Categoria: SAÚDE GOV

  • Ministério da Saúde seleciona 300 projetos para o programa Vivências no SUS

    Trezentos projetos que estimulam experiências formativas para estudantes, docentes, trabalhadores da saúde e representações da sociedade civil serão selecionados para o programa Vivências no SUS, a fim de promover a integração ensino-serviço-comunidade no sistema público de saúde. O edital, que irá selecionar os projetos, é fruto da parceria entre Ministério da Saúde, Associação da Rede Unida e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e vai alcançar mais de 42 mil pessoas de todo o país. O lançamento da chamada pública foi feito hoje (15) no Dia do Professor, na Universidade de Brasília (UnB) – Campus Ceilândia.

    A iniciativa tem o objetivo de aprimorar a formação de profissionais da saúde, alinhando às demandas do SUS, por meio da promoção de práticas colaborativas, do trabalho em equipe e da equidade nos serviços de saúde. O programa também busca consolidar modelos assistenciais inovadores e contribuir para o fortalecimento do SUS em todo o território nacional, além de aproximar os participantes da realidade do sistema de saúde. Dessa forma, promovendo uma atuação mais humanizada, crítica e comprometida com a melhoria contínua da saúde pública.

    De acordo com o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, o Vivências no SUS demonstra o compromisso do governo federal com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde. “O desenvolvimento do programa tem como foco principal despertar nos participantes — os chamados viventes — o engajamento em defesa de um sistema de saúde público, universal e equânime. Ao promover essa consciência crítica, buscamos formar sujeitos comprometidos com a transformação social e a consolidação da área da saúde”, pontuou.

    O escopo do programa irá contemplar modalidades de participação: estudantes e residentes; docentes; trabalhadoras e trabalhadores da saúde, gestoras e gestores; além de representantes dos movimentos sociais. Essa diversidade enriquece o processo formativo e reforça o compromisso do Ministério da Saúde com uma sociedade mais justa e com um SUS cada vez mais forte.

    Como funciona?

    As vivências serão realizadas no formato de imersão, em que o grupo de participantes se reúne no local previamente definido e fica integralmente disponível às atividades teórico-práticas-reflexivo-vivenciais. Os cenários para essas vivências serão estabelecidos em edital e podem ser estabelecimentos de saúde na Atenção Primária, Atenção Especializada, Atenção Hospitalar, Gestão, Vigilância, Conselhos de Saúde, comunidades especificas dos territórios, entre outros.

    Victor Almeida
    Ministério da Saúde

  • Brasil e China assinam acordo inédito para tratamentos oncológicos e doenças autoimunes

    Brasil e China assinam acordo inédito para tratamentos oncológicos e doenças autoimunes

    Desenvolver pesquisas e produtos para tratamento de cânceres, diabetes, obesidades e doenças autoimunes no Sistema Único de Saúde (SUS), além de reforçar estudos clínicos no Brasil. Com esses objetivos, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou, nessa terça-feira (14), Memorando de Entendimento (MoU) com a biofarmacêutica chinesa Gan & Lee Pharmaceuticals e a Fiocruz. 

    “Há um grande empenho dos governos do Brasil e da China para que essa parceria estratégica entre a Fiocruz, a Biomm e a Gan & Lee seja produtiva, capaz de gerar conhecimento conjunto e garantir mais medicamentos ao povo brasileiro”, afirmou Padilha, que também convidou o CEO da empresa, Wei Chen, a visitar o Brasil ainda este ano, reforçando a aproximação entre as autoridades sanitárias e o setor produtivo.  

    Em resposta, Wei Chen disse que o acordo simboliza um novo patamar de cooperação tecnológica. “Acreditamos que este projeto será um modelo de colaboração internacional, capaz de incentivar novas alianças entre empresas chinesas e brasileiras e, principalmente, de contribuir para que mais pacientes tenham acesso a terapias seguras e modernas. Recebo com honra o convite do ministro Padilha e espero aprofundar nossa parceria científica e tecnológica”, declarou. 

    Um exemplo do acordo é desenvolver pesquisas e medicamentos análogos ao hormônio GLP-1 produzido naturalmente no intestino que ajuda a regular o apetite, a glicose no sangue e a saciedade. Esses medicamentos imitam o hormônio para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.  

    Insulina glargina  

    O MoU é uma ampliação da parceria firmada entre o Ministério da Saúde e a empresa chinesa em setembro deste ano para viabilizar a produção nacional da insulina glargina, de ação prolongada e usada no tratamento do diabetes tipo 1 e 2. A parceria reúne Bio-Manguinhos (Fiocruz), Biomm e a Gan & Lee, com previsão inicial de produzir 20 milhões de frascos para abastecimento do SUS. 

    O acordo faz parte da agenda de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e estabelece transferência de tecnologia e cooperação científica. A parceria é estratégica para reduzir a dependência externa de insulinas e ampliar a oferta do medicamento no sistema público de saúde. 

