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  • Lira não vê conflito com governo: “Momento de dar um passo para trás”

    Lira não vê conflito com governo: “Momento de dar um passo para trás”

    O ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) minimizou, em entrevista nesta quinta-feira (3), que a questão da derrubada do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) tenha ocasionado um “momento de embate”. Mesmo com a judicialização do decreto no Supremo Tribunal Federal, o deputado defendeu que cada um tem suas atribuições e todos devem dar “um passo para trás”.

    “Não acho que estejamos em momento de embate. Cada um tem suas atribuições. Eu penso que é um momento de todo mundo dar um passo para trás, procurar uma saída, porque, por trás de tudo, tem um país que precisa funcionar, andar, e ter suas pautas progredindo de maneira organizada”, disse.

    Assista ao vídeo:

    O parlamentar também explicou o motivo de não ter apresentado o relatório do projeto que isenta do Imposto de Renda (IR) quem recebe até R$ 5 mil. Conforme o cronograma apresentado na comissão especial que analisa o texto, o parecer era para ser apresentado na última sexta-feira (27). O parlamentar disse que o clima “não era propício”.

    “Na semana do dia 25, nós praticamente finalizamos duas propostas para conversar com a comissão, o presidente da comissão e o governo. Nós conversamos com o governo, com o secretário Marcos Pinto. Coincidiu com aquele momento de votação da matéria do IOF, e o clima não me pareceu, e ao ministro Haddad também não, propício para liberar o texto”, esclareceu o relator.

    Além da questão do Imposto sobre Operações Financeiras, Arthur Lira também avaliou que o deslocamento de parlamentares para o XII Fórum de Lisboa, onde o relator deu a entrevista, também causaria um esvaziamento. Outro motivo apontado pelo deputado foi o fato de o presidente Lula estar em missão oficial para assumir o comando rotativo do Mercosul.

    Isenção do IR

    O PL 1.087/25 propõe o aumento do limite de isenção do Imposto de Renda para aqueles que auferem renda de até R$ 5 mil mensais, com vigência a partir de 2026. A proposta governamental visa compensar essa isenção, estimada em R$ 25,8 bilhões anuais, por meio do aumento da taxação sobre os contribuintes com renda superior a R$ 600 mil por ano.

    De acordo com o plano de trabalho apresentado, a votação do relatório na comissão especial estava marcada para 16 de julho, um dia antes de iniciar o recesso parlamentar. Com o atraso na apresentação, o prazo possivelmente pode não ser atingido. Promessa de campanha de Lula, a matéria é de interesse do Executivo e foi apresentada pela própria Presidência.

    Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 2692/2025, que prevê reajuste da faixa de isenção do Imposto de Renda. Com a mudança, quem recebe até dois salários-mínimos, o equivalente a R$ 3.036 por mês, passa a ter isenção total a partir de maio.

    A matéria foi relatada por Arthur Lira e agora segue para o Senado. O deputado afirmou ainda que o projeto “não inaugura um benefício fiscal, mas, ao contrário, restaura uma condição de justiça fiscal”.

  • Toffoli homologa plano do INSS para devolução de descontos ilegais

    Toffoli homologa plano do INSS para devolução de descontos ilegais

    O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quinta-feira (3) um acordo que estabelece a devolução integral e imediata dos valores descontados de forma indevida de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ressarcimento será feito por meio da folha de pagamento, sem a necessidade de ajuizamento de ações individuais.

    O acordo foi firmado entre a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério da Previdência Social, o INSS, o Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.236.

    Pelos termos homologados, os beneficiários que optarem por aderir ao acordo deverão manifestar consentimento para receber os valores administrativamente, mantendo, entretanto, o direito de buscar outras reparações contra as associações envolvidas, nas instâncias estaduais.

    Entendimento entre os órgãos

    A decisão de homologação resulta da audiência de conciliação realizada no STF em 24 de junho, com a participação de todos os órgãos signatários. Durante a audiência, foram definidas as bases do acordo, entre elas a devolução célere, integral e efetiva dos valores descontados, bem como a possibilidade de responsabilização civil e penal de associações e agentes públicos e privados envolvidos nos atos ilegais.

