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  • Projeto que proíbe bloqueio do WhatsApp avança na Câmara

    Projeto que proíbe bloqueio do WhatsApp avança na Câmara

    A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (2) o Projeto de Lei 6236/2016, que proíbe o bloqueio de aplicativos de mensagens instantâneas de uso público geral, como WhatsApp e Telegram. A proposta, de autoria da deputada Renata Abreu (Podemos-SP), altera o Marco Civil da Internet para incluir o direito dos usuários à continuidade desses serviços, mesmo em casos de decisões judiciais.

    A deputada Renata Abreu (Podemos-SP) é a autora da proposta.

    A deputada Renata Abreu (Podemos-SP) é a autora da proposta.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    O texto foi aprovado na forma de um substitutivo apresentado pela relatora, deputada Nely Aquino (Podemos-MG), que reforça a impossibilidade de banimentos integrais e propõe a adoção de mecanismos de opt-out. Pela proposta, usuários poderão gerenciar individualmente as comunicações que desejam receber e serão informados quando destinatários optarem por não receber mensagens.

    O relatório também argumenta que bloqueios amplos e automáticos de contas por parte dos aplicativos ferem princípios da liberdade de expressão e da proporcionalidade. A relatora citou ainda decisões do Supremo Tribunal Federal que consideraram inconstitucional o bloqueio de plataformas como forma de punir infrações isoladas.

    O projeto ainda precisa ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado na Câmara, ainda seguirá para o Senado. O texto havia sido desapensado de outra proposta em março e voltou a tramitar de forma independente.

  • Deputado propõe equiparar propaganda de bets às de álcool e cigarro

    Deputado propõe equiparar propaganda de bets às de álcool e cigarro

    O deputado Luciano Ducci (PSB-PR) iniciou a coleta de assinaturas para apresentar uma PEC que insere os jogos lotéricos no rol de produtos com propaganda comercial sujeita a restrições legais. A medida modifica o 4º do artigo 220 da Constituição, que já impõe limites a anúncios de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos e medicamentos.

    O texto prevê que campanhas publicitárias sobre modalidades lotéricas deverão conter, quando necessário, advertências sobre os malefícios de seu uso. São necessárias 171 adesões de parlamentares para que seja protocolada formalmente na Câmara dos Deputados.

    Luciano Ducci diz que medida visa conter promessas enganosas e proteger consumidores vulneráveis.

    Luciano Ducci diz que medida visa conter promessas enganosas e proteger consumidores vulneráveis.Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    Argumentos do autor

    Segundo Ducci, a proposta nasce da preocupação com a forma como essas apostas são divulgadas. “Assistir a um vídeo, navegar pelas redes sociais ou a qualquer momento online, estamos sujeitos a anúncios de todos os tipos. E, ultimamente, as bets estão no topo da lista dessas publicidades. Elas invadem nossas telas, com promessas de ganhos financeiros fáceis, muitas vezes se valendo da credibilidade de celebridades”, afirma o parlamentar.

    Na justificativa oficial da PEC, o parlamentar argumenta que as campanhas atuais frequentemente “mascaram os riscos envolvidos” e promovem “uma falsa sensação de fácil enriquecimento”. O texto aponta que operadores de apostas utilizam influenciadores digitais para estimular a prática sem esclarecer os perigos relacionados.

    Impacto sobre o consumidor

    O deputado destaca que a propaganda agressiva tem afetado especialmente os públicos mais vulneráveis. “É um problemão, pois quando o consumidor é uma criança ou alguém com menos familiaridade com a tecnologia, os danos podem ser ainda mais graves”, disse Ducci.

    Um estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) aponta que 63% dos brasileiros que apostam online ficam com parte de sua renda comprometida pela prática. A prática tem impactado até mesmo despesas essenciais, como alimentação e medicamentos. “Os números demonstram uma realidade alarmante e a necessidade mais do que evidente de colocar regras na forma como esses jogos se apresentam”, apontou.