    A produção será escalonada: inicialmente, o envase e a rotulagem ocorrerão no Brasil sob supervisão da Biomm, com uso de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) importado da Gan & Lee. Em etapa posterior, o IFA passará a ser fabricado no país, no Centro Tecnológico em Insumos Estratégicos (CTIE) da Fiocruz, em Eusébio (CE). 

     Alguns dos objetivos do MoU são: 

    • Redução gradual da dependência de importações, ao migrar da importação de IFA para produção nacional — decisões que impactam a balança comercial e a segurança de abastecimento; 

    • Fortalecimento da cadeia nacional de insumos estratégicos, com efeitos multiplicadores em fornecedores, logística, insumos químicos e biotecnologia. 

    • Potencial de economia para o SUS, caso a produção nacional reduza custos logísticos e de importação, além de mitigar flutuações cambiais que afetam o custo dos medicamentos importados; 

    • Relevância política e simbólica, na medida em que marca uma virada estratégica do governo brasileiro rumo à autossuficiência tecnológica no setor saúde. 

    A vice-presidente da Fiocruz, Priscila Ferraz, também assinou o acordo. “Este MoU amplia possibilidades de tratamento de doenças importantes para a saúde pública como cânceres e doenças autoimunes, ao mesmo tempo que reforça a nossa parceria com a empresa. A insulina glargina já é utilizada na China há mais de 20 anos e essa cooperação abre novas possibilidades de desenvolvimento tecnológico e de estudos clínicos”, destacou. 

    Comercializada em mais de 30 países, a insulina glargina da Gan & Lee — biossimilar da Lantus (Sanofi) — deve impulsionar a produção local de medicamentos estratégicos, reduzir custos cambiais e logísticos e estimular novas cadeias regionais de biotecnologia. 

    Edjalma Borges e Rafael Ely 
    Ministério da Saúde

  • Brasil registra 41 casos confirmados de intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas

    Brasil registra 41 casos confirmados de intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas

    O Ministério da Saúde atualiza, nesta quarta (15), o número de notificações de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica. Até o momento, 148 notificações foram registradas, sendo 41 casos confirmados e 107 em investigação. Outras 469 notificações foram descartadas. 

    O estado de São Paulo concentra 60,81% das notificações, com 33 casos confirmados e 57 ainda em investigação.  

    Até a última atualização, apenas os estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul haviam registrado casos confirmados. Agora, o estado de Pernambuco também confirmou casos por esse tipo de intoxicação. Com isso, os números de casos confirmados são: 33 em SP, 4 no PR, 3 em PE e 1 no Rio Grande do Sul. 

    Em relação aos casos em investigação, São Paulo investiga 57, Pernambuco (31), Rio de Janeiro (6), Mato Grosso do Sul (4), Piauí (3), Rio Grande do Sul (3), Alagoas (1), Goiás (1) e Paraná (1). 

    Em relação aos óbitos, 6 foram confirmados no estado de São Paulo e 2 em Pernambuco. Outros 10 seguem em investigação, sendo 4 em SP, 3 em PE, 1 no MS, 1 na PB e 1 no PR. 

    Atualização 

    A atualização das notificações de intoxicação por metanol, decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas, será realizada nos dias de funcionamento da Sala de Situação — segundas, quartas e sextas-feiras —, após às 17h. 

    Acesse os dados completos

    Ministério da Saúde

  • Reunião nacional reforça estratégias de controle da tuberculose no Brasil

    Para fortalecer as ações de eliminação da tuberculose enquanto problema de saúde pública no Brasil, o Ministério da Saúde (MS) realizou, nesta terça-feira (14), a Reunião de Coordenações Estaduais de Tuberculose, em Brasília (DF). O encontro reuniu gestores, técnicos e parceiros institucionais das 27 unidades federativas para alinhar estratégias, compartilhar resultados e debater os desafios no enfrentamento da doença. Entre as principais metas do País até 2030 estão: reduzir o coeficiente de incidência para menos de 10 casos por 100 mil habitantes, limitar o número de óbitos a menos de 230 ao ano e zerar os custos para as famílias afetadas pela doença.

    A programação do encontro foi dividida em três blocos temáticos com foco em Gestão e Vigilância, Tratamento Preventivo da Tuberculose (TPT) e Tuberculose Drogarresistente (TBDR). As palestras e diálogos abordaram o panorama epidemiológico da doença, o monitoramento das ações, os avanços no tratamento preventivo e a importância do diagnóstico oportuno dos casos de TBDR. Compuseram a mesa de abertura o secretário-adjunto da SVSA, Fabiano Pimenta; a coordenadora-geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas, Fernanda Dockhorn; e o consultor nacional da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Kleydson Andrade.

    Na oportunidade, foi realizada a Cerimônia de Reconhecimento do Alcance de Metas 2025, com a entrega dos certificados aos estados e municípios que apresentaram melhor desempenho nas ações de vigilância, tratamento e controle da doença em indicadores estratégicos de prevenção, cura de casos novos, diagnóstico e co-infecção TB-HIV. Os destaques foram o estado de São Paulo, certificado como a unidade federativa com maior percentual de municípios que alcançaram algum indicador estratégico, o município de Mauá (SP) e a capital Macapá (AP) que alcançaram a maior proporção de cura de casos novos de tuberculose, com 84,1% e 79,1% respectivamente. Outros 11 municípios de grande porte, 8 capitais e 7 estados também foram certificados. 

