele, o assunto deve ser visto com cautela pelo eleitor e pelos políticos brasileiros. “Em princípio, é um bom modelo, mas não garante que vai melhorar nossa representação”, pondera. Doutor em ciência política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ricardo fez mestrado na Universidade de Siegen, na Alemanha, país que adota o sistema discutido pela Câmara.

    “O modelo de voto distrital misto alemão prescreve a eleição de parte dos deputados em distritos uninominais majoritários – o mais votado leva a vaga – e parte pelo sistema proporcional de lista fechada – aquela que os partidos montam internamente”, explica.

    Entre os pontos que, na avaliação dele, devem suscitar maior polêmica nas discussões na Câmara está a definição dos distritos dentro de cidades ou estados. “Quem vai desenhá-los? O simples desenho implica em vantagens para uns e desvantagens para outros, depende de como os deputados têm seus votos distribuídos no território”, observa.

    De acordo com o cientista político, a melhoria da representatividade política no país depende, ainda, da combinação de outros fatores, como transparência e democracia interna nos partidos, maior participação feminina entre os eleitos e o fim das anistias às dívidas partidárias.

  • BNDES libera R$20 milhões para aquisição de equipamentos para o SUS

    BNDES libera R$20 milhões para aquisição de equipamentos para o SUS

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 20 milhões para a compra de stents coronários, cateteres, fios guias para angioplastia e balões periféricos. Os stents, usados em artérias, ajudam a manter o fluxo sanguíneo e são essenciais no tratamento de doenças cardiovasculares.

    Banco é responsável por financiar setores estratégicos da economia, como a indústria da saúde

    Banco é responsável por financiar setores estratégicos da economia, como a indústria da saúdeRafael Andrade/Folhapress

    O financiamento faz parte do programa Fornecedores SUS, voltado ao fortalecimento da indústria nacional e ao atendimento da rede pública. O banco libera crédito único com base no histórico de fornecimento da empresa ao SUS. Em contrapartida, a fornecedora deve entregar ao sistema o mesmo valor em produtos fabricados no Brasil, no prazo de dois anos.

    “O financiamento contribui para que o país amplie a participação da produção no país de 42% para 70% das necessidades nacionais em medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos, materiais e outros insumos e tecnologias em saúde”, destaca o diretor do BNDES, José Luís Gordon.

  • Maioria dos brasileiros defende prisão de Bolsonaro, aponta Datafolha

    Maioria dos brasileiros defende prisão de Bolsonaro, aponta Datafolha

    A maioria da população brasileira acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria ser preso por seu envolvimento na tentativa de golpe revelada por investigações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (8), 52% dos brasileiros defendem a prisão do ex-presidente, enquanto 42% se opõem à ideia e 7% não souberam opinar.

    Bolsonaro participou de ato pró-anistia dos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 na Avenida Paulista no último domingo

    Bolsonaro participou de ato pró-anistia dos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 na Avenida Paulista no último domingoMilene Cardoso/Thenews2/Folhapress

    O mesmo índice de 52% também acredita que Bolsonaro não será efetivamente preso, em contraste com 41% que preveem esse desfecho. Os que não souberam responder novamente somam 7%. O levantamento foi divulgado pela Folha de S.Paulo.

    A pesquisa ouviu 3.054 pessoas com mais de 16 anos em 172 municípios entre os dias 1º e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

    Quaest: para 52%, é justo que Bolsonaro seja réu

    Há duas semanas o Supremo Tribunal Federal aceitou denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Bolsonaro e outros sete aliados por tentativa de golpe de Estado. 

    Inicialmente, Bolsonaro negava qualquer envolvimento no caso, mas passou a dizer que apenas analisava cenários constitucionais sobre o processo eleitoral. Paralelamente, o ex-presidente tem promovido atos públicos pela anistia de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, que, segundo a PGR, estão ligados ao fracasso da trama golpista de 2022.

    Divisões

    A percepção sobre a prisão de Bolsonaro acompanha o mapa político e ideológico do país. No Nordeste, reduto tradicional do PT, 59% defendem sua prisão. No Sul, há empate técnico, mas com leve vantagem para os que acham que ele deve ficar livre (49% contra 46%).

