Categoria: SAÚDE GOV

  • Profissionais da Saúde de Cabo Verde e Guiné-Bissau contam como tiveram as vidas transformadas pelo EpiSUS

    Profissionais da Saúde de Cabo Verde e Guiné-Bissau contam como tiveram as vidas transformadas pelo EpiSUS

    No evento de abertura das comemorações dos 25 anos do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS – EpiSUS, dois profissionais da Saúde contaram suas experiências, desafios e superações durante o período de formação no nível avançado do programa.

    O EpiSUS oferece vagas afirmativas para pessoas de países lusófonos desde 2017. Até o momento, três profissionais da Guiné-Bissau se formaram no nível avançado (14ª e 15ª turmas). Atualmente, Janilza Silveira, de Cabo Verde, e Benvindo Sá, da Guiné-Bissau estão em treinamento. Os países são responsáveis por selecionar e indicar seus candidatos, que passam por etapas como entrevistas, análise do histórico profissional e definição de objetivos a partir do treinamento.

    O aprendizado adquirido no Brasil acompanha os profissionais quando voltam aos países de origem, beneficiando não apenas as trajetórias pessoais, mas, também, as comunidades. E, quando outros países precisarem – sejam vizinhos ou até mesmo o Brasil –, estarão prontos para auxiliarem.

    População vulnerável

    Com um mestrado na Inglaterra, um estágio pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em Atlanta e uma pós-graduação em Saúde Pública, quando pisou em solo brasileiro pela segunda vez, a cabo-verdense Janilza trazia na bagagem não só títulos, mas um olhar cada vez mais aguçado para a vigilância epidemiológica. No entanto, foi no EpiSUS que ela encontrou o que tanto buscava: um aprendizado que se dava no calor dos surtos, na rua, no contato direto com populações vulnerabilizadas.

    Sua primeira experiência de campo foi em um surto de hepatite A na Região Sul do Brasil. Mais do que mapear os casos, Janilza e equipe identificaram algo que poderia ter passado despercebido – a doença atingia de forma desproporcional pessoas em situação de rua. “Poder demonstrar que era necessário um olhar específico para essa população vulnerável, foi algo muito significativo para mim”, recorda.

    Apesar da experiência internacional e da familiaridade com o Brasil, mudar-se novamente não foi simples. “É um esforço porque precisei pausar o trabalho que eu fazia para me dedicar a um período mais acadêmico, mas sei que isso será aplicado na prática e trará benefícios”. O futuro já está traçado: voltar para Cabo Verde e aplicar tudo o que aprendeu. Além de fortalecer o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), quer contribuir para a formação de novos epidemiologistas em seu país. “Pretendo continuar trabalhando no Programa de Epidemiologia de Campo em Cabo Verde (EpiCV) e aplicar um pouco do que aprendi no Brasil”.

    Progresso dos colegas

    Se a pandemia de Covid-19 transformou o mundo, na vida de Benvindo Sá ela foi um divisor de águas. Médico de formação, atuava na assistência clínica quando foi chamado para integrar a equipe de resposta rápida na Guiné-Bissau. Foi ali, lidando diretamente com surtos, que entendeu que seu caminho era a epidemiologia de campo.

    A decisão de ingressar no EpiSUS veio com a influência de um colega que já havia passado pelo programa. “Vendo o progresso dos colegas que fizeram o EpiSUS aqui, percebi que eles estavam contribuindo bastante para o sistema de saúde do nosso país. Os resultados eram palpáveis, dava para ver a diferença que faziam”, conta.

    Envolvido nas atividades de combate à pandemia, Benvindo logo se interessou pela proposta. Ingressou e concluiu o nível intermediário, ofertado na Guiné-Bissau. Depois, soube que o programa também disponibilizava vagas para países lusófonos no nível avançado. “Comecei a pesquisar mais sobre o EpiSUS, vi a experiência do programa ao longo do tempo e como ele formava profissionais que depois poderiam apoiar outros países”, conta. A familiaridade pela língua portuguesa o fez optar pelo programa brasileiro.

    Apesar dos desafios, ele considera a experiência gratificante. “O EpiSUS tem sido uma experiência valiosa porque me permite aprender fazendo”, descreve. “Aqui, estou tendo essa oportunidade de fato, colocando em prática aquilo que aprendi há algum tempo, mas não tive a chance de aplicar antes”.

    O aprendizado veio de forma rápida e intensa. “Meu primeiro campo no Brasil foi em Santa Catarina, investigando um surto de febre do oropouche. Depois, fui para o sul da Bahia apoiar uma investigação sobre varicela em uma aldeia indígena”. Mas foi no Pará, liderando uma investigação sobre meningite, que sentiu o peso da responsabilidade. “Foi um grande desafio conduzir tudo em um país com um sistema de saúde diferente, lidando com equipes que têm uma outra dinâmica e modos de lidar com a situação”. E conclui: “Assim que terminar a formação, pretendo voltar e contribuir com o fortalecimento do sistema de saúde [do meu país], assim como os colegas que já passaram por esse programa. Esse é o objetivo do EpiSUS: qualificar profissionais para fortalecer os sistemas de saúde dos países, especialmente os lusófonos”. 

