Categoria: SAÚDE GOV

  • Saúde investe na qualificação de técnicos para análise de dados dos programas estaduais de hanseníase

    Saúde investe na qualificação de técnicos para análise de dados dos programas estaduais de hanseníase

    O Ministério da Saúde realiza o geoprocessamento de dados da hanseníase por meio da utilização de tecnologias para analisar a distribuição espacial da doença, auxiliando no planejamento de ações de saúde pública. Além disso, qualifica equipes para a análise de dados de sistemas – sendo o principal deles o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) – para identificar padrões, tendências e áreas de maior risco.

    O geoprocessamento é aplicado quando os casos são mapeados para identificar áreas de grande concentração da doença, bem como entender sua distribuição geográfica. São realizados, ainda, a identificação de fatores de risco que correlacionam a incidência da doença com aspectos socioeconômicos, de moradia e condições de saneamento; o planejamento de ações para subsidiar gestores e profissionais de saúde na avaliação, estratégias de atuação, diagnóstico precoce e controle; além do fortalecimento da vigilância.

    Para qualificar técnicos de vários estados da Federação na utilização eficaz do Sinan na criação de mapas e gráficos que atendam local, municipal, estadual e nacionalmente, a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, promove, até sexta-feira (14), na Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), em Brasília (DF), a Oficina de Geoprocessamento de Indicadores de Hanseníase.

    Na abertura, a coordenadora geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação, Jurema Guerrieri, explicou que os profissionais de saúde precisam estar atentos, pois a hanseníase é uma doença de aspecto epidemiológico. “Trata-se de um momento muito rico para nós, pois somos vigilância. Trazer esse olhar permite que vocês façam o monitoramento de modo mais oportuno e eficaz. Como Ministério da Saúde temos investido para dar mais autonomia para que vocês trabalharem essas estratégias nos estados e municípios para interpretar, organizar e utilizar dados na realidade local. Essa é a proposta do curso. Esperamos que saiam aptos para chegar aos territórios sabendo o que fazer ou como buscar auxílio qualificado para compreender o cenário de saúde”, disse.

    O evento é uma realização do Departamento de Doenças Transmissíveis (DEDT/SVSA/MS) e as aulas são ministradas pelo técnico da Coordenação-Geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação, George Souza; e pelo orientador da Célula de Informação e Resposta às Emergências em Saúde Pública do Estado do Ceará, José Antônio Barreto. O treinamento promove formação teórica e exercícios práticos para georreferenciar e realizar análise espacial dentro dos territórios. Participam profissionais de saúde responsáveis pela análise de dados dos programas estaduais de hanseníase das Regiões Norte, Centro-oeste e Sul.

    Ao contextualizar a necessidade de conhecer a situação de saúde da população brasileira com olhar técnico e para além da curiosidade acadêmica, George explicou:Não é um número pelo número, não são apenas dados. Devemos avaliar o que cada indicador significa e entender o que estamos trabalhando nesse contexto. Teremos a compreensão de como a nossa população adoece e como ela tem ou não sido tratada”. E completou: “As cidades estão muito próximas, mas são muito desiguais e isso afeta a forma como analisamos as informações, a realidade de saúde e os dados de doenças naquela região”.

    José Antônio, por sua vez, falou sobre sua experiência de 41 anos atuando como servidor da Saúde e como funciona a Análise de Situação de Saúde (ASIS), um processo analítico sintético que permite caracterizar, medir e explicar o perfil de saúde-doença de uma população, assim como seus determinantes e prioridades de ação. “Precisamos que as equipes estejam atentas às mudanças de cenário, pois tudo pode virar uma emergência a depender do contexto. Organizamos o sistema de informações e a nossa vivência, lá no estado, passa pela perspectiva de fortalecer a vigilância hospitalar. Esse trabalho resulta numa melhor identificação de intervenções e de programas”, enfatizou.

    A doença

    A hanseníase é uma doença crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que compromete principalmente a pele e os nervos periféricos. Entre os sintomas mais comuns estão manchas com perda de sensibilidade, formigamento e fraqueza muscular. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, em situações de contato próximo e prolongado com pessoas infectadas que ainda não iniciaram o tratamento. O diagnóstico é realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), e o tratamento — disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) — é eficaz e garante a cura.

    Informações completas e orientações estão disponíveis no Glossário “Saúde de A a Z

    Ministério da Saúde
  • Ministério da Saúde entrega kits de medicamentos e insumos suficientes para atender 3 mil pessoas no Paraná

    Ministério da Saúde entrega kits de medicamentos e insumos suficientes para atender 3 mil pessoas no Paraná

    O Ministério da Saúde entregou, na tarde desta quinta-feira (13), dois kits emergenciais de medicamentos e insumos estratégicos na Farmácia da 5ª Regional de Saúde, em Guarapuava (PR). O material será distribuído a partir desta sexta (14) às unidades que atendem a população de Rio Bonito do Iguaçu, município que permanece sem estrutura adequada de armazenamento após o tornado que devastou cerca de 90% da área urbana no dia 7 de novembro.

    Os kits têm capacidade para atender até 3 mil pessoas por dois meses e reforçam o abastecimento de itens essenciais para a atenção primária à saúde, garantindo a continuidade dos atendimentos após a perda de medicamentos e insumos durante o desastre. Cada kit é composto por 32 tipos de medicamentos e 16 tipos de insumos, como luvas, seringas e ataduras.