    Acordo foi construído a partir de audiência convocada pelo ministro Dias Toffoli.

    Acordo foi construído a partir de audiência convocada pelo ministro Dias Toffoli.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    Suspensão de ações judiciais

    Com a homologação, Toffoli determinou a suspensão de todas as ações judiciais em curso e dos efeitos das decisões relacionadas aos descontos irregulares em benefícios pagos entre março de 2020 e março de 2025. A suspensão do prazo prescricional das ações indenizatórias também foi mantida até o fim da tramitação da ADPF.

    “Com essa medida, tutelam-se os interesses dos aposentados e pensionistas e evita-se a grande onda de judicialização que já se faz presente em todo país”, declarou o ministro.

    Toffoli também decidiu que os recursos utilizados pelo governo para efetuar os ressarcimentos devem ser excluídos do cálculo do teto de gastos previsto no artigo 3º da lei complementar 200/2023 (Arcabouço Fiscal), mesmo que não tenham origem em crédito extraordinário.

    Plano de execução

    O acordo homologado inclui iniciativas já adotadas e em andamento por parte do governo, além de um plano operacional voltado ao atendimento dos segurados prejudicados. Entre as medidas previstas estão a definição de canais de atendimento para contestação dos descontos, ações de busca ativa em áreas remotas e a ampla divulgação dessas possibilidades.

    As associações envolvidas terão um prazo de 15 dias úteis para restituir os valores descontados indevidamente por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU), ou para apresentar documentação que comprove vínculo associativo com os beneficiários afetados.

    Leia o acordo e a homologação.

  • Helder Barbalho defende economia verde e destaca COP na Amazônia

    Helder Barbalho defende economia verde e destaca COP na Amazônia

    O governador do Pará, Helder Barbalho, afirmou em entrevista ao Congresso em Foco que o Estado tem avançado na redução do desmatamento e na estruturação de uma economia baseada na sustentabilidade ambiental. O chefe do Executivo paraense também ressaltou o simbolismo e a responsabilidade associadas à realização da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) na região amazônica.

    Segundo Helder Barbalho, o Pará registrou uma queda superior a 50% nas taxas de desmatamento em comparação com anos anteriores. O governador atribuiu os resultados a um conjunto de medidas de controle ambiental e à promoção de uma nova matriz econômica ancorada na biodiversidade da floresta.

    Entre as iniciativas citadas está a criação do Parque de Bioeconomia da Amazônia, localizado na COPPE, que será, de acordo com Barbalho, o primeiro do tipo no Brasil. O projeto visa incentivar a transformação de ativos ambientais em oportunidades econômicas, impulsionando o setor de bioeconomia.

    Barbalho também mencionou o estímulo à agenda de concessões de áreas de floresta para restauração por meio da iniciativa privada. A proposta prevê que essas áreas sejam recuperadas com base em contratos que envolvam pagamento por serviços ambientais, viabilizados a partir da comercialização de créditos de carbono. “A compra de carbono será uma moeda importante para que as companhias privadas e os entes públicos possam cumprir com as suas metas”, afirmou.

    COP na Amazônia e o papel do Brasil na agenda ambiental

    Em outra parte da entrevista, o governador destacou o significado da realização da COP na região amazônica, classificada por ele como o maior evento climático do planeta. Segundo Barbalho, a escolha do local tem valor simbólico e representa uma oportunidade para reforçar o compromisso com a responsabilidade ambiental coletiva.

    O governador defendeu que o encontro seja um catalisador de ações concretas, com foco na implementação de mecanismos de financiamento climático e no desenvolvimento de soluções baseadas na natureza. Ele também ressaltou a importância de alinhar justiça climática e justiça social. “Compatibilizar o desafio da justiça climática com justiça social olhando pelas pessoas” foi, segundo ele, uma das metas centrais que devem orientar a atuação dos governos e da comunidade internacional.

