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  • Projeto aprovado na CDH exige alerta escolar sobre casos de violência

    Projeto aprovado na CDH exige alerta escolar sobre casos de violência

    A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou o projeto de lei 270/2020, que torna obrigatória a notificação ao Conselho Tutelar por parte das instituições de ensino sobre casos de violência ocorridos no ambiente escolar. A proposta adota como prioridade os episódios de automutilação e suicídio.

    O parecer foi elaborado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), e a matéria segue agora para análise da Comissão de Educação.

    Projeto foi relatado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE).

    Projeto foi relatado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE).Carlos Moura/Agência Senado

    O principal objetivo da nova norma é aprimorar a coleta e a análise de dados relativos a automutilações, tentativas e suicídios consumados. Atualmente, apenas hospitais e médicos legistas têm a obrigação de comunicar esses casos. Com a aprovação do projeto, as escolas também serão incluídas nessa responsabilidade.

    Em seu parecer, o relator cita um estudo do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), que aponta um aumento médio de 6% ao ano na taxa de suicídio entre jovens no Brasil entre 2011 e 2022. As notificações de autolesões na faixa etária de 10 a 24 anos, por sua vez, cresceram 29% ao ano no mesmo período.

    A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da comissão, destacou que a proposta reforça o papel constitucional das escolas na proteção de crianças e adolescentes. “Quando as crianças estão se automutiliando ou quando estão tendo comportamento suicida, a notificação tem que ser compulsória. Nossas crianças estão se machucando”, afirmou a senadora.

  • Câmara: Projeto inclui engenheiros em órgãos das juntas comerciais

    Câmara: Projeto inclui engenheiros em órgãos das juntas comerciais

    A Câmara dos Deputados analisa o projeto de lei 453/25, que propõe a inclusão de engenheiros nas juntas comerciais. De acordo com o texto, esses profissionais atuarão como vogais no plenário e na assessoria técnica, similarmente aos bacharéis em Direito, economistas, contadores e administradores, que já compõem esses órgãos.

    O deputado Pedro Aihara (PRD-MG), autor da proposta, justifica a inclusão pela crescente complexidade das demandas empresariais.

    “Tal inclusão se justifica pela crescente complexidade das demandas empresariais e pela necessidade de um corpo técnico multidisciplinar para garantir eficiência, segurança jurídica e qualidade nos serviços prestados pelas juntas comerciais”, afirmou.

    Dep. Pedro Aihara, autor do projeto de lei.

    Dep. Pedro Aihara, autor do projeto de lei.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    As juntas comerciais, órgãos vinculados aos governos estaduais, são responsáveis pelo registro público de empresas, incluindo abertura, alteração e extinção. Adicionalmente, arquivam atos empresariais, como contratos sociais, estatutos e atas de assembleias.

    O projeto seguirá para análise conclusiva nas comissões de Indústria, Comércio e Serviços; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A proposta, para se tornar lei, necessita da aprovação da Câmara e do Senado.

  • Anistia polariza Congresso: 42% discordam totalmente, 40% concordam

    Anistia polariza Congresso: 42% discordam totalmente, 40% concordam

    A proposta de anistia para os envolvidos nos ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023 provoca divisão acentuada no Congresso Nacional. Levantamento do Painel do Poder, produzido entre 27 de março e 25 de abril, revela um cenário de opiniões extremadas: 42% dos parlamentares afirmaram discordar totalmente da proposta, enquanto 40% manifestaram concordância total com a medida.

    A média geral de concordância atingiu 3,09 em uma escala de 1 a 5, com leve saldo positivo (+7,46 pontos percentuais). O resultado representa um avanço expressivo em relação à rodada anterior da pesquisa, em setembro de 2024, quando a média era de apenas 2,54 e o saldo, negativo em -23,53 pontos.

    Parlamentares se dividem entre apoio entusiástico e rejeição absoluta à anistia.