    A entrega foi realizada a pedido do governo estadual e integra o conjunto de ações federais de resposta à emergência. “Até a tarde de quarta-feira, realizamos mais de 800 atendimentos de urgência e emergência e cerca de 500 de saúde mental. Encaminhamos equipes de engenharia e da Força Nacional do SUS, em conjunto com o IT Clube Nacional, para avançar na instalação de estruturas provisórias ainda neste mês de novembro. Essas unidades transitórias vão assegurar a continuidade de serviços essenciais”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Desde o início da semana, o Ministério da Saúde deslocou 38 profissionais da Força Nacional do SUS (FN-SUS) e do Vigidesastres Nacional, entre psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, médicos, farmacêuticos, sanitaristas e outras especialidades, para apoiar o atendimento, o cuidado psicossocial, a vigilância em saúde e a reorganização dos serviços locais. Até o momento, o tornado deixou 7 mortos, 855 feridos, 3.347 pessoas desabrigadas e 47 desalojadas no município.

    A Força Nacional do SUS foi disponibilizada pelo ministro ainda na madrugada do ocorrido e assim como as equipes do Vigidesastres Nacional, permanecerá no território por tempo indeterminado, até a completa estabilização da situação. Um Posto Avançado de Coordenação foi instalado junto à Secretaria Municipal de Saúde para monitorar as condições sanitárias e psicossociais da população, especialmente nos assentamentos e áreas rurais afetadas.

    Das sete unidades de saúde do município, a UBS Central segue com funcionamento parcial, após danos leves a moderados, e passou a abrigar temporariamente os atendimentos da antiga Clínica de Especialidades, cujos profissionais foram realocados. A UBS Arapongas já retomou o funcionamento, enquanto a UBS Herdeiros permanece interditada devido aos danos estruturais severos. As unidades Centro Novo e Campo do Bugre continuam atuando como bases de apoio secundário.

    Suporte psicológico e organização da resposta

    A Força Nacional do SUS atua em parceria com as secretarias municipal e estadual de saúde e com a Defesa Civil na Estratégia Integrada de Apoio Psicossocial e Saúde Mental, que inclui acolhimento emocional de profissionais da linha de frente, no abrigo de Laranjeiras do Sul, onde estão alojadas pessoas que sofreram perdas materiais relevantes, e instalaram um ponto de acolhimento próximo à igreja de Rio Bonito do Iguaçu.

    A principal prioridade neste momento é o fortalecimento da saúde mental, devido à alta demanda de acolhimento psicológico entre a população e entre trabalhadores da saúde. Para isso, a Força Nacional do SUS mobilizou psicólogos, psiquiatras, farmacêuticos e gestores técnicos, em articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) regional. Desde o início da operação, já foram realizados 535 atendimentos psicológicos, incluindo primeiros cuidados psicológicos, atendimentos individuais e atividades em grupo.

    O diretor do Departamento de Saúde Mental (Desmad) do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati, coordena a implantação de uma linha de cuidado específica para o atendimento em saúde mental das pessoas afetadas pelo tornado. O acolhimento ocorre em pontos provisórios enquanto as unidades básicas de saúde retomam suas atividades.

    “Essa linha de cuidado articula pontos de acolhimento vinculados às unidades básicas e ações diretas nos abrigos, desenvolvidas pela Força Nacional do SUS. O município conta ainda com um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para os casos mais graves e com leitos de saúde mental em hospital geral de um município vizinho. Até o momento, não houve necessidade de internações, apenas encaminhamentos ao CAPS”, afirmou.

    No abrigo de Laranjeiras do Sul, onde estão alojadas 43 pessoas, a equipe multiprofissional oferece escuta qualificada e encaminhamentos de maior complexidade, em conjunto com a assistência social. Seguem também ativas as ações interinstitucionais com as companhias de energia e saneamento e com equipes de engenharia, responsáveis pela recuperação da rede elétrica, do saneamento e pela avaliação estrutural dos prédios públicos e das unidades de saúde.

    Voluntários

    Psicólogos que desejarem atuar como voluntários no atendimento à população afetada devem fazer contato prévio com a Força Nacional do SUS, responsável pela coordenação das ações no território. A orientação é importante para garantir que o apoio seja realizado de forma organizada, segura e integrada às equipes já em operação. O cadastro permite direcionar cada voluntário conforme a necessidade real dos serviços de saúde e das áreas atingidas.

    Para participar o voluntário pode preencher o formulário

    Julianna Valença
    Ministério da Saúde

  • Saúde investe R$ 60 milhões em Centro de Competência em IFA com base na biodiversidade brasileira

    Saúde investe R$ 60 milhões em Centro de Competência em IFA com base na biodiversidade brasileira

    Com foco na inovação em saúde e no uso sustentável da biodiversidade brasileira, o Ministério da Saúde lançou, em Belém (PA), durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30), uma chamada pública para a criação de um novo Centro de Competência em Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs). O investimento será de R$ 60 milhões, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). 

    “Esta COP30 é histórica por colocar a saúde no centro do debate climático. Ao lançarmos este edital de R$ 60 milhões, reforçamos o compromisso do Ministério da Saúde em preparar o SUS para os impactos das mudanças do clima, fortalecendo ciência, tecnologia e a capacidade nacional de produzir insumos estratégicos a partir da nossa biodiversidade”, afirmou Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde. 