    Barbalho finalizou defendendo a criação de instrumentos que possibilitem aos países e regiões com grandes ativos ambientais, como a Amazônia, acessar recursos e apoio técnico para estruturar políticas públicas sustentáveis e integradas.

  • Após judicialização do IOF, Alcolumbre defende limitar acesso ao STF

    Após judicialização do IOF, Alcolumbre defende limitar acesso ao STF

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defendeu durante a sessão de quarta-feira (2) a limitação de atores capazes de acessarem o Supremo Tribunal Federal (STF) para judicializar decisões dos poderes. A manifestação do senador ocorre em um momento de embate entre Planalto e Congresso em razão da judicialização da derrubada do decreto que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

    De acordo com Alcolumbre, o tema será debatido na próxima reunião de líderes do Senado. “Todos têm o direito de fazer as manifestações que compreendem razoável; e, para isso, temos um mandato. Tem uma questão que nós temos que discutir, com urgência, no Congresso brasileiro, em relação aos legitimados que podem acessar o Supremo Tribunal Federal para questionar qualquer lei votada no Congresso”, argumentou.

    A avaliação do presidente do Senado é de que este é um problema “seríssimo”, porque “todo mundo pode acessar, questionar qualquer coisa” e poder entrar com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) na Corte. Ele defendeu ainda que é necessária a modernização da legislação.

    “As críticas ao Judiciário são fruto daqueles que vão e procuram o Judiciário, como o caso do IOF, que foi um partido político que entrou fazendo o primeiro questionamento; em seguida, a AGU, com legitimidade, com prerrogativa. Mas, se a todo tempo nós levarmos todas as discussões do Congresso, com todos os legitimados, para o Supremo Tribunal Federal, em todo instante, alguém vai ficar satisfeito e alguém vai ficar insatisfeito com a decisão da Suprema Corte brasileira”, complementou.

    Nesta semana, Jorge Messias afirmou que a AGU recorrerá ao Supremo para reverter a derrubada, pelo Congresso, do aumento do IOF. Segundo ele, o Legislativo não poderia sustar, por meio de projeto de decreto legislativo, a decisão do presidente da República.

    Randolfe Rodrigues e o presidente Davi Alcolumbre.

    Randolfe Rodrigues e o presidente Davi Alcolumbre.Jonas Pereira/Agência Senado

    A AGU decidiu entrar com uma ação declaratória de constitucionalidade, com pedido de liminar, para que o Supremo possa confirmar o decreto de Lula que elevou a alíquota do IOF para determinadas operações. O pedido, segundo ele, não é para contestar a constitucionalidade da decisão dos parlamentares. Antes, o Psol já havia ajuizado ação na Corte.

    Quem pode ingressar com ações

    Conforme dispõe o artigo 103 da Constituição Federal, podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade as seguintes autoridades e organizações:

    • Presidente da República
    • Mesa do Senado Federal e da Câmara dos Deputados
    • Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal
    • Governador de Estado ou do Distrito Federal
    • Procurador-Geral da República
    • Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
    • Partido político com representação no Congresso Nacional
    • Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional

    O que é defendido por Alcolumbre e outros parlamentares é uma restrição aos partidos políticos. Dessa forma, siglas menores e com menor representação no Congresso, como Psol e Novo, dois partidos muito ativos na judicialização de casos, poderiam ser prejudicadas. O objetivo é estabelecer uma representação mínima no Legislativo para que os partidos possam ingressar com ações no STF.

    Líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ) apresentou na última semana proposta de emenda à Constituição para limitar a participação dos partidos políticos, após o Psol judicializar a derrubada do IOF.

    “Apresentamos uma PEC que limita o direito de partidos acionarem o STF apenas aos que tenham no mínimo 5% da representação parlamentar. Não podemos permitir que minorias partidárias usem o Judiciário para impor agendas que não representam a maioria. Democracia se fortalece com representatividade, não com manobras jurídicas”, justificou.

