Categoria: SAÚDE GOV

  • China adere ao Plano de Ação de Saúde de Belém e reforça coalizão global com mais de 80 apoiadores

    China adere ao Plano de Ação de Saúde de Belém e reforça coalizão global com mais de 80 apoiadores

    A China anunciou, nesta sexta-feira (14), durante evento no Pavilhão Chinês na COP30, sua adesão ao Plano de Ação de Saúde de Belém, iniciativa lançada pelo Brasil que já conta com cerca de 30 países e 50 organizações e instituições comprometidas em adaptar seus sistemas de saúde aos impactos da crise climática. A confirmação ocorreu durante a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no painel “Putting People First: Advancing Collaborative Governance for Climate and Health”. 

    A entrada da China, segundo Padilha, representa um avanço significativo para a consolidação de uma coalizão global pela saúde e pelo clima. “A crise climática exige alianças reais. Brasil e China estão prontos para dar um passo histórico: transformar a cooperação em saúde em uma agenda conjunta de adaptação climática. Juntos, podemos proteger as populações mais vulneráveis e fortalecer os sistemas de saúde diante dos eventos extremos”, disse o ministro Alexandre Padilha. 

    O ministro destacou que o atual momento é o mais favorável da história das relações entre Brasil e China, impulsionado pelos encontros recentes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Xi Jinping. “Brasil e China vivem o melhor momento de sua relação histórica, e a saúde climática será o próximo grande eixo dessa parceria estratégica. Ao colocar as pessoas no centro e reforçar a equidade, estamos unindo nossos países para construir sistemas de saúde mais fortes e preparados diante da crise climática global”, afirmou. 

    Padilha lembrou que, ao lado do presidente Lula, esteve duas vezes na China em 2024, onde se reuniu com o presidente da Comissão Nacional de Saúde, Lei Haichao, além de autoridades regulatórias e representantes da Administração Nacional de Produtos Médicos. “Avançar nessas parcerias garante sistemas de saúde mais robustos para nossas populações”, disse. 

    Para o vice-ministro da Ecologia e Meio Ambiente da China, Li Gao, a China reafirma, seu compromisso com a adaptação climática baseada em ciência, planejamento territorial e cooperação entre países. “Os desafios são complexos e crescentes, e só conseguiremos proteger nossas populações se unirmos esforços, compartilharmos conhecimento e fortalecermos a capacidade de resposta dos nossos sistemas de saúde”, afirmou Li Gao. 

    “As mudanças climáticas já representam uma ameaça real à saúde dos nossos povos — da China, do Brasil e de toda a comunidade internacional. Enfrentar secas, enchentes, ondas de calor e doenças sensíveis ao clima exige fortalecer sistemas públicos de saúde e colocar a vida no centro da agenda climática global. É simbólico que essa convergência entre clima e saúde ganhe protagonismo justamente aqui na COP30”, Gao Li, vice-ministro de Ecologia e Meio Ambiente da China.

    Durante o discurso, o ministro também citou o papel central do multilateralismo na COP30, um dos principais eixos da presidência brasileira do evento, e o alinhamento com a China no fortalecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da governança global em saúde. “A OMS é um pilar da diplomacia em saúde e uma aliada essencial para construir sistemas resilientes às mudanças climáticas”, afirmou Padilha. 

    Plano de Ação de Saúde de Belém 

    O Brasil apresentou ontem, no Dia da Saúde da COP30, o Plano de Ação de Saúde de Belém, o primeiro plano de adaptação climática do setor saúde já lançado em uma Conferência das Partes da UNFCCC. A iniciativa surge em paralelo ao AdaptaSUS, plano nacional construído com ampla participação social e governança compartilhada entre municípios, estados e a União. 

    Ao reforçar o convite para que outros países se juntem ao movimento, Padilha destacou a urgência da ação conjunta: “Este mutirão clima-e-saúde é mais forte que o negacionismo, o unilateralismo e a apatia. O tempo de agir é agora, e precisamos colocar as pessoas no centro de todas as políticas públicas”. 

    Com a adesão da China, o Plano de Belém ganha ainda mais força política e técnica, ampliando sua capacidade de mobilização global rumo à construção de sistemas de saúde resilientes, equitativos e preparados para os desafios climáticos das próximas décadas. O documento está disponível para endosso até a Assembleia Mundial de Saúde, que acontecerá em maio de 2026. 

    Entre os países que aderiram ao Plano de Ação de Saúde de Belém, além da China, estão Camboja, Malásia, Canadá, Chile, Espanha, França, Japão, Maldivas, México, Noruega, Portugal, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Egito, Sudão do Sul, Zâmbia, entre outros. 

    Vanessa Aquino 
    Ministério da Saúde  

  • Saúde promove oficina sobre gordofobia e estigma do peso para profissionais do Mais Médicos

    Saúde promove oficina sobre gordofobia e estigma do peso para profissionais do Mais Médicos

    Na quinta-feira (13), aproximadamente 400 profissionais do Programa Mais Médicos participaram da oficina Estigma da Obesidade e Gordofobia no Ambiente de Cuidados à Saúde. A iniciativa fez parte da programação do Módulo de Acolhimento e Avaliação (MAAv), treinamento que está acontecendo em Brasília (DF) para médicos que vão integrar as equipes da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS).

    “O excesso de peso é um problema de saúde pública no nosso país e no mundo, e a gente tem um desafio imenso de ofertar cuidado com acolhimento, sem promover gordofobia. Por muito tempo, a obesidade foi tratada como um simples desbalanço entre o que se come e o que se gasta de energia. E a gente sabe hoje, a partir das evidências científicas, que ela é uma doença que tem causas multifatoriais, não é uma questão de falta de vontade”, explicou a coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Kelly Alves.

