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  • Lula explica presença de Lira e Pacheco no Japão: “Rei é sempre rei”

    Lula explica presença de Lira e Pacheco no Japão: “Rei é sempre rei”

    O presidente Lula defendeu na noite de quarta-feira a presença do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e do deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidentes da Câmara e do Senado, na comitiva da sua viagem a Tóquio, no Japão. Segundo Lula, os antigos comandantes do Legislativo foram chamados porque “na minha cabeça, rei morto não é rei posto. Rei é sempre rei”.

    Lula viajou ao Japão com uma comitiva que reuniu ministros de Estado, parlamentares do Congresso Nacional e líderes de entidades sindicais. Os atuais presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também estavam na viagem.

    Questionado sobre o que foi conversado no translado até a Ásia, Lula desconversou: “Fiz questão que a gente não fizesse nenhuma discussão no avião que a gente pudesse fazer em terra”.

    “Não seria prudente”, completou. “Imagina todo mundo viajar de cara feia no avião”.

    Lula entre os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL):

    Lula entre os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL): “Rei morto não é rei posto”Pedro Ladeira/Folhapress

  • Reforma tributária: relator quer votar comitê gestor do IBS até julho

    Reforma tributária: relator quer votar comitê gestor do IBS até julho

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM) anunciou que irá apresentar, na próxima quarta-feira (2), durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o plano de trabalho para a análise do segundo projeto da regulamentação da reforma tributária. Braga é o relator do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2024, que propõe a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

    Após participar da reunião do colégio de líderes nessa quarta-feira (27), o parlamentar destacou que, apesar de ainda não haver data definida para a votação do texto, a expectativa é concluir os debates ainda no primeiro semestre. “Não dá para estabelecer uma data para a votação, pois ainda vamos realizar audiências públicas, mas a ideia é resolver no primeiro semestre”, afirmou.

    Eduardo Braga e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre

    Eduardo Braga e o presidente do Senado, Davi AlcolumbreFlickr/Eduardo Braga

    O projeto foi aprovado na Câmara em outubro do ano passado. O texto, apresentado pelo governo, estabelece as normas de governança do Comitê Gestor do IBS, tributo que, após a implementação da reforma, deverá substituir os atuais ICMS e ISS.

    Ao contrário do sistema atual, que atribui a gestão do ICMS aos estados e do ISS aos municípios, novo sistema adotado com a reforma tributária prevê uma tributação única sobre bens e serviços, que ficará a cargo deste comitê nacional formado por representantes dos entes federativos. O texto tramita em regime de urgência graças ao requerimento aprovado na segunda-feira.

    A lógica desse mecanismo é evitar a chamada “guerra fiscal”, fenômeno decorrente da disputa entre estados e municípios para oferecer maiores benefícios fiscais ao setor produtivo, prática que acabou comprometendo o orçamento de diversas unidades da federação.

  • Câmara terá subcomissão para acompanhar a COP30

    Câmara terá subcomissão para acompanhar a COP30

    A Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (26) o requerimento da deputada Duda Salabert (PDT-MG) que define a criação de uma subcomissão encarregada de acompanhar a COP30, bem como de representar o colegiado junto à presidência da cerimônia que acontece em novembro, em Belém (PA).

    Colegiado terá cinco titulares e cinco suplentes.

    Colegiado terá cinco titulares e cinco suplentes.Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A subcomissão terá cinco titulares e cinco suplentes. O requerimento original tinha prazo estabelecido para o mês de dezembro, mas a presidente da comissão, deputada Elcione Barbalho (MDB-PA) sugeriu estender para toda a duração da atual sessão legislativa, mudança que foi aceita pelos demais.

    Os membros do colegiado ainda serão definidos. Com a sua criação, tanto a Câmara quanto o Senado, que realizou um movimento equivalente antes, passarão a ter representantes definidos tanto para auxiliar nos atos preparatórios quanto para atuar no andamento da COP30.