    Metas para eliminação da doença no Brasil

    Em sua fala, Fabiano Pimenta destacou a importância do que chamou de “papel indissociável dos estados diante dos municípios” no apoio à eliminação da tuberculose, bem como na disseminação das boas experiências de gestão. “Esse encontro tem um significado importante de fortalecer parcerias e reafirmar o compromisso brasileiro na eliminação da tuberculose como problema de saúde pública até 2030. Só conseguiremos alcançar os objetivos estabelecidos para a meta principal, se houver sinergia de esforços entre governo, entes federados, sociedade civil e todos os atores envolvidos”, declarou.

    Fernanda Dockhorn reconheceu o trabalho realizado pelos coordenadores estaduais e enfatizou que o alvo é a prevenção, o diagnóstico precoce e a cura da doença. “Nosso foco não é apenas mudar os números em si, mas melhorar a vigilância e atenção. Queremos parabenizá-los pelo empenho, pois precisamos analisar o que é necessário melhorar, mas, também, valorizar nossos ganhos nessa trajetória de desafios. Sabemos que não é fácil, mas estamos juntos e empenhados pensando em estratégias para que a cura aconteça em todos os estados e municípios”, disse.

    O representante da Opas concordou com a exposição da coordenadora e falou sobre o impacto da vigilância em saúde e do tratamento eficaz na vida das pessoas. “O cenário tem sido, principalmente nos últimos anos, bastante desafiador, mas é importante nos atentarmos aos progressos que tivemos em várias localidades, pois temos realizado um trabalho que está sendo refletido positivamente na ponta, no dia a dia das populações”, argumentou Kleydson Andrade. 

    Os participantes também discutiram temas como o fornecimento de medicamentos e insumos, a Portaria de Incentivo financeiro e os recursos destinados, além da elaboração da terceira fase do Plano Nacional de Controle da Tuberculose. O cronograma incluiu, ainda, a apresentação da Agenda Nacional Prioritária para o Enfrentamento do HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais, HTLV, Sífilis e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis em Mulheres Vulnerabilizadas.

    O encerramento foi conduzido pela coordenadora-geral, Fernanda Dockhorn, que reforçou o compromisso do Ministério da Saúde no aprimoramento das políticas públicas e das ações integradas de vigilância, prevenção e cuidado no enfrentamento da tuberculose.  

    Cenário no Brasil e no mundo 

    A tuberculose (TB) representa um desafio importante para a saúde pública em diversos países, incluindo o Brasil. Apesar de ser uma doença tratável e curável, permanece como uma das principais causas de morbidade e mortalidade na população. Em 2023, conforme relatório global publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a TB voltou a ser a principal causa de morte por um único agente infeccioso no mundo, superando a Covid-19. Nesse mesmo ano, estimou-se que, mundialmente, 10,8 milhões de pessoas adoeceram por TB e 1,25 milhão morreram devido à doença. 

    O Brasil e o Peru são os únicos países da região das Américas que constam nas listas de países de alta carga da OMS, mas, apenas o Brasil está incluído em duas listas, a de alta carga de TB e de coinfecção TB-HIV. A tuberculose é uma doença com forte componente de determinação social, por isso, situações como insegurança alimentar, condições inadequadas de moradia, contextuais, como as desigualdades sociais e econômicas, além do estigma e discriminação, influenciam diretamente a distribuição e o controle da doença. Isso ocorre, principalmente, entre populações em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas em situação de rua, privadas de liberdade, indígenas e imigrantes, resultando em mais de 80 mil casos novos e 6 mil mortes anuais. As informações estão disponíveis na edição de março do Boletim Epidemiológico de 2025.

    A doença

    A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch e afeta, prioritariamente, os pulmões (forma pulmonar), embora possa acometer outros órgãos e/ou sistemas. A forma extrapulmonar, que atinge outros órgãos que não o pulmão, ocorre mais frequentemente em pessoas vivendo com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), especialmente aquelas com comprometimento imunológico. 

    Os principais sintomas são tosse por três semanas ou mais, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento. A transmissão se dá por via respiratória, por meio de fala, tosse ou espirro. A doença tem cura quando o tratamento, que geralmente dura, no mínimo seis meses, é realizado de forma adequada até o final. O serviço é gratuito e está disponível, exclusivamente, no Sistema Único de Saúde. No esquema básico de tratamento são utilizados quatro medicamentos: rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. 