    Felipe Moraes
    Ministério da Saúde

  • Conheça o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha

    Conheça o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha

    Médico infectologista pela Universidade de São Paulo (USP), doutor em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor de Medicina e Saúde nas universidades Nove de Julho (Uninove) e São Leopoldo Mandic, Alexandre Padilha tomou posse como ministro da Saúde nesta segunda-feira (10), em Brasília. 

    Com longa jornada na vida pública e atuação relevante no Sistema Único de Saúde (SUS), foi ministro no governo Lula (2009-2010) da pasta de Relações Institucionais; da Saúde durante a gestão Dilma Rousseff (2011-2014); e novamente ministro de Relações Institucionais no atual mandato do presidente Lula, de 2023 até o dia de hoje. 

    Foi secretário municipal de Relações Governamentais e, em seguida, secretário municipal da Saúde da cidade de São Paulo, durante a gestão de Fernando Haddad (2013-2016). Atualmente, é deputado federal reeleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo. 

    Em sua primeira experiência como ministro da Saúde, Padilha criou uma das políticas mais importantes para promoção do cuidado em áreas de vulnerabilidade social: o programa Mais Médicos, que chegou a ter durante o governo Dilma 18 mil médicos em atuação, atendendo a cerca de 60 milhões de brasileiros por meio do SUS. 

    Sua gestão também foi marcada pela ampliação do Farmácia Popular, com início da distribuição de medicamentos gratuitos para pessoas com diabetes, hipertensão e asma e aumento de 10,3 milhões para 19,4 milhões de beneficiados, além da expansão de diversos serviços especializados em oncologia e em cuidado obstétrico, como a antiga Rede Cegonha – relançada em 2024 como Rede Alyne

    Como deputado federal, coordenou a Frente Parlamentar Mista de Enfrentamento às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) no Congresso Nacional e foi membro da Comissão de Seguridade Social e Família, Desenvolvimento Urbano, Cultura, Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. 

    Foi autor da lei que garante indenização para dependentes e trabalhadores da saúde e da assistência social que tiveram sequelas em decorrência da covid-19. Como relator, viabilizou a aprovação do Piso Nacional da Enfermagem

    Na gestão como secretário municipal de saúde, implementou em São Paulo a Rede de Hospitais Especializados Hora Certa, as UPAs 24h e expandiu o atendimento das UBS aos sábados. 

    Ministério da Saúde

  • Conheça as práticas para reduzir o comportamento sedentário disponíveis no SUS

    Conheça as práticas para reduzir o comportamento sedentário disponíveis no SUS

    O comportamento sedentário está diretamente ligado ao aumento de condições crônicas e à dificuldade para realização de atividades de vida diária. Nesta segunda (10), o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo é lembrado para conscientizar a população sobre a importância  de uma vida ativa, com saúde e qualidade. Para colaborar com a redução do comportamento sedentário, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta práticas e ações por meio da Atenção Primária à Saúde (APS).

    Conheça algumas delas a seguir

    Guia da Atividade Física para a População Brasileira

    Publicado em 2021, o material traz recomendações e informações do Ministério da Saúde sobre atividade física. O conteúdo incentiva a prática de exercícios, além de explicar que quanto mais cedo isso se torna um hábito, mais benefícios para a saúde são conquistados, como o controle ponderal e a diminuição da chance de desenvolvimento de alguns tipos de câncer e doenças crônicas.

    O guia aborda a prática regular de atividade física em todos os ciclos de vida –  seja para crianças, adolescentes, adultos e idosos – e informa sobre as recomendações de exercícios e cuidados para outras especificidades.

    Acesse o guia

    Programa Academia da Saúde

    O Programa Academia da Saúde (PAS) é uma estratégia de promoção da saúde, produção do cuidado e de modos de vida saudáveis para a população que faz parte da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e busca garantir a integralidade do cuidado. As ações ofertadas são: práticas corporais e atividades físicas; promoção da alimentação saudável; práticas integrativas e complementares em saúde (PICS); práticas artísticas e culturais; educação em saúde; planejamento e gestão; e mobilização da comunidade.

    Incentivo financeiro de custeio à atividade física

    Para implementar ações de atividade física na atenção primária, o Ministério da Saúde instituiu o Incentivo Financeiro de Custeio às Ações de Atividade Física (IAF). O objetivo é ofertar ações de atividade física na APS, por meio da contratação de profissionais de educação física na saúde; da aquisição de materiais de consumo; e da qualificação de ambientes relacionados à atividade física. Além de melhorar o cuidado das pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).

    Programa Saúde Escola

    O Programa Saúde Escola (PSE) tem como finalidade contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. O PSE articula os setores da saúde e educação com 14 temáticas de promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos nas escolas, incluindo as atividades físicas.

    Acesse o Guia de Bolso do PSE – Promoção da Atividade Física

    Equipes multiprofissionais

    O SUS conta com equipes multiprofissionais (eMulti) na formação da APS. Compostas por profissionais de saúde de diferentes áreas e categorias, as equipes promovem o cuidado multidisciplinar nos diferentes territórios e fortalecem as articulações com outros equipamentos de saúde e de outros setores (educação, serviço social, cultura, lazer, esporte, entre outros). Fisioterapeutas e profissionais de educação física podem integrar as eMulti, fortalecendo as possibilidades de cuidados ofertados à população que utiliza o movimento, as práticas corporais e atividades físicas como recurso terapêutico.