    Parlamentares se dividem entre apoio entusiástico e rejeição absoluta à anistia.Antônio Cruz/Agência Brasil

    Existem diversos projetos de lei nas duas Casas legislativas que tratam da anistia. O mais avançado até o momento é o 2858/2022, do ex-deputado Major Vitor Hugo. Ele prevê o perdão a todos os participantes de atos contra o resultado das eleições de 2022 desde o segundo turno daquele pleito. A proposta é defendida pelos líderes dos partidos da oposição, que chegaram a apresentar um requerimento de urgência, tema recorrente de disputas em reuniões do Colégio de Líderes.

    Paralelamente, os presidentes da Câmara e do Senado trabalham na construção de uma proposta alternativa ao projeto, que afaste da anistia os possíveis autores intelectuais. Com isso, a expectativa é chegar a um meio termo que agrade governo e oposição. O deputado Fausto Pinato (PP-SP) chegou a apresentar uma iniciativa nessa direção.

    Polarização ideológica

    Os dados mostram que a anistia é o item mais polarizado entre os seis analisados no estudo. A média de concordância na base governista foi de 1,28; a mais baixa entre todos os temas. Na oposição, o índice chegou a 4,88; o mais alto já registrado por qualquer grupo no histórico da pesquisa. Parlamentares declarados independentes também demonstraram apoio, com média de 3,69.

    A divisão também aparece na comparação entre Casas Legislativas. Enquanto a Câmara dos Deputados apresentou mediana 4, sinalizando maior receptividade à proposta, o Senado foi mais reticente, com mediana 2.

    Margem de aprovação

    A anistia é percebida como uma proposta com chances reais de avançar. A média de expectativa de aprovação ficou em 3,11; a segunda mais alta entre os itens avaliados. O saldo líquido entre notas positivas (altas ou muito altas) e negativas (baixas ou muito baixas) foi de +1,53 ponto percentual, revelando otimismo moderado.

    O tema segue fortemente ideologizado mesmo nessa dimensão: enquanto a base previu chances de aprovação mais baixas (média de 1,96), a oposição demonstrou elevada confiança (média de 4,48). Os independentes mantiveram-se no meio-termo, com 2,92. Neste caso, não houve diferenças significativas entre Câmara e Senado, ambos com mediana 3.

    Comparativo com outras propostas

    Ao lado da anistia, apenas a ampliação da licença-paternidade para 30 dias registrou média superior a 3 nas expectativas de aprovação (3,31). Já temas como a implementação do semipresidencialismo (1,95) e a PEC do fim da jornada de trabalho 6×1 (2,35) ficaram abaixo do ponto médio, sinalizando baixa viabilidade.

    Em termos de concordância, a anistia também superou o semipresidencialismo (2,36) e o aumento do número de deputados (2), mas ficou atrás da regulamentação das redes sociais (3,18) e da licença-paternidade (3,48).

    Metodologia

    O Painel do Poder realiza entrevistas periódicas com parlamentares para medir a percepção sobre temas legislativos, conjuntura política e avaliação do governo federal. A edição atual considerou respostas de 69 parlamentares (deputados federais e senadores), refletindo as clivagens ideológicas, partidárias e regionais do Congresso Nacional.

    As questões relativas à licença-paternidade foram formuladas em dois blocos: um avaliando o grau de concordância pessoal com a proposta e outro sobre a percepção da viabilidade de sua aprovação no curto prazo.

  • Justiça bloqueia bens de Marcelo Crivella por suspeita de improbidade

    Justiça bloqueia bens de Marcelo Crivella por suspeita de improbidade

    A Justiça do Rio de Janeiro determinou liminarmente o bloqueio de bens do deputado federal e ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). A medida atinge também a ex-secretária municipal de Saúde Ana Beatriz Busch Araújo, o ex-subsecretário Ivo Remuszka Junior e empresários ligados a empresas contratadas pela Prefeitura do Rio durante a pandemia de covid-19.

    A decisão, proferida pela 3ª Vara da Fazenda Pública do Rio, limita o bloqueio de bens a R$ 50,5 milhões por réu. No total, a medida atinge nove pessoas físicas e jurídicas. Entre os alvos estão a fornecedora China Meheco Corporation, responsável por contratos para compra de equipamentos hospitalares, e empresas brasileiras apontadas como intermediárias.

