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  • Noboa é recebido por Alcolumbre e Motta em visita ao Congresso

    Noboa é recebido por Alcolumbre e Motta em visita ao Congresso

    Em visita oficial ao Brasil, o presidente do Equador, Daniel Noboa, cumpriu agenda com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (PSD-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na segunda-feira (18). Os encontros buscaram reforçar os laços diplomáticos e legislativos entre os dois países e avançar em pautas de interesse comum, como segurança pública, comércio e desenvolvimento sustentável.

    Daniel Noboa, de 37 anos, é o atual chefe de Estado do Equador e ocupa o cargo desde outubro de 2023. Reeleito em abril de 2025, ele é o presidente mais jovem da história do país e tem conduzido uma agenda voltada à segurança pública e à abertura econômica, com foco no combate ao narcotráfico e na recuperação da economia equatoriana.

    Noboa é recebido por Alcolumbre e Motta em visita ao Congresso.

    Noboa é recebido por Alcolumbre e Motta em visita ao Congresso. Carlos Moura/Agência Senado

    Durante a visita à Câmara, Hugo Motta destacou os investimentos brasileiros no país vizinho e a importância de uma ação conjunta latino-americana contra o crime organizado transnacional. “A Câmara quer reforçar a capacidade do Estado brasileiro de enfrentar a criminalidade. Vejo neste tema uma ampla oportunidade para que os países possam colaborar com resultados positivos para a vida cotidiana”, afirmou. Motta também mencionou a COP 30, que será realizada no Pará em novembro, como uma oportunidade de reafirmar o compromisso com a sustentabilidade.

    Noboa, por sua vez, reafirmou o compromisso com soluções pragmáticas e socialmente responsáveis, com destaque para o enfrentamento do narcotráfico. Ele também mencionou o desequilíbrio nas relações comerciais com o Brasil, com um déficit de 80% para o Equador, e defendeu o crescimento do intercâmbio econômico.

    Atualmente, o comércio bilateral entre Brasil e Equador soma US$1,1 bilhão, com exportações brasileiras de aproximadamente US$970 milhões, compostas por veículos, máquinas, medicamentos e produtos de papel e celulose. A parceria é fortalecida pelo Grupo Parlamentar Brasil-Equador, formado por congressistas de ambos os países.

    No Senado, o presidente Davi Alcolumbre afirmou que o Parlamento brasileiro está aberto a apoiar acordos bilaterais e reforçou o papel do diálogo como instrumento de desenvolvimento. “Estamos abertos a apoiar todos os acordos internacionais que o governo brasileiro venha a firmar com o Equador”, disse. “Só o diálogo pode levar ao equilíbrio e à prosperidade de nossos países e de nossos povos.”

    Noboa destacou que a abertura da economia equatoriana é parte central de sua estratégia de governo. “Estamos em um processo de abertura da nossa economia. O objetivo é melhorar a vida dos equatorianos”, afirmou.

    Durante a visita, os dois países assinaram acordos de cooperação técnica em áreas como segurança alimentar, inteligência artificial e agricultura familiar, com o objetivo de compartilhar experiências e tecnologias. Noboa também se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

  • Auditoria da APCF assegura transparência no Prêmio Congresso em Foco

    Auditoria da APCF assegura transparência no Prêmio Congresso em Foco

    A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) desempenha papel central na credibilidade do Prêmio Congresso em Foco, atuando como responsável pela auditoria de todo o processo de votação. O trabalho envolve desde a análise minuciosa do sistema que gerencia os votos até a verificação final dos registros, garantindo que apenas votos legítimos sejam contabilizados e que o resultado reflita fielmente a escolha dos participantes.

    Durante a fase de votação, os peritos realizaram testes e simulações para identificar eventuais vulnerabilidades do sistema. Ao final, é feita uma auditoria detalhada, cruzando dados como identificação do votante, tempo de acesso e tipo de dispositivo utilizado. Essa análise permite identificar e excluir votos inválidos, como aqueles gerados por robôs ou que apresentem inconsistências técnicas.

    Segundo o presidente da APCF, Marcos Camargo, o compromisso com a transparência está no centro dessa atuação. “Essa é a nossa contribuição direta para que a vontade popular seja respeitada e que o resultado reflita, de fato, a escolha das pessoas”, afirma.

    Presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcelo Camargo.

    Presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcelo Camargo.Raul Spinassé/Novo Selo Comunicação

    Valorização da boa política

    Apoiar o Prêmio, segundo Camargo, é também uma forma de reconhecer parlamentares que atuam com ética e responsabilidade. “Bons políticos e boas políticas precisam ser incentivados e reconhecidos. Apoiar essa iniciativa é contribuir para fortalecer a confiança nas instituições e estimular a participação cidadã”, diz o presidente.

