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  • Ministra discute avanços em ciência e tecnologia na Câmara

    Ministra discute avanços em ciência e tecnologia na Câmara

    Ministra Luciana Santos

    Ministra Luciana SantosRodrigo Cabral/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

    A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados receberá, na quarta-feira (9), a ministra Luciana Santos para uma discussão sobre as atividades do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A reunião ocorrerá às 10 horas, no plenário 13.

    A audiência foi solicitada pelos deputados Ricardo Barros (PP-PR), Márcio Jerry (PCdoB-MA) e Daiana Santos (PCdoB-RS). O deputado Ricardo Barros enfatizou a importância do setor de ciência, tecnologia e inovação para o progresso do país, destacando sua contribuição para o aumento da produtividade econômica e a promoção da inclusão social.

    “O evento na Câmara será uma oportunidade para que a comissão acompanhe os avanços alcançados pelo Ministério, proponha melhorias em programas e identifique oportunidades de modernização do aparato legal e do modelo de governança que rege as atividades do setor”, afirmou Barros.

    Os deputados Márcio Jerry e Daiana Santos complementaram que o Congresso Nacional pode colaborar com o Poder Executivo no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, visando maior eficiência e transparência nas políticas públicas destinadas ao setor.

    Leia a pauta da reunião.

  • CPI das Bets convida Galípolo para depoimento

    CPI das Bets convida Galípolo para depoimento

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado a prestar esclarecimentos à CPI das Apostas Esportivas. A comissão marcou a reunião para terça-feira (8), às 11h.

    O pedido partiu do senador Dr. Hiran (PP-RR), presidente da CPI, que quer ouvir a autoridade monetária sobre o monitoramento de transações envolvendo plataformas de apostas. A comissão também busca entender se o órgão pode propor normas específicas para movimentações financeiras desse mercado.

    Presidente do BC deverá falar sobre impacto das bets no mercado financeiro.

    Presidente do BC deverá falar sobre impacto das bets no mercado financeiro.Roque de Sá/Agência Senado

    “A oitiva do Presidente do Banco Central do Brasil se faz imprescindível para que esta CPI possa obter informações cruciais para o cumprimento de seu objetivo, contribuindo para a elaboração de um relatório conclusivo que reflita a realidade dos fatos”, disse o senador.

    As investigações se concentram nas chamadas apostas de quota fixa, modalidade o jogador sabe com antecedência o quanto pode ganhar, caso acerte o resultado. Essa categoria de apostas inclui tanto jogos esportivos quanto simuladores de cassino, como o popular Jogo do Tigrinho.

  • Madrugada do golpe: ouça a sessão que derrubou João Goulart em 64

    Madrugada do golpe: ouça a sessão que derrubou João Goulart em 64

    Aplausos e vaias: a história sessão do Congresso de 2 de abril de 1964

    Aplausos e vaias: a história sessão do Congresso de 2 de abril de 1964Arquivo

    Na madrugada de 2 de abril de 1964, o Congresso Nacional cheirava a pólvora. Às 2h40, 178 deputados e senadores atenderam à convocação do presidente do Senado e do Congresso, Auro de Moura Andrade (PSD-SP). Auro não antecipara o motivo da reunião, mas a movimentação de tropas militares iniciada dois dias antes já prenunciava o desfecho: estavam ali para testemunhar a destituição do presidente João Goulart. Começava ali, oficialmente, uma ditadura que duraria 21 anos.

    O Congresso em Foco resgatou, nos arquivos da Câmara, a íntegra daquela sessão histórica, que se estendeu das 2h40 até as 2h56, com apenas uma breve suspensão para conter os ânimos. Não há registros em vídeo, apenas o áudio da sessão, disponível a seguir:

    Mão de ferro

    O senador Auro de Moura Andrade conduziu a sessão com mão de ferro. Suas falas foram constantemente interrompidas por gritos, vaias e aplausos. Ele refutou todas as contestações dos aliados de João Goulart e ignorou um ofício enviado pela Casa Civil, no qual o ministro Darcy Ribeiro informava que o presidente havia deixado Brasília rumo ao Rio Grande do Sul para se reunir com tropas legalistas e restaurar a ordem. Jango, como era chamado, estava no Rio na manhã do dia 1º, quando recebeu a notícia do avanço das tropas. Imediatamente voou para Brasília, de onde partiria para o Rio Grande do Sul à noite. 