    Para o parlamentar, a PEC é um passo essencial para evitar abusos nas campanhas de marketing voltadas ao setor. “As campanhas devem refletir a realidade dos riscos, sem criar falsas expectativas nos consumidores (…) A proteção ao consumidor é prioridade. Devemos agir para evitar que mais brasileiros sejam prejudicados por essa avalanche de promessas de dinheiro fácil”.

  • Câmara: Comissões permanentes ratificam emendas ao Orçamento de 2024

    Câmara: Comissões permanentes ratificam emendas ao Orçamento de 2024

    Comissões permanentes da Câmara ratificam emendas ao Orçamento de 2024.

    Comissões permanentes da Câmara ratificam emendas ao Orçamento de 2024.Sérgio Lima/Folhapress

    As comissões permanentes da Câmara dos Deputados iniciaram o processo de ratificação das emendas orçamentárias de 2024, suspensas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, devido à ausência de informações detalhadas sobre as indicações e os beneficiários. No final de 2024, o ministro suspendeu aproximadamente R$ 4 bilhões em emendas de comissões.

    Conforme previsto no Plano de Trabalho estabelecido entre o Judiciário e o Legislativo neste ano, bem como na resolução 1/25, que regulamenta a elaboração e execução das emendas parlamentares ao Orçamento, as comissões realizaram reuniões para ratificar as emendas. Segundo a Secretaria Legislativa do Congresso Nacional, as comissões do Senado já promoveram encontros para aprovar as planilhas contendo os apoiadores e beneficiários das emendas em execução.

    Na Câmara, 12 comissões precisam realizar essas reuniões e encaminhar as atas para a Comissão Mista de Orçamento. A Comissão de Saúde detém o maior volume de emendas. Durante a reunião da comissão, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) questionou o início da sessão sem a disponibilização das planilhas para análise.

    “Que a gente está aprovando hoje aqui algo que a gente não debateu, não discutiu, a gente só está chancelando o que foi feito. E por esta razão eu também já quero registrar, como eu não vi essas listas, não sei o que veio, eu já quero registrar aqui de antemão meu voto contra”, disse.

    O deputado Zé Vitor (PL-MG), presidente da comissão, informou que foram reunidas mais de 7.500 indicações de emendas e solicitou a suspensão da reunião até que todos os registros fossem efetuados. Ele expressou concordância com o deputado Osmar Terra (MDB-RS), que criticou a intervenção do STF no processo de elaboração do Orçamento.

    “Nenhum de nós aqui tem dificuldade em tratar de transparência, nenhum de nós tem dificuldade em tratar de execução orçamentária. O que nós não podemos, de fato, é ficarmos aqui sendo colocados frequentemente como alguém que descumpre preceitos constitucionais. Nós não fazemos isso aqui”, disse Terra.

    O deputado Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, mencionou que a comissão possuía duas emendas aprovadas, uma destinada à Aeronáutica e outra à Marinha. Com a execução da emenda da Aeronáutica, restou a ratificação da emenda da Marinha, voltada para a construção de navios-patrulha.

    A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) criticou a indicação de emendas de comissão por líderes partidários. Barros, no entanto, afirmou que a comissão se diferencia das demais.

    “Talvez a CREDN seja a única comissão que atende a projetos específicos das nossas Forças Armadas e não a pleitos individuais de deputados, que também são legítimos. Mas, em decorrência da temática da CREDN, as duas emendas que nós temos são as mesmas que já foram aprovadas no ano passado e que cabe a nós agora ratificar mais uma vez”, afirmou.

    Na reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a presidente, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), leu os nomes das deputadas que apoiaram as emendas destinadas a programas de combate à violência contra a mulher e a pesquisas relacionadas à atuação do Observatório da Mulher na Política.

    Após a sanção do Orçamento de 2025, as comissões precisarão se reunir novamente para indicar os novos recursos aprovados.

  • Isenção do IR terá relatório “consistente e preciso”, diz Lira

    Isenção do IR terá relatório “consistente e preciso”, diz Lira

    Relator do projeto de lei 1087/2025, que prevê isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, o deputado e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou em nota nesta quinta-feira (3) que buscará um relatório “consistente e preciso”. A proposta, que é prioridade do governo para este semestre, será discutida em comissão especial antes de ser enviada ao Plenário.