  • Internet reage com memes após Bolsonaro virar réu no STF

    Internet reage com memes após Bolsonaro virar réu no STF

    Logo após a decisão do STF que tornou Jair Bolsonaro e seus aliados réus por tentativa de golpe de Estado, as redes sociais foram tomadas por uma enxurrada de memes.

    Usuários comentaram com bom humor e muita criatividade o novo desdobramento do caso, transformando o momento em um dos assuntos mais comentados do dia na internet.

  • Senado discute PEC que inclui saneamento como direito constitucional

    Senado discute PEC que inclui saneamento como direito constitucional

    PEC do saneamento tramita no plenário do Senado.

    PEC do saneamento tramita no plenário do Senado.Freepik

    O plenário do Senado deu continuidade, nesta quarta-feira (26), à discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 2/2016, que reconhece o acesso ao saneamento básico como um direito social garantido pela Constituição. A sessão marcou a segunda rodada de debate em primeiro turno, mas foi encerrada sem a inscrição de oradores. A matéria será incluída novamente na pauta para continuidade da discussão. A proposta tem como autor o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).

    Leia o texto inicial da PEC.

    A PEC propõe a inclusão do saneamento básico no artigo 6º da Constituição Federal, ao lado de direitos sociais já consagrados, como educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, alimentação, previdência social e segurança. A matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2022 e agora avança no plenário.

    Dados do Instituto Trata Brasil, com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), mostram a urgência do tema: cerca de 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto, e 35 milhões vivem sem abastecimento de água tratada. Segundo a mesma pesquisa, cada real investido em saneamento representa uma economia de R$ 4 para o sistema de saúde.

    O Portal Saneamento Básico também destaca os riscos da ausência de infraestrutura, listando doenças associadas à falta de tratamento de água e esgoto, como febre amarela, hepatite, leptospirose, febre tifoide, além de infecções na pele e nos olhos.

    Embora o saneamento esteja intrinsecamente ligado ao direito à saúde, Randolfe argumenta que o tema costuma ser negligenciado nas políticas públicas. Por isso, defende a inclusão explícita do saneamento como um direito social na Constituição, para garantir maior atenção e prioridade à sua implementação.

    Para ser aprovada, a PEC precisa do voto favorável de pelo menos três quintos dos parlamentares de cada Casa (49 senadores e 308 deputados) em dois turnos de votação. Antes disso, o texto precisa passar por cinco sessões de discussão no primeiro turno e três no segundo.

  • Deputado propõe compensar Estados e municípios por isenção ao IR

    Deputado propõe compensar Estados e municípios por isenção ao IR

    O deputado federal Pauderney Avelino (União-AM) apresentou nesta quarta-feira (26) uma emenda ao projeto apresentado pelo governo de aumento da isenção do Imposto de Renda, com o objetivo de compensar Estados e municípios por perdas na arrecadação provocadas pela medida. O parlamentar sugere que a União compense os entes federados que sofrerem eventuais prejuízos.

    Proposta visa evitar queda na arrecadação com a redução do IR para servidores públicos.

    Proposta visa evitar queda na arrecadação com a redução do IR para servidores públicos.Mario Agra / Câmara dos Deputados

    Questão financeira

    O motivo da emenda está relacionado à forma como o IR é distribuído entre os entes. Uma parcela da arrecadação com o imposto vem da retenção na fonte sobre os salários de servidores públicos estaduais e municipais. Com a ampliação da isenção, muitos desses servidores deixarão de pagar o tributo, reduzindo os valores recolhidos diretamente pelas administrações locais. Além disso, a Constituição determina que parte do tributo arrecadado pela União seja repassada aos Estados e municípios por meio de fundos de participação.

    Os estudos realizados sobre a proposta variam em relação ao tamanho da perda arrecadatória para os Estados e municípios. O Comitê Nacional dos Secretários Estaduais de Fazenda (Comsefaz) estima algo pouco abaixo de R$ 12 bilhões, com maior pressão sobre as grandes cidades. O governo já calcula cerca de R$ 5 bilhões.