  • Lula aponta 5 prioridades para fortalecer o Mercosul até o fim do ano

    Lula aponta 5 prioridades para fortalecer o Mercosul até o fim do ano

    O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (3), em Buenos Aires, que pretende recolocar o Mercosul no centro da estratégia de integração regional e fortalecimento do bloco econômico. Ao assumir a presidência rotativa do grupo, Lula apostou em um discurso de resgate do valor político e econômico da união aduaneira, classificando-a como uma “proteção” para os países diante de um cenário internacional cada vez mais volátil.

    “Toda a América do Sul se tornou uma área de livre comércio baseada em regras claras e equilibras. Estar no Mercosul nos protege. Nossa tarifa externa comum nos blinda de guerras comerciais alheias. Nossa robustez institucional nos credencial perante o mundo com parceiros confiáveis”, afirmou.

    O petista recebeu o comando do Mercosul das mãos do presidente da Argentina, Javier Milei, seu desafeto e crítico severo do bloco. O mandato do brasileiro vai até o fim do ano.

    Lula e Javier Milei posam para fotos com outros líderes do Mercosul.

    Lula e Javier Milei posam para fotos com outros líderes do Mercosul.Ricardo Stuckert/PR

    Em seu discurso, Lula apresentou cinco prioridades para guiar a agenda do Mercosul, que vão do incentivo ao comércio e à integração produtiva à transição energética e à inclusão social, passando ainda por temas como inovação tecnológica e combate ao crime organizado. Ao enfatizar que o bloco precisa se adaptar a novas dinâmicas globais sem perder suas bases de solidariedade e cooperação, Lula tenta reposicionar o Mercosul como instrumento de projeção internacional do Brasil e de defesa conjunta de interesses regionais. O brasileiro disse que o acordo com a União Europeia deve ser fechado até o fim do ano.

    Nos próximos meses, a expectativa será ver como o governo brasileiro colocará essas metas em prática, diante de parceiros que nem sempre compartilham da mesma visão de integração e defendem maior flexibilidade para acordos comerciais individuais. Ainda assim, Lula sustenta que somente um Mercosul coeso poderá enfrentar os desafios do comércio global, das mudanças climáticas e da segurança regional.

    Veja a seguir as cinco prioridades de Lula para sua gestão à frente do Mercosul.

    • Comércio e integração econômica

    Lula quer fortalecer o comércio dentro do Mercosul e ampliar parcerias externas, com destaque para a conclusão dos acordos com a União Europeia e a EFTA ainda este ano. Ele também aposta em novas negociações com Canadá, Emirados Árabes, Panamá, República Dominicana, Colômbia e Equador, além de aproximar o bloco de potências asiáticas como China, Japão, Índia e Coreia. Outro objetivo é impulsionar o uso de moedas locais, reduzir riscos cambiais e revitalizar o Fórum Empresarial do Mercosul para apoiar pequenas e médias empresas. “Nossa Tarifa Externa Comum nos blinda contra guerras comerciais alheias”, defendeu.

    • Meio ambiente e transição energética

    A segunda frente envolve ações coordenadas para enfrentar a mudança do clima e impulsionar a transição energética. Lula defendeu a adoção de padrões comuns de sustentabilidade e rastreabilidade de produtos, além de garantir que minerais estratégicos, como lítio e cobre, sejam beneficiados dentro do próprio bloco, gerando emprego e renda. Ele reafirmou as metas climáticas brasileiras e propôs que o Mercosul avance em projetos de agricultura sustentável e inovação verde, em sintonia com a COP30, marcada para Belém em 2025. “A realidade está se movendo mais rápido que o Acordo de Paris, expondo a falácia do negacionismo climático”, declarou.

    • Tecnologia e soberania digital

    O desenvolvimento tecnológico foi apontado como prioridade para reduzir desigualdades e garantir autonomia. Lula quer ampliar a infraestrutura digital do Mercosul, instalando centros de dados regionais e incentivando projetos de inteligência artificial com identidade latino-americana. Também propôs transformar o bloco em um polo de produção de vacinas e medicamentos, para evitar dependências como as reveladas durante a pandemia de covid-19. “Trazer centros de dados para a região é uma questão de soberania digital.”