    MPRJ aponta direcionamento e pagamento de vantagens indevidas em compras hospitalares.

    MPRJ aponta direcionamento e pagamento de vantagens indevidas em compras hospitalares.Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), os contratos foram firmados com direcionamento para favorecer a China Meheco, com dispensa de licitação ou concorrência manipulada. Auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM-RJ) estima prejuízo de R$ 68 milhões aos cofres públicos. O valor corresponde à compra de equipamentos acima da demanda, perdas com variação cambial e sobrepreço.

    Na ação, o MPRJ afirma que a empresa Z Fu Consultoria Empresarial, ligada ao empresário Bruno Cavalcanti, firmou acordo com a fornecedora chinesa para receber 11% de comissão sobre os contratos. O pagamento seria, segundo a Promotoria, uma forma de disfarçar vantagem indevida, vinculada à campanha de Crivella em 2016. Cavalcanti também teria atuado na estruturação dos contratos mesmo sem cargo público.

    O órgão requer ainda a condenação dos envolvidos com base nas Leis de Improbidade Administrativa e Anticorrupção, com ressarcimento integral ao erário e reversão dos valores recebidos ilegalmente.

    Em nota, o gabinete de Crivella afirmou que a gestão municipal foi pioneira na aquisição de equipamentos médicos durante a pandemia e que o material foi comprado antes da alta de preços em 2020. A defesa informou aguardar notificação oficial para recorrer da decisão.

  • Zambelli é condenada a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do CNJ

    Zambelli é condenada a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do CNJ

    A 1ª do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira (14), por unanimidade, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) por envolvimento em ataques aos sistemas virtuais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A pena imposta foi de 10 anos de prisão em regime fechado, além do pagamento de 200 dias-multa, cada um no valor de dez salários mínimos.

    Zambelli foi considerada culpada pelos crimes de invasão qualificada de dispositivo informático com prejuízo à Administração Pública e falsidade ideológica. As condutas foram praticadas em múltiplos episódios, o que resultou na aplicação de concurso material, com soma das penas para cada ato.

    Com a condenação, Carla Zambelli será declarada inelegível após o trânsito em julgado.

    Com a condenação, Carla Zambelli será declarada inelegível após o trânsito em julgado.Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    A parlamentar foi apontada como responsável por articular, financiar e comandar as ações ilegais realizadas por Walter Delgatti Neto, que invadiu sistemas do CNJ entre o fim de 2022 e janeiro de 2023. Um dos documentos forjados foi um mandado de prisão em nome do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

    Em seu voto, Moraes considerou que a deputada “arregimentou o executor dos delitos, Walter Delgatti, mediante promessa de benefícios, com o objetivo de gerar ambiente de desmoralização da Justiça Brasileira, para obter vantagem de ordem política”.

    O relator concluiu que o ataque aos sistemas não se tratou de um ato isolado, mas parte de uma tentativa de abalar a confiança no Judiciário. “O texto redigido por Carla Zambelli e inserido no documento por Walter Delgatti revela que os denunciados atuaram com o óbvio fim de prejudicar a própria Justiça, na sua credibilidade e funcionamento regular”, ponderou.

  • AGU dá 24h para Meta e TikTok removerem fake news sobre Janja

    AGU dá 24h para Meta e TikTok removerem fake news sobre Janja

    Fake news tenta associar Janja a desvios no INSS

    Fake news tenta associar Janja a desvios no INSSTon Molina /Fotoarena/Folhapress

    A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou as empresas Meta e TikTok para que removam, em até 24 horas, publicações que disseminam informações falsas sobre a viagem da comitiva do governo brasileiro à Rússia. As notificações extrajudiciais foram encaminhadas, nessa quarta-feira (14), a partir de um pedido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR), e incluem links com conteúdos considerados “manifestamente desinformativos”.

    Veja a notificação extrajudicial da AGU

    Segundo a AGU, as postagens apontam, de forma mentirosa, que a primeira-dama, Janja da Silva, teria sido flagrada transportando 200 malas contendo dinheiro desviado do INSS, supostamente apreendidas em um aeroporto russo episódio que teria provocado um incidente diplomático. A comitiva brasileira viajou ao país europeu para participar das comemorações pelos 80 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista, na Segunda Guerra Mundial.