    Os Centros de Competência em IFAs são ambientes de inovação voltados à formação, qualificação e retenção de talentos em tecnologias de fronteira, tornando o Brasil um ator estratégico na produção farmacêutica. Ao valorizar IFAs de origem natural e o uso sustentável da biodiversidade, a iniciativa contribui para o fortalecimento da inovação farmacêutica nacional, o avanço da saúde pública, com o desenvolvimento de medicamentos voltados a doenças negligenciadas e condições prevalentes no país, além de estimular empresas de base tecnológica e gerar empregos qualificados. 

    A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS), Fernanda De Negri, destacou que o investimento possibilitará a produção e oferta de novos medicamentos para a população, fortalecendo o SUS e a inovação no país.  

    “Os R$ 60 milhões permitirão à Embrapii selecionar um centro de competência dedicado ao desenvolvimento de IFAs a partir da nossa biodiversidade, com participação da região Norte e parcerias internacionais. Queremos transformar esse potencial biológico em novos medicamentos para o SUS, fortalecendo a inovação feita no Brasil”, disse a secretária. 

    A parceria com a Embrapii é estratégica e em sintonia ao desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) no país, prioridade absoluta do Ministério da Saúde para a ampliação da capacidade nacional de incorporar, produzir e inovar no núcleo tecnológico mais avançado das terapias, dos dispositivos médicos e dos insumos 

    Para o presidente da Embrapii, Alvaro Prata, “essa chamada representa um passo decisivo para transformar o potencial da nossa biodiversidade em soluções farmacêuticas inovadoras, gerando conhecimento, autonomia tecnológica e oportunidades para o país”. Ele destaca, ainda, que iniciativas como essa podem “promover desenvolvimento regional e inclusão social, integrando comunidades tradicionais detentoras de conhecimento local em novos arranjos produtivos sustentáveis”.  

    Foto: João Risi/MS
    Foto: João Risi/MS

    Seleção 

    O processo de seleção vai até o dia 9 de janeiro de 2026. Poderão participar da chamada grupos de pesquisa de ICTs públicas ou privadas sem fins lucrativos, com infraestrutura física adequada. Além disso, o grupo candidato deve possuir forte relação com a indústria e histórico comprovado de projetos na área. 

    No dia 26 de novembro, às 14h, será realizado webinar para esclarecimento de dúvidas. O resultado do credenciamento está previsto para ser divulgado em julho de 2026. 

    Sobre os centros de competência 

    Os Centros de Competência Embrapii têm como objetivo conduzir pesquisas de alto impacto e preparar talentos para liderar a indústria do futuro. Esta rede reúne instituições de excelência com comprovada capacidade técnica e científica, capital humano altamente qualificado e infraestrutura de ponta atuando na fronteira do conhecimento — áreas estratégicas que ainda demandam intensa pesquisa para gerar novas competências e apoiar o desenvolvimento industrial do país. 

    Além de pesquisa de ponta, os centros são grandes impulsionadores de startups deep tech, acelerando novos modelos de negócio e levando soluções inovadoras da pesquisa científica para o mercado. Um ecossistema único, que conecta ciência, tecnologia e indústria para transformar desafios em oportunidades para o Brasil. 

    Atualmente, nove Centros de Competência são credenciados pela Embrapii: Terapias Avançadas, Tecnologias Quânticas, Segurança Cibernética, Conectividade 5G e 6G, Plataformas de Hardwares Inteligentes, Agricultura Digital, Smart Grid e Eletromobilidade Elétrica, Open RAN e Tecnologias Imersivas. 

    Ministério da Saúde

  • SUS na COP30: mais de mil atendimentos são registrados pelo centro de operações em saúde em Belém

    Belém (PA) – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou nesta quarta-feira (12) o Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (CIOCS), instalado na capital paraense para coordenar ações e respostas a emergências de saúde durante a COP30. Desde o início das atividades, em 3 de novembro, mais de mil atendimentos foram contabilizados. Cerca de 31%, foram realizados no Hospital de Campanha da Força Nacional do SUS. 

    “O CIOCS é resultado de mais de um ano de preparação. Monitoramos em tempo real o que ocorre nas unidades básicas, UPAs, hospitais e postos dentro e fora da COP30. Já registramos mais de mil atendimentos e apenas 1% demandou internação, o que demonstra a capacidade do SUS em oferecer resposta rápida e resolutiva em grandes eventos”, afirmou Padilha.

    De acordo com o relatório do centro, a maior parte dos atendimentos teve natureza clínica, com baixa ocorrência de traumas, perfil distinto do observado em eventos de massa. A maioria dos pacientes é composta por moradores do Pará, sendo o Hospital de Campanha da Força Nacional do SUS o local com maior número de registros. As principais queixas incluíram dor de cabeça, dor abdominal, mal-estar e náuseas, sem ocorrências graves. 

    Inspirado em experiências como o Círio de Nazaré e as Olimpíadas, o CIOCS consolida avanços na integração entre assistência e vigilância em saúde. O centro opera 24 horas na Santa Casa de Misericórdia do Pará e reúne equipes do Ministério da Saúde, do Governo do Estado e da Prefeitura de Belém. Além de monitorar ocorrências em tempo real, analisa dados estratégicos e aciona equipes de resposta rápida sempre que necessário. 