    A consultora técnica da Coordenação-Geral de Prevenção às Doenças Crônicas Joana Thiesen pontuou que “a obesidade envolve diferentes dimensões, como a biológica, a social, a cultural, a comportamental e a ambiental” e que tudo isso deve ser levado em conta no cotidiano de trabalho no SUS. 

    Ao criar um espaço de reflexão e sensibilização sobre práticas de cuidados com a saúde que não reproduzam preconceito e discriminação, o objetivo da pasta é qualificar médicos que promovam o cuidado integral e humanizado às pessoas com obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). No início da atividade, foi exibido o documentário “Gordofobia e estigma do peso: reconstruindo práticas de cuidado em saúde”, produzido neste ano pelo Ministério da Saúde em parceria com as universidades federais de Ouro Preo (UFOP) e da Bahia (UFBA). 

    Confira o vídeo do Ministério da Saúde sobre o conteúdo

    Escuta, linguagem e presença

    Em seguida, a nutricionista e doutora em ciências da nutrição Vanille Pessoa reforçou que a forma como os médicos abordam corpos gordos nos serviços de saúde interfere na adesão ao tratamento das pessoas que convivem com a obesidade. “Tratar a obesidade não é sinônimo de buscar emagrecimento, é tratar um indivíduo que está dentro de um contexto, precisa de cuidado e te procurou para conseguir ajuda”, ressaltou a especialista, que é professora da Universidade Federal de Campina Grande. “O que a gente mais precisa para traçar um bom diagnóstico e fazer um tratamento efetivo é ouvir”, complementou.

    O médico paranaense Valdir Silva, que vai trabalhar em Rio Bonito (RJ) pelo programa, concorda e disse que, após a oficina, se sente preparado para oferecer um atendimento mais humanizado aos cidadãos. “A receptividade e a atenção com quem estamos atendendo já faz parte do processo de cura. Isso vai fazer diferença na vida da pessoa para seguir ou não as nossas diretrizes desde a primeira visita”, pontuou.

    Vanille ainda comentou sobre a importância da linguagem: “A pessoa não é obesa, porque isso não a define como um todo. Ela tem obesidade”. A especialista ainda recomendou aos médicos evitar fazer suposições – uma pessoa gorda não está fisicamente inativa necessariamente, por exemplo – e trabalhar com o controle da obesidade para que a pessoa tenha saúde hoje, e não apenas no futuro.

    Método Clínico Centrado na Pessoa

    O médico de família e comunidade Carlos Vieira, que iniciou a carreira no Mais Médicos, apresentou ferramentas práticas de manejo da pessoa com obesidade, como o Método Clínico Centrado na Pessoa, que tem como premissa deixar o paciente trazer o que é importante para ele ao invés de uma abordagem impositiva. “É uma junção do nosso conhecimento técnico-científico com o conhecimento da pessoa, que é a especialista em si mesma, para que sejam feitas as melhores escolhas dentro da realidade dela”, explicou.

    Taís Andrade de Almeida, médica carioca que vai trabalhar em Niterói (RJ) pelo programa, entende que o método faz a diferença na melhoria da saúde da pessoa. “O paciente vai além do sobrepeso e da obesidade. Ao olhar só para o peso, a gente esquece todas as outras questões, inclusive doenças graves, que podem estar acontecendo e que vão além do que a gente vê. Temos que olhar para ele como um todo”, comentou.

    A entrevista motivacional está incluída nesse contexto, com perguntas abertas, validação dos sentimentos e dificuldades que a pessoa relata e compartilhamento de conselhos e informações quando necessário, para apoiar a autonomia da pessoa. Além disso, compartilhar o cuidado com a equipe multiprofissional da Unidade Básica de Saúde (UBS), fazer visitas domiciliares e encaminhamentos para a atenção especializada quando for preciso fazem parte da estratégia. “Não é preciso resolver tudo em uma só consulta. O cuidado é longitudinal e o vínculo é a nossa estratégia mais poderosa”, disse.

    Além dos cuidados nos atendimentos individuais, ele também lembrou da importância de preencher corretamente os dados de cada pessoa com obesidade no prontuário eletrônico do e-SUS APS. “Com dados, a gente faz ciência, a gente faz políticas públicas e a gente consegue avançar no tratamento e no cuidado. E tendo os dados da sua população no e-SUS, você consegue puxar relatórios, entender como é o perfil da população atendida no território e, a partir disso, promover ações, como atividades em grupo”, defendeu.

    A oficina Estigma da Obesidade e Gordofobia no Ambiente de Cuidados à Saúde foi uma iniciativa das secretarias de Atenção Primária à Saúde (Saps) e de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), e disponibilizou este link com as principais publicações do Ministério da Saúde a respeito do cuidado com a obesidade.

    Laísa Queiroz
    Ministério da Saúde

  • Relatório do Ministério da Saúde e OMS alerta: 1 em cada 12 hospitais do mundo tem risco de paralisação por causas relacionadas ao clima

    Relatório do Ministério da Saúde e OMS alerta: 1 em cada 12 hospitais do mundo tem risco de paralisação por causas relacionadas ao clima

    O aumento das temperaturas e o colapso de sistemas de saúde estão custando cada vez mais vidas, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (14) durante a COP30 pelo Ministério da Saúde do Brasil e Organização Mundial da Saúde (OMS). As mudanças climáticas já desenham uma emergência global de saúde: mais de 540 mil pessoas morrem por calor extremo a cada ano, e um em cada 12 hospitais no mundo corre risco de paralisação por causas relacionadas ao clima.