    Argumentos do deputado

    “Estamos de pleno acordo com a redução do imposto de renda para os trabalhadores, mas temos um problema. Esse PL afetará as transferências constitucionais feitas às Prefeituras e Governos Estaduais, que terão suas receitas reduzidas. Por isso, estamos propondo a compensação destes recursos”, justificou Pauderney.

    “Queremos, com a nossa emenda, garantir a integralidade dos recursos dos Estados, municípios e ao Distrito Federal. A crise econômica já impacta diretamente a arrecadação de todos os entes federativos e, consequentemente, a base tributária”, acrescentou.

    O parlamentar argumenta que a medida é necessária para equilibrar os efeitos da proposta federal e evitar que a desoneração fiscal prejudique o financiamento de políticas públicas nos âmbitos estadual e municipal. “Os municípios, em particular, enfrentam desequilíbrios crônicos no pacto federativo”, afirmou. Para ele, a emenda assegura autonomia financeira às prefeituras e governos estaduais, preservando a capacidade de investimento e manutenção dos serviços à população.

    A emenda está em fase de coleta de assinaturas e deverá ser discutida na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, onde se encontra o projeto. O colegiado já aprovou um requerimento de realização de uma audiência pública com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que poderá ser provocado para abordar

  • Senado aprova uso de tornozeleira eletrônica para agressor de mulher

    Senado aprova uso de tornozeleira eletrônica para agressor de mulher

    Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária

    Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordináriaJefferson Rudy/Agência Senado

    O Senado aprovou nesta quarta-feira (26) o projeto de lei 5.427/2023, que amplia a proteção a mulheres vítimas de violência doméstica ao permitir o uso de tornozeleira eletrônica para monitorar os agressores. A proposta, de origem na Câmara dos Deputados, altera a Lei Maria da Penha (lei 11.340/2006) para prever a monitoração eletrônica como parte das medidas protetivas de urgência. A proposta será enviada à sanção presidencial.

    O texto determina que, durante a vigência da medida protetiva, o agressor poderá ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica. Além disso, a proposta prevê que tanto a vítima quanto as autoridades policiais sejam alertadas em caso de aproximação indevida, por meio de um dispositivo de segurança.

    O relator da matéria na Comissão de Direitos Humanos (CDH), senador Paulo Paim (PT-RS), também presidente do colegiado, apresentou um substitutivo ao texto original. Ele retirou a exigência de que o dispositivo de segurança fosse necessariamente vinculado a um telefone celular, considerando a proposta excessivamente detalhada. Em vez disso, deixou a definição da tecnologia a cargo dos órgãos de segurança pública. Paim aproveitou parte do texto do PL 5.512/2023, do senador Magno Malta (PL-ES) – os projetos tramitam em conjunto.

    Para Paim, o monitoramento eletrônico fortalece a eficácia das medidas protetivas e pode salvar vidas. Ele destacou que o instrumento permitirá que a vítima seja alertada com antecedência em caso de risco iminente.

    “Infelizmente, não é raro assistirmos nos noticiários casos de mulheres assassinadas mesmo após a imposição de medidas protetivas contra o agressor”, lamentou o senador.

    Medida protetiva não pode ser só um pedaço de papel. É preciso garantir que ela realmente proteja quem está em risco, afirmou a líder da bancada feminina no Senado, Leila Barros (PDT-DF). “Com esse sistema de monitoramento e alerta, a vítima poderá ter a chance de procurar um local seguro e acionar as autoridades”, acrescentou.

    O uso da tornozeleira eletrônica como ferramenta de proteção às mulheres também é tema de outro projeto em análise no Senado, o PL 1.781/2022.

  • PL que protege estudantes por gravidez ou adoção vai à sanção

    PL que protege estudantes por gravidez ou adoção vai à sanção

    Senado aprova PL que proíbe discriminação de estudantes por gravidez ou adoção.