    Sobre o comportamento sedentário

    O comportamento sedentário está associado ao aumento do acúmulo de gordura, elevação dos valores do Índice de Massa Corporal (IMC), pressão arterial, glicemia e triglicérides, diabetes mellitus, síndrome metabólica e alguns tipos de cânceres e doenças cardiovasculares. Nos últimos anos, o tempo gasto com o uso de telas está fortemente relacionado ao aumento do risco de desenvolvimento dessas doenças.

    Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) mostram que, entre 2016 e 2023, houve um salto da frequência de adultos que despendem 3 horas ou mais por dia do tempo livre com o uso de telas, variando de 61,7%, em 2016 a 67,0% em 2023.

    No mês passado, os ministérios da Saúde, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Governo de Portugal firmaram acordo para fortalecer a alimentação saudável e a prevenção da obesidade. O documento considera os desafios comuns enfrentados por ambos os países, como a obesidade – incluindo a infantil –, a insegurança alimentar e a elevada prevalência de doenças crônicas não transmissíveis associadas a sistemas e ambientes alimentares pouco saudáveis e sustentáveis, que dificultam a adoção de hábitos saudáveis pela população.

    Entre as principais iniciativas previstas, destacam-se a realização de eventos científicos; o desenvolvimento de pesquisas conjuntas; o intercâmbio de especialistas e gestores; a implementação de projetos para avaliação do impacto de políticas públicas; a troca de experiências sobre diretrizes e recomendações oficiais; além do compartilhamento de estratégias voltadas ao ambiente escolar e à governança intersetorial da alimentação saudável.

    Ana Freire
    Ministério da Saúde

  • Oficina é realizada para avaliar o Plano de Contingência de Arboviroses do Mato Grosso do Sul

    Oficina é realizada para avaliar o Plano de Contingência de Arboviroses do Mato Grosso do Sul

    O Ministério da Saúde, por meio do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para Dengue e outras Arboviroses (COE Dengue), em parceria com a Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul (SES/MS), realizou na quarta-feira (19) uma oficina para avaliação do Plano de Contingência de Arboviroses do estado. O encontro aconteceu na Escola de Saúde Pública Dr. Jorge David Nasser e reuniu profissionais dos setores de vigilância epidemiológica, assistência à saúde e controle vetorial.

    “O estado convidou o Ministério da Saúde para apoiar a oficina de avaliação do Plano de Contingência de Arboviroses, com o objetivo de contribuir para o planejamento e a construção dos planos do estado e dos municípios, especialmente devido à chegada dos novos gestores municipais e da nova equipe de saúde, para que possamos combater conjuntamente as arboviroses, evitando óbitos e uma possível epidemia”, destacou a gerente de Doenças Endêmicas da secretaria, Jéssica Lemos.

    Nas primeiras sete semanas epidemiológicas de 2025, foram registrados no Mato Grosso do Sul 2.700 casos prováveis, um óbito confirmado e outro em investigação, de acordo com o Painel de Monitoramento das Arboviroses. Dos 79 municípios, 14 apresentam clima favorável à transmissão, segundo o Infodengue.  

    A coordenadora-geral de Preparação para Emergências em Saúde Pública do ministério, Taynná Almeida, reforçou a necessidade de avaliação do plano. “É fundamental para garantir que as estratégias de prevenção e resposta às arboviroses, como dengue, Zika e chikungunya, sejam coordenadas e adequadas ao cenário epidemiológico do estado”, explicou.

    Durante a oficina, os participantes revisitaram o documento, identificaram pontos de aprimoramento e sugeriram melhorias para fortalecer a coordenação entre os setores de saúde, garantindo uma atuação mais integrada e eficiente no estado.

    “O treinamento propicia a integração dos setores que fazem parte do plano e, de alguma maneira, atuam na resposta às emergências em saúde pública, que é intersetorial. Portanto, é um momento essencial para avaliar o que foi estabelecido no plano e realizar as alterações necessárias”, afirmou a coordenadora do Centro de Emergências em Saúde Pública da SES/MS, Karine Barbosa.

    A atividade teve também a participação da assessora técnica do DEMSP, Raquel Proença, e do técnico da Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses (CGARB), José Braz Padilha. A ação reforça a integração entre o Ministério da Saúde e os estados, promovendo uma atuação conjunta e coordenada na formulação de estratégias eficazes para o enfrentamento das arboviroses em todo o país.

    Visitas pelo país

    Do início do ano até o momento, o COE Dengue já realizou visitas em 16 estados e 27 municípios, dentre eles Bagé (RS), Belo Horizonte (MG), Contagem (MG), Campinas (SP), Cruzeiro do Sul (AC), Feijó (AC), Fortaleza (CE), Foz do Iguaçu (PR), Joinville (SC), Macapá (AP), Manaus (AM), Pelotas (RS), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO), Ribeirão Preto (SP), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande (RS), Salvador (BA), São José do Rio Preto (SP), Tarauacá (AC), Vitória (ES), Cuiabá (MT), Recife (PE), Curitiba (PR) e Campo Grande (MS).