    O Relatório Especial da COP30 “Saúde e Mudanças Climáticas: Implementando o Plano de Ação em Saúde de Belém” faz um apelo por ações imediatas e coordenadas para proteger a saúde em um planeta que aquece rapidamente. O documento dá sequência ao lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, iniciativa do Ministério da Saúde do Brasil, apresentado no dia 13/11. É o primeiro plano internacional de adaptação climática dedicado exclusivamente à saúde, um marco da COP30, e que já conta com adesão de mais de 80 países e instituições.

    “Com a publicação deste relatório, o Brasil e a OMS reafirmam a importância da COP30 como a COP da Verdade. O relatório comprova – com dados e evidências – que as mudanças climáticas já impactam diretamente os sistemas de saúde em todo o mundo”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “As tragédias recentes mostram que este é o momento de implementar medidas contra o impacto das mudanças climáticas na saúde. O Plano de Ação em Saúde de Belém e este relatório oferecem aos países as ferramentas necessárias para transformar evidências científicas em ações concretas”, destacou.

    “A crise climática é uma crise de saúde – não em um futuro distante, mas aqui e agora”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Este relatório traz evidências sobre os impactos das mudanças climáticas nas pessoas e nos sistemas de saúde, além de exemplos concretos do que os países já estão fazendo – e podem fazer – para proteger vidas e fortalecer seus sistemas de saúde.”

    Com as temperaturas globais 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, o planeta já vive impactos crescentes sobre a saúde. O relatório afirma que entre 3,3 e 3,6 bilhões de pessoas vivem hoje em áreas altamente vulneráveis às mudanças climáticas e os hospitais enfrentam 41% mais risco de danos causados por eventos climáticos extremos do que em 1990. O que reforça a urgência de fortalecer e adaptar os sistemas de saúde para proteger as comunidades dos impactos climáticos.

    Sem uma rápida descarbonização, o número de unidades de saúde ameaçadas pode dobrar até meados do século, o que evidencia a importância de medidas de adaptação para proteger a infraestrutura de saúde. O próprio setor da saúde é responsável por cerca de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa e precisa acelerar sua transição para sistemas de baixo carbono e resilientes ao clima.

    O relatório identifica lacunas críticas que exigem atenção imediata. Apenas 54% dos planos nacionais de adaptação em saúde avaliam riscos às unidades de saúde; menos de 30% dos estudos consideram renda, 20% abordam gênero, e menos de 1% incluem pessoas com deficiência.

    “As evidências são claras: proteger os sistemas de saúde é um dos investimentos mais inteligentes que um país pode fazer”, destacou Nick Watts, diretor do Centro de Medicina Sustentável da Universidade Nacional de Singapura (NUS) e presidente do grupo de especialistas que orientou o relatório. “Destinar apenas 7% dos recursos de adaptação à saúde permitiria salvar bilhões de vidas e manter serviços essenciais funcionando durante choques climáticos – justamente quando as pessoas mais precisam.”

    Há avanços. Entre 2015 e 2023, o número de países com Sistemas Nacionais de Alerta Precoce Multirrisco dobrou para 101, cobrindo dois terços da população mundial. No entanto, apenas 46% dos países menos desenvolvidos e 39% dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento contam com sistemas eficazes.

    A mensagem central do relatório é clara: já há evidências suficientes para agir em larga escala. Intervenções eficazes, de baixo custo e alto impacto existem para cada um dos eixos do Plano de Ação em Saúde de Belém.

    O documento conclama os governos a:

    • Integrar objetivos de saúde às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e aos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs);
    • Utilizar as economias geradas pela descarbonização para financiar a adaptação em saúde e capacitar profissionais;
    • Investir em infraestrutura resiliente, priorizando unidades de saúde e serviços essenciais;
    • Empoderar comunidades e o conhecimento local na formulação das respostas que reflitam as realidades vivenciadas.

    O Governo do Brasil também lançou um relatório complementar, intitulado “Participação Social, Clima e Saúde: Relatório Especial para Apoiar a Implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém”, que destaca a importância da governança, da participação social e do engajamento comunitário como dimensões essenciais do plano. O documento alerta que as mudanças climáticas representam riscos profundos para a saúde humana, especialmente para populações vulneráveis e historicamente marginalizadas, e que a adaptação efetiva depende da participação ativa das comunidades na formulação, execução e monitoramento das políticas de saúde.

    Para a pesquisadora, autora e fundadora da ONG Criola, Lúcia Xavier, uma das colaboradoras do relatório, o documento representa um passo importante para ampliar a participação social nas decisões de saúde. “O Plano de Saúde de Belém é uma oportunidade de fortalecer de fato a participação das comunidades. Queremos que as experiências dos territórios, especialmente de afrodescendentes, povos indígenas, mulheres e pessoas de diferentes identidades de gênero, sejam incorporadas em todas as etapas: no acesso às informações, na tomada de decisões, nos investimentos e na capacidade de influenciar os rumos das políticas. É fundamental construir uma relação de confiança entre governo e sociedade para garantir mais equidade nas ações de saúde”, afirma a pesquisadora.

    Juntos, os dois relatórios apresentam caminhos complementares para colocar em prática os objetivos do Plano – um com foco em evidências e implementação, outro em participação inclusive e liderança entre sociedades.

    Sobre o Plano de Ação em Saúde de Belém

    O Plano de Ação em Saúde de Belém lançado pelo Ministério da Saúde do Brasil e um dos principais resultados da Presidência do Brasil na COP30, se baseia em dois princípios transversais: equidade em saúde e justiça climática, e liderança e governança em saúde e clima, com participação social.