    O documento classificava a ofensiva militar como um “esbulho criminoso”. A mensagem foi lida, conforme exigido pelo regimento, pelo primeiro-secretário do Congresso, senador Adalberto Sena (PTB-AC):

    “O senhor presidente da República incumbiu-me de comunicar a Vossa Excelência que, em virtude dos acontecimentos nacionais das últimas horas, para preservar de esbulho criminoso o mandato que o povo lhe conferiu, decidiu viajar para o Rio Grande do Sul, onde se encontra à frente das tropas militares legalistas e no pleno exercício dos poderes constitucionais e de seu ministério”.

    Moura Andrade desprezou o comunicado:

    “O senhor presidente da República deixou a sede do governo. Deixou a Nação acéfala numa hora gravíssima da vida brasileira, em que é mister que o chefe de Estado permaneça à frente do seu governo. Abandonou o governo. E esta comunicação faço ao Congresso Nacional. Esta acefalia configura a necessidade de o Congresso Nacional, como poder civil, tomar imediatamente a atitude que lhe cabe, nos termos da Constituição brasileira, para restaurar, nesta pátria conturbada, a autoridade e a existência do governo. Não podemos permitir que o Brasil fique sem governo, abandonado”.

    Tensão em plenário

    Um dos líderes do governo no Congresso, o deputado Sérgio Magalhães (PTB), do antigo estado da Guanabara, contestou a realização da sessão, com base no Regimento Comum das duas Casas. Segundo ele, não havia respaldo regimental para reunir deputados e senadores com o objetivo de destituir o presidente: “Esta comunicação é, portanto, antirregimental. Como antirregimental, em consequência, é a convocação do Congresso para ouvir esta simples comunicação”.

    Moura Andrade reagiu com uma provocação, lembrando que, em 1961, quando Magalhães era presidente da Câmara, ambos haviam atuado para dar posse a João Goulart e evitar um golpe militar.

    O deputado rebateu duramente, em um dos momentos mais tensos da madrugada: “Não pode Vossa Excelência querer invocar quaisquer erros que tenham sido cometidos no passado para fugir à resposta à nossa questão de ordem. Responda à questão de ordem para merecer o respeito dos congressistas.

    O presidente do Congresso retrucou: “Desrespeito é o que ocorre quando o ímpeto do parlamentar que discorda do pronunciamento da Mesa interrompe a resposta à questão de ordem”.

    Ainda estou aqui

    O plenário fervia. Vaias, aplausos e gritos de apoio e protesto se sobrepunham.

    Ao longo da sessão, o deputado Bocayuva Cunha (PTB-RJ) pediu a palavra para relatar a prisão do governador do estado, Badger Silveira, no dia 1º, por militares da Marinha. O pedido foi negado: “Não posso permitir que o nobre deputado prossiga numa questão de ordem que não diz respeito à ordem dos trabalhos da Casa. O assunto que Vossa Excelência traz é para deliberação, respondeu Moura Andrade”.

    O parlamentar insistiu em sua fala, fora do microfone. Quase não se ouve sua voz nos áudios da Câmara. Um dos melhores amigos de Rubens Paiva, deputado cassado, sequestrado e morto pela ditadura militar, Bocayuva é o personagem interpretado por Dan Stulbach no filme “Ainda estou aqui”. Sócio de Rubens, o engenheiro foi um dos principais pontos de apoio da família de Eunice Paiva.

    Rubens Paiva conclamou população contra golpe. Ouça o discurso

    Mazzilli presidente

    Auro de Moura Andrade ignorou os protestos e decretou a vacância da Presidência da República, alegando abandono de cargo. Anunciou Ranieri Mazzilli (PSD-SP), presidente da Câmara, como novo chefe do Executivo.

    “Não podemos permitir que o Brasil fique sem governo, abandonado. Há sob nossa responsabilidade a população do Brasil, o povo, a ordem. Assim sendo, declaro vaga a Presidência da República. E, nos termos do artigo 79 da Constituição, declaro presidente da República o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli.”