    “Vamos trabalhar de modo republicano e colaborativo, dialogando com nossos pares na Câmara, com o governo, com a sociedade e com representantes de segmentos econômicos, uma vez que o tema é plural e envolve setores diversos”, declarou. “No ritmo de discussões sobre este PL, vamos colher contribuições rumo a um relatório consistente e preciso. O PP, por exemplo, vai apresentar sugestões à relatoria. Outros partidos devem fazer o mesmo”, acrescentou.

    Arthur Lira protagonizou a aprovação da Reforma Tributária quando presidiu a Câmara.

    Arthur Lira protagonizou a aprovação da Reforma Tributária quando presidiu a Câmara.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    A principal sugestão do PP, seu partido, é de aumento da faixa do imposto mínimo real de 10% sobre a renda: o governo propõe que esta comece para quem recebe a partir de R$ 50 mil ao mês. A sigla sugere a faixa de R$ 150 mil, de modo a poupar contribuintes do Simples Nacional.

    O deputado relembrou seu papel de liderança na tramitação da Reforma Tributária como sinal de compromisso com o resultado. “Meu histórico de defesa da Reforma Tributária mostra a seriedade com a qual abordamos o tema da arrecadação de impostos no Brasil. Com o PL da isenção do IR não será diferente”.

    Ele reforçou que o objetivo é alcançar justiça fiscal sem sobrecarregar o contribuinte. “Queremos legar uma legislação justa ao país e aos contribuintes, sempre com base no compromisso de não aumentar a carga tributária, primando pela justiça fiscal e pelo equilíbrio das contas públicas”.

  • ADPF das Favelas: STF reconhece falhas e abusos na segurança do RJ

    ADPF das Favelas: STF reconhece falhas e abusos na segurança do RJ

    O Supremo Tribunal Federal (STF) firmou nesta quinta-feira (3) novas diretrizes para operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro. A decisão de julgamento da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, homologa parcialmente o plano de ação do governo do Rio de Janeiro com foco na redução da letalidade, no controle da atuação das forças de segurança e no respeito aos direitos fundamentais.

    No julgamento, a Corte reconheceu de forma unânime que a segurança pública fluminense ainda opera em desacordo com a Constituição. Por esse motivo, o governo do Rio de Janeiro deverá implementar mudanças legais e administrativas, sob acompanhamento regular de um comitê formado por instituições estaduais e nacionais para assegurar com que todas as prerrogativas de limitação do uso da força sejam cumpridas.

    Operações deverão seguir protocolos rígidos, usar câmeras e preservar vestígios de crimes.

    Operações deverão seguir protocolos rígidos, usar câmeras e preservar vestígios de crimes.Fernando Frazão/Agência Brasil

    Monitoramento e transparência

    Entre as determinações, está a obrigatoriedade de publicar dados detalhados sobre mortes sem autoria determinada em confrontos, tanto de civis quanto de policiais. O Estado também deverá adequar seus sistemas para registrar e divulgar informações sobre uso excessivo da força e sobre situações em que não se possa atribuir responsabilidade direta por disparos fatais.

    Esses dados precisarão ser encaminhados ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça. O objetivo, segundo o relator Edson Fachin, é garantir maior transparência e rastreabilidade nas ações policiais.

    Câmeras, perícia e protocolo em áreas sensíveis

    A decisão torna obrigatória a utilização de câmeras corporais durante operações não apenas pela Polícia Militar, mas também pela Polícia Civil, em situações de patrulhamento e diligência externa. As imagens deverão ser armazenadas digitalmente e ficarão disponíveis para investigação e controle externo.

    Além disso, o STF exige que o local de mortes em confrontos seja preservado e que a perícia criminal seja feita de forma independente, com documentação fotográfica e realização de autópsia. Agentes que atenderem ocorrências com óbitos devem evitar remoção dos corpos sem justificativa formal.

    Operações próximas a escolas, postos de saúde e hospitais seguirão protocolo rígido. Caso ocorram, os comandos das polícias terão de explicar por escrito a necessidade da ação nessas regiões, respeitando os horários de maior circulação de civis e sem transformar estruturas públicas em bases policiais.