    Hospital de Campanha da Força Nacional do SUS 

    O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, também esteve no CIOCS e no Hospital de Campanha. Dos mais de mil atendimentos registrados, 360 ocorreram no hospital, que conta com 144 profissionais voluntários, entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos e técnicos de vários estados. A unidade atua no atendimento de urgência e estabilização de pacientes. 

    “A Força Nacional do SUS está integrada ao CIOCS, monitorando em tempo real todas as ocorrências de saúde durante a COP30 e pronta para agir sempre que necessário. Essa operação amplia a capacidade assistencial do sistema e deixa um legado de preparo e integração. Contamos com voluntários de todo o país e forte participação de profissionais do Pará e de Belém, o que reforça a capacidade local do SUS para futuras emergências”, destacou Massuda. 

    Como parte da estrutura, quatro postos avançados de atendimento também foram instalados na Blue Zone da COP30, reforçando a cobertura médica e o suporte a emergências durante o evento. 

    Anúncios do Ministério da Saúde 

    Ainda nesta quarta (12), o ministro Alexandre Padilha anunciou R$ 240 milhões para ampliar o acesso à rede de média e alta complexidade no Pará. Os recursos contemplam três UPAs (Belém, Breves e São Félix do Xingu), 20 ambulanchas (18 no Marajó, uma no Xingu e uma no Tapajós), três CAPS (Belém, Bom Jesus do Tocantins e Santa Bárbara do Pará), além de 45 novos leitos — 23 deles de UTI no Hospital Barros Barreto, e a expansão do Serviço de Atendimento Domiciliar. 

    Padilha também anunciou a integração dos barcos-hospitais Papa Francisco e São João XXIII ao programa Agora Tem Especialistas – Rios de Especialistas, ampliando o atendimento especializado fluvial na Amazônia e fortalecendo o acesso à saúde na região. 

    Outro destaque foi a expansão da rede de tratamento oncológico, com foco na radioterapia. Atualmente, cerca de 60% dos pacientes com câncer têm indicação formal para esse tratamento, mas enfrentam deslocamentos médios superiores a 180 quilômetros. Cada novo acelerador instalado ampliará o atendimento para até 600 pessoas, reduzindo o tempo de espera e garantindo maior agilidade no cuidado. 

    Desde 2023, o Pará recebeu R$ 4,7 bilhões em investimentos federais, dos quais R$ 1,6 bilhão foram destinados exclusivamente a Belém para fortalecer a atenção primária e especializada, a vigilância, a assistência farmacêutica e a realização de cirurgias. 

    Amanda Milan
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde mobiliza apoio para reconstrução de unidades de saúde em Rio Bonito do Iguaçu (PR)

    Ministério da Saúde mobiliza apoio para reconstrução de unidades de saúde em Rio Bonito do Iguaçu (PR)

    O Ministério da Saúde está mobilizando apoio para a reconstrução das unidades de saúde de Rio Bonito do Iguaçu (PR), município fortemente afetado por um tornado que atingiu a região na última sexta-feira (7). A ação integra os esforços do governo federal para apoiar o estado e os municípios em situações de emergência climática e garantir o restabelecimento rápido do atendimento à população. 

    Durante a COP30, em Belém (PA), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, se reuniu nesta terça-feira (11) com o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri, para discutir a cooperação na reconstrução da infraestrutura de saúde do município. O encontro ocorreu no estande da Itaipu, dentro da programação do evento que tem como um dos eixos centrais o debate sobre clima e saúde. 

    “O Ministério está trabalhando junto com a Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu, o governo do Paraná e com o apoio da Itaipu para a reconstrução das unidades de saúde. Estamos construindo esse modelo em conjunto”, destacou Massuda. 

    Além da pauta emergencial, o secretário-executivo discutiu com a Itaipu a ampliação de parcerias estratégicas voltadas à pesquisa e inovação sobre clima e saúde, em colaboração com o Ministério da Saúde e a Universidade de Harvard. 

    “Foi uma conversa muito importante. Saúde ainda não estava entre os temas centrais da COP, mas conseguimos colocar esse debate no foco: o quanto as mudanças climáticas exigem que o Sistema Único de Saúde (SUS) se prepare para responder a desastres e proteger as populações vulneráveis”, afirmou Massuda. 

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde

  • Avanços na assistência em saúde reduzem em 27,6% os óbitos no território Yanomami em 2025

    Avanços na assistência em saúde reduzem em 27,6% os óbitos no território Yanomami em 2025

    Desde que o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional no território Yanomami, em 2023, a mortalidade reduziu 27,6% entre o primeiro semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2025. No mesmo período, os óbitos por malária caíram 70%, por desnutrição 70,6% e por infecções respiratórias 40,8%. Os resultados refletem o aumento no número de profissionais de saúde, que mais que dobrou no território, o fortalecimento da capacidade de resposta local das equipes e a ampliação da vacinação e do acompanhamento nutricional. 

    Os dados são do Informe 8 do Centro de Operações de Emergências Yanomami (COE), divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Ministério da Saúde. O levantamento mostra que o território Yanomami conta atualmente com 1.855 profissionais, um aumento de 169% em relação ao início de 2023, quando eram 690. Com esse reforço, os atendimentos à população saltaram de 441 mil no primeiro semestre de 2023 para mais de 470 mil no mesmo período de 2025. As equipes atuam diretamente no território Yanomami e na Casa de Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista. 