    Senado aprova PL que proíbe discriminação de estudantes por gravidez ou adoção.Freepik

    O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (26) o projeto de lei 475/2024, que proíbe qualquer forma de discriminação contra estudantes e pesquisadores por motivo de gestação, parto, nascimento de filho ou adoção. A proposta, originária da Câmara dos Deputados, visa garantir igualdade de condições nos processos seletivos para bolsas de estudo e pesquisa em instituições de ensino superior e agências de fomento. A matéria agora vai à sanção presidencial.

    O projeto também considera discriminatória a realização de perguntas de cunho pessoal sobre planejamento familiar durante entrevistas nos processos seletivos. Em caso de descumprimento da norma, a proposta prevê a instauração de procedimento administrativo contra os responsáveis pela prática discriminatória.

    Outro ponto importante do texto é a ampliação do período de avaliação da produtividade científica para mulheres que se afastarem por licença-maternidade. Nesses casos, o prazo será estendido em dois anos, além do tempo originalmente estipulado pela instituição de fomento.

    A proposta busca promover mais equidade no ambiente acadêmico e científico, especialmente para mulheres, assegurando que a maternidade ou a adoção não sejam fatores de exclusão ou desvantagem em suas trajetórias educacionais e profissionais.

  • Tentativa de golpe: entenda a corrida de obstáculos para a anistia

    Tentativa de golpe: entenda a corrida de obstáculos para a anistia

    Para cruzar a linha de chegada da anistia dos envolvidos nos atos golpistas, os apoiadores da medida terão de vencer uma corrida de obstáculos no Congresso. Cada vez considerada mais prioritária pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, a proposta terá de superar barreiras legislativas, políticas e jurídicas para se tornar realidade.

    A medida estará sujeita, inclusive, ao crivo dos dois principais alvos dos bolsonaristas: o presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), responsáveis, respectivamente, pela sanção da lei e pela palavra final sobre a constitucionalidade da anistia aos acusados de planejar o golpe de Estado.

    Milhares de pessoas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo e o Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023

    Milhares de pessoas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo e o Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O Código Penal define anistia como o perdão dado a um ou mais indivíduos que respondem por crimes na Justiça. Na prática, o Estado perde o direito de punir quem praticou os atos considerados criminosos mencionados.

    Sanção de Lula

    O artigo 48 da Constituição Federal, que trata das atribuições do Congresso Nacional, estabelece que cabe à Câmara e ao Senado a aprovação de anistia, por meio de projeto de lei, com a sanção do presidente da República. Ou seja, se for aprovada, a proposta será submetida a Lula, que terá 15 dias úteis para concordar ou não com a medida.

    “Projeto de lei ordinária ou complementar, que tem tramitação nas duas Casas, tem de ser sancionado ou vetado pelo presidente da República”, explica o professor de Processo Legislativo Miguel Gerônimo, especialista nos regimentos da Câmara, do Senado e do Congresso.

    “Sendo uma lei, ela tem de ser sancionada. Toda lei é fruto do Congresso. Caso contrário, é outro ato normativo”, reforça a professora Eneá Stutz e Almeida, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), ao refutar o argumento de que, por ser um ato do Congresso, a anistia estaria sujeita a promulgação, sem necessidade de passar pelo crivo presidencial.

    No caso de vetos, deputados e senadores são obrigados a se reunir em sessão conjunta para analisar a decisão presidencial. O presidente tem 48 horas para enviar suas justificativas ao presidente do Congresso. A partir desse momento, começa a contar o prazo de 30 dias corridos para a deliberação. O prazo, no entanto, nem sempre é respeitado. Para derrubar um veto é necessário o apoio de pelo menos 257 deputados e 41 senadores. Se uma das Casas não alcançar a maioria, a decisão do presidente é mantida.