    O uso de estabelecimentos públicos como base policial está proibido. Também foram fixadas diretrizes para buscas domiciliares: devem ocorrer de dia, mediante mandado, salvo flagrante delito justificado por elementos robustos, e ser devidamente registradas em auto circunstanciado.

    Fiscalização

    As medidas serão acompanhadas por um comitê composto por representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, do governo estadual, do Judiciário e da sociedade civil. O grupo deverá se reunir periodicamente e publicar relatórios semestrais.

    O prazo inicial do monitoramento é de quatro anos. O encerramento das atividades dependerá de avanços concretos na redução dos índices de violência desproporcional.

    Responsabilização, perícia e afastamento

    Casos de mortes por intervenção policial deverão ser investigados diretamente pelo Ministério Público, com prioridade para ocorrências que envolvam crianças e adolescentes. Agentes envolvidos em mais de uma ocorrência com morte no prazo de um ano poderão ser afastados preventivamente, desde que haja individualização da conduta.

    A decisão ainda veta a atuação de peritos vinculados à Polícia Civil em investigações que envolvam policiais civis, exigindo a designação de profissionais externos ou indicação formal de impossibilidade por parte do Ministério Público.

    Controle de armamento

    O STF recomendou a cooperação entre Estado e União para aprimorar o controle de armas e munições, inclusive com integração entre os sistemas federais e estaduais e adoção de marcações obrigatórias. Determinou ainda o envio da decisão ao Governo Federal para que sejam avaliadas medidas de apoio logístico e financeiro à Polícia Científica do Rio.

  • Governo antecipa 13º de aposentados do INSS para abril e maio

    Governo antecipa 13º de aposentados do INSS para abril e maio

    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assina decreto, durante solenidade Brasil dando a volta por cima.

    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assina decreto, durante solenidade Brasil dando a volta por cima.Ricardo Stuckert/Presidência da República

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira (3) o decreto que autoriza a antecipação do 13º salário para cerca de 34,2 milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios pagos pelo INSS. A medida, solicitada pelo ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, deve injetar R$ 73,3 bilhões na economia brasileira.

    A primeira parcela será paga entre 24 de abril e 8 de maio, e a segunda, entre 26 de maio e 6 de junho. Os pagamentos seguem o número final do cartão de benefício, sem considerar o dígito verificador. Beneficiários que recebem até um salário-mínimo (R$ 1.518) receberão primeiro; já quem recebe acima do piso terá o crédito entre 2 e 8 de maio.

    Aposentados e pensionistas do INSS terão o 13º salário antecipado para abril e maio

    Aposentados e pensionistas do INSS terão o 13º salário antecipado para abril e maioReprodução/INSS

    De acordo com dados da folha de pagamento de fevereiro, 70,5% dos segurados do INSS recebem até um salário-mínimo, o que equivale a 28,68 milhões de pessoas. Outros 11,98 milhões de beneficiários recebem acima do piso, sendo que 10,6 mil ganham o teto previdenciário, atualmente em R$ 8.157,41.

    O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, afirmou que a Dataprev foi acionada para processar a folha com o abono ainda neste mês. “Esse dinheiro é de extrema importância para ajudar aposentados e pensionistas do INSS”, declarou. Segundo o ministro Carlos Lupi, o objetivo dessa gestão é cuidar de aposentados e pensionistas do INSS.

    O decreto prevê que, nos casos de cessação programada do benefício antes de 31 de dezembro de 2025, o abono será pago de forma proporcional, com previsão de compensação caso os valores recebidos excedam o devido.

    Quem não tem direito ao 13º

    Não têm direito ao décimo terceiro salário os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, nem os beneficiários da Renda Mensal Vitalícia.

    Como consultar o extrato do 13º

    Para verificar valores e datas de pagamento, o segurado pode acessar o site ou aplicativo Meu INSS com CPF e senha, e consultar o item Extrato de Contribuição. Também é possível ligar para a Central 135, com atendimento de segunda a sábado, das 7h às 22h.