    • Segurança e combate ao crime organizado

    O presidente destacou que o crime organizado, transnacional, ameaça a autoridade dos Estados e agrava problemas como violência e destruição ambiental. Por isso, Lula propôs reforçar iniciativas de cooperação policial, como o Comando Tripartite na Tríplice Fronteira e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, unindo esforços contra tráfico de armas, drogas, pessoas e crimes ambientais. 

    “Grupos criminosos colocam em xeque a autoridade do Estado, disseminando violência, corrupção e destruição ambiental”, alertou.

    • Direitos e inclusão social

    A quinta prioridade do governo brasileiro à frente do Mercosul será ampliar políticas de inclusão social e fortalecer a democracia. Lula defendeu a retomada da Cúpula Social e a realização de uma Cúpula Sindical, além do fortalecimento do Instituto Social do Mercosul e do Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos. Segundo o presidente, apenas com redução das desigualdades e garantia de direitos será possível consolidar um bloco sólido e respeitado no cenário internacional.

    “Sem inclusão social e enfrentamento das desigualdades de todo tipo não haverá progresso duradouro”, declarou.

    O que é o Mercosul

    O Mercosul (Mercado Comum do Sul) é um bloco econômico fundado em 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com o objetivo de promover a integração regional, estimular o livre comércio de bens e serviços e adotar uma tarifa externa comum frente a parceiros de fora. Posteriormente, a Venezuela aderiu ao grupo em 2012, mas está suspensa desde 2016 por descumprir cláusulas democráticas, e a Bolívia está em processo final de adesão plena.

    Além dos membros efetivos, o bloco conta com países associados, como Chile, Peru, Colômbia, Equador, Guiana e Suriname, que participam de acordos comerciais e de cooperação, mas sem integrar a união aduaneira. Dessa forma, o Mercosul se consolidou como o principal mecanismo de articulação econômica e política da América do Sul.

  • Lula visita Cristina Kirchner, em prisão domiciliar na Argentina

    Lula visita Cristina Kirchner, em prisão domiciliar na Argentina

    O presidente Lula visita, nesta quinta-feira (3), a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, na casa dela, em Burenos Aires. Atualmente, Cristina está em prisão domiciliar, após ter sido condenada a seis anos de reclusão por corrupção. Lula chegou ao local por volta das 12h30, horário de Brasília. Para que o encontro pudesse ocorrer, a ex-presidente do país vizinho solicitou autorização à Justiça da Argentina, que acolheu o pedido.

    Pela manhã, Lula assumiu a presidência do Mercosul, bloco econômico dos países da América do Sul.

    Cristina Kirchner atribui sua prisão a perseguição política e judicial.

    Cristina Kirchner atribui sua prisão a perseguição política e judicial.Marlene Bergamo/Folhapress

    O petista chegou a conversar com a ex-presidente da Argentina depois que a Suprema Corte do país negou o recurso apresentado por ela e confirmou sua condenação. 

    A relação entre os dois é antiga, começou ainda no governo de Néstor Kirchner, marido de Cristina. Ele morreu em 2010. Quando era presidente da Argentina, em 2012, Cristina Kirchner recebeu o então ex-presidente Lula, que enfrentava na época um câncer. 

    Em 2019, o então presidente Alberto Fernández, de quem Cristina foi vice, visitou Lula na prisão em Curitiba. O brasileiro ficou cerca de 500 dias preso, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Suas condenações, no entanto, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que identificou uma série de irregularidades no processo.

  • Na metade do ano, governo só empenhou 18% das emendas individuais

    Na metade do ano, governo só empenhou 18% das emendas individuais

    O governo Lula só conseguiu empenhar 18,3% das emendas individuais de deputados e senadores ao orçamento de 2025 nos seis primeiros meses de mandato. A taxa é baixa com relação às duas Casas legislativas: 17,6% na Câmara e 20,9% no Senado.