    O plano define três linhas de ação para fortalecer sistemas de saúde resilientes ao clima:

    • Vigilância e monitoramento focados no fortalecimento da vigilância integrada e informada pelo clima; 
    • Políticas baseadas em evidências, estratégias e capacitação para ampliar a capacidade de sistemas nacionais e locais de implementar soluções eficazes e equitativas; 
    • Inovação, produção e saúde digital que promovam a pesquisa, desenvolvimento e acesso a tecnologias que atendam às necessidades de diferentes populações.

    O Relatório Especial da COP30 foi elaborado sob orientação de um grupo internacional de especialistas em saúde pública global, coordenado pelo Centro de Medicina Sustentável da NUS e liderado pela OMS e pelo Ministério da Saúde. Com base em mais de 70 estudos de caso de todo o mundo, o documento apresenta exemplos práticos de intervenções que já estão dando resultados – de sistemas de alerta precoce e hospitais verdes a planejamento de saúde informado pelo clima e financiamento sustentável.

    Acesse o Relatório

    Informações para a imprensa:

    Ministério da saúde:WHO: 

    Ministério da Saúde

  • Dia Mundial do Diabetes: saiba como o cuidado e monitoramento são realizados no SUS

    Dia Mundial do Diabetes: saiba como o cuidado e monitoramento são realizados no SUS

    Uma breve caminhada de casa até a Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Manicoré, no Amazonas, é o suficiente para que o trabalhador rural Delson do Nascimento receba o acolhimento necessário ao acompanhamento do diabetes, condição com a qual vive há cinco anos. Ele é atendido pela Estratégia de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR), que garante o cuidado contínuo e próximo à sua realidade no território amazônico.

    “Descobri que tinha diabetes quando trabalhava na roça e passei a sentir tonturas, fraqueza no corpo, não conseguia enxergar direito. Fui ao médico, fiz os exames e entendi o que era diabetes. Hoje eu tomo o medicamento certinho e me alimento bem do jeito que a nutricionista recomenda. Sou muito bem atendido sempre que venho à UBS”, afirma Delson, 65 anos, acompanhado pela equipe multidisciplinar da UBS Manoel Vaz Vieira. 

    Foto: acervo pessoal
    Foto: arquivo pessoal

    O trabalhador rural que mora na comunidade ribeirinha amazônica é uma das 12,3 milhões de pessoas no Brasil com mais de 18 anos diagnosticada com diabetes mellitus, o que representa cerca de 7,7% da população, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019.

    No Dia Mundial do Diabetes, celebrado nesta sexta-feira (14), o Ministério da Saúde reforça a importância não só do diagnóstico, mas também da prevenção e do cuidado integral. É na UBS que essas pessoas encontram acolhimento e o acompanhamento de saúde adequado, incluindo exames, consultas, tratamento e ações de prevenção e promoção da saúde, conduzido por equipes multidisciplinares de saúde. 

    Diagnóstico e cuidados

    O Diabetes Mellitus é uma doença crônica não-transmissível provocada pela incapacidade do organismo em produzir insulina ou de utilizá-la adequadamente. A insulina, hormônio produzido pelo pâncreas, controla a quantidade de glicose no sangue. Ela é essencial para que o corpo consiga metabolizar a glicose obtida por meio dos alimentos ingeridos diariamente e que são a principal fonte de energia.

    O diagnóstico é feito por meio de exame que mede a quantidade de glicemia no sangue e começa com o acolhimento na UBS, a porta de entrada do usuário no SUS para a prevenção, o diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento contínuo, controle dos fatores de risco associados e prevenção de complicações, bem como ações de vigilância e promoção da saúde. 

    Mais de 12,6 milhões de atendimentos a pessoas com diabetes foram registrados na Atenção Primária à Saúde (APS) entre os meses de janeiro a maio deste ano, de acordo com dados do Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde (Siaps).

    Além do monitoramento nas UBS, o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece gratuitamente quatro tipos de insulinas: insulinas humanas NPH e regular e insulinas análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais e injetável para diabetes. Para o monitoramento do índice glicêmico, as UBS também disponibilizam tiras/fitas reagentes, lancetas e seringas, conforme indicação para cada caso, tanto para os medicamentos quanto para os insumos.

    Desde fevereiro de 2025, o Programa Farmácia Popular passou a disponibilizar gratuitamente 100% dos medicamentos e insumos, incluindo medicamentos para diabetes.  

    Entre os atendimentos realizados, estão os de monitoramento do jornalista aposentado João Batista da Silva, morador de Brasília, no Distrito Federal. Há 12 anos, ele adota cuidados específicos, com o acompanhamento de equipe multidisciplinar de saúde na UBS próxima à sua casa.

    “Desde que fui diagnosticado, faço todo o tratamento pelo SUS. A equipe de saúde é maravilhosa, me orienta e me ajuda a pegar os medicamentos. Tem também o agente de saúde, que vai sempre à minha casa saber como estou e encaminha as solicitações de exames periódicos que preciso fazer. Me sinto bastante acolhido”, afirma João Batista.

    Entre as medidas preventivas para as condições crônicas, como o diabetes, estão a prática regular de atividade física, seguindo as orientações do Guia da Atividade Física para a População Brasileira, e a adoção de uma alimentação adequada e saudável, conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira.