    O INSS reforça que não existe previsão legal para pagamento de um 14º salário no fim do ano. Informações que circulam sobre isso em redes sociais são falsas.

  • PP propõe que faixa do IR mais alto comece a partir de R$ 150 mil

    PP propõe que faixa do IR mais alto comece a partir de R$ 150 mil

    O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), anunciou na manhã desta quinta-feira (3) que o partido pretende mudar o projeto de isenção do Imposto de Renda enviado pelo governo Lula para que as taxações mais altas sejam aplicados a quem tiver renda mensal de R$ 150 mil e não R$ 50 mil, como o governo propôs. A ideia, de acordo com o senador, seria poupar do imposto mais alto as microempresas e os profissionais liberais, médicos, advogados, que trabalham e recebem seus rendimentos.

    O senador Ciro Nogueira (PP-PI) preside o PP, legenda que ficou com a relatoria do projeto.

    O senador Ciro Nogueira (PP-PI) preside o PP, legenda que ficou com a relatoria do projeto.Roque de Sá/Agência Senado

    A proposta foi anunciada em entrevista coletiva a jornalistas, na Câmara dos Deputados, com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Caberá ao relator da proposta da Casa, Arthur Lira (PP-AL), decidir se inclui a mudança no projeto. A tendência é que isso aconteça, já que Lira é filiado ao mesmo partido.

    Compensação virá de outros lugares

    A proposta do governo de aumentar a taxação de quem ganha R$ 50 mil ou mais serve como medida compensatória. A ideia é que essa arrecadação extra sirva para compensar a perda de impostos que viria com a isenção de quem ganha até R$ 5 mil: taxa-se a mais quem está no topo da pirâmide para aliviar quem está na base.

    A alternativa do PP diminui a arrecadação dos impostos dessa origem, ao encolher a faixa dos que pagam. No plano do partido, a compensação será complementada de outras formas:

    • O partido propõe um corte linear de 2,5% nas isenções tributárias do Brasil, de um modo geral. Seriam preservados desse corte, segundo Ciro Nogueira, o Simples Nacional, o MEI, as deduções e isenções do imposto de renda de despesas médicas e de educação, as isenções a entidades filantrópicas, taxistas, donas de casa, deficientes através da compra de automóveis, as motocicletas, medicamentos, benefícios ao trabalhador, Fundo da Criança e Fundo do Idoso.
    • A proposta ainda coloca na mesa um aumento de 5% no CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de grandes bancos e instituições financeiras. A regra proposta faria com que apenas as 17 maiores instituições do país fossem atingidas pelo alíquota maior.

    Leia aqui o documento do PP com a íntegra das propostas.

  • STF retoma julgamento da ADPF das Favelas nesta quinta-feira

    STF retoma julgamento da ADPF das Favelas nesta quinta-feira

    Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na tarde desta quinta-feira (3) o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. A ação discute as restrições impostas às operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro, com foco na redução da letalidade dessas ações.

    O processo foi protocolado em 2019 pelo PSB, e chegou ao plenário com diversas decisões liminares já tomadas ao longo dos últimos anos. O relator, ministro Edson Fachin, votou em fevereiro pela manutenção das medidas, e agora os demais ministros devem apresentar seus votos.

    Ação é criticada por parlamentares da frente segurança pública e pelo governador Cláudio Castro.

    Ação é criticada por parlamentares da frente segurança pública e pelo governador Cláudio Castro.Tânia Rêgo/Agência Brasil

    A análise definitiva pode levar à homologação do plano apresentado pelo governo estadual ou à imposição de novas obrigações para adequar a política de segurança às normas constitucionais.

    Medidas em vigor

    Entre as determinações feitas pela Corte estão restrições ao uso de helicópteros, autorizados apenas em casos de estrita necessidade, e a exigência de presença de ambulâncias em operações. Também foi proibido o ingresso em residências com base exclusiva em denúncia anônima, e vedado o uso de escolas, hospitais e postos de saúde como base operacional.

    Outras medidas incluem o uso obrigatório de câmeras em fardas e viaturas, acompanhamento psicológico para policiais envolvidos em ações com mortos, preservação de locais de crime e produção de relatórios de cada operação, que devem ser encaminhados ao Ministério Público.