    • As emendas individuais são uma parcela do Orçamento que cada parlamentar pode definir onde será aplicada. Em 2025, cada senador tem R$ 68 milhões para direcionar, enquanto cada deputado tem R$ 37 milhões. Para os congressistas, é uma chance de direcionar verba para investimentos em suas bases eleitorais.
    • O empenho é a primeira etapa para a execução daquela emenda – o dinheiro foi separado para aquele fim, mas ainda não foi gasto. Os passos seguintes são a liquidação (quando o bem ou serviço comprado já foi prestado) e o pagamento (quando a verba de fato sai dos cofres públicos para pagar a prestação do serviço).

    A informação veio do Siop (Sistema de Integrado de Planejamento e Orçamento) por consulta feita no dia 2 de julho de 2025. Ou seja: metade do ano já passou, e nem um quinto das emendas passou ao empenho.

    Problemas na política

    As emendas individuais são de pagamento impositivo, o que significa que o governo é obrigado a aplicar aquele valor ainda em 2025. Com frequência, elas são uma forma de negociação política ou de busca de apoio. Pelas emendas individuais, cada parlamentar pode direcionar dinheiro para serviços relacionados aos seus eleitores, ou para pautas do seu interesse ou de aliados.

    Atraso na votação do Orçamento de 2025 também atrasou o pagamento das emendas parlamentares, segundo o governo.

    Atraso na votação do Orçamento de 2025 também atrasou o pagamento das emendas parlamentares, segundo o governo.Arte Congresso em Foco

    O governo não pode escolher quais emendas individuais vai pagar ou não, mas, na prática, é a máquina federal que vai determinar quando elas são pagas. A demora no calendário pode ser um fator na insatisfação dos parlamentares no Congresso Nacional; nas últimas semanas, a gestão Lula sofreu uma série de derrotas no Legislativo, como a derrubada do decreto que elevava o IOF, a queda de uma série de vetos do presidente e a abertura de uma CPMI para investigar fraudes no INSS.

    A ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, chegou a comentar o assunto em publicação na rede social X, em 27 de junho. Segundo ela, isso se deu porque, em 2025, o Orçamento foi aprovado no Congresso só no final de março e sancionado em abril, sendo que, normalmente, isso se dá em dezembro do ano anterior ou em janeiro. Isso teria empurrado o calendário para a frente.

    “Não há ação deliberada nem qualquer intenção, por parte do governo, de retardar a execução das emendas e prejudicar parlamentares. Seria até um contrassenso de nossa parte. A execução das emendas que cumprem as normas vigentes é obrigatória. Desde que aprovamos o Orçamento, iniciamos uma força tarefa de técnicos para sua execução”, explicou Gleisi. A ministra, como titular das Relações Institucionais, é a responsável pela relação política do governo com o Congresso Nacional.

  • Lei de Igualdade Salarial completa dois anos; veja avanços e desafios

    Lei de Igualdade Salarial completa dois anos; veja avanços e desafios

    A lei 14.611, que trata da igualdade salarial entre homens e mulheres, celebra dois anos de vigência nesta quinta-feira (3), consolidando a contínua busca por equidade no ambiente profissional. Regulamentada pelo decreto 11.795/2023, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a legislação impõe a divulgação de dados salariais por empresas que possuam mais de uma centena de colaboradores.

    A iniciativa é coordenada em conjunto pelos Ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres (MMulheres), com o propósito de ampliar a transparência e acelerar o progresso na equiparação salarial entre os gêneros.

    Embora a busca por remuneração igualitária não seja recente, estando prevista no artigo 461 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde 1943, ainda existem obstáculos consideráveis a serem superados. A CLT estabelece que “todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá a igual salário, sem distinção de sexo”.

    A Constituição Federal de 1988 também garante esse princípio como um direito fundamental, reforçando a obrigatoriedade da equiparação salarial entre homens e mulheres. “O problema é que nas últimas duas décadas, estamos estagnados em relação à diminuição dessas diferenças, até mesmo por grande parte das empresas com 100 ou mais funcionários, ainda temos muitas empresas em que não há mulheres em todos os tipos de cargos, em especial nos cargos de gerência e direção. Portanto, a lei vem para voltar a colocar o tema em debate e para acelerar a diminuição dessa desigualdade estrutural onde as mulheres ganham menos do que os homens”, declara a subsecretária de Estatísticas Estudos do Trabalho, Paula Montagner.