    Priscila Viana
    Ministério da Saúde

  • Embarcação SESI Saúde no Pará é integrada ao programa Agora Tem Especialistas

    Embarcação SESI Saúde no Pará é integrada ao programa Agora Tem Especialistas

    Belém (PA) – A Embarcação SESI Saúde Conectada, que atende populações ribeirinhas na Amazônia, passa a integrar o programa Agora Tem Especialistas – Rios de Especialistas. A iniciativa, anunciada nesta sexta-feira (14), amplia o acesso a atendimentos especializados para essas comunidades, com prioridade aos trabalhadores da indústria que vivem em áreas de difícil acesso. O projeto é resultado de um Acordo de Cooperação Técnica entre o SESI e o Ministério da Saúde para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias.

    Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a parceria reforça o compromisso da pasta com uma agenda que une tecnologia, sustentabilidade e justiça social. “Esta iniciativa, que garante acesso a especialistas por telessaúde, representa uma mudança na realidade de saúde das comunidades ribeirinhas. Ontem, durante a COP30, lançamos o Plano de Ação em Saúde de Belém, voltado a tornar os sistemas de saúde mais resilientes frente às mudanças climáticas. E hoje estamos inaugurando um serviço conectado aqui na Amazônia, justamente a região que mais sente os efeitos climáticos”, afirmou.

    Foto: João Risi/MS
    Foto: João Risi/MS

    Com conectividade via satélite, a embarcação oferece teleconsultas, exames e atendimentos com equipe multidisciplinar, priorizando o acompanhamento de doenças crônicas e ações de prevenção. A estrutura é sustentável: possui motores elétricos alimentados por painéis solares, foi construída com madeira de reflorestamento e conta com sistemas de gestão de resíduos que reduzem o impacto ambiental.

    Segundo o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, a iniciativa integra desenvolvimento produtivo e responsabilidade ambiental e social. “O SESI desempenha um papel central na criação de soluções que aproximam as pessoas das transformações que o planeta exige. Em Belém, reafirmamos nosso compromisso com a educação, a saúde e a sustentabilidade como caminhos para garantir dignidade e futuro às próximas gerações”, destacou.

    O presidente da FIEPA e diretor regional do SESI Pará, Alex Carvalho, ressaltou que melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores da indústria é fundamental para assegurar uma transição justa para a nova economia. “A presença do SESI na COP30 mostra que a economia de baixo carbono também depende da valorização das pessoas. Aqui na Amazônia, sabemos que desenvolvimento e sustentabilidade precisam caminhar juntos, e a indústria paraense está pronta para ser parte ativa dessa transformação.”

    O lançamento contou com as presenças do diretor-superintendente do SESI Nacional, Paulo Mól; do superintendente de Saúde e Segurança na Indústria do SESI Nacional, Emmanuel Lacerda; além de autoridades e representantes do setor produtivo.

    Vanessa Aquino
    Ministério da Saúde

  • Ministério da Saúde produz filme contra racismo

    Como parte das ações do Novembro Negro, mês de valorização da cultura e história afro-brasileira e da luta contra o racismo, o Ministério da Saúde (MS) lançou o documentário “Sorriso Negro”, com 17 entrevistas com trabalhadores da pasta no Rio de Janeiro, revelando as histórias por trás de cada sorriso. A iniciativa busca fortalecer, por meio da arte, as vozes e trajetórias negras que constroem cotidianamente o Sistema Único de Saúde (SUS).

    O lançamento aconteceu no dia 7 de novembro, na sede da Associação dos Servidores Municipais, Estaduais e Federais do Rio de Janeiro (Assist) e contou com a participação da equipe de produção, do elenco e convidados. O filme também está percorrendo unidades federais de saúde e, em breve, será disponibilizado gratuitamente no streaming da FioFlix.

    Inspirado na exposição fotográfica “Sorriso Negro”, idealizada em 2017 pela assistente social Rosimeri Ramos no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), o filme amplia o alcance do projeto que já retratou mais de mil profissionais negros dos hospitais e institutos federais do Rio. Apoiada pela VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, a produção tem como ponto de partida a pergunta “O que te faz sorrir?”, criando um mosaico de sorrisos, afetos e experiências. Entre as respostas, surgem lembranças de familiares, amizades, grupos de trabalho, conquistas e momentos marcantes – reflexos da diversidade de vivências que compõem o SUS.

    O nome do documentário e da exposição vem da canção homônima de Dona Ivone Lara, cantora, enfermeira, assistente social, terapeuta ocupacional e servidora pública do Ministério da Saúde por 37 anos. A estreia contou com a presença de Eliana Lara, nora e responsável pelo acervo de Dona Ivone, e outros familiares.

    O curta é uma produção do Departamento de Gestão Hospitalar no Estado do Rio de Janeiro (DGH/SAES/MS), com apoio do Centro Cultural do Ministério da Saúde. O filme também está percorrendo unidades federais de saúde e, em breve, será disponibilizado gratuitamente no streaming da FioFlix.

    Para a coordenadora-geral de Governança Hospitalar do DGH, Jesana Alves, o filme tem uma importância simbólica e política muito grande. “Celebrar o Novembro Negro é reconhecer que a população negra construiu e constrói todos os dias a história do Brasil, além de admitir que seguimos enfrentando desigualdades profundas, inclusive no acesso à saúde, no acolhimento, no cuidado e no reconhecimento das nossas vivências e identidades. ‘Sorriso Negro’ não fala de um sorriso ingênuo, fala de resistência, do sorriso que atravessa séculos de luta, do sorriso que renuncia, reivindica, cria e transforma. O sorriso que diz: nossas vidas importam, nossas histórias importam, nossa saúde importa”, enfatizou Jesana.