    Artigo 48 da Constituição Federal prevê sanção para projeto de lei da anistia

    Artigo 48 da Constituição Federal prevê sanção para projeto de lei da anistiaReprodução

    Pressão sobre Hugo Motta

    Tramitam nas duas Casas, atualmente, dez projetos de lei que concedem anistia aos acusados de tentativa de golpe. O clamor pela aprovação da proposta tende a crescer, no Parlamento, com a provável aceitação da denúncia do Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro e outros sete aliados do chamado núcleo crucial da trama golpista. Depois de um longo dia de discussões nessa terça-feira (25), os ministros devem decidir se aceitam ou não abrir ação penal contra eles nesta quarta-feira (26).

    A oposição aguarda o retorno do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de viagem com o presidente Lula à Ásia, para apresentar na próxima semana um requerimento de urgência para acelerar o andamento do projeto de lei de anistia. A intenção é trazer a votação da proposta (PL 2858/22) diretamente para o plenário da Câmara. O requerimento de urgência, por si só, não é garantia de votação. “Há centenas deles no plenário”, lembra Miguel Gerônimo. 

    Sóstenes Cavalcante encabeça movimento pró-anistia na Câmara

    Sóstenes Cavalcante encabeça movimento pró-anistia na CâmaraBruno Spada/Agência Câmara

    O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que Hugo se reunirá no próximo dia 1º com outras lideranças que apoiam a anistia para avaliar a possibilidade de incluir o item na pauta na semana seguinte. Caso contrário, adiantou, a bancada usará o regimento interno para impedir as votações. O partido de Bolsonaro tem a maior representação na Casa, com 92 deputados.

    Sóstenes afirma que cerca de 300 dos 513 deputados são favoráveis à anistia, número que garante uma maioria folgada. Para a aprovação de projeto de lei, basta haver maioria de votos entre os parlamentares presentes.

    Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) considera que não há apoio suficiente para se aprovar uma anistia pura. “Para a moderação das penas”, sim, disse ele ao Congresso em Foco. “Nesse caso, se o Bolsonaro for retirado do projeto, fica mais fácil ainda”, acrescentou.

    Comissão especial

    Junto com o PL 2858, de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que foi líder do governo Bolsonaro, há outras cinco propostas de teor semelhante na Câmara. Em outubro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), então liderada pela deputada Caroline de Toni (PL-SC), chegou a pautar a votação do projeto.

    A proposta de Major Vitor Hugo prevê:

    • perdão por crimes previstos no Código Penal relacionados às manifestações;
    • o cancelamento de multas aplicadas pela Justiça;
    • a manutenção dos direitos políticos;
    • a revogação de medidas, transitadas em julgado ou não, que limitem a liberdade de expressão em meios de comunicação social e em redes sociais.

    No papel

    De olho na pressão popular e nas articulações pela disputa da presidência da Câmara, o então presidente, Arthur Lira (PP-AL), retirou o texto da CCJ poucos minutos antes da votação e determinou a criação de uma comissão especial para analisar o assunto. Cinco meses depois, o colegiado não foi instalado.

    Hugo Motta deve decidir o andamento do projeto na Câmara nas próximas semanas

    Hugo Motta deve decidir o andamento do projeto na Câmara nas próximas semanasMarina Ramos/Agência Câmara

    O tema deve ser devidamente debatido pela Casa. Mas não pode jamais, pela sua complexidade, se converter em indevido elemento de disputa política, especialmente no contexto das eleições futuras para a Mesa Diretora da Câmara, disse Lira.

    Cautela

    Sucessor e aliado de Lira, Hugo Motta tem adotado discurso cauteloso sobre o assunto, evitando criar briga com o governo e com o Judiciário, mas sem desagradar também aos bolsonaristas que apoiaram sua candidatura.