    Acusações falsas e desinformação

    De acordo com a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), braço da AGU responsável pela notificação, as publicações vinculadas às redes Instagram e TikTok “não condizem com a realidade” e têm como objetivo fragilizar a missão diplomática do Estado brasileiro. A AGU argumenta que o conteúdo, ao inventar fatos que jamais ocorreram, viola não apenas os direitos fundamentais à informação, como também extrapola os limites da liberdade de expressão, configurando abuso de direito.

    A notificação destaca que as postagens:

    • Alegam que a comitiva presidencial viajou à Rússia em um avião da FAB carregando 200 malas com dinheiro oriundo de corrupção no INSS;
    • Afirmam que a primeira-dama foi detida no aeroporto russo, com repercussões diplomáticas;
    • Fazem associação indevida com a “Operação Sem Desconto”, da Polícia Federal e da CGU, que investiga fraudes em aposentadorias e pensões.

    A AGU pontua ainda que não há qualquer evidência que sustente tais alegações, já refutadas por agências de checagem como Aos Fatos, Estadão Verifica, Boatos.org e UOL Confere.

    AGU incluiu prints de veículos que fazem checagem mostrando que informações divulgadas sobre apreensão de malas de dinheiro são falsas

    AGU incluiu prints de veículos que fazem checagem mostrando que informações divulgadas sobre apreensão de malas de dinheiro são falsasReprodução/AGU

    Violação aos termos de uso

    Além de infringirem a legislação nacional, os conteúdos também violam os próprios termos de uso e os padrões de comunidade das plataformas. A Meta, que controla o Instagram, proíbe expressamente conteúdos que promovam práticas enganosas e que tentem manipular programas públicos ou contextos políticos por meio da desinformação.

    O documento oficial da AGU cita ainda jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que legitima a remoção de conteúdos por iniciativa das próprias plataformas quando houver violação à lei ou aos termos de uso, sem necessidade de ordem judicial.

    Responsabilização e pedido de remoção

    A AGU adverte que, caso as plataformas não removam os conteúdos citados, poderão ser responsabilizadas por omissão culposa, já que a permanência das postagens “tem o condão de confundir o público interno sobre tema relevante e sensível, como as relações diplomáticas e a missão oficial do Estado brasileiro”.

    Entre os links apontados como propagadores de desinformação estão seis postagens do Instagram, todas contendo vídeos com as alegações falsas.

    A notificação foi assinada pelos advogados da União Raphael Ramos Monteiro de Souza, Rogaciano Bezerra Leite Neto e Rodrigo Cunha Veloso.

  • Desmatamento no Brasil cai 32% em 2024

    Desmatamento no Brasil cai 32% em 2024

    O desmatamento caiu 32,4% em 2024 em todos os biomas do Brasil, segundo relatório do MapBiomas divulgado nesta quinta (15). É o segundo ano seguido de redução, com destaque para a Amazônia, onde a queda chegou a 54%. Ainda assim, a destruição de vegetação nativa segue alta.

    Cerrado foi o bioma que registrou maior área desmatada em 2024.

    Cerrado foi o bioma que registrou maior área desmatada em 2024.Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O Cerrado liderou as perdas, com mais de 652 mil hectares devastados. A área total desmatada no país em 2024 se concentra principalmente em cinco estados: Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Pará, que juntos respondem por 65% da destruição.

    Meta ambiental desafia governo

    A redução reforça o discurso do governo Lula sobre preservação ambiental. A meta é de zerar o desmatamento até 2030. O tema será central na COP30, marcada para novembro em Belém.

    Veja os resultados por bioma:

    • Cerrado: Teve a maior área desmatada: 652.197 hectares. A região do Matopiba concentrou 75% da destruição.
    • Amazônia: Perdeu 377.708 hectares, mas viu a degradação florestal crescer 163% em dois anos. O Acre aumentou em 30% seu desmate.
    • Caatinga: Registrou o maior alerta individual: um imóvel no Piauí devastou 13.628 hectares em três meses.
    • Pantanal: Teve 23.295 hectares desmatados, o equivalente a 1,9% da área total perdida no país.
    • Mata Atlântica: Perdeu 13.472 hectares (1,1% do total). O relatório destaca influência de extremos climáticos.
    • Pampa: Apareceu com o menor índice: 896 hectares, apenas 0,1% da perda nacional.