    O plenário explodiu em gritos. Dividia-se em declarações de apoio, vaias, aplausos e protestos.

    Posse na madrugada

    Formalmente, o golpe ganhava contornos de legalidade. Como João Goulart havia assumido como vice após a renúncia de Jânio Quadros, o presidente da Câmara era o primeiro na linha sucessória. Logo após o encerramento da sessão, Auro de Moura Andrade e Ranieri Mazzilli seguiram para o Palácio do Planalto. Às 3h45, na presença do presidente do Supremo Tribunal Federal, Álvaro Ribeiro da Costa, Mazzilli foi empossado como presidente da República. Horas depois, no Rio, cerca de 1 milhão de pessoas saíam às ruas para a “Marcha da Vitória”, em ato de apoio aos militares.

    A posse de Ranieri Mazzilli, vigiada pelos militares, coroou uma ofensiva iniciada em 31 de março com a marcha de tropas de Minas para o Rio e a ocupação do Forte de Copacabana. A tentativa de reação legalista fracassou, assim como a greve geral convocada pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT).

    Partida para o exílio

    Morte no exílio: João Goulart voltou ao Brasil para ser enterrado em São Borja

    Morte no exílio: João Goulart voltou ao Brasil para ser enterrado em São BorjaArquivo/PDT

    Sem apoio de tropas legalistas, Jango deixou Porto Alegre ese refugiu na fazenda da família em São Borja (RS), onde, com ajuda do general Assis Brasil, redigiu seu pedido de asilo ao Uruguai. O período de cassação dos seus direitos políticos terminou em abril de 1976, mas a ditadura não permitiu o seu retorno. Recusou-se a emitir para ele um passaporte brasileiro. Morreu em 6 de dezembro daquele ano em seu exílio no interior da Argentina. Voltou para ser enterrado em São Borja. Investigações em curso tentam esclarecer sua morte: se foi vítima de infarto ou de envenenamento.

    Mazzilli exerceu a presidência por 13 dias, mas o comando real estava com o Comando Supremo da Revolução uma junta formada por Rademaker, Costa e Silva e Correia de Melo. Em 9 de abril, o grupo emitiu o Ato Institucional nº 1, que permitiu cassações e a suspensão de direitos. Em dez dias, 40 parlamentares já haviam sido afastados, entre eles Sérgio Magalhães, Bocayuva Cunha e Rubens Paiva.

    O Congresso seguiu em funcionamento formal, mas sob vigilância. Em 11 de abril, elegeu indiretamente o general Castelo Branco. Quatro dias depois, Mazzilli lhe passou o cargo, dando início oficial ao regime militar. Em 1965, o AI-2 extinguiu os partidos, instaurou o bipartidarismo, ampliou o STF e fortaleceu ainda mais o Executivo.

    Auro de Moura Andrade participou ativamente das articulações golpistas: discursou na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, apelou às Forças Armadas para restabelecerem a ordem constitucional e declarou publicamente o rompimento entre os poderes Legislativo e Executivo semanas antes do golpe.

    Acerto com o passado

    Em 21 de novembro de 2013, o mesmo Congresso voltou a se reunir para aprovar o projeto de resolução que anulou a sessão do dia 2 de abril de 1964. “Eu estava com ele [Jango], em Porto Alegre”, disse o senador Pedro Simon (MDB-RS). A proposta foi aprovada com um único voto contrário, o do então deputado Jair Bolsonaro. Segundo ele, a tentativa de se apagar o passado, com a anulação da deposição de Jango, era um “ato infantil e stalinista”. “Pelo menos está servindo para alguma coisa: botar por terra a farsa de que foi um golpe militar a destituição de João Goulart”, disse. 

    Desde a semana passada, Bolsonaro responde a ação penal pelo crime de tentativa de golpe de Estado, acusado de liderar uma organização criminosa que tentava incitar as Forças Armadas e a população para impedir a posse do presidente Lula. O ex-presidente corre no Congresso para aprovar uma anistia aos envolvidos no ato. “O que eu busco é a pacificação, é passar uma borracha no passado”, afirmou.