    Para saber mais detalhes a respeito, acesse o glossário “Saúde de A a Z”, do Ministério da Saúde, e confira a página sobre tuberculose

    Suellen Siqueira
    Ministério da Saúde 

  • Incentivo inédito de R$ 113 milhões vai expandir e fixar residentes em saúde  nas áreas estratégicas para o SUS

    Incentivo inédito de R$ 113 milhões vai expandir e fixar residentes em saúde nas áreas estratégicas para o SUS

    Para expandir e fixar residentes em saúde nas áreas estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde irá disponibilizar incentivo financeiro de R$ 113,2 milhões para serem executados entre 2025 e 2026, a fim de valorizar de forma inédita preceptores, tutores e coordenadores, estimulando a excelência no ensino em serviço. O investimento, instituído pela portaria GM/MS nº 8.403/2025, por meio da iniciativa Mais Residências, foi anunciado pela pasta, nessa terça-feira (14), durante reunião extraordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília/DF.

    A ação também busca fortalecer a formação em especialidades prioritárias para o SUS, com enfoque na atenção especializada, de modo a qualificar residentes e preceptores, ampliando a inovação e a excelência no ensino em serviço. Dessa forma, contribuirá para a construção de um sistema de saúde mais resolutivo, equitativo e eficiente, além de garantir a oferta de residências em saúde em regiões com menos especialistas.

    “O compromisso do governo federal é fortalecer a formação em saúde onde ela se faz mais necessária. Com essa iniciativa inédita e histórica, reconhecemos o papel fundamental dos profissionais que orientam e acompanham os residentes, garantindo mais qualidade e resolutividade no sistema público de saúde”, destacou o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço.

    O incentivo financeiro para residência médica será feito por meio de bolsas de R$ 4 mil, destinadas a coordenadores de programa e preceptores. Já na residência em área profissional da saúde, o incentivo financeiro será no valor de R$ 3 mil para coordenadores e preceptores. Já o valor destinado aos tutores será de R$ 2 mil.

    Bolsa Formação

    Também será ofertada bolsa-formação complementar a estudantes de residência de quatro áreas com escassez de profissionais: residência médica em radioterapia e patologia no valor de R$ 4 mil; e residência em área profissional da saúde em física médica e enfermagem obstétrica no montante de R$ 3 mil. Essas bolsas específicas visam incentivar a formação de especialistas em áreas estratégicas para o fortalecimento do SUS.

    Maior oferta de bolsas de residências da última década 

    Outra estratégia para ampliar o número de profissionais especialistas no país é o programa Agora Tem Especialistas, que abriu 4 mil bolsas de residências, sendo 3 mil para residência médica em especialidades como anestesiologia, radiologia e cirurgia oncológica, além de 1 mil bolsas para residência em área profissional da saúde que abrangem especialidades da saúde da mulher, saúde mental, enfermagem obstétrica, dentre outras. 

    As inscrições para as instituições interessadas em formar os residentes médicos e os residentes em área profissional da saúde estão abertas até 20 de outubro. Essa é a maior concessão de bolsas já ofertada pelo Ministério da Saúde dos últimos dez anos. Somente em 2025, serão investidos R$ 1,8 bilhão em programas de residência, um acréscimo de 32% em relação a 2023.

    Victor Almeida
    Ministério da Saúde

  • Brasil apresenta cenário epidemiológico a países do Mercosul

    Brasil apresenta cenário epidemiológico a países do Mercosul

    O Ministério da Saúde do Brasil (MS) apresentou, nesta terça-feira (14), os principais avanços e estratégias no combate a doenças transmissíveis e imunopreveníveis durante a reunião ordinária do Subgrupo de Trabalho 11 da Comissão de Vigilância em Saúde (COVIGSAL) do Mercosul, realizada em Brasília. O encontro contou com a participação de representantes do Paraguai, Uruguai e Argentina, que compartilharam seus cenários epidemiológicos e dados sobre coberturas vacinais, reforçando o intercâmbio regional de informações e boas práticas.

    Durante a reunião, o Brasil destacou o panorama completo de zoonoses, doenças transmissíveis, imunopreveníveis e vírus respiratórios, apresentando indicadores positivos e as ações implementadas para fortalecer a vigilância epidemiológica e a prevenção de surtos.

    Entre as zoonoses e doenças transmissíveis, o Brasil destacou avanços na doença de Chagas, raiva, hantavirose e leishmanioses. Na Chagas crônica, a ampliação da vigilância desde 2023 permitiu qualificar os dados e identificar áreas historicamente endêmicas, com tendência de queda na mortalidade, embora os índices ainda sejam elevados. A raiva humana e animal continua em declínio graças às campanhas massivas de vacinação, e o país planeja submeter o dossiê de eliminação da variante canina até o final de 2025, com expectativa de certificação em 2026. Nas leishmanioses, o uso de tecnologias inovadoras de controle vetorial, como coleiras impregnadas com inseticidas, já mostra redução de casos nos municípios que adotaram essas medidas.

    No âmbito da malária, a transmissão permanece concentrada na região amazônica, afetando principalmente populações de difícil acesso, como indígenas, garimpeiros e moradores de assentamentos rurais. De acordo com Marília Santini de Oliveira, diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis do MS, o país tem registrado avanços importantes no combate à malária. “Estamos conseguindo progressos graças à utilização da tafenoquina, ao uso de mosquiteiros impregnados com inseticidas e à pulverização residual. Essas estratégias têm contribuído expressivamente para reduzir a transmissão, embora ainda seja necessário intensificar os esforços para alcançar a meta de eliminação até 2025”, afirmou.