    Ficha técnica do curta

    Direção: Marcio Nolasco
    Roteiro: Leandro Rocha da Silva e Marcio Nolasco
    Produção executiva: Pamela Araujo
    Direção de produção: Edileuza Jordana
    Direção de fotografia e Câmera: Alexandre Brum
    Montagem e Edição: Marcos Paulo Benevides Pereira
    Idealização e Coordenação de comunicação: Pamela Araujo
    Arte gráfica: Edileuza Jordana e Marcos Paulo Benevides Pereira
    Colaboradores: Anís Morais, Cintia Nery e Gustavo Maia
    Apoio: VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz

    Flávia Barreto
    Ministério da Saúde

  • Brasil lidera debate sobre saúde e mudanças climáticas na COP30 em Belém

    Brasil lidera debate sobre saúde e mudanças climáticas na COP30 em Belém

    No terceiro dia da COP30, o Brasil reafirmou seu compromisso com a agenda global de enfrentamento às mudanças climáticas e à proteção das populações mais vulneráveis. O evento “Da experiência local à ação global: prevenção, reparação e resposta a eventos e emergências climáticas e o Plano de Ação em Saúde de Belém”, realizado nesta quarta-feira (12), reuniu gestores públicos, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir soluções que conectam inovação, equidade e resiliência nos sistemas de saúde. 

    O debate foi moderado pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, que ressaltou o papel histórico do Brasil ao incluir, pela primeira vez, a saúde como eixo central de discussão na Conferência do Clima da ONU. 

    “Os eventos climáticos extremos têm produzido danos profundos à estrutura do sistema de saúde e às populações. Aqui na COP, temos uma oportunidade histórica: discutir e aprovar um plano de diretrizes para preparar os sistemas de saúde para esses desafios. Essa COP será um marco para a preparação global”, afirmou Massuda. 

    O secretário lembrou que o país enfrentou, em um curto intervalo, enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul, a maior seca da história na Amazônia e, mais recentemente, um ciclone no Paraná, episódios que exemplificam a urgência de integrar vigilância climática, resposta rápida e fortalecimento da rede de atenção à saúde. 

    Experiências locais inspiram respostas globais 

    O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, apresentou o protocolo de calor da cidade, reconhecido internacionalmente e premiado por sua capacidade de antecipar riscos e orientar ações preventivas em períodos de temperaturas extremas. 

    “Situações de calor extremo merecem um cuidado especial. No Rio, conseguimos correlacionar dados de temperatura e mortalidade e desenvolver alertas automáticos que suspendem atividades ao ar livre e orientam cuidados com grupos vulneráveis. O calor também mata — e precisamos tratar isso como uma questão de saúde pública”, destacou Soranz. 

    Cooperação internacional e inteligência demográfica 

    A diretora de programas do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Julia Bunting, reforçou o papel do Brasil como referência para outros países em desenvolvimento e reafirmou o compromisso da agência em apoiar o país. 

    “Vemos o Plano de Ação em Saúde de Belém como uma ferramenta transformadora. A inteligência demográfica e o mapeamento geoespacial são fundamentais para orientar investimentos e fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde. O UNFPA está pronto para ser parceiro do Brasil”, afirmou. 

    Bunting destacou ainda que mais de 260 milhões de pessoas na América Latina estão expostas a riscos naturais significativos, incluindo enchentes, furacões e secas, e defendeu que o financiamento climático global incorpore critérios de equidade e direitos humanos, com atenção especial à saúde de mulheres, meninas e populações vulneráveis. 

    Plano de Ação em Saúde de Belém 

    O Plano de Ação em Saúde de Belém, que será apresentado nesta semana, estabelece diretrizes globais para fortalecer a capacidade dos sistemas de saúde frente às emergências climáticas, integrando vigilância informada pelo clima, inteligência territorial e cooperação internacional. 

    A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), será lançada oficialmente nesta quinta-feira (13), durante o “Dia da Saúde” da COP30, em Belém, sob a liderança do ministro Alexandre Padilha.

    Acesse o Plano de Ação em Saúde de Belém nas versões Português, Espanhol e Inglês

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde

  • “A crise climática é também uma crise de saúde pública. Adaptar os nossos sistemas de saúde é proteger vidas”, diz ministro Alexandre Padilha

    “A crise climática é também uma crise de saúde pública. Adaptar os nossos sistemas de saúde é proteger vidas”, diz ministro Alexandre Padilha

    Durante painel de lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, realizado nesta quinta-feira (13), na COP30, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, convidou os países a aderiram a iniciativa. É o primeiro plano internacional de adaptação climática dedicado exclusivamente à saúde. O documento traz ações concretas para que os países possam preparar os seus sistemas de saúde e responder aos efeitos das mudanças climáticas.

    “A crise climática é, antes de tudo, uma crise de saúde pública. Não estamos mais diante de um risco futuro, mas de uma realidade que já pressiona os sistemas de saúde, provoca mortes e agrava desigualdades. Aqui em Belém, no coração da Amazônia, reafirmamos que a resposta a essa crise precisa unir ciência, cooperação e humanidade. O Brasil mostra ao mundo que saúde e clima são agendas indissociáveis, e que adaptar os nossos sistemas é proteger vidas, comunidades e o futuro do planeta”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Sobre a proposta do Brasil para a saúde, um plano com propostas concretas, ele destacou: “o presidente Lula tem dito que esta é a COP da Verdade – a verdade da ciência, da implementação e da ação. O Brasil chega à COP30 com a convicção de que o enfrentamento da crise climática exige coragem política e compromisso com a vida. Nosso país, que já demonstrou capacidade de enfrentar epidemias e construir o maior sistema público de saúde do mundo, assume agora a liderança global na integração entre saúde, meio ambiente e justiça social. Não há tempo a perder, é hora de transformar compromissos em resultados concretos”, destacou.