    Plano de Contingência Nacional

    O Plano de Contingência Nacional para Dengue, Chikungunya e Zika estabelece diretrizes para a prevenção, controle e assistência em saúde durante surtos e epidemias. O documento reforça a necessidade de uma resposta organizada e eficiente, com integração entre diferentes esferas de governo e participação ativa da população.

    Felipe Moraes
    Ministério da Saúde

  • Práticas Integrativas e Complementares em Saúde crescem 70% e ampliam o acesso ao cuidado integral no SUS

    Práticas Integrativas e Complementares em Saúde crescem 70% e ampliam o acesso ao cuidado integral no SUS

    As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) vêm se consolidando como parte essencial do cuidado integral no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, foram realizados 7.156.703 procedimentos, representando um aumento de 70% em relação a 2022. O levantamento foi realizado pelo Núcleo Técnico de Gestão da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (NTG-PNPIC), do Ministério da Saúde, e evidencia a expansão do acesso e a crescente adesão da população a essas práticas.

    Os dados refletem os avanços da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), instituída em 2006, que reconhece práticas denominadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI). Tais abordagens ampliam as possibilidades terapêuticas de cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS), na Média e Alta Complexidade (MAC), promovendo a saúde integral e incentivando o autocuidado da população.

    Média e Alta Complexidade

    A oferta de PICS na Atenção Primária à Saúde (APS) registrou 3.198.546 procedimentos em 2024, um aumento de 32% em relação a 2023 e 67% na comparação com 2022. Já na Média e Alta Complexidade (MAC), o crescimento foi ainda mais significativo, com 3.958.157 procedimentos, marcando um avanço de 18% sobre 2023 e 73% desde 2022.

    Além da ampliação dos atendimentos, o número de participantes das atividades de PICS também aumentou significativamente. Em 2024, mais de 9 milhões de pessoas acessam essas práticas no SUS, um crescimento de 83% em relação a 2022. Na APS, a participação aumentou 93% nos últimos dois anos, totalizando 5.048.025 usuários em 2024.

    Práticas com maior crescimento

    As PICS abrangem diferentes abordagens terapêuticas, desde técnicas individuais até atividades coletivas voltadas para a promoção do bem-estar e da expressão criativa. Algumas práticas registraram crescimento na APS acima da média nos últimos anos:

    • Auriculoterapia: 929.920 atendimentos em 2024 (+102% em relação a 2022);
    • Aromaterapia: 106.077 atendimentos (+181% desde 2022);
    • Práticas Corporais da Medicina Tradicional Chinesa: 658.899 participantes (+208%);
    • Yoga: 217.925 participantes (+290% desde 2022);
    • Arteterapia: 71.429 participantes (+271%); 
    • Musicoterapia: 74.716 participantes (+374%).

    O crescimento acelerado dessas práticas reflete o fortalecimento das estratégias de cuidado no SUS e a ampliação da oferta nos municípios.

    Expansão das PICS e qualificação profissional

    O avanço das PICS no SUS vem ocorrendo desde a publicação desta política pública. Nos últimos anos, o Ministério da Saúde implementou ações estratégicas para fortalecer a PNPIC e ampliar o acesso da população às abordagens terapêuticas integrais de cuidado em saúde

    Entre as iniciativas, destaca-se a expansão das Equipes de Saúde da Família e das Equipes Multiprofissionais na APS, bem como a retomada do Programa Mais Médicos, garantindo maior capilaridade e qualidade na oferta dos serviços. Além disso, a Política Nacional de Promoção da Saúde tem reforçado o incentivo ao autocuidado apoiado e à articulação intersetorial.

    No campo de capacitação profissional, a pasta lançou 12 novos cursos na plataforma AVASUS, totalizando 18 cursos disponíveis, com mais de 232 mil inscritos. Além disso, foram concluídas formações em auriculoterapia e protocolos de acupuntura em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com previsão de novas turmas para 2025.

    Outra ação de destaque foi o projeto piloto desenvolvido em parceria com a Fiocruz, que integra PICS ao cuidado da dor crônica, saúde mental e uso de plantas medicinais e fitoterápicos para tratamento de feridas na APS. O projeto reforça a importância dessas práticas no manejo de condições de saúde recorrentes e na qualificação dos serviços oferecidos à população.

    Como acessar as PICS no SUS

    As Práticas Integrativas e Complementares (PICS) estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e podem ser acessadas diretamente nos serviços de saúde da rede pública. Para utilizar as práticas integrativas, a população pode:

    Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima

    Algumas UBS oferecem práticas como auriculoterapia, yoga, práticas corporais da Medicina Tradicional Chinesa, arteterapia e musicoterapia. Tais abordagens de cuidado podem ser disponibilizadas individualmente ou em grupos, dentro da programação das Unidades de Saúde da Família, Centros de Convivência e Centros de Práticas Integrativas. O acesso pode ocorrer por demanda espontânea ou encaminhamento de um profissional de saúde.

    Consulte a disponibilidade no município

    A oferta das PICS varia de acordo com cada cidade. Por isso, é recomendado buscar informações na Secretaria de Saúde do seu município para saber quais práticas estão disponíveis perto de sua casa ou trabalho.