    O país também apresentou indicadores das hepatites B e C, com queda de 34,6% na taxa de detecção de hepatite B entre 2014 e 2024 e estabilidade na hepatite C, refletindo a adoção de métodos diagnósticos mais sensíveis. A mortalidade por hepatite C também diminuiu de 1,0 para 0,4 óbito por 100 mil habitantes no período. Quanto à mpox, o Brasil acompanhou o cenário global, com pico de casos em 2022, redução em 2023, aumento em 2024 e estabilização em 2025.

    Em relação à tuberculose, o país registrou 85.936 novos casos em 2024, com desaceleração do crescimento em relação ao ano anterior. Entre os avanços, destacam-se o uso do teste rápido molecular, a adoção do esquema encurtado 3HP para infecção latente (que aumentou a adesão ao tratamento) e a melhoria progressiva no sucesso terapêutico dos casos de tuberculose drogarresistente. A doença ainda apresenta maior impacto em populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua, com risco significativamente superior ao da população geral.

    O sarampo também foi pauta da apresentação brasileira. Até o momento, foram registrados 34 casos confirmados em 2025, todos importados ou vinculados a casos importados, sem ocorrência de transmissão autóctone. O Brasil recebeu a recertificação de eliminação do sarampo em 2024. O coordenador-geral de Farmacovigilância da pasta, Jadher Pércio, reforçou que, diante de cada caso suspeito, o MS desencadeia uma série de ações escalonadas, que vão da intensificação da vacinação até o rastreamento de contatos na comunidade. “Nosso objetivo é impedir a reintrodução e a disseminação do vírus, garantindo que os surtos sejam rapidamente controlados”, explicou.

    Vigilância

    O encontro reforçou que as regiões de fronteira representam áreas de maior risco para a disseminação de doenças, tornando fundamental o monitoramento dessas áreas. Também foi destacada a importância da cooperação internacional e da troca constante de informações com países vizinhos, bem como a atuação de serviços nacionais e parcerias estratégicas, mantendo o intercâmbio contínuo de informações sobre casos suspeitos em fronteiras terrestres e marítimas, com alertas e relatórios que garantam uma resposta rápida e coordenada às doenças.

    João Moraes
    Ministério da Saúde

  • Brasil lidera encontro regional sobre cooperação em saúde

    Brasil lidera encontro regional sobre cooperação em saúde

    O Ministério da Saúde deu início, nesta segunda-feira (13), em Brasília, à reunião da Comissão de Vigilância em Saúde (Covigsal) do Mercosul. O encontro, que segue até quinta-feira (16), reúne representantes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de técnicos da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), para discutir e alinhar políticas regionais de saúde. A atividade integra a agenda da presidência Pro Tempore do Brasil no Mercosul, exercida desde julho de 2025.

    Entre as pautas das políticas regionais de saúde do Mercosul estão ações integradas para o monitoramento e vigilância da covid-19, incluindo o acompanhamento da vacinação entre os países do bloco, além do controle de doenças de transmissão vetorial, com a apresentação dos quadros epidemiológicos de diversos agravos, como dengue, Zika, chikungunya, doença de Chagas, hepatites, tuberculose, mpox, hantavirose, leishmaniose visceral e tegumentar, malária e covid-19, entre outras.

    Durante a abertura do evento, Camila Mandel, Coordenadora-Geral de Planejamento de Assuntos Internacionais em Saúde do Ministério da Saúde, destacou a importância da integração regional e o papel do Brasil na condução dos trabalhos. “É uma honra receber esta jornada de reuniões e reafirmar nosso compromisso conjunto com a construção de um Mercosul social, baseado na solidariedade e na cooperação em saúde. Esse grupo tem sido, ao longo dos anos, um espaço essencial de diálogo técnico que transforma desafios comuns em soluções compartilhadas”, afirmou.

    A chefe da delegação do Paraguai, Alcira Molas, ressaltou a relevância do trabalho conjunto para a consolidação da autossuficiência sanitária na região. “Quero agradecer ao Brasil pela recepção e destacar a importância deste grupo, que tem como objetivo harmonizar normativas vinculantes entre os quatro países. É essencial avançarmos nesse processo para fortalecer a região e alcançarmos a autossuficiência em saúde, em benefício de todos os nossos povos”, afirmou.

    Representando a Argentina, Analia Imperioso destacou a necessidade de consolidar as decisões do grupo e incorporar novas normativas que reforcem o trabalho técnico do Mercosul. “Devemos analisar as normas já criadas e garantir que sejam incorporadas de forma efetiva. Nosso objetivo é assegurar que o que foi aprovado anteriormente continue sendo aprimorado, com base na cooperação e na atualização constante das políticas regionais”, declarou.