    Em uma de suas declarações mais abertas sobre a anistia, Hugo defendeu a tese de que não houve tentativa de golpe no 8 de janeiro de 2023. “O que aconteceu não pode ser admitido novamente, foi uma agressão às instituições. Agora, querer dizer que foi um golpe Golpe tem que ter um líder, uma pessoa estimulando, tem que ter apoio de outras instituições interessadas, e não houve isso”, declarou ele em entrevista à rádio Arapuan, da Paraíba, em 7 de fevereiro.

    Ainda assim, ressaltou, é preciso tranquilidade antes de levar o projeto a votação. “É um assunto que divide a Casa, que gera tensionamento com o Judiciário e com o Executivo. Por isso, o nosso cuidado em tratar sobre o tema. Eu não posso chegar aqui dizendo que vou pautar a anistia na semana que vem ou não vou pautar de jeito nenhum”, afirmou na mesma ocasião.

    Resistência de Davi

    Se passar pela Câmara, o projeto deve enfrentar maior resistência no Senado a começar pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AC). O senador já disse que não considera a votação da proposta prioritária nem para o Congresso nem para o Brasil.

    “A agenda do brasileiro não é essa. É preciso trabalhar todos os dias, incansavelmente, para diminuir a pobreza no país”, disse logo após sua eleição e posse como presidente, em 1º de fevereiro.

    Divisão

    Três semanas depois, Davi voltou a se posicionar. Isso não é um assunto que nós estamos debatendo. “Quando a gente fala desse assunto em todo instante, a gente está dando, de novo, a oportunidade de nós ficarmos, na nossa sociedade, dividindo um assunto que não é um assunto dos brasileiros”, afirmou.

    Em entrevista à RedeTV!, em 27 de fevereiro, o presidente do Senado defendeu uma “mediação e modulação” nas penas impostas pelo Supremo aos envolvidos no 8 de janeiro. “Ela não pode ser uma anistia para todos de maneira igual. E ela também não pode nas decisões do Judiciário ser uma punibilidade para todos na mesma gravidade”, avaliou.

    Na gaveta

    No Senado, há quatro projetos de lei sobre anistia apresentados após os atos golpistas. Entre eles está o PL 5064/23, de autoria do ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O senador e general propõe perdão para aqueles acusados ou condenados pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito em razão dos atos de 8 de janeiro.

    Outras três propostas tramitam em conjunto. Uma delas, do senador Márcio Bittar (União-AC), vai além ao tentar revogar a inelegibilidade de Bolsonaro e reabilitar seus direitos políticos imediatamente.

    Voto declarado

    O pacote, no entanto, está parado na Comissão de Defesa da Democracia desde outubro de 2023. A relatoria está nas mãos do senador Humberto Costa (PE), atual presidente do PT. A posição do petista é clara. “Golpistas não merecem anistia, merecem justiça. Quem ataca a democracia deve responder por cada ato de violência e destruição”, escreveu Humberto em suas redes no último dia 18.

    Se for analisado pela Comissão de Defesa da Democracia, o texto será submetido ainda à Comissão de Direitos Humanos e, posteriormente, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No Senado, diferentemente da Câmara, a oposição avalia que terá de trabalhar mais para alcançar os votos necessários para aprovar a proposta.

    Obstáculos no Supremo

    Caso vença a corrida de obstáculos na Câmara, a anistia ainda estará sujeita a contestações no Supremo Tribunal Federal a respeito de sua constitucionalidade. De acordo com um balanço divulgado pelo Supremo no início do ano, 497 pessoas já haviam sido condenadas pelos atos de 8 de janeiro em dois anos. A denúncia em análise pelo Supremo sobre a trama golpista envolve 34 pessoas ao todo.

    A anistia é geralmente aplicada a crimes políticos, mas é vedada para crimes como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e aqueles definidos como hediondos, como estupro, e inafiançáveis, como racismo.

    O criminalista Alberto Toron disse ao site Migalhas, em dezembro, que, como os crimes contra o Estado Democrático de Direito não estão entre os vedados pelo Código Penal, há margem para uma lei de anistia, conforme o apoio político recebido pela medida.