    “Além disso, a maioria das mulheres continua a acumular sozinhas as responsabilidades pelo trabalho doméstico não remunerado, com a diferença que para quase metade delas lhes cabe ser a principal provedora de suas famílias”, complementa Montagner.

    Lei de Igualdade Salarial completa dois anos hoje.

    Lei de Igualdade Salarial completa dois anos hoje.Freepik

    O 3º Relatório de Transparência Salarial demonstra que a baixa inclusão de mulheres em diversas ocupações contribui para aumentar a desigualdade salarial, especialmente em cargos de gerência, direção e funções de nível superior. A desigualdade salarial é ainda mais acentuada para as mulheres negras.

    Essa realidade não é inédita, uma vez que os trabalhadores negros enfrentam desafios históricos em sua inserção no mercado de trabalho, reflexo das marcas duradouras da escravidão. A desigualdade salarial entre homens e mulheres que se observa em todo o território nacional não é um caso isolado, havendo comparações internacionais relevantes que indicam situações mais favoráveis em países com maior renda e até mesmo entre aqueles em que esses princípios estão mais presentes na sociedade. Para acelerar essas mudanças, o Brasil adotou esse processo de transparência tal como já ocorre em países como a Inglaterra, Canadá, EUA, França que criaram normas para combater a desigualdade.

    O Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 2022 revela que, globalmente, as mulheres recebem em média 20% menos que os homens. No Brasil, entre 2023, quando já havia normatização dos procedimentos, e 2024, os relatórios de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios mostram que a desigualdade salarial de 20% persiste também nas grandes empresas, mesmo quando mulheres e homens ocupam cargos similares.

    Outro ponto importante é que essa desigualdade reduz o potencial da economia. De acordo com um cálculo conservador, se a massa salarial das mulheres fosse proporcional à sua participação no mercado de trabalho (40,6% em 2024), conforme o Relatório de Transparência Salarial de março de 2025, seriam pagos R$ 95 bilhões a mais, aumentando a massa salarial total em cerca de 10%.

    Em março deste ano, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou o 3º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, que revelou que, em 53.014 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, as mulheres ganham em média 20,9% menos que os homens. Foram analisados 19 milhões de vínculos empregatícios, um aumento de 1 milhão em relação à RAIS de 2023.

    “Acredito ser importante destacar que a desigualdade salarial se manteve relativamente estável entre 2023 e 2024, período em que houve expansão no número de empregos, com o aumento equivalente de empregados e empregadas”, afirma Paula Montagner.

    Ela ainda ressalta que cresceu o número de empresas onde a diferença salarial não ultrapassa 5%. No caso dos salários médios de contratação, essa condição é observada em 57% das empresas, enquanto para a remuneração média, 32,7% das empresas já atingiram esse patamar, boas práticas que podem servir de exemplo para outras organizações.

    O relatório também reforça a necessidade de avançar para que mais empresas adotem políticas de contratação de mulheres. Entre as empresas analisadas, apenas 31% afirmaram ter alguma ação voltada à inclusão feminina. Esse percentual cai para 25% quando se trata da inclusão de mulheres negras, 20% para mulheres dos grupos LGBTQIA+ e 19% para mulheres chefes de família.

    O relatório também destacou que apenas 22,9% das empresas possuem políticas de auxílio-creche. “Esse dado é preocupante, pois as mulheres com filhos precisam de locais seguros para deixá-los, o que lhes permite cumprir jornadas de trabalho mais longas”, ressalta Montagner.

    Com informações do Ministério do Trabalho e Emprego.

  • Manifestantes invadem banco em São Paulo e pedem taxação dos ricos

    Manifestantes invadem banco em São Paulo e pedem taxação dos ricos

    Manifestantes da Frente Sem Medo e do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ocuparam, nesta quinta-feira (3), a sede do banco Itaú na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Durante o protesto, os participantes do ato defenderam a taxação dos super-ricos com placas e palavras de ordem.