    A delegação do Uruguai, representada por Zaida Arreta, reforçou a importância da integração entre os países e o compromisso do grupo em garantir a autossuficiência sanitária regional. “Agradecemos ao Brasil pela acolhida e pela condução desta reunião. É fundamental reafirmarmos o compromisso de fortalecer a integração efetiva entre os países, pois a saúde é uma só e não reconhece fronteiras. Trabalhar juntos é o caminho para garantir o bem-estar de todas as nossas populações”, afirmou.

    A reunião segue até quinta-feira (16), com a expectativa de gerar resultados concretos, fortalecer a cooperação regional em saúde, promover a integração entre os países do Mercosul e consolidar soluções compartilhadas para desafios comuns.

    João Moraes
    Ministério da Saúde

  • SUS recebe doação de 11,5 mil frascos de etanol farmacêutico para reforçar combate a intoxicações por metanol

    SUS recebe doação de 11,5 mil frascos de etanol farmacêutico para reforçar combate a intoxicações por metanol

    O Ministério da Saúde recebeu, nessa segunda-feira (13), 11.556 mil unidades de etanol farmacêutico para tratamento de pacientes intoxicados por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. Com o lote doado pela empresa brasileira Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos, todos os 26 estados e o Distrito Federal passam a contar com estoques do antídoto, garantindo mais acesso ao tratamento adequado e em tempo oportuno. A distribuição de 10,3 mil unidades começa hoje (14) para todo o país 

    Outras 408 unidades dessa remessa ficarão no estoque estratégico do Ministério da Saúde e serão encaminhadas aos estados conforme a demanda apresentada. A fabricação do antídoto normalmente utiliza ampolas de 10 ml, mas a Cristália produziu e doou frascos de 30 ml. O volume equivale a 11.556 ampolas padrão de etanol farmacêutico. Abaixo, confira a distribuição por estado.  

    A produção foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que também fiscalizou a qualidade do produto antes da liberação para uso pela população. 

    A doação reforça o estoque estratégico do Ministério, garantindo apoio aos estados e atendimento a todas as pessoas que necessitam de cuidado. A nossa atuação segue a ciência e as orientações dos especialistas”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.  

    As unidades de etanol farmacêutico doadas se somam às 4,3 mil entregues pelos hospitais universitários federais, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que já estão disponíveis nas unidades de referência dos estados. 

    O etanol farmacêutico pode ser utilizado já na suspeita de intoxicação, e o profissional de saúde não precisa aguardar a confirmação laboratorial. A administração ocorre exclusivamente sob prescrição e monitoramento médico, em ambiente de saúde. A população não deve adquiri-lo por conta própria. 

    Foto: divulgação/MS
    Foto: divulgação/MS

    Fomepizol: doação de Portugual  

    Na última sexta-feira (10), o Brasil recebeu a doação de 36 ampolas do antídoto fomepizol do governo de Portugal. O quantitativo foi incorporado ao estoque estratégico do SUS, que agora conta com 1.036 frascos. O medicamento, com produção e oferta limitada no mundo, é uma alternativa utilizada no tratamento de intoxicações por metanol e apresenta alta eficácia e segurança. 

    “Felizmente, tínhamos algumas unidades em estoque. Quando recebemos o pedido do Brasil, acionamos nossos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Saúde, o Instituto Camões e o Infarmed, e decidimos doar de forma emergencial, como um gesto de solidariedade ao país irmão. Esperamos contribuir para salvar vidas e enfrentar este momento de emergência em saúde”, afirmou o embaixador de Portugal no Brasil, Luis Faro Ramos. 

    Fomepizol: compra de 2,5 mil unidades  

    Como estratégia emergencial, o Ministério da Saúde realizou a compra de 2,5 mil unidades do fomepizol. O processo, inédito no Brasil, foi conduzido com a subsidiária de uma empresa japonesa e ocorreu apenas oito dias após o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acionar o Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Os estados já receberam 1,5 mil frascos e o restante ficou no estoque do Ministério da Saúde. 

    Atualização de casos  

    Até essa segunda-feira (13), o Brasil registrava 213 notificações de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas. Dessas, 32 casos foram confirmados e 181 permanecem em investigação. Outras 320 suspeitas foram descartadas. 

    Os casos de intoxicação confirmados foram em São Paulo (28), Paraná (3) e Rio Grande do Sul (1). Quanto aos óbitos, 5 foram confirmados em SP e outros 9 seguem em investigação: 3 em SP, 3 em PE, 1 no MS, 1 em MG e 1 no CE.  

    Em relação aos casos suspeitos, São Paulo é o estado com maior concentração, contabilizando 100 casos em investigação. Em seguida, aparecem Pernambuco com 43 suspeitas, Espírito Santo (9), Rio Grande do Sul (6), Rio de Janeiro (5), Mato Grosso do Sul (4), Piauí (4), Goiás (3), Maranhão (2), Alagoas (2), Minas Gerais (1), Paraná (1) e Rondônia (1). 

    A atualização das notificações de intoxicação por metanol, decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas, será realizada nos dias de funcionamento da Sala de Situação — segundas, quartas e sextas-feiras —, após às 17h. 