    O ministro Fachin reforçou que as restrições não impedem o trabalho da polícia nem favorecem o crime organizado. Para ele, as determinações visam garantir a legalidade das ações e proteger a população.

    Contexto internacional

    A ação menciona a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) no caso da Favela Nova Brasília. A sentença aponta omissão do Estado do Rio na adoção de medidas para conter a letalidade policial e estabelece obrigações para o cumprimento de direitos humanos. As decisões da Corte IDH são vinculantes para o Brasil.

    O STF também recebeu, em abril de 2024, um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento conclui que a transparência nas operações e a fiscalização pelo Ministério Público são fundamentais para garantir o controle da atividade policial.

    Oposição

    As medidas decorrente da ADPF das Favelas são frequentemente criticadas por integrantes da Frente Parlamentar da Segurança Pública, bloco no Congresso Nacional que defende o endurecimento das normas penais. O grupo afirma que as restrições dificultam o combate ao crime organizado em áreas controladas por facções.

    O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, concorda com esse posicionamento. Além dele, o presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou após sua posse a intenção de votar um projeto de lei que revoga as decisões decorrentes da ADPF das favelas.

  • Leia o discurso de Lula na cerimônia por dois anos de governo

    Leia o discurso de Lula na cerimônia por dois anos de governo

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na manhã desta quinta-feira (3) na cerimônia O Brasil Dando a Volta por Cima, que celebrou os dois anos de seu atual mandato. No evento, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, Lula afirmou que o país está reconstruído após o que chamou de terra arrasada deixada pelo governo anterior. O presidente exaltou dados econômicos, celebrou conquistas sociais, anunciou novas medidas e reagiu à decisão dos Estados Unidos de sobretaxar produtos brasileiros, prometendo defender empresas nacionais com base na nova Lei de Reciprocidade Econômica.

    O presidente Lula na cerimônia que marca os dois anos de seu mandato.

    O presidente Lula na cerimônia que marca os dois anos de seu mandato.Ton Molina/Fotoarena/Folhapress

    Lula fez uma fala breve, sem improvisos. Leia a íntegra do discurso do presidente abaixo:

    “Minhas amigas e meus amigos,

    ao longo deste evento, apresentamos um breve balanço daquilo que fomos capazes de realizar em apenas dois anos.

    A começar pela reconstrução de um país deixado em ruínas pelo governo anterior.

    O Brasil é um país que volta a sonhar e ter esperança.

    Um Brasil que dá a volta por cima e deixa de ser o eterno país do futuro, para construir hoje o seu futuro.

    Com mais desenvolvimento e mais inclusão social, mais tecnologia e mais humanismo.

    Um país menos desigual e mais justo.

    Que investe em saúde, educação e demais serviços públicos de qualidade.

    Que não tolera ameaças à democracia.

    Que não abre mão de sua soberania.

    Que não bate continência para nenhuma outra bandeira que não seja a bandeira verde-amarela.

    Que fala de igual para igual e respeita todos os países, do mais pobre ao mais rico, mas que exige reciprocidade de tratamento.

    Defendemos o multilateralismo e o livre-comércio, e responderemos a qualquer tentativa de impor um protecionismo que não cabe mais no mundo de hoje.

    Diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender as nossas empresas e os nossos trabalhadores brasileiros.

    Tendo como referência a Lei de Reciprocidade Econômica aprovada ontem pelo Congresso Nacional e as diretrizes da Organização Mundial do Comércio.

    Minhas amigas e meus amigos,

    Quando cheguei pela terceira vez à Presidência, a sensação que tive foi a de uma pessoa que volta para casa depois de muito tempo, e em vez da casa só encontra as ruínas.

    Foi a mesma sensação de um trabalhador rural que volta ao campo para plantar, e só encontra a terra arrasada.

    O Brasil era uma casa em ruínas. Uma terra arrasada.

    Em apenas dois anos de muito trabalho, nós arrumamos a casa. Refizemos os alicerces, erguemos de novo as paredes.