    O Brasil também vai apresentar o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, o AdaptaSUS, elaborado com ampla participação social e diálogo federativo. É a proposta do país que dialoga e será exemplo para as ações de enfrentamento e resposta do impacto das mudanças climáticas na saúde das populações do mundo todo.

    Padilha também agradeceu o apoio de fundações e parceiros internacionais — como a Rockefeller Foundation, a Wellcome Trust e a Gates Foundation — na construção do Plano, e reforçou o compromisso do Brasil com a cooperação multilateral.

    Confira a íntegra do discurso

    Ministério da Saúde

  • População de Foz do Iguaçu (PR) e de Crato (CE) recebe carretas do  Agora Tem Especialistas. Já são 33 unidades em todas as regiões do país

    População de Foz do Iguaçu (PR) e de Crato (CE) recebe carretas do Agora Tem Especialistas. Já são 33 unidades em todas as regiões do país

    Nesta semana, mais duas carretas do programa Agora Tem Especialistas começam a operar, ampliando para 33 o número total de unidades móveis de atendimento de saúde especializado. Ofertadas pelo Ministério da Saúde e pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), as unidades estão posicionadas em municípios das cinco regiões do país. Nesta quinta-feira (13), Foz do Iguaçu (PR) recebeu uma nova carreta para tratamento oftalmológico, que amanhã já começa a atender pacientes do SUS agendados e encaminhados pelo município. Já a população de Crato (CE) conhecerá uma carreta de exames de imagem nesta sexta-feira (14). Todas visam levar serviços de saúde até onde a população está.  

    Em Foz do Iguaçu (PR), onde anunciou a chegada da carreta oftalmológica, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, afirmou que “o programa Agora Tem Especialistas traz, além de atendimentos em quantidade, atendimentos de qualidade, integrados aos gestores do SUS local. Esta carreta de oftalmologia tem capacidade para realizar mil atendimentos por mês e 2.400 cirurgias. A previsão é que a carreta aqui em Foz do Iguaçu (PR) permaneça, inicialmente, por 60 dias e depois, percorra outros municípios do Paraná, atendendo outras regiões”. 

    Estruturada com equipamentos de última geração, as unidades móveis de oftalmologia contam com um centro cirúrgico adaptado para realizar cirurgias de catarata, além de outros procedimentos oftalmológicos de média complexidade, como facoemulsificação com implante de lente intraocular dobrável, reposicionamento de lente intraocular, mapeamento de retina, topografia computadorizada de córnea e ultrassonografia de globo ocular.  

    Além disso, contam com os combos de cuidados chamados de Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs) em avaliação diagnóstica em neuro oftalmologia; avaliação inicial para oncologia oftalmológica; avaliação de estrabismo; entre outros. 

    Integração do cuidado  

    A carreta funcionará de forma integrada à rede de saúde local, articulando-se com a Atenção Primária, a rede ambulatorial e hospitalar. Os agendamentos serão realizados pela Central Municipal de Regulação, respeitando a ordem única pactuada com o território.  

    O programa prevê a circulação de 150 carretas em todo o país até 2026, levando atendimento especializado aos quatro cantos do Brasil, especialmente em regiões marcadas por vazios assistenciais. 

    Ministério da Saúde

  • Brasil lança Plano de Ação em Saúde de Belém para enfrentar impactos climáticos e fortalecer sistemas de saúde globais

    Brasil lança Plano de Ação em Saúde de Belém para enfrentar impactos climáticos e fortalecer sistemas de saúde globais

    O Ministério da Saúde do Brasil lança, nesta quinta-feira (13/11), durante a COP30 realizada no país, o Plano de Ação em Saúde de Belém: o primeiro plano internacional de adaptação climática dedicado exclusivamente à saúde. O documento apresenta ações concretas para que os países possam preparar os seus sistemas de saúde e responder aos efeitos das mudanças climáticas na saúde das populações do mundo todo, especialmente as mais vulneráveis. 

    A proposta é um marco da COP30 e consolida o protagonismo do Brasil na agenda global de saúde e clima. Como um plano aberto para a adesão voluntária de países, organizações internacionais e apoio da sociedade civil, academia, setor privado e filantropias, este documento será a principal contribuição do setor saúde para o mutirão global de clima e saúde com objetivo de preparar o setor para os desafios climáticos que já afetam populações em todo o planeta.  

    “O Plano de Belém simboliza o compromisso do Brasil e da comunidade internacional com a vida e a ‘justiça climática’. Estamos convocando um mutirão mundial para proteger a saúde das pessoas mais vulneráveis, reforçando a preparação dos sistemas de saúde para enfrentar calor extremo, enchentes, secas e outras emergências”, afirmou o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha. “Belém se torna símbolo de um novo paradigma: cuidar da saúde é também cuidar do planeta. É a ciência, a solidariedade e a ação coletiva que nos permitirão construir um futuro mais justo e saudável para todos”, reforçou. 

    “A saúde é a razão mais convincente para agirmos em relação ao clima, mas, por muito tempo, ela foi relegada a um segundo plano nas negociações climáticas”, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). “O Plano de Belém muda isso, apresentando ações concretas que os países podem colocar em prática para construir comunidades mais saudáveis e resilientes em um mundo em aquecimento.”   

    Eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, estão cada vez mais frequentes e têm sido um desafio crescente para os sistemas de saúde. O aumento das temperaturas também impacta na proliferação de doenças, como a dengue, e na mortalidade por calor extremo ou outras doenças relacionadas à qualidade do ar, como as doenças respiratórias. Há ainda fatores relacionados ao aumento da desigualdade e redução da qualidade de vida.  