    Danielly Schulthais 
    Ministério da Saúde

  • Portugal doa 36 ampolas do antídoto fomepizol ao Brasil

    Portugal doa 36 ampolas do antídoto fomepizol ao Brasil

    O governo de Portugal doou 36 ampolas do antídoto fomepizol ao Brasil, atendendo a uma solicitação emergencial do Ministério da Saúde diante do aumento de casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. O medicamento, indicado para conter os efeitos tóxicos do metanol no organismo, foi incorporado ao estoque estratégico do SUS. A entrega foi realizada na sexta-feira (10), em São Paulo, pelo cônsul geral de Portugal em São Paulo, Antônio Pedro Rodrigues da Silva. 

    Por ser um antídoto de alto custo e baixa demanda, o fomepizol tem produção e oferta limitadas no mundo. “Felizmente tínhamos algumas unidades em estoque. Quando recebemos o pedido do Brasil, acionamos nossos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Saúde, o Instituto Camões e o Infarmed, e decidimos doar de forma emergencial, como um gesto de solidariedade ao país irmão. Esperamos contribuir para salvar vidas e enfrentar este momento de emergência em saúde”, afirmou o embaixador de Portugal no Brasil, Luis Faro Ramos.  

    Com a doação portuguesa, o estoque estratégico nacional passa a contar com 1.036 ampolas de fomepizol. Na semana passada, o Ministério da Saúde distribuiu 1,5 mil ampolas para todos os estados do país.   

    O secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Oliveira, destacou o gesto de cooperação internacional. “Agradecemos ao governo português por se somar aos esforços do Brasil e de organismos internacionais para garantir o acesso rápido a um medicamento essencial, cuja disponibilidade global é extremamente restrita.” 

    Para ampliar o acesso, o Ministério da Saúde enviou ofícios a fabricantes internacionais e a Anvisa lançou uma chamada pública internacional para identificar fornecedores do medicamento, que ainda não está disponível comercialmente no Brasil.  

    O fomepizol é uma alternativa utilizada no tratamento de intoxicações por metanol e apresenta alta eficácia e segurança. O medicamento atua bloqueando a transformação do metanol em ácido fórmico — substância responsável pelos efeitos tóxicos, como acidose metabólica e risco de morte. 

    Atualização 

    A atualização das notificações de intoxicação por metanol, decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas, será realizada nos dias de funcionamento da Sala de Situação — segundas, quartas e sextas-feiras —, após às 17h. 

    Ministério da Saúde

  • Ministro da Saúde conhece hospital inteligente de Beijing, na China

    Ministro da Saúde conhece hospital inteligente de Beijing, na China

    Em missão oficial à China, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, conheceu de perto o hospital inteligente universitário Tiantan, localizado em Beijing. A agenda realizada nessa segunda-feira (13) busca contribuir para a criação do primeiro hospital público inteligente do Brasil.

    “Um dos motivos da nossa visita à China é avançar na construção de hospitais tecnológicos no Brasil e queremos estabelecer acordos bilaterais neste sentido”, disse Padilha. “Este é o futuro da saúde. Um hospital que acompanha o paciente não só quando está internado ou passando por consultas, mas também depois com assistência e uso integrado de tecnologias avançadas. O paciente volta para casa, o hospital registra todas as suas informações, os médicos debatem os casos e ele espera a consulta. Isso reduz gastos e melhora a qualidade do atendimento. É isso que a universidade de Beijing nos mostrou hoje com detalhes”, complementou o ministro.

    A proposta em discussão do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), que terá o primeiro hospital público inteligente do Brasil, prevê 800 leitos dedicados à emergência de adultos e crianças nas áreas de neurologia, neurocirurgia, cardiologia, terapia intensiva e outras urgências. A unidade deverá ser instalada em São Paulo e o início das atividades está previsto para o final de 2027.

    “É um projeto que fortalece o Sistema Único de Saúde e melhora a vida dos brasileiros. O hospital inteligente permitirá integração com a rede de atenção em todas as etapas – da atenção primária ou serviços de urgência e emergência até alta complexidade -, garantindo cuidado mais rápido, eficaz e humano. É a tecnologia a serviço do SUS, do médico ao paciente, da formação profissional à assistência”, detalhou Padilha.

    Além da troca de conhecimento com a China, o Ministério da Saúde solicitou ao Banco de Desenvolvimento dos Brics financiamento para a construção do hospital inteligente inspirado nos modelos desenvolvidos na China e Índia. Após se encontrar com a presidente do Banco, Dilma Rousseff, o ministro afirmou que a expectativa é ter a resposta da instituição até dezembro.

    “Estamos aproveitando a missão para darmos andamento do projeto junto ao Banco dos BRICS. A visita da missão do Banco ao Brasil já ocorreu e o detalhamento dos documentos técnicos do projeto também foi recebido com muita satisfação. A expectativa é termos a resposta em dezembro. Será um grande salto na organização dos serviços hospitalares no Brasil e uma incorporação tecnológica que vai contribuir com a revolução digital que estamos fazendo no SUS”, enfatizou Padilha.