    “No Brasil, taxar os super-ricos é crucial para reduzir a desigualdade. São lucros e dividendos que seguem intocados, enquanto a maioria trabalhada muito e paga caro por tudo”, aponta os movimentos em publicação nas redes sociais. “Os super-ricos acumulam cada vez mais fortuna, isenção e influência vivem em um país feito sob medida para manter seus privilégios”.

    Manifestantes em São Paulo.

    Manifestantes em São Paulo.Reprodução/X

    A manifestação surge em um momento em que o governo tem apostado na intensificação da narrativa de ricos contra pobres. O perfil oficial do PT no X (antigo Twitter) defendeu a “Taxação BBB: Bilionários, Bancos e Bets”, sob justificativa de mais justiça tributária e menos desigualdades.

    Assista ao vídeo da invasão:


    Na plataforma, os termos “Congresso inimigo do povo” e “Congresso da mamata” figuraram entre os assuntos mais comentados da plataforma após a derrubada do decreto que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da aprovação do projeto que aumenta o número de deputados de 513 para 531. Além da taxação dos super-ricos, o movimento defende também a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil.

    O deputado Guilherme Boulos (Psol-SP), historicamente ligado ao MTST, defendeu a ocupação dos manifestantes. O parlamentar também afirmou que “o recado do povo é claro” em relação à justiça tributária.

  • Ministra Marina Silva é mais uma vez alvo de ataques no Congresso

    Ministra Marina Silva é mais uma vez alvo de ataques no Congresso

    A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi mais uma vez alvo de ataques no Congresso Nacional, nesta quarta-feira (2). A chefe da pasta voltou a ser desrespeitada no Legislativo, desta vez durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.

    Na ocasião, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) afirmou que a ministra “tem dificuldades com o agronegócio, porque nunca trabalhou, nunca produziu”. O parlamentar ainda se referiu a Marina Silva como “adestrada” e “mal-educada”.

    Além do congressista capixaba, os deputados Zé Trovão (PL-SC) e Capitão Alberto Neto (PL-AM) também atacaram a ministra. O deputado catarinense afirmou que Marina era uma “vergonha” como ministra, ao passo que o parlamentar amazonense “sugeriu” que a chefe da pasta pedisse demissão.

    Marina Silva.

    Marina Silva.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Marina Silva rebateu os ataques com citação a uma passagem bíblica. “Eu estou em paz, porque tem uma palavra que eu aprendi com o apóstolo Paulo que diz o seguinte: ‘É preferível sofrer uma injustiça do que praticar uma injustiça. Eu prefiro sofrer injustiças a praticá-las, porque quando você pratica, pode ter certeza que um dia a reparação virá”, argumentou.

    Ataques no Senado

    Em 27 de maio deste ano, a ministra Marina Silva foi alvo de agressões verbais na Comissão de Infraestrutura do Senado. Na ocasião, o presidente do colegiado, Marcos Rogério (PL-RO), interviu em uma discussão entre Marina e Omar Aziz (PSD-AM), com quem ela possui antiga rivalidade, e ordenou à ministra que ela “se ponha no seu lugar”. A fala foi imediatamente rechaçada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA).

    O tumulto, porém, não se encerrou neste episódio. O senador Plínio Valério (PSDB-AM), que anteriormente falou em “enforcar” Marina Silva, atacou novamente a ministra. O parlamentar iniciou a fala dizendo que “a mulher Marina merecia respeito, a ministra não”. Após pedir retratação e não receber um pedido de desculpas, a ministra abandonou a sessão.

    Em nota oficial, a bancada feminina classificou as falas como “misóginas e sexistas” e acusou os parlamentares de violarem o Regimento Interno do Senado, ao cortar o microfone de Marina e impedir seu direito de resposta. Segundo as senadoras, a sessão foi marcada por uma tentativa de silenciamento e por expressões do machismo estrutural.