  • Pré-campanha foi jogada de marketing, confessa Felipe Neto

    Pré-campanha foi jogada de marketing, confessa Felipe Neto

    O influenciador digital Felipe Neto esclareceu, nesta sexta-feira (5), que seu anúncio de pré-candidatura à Presidência da República, na véspera, tratava-se de uma encenação. A revelação veio em um novo vídeo divulgado em suas redes sociais, no qual assume ter usado o artifício para chamar atenção a um anúncio de lançamento de audiolivro.

    Felipe Neto afirmou que o conteúdo do vídeo anterior onde se apresentava como fora da política tradicional, prometia uma plataforma digital chamada Nova Fala e citava conceitos como o “Ministério da Verdade” era, na verdade, uma simulação. A linguagem, segundo ele, foi inspirada em 1984, obra de distopia do escritor britânico George Orwell que retrata um regime totalitário baseado na vigilância e na manipulação da informação.

    “Tudo o que eu falei naquele vídeo é o oposto do que eu acredito. Foram falas autoritárias, que eu fiz de propósito”, declarou.

    Denúncia velada

    Ao simular uma candidatura, Felipe Neto incorporou trechos e referências diretas à distopia orwelliana, entre elas o slogan “Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força”. Também se apresentou como um irmão mais velho em alusão ao termo Big Brother, expressão usada para se referir ao chefe de Estado na obra de Orwell.

    A suposta proposta de criar uma rede social governamental para captar opiniões do povo chamada Nova Fala, em alusão à Newspeak de 1984, também foi desmentida. Ele afirmou que jamais proporia uma ferramenta de monitoramento público, “afinal, infelizmente, isso já acontece”.

  • Senado responde ao STF que dá transparência a emendas parlamentares

    O Senado encaminhou ofício, nessa quinta-feira (3), ao Supremo Tribunal Federal, respondendo a questionamentos do Psol sobre a constitucionalidade das novas regras para as emendas parlamentares, especialmente as chamadas emendas de líderes. 

    Senado afirma ao Supremo que está cumprindo exigência de dar transparência a emendas

    Senado afirma ao Supremo que está cumprindo exigência de dar transparência a emendasRoque de Sá/Agência Senado

    Essas novas regras foram estabelecidas pela Resolução 1/2025 do Congresso Nacional, seguindo uma decisão anterior do ministro do Flávio Dino, do STF. Uma das principais mudanças é a exigência de identificar o parlamentar (“padrinho”) responsável pela indicação de recursos nas emendas de comissão.

    O Psol alega que as emendas de líderes, da forma como estão sendo implementadas, não garantem a transparência exigida pelo STF e poderiam configurar uma nova forma de “orçamento secreto”, pois permitiriam que líderes partidários indicassem emendas sem a devida identificação dos responsáveis, atribuindo-as genericamente à “bancada”.

    O Senado, por meio de sua Advocacia, afirma que a nova resolução não permite que um líder partidário decida sozinho sobre a indicação de uma emenda. De acordo com a Casa, a indicação ocorre após discussão e votação dentro da bancada do partido, e essa decisão é registrada em uma ata pública.

    O líder partidário, prossegue o Senado, apenas encaminha a indicação da bancada para a comissão responsável pela área da emenda. Cabe, em seguida, à comissão decidir se aprova ou não a indicação feita pelo líder. Com isso, sustenta o Senado, o líder não tem poder exclusivo de direcionar os recursos.

    A Advocacia do Senado também ressalta que as decisões anteriores do STF impedem que líderes tenham exclusividade na indicação de emendas, mas não proíbem a atuação deles desde que a indicação seja feita com a participação da bancada e outros membros das comissões possam também sugerir emendas. O Senado também afirma que está trabalhando em conjunto com a Câmara dos Deputados e o Poder Executivo para tornar as emendas parlamentares mais transparentes e rastreáveis.

    O documento menciona que ajustes foram feitos no Orçamento de 2024 para se adequar às novas regras e que já começou o processo de identificar os “padrinhos” das emendas. Os advogados citaram no documento os colegiados que já fizeram essa ratificação das emendas: Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR), Comissão de Assuntos Sociais (CAS), Comissão de Infraestrutura (CI) e Comissão de Relações Exteriores (CRE).