    Parcerias bilaterais

    Ainda nesta segunda-feira, ao se encontrar com o ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Lei Haichao, Alexandre Padilha lembrou os acordos bilaterais firmados com o país asiático durante agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em maio deste ano. Na oportunidade, o ministro acompanhou a assinatura de três acordos bilaterais para a produção de vacinas de última geração, transferência de tecnologia na área de equipamentos de imagem e para a construção de uma plataforma industrial de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) no Brasil. 

    “A visita à China com o presidente Lula tem permitido que o Ministério da Saúde consolide essas parcerias que vão levar muita tecnologia, conhecimento e renda para o Brasil”, pontuou Padilha. O ministro também tratou de temas como: união do Brasil e da China na defesa da Organização Mundial da Saúde (OMS); fortalecimento da colisão da saúde no G20; parcerias em ⁠saúde digital e biotecnologia; reforço à medicina tradicional de ambos os países, enfrentamento a pandemias com troca de tecnologias, além da criação de um grupo binacional permanente que se reúna com regularidade para tratar de interesses comuns.

    O ministro chinês ressaltou que os países têm uma relação de confiança mútua. “Agradecemos ao Brasil por manter esse princípio. Temos parceria estreita na saúde e queremos aprofundar a cooperação estabelecida”, disse. No cenário internacional, Lei Haichao afirmou que “a atual decisão dos EUA de se retirar da OMS trouxe incertezas para a saúde. O desenvolvimento da saúde da China apoia a saúde mundial e estamos dispostos a cooperar para a construção conjunta de uma comunidade em saúde para todos”, concluiu.

    Doenças socialmente determinadas e grupo binacional

    Ainda na reunião com o ministro Lei Haichao, Padilha destacou acordo inédito firmado no âmbito dos BRICS para que os países do bloco se unam para eliminar doenças socialmente determinadas. No dia 7 de julho de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a reunião da Cúpula de Líderes do BRICS, chancelou a parceria, considerada um marco na agenda global de equidade em saúde.

    O acordo havia sido recomendado pelos ministros da Saúde dos BRICS em reunião realizada em dia 17 de junho deste ano, em Brasília. O tema foi uma das prioridades escolhidas pela presidência brasileira do BRICS na área da saúde e teve como inspiração o Programa Brasil Saudável, que visa enfrentar problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de pessoas em maior vulnerabilidade social.

    Atração de investimentos

    No primeiro dia da missão, o ministro Padilha também encontrou o ministro da Administração Nacional de Produtos Médicos da China (NMPA), Li Li. A NMPA é a correspondente chinesa para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil.

    Na oportunidade, Alexandre Padilha destacou a importância de aproximar ambas as agências para atrair investimentos em temas como incorporação de insumos e medicamentos e estudos clínicos. “Queremos avançar em estudos de informação para que a NMPA possa acelerar os registros das empresas chinesas no brasil, bem como fluxos mais rápido na Anvisa para que as empresas chinesas possam integrar o mercado brasileiro”, disse Padilha.

     “O complexo econômico, de indústria e serviços da saúde é muito importante estar no centro da estratégia de futuro compartilhado para um mundo mais justo e sustentável.   Então, nós temos que ter uma grande corporação tecnológica, grande presença de trabalho qualificado para impulsionar a economia. E combinar produção de tecnologia a produtos da saúde com acesso da população a esses produtos é muito importante para a redução da desigualdade e construção de um mundo mais justo. O Ministério da Saúde do Brasil coordena toda essa relação do complexo econômico e industrial da saúde”, destacou o ministro brasileiro.

    O ministro lembrou que o governo brasileiro regulamentou, recentemente, a Lei de Pesquisa Clínica que contribuirá para atrair investimentos em inovação na área da saúde. “O Brasil ganhou definitivamente um novo o marco regulatório para pesquisa clínica, uma lei que vai reduzir os prazos para aprovação de projetos de pesquisa clínica no país. A lei terá um peso para acelerar a integração do Brasil em pesquisas clínicas mundiais, além de proteger os povos originários e encurtar prazo para registro das novas terapias, estimulando empresas e instituições chinesas a fazer parcerias com instituições e empresas do Brasil”, disse Padilha.     

    Como exemplo, o ministro citou a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), firmada este ano, voltada à produção nacional de insulina glargina. O projeto reúne Bio-Manguinhos (Fiocruz), Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee.

    A NMPA firmou, em 2024, memorando de cooperação com Anvisa para produtos e insumos médicos, destacou o ministro chinês, Li Li. “China e Brasil compartilham a mesma inspiração e caminham de mãos dadas. Nossos países estão no melhor momento da história de sua parceria. Espero que esse encontro possa promover mais benefícios para essa cooperação. Queremos contribuir nos mecanismos bilaterais entre os países com conquistas maiores que possam beneficiar o nosso povo”, disse.

    Rafael Ely e Mariana Bertolo
    Ministério da Saúde