    Tratamentos específicos

    Algumas práticas, como acupuntura e fitoterapia, podem exigir encaminhamento para serviços especializados, conforme a necessidade de cada pessoa. Converse com a equipe de saúde de sua UBS para esclarecer dúvidas e receber orientações sobre as PICS oferecidas em sua região.

    Fortalecimento do cuidado integral

    A ampliação das PICS reforça o compromisso do SUS com um modelo de atenção que vai além do tratamento de doenças, promovendo saúde e bem-estar de forma integral. Alinhada às diretrizes da OMS e da Estratégia Global para Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas, a política avança na inclusão de abordagens terapêuticas seguras e embasadas na ciência, tornando-as cada vez mais acessíveis e seguras para a população.

    Com ações estratégicas voltadas para a qualificação profissional e ampliação do acesso em consonância com as diretrizes da PNPIC, as PICS seguem como um pilar importante para a promoção da saúde no Brasil, fortalecendo a atenção primária e integrando diferentes formas de cuidado na rede pública. 

    Raiane Azevedo
    Ministério da Saúde

  • Força Nacional do SUS realiza mais de 2 mil atendimentos de dengue em São José do Rio Preto

    Força Nacional do SUS realiza mais de 2 mil atendimentos de dengue em São José do Rio Preto

    Após 23 dias de atuação no município de São José do Rio Preto (SP), que lidera o número de casos de dengue no estado de São Paulo, com 35.019 casos prováveis e 16 óbitos em 2025, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) já realizou 2.081 atendimentos a pacientes com a doença. Os atendimentos incluem os serviços prestados no centro de hidratação montado na cidade numa parceria entre o Ministério da Saúde e a secretaria municipal de saúde. 

    Para o coordenador-geral da Força, Rodrigo Stabeli, que está à frente da missão na cidade, a ação do Ministério da Saúde, por meio da Força Nacional do SUS, reforça o Plano Nacional de Enfrentamento à Dengue e Outras Arboviroses, lançado em 2024. 

    “São José do Rio Preto tem se destacado como um caso de sucesso e um importante laboratório para o plano nacional que lançamos no ano passado. A grande inovação desse plano, na minha visão, foi a reorganização e o fortalecimento da assistência, tanto nas unidades básicas de saúde quanto nas redes de urgência”, acredita.

     “Com a adoção do protocolo que estabelecemos e a mudança no fluxo de atendimento, a cidade começou a desafogar suas unidades e reduziu, de imediato, os casos graves e os óbitos. Espero que essa experiência possa ser replicada em outros municípios, permitindo que se preparem melhor e garantam um atendimento oportuno à população”, acrescenta Stabeli. 

    Além disso, o Ministério da Saúde destinou R$ 1,34 milhão para reforçar as ações de controle da epidemia de dengue no município

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    Rodrigo Stabeli, coordenador-geral da Força Nacional do SUS (Foto: divulgação/MS)

    Atendimento humanizado e agilidade 

    “Após o início da atuação da FN-SUS, foi perceptível a diminuição da sobrecarga nos atendimentos da rede de atenção à saúde. Conseguimos concentrar a demanda de casos de dengue no centro de hidratação, garantindo suporte adequado durante a epidemia”, explica Juliana Lima, chefe de operação da FN-SUS. 

    Segundo Juliana, a Força conseguiu dar uma resposta eficaz, atendendo dentro do tempo necessário para o cenário de emergência, o que foi essencial para o controle da dengue na cidade. “Além dos atendimentos em curso, oferecemos capacitações sobre manejo clínico, padronização de fluxos assistenciais e apoio à gestão na organização do centro de comando de operações”, afirma. 

    Esse retorno positivo pode ser percebido nos relatos de quem passou pelo serviço. A técnica de enfermagem Adaiana Cristina Viana procurou atendimento particular ao apresentar sintomas de dengue, mas, devido à lotação da clínica, buscou alternativas. Ao saber da inauguração do centro de hidratação por meio de um jornal local, decidiu buscar atendimento na unidade. 

    “Passei mal e fiquei sabendo que o centro de hidratação estava funcionando. Fui super bem atendida e demorou apenas dez minutos. Só esperei para fazer a ficha e logo fui chamada. Os profissionais da Força Nacional do SUS são muito receptivos, não tenho do que reclamar”, elogia Adaiana. 

    Balanço dos atendimentos 

    Atualmente, 64 profissionais atuam diretamente no atendimento à população, entre eles: 

    • 23 enfermeiros;
    • 6 médicos;
    • 3 farmacêuticos;
    • 24 técnicos de enfermagem;
    • 2 condutores de ambulância;
    • 6 profissionais responsáveis pela gestão da operação. 

    Os pacientes são classificados conforme a gravidade da doença, seguindo o seguinte protocolo: 

    • Grupo A (casos leves): 998 atendimentos
    • Grupo B (casos moderados, com sinais de alerta): 694 atendimentos
    • Grupo C (casos graves, que exigem maior atenção médica): 289 atendimentos
    • Grupo D (casos críticos, que demandam internação imediata): 16 atendimentos 

    A operação emergencial da Força teve início em 12 de fevereiro e segue com atendimentos diários, reforçando o suporte à rede municipal de saúde diante do aumento de casos de dengue na cidade. 