    O Senado conclui que está cumprindo integralmente as determinações do STF em relação à transparência das emendas.

    As alegações do Psol

    • Falta de transparência das emendas de líderes: argumenta que as novas regras para emendas de líderes, mesmo após a Resolução 1/2025, não atendem aos requisitos de transparência exigidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
    • Possibilidade de novo “orçamento secreto”: o partido teme que a forma como as emendas de líderes estão sendo implementadas possa abrir caminho para novas formas de “orçamento secreto”.
    • Indicação sem identificação clara: segundo o Psol, a resolução permite que líderes partidários indiquem emendas de comissão sem a devida identificação dos responsáveis pelos repasses.
    • Atribuição genérica à “bancada”: o partido critica o fato de que as emendas de líderes podem ser atribuídas genericamente à “bancada” do partido, em vez de identificar o parlamentar específico que direcionou o recurso (“padrinho”).
    • Descumprimento dos requisitos do STF: o Psol entende que essa falta de identificação individualizada e a atribuição genérica à bancada contrariam as exigências de transparência estabelecidas pelo STF em decisões anteriores sobre emendas parlamentares.
  • CNI diz que, depois de 4 anos, Lei do Gás ainda não destravou o setor

    CNI diz que, depois de 4 anos, Lei do Gás ainda não destravou o setor

    A aprovação da Nova Lei do Gás em 2021 não serviu para concretizar a abertura do setor, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a CNI, o consumo de gás natural segue estagnado por uma década na indústria, responsável por 60% da demanda, o que contraria as previsões da época.

    Gasoduto em Itatiba, São Paulo.

    Gasoduto em Itatiba, São Paulo.Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

    O motivo, segundo a CNI, é o preço. A indústria brasileira é uma das que paga mais caro no mundo pelo uso do gás natural: o custo médio no Brasil é de US$ 20 (equivalente a R$ 110) por milhão de BTUs, o que corresponde a 10 vezes o que é pago nos Estados Unidos e o dobro do praticado na Europa. Ou seja: em comparação aos EUA, a quantidade de energia necessária para se realizar uma tarefa é 10 vezes mais cara. O estudo aponta que US$ 9 do preço do gás no Brasil estão relacionados ao escoamento e processamento, custo que poderia ser reduzido para US$ 2, conforme análise da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME).

    O gás natural desempenha um papel crucial na indústria, servindo tanto como fonte energética quanto como matéria-prima para produtos como fertilizantes.

    O estudo ainda indica travas no setor:

    • A CNI aponta atrasos na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que, segundo o estudo, atrasa a implementação plena da Nova Lei do Gás por conta de falta de regulamentação. Apenas três dos 15 temas relacionados ao mercado de gás natural incluídos na Agenda Regulatória da ANP para 2022-2023, apenas foram concluídos. A falta de recursos humanos na agência regulatória tem adiado o cronograma da abertura do mercado.
    • A comercialização do gás natural segue em grande parte concentrada na Petrobras, com muitos produtores dependendo da estatal para escoar sua produção. A Petrobras, por sua vez, não disponibiliza informações completas sobre a capacidade disponível e as condições contratuais nos seus sistemas de escoamento e processamento de gás, o que dificulta a entrada de novas empresas.
    • A abertura do mercado de gás depende de uma atuação coordenada entre governo, reguladores e setor privado, segundo a CNI.
  • PSDB fica sem prefeitos em Pernambuco

    PSDB fica sem prefeitos em Pernambuco

    O PSDB perdeu todas as suas prefeituras em Pernambuco após a desfiliação em massa de 32 prefeitos eleitos em 2024. A decisão ocorreu em reação à intervenção da Executiva Nacional no diretório estadual, que afastou o então presidente Fred Loyo e nomeou o deputado Álvaro Porto (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, como interventor.

    A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, saiu do PSDB em março. Agora, prefeitos eleitos pela legenda também pedem desfiliação.

    A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, saiu do PSDB em março. Agora, prefeitos eleitos pela legenda também pedem desfiliação.Leandro Chemalle/Thenews2/Folhapress

    A debandada incluiu também a vice-governadora Priscila Krause, que havia se filiado ao PSDB há menos de um mês, após sair do Cidadania. Todos os dissidentes assinaram uma carta conjunta classificando a intervenção como “injustificável” e “um episódio de violência política”. Segundo o grupo, a medida rompe com valores históricos do partido, como respeito às decisões colegiadas e ao diálogo interno.