    Mais de 97% da vegetação desmatada entre 2019 e 2024 foi para uso agropecuário. A mineração, embora menor em área, responde por 99% das perdas na Amazônia. Em seis anos, o país perdeu quase 10 milhões de hectares de vegetação nativa, área equivalente à Coreia do Sul.

  • Deputado propõe multa pesada a quem levar bebê reborn ao SUS

    Deputado propõe multa pesada a quem levar bebê reborn ao SUS

    Febre dos bebês reborn gera polêmica

    Febre dos bebês reborn gera polêmicaReprodução/Redes sociais

    Os bonecas hiper-realistas conhecidos como bebês reborn vêm ganhando cada vez mais visibilidade no Brasil não apenas entre colecionadores e nas redes sociais, mas também no meio legislativo. Em resposta ao crescente interesse por esses bonecos que imitam recém-nascidos com impressionante realismo, três projetos de lei recentes chamaram atenção ao tratar do tema sob diferentes perspectivas: saúde mental, uso de recursos públicos e reconhecimento simbólico. Até o momento, nenhuma proposta sobre o assunto foi apresentada no Congresso. As iniciativas têm surgido nos legislativos estadual e municipal.

    O projeto mais recente é de autoria do deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG), que protocolou o PL 3.757/2025 na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O texto proíbe expressamente o atendimento a bebês reborn e outros objetos inanimados nas unidades públicas de saúde. O descumprimento poderá resultar em multa de até dez vezes o valor do serviço prestado, a ser revertida para o tratamento de pessoas com transtornos mentais.

    Devaneios

    A medida foi motivada por um caso em que uma mulher levou um boneco para atendimento médico, alegando que a “criança” estaria com febre. Na justificativa do projeto, Caporezzo critica o que chama de “distopia generalizada” e menciona episódios judiciais em que a “tutela” de bonecas reborn foi discutida em contextos como separações e disputas por herança.

    “Infelizmente, os devaneios da sociedade contemporânea colocam em perigo todo o povo de Minas Gerais”, afirmou o parlamentar.

    Caporezzo ganhou notoriedade nacional ao ser identificado como o autor da frase em inglês lida por Jair Bolsonaro durante manifestação pró-anistia em São Paulo, no último mês: “Popcorn and ice cream sellers sentenced for coup dÉtat in Brazil” (“Vendedores de pipoca e sorvete condenados por tentativa de golpe de Estado no Brasil”).

    Veja o anúncio do projeto pelo deputado:

    Apoio psicológico para “pais” de reborns

    Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Rodrigo Amorim (União) apresentou o Projeto de Lei nº 5357/2025, que propõe a criação de um programa de saúde mental para pessoas que desenvolvam vínculos emocionais com bebês reborn.

    O objetivo é prevenir quadros de depressão, suicídio e o uso do boneco como forma de fuga da realidade. O programa deve oferecer ações de prevenção, acolhimento, orientação e acompanhamento contínuo, conduzidas por equipes multidisciplinares compostas por psicólogos, terapeutas e assistentes sociais.

    Amorim reconhece que os reborns podem atuar como ferramentas terapêuticas importantes, especialmente em casos de luto perinatal, mas alerta para os riscos de dependência afetiva e isolamento social.

    “Os bebês reborn não podem se tornar objetos que afastem as pessoas do convívio social ou da realidade concreta. É necessário oferecer apoio para que esse vínculo simbólico não evolua para uma relação patológica”, justifica.

    Dia da Cegonha Reborn

    Antes desses dois projetos, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou, em 7 de maio, o PL nº 1892/2023, que institui o Dia da Cegonha Reborn no calendário oficial da cidade. A data homenageia as artesãs que produzem os bonecos, conhecidas como “cegonhas”. A proposta, de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB), aguarda sanção ou veto do prefeito Eduardo Paes. A data escolhida foi o dia 4 de setembro.