    Centro de hidratação e estações disseminadoras de larvicida 

    No dia 20 de fevereiro, o Ministério da Saúde inaugurou um centro de hidratação para pacientes com dengue em São José do Rio Preto. A iniciativa faz parte das estratégias para fortalecer a resposta do SUS às arboviroses e ampliar a rede de atendimento na cidade. 

    Como parte do plano nacional para redução das arboviroses, o ministério também segue instalando estações disseminadoras de larvicida (EDLs). Essas armadilhas consistem em potes com água recobertos por tecido preto impregnado com larvicida em pó. Quando o mosquito pousa, o pó adere ao seu corpo e é disseminado em outros criadouros, atingindo um raio de 3 a 400 metros. Para o município, foram enviadas 3 mil EDLs. 

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde

  • Mato Grosso recebe simulado para reforçar resposta às arboviroses

    Mato Grosso recebe simulado para reforçar resposta às arboviroses

    O Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP), realizou nos dias 25 e 26 de fevereiro, em Cuiabá (MT), a quinta edição do Simulado de Preparação, Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde Pública. O treinamento reuniu 80 profissionais estaduais e municipais para avaliar o Plano de Contingência local e fortalecer a resposta às arboviroses, como dengue, chikungunya e zika.  

    “Estes simulados serão realizados nas 27 Unidades da Federação (UFs), deixando cada vez mais estados e municípios preparados para enfrentar as emergências em saúde pública e protegendo a saúde do povo brasileiro. As oficinas fazem parte de uma estratégia da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), iniciada em 2023, para capacitar as estruturas locais do setor saúde e integrar os diferentes segmentos”, explica a ponto focal do Programa de Formação em Emergências em Saúde Pública (Profesp), Paula Moura.  

    A mesa de abertura contou com o diretor do DEMSP, Edenilo Baltazar Barreira Filho, o superintendente Estadual do Ministério da Saúde no Estado do Mato Grosso, Altir Peruzzo, a representante da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Paula Raia, a superintendente interina de Vigilância em Saúde do Estado do Mato Grosso, Marlene da Costa Barros e a diretora de Vigilância em Saúde de Cuiabá, Silvana Arruda de Miranda.  

    Atividades desenvolvidas

    Foram realizadas apresentações detalhadas sobre a gestão de emergências em saúde, abordando aspectos de preparação, vigilância e resposta, elaboração de planos de contingência, estágios operacionais e estratégias de manejo durante uma emergência. Os participantes foram divididos em grupos para analisar o plano de contingência definido pelo estado. 

    Com o aprimoramento do plano, foi aplicado o simulado de mesa com a temática das arboviroses. A iniciativa testou a eficácia do plano e preparou os profissionais de saúde para agirem de forma rápida e coordenada em uma emergência em saúde pública.  

    Centro de Operação em Emergências

    Entre as Semanas Epidemiológicas 1 e 8, o Mato Grosso acumulou 14.364 casos prováveis de chikungunya. O número representa 48,4% de todos os casos no Brasil. Neste período, 14 óbitos foram confirmados. Do dia 25 a 28 de fevereiro, o Ministério da Saúde também realizou uma oficina de manejo clínico para arboviroses no território, com uma equipe técnica do Centro de Operação em Emergências (COE) para Dengue e Outras Arboviroses.  

    Além do suporte técnico às secretarias estaduais e municipais de saúde, a iniciativa reforça campanhas educativas e de mobilização social. Entre elas, a campanha nacional de combate à dengue, Zika e chikungunya, com o slogan “Tem 10 minutinhos? A hora de prevenir é agora”, que incentiva a população a dedicar 10 minutos por semana à eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. Para fortalecer as ações de controle das arboviroses em todo o país, o a pasta destinou R$ 1,5 bilhão no ciclo 2024/2025.  

    Oficinas desde 2023 

    Desde agosto de 2023, mais de 50 técnicos do Ministério da Saúde facilitaram oficinas em 26 estados e no Distrito Federal. Parte das atividades foi acompanhada pela Opas e contou com a presença de gestores estaduais e municipais, além de trabalhadores que atuam nas redes de vigilância em saúde e ambiente, e conselhos de controle social. No segundo semestre de 2024, Pará, Acre, Pernambuco e Bahia receberam as primeiras edições dos simulados de emergências, que marcam o segundo ciclo de oficinas.  

    Gabriel Bandeira
    Ministério da Saúde

  • Saúde lança documentário sobre o método Wolbachia

    Saúde lança documentário sobre o método Wolbachia

    O Ministério da Saúde lançou, nesta quinta-feira (6), um documentário sobre o método Wolbachia. O filme 10 anos de Wolbachia – A transformação no combate à dengue mostra como o método foi implantado no país e diminuiu o número de casos de arboviroses em Niterói, município da região metropolitana do Rio de Janeiro. 

    O Wolbachia foi implementado de forma experimental em 2015. Em dez anos, o número de pessoas cobertas pelo método passou de 5 mil para mais de 4 milhões. Os dados mais recentes indicam uma redução de 70% dos casos de dengue, 60% de chikungunya e 40% para Zika em Niterói.