    A crise ocorre semanas após a governadora Raquel Lyra, eleita pelo PSDB em 2022, migrar para o PSD. A intervenção foi interpretada por aliados como uma tentativa da cúpula tucana de cortar a influência política da governadora sobre o partido. Em nota, o PSDB nacional acusou os prefeitos de “extrema deslealdade”, alegando que foram eleitos com recursos do fundo partidário.

    Com a saída dos prefeitos e da vice-governadora, o PSDB deixa de ter representação municipal em Pernambuco. Apesar da perda, a nova direção afirmou que a legenda irá se reorganizar para disputar as eleições de 2026 com candidatura própria ao governo e ao Senado. A intervenção tem duração prevista de 180 dias, podendo ser prorrogada.

  • Minha Casa, Minha Vida passa a atender famílias com renda até R$12 mil

    Minha Casa, Minha Vida passa a atender famílias com renda até R$12 mil

    O governo federal ampliou o Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda mensal de até R$ 12 mil. A mudança, oficializada por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (3), cria uma nova faixa de financiamento habitacional voltada à classe média. Com a novidade, passa a ser possível adquirir imóveis de até R$ 500 mil, com financiamento de até 35 anos e juros projetados de 10,5% ao ano.

    Expansão do Minha Casa Minha Vida busca incluir pessoas da classe média.

    Expansão do Minha Casa Minha Vida busca incluir pessoas da classe média.Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto

    Segundo o Ministério das Cidades, a nova faixa, que amplia o teto anterior de R$ 8 mil, deve beneficiar 120 mil famílias já em 2025. O governo ainda não informou a data de início dos novos contratos nem se a ampliação valerá para áreas rurais ou para famílias que já possuem imóvel registrado.

    Para viabilizar a medida, o Executivo destinou verbas do Fundo Social do Pré-Sal para custear as faixas 1 e 2 do programa, que atendem famílias de menor renda. Com isso, recursos originalmente reservados para essas faixas poderão ser remanejados para as linhas superiores, incluindo a nova faixa voltada à classe média.

    Criado em 2009, o Minha Casa, Minha Vida foi relançado no atual governo com a meta de contratar 2 milhões de moradias até o fim de 2026. Desde a retomada, mais de 1,2 milhão de unidades já foram contratadas. A expectativa do governo é que a nova modalidade estimule ainda mais o setor imobiliário e contribua para reduzir o déficit habitacional no país.

  • Tarifaço de Trump pode acelerar acordo UE-Mercosul, diz presidente da Apex

    Tarifaço de Trump pode acelerar acordo UE-Mercosul, diz presidente da Apex

    O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, declarou que o “tarifaço” anunciado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode acelerar o processo de acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). “Se os Estados Unidos conseguirem implementar essas medidas, pode ter como consequência, por exemplo, acelerar o processo do acordo Mercosul-União Europeia”, afirmou Viana, complementando que já registrou manifestações de líderes europeus dizendo que vão acelerar o processo de validação do trato.

    O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

    O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.Robson Moura/TV Brasil

    Para o presidente da Apex, “antes das possibilidades, vão vir as dificuldades. E é um risco grande. É algo que pode construir uma nova era. Tem alguns analistas que já falam que pode ser que os Estados Unidos podem estar abrindo agora a era da China”. Jorge diz ainda que não consegue enxergar “vantagem nenhuma quando o mundo pode piorar a sua relação comercial”.

    As tarifas impostas por Trump foram, em média, de 10% para países da América Latina, 20% para a Europa e 30% para a Ásia, indicando que o governo americano considerava os países orientais como a maior ameaça.

    Viana ponderou que o Brasil pode vir a receber mais investimentos, mas que o novo cenário será “ruim para todos”. “Acho que, na incerteza, o Brasil pode ter mais investimento do que tem, mas eu não estou querendo trabalhar a tese do tirar proveito ou tirar benefício, porque um mundo inseguro, um mundo em conflito, é ruim para todo mundo, inclusive o Brasil. A tese minha é essa, vai ser ruim para todos, independente de você ganhar mais aqui ou perder ali”.