    Relator dos processos sobre a trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes, em decisões sobre os atos antidemocráticos, levantou a possibilidade de alguns deles serem classificados como terrorismo, utilizando os termos “ato terrorista” e “criminosos terroristas”.

    Inconstitucionalidade

    A professora de Direito da UnB, Eneá Stutz e Almeida, conselheira e ex-presidente da Comissão de Anistia, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, entende que não há possibilidade de o STF manter a anistia caso ela seja aprovada pelo Congresso.

    Eneá Stutz, da UnB e da Comissão de Anistia, vê inconstitucionalidade em proposta

    Eneá Stutz, da UnB e da Comissão de Anistia, vê inconstitucionalidade em propostaLula Marques/Agência Brasil

    Segundo ela, o que os parlamentares discutem nos projetos apresentados é uma anistia política de esquecimento. Esse instrumento, frisa ela, contraria convenções de direitos humanos das quais o Brasil é signatário e a própria Constituição.

    Eles pedem anistia política de esquecimento. É por isso que o próprio ex-presidente fala em passar uma borracha em tudo que aconteceu para podermos nos reconciliar. Em síntese, a Constituição não admite leis de anistia política de esquecimento, em especial por causa do art. 8º do ADCT, que comanda a Justiça de transição no Brasil.

    O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, ao qual a professora de Direito se refere, é um conjunto de normas que regulam transições e adaptações da Constituição brasileira.

    Memória x esquecimento

    “Eu defendo que a anistia política de 1979 foi uma anistia política de memória e não de esquecimento. É por isso que eu defendo que o STF, em 2010, afirmou isso, que a lei de 1979 foi uma lei de memória e não de esquecimento”, defende a jurista.

    Em 2010, por 7 votos a 2, o Supremo arquivou ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que questionava a abrangência da Lei da Anistia para casos de tortura e crimes comuns, cometidos por civis e agentes do Estado durante a ditadura militar. A lei de 1979, construída no governo de Ernesto Geisel e assinada pelo então presidente João Batista Figueiredo, permitiu o retorno de exilados e a libertação de presos políticos, mas também anistiou militares que cometeram graves violações de direitos humanos. Uma discussão que se arrasta ainda hoje.

  • Governo cria estrutura oficial para comandar COP30 em Belém

    Governo cria estrutura oficial para comandar COP30 em Belém

    O governo federal formalizou a criação da estrutura que coordenará a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), prevista para ocorrer em Belém (PA) de 10 a 21 de novembro de 2025. Um decreto assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que hoje ocupa o cargo de presidente enquanto Lula está em viagem na Ásia, oficializou a criação da Presidência da COP30, vinculada diretamente ao Gabinete Pessoal do Presidente da República.

    A Presidência da COP30 terá como funções centrais liderar as negociações internacionais do Brasil durante o evento, coordenar articulações com órgãos da ONU e mobilizar atores nacionais e estrangeiros em torno da agenda climática. Também será responsável por promover o engajamento da sociedade nas discussões que antecedem e ocorrem durante a conferência.

    O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, ao lado da CEO da conferência, Ana Toni.

    O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, ao lado da CEO da conferência, Ana Toni.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    O decreto publicado no Diário Oficial da União também detalha o quadro de cargos comissionados e funções de confiança que irão compor a nova estrutura, com duração prevista até 1º de dezembro de 2026. A equipe será composta por oito cargos, incluindo diretor-executivo, coordenadores e chefes de gabinete, todos com funções de coordenação administrativa e estratégica.

    O presidente da COP 30 é o embaixador André Corrêa do Lago, que é secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores. A secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni, é a diretora-executiva da conferência.

    A COP30 será a primeira conferência climática da ONU realizada na região amazônica e uma das maiores já organizadas no Brasil. O evento reunirá chefes de Estado, negociadores, cientistas e representantes da sociedade civil para discutir metas globais de combate à mudança do clima.