    A religião também influencia a opinião: entre católicos, 55% defendem a prisão de Bolsonaro; já entre evangélicos, grupo fortemente vinculado ao bolsonarismo, 54% são contrários à medida.

    Mulheres (36%) e pessoas com ensino fundamental completo (35%) formam os grupos que menos apoiam a impunidade. Por outro lado, entre os mais jovens (16 a 24 anos) e os que têm escolaridade média e renda entre 2 e 5 salários mínimos, a crença de que Bolsonaro ficará impune é maior (respectivamente 57% e 56%).

    Tarcísio e o dilema da sucessão

    Com Bolsonaro inelegível até 2030, a sucessão no campo da direita ganha destaque. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), ex-ministro de Bolsonaro, é um dos principais nomes cotados para assumir esse espaço.

    Segundo o Datafolha, 79% dos eleitores que declaram voto em Tarcísio são contrários à prisão de Bolsonaro, e 62% acreditam que ele não será preso. O governador tem buscado se posicionar como um nome moderado, evitando confrontos com as instituições, mas continua alinhado ao ex-presidente, tendo inclusive participado do mais recente ato pró-anistia.

  • Datafolha: 56% são contra anistia a envolvidos no 8 de janeiro

    Datafolha: 56% são contra anistia a envolvidos no 8 de janeiro

    A maioria da população brasileira é contra a proposta de anistiar os condenados pelos ataques do 8 de janeiro, segundo pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (8). De acordo com o levantamento, 56% são contra anistiar os responsáveis pelos ataques no início de 2023, enquanto 37% são a favor, 6% não sabem e 2% se dizem indiferentes.

    Maior parte dos brasileiros é contra anistiar os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, segundo pesquisa Datafolha.

    Maior parte dos brasileiros é contra anistiar os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, segundo pesquisa Datafolha.Daniel Cymbalista /Fotoarena/Folhapress

    O resultado indica que, embora haja rejeição da maioria, a imagem da anistia frente à opinião pública é um pouco mais favorável do que antes: em dezembro de 2024, um total de 62% eram contra.

    O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, vem tentando articular a votação de um projeto para anistiar não apenas os manifestantes do 8 de janeiro, como também o ex-presidente, hoje réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. No fim de semana, Bolsonaro organizou um ato pela anistia na Avenida Paulista. Como a manifestação foi realizada depois do período de coleta da pesquisa, o Datafolha não captou os possíveis efeitos dela na opinião pública.

    A pesquisa Datafolha entrevistou 3.054 pessoas por questionários face-a-face em 172 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

  • Senado cria Frente Parlamentar da Indústria Farmacêutica

    Senado cria Frente Parlamentar da Indústria Farmacêutica

    Foi publicada nesta terça-feira (8) no Diário Oficial da União a Resolução nº 1/2025, que institui a Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Indústria Farmacêutica e da Produção de Insumos Farmacêuticos Ativos no Brasil. A proposta foi apresentada pelo senador Marcos Pontes (PL-SP) e aprovada pelo Senado com relatoria de Izalci Lucas (PSDB-DF). A frente será formada por parlamentares que assinarem a ata de instalação e poderá reunir-se em Brasília ou em outras unidades da Federação.

    O objetivo é ampliar a capacidade nacional de produção de medicamentos e reduzir a dependência de insumos importados. Segundo os autores da proposta, a frente parlamentar servirá de espaço permanente de articulação entre o Senado, o setor produtivo, a academia e o Poder Executivo. A iniciativa também poderá fomentar políticas públicas para inovação, investimento e competitividade da indústria nacional.

    O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) é o autor do requerimento pela criação da Frente Parlamentar da Indústria Farmacêutica.

    O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) é o autor do requerimento pela criação da Frente Parlamentar da Indústria Farmacêutica.Andressa Anholete/Agência Senado

    Na justificativa da proposta, Marcos Pontes destacou que estimular a produção local pode garantir o abastecimento de remédios em situações emergenciais e contribuir para a geração de empregos e a redução de custos na fabricação. A resolução já está em vigor e marca o início dos trabalhos da nova frente legislativa.