    Os atendimentos médicos passaram de 8.341 no primeiro semestre de 2023 para 21.131 em 2024, um aumento de 246%. No primeiro semestre de 2025, foram registrados 19.184 atendimentos, mantendo um patamar elevado e evidenciando a consolidação da presença médica nas Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI). Em 2023, o território contava com seis médicos, número que chegou a 63 no primeiro semestre de 2025. 

    Diminuição das remoções de urgência e emergência 

    O aumento das equipes de saúde no território possibilitou uma redução de 25% nas remoções de urgência e emergência entre o primeiro semestre de 2024 (1.817 casos) e o de 2025 (1.364 casos), acompanhada por um aumento expressivo nas remoções eletivas, que praticamente dobraram no mesmo período, passando de 231 para 447.  

    Esse resultado reflete maior capacidade de resposta local das equipes de saúde, reduzindo a necessidade de deslocamentos imediatos para hospitais de referência e indica fortalecimento da atenção primária, melhor organização dos fluxos assistenciais e maior resolutividade dos casos no território, com impacto positivo sobre a continuidade do cuidado. Por outro lado, o crescimento das remoções eletivas demonstra melhoria no planejamento assistencial, possibilitando que os deslocamentos ocorram de forma programada, com menor risco e maior eficiência logística. 

    Malária: ampliação dos testes diagnósticos em 103,7% 

    Considerando o período de janeiro a junho, os óbitos por malária passaram de 10 em 2023 para 3 em 2025 – queda de 70% – e a letalidade (proporção de óbitos entre os casos confirmados da doença) apresentou redução progressiva. Entre 2023 e 2024, observou-se uma queda de 29,6%, seguida de nova redução de 58,0% de 2024 para 2025. Os dados refletem melhorias na resposta assistencial, com maior detecção precoce e tratamento oportuno dos casos graves. 

    No mesmo período, o DSEI Yanomami ampliou o diagnóstico e tratamento da malária, com uso de testes rápidos e busca ativa, inclusive de assintomáticos. A testagem passou de 78.577 em 2023 para 136.803 em 2024 (+74,1%) e 160.085 em 2025 (+17%), o que representa aumento acumulado de 103,7% em relação a 2023. 

    A letalidade por malária também apresentou redução progressiva ao longo do período analisado. Entre 2023 e 2024, observou-se uma queda de 29,6%, seguida de nova redução de 58,0% de 2024 para 2025. Esses resultados indicam que a vigilância manteve alta capacidade de detecção e houve importante redução da mortalidade e da letalidade por malária

    Foto: Rafael Nascimento/MS
    Foto: Rafael Nascimento/MS

    Nutrição: aumento de crianças acompanhadas e redução de déficit de peso 

    O número de crianças acompanhadas pela vigilância nutricional aumentou de 67% para 81,7% entre os primeiros semestres de 2023 e 2025. Atualmente, 49,7% das crianças menores de cinco anos apresentam peso adequado, em comparação a 47% em 2023.

    Entre 2024 e 2025, observa-se uma melhora no estado nutricional dessa população, com redução do percentual de crianças classificadas com muito baixo peso de 24,5% para 19,8%, indicando uma transição para um estado nutricional menos grave. A recuperação nutricional infantil é um processo gradual, que depende do fortalecimento do sistema imunológico e da resposta individual do organismo quanto à velocidade e à eficácia da reabilitação. 

    Foto: Rafael Nascimento/MS
    Foto: Rafael Nascimento/MS

    Redução da letalidade e dos óbitos por infecções respiratórias agudas 

    O Informe registra aumento de 325% no número de atendimentos por infecções respiratórias agudas (IRA) no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2023, passando de 3.100 para 13.176 atendimentos. Como resultado, observou-se redução de 89,9% na letalidade e de 45,5% no número de óbitos por IRA desde o início da resposta à Emergência em Saúde Pública. 

    Vacinação: aumento de doses aplicadas 

    Na estratégia de vacinação na rotina, houve um aumento do número de doses aplicadas no primeiro semestre de 59,5% no ano de 2024 quando comparado a 2023, mantendo o mesmo patamar em 2025. A séria histórica demonstra trajetória ascendente, seguida de estabilização, indicando consolidação do desempenho vacinal no território Yanomami. 

    O Esquema Vacinal Completo (EVC), que mensura a proporção de indivíduos com todas as vacinas preconizadas na rotina, por faixa etária, apresentou evolução contínua entre 2023 e 2025. Entre menores de 1 ano, o indicador passou de 32,2% em 2023 para 57,8% em 2025, enquanto entre menores de 5 anos evoluiu de 53,5% para 73,5% no mesmo período. 

    Centro de Referência e Hospital de Retaguarda 

    Em setembro de 2025, entrou em funcionamento o primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI) do Brasil, localizado em Surucucu (RR). O equipamento vai assegurar que casos agudos e graves sejam atendidos com urgência no próprio território, beneficiando cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades. O investimento federal é de R$ 29 milhões, entre equipamentos, insumos e pessoal. 