    O secretário-adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Rivaldo Venâncio, destaca que a ferramenta é uma das principais políticas para o controle das arboviroses, além de ser um grande ganho para a ciência. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) possui biofábricas de produção do mosquito e é apoiadora do método. 

    “A Wolbachia, hoje, é uma gigantesca ferramenta, uma gigantesca conquista da ciência que terá o seu impacto maior num futuro muito próximo. Mas, esse futuro começou aqui e agora, em 2025, com a utilização enquanto política pública pelo Ministério da Saúde para o controle do Aedes aegypti”, defende Rivaldo. 

    Os Wolbitos, como são chamados os mosquitos infectados pela bactéria, não são organismos transgênicos e, portanto, não sofrem modificação genética, além de não transmitirem doenças. A Wolbachia não pode ser transmitida para humanos ou outros mamíferos.

    “Tivemos várias fases de evolução ao longo desses 100 anos. A Wolbachia é uma bactéria que, introduzida na fêmea do Aedes, faz com que essa fêmea perca a capacidade de transmitir os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. É como se fosse uma vacina na fêmea do Aedes aegypti”, conclui. 

    A coordenadora de Vigilância em Saúde de Niterói, Ana Eppinghaus, analisa os ganhos com o uso da ferramenta. “Nesses períodos de epidemia, todo mundo conhecia alguém que tinha tido dengue, seja na família, o vizinho, o amigo ou o colega. Você sempre conhecia alguém que pegou dengue no período epidêmico. Hoje é muito raro. Niterói está cumprindo um papel importantíssimo de estar contribuindo com essa pesquisa”, salienta. Ela ressalta: “Houve uma mudança significativa de fato”. 

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    Foto: Walterson Rosa/MS

    O filme

    Equipes do Ministério da Saúde em Brasília e no Rio de Janeiro revisitaram a implementação do método e registraram os resultados. O filme conta como a tecnologia funciona e resgata o período em que os mosquitos com Wolbachia foram soltos na natureza. 

    O ex-coordenador de área do Programa Médico de Família de Niterói, Vinícius Lima, que participou do início da pesquisa na cidade, lembra o trabalho que foi realizado junto à população.

    “A gente brincava que a gente não podia a partir dali, matar mais mosquito de milhão de dólares. Tínhamos primeiro um estranhamento, pois era um projeto pioneiro, e dizia assim: ‘Olha, tem lá a questão da bactéria, que vai dificultar a transmissão do vírus’”, relembra. 

    Hoje, pondera Vinícius, o projeto é reconhecido pelos moradores da cidade como uma ferramenta importante. “Praticamente toda a cidade reconhece de alguma maneira. Pode não dizer no detalhe que é o método Wolbachia, pode não lembrar o nome da bactéria, mas vai lembrar que tem um projeto desenvolvido aqui que traz para a gente essa proteção. Acho que esse é o grande resultado de pertencimento do projeto no território”, comemora. 

    Assista 

    O documentário 10 anos de Wolbachia – A transformação no combate à dengue está disponível no canal do Ministério da Saúde no Youtube

    Otávio Augusto
    Ministério da Saúde

  • Brasil registra queda de quase 70% nos casos de dengue nos 2 primeiros meses de 2025

    Brasil registra queda de quase 70% nos casos de dengue nos 2 primeiros meses de 2025

    Nos dois primeiros meses de 2025, o Brasil registrou uma redução de 69,25% nos casos prováveis de dengue em comparação com o mesmo período de 2024. O levantamento corresponde às semanas epidemiológicas 1 a 9, compreendendo o intervalo de 29 de dezembro de 2024 a 1º de março de 2025. A queda nos números demonstra a efetividade das medidas adotadas pelo Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, mas reforça a necessidade de esforços contínuos para manter a tendência de redução. 

    De acordo com o painel de monitoramento da pasta, nos primeiros meses deste ano, foram contabilizados 493 mil casos prováveis da doença, 217 óbitos confirmados e 477 mortes em investigação. No mesmo período de 2024, o país havia registrado 1,6 milhão de casos prováveis, 1.356 óbitos confirmados e 85 em análise. 

    A região Sudeste concentra a maior parte dos casos, com 1 milhão de registros em janeiro e fevereiro de 2024 contra 360 mil este ano. O estado de São Paulo lidera os números atuais, com 285 mil casos prováveis, representando mais da metade do total do país. E contabiliza também 168 das 217 mortes confirmadas este ano. 

    Comparativo por semanas epidemiológicas (SE) 1 a 9: 

    2024

    • Brasil: 1.604.611 casos; 
    • Sudeste: 1.061.436 casos (66,14% do total nacional). 

    2025

    • Brasil: 493.403 casos;
    • Sudeste: 360.989 casos (73,16% do total nacional). 