    Aramos a terra, semeamos, regamos com carinho, e estamos colhendo os resultados.

    O Brasil está de novo entre as dez maiores economias do mundo.

    Mais de 24 milhões de pessoas ficaram livres da fome. É o equivalente a um estádio de futebol lotado saindo do mapa da fome por dia.

    Um estádio com jogo do Corinthians, é bom dizer.

    O desemprego é o menor dos últimos 12 anos. A pobreza e a extrema pobreza caíram aos menores níveis da história.

    Isentamos do imposto de renda quem ganha até dois salários mínimos.

    Enviamos ao Congresso Nacional projeto de lei isentando do imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil reais.

    O Novo PAC é o maior programa de infraestrutura que o país já viu, com mais de 20 mil obras em andamento de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias, a maternidades, escolas, creches e centros esportivos.

    Com a Nova Indústria Brasil, a produção industrial voltou a crescer depois de anos de estagnação, gerando milhares de empregos.

    O investimento em inovação na indústria é o maior dos últimos 30 anos.

    Aprovamos com apoio do Congresso a Reforma Tributária. Uma reforma mais justa, aguardada há mais de 40 anos.

    Isto é investir no futuro.

    E novos anúncios estão chegando. O Minha Casa, Minha Vida passará a beneficiar também a classe média.

    Com a atualização do programa Celular Seguro, o governo vai aumentar a proteção dos cidadãos contra os roubos de aparelhos, e fortalecer o enfrentamento ao crime organizado.

    Vem aí a TV 3.0, o sistema que vai fazer o casamento definitivo da TV aberta com a internet.

    Com isso, a população brasileira terá acesso à televisão de última geração, com imagens e som de altíssima definição.

    Isso significa mais informação e mais qualidade para a população brasileira.

    Ainda há muito a ser feito. Precisamos da união de todos, para derrotar o ódio, a desinformação e a mentira.

    Sabemos dos enormes desafios que temos pela frente. Mas sabemos também da extraordinária força de vontade e da capacidade de trabalho do povo brasileiro.

    Minhas amigas e meus amigos,

    O Brasil está no rumo certo. Gerando renda e oportunidade para quem quer melhorar de vida. Cuidando de todas as pessoas, sobretudo de quem mais precisa.

    Este é o Brasil que estamos construindo. O Brasil dos brasileiros. O Brasil do futuro.

    Muito obrigado.”

  • Congresso tem que ser a “voz dos produtores”, diz Nelsinho Trad

    Congresso tem que ser a “voz dos produtores”, diz Nelsinho Trad

    O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) defendeu nesta quarta-feira (2) uma revisão da política brasileira de comércio exterior diante da decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas a produtos importados, incluindo os do Brasil. Em discurso no plenário, ele afirmou que o Congresso Nacional deve atuar como voz dos produtores e se posicionar contra medidas que penalizem o setor produtivo nacional.

    O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) preside a Comissão das Relações Exteriores na Casa

    O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) preside a Comissão das Relações Exteriores na CasaAndressa Anholete/Agência Senado

    Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho anunciou a proposta de uma missão parlamentar aos Estados Unidos para dialogar com autoridades e buscar uma solução negociada. É hora de uma reação planejada e inteligente, afirmou. O senador disse ainda que o Brasil precisa rever seus acordos comerciais com planejamento, previsibilidade e inteligência, tal como fazem os norte-americanos.

    O parlamentar destacou a aprovação, pelo Senado, do projeto de lei da reciprocidade econômica, que permite ao governo brasileiro adotar medidas contra barreiras comerciais impostas por outros países. Para ele, esse tipo de mecanismo deve caminhar junto com a busca por diálogo e entendimento. Se não está dando certo de um lado, vamos abrir a porta do outro. O produtor brasileiro não pode ser o elo mais frágil dessa cadeia de conflito global, disse.

    Nelsinho também alertou que as novas tarifas não foram uma surpresa, pois já haviam sido anunciadas durante a campanha de Donald Trump. Por isso, segundo ele, o país precisa se preparar com uma política externa responsável e coordenada entre o governo, o setor produtivo e o Congresso.