    Até o momento, o CRSI já realizou: 

    • 1.537 atendimentos ambulatoriais,  
    • 90 de urgência/emergência e 55 de média complexidade; 
    • 239 exames laboratoriais; 
    • 26 exames de imagem; 
    • 289 internações de curta duração; 
    • 71,1% dos casos foram resolvidos localmente; 
    • 64 referenciamentos para Boa Vista foram evitados, indicando potencial redução de remoções e alívio para a rede de referência 

    Em 2024, foi identificada a necessidade de construir uma Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas (URHPI), vinculada ao Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima. Em Boa Vista, os indígenas retirados do território em casos de urgência e emergência são encaminhados para a URHPI, estrutura voltada ao atendimento especializado da população indígena. A unidade conta com 36 leitos culturalmente adequados para acolher pacientes vindos do território ou da Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai). 

    Mercúrio 

    O Governo Federal desenvolveu uma estratégia integrada para proteger as populações indígenas da contaminação por mercúrio, especialmente em áreas de garimpo, focada em vigilância, atenção à saúde e articulação interinstitucional. A principal medida no âmbito da saúde foi o lançamento, em maio de 2025, do Manual Técnico para o Atendimento de Indígenas Expostos ao Mercúrio, elaborado pela Secretaria de Saúde Indígena (SESAI/MS) do Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz. O documento estabelece diretrizes clínicas para diagnóstico e tratamento ajustadas às realidades indígenas. 

    São três eixos de atuação: capacitação de equipes nos Polos Base e CASAI para identificação precoce; expansão da vigilância em campo de forma integrada (junto a malária e nutrição) e encaminhamento de casos suspeitos para diagnóstico laboratorial na rede de referência.  

    Paralelamente, o Ministério da Saúde intensificou investimentos em saneamento e água segura para diminuir a exposição à água contaminada. Isso incluiu a implantação e aprimoramento de sistemas de captação e abastecimento de água, resultando em mais de R$ 222 milhões investidos em obras na Amazônia Legal entre 2023 e 2025, beneficiando mais de 142 mil indígenas, e a conclusão de 522 obras de infraestrutura no período. Foram realizadas parcerias, como a distribuição de mais de 8.300 filtros com nanotecnologia e milhares de filtros de barro, além de hipoclorito de sódio, garantindo que 4.153 aldeias em todo o país tenham acesso a Sistemas de Abastecimento de Água (SAA) e/ou Sistemas Alternativos Coletivos (SAC), além de medidas para o tratamento intradomiciliar da água. 

    Luiz Cláudio Moreira 
    Ministério da Saúde 

  • Brasil participa de encontros internacionais sobre engajamento dos homens no cuidado com a saúde e equidade de gênero

    Brasil participa de encontros internacionais sobre engajamento dos homens no cuidado com a saúde e equidade de gênero

    O Ministério da Saúde participou de dois encontros internacionais que discutiram o papel dos homens na promoção da saúde e da equidade de gênero: o Fórum Global de Mulheres Líderes de Reykjavík e o Workshop de Planejamento da MenCare Changemaker Journey. Os eventos aconteceram entre os dias 9 e 12 de novembro na Islândia e o Brasil foi representado pelo coordenador de Atenção à Saúde dos Homens, Celmário Brandão.

    Segundo o coordenador, a presença do Brasil nesses fóruns reforça o compromisso do País com políticas públicas que valorizam o cuidado integral e o combate às desigualdades. “O Fórum Global de Mulheres-Líderes é um espaço extremamente importante porque congrega lideranças femininas de todo o mundo para debater estratégias que promovam a igualdade e reduzam desigualdades. Já a agenda MenCare Changemaker é fundamental no contexto atual do Brasil, que avança na ampliação da licença-paternidade, na consolidação da Política Nacional de Cuidados e no fortalecimento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (Pnaish). Essa inserção na agenda global nos permite compartilhar experiências brasileiras e contribuir com o primeiro Summit que será realizado no Rio de Janeiro em 2026”, explicou.

    Durante as agendas, Celmário Brandão participou de mesas de debate sobre liderança e equidade de gênero, apresentando as experiências brasileiras de engajamento dos homens no cuidado e na saúde, como a Estratégia do Pré-natal do Parceiro (EPNP), que vem sendo ampliada em todo o País. A iniciativa estimula a presença e o envolvimento dos pais no acompanhamento da gestação, parto e puerpério da parceira, além de promover a corresponsabilidade nos cuidados com o bebê e com a família.

    Outras ações destacadas incluem a atuação da Saúde no Grupo de Trabalho Interministerial pela ampliação da licença-paternidade, que recentemente resultou em avanços na Câmara dos Deputados, e o fortalecimento de estratégias que incentivam os homens a assumirem práticas cotidianas de cuidado — como troca de fraldas, alimentação, banho dos filhos e divisão das tarefas domésticas —, promovendo relações mais igualitárias dentro de casa.

    “O MenCare não é uma jornada apenas sobre o cuidado com os homens, mas sobre o envolvimento dos homens na agenda de cuidados. É sobre formar agentes de transformação, comprometidos com o cuidado de si e dos outros”, ressaltou Brandão.

    A MenCare Changemaker Journey 2025–2027 é uma iniciativa do Instituto Equimundo em parceria com a WOW – Mulheres do Mundo. A proposta é mobilizar mais de 100 líderes e influenciadores de diferentes países — entre representantes de governos, empresas, sociedade civil, mídia e cultura — em torno da transformação das masculinidades e da promoção de uma masculinidade solidária. A jornada envolve uma série de encontros e ações globais, com eventos previstos para 2025, 2026 e 2027, culminando no Summit Global sobre Masculinidades, que terá sua primeira edição no Rio de Janeiro, em 2026, e a segunda, na Austrália, em 2027.