    Os bebês reborn são bonecos artísticos confeccionados manualmente para se assemelhar a bebês reais. A pintura minuciosa reproduz textura de pele, veias e manchas, os cabelos são implantados fio a fio e o peso é similar ao de um recém-nascido. O nome “reborn” que significa “renascido” em inglês remete ao processo artesanal e detalhado de produção.

    Criadas por artistas conhecidas como “cegonhas”, essas bonecas conquistaram figuras públicas como Britney Spears, Gracyanne Barbosa e até o padre Fábio de Melo. Embora muitas vezes sejam usadas com fins terapêuticos, os reborns também protagonizam vídeos de parto, amamentação simulada, troca de fraldas e atribuição de nomes, suscitando debates sobre os limites entre o brincar e o vínculo afetivo simbólico.

  • Governo prevê que déficit do INSS vai a 11% do PIB até o fim do século

    Governo prevê que déficit do INSS vai a 11% do PIB até o fim do século

    O governo prevê que o déficit do INSS, hoje em 2,58% do PIB (R$ 328 bilhões), poderá chegar a 11,59% do PIB até 2100, somando R$ 30,88 trilhões. A projeção faz parte da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026 e reflete o envelhecimento da população brasileira.

    Com menos jovens entrando no mercado de trabalho e mais idosos recebendo benefícios, o sistema previdenciário de repartição (em que os ativos sustentam os inativos) deve enfrentar crescente desequilíbrio nas próximas décadas.

    Leia aqui, na íntegra, o anexo ao PLOA 2026 com as projeções.

    Agência do INSS em São Paulo.

    Agência do INSS em São Paulo.Pedro Affonso/Folhapress

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    Reforma de 2019 não garante equilíbrio

    A projeção indica que, em algum momento, o Brasil deve passar por outra reforma da Previdência. Mesmo com as regras mais rígidas estabelecidas em 2019, como os ajustes em idade mínima e tempo de contribuição, o rombo continuará aumentando.

    De acordo com as estimativas do governo:

    • A população com 60 anos ou mais deve subir de 13,8% (2019) para 32,2% (2060).
    • A faixa entre 16 e 59 anos cairá de 62,8% (2010) para 52,1% (2060).

    O documento também aponta o crescimento de gastos judiciais com benefícios como aposentadoria especial e auxílio-acidente, hoje superiores a R$ 27 bilhões por ano em precatórios.

  • Ao vivo: Senado ouve ministro da Previdência sobre fraudes contra aposentados

    Ao vivo: Senado ouve ministro da Previdência sobre fraudes contra aposentados

    O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, foi convidado a prestar esclarecimentos no Senado, nesta quinta-feira (15), em audiência na Comissão de Fiscalização e Controle. O foco da audiência é a apuração sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Wolney assumiu o ministério há duas semanas no lugar de Carlos Lupi, demitido após revelação de escândalo.

    Assista à transmissão:

    O ministro deverá fornecer detalhes sobre as fraudes que envolvem descontos não autorizados, além de apresentar medidas de transparência e prestação de contas e discutir políticas públicas da pasta.

    O pedido de comparecimento partiu dos senadores Sergio Moro (União-PR), Dr. Hiran (PP-RR) e Eduardo Girão (Novo-CE). Sergio Moro criticou a demora do governo em agir. Segundo ele, até março de 2024 nenhuma medida concreta havia sido tomada, apesar de alertas anteriores. O tema só foi oficialmente discutido pelo conselho do INSS em abril de 2024, quase dez meses após o primeiro sinal de irregularidade, destacou o parlamentar.

    Nessa quarta (14), o presidente do INSS, Gilberto Waller, revelou que 473,9 mil pessoas já solicitaram devolução de valores cobrados indevidamente, alegando descontos não autorizados em seus benefícios.

    Como resposta à fraude, o governo federal anunciou, no último dia 8, o bloqueio de bens, contas correntes e investimentos de 12 associações envolvidas no esquema. O valor total dos ativos bloqueados, que serão destinados ao ressarcimento dos prejudicados, ultrapassa R$ 2 bilhões.