  • Felipe Neto anuncia pré-candidatura à Presidência da República

    Felipe Neto anuncia pré-candidatura à Presidência da República

    O influenciador digital e empresário Felipe Neto anunciou, nesta quinta-feira (3), sua pré-candidatura à Presidência da República. O comunicado foi feito por meio de um vídeo publicado em seu perfil oficial no Instagram.

    Segundo o empresário, a decisão foi tomada após um período de silêncio político e reflexão pessoal. “Eu evitei posicionamentos políticos porque eu precisava ter um olhar de fora, afirmou. Ele disse que seu objetivo é se tornar um representante popular e que sua candidatura não é motivada por vaidade. “Eu construí um legado financeiro e na comunicação que já me alimenta o estômago e o ego pro resto da vida”, declarou.

    Felipe Neto é a segunda celebridade a lançar uma pré-candidatura oficial para 2026.

    Felipe Neto é a segunda celebridade a lançar uma pré-candidatura oficial para 2026.Rafaela Araújo/Folhapress

    Felipe Neto se apresenta como um nome fora da política tradicional, mas destaca sua experiência na comunicação digital como um diferencial. “Embora seja um homem de fora da política, eu tenho ao meu lado a maior arma do nosso tempo: o uso das redes”, afirmou.

    “Nova Fala”

    Durante o mesmo vídeo, Felipe Neto também anunciou seu plano de lançamento de uma nova plataforma digital chamada Nova Fala. Segundo ele, a rede social funcionará como um “laboratório”, no qual os usuários fornecerão voluntariamente informações sobre suas preferências e interesses ao interagir com conteúdos.

    A proposta da plataforma é, segundo Felipe Neto, captar de forma transparente e contínua a opinião da maioria da população. “Na melhor das hipóteses, a rede Nova Fala permitiria criar uma plataforma de governo neutra. Sem qualquer ideologia. Mas, uma posição definitiva e direta do povo”, explicou. Ele afirmou que a ferramenta poderia funcionar como uma espécie de ministério voltado à escuta pública.

    Histórico político

    Felipe Neto tem uma trajetória marcada por mudanças de posicionamento político. No início da carreira como youtuber, fez oposição ao governo Dilma Rousseff. Posteriormente, tornou-se crítico do governo de Jair Bolsonaro, em especial diante da recusa em sua gestão de adotar medidas de enfrentamento à pandemia, e passou a apoiar pautas progressistas.

    Durante as eleições de 2022, apoiou a candidatura do presidente Lula e integrou sua rede de aliados em assuntos de comunicação. Felipe Neto acabou sendo um dos escolhidos para compor o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável do novo governo. Em 2024, publicou o livro Como enfrentar o ódio: A internet e a luta pela democracia, em que relata sua guinada política e defende a regulação das plataformas digitais.

    Celebridades em campanha

    Felipe Neto é a segunda celebridade a anunciar oficialmente uma pré-candidatura à Presidência para 2026. Em janeiro, o cantor sertanejo Gusttavo Lima também lançou seu nome como pré-candidato e chegou a conversar com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), para formação de chapa. O projeto foi abandonado em março.

    Referências orwellianas

    Durante seu pronunciamento, Felipe Neto fez o uso recorrente de termos presentes na obra “1984”, do escritor britânico George Orwell. A obra, escrita na década de 1940, retrata um futuro em que o Império Britânico seria dominado por uma ditadura que adota a comunicação e a vigilância como principais instrumentos de poder.

    A rede social “Nova Fala” leva o mesmo nome do idioma que substitui a língua inglesa no universo de Orwell. Ele afirma que seu plano seria vincular a rede a algum ministério, “talvez o da Verdade”, nome de uma das principais pastas governamentais no regime descrito em 1984.

    O influenciador também afirma seu desejo de ser “um pai tão generoso quanto vigilante. Ou, se eu for jovem demais, ao menos pra isso, eu quero ser como um irmão mais velho”, em alusão ao termo Big Brother, adotado na obra como apelido do chefe de Estado do respectivo regime.