    “Chamamos de jornada porque ela conecta uma série de agendas: começa agora na Islândia, avança com o planejamento global em 2025, segue com o Summit no Rio e com novas ações até 2027. É uma construção coletiva e contínua”, completou o coordenador.

    Brasil como referência internacional

    O Brasil foi escolhido como primeiro anfitrião do Summit Global sobre Masculinidades pelo reconhecimento da comunidade internacional à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (Pnaish), considerada uma das maiores intervenções de saúde pública voltada à população masculina na América Latina. A política brasileira é referência por priorizar o acesso dos homens aos serviços de saúde, fortalecendo também o cuidado com suas parceiras e famílias. 

    “Mesmo diante de mudanças institucionais, a Pnaish se mantém como um exemplo de política pública de continuidade, que gera resultados concretos para a sociedade brasileira. Ao estimular o autocuidado e o cuidado com o outro, ela transforma comportamentos e fortalece vínculos familiares e comunitários”, afirmou Brandão.

    Camila Rocha
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde lidera debate global sobre saúde e clima na COP30 em Belém

    Ministério da Saúde lidera debate global sobre saúde e clima na COP30 em Belém

    O Ministério da Saúde apresenta, na COP30 em Belém, uma das mais amplas programações já realizadas por um país-sede sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde. Até 21 de novembro de 2025, as atividades reúnem debates científicos, lançamentos estratégicos e experiências locais, consolidando o Brasil como referência global na adaptação dos sistemas de saúde à crise climática. Serão dias de convocação para um mutirão global com o objetivo de preparar o setor para os desafios climáticos que já afetam populações, especialmente as mais vulneráveis, em todo o planeta.

    A participação brasileira na conferência se estrutura em três eixos complementares: o lançamento global do Plano de Ação em Saúde de Belém, a apresentação de planos locais alinhados à agenda climática e a implementação de iniciativas que vão gerar resultados permanentes para a região.

    Ao longo dos dias, a programação evidencia a contribuição do Brasil ao debate internacional sobre saúde e clima, as ações voltadas ao território amazônico e os anúncios que integram um legado contínuo para a saúde, com inovação, infraestrutura e políticas de adaptação que seguirão beneficiando a população muito além da conferência.

    Serão 55 participações ativas em painéis de alto nível e mesas-redondas, com a presença do ministro da Saúde, dos secretários e do corpo técnico da pasta. Entre os temas a serem discutidos estão sistemas de saúde resilientes, transformação digital, prevenção e resposta a emergências climáticas, inovação, equidade e sustentabilidade, multilateralismo e cobertura universal de saúde, além de justiça climática com foco nos povos tradicionais.

    Contribuição do Brasil para a Agenda de Ação da COP 30

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, irá liderar o Dia da Saúde na COP30 (13 de novembro), dedicado à apresentação do Plano de Ação em Saúde de Belém, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais estratégias para fortalecer sistemas de saúde resilientes às mudanças do clima. É o primeiro plano internacional de adaptação climática dedicado exclusivamente à saúde, um marco da COP30.

    Na data, o Brasil reafirma seu compromisso de colocar a saúde no centro da agenda climática global, lançando um plano que articula esforços internacionais, nacionais e regionais para ampliar a resiliência do setor.

    Como documento de adesão voluntária pelos países, o plano propõe medidas concretas de adaptação do setor de saúde às mudanças climáticas, com apoio de organizações multilaterais, filantropias e bancos de desenvolvimento. A proposta considera as necessidades dos países em desenvolvimento e reconhece que os impactos climáticos ampliam vulnerabilidades.

    Para a secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, o plano é mais do que um documento técnico: é um chamado à ação coletiva. “O Brasil está liderando um mutirão global para incluir a saúde no coração das políticas climáticas. O Plano de Ação em Saúde de Belém mostra que é possível agir de forma integrada, solidária e baseada em evidências. A Amazônia, com sua diversidade e complexidade, nos ensina que proteger o planeta é também cuidar das pessoas”, afirmou.

    A programação do ministério também traz o lançamento do AdaptaSUS, plano nacional de adaptação do setor de saúde às mudanças climáticas, e da Agenda Estratégica Mais Saúde Amazônia Brasil, que articula equidade, justiça climática e sustentabilidade na atenção à saúde da região.

    Essas ações simbolizam o compromisso do Brasil em alinhar o SUS às metas do Acordo de Paris, fortalecendo a capacidade global de resposta a emergências climáticas e epidemiológicas. “A COP30 é o espaço para mostrar que o SUS é parte da solução mundial para a crise climática. Nosso país está propondo políticas concretas, com base científica e participação social”, destacou o ministro Padilha.

    O legado: estrutura, conhecimento e integração

    O legado que a COP30 deixará para Belém e para a Amazônia é amplo e necessário. Do ponto de vista assistencial, o Ministério da Saúde garantiu R$ 53 milhões em novos investimentos e mais de R$ 1,6 bilhão em recursos federais aplicados em Belém desde 2023, com ampliação de unidades básicas de saúde, leitos hospitalares, programas de cirurgia e aquisição de aceleradores lineares para o tratamento do câncer.

    O maior legado, segundo Padilha, é intangível: “A COP30 deixará para a Amazônia um sistema de saúde mais preparado para o futuro. O que apresentamos ao mundo é também o que construiremos aqui: uma rede de atenção mais integrada, digital, resiliente e justa.”