    Medidas de controle e parcerias 

    Desde a ativação do Centro de Operações de Emergências para Dengue e outras Arboviroses (COE-Dengue), em 8 de janeiro, o Ministério da Saúde intensificou ações para conter o avanço das arboviroses. Entre as principais estratégias adotadas estão: 

    • Visitas técnicas a estados e municípios para reforçar a vigilância e o controle da doença; 
    • Distribuição de 4,5 milhões de testes de diagnóstico para dengue, priorizando localidades com menor acesso a laboratórios; 
    • Expansão do método Wolbachia para 44 cidades em 2025, ampliando uma estratégia inovadora de controle do Aedes aegypti
    • Reuniões ampliadas do COE com representantes da sociedade civil, sindicatos, federações e entidades científicas; 
    • Mobilização em escolas, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), para conscientizar crianças e jovens sobre a prevenção; e 
    • Parceria com o Instituto Butantan para a produção da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue. A previsão é disponibilizar 60 milhões de doses anuais a partir de 2026, com possibilidade de ampliação conforme a demanda. 

    Febre amarela: atenção redobrada 

    Além da dengue, a pasta reforça a necessidade de ampliar a cobertura vacinal contra a febre amarela, principal estratégia de prevenção da doença. A intensificação da vigilância epidemiológica é fundamental, especialmente no monitoramento de primatas não humanos com suspeita de febre amarela e na identificação precoce de possíveis casos em humanos. Esse acompanhamento permite antecipar surtos e garantir uma resposta rápida das autoridades de saúde. 

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde intensifica enfrentamento à febre amarela na Ilha de Marajó (PA)

    Ministério da Saúde intensifica enfrentamento à febre amarela na Ilha de Marajó (PA)

    Durante o feriado de Carnaval, o Ministério da Saúde articulou o envio de uma equipe técnica do Centro de Operações de Emergências para Dengue e Outras Arboviroses (COE) à Belém, capital do Pará. A equipe chegou na quarta (5) com a missão de apoiar o Estado na investigação dos casos de febre amarela. Junto a profissionais da Secretaria de Saúde do Estado do Pará (SESPA) e a Secretaria Municipal de Saúde de Breves (SEMSA/Breves), o grupo realiza um diagnóstico da estrutura de saúde do município de Breves, um dos 17 municípios da Ilha de Marajó.

    Localizado a 233 quilômetros da capital, Breves é o município mais populoso da ilha e registra, até o momento, cinco óbitos confirmados pela doença. Até a chegada da equipe técnica, foram notificados 37 casos de febre amarela, dos quais 15 foram confirmados, sete seguem em investigação, nove foram descartados e seis permanecem como suspeitos.

    “Estamos aqui para apoiar as ações do estado e do município. Realizamos uma reunião de alinhamento de ações, onde foram apresentados dados sobre o cenário epidemiológico local. A partir de quinta-feira, as equipes da SESPA e do Ministério da Saúde irão produzir um diagnóstico situacional no município de Breves, mapeando famílias isoladas, possíveis primatas mortos pela doença e construindo ações nos eixos de assistência, vigilância e comunicação de risco para proteger a população local. Em Belém, uma equipe ficará à disposição do estado para a ativação de um COE local”, explica o coordenador-geral dos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CGCIEVS) e representante do Comando do COE Dengue, Daniel Coradi.

    A comitiva é composta por especialistas das secretarias de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), por meio dos Departamentos de Emergências em Saúde Pública (DEMSP) e de Doenças Transmissíveis (DEDT), além da Secretaria de Atenção Especializada em Saúde (Saes), com profissionais da Força Nacional do SUS (FN-SUS). Também integram a equipe representantes do Instituto Evandro Chagas (IEC), do Centro Nacional de Primatas (CENP) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

    Febre amarela

    A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, que pode ser prevenida com vacina, de evolução rápida e gravidade variável, podendo ser fatal em suas formas mais severas. A transmissão ocorre em dois ciclos distintos: no ciclo urbano, o vetor é o mosquito Aedes aegypti; no ciclo silvestre, a transmissão ocorre por mosquitos de hábitos predominantemente silvestres. Primatas não humanos (PNHs) são considerados os principais hospedeiros do vírus e, assim como os humanos, também são vítimas da doença. No ciclo silvestre, os humanos são acometidos acidentalmente.

    Os sintomas iniciais incluem febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas, vômitos, fadiga e fraqueza. A maioria dos infectados se recupera após essa fase inicial. No entanto, cerca de 30% dos casos evoluem para a forma grave da doença após um período assintomático de algumas horas a um dia, o que pode levar à morte.

    Desde 2014, o Brasil conta com um Plano de Contingência para Resposta às Emergências em Saúde Pública: febre amarela, que estabelece ações e diretrizes a serem tomadas a partir de diferentes níveis de alerta para a doença.

    Importância da vacinação

    A vacinação é a principal estratégia de prevenção contra a febre amarela. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina para toda a população. Desde abril de 2017, o país adota o esquema de dose única ao longo da vida, conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Atualmente, a cobertura vacinal contra a febre amarela no Brasil é de 72,6%. No estado do Pará, esse índice está em 54,03%, enquanto no município de Breves apresenta metade da média estadual. Os dados são da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e se referem às doses aplicadas até novembro de 2024.

    Para reforçar a imunização, o Ministério da Saúde já enviou 442.400 doses ao Pará apenas em 2025. Esse quantitativo corresponde a 75,5% do total distribuído ao estado no ano anterior. Além disso, entre os dias 10 e 21 de março, a SESPA com o apoio do ministério, promoverá uma campanha de vacinação contra a febre amarela no estado.

    Gabriel Bandeira
    Ministério da Saúde