    Dados do Relatório Lancet Countdown América Latina 2025, os desastres climáticos extremos na América Latina custaram à região US$ 19,2 bilhões em 2024, o que representa 0,3% do PIB. O Brasil arcou com dois terços desse custo. 

    Um pacto global pela saúde e pelo clima 

    O Plano de Ação em Saúde de Belém responde diretamente ao Artigo 7 do Acordo de Paris (2015), que estabelece a Meta Global de Adaptação, e complementa as resoluções da Assembleia Mundial da Saúde (WHA61.19, WHA77.14 e WHA77.2), alinhado também aos compromissos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e do Programa de Trabalho EAU–Belém, desenvolvido desde a COP28. 

    O plano também faz parte da Agenda de Ação da COP30, respondendo ao Objetivo 16, que trata da promoção de sistemas de saúde resilientes frente à crise climática. Seu lançamento coloca Belém no centro do mapa como sede global da saúde e do clima. 

    Linhas de Ação do Plano de Belém 

    O Plano de Ação em Saúde de Belém não só reconhece o impacto crescente das mudanças climáticas na saúde das populações, como apresenta uma proposta, com três linhas de ação, para que os países possam se preparar e atuar conjuntamente, a nível internacional, no enfrentamento desses desafios. Representa uma oportunidade histórica de promover a adaptação e resiliência dos sistemas de saúde no mundo e fortalecer a capacidade global de resposta aos efeitos das mudanças climáticas.  As metas e estratégias visam ampliar a capacidade dos países em prevenção, resposta e adaptação. 

    As três linhas de ação estão interligadas, sustentadas por princípios e conceitos transversais de equidade em saúde, ‘justiça climática’ e governança participativa. Essas ações serão acompanhadas também por mecanismos globais de monitoramento e prestação de contas, coordenados em colaboração com a Aliança para Ação Transformadora em Clima e Saúde (ATACH), sob supervisão da OMS. 

    Linha de Ação 1: Vigilância e Monitoramento: implementar e fortalecer sistemas de vigilância e monitoramento em saúde informados pelo clima, que sejam integrados, interoperáveis, inclusivos e participativos, levando em conta as necessidades das populações em situações de vulnerabilidade.  

    Estabelecer mecanismos de avaliação contínua e aprimoramento para garantir que esses sistemas possam detectar tanto eventos extremos quanto os impactos graduais das mudanças climáticas, fornecendo dados em tempo real para orientar ações de alerta precoce e resposta.  

    Aprimorar as capacidades de monitoramento epidemiológico e ambiental para apoiar medidas baseadas em evidências que previnam ou reduzam os impactos climáticos sobre a saúde, em consonância com os compromissos globais de adaptação em saúde. 

    Linha de Ação 2: Políticas, Estratégias e Fortalecimento de capacidades baseados em evidências: fortalecer as capacidades nacionais e locais e acelerar a implementação de políticas e soluções baseadas em evidências por meio de abordagens multidisciplinares, intersetoriais e participativas, considerando a equidade em saúde, a “justiça climática” e a governança inclusiva, com a participação ativa de grupos relevantes, como povos indígenas, comunidades tradicionais e locais, e a sociedade civil, em todas as etapas da formulação de políticas e tomada de decisões. 

    Linha de Ação 3: Inovação, Produção e Saúde Digital: promover a pesquisa, o desenvolvimento, a aplicação e o acesso equitativo a tecnologias e abordagens inovadoras que atendam de forma eficaz às necessidades de saúde das diferentes populações. Aprimorar a resiliência e a sustentabilidade da fabricação e da cadeia de suprimentos de produtos essenciais à saúde, tornando a infraestrutura, os equipamentos, os insumos e os serviços resistentes ao clima, incluindo a integração de soluções digitais e inovações em saúde inteligentes para o clima. 

    Equidade, participação e ciência 

    O Plano de Belém adota uma abordagem baseada em evidências e na cooperação intersetorial, com atenção especial a povos indígenas, comunidades tradicionais, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e trabalhadores da saúde — grupos mais afetados pelas emergências climáticas. 

    Entre as prioridades, o plano também incorpora ações de saúde mental e apoio psicossocial, reconhecendo o impacto das mudanças climáticas sobre o bem-estar das comunidades e dos profissionais de saúde. 

    Além disso, o documento propõe políticas de transição justa no setor saúde, articulando trabalho decente, energia limpa, produção sustentável e inovação tecnológica como pilares da adaptação climática com equidade. 

    Construção participativa global 

    Com o objetivo de ampliar a conscientização e incentivar a adesão dos países ao Plano de Ação em Saúde de Belém, o Ministério da Saúde do Brasil conduziu, com o apoio da Organização Mundial da Saúde, um processo participativo de construção, envolvendo atores estratégicos e articulando apoio internacional.  

    A pasta promoveu o diálogo com representantes dos Estados-membros da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima), organizações internacionais e atores não estatais, com foco na construção coletiva de uma proposta desenhada para servir como referência global. 

    Nesse contexto, foram realizados encontros pré-COP no Brasil, Reunião Preliminar de Consulta em março, bem como a Conferência Global de Clima e Saúde, realizada em em julho deste ano, que reuniu especialistas e autoridades para alinhar compromissos e evidências científicas sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde pública, e o diálogo diplomático com representantes de embaixadas, em Brasília (DF). Além disso, o Ministério da Saúde organizou o evento paralelo: Advancing Climate & Health Action on the Road durante a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), ocasião em que foi apresentada a versão atualizada do Plano

    Edjalma Borges
    Ministério da Saúde