    Vanessa Aquino
    Ministério da Saúde

  • Brasil propõe cooperação internacional para implementar programa de saneamento indígena

    Brasil propõe cooperação internacional para implementar programa de saneamento indígena

    Belém (PA) – Nesta quarta-feira (12), durante o debate “Construindo a Resiliência Hídrica Urbana: das Cidades aos Compromissos Climáticos Nacionais”, realizado no terceiro dia da COP30, em Belém (PA), o Ministério da Saúde reafirmou o compromisso de ampliar o acesso à água potável e aos serviços de saneamento nos territórios indígenas do país. A proposta integra o Programa Nacional de Saneamento Indígena (PNSI), que está sendo elaborado pelo ministério em parceria com estados, municípios e instituições internacionais ligadas ao tema. 

    O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS), Weibe Tapeba, destacou que a estruturação do programa prevê cooperação entre União, estados, municípios, organismos internacionais e iniciativa privada, com o objetivo de fortalecer a infraestrutura e garantir que o acesso à água potável chegue a todas as aldeias. 

    “O saneamento em territórios indígenas é uma atribuição da Sesai, e o acesso à água potável tem impacto direto na saúde. Estamos ampliando nossa capacidade de execução de obras para universalizar o acesso, e a COP30 é o espaço ideal para buscar cooperação e parcerias que tornem isso possível”, afirmou Tapeba. 

    O secretário ressaltou ainda que os povos indígenas enfrentam desafios agravados pelas mudanças climáticas e pela contaminação de rios e nascentes. “Há comunidades afetadas pela presença de mercúrio e metais pesados nos rios, o que tem comprometido a saúde e a segurança alimentar dessas populações”, explicou. 

    O Governo Federal desenvolveu uma estratégia integrada para proteger as populações indígenas da contaminação por mercúrio, especialmente em áreas de garimpo, focada em vigilância, atenção à saúde e articulação interinstitucional. A principal medida no âmbito da saúde foi o lançamento, em maio de 2025, do Manual Técnico para o Atendimento de Indígenas Expostos ao Mercúrio, elaborado pela Secretaria de Saúde Indígena (SESAI/MS) do Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz. O documento estabelece diretrizes clínicas para diagnóstico e tratamento ajustadas às realidades indígenas.   

    Conheça a proposta do programa  

    O Programa Nacional de Saneamento Indígena (PNSI) vem sendo construído com base em um amplo diagnóstico nacional que abrange 7.150 comunidades indígenas e mais de 816 mil pessoas. O programa está sendo desenvolvido a partir de oficinas regionais, pesquisas de campo com 34 pesquisadores e consultas com lideranças e movimentos indígenas em todos os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). 

    Entre as diretrizes da iniciativa estão a ampliação da infraestrutura de água, saneamento e higiene, a capacitação de agentes indígenas de saúde, a educação sanitária comunitária e a criação da Rede Nacional de Saneamento Indígena (RNSI), que já conta com mais de 200 organizações parceiras, entre entidades da sociedade civil, instituições de pesquisa e organismos internacionais. 

    As metas do programa são progressivas e de longo prazo, com foco na universalização do acesso à água potável e ao saneamento. 

    Edjalma Borges 
    Ministério da Saúde 

  • Mudanças climáticas e vigilância em saúde são debatidos na COP 30

    Mudanças climáticas e vigilância em saúde são debatidos na COP 30

    O Ministério da Saúde (MS) tem participado ativamente das discussões propostas na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) que acontece em Belém (PA) desde o dia 10 de novembro. Paralelo ao evento, foi realizado, nesta terça-feira (11), o Seminário Clima em Saúde, com participação de especialistas e gestores para debater os impactos das mudanças climáticas na saúde pública. Entre os temas propostos, foram abordados a descarbonização do sistema de saúde e a saúde digital como aliada na redução de emissões de carbono.

    A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS, Mariângela Simão, participou do Painel 3 – “Clima, Doenças e Vigilância em Saúde” no qual falou-se sobre como as mudanças climáticas reconfiguram o perfil epidemiológico e a resposta em saúde. A proposta de diálogo estabeleceu a relação entre clima, ambiente e doenças tropicais negligenciadas, além de destacar o papel da ciência, da vigilância epidemiológica e da educação em saúde na formulação de respostas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    Mariângela Simão enfatizou a riqueza do debate sobre os problemas vivenciados pelas populações dos municípios da região amazônica em relação às mudanças climáticas e saúde. “Além de pensarmos soluções possíveis para ajudar e apoiar, principalmente, nas doenças tropicais negligenciadas, trazemos aquilo que o Ministério da Saúde está ofertando nessa COP, aquilo que está sendo inserido na agenda do clima somado à atenção à saúde. Temos a união do setor privado e do setor público trabalhando em defesa do SUS e da saúde da população brasileira também na pauta climática”, declarou.

    O Seminário Clima e Saúde é organizado pela Folha de São Paulo, em parceria com o Ministério da Saúde e hospitais integrantes do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), e integra a programação paralela à COP 30. O debate foi conduzido pela jornalista Claudia Colucci. Participaram a diretora do Instituto BP, Juliana Opípari; a diretora-executiva de Pessoas, Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Maria Carolina Gomes; e a secretária de Saúde de Breves (PA), Jucineide Alves Barbosa.

    Suellen Siqueira
    Ministério da Saúde