    A APCF acompanha a premiação desde suas primeiras edições e avalia que, ao longo dos anos, o evento conquistou maior relevância e amadureceu como referência no cenário político nacional. “O engajamento popular aumentou, o alcance da premiação cresceu e a pluralidade de jurados e categorias mostra que o Prêmio está atento à realidade e à diversidade da política brasileira”, avalia Camargo.

    Para a entidade, o Prêmio Congresso em Foco cumpre um papel de ponte entre o Parlamento e a sociedade, estimulando o acompanhamento da atuação dos parlamentares e mostrando que a boa política existe e pode ser fortalecida. “O Prêmio é um elo entre os cidadãos e seus representantes, incentivando a vigilância democrática e o reconhecimento do trabalho daqueles que se destacam positivamente”, afirma o presidente da APCF.

    Com a auditoria da Associação, o resultado da votação é assegurado contra fraudes e manipulações, consolidando a imagem do Prêmio como uma das iniciativas mais respeitadas no campo da valorização parlamentar.

    Óscar da política

    A cerimônia de entrega do Prêmio Congresso em Foco 2025 será realizada nesta quarta-feira (20), às 18h, no Teatro Nacional Claudio Santoro, símbolo arquitetônico e cultural de Brasília. O evento reunirá parlamentares, autoridades, representantes da sociedade civil e convidados especiais, com transmissão ao vivo pelo YouTube e pelo Instagram do Congresso em Foco.

  • Brasil rebate EUA, defende Pix e nega práticas comerciais desleais

    Brasil rebate EUA, defende Pix e nega práticas comerciais desleais

    O governo brasileiro enviou uma resposta oficial ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da investigação aberta pela gestão Donald Trump sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O documento de mais de 90 páginas, coordenado pelo Itamaraty em conjunto com outros ministérios e consultas ao setor privado, refuta as acusações americanas de práticas comerciais desleais e sustenta que o Brasil atua em conformidade com as normas multilaterais.

    A manifestação ressalta que as políticas brasileiras são transparentes, não discriminatórias e compatíveis com os compromissos assumidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, aponta que os EUA mantêm um superávit crescente na balança comercial bilateral, o que contradiz a premissa de prejuízo alegada por Washington. “Não há base factual nem jurídica para medidas retaliatórias”, argumenta o texto.

    De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não há base jurídica para retaliações comerciais contra o Brasil.

    De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não há base jurídica para retaliações comerciais contra o Brasil.Pedro Ladeira/Folhapress

    O pano de fundo da crise

    A investigação foi aberta em julho, após o governo Trump impor um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, afetando setores estratégicos de exportação. A medida foi vista em Brasília como uma retaliação política às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra Jair Bolsonaro, aliado do presidente norte-americano, e à regulação de plataformas digitais estrangeiras.

    Ao responder, o Brasil deixou claro que participa do processo “em espírito de diálogo”, mas que não reconhece a legitimidade da Seção 301, instrumento considerado unilateral e incompatível com o sistema multilateral de comércio.

    Defesa do Pix como símbolo de inovação

    Um dos pontos mais destacados da resposta foi a defesa do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020. O USTR levantou suspeitas de que o modelo poderia restringir a atuação de empresas americanas no mercado digital.

    O Itamaraty, porém, apresentou dados robustos: em 2024, o Pix movimentou R$ 26,4 trilhões, com mais de 165 milhões de usuários e 19,2 milhões de empresas cadastradas. O sistema, segundo o governo, não só ampliou a inclusão financeira como também estimulou a concorrência, beneficiando inclusive empresas americanas.

    O Google Pay, por exemplo, já processa 1,5 milhão de transações via Pix por mês, e companhias como Uber e WhatsApp utilizam a ferramenta amplamente.

    Além disso, Brasília lembrou que o Pix é parte de uma tendência global: a União Europeia, a Índia e os próprios Estados Unidos têm iniciativas semelhantes, como o FedNow, lançado pelo Federal Reserve em 2023.

    STF e liberdade de expressão

    Outro alvo da acusação americana é a atuação do STF na regulação das redes sociais. O governo Trump alega que decisões judiciais brasileiras prejudicam empresas norte-americanas de tecnologia.

    Na resposta, o Brasil afirmou que tais medidas não são discriminatórias, mas refletem o esforço de equilibrar liberdade de expressão, combate à desinformação e responsabilidades legais. O documento ressalta que exigências formais de funcionamento para companhias estrangeiras existem em qualquer democracia, inclusive nos Estados Unidos.

    Etanol, meio ambiente e propriedade intelectual

    A resposta também abordou temas sensíveis como etanol, meio ambiente e propriedade intelectual:

    • Etanol: o Brasil destacou que mantém tarifas bem abaixo do teto permitido pela OMC (35%) e inferiores às praticadas pelos próprios EUA, que hoje aplicam 52,5% sobre o produto brasileiro.
    • Meio ambiente: o governo reiterou que combate o desmatamento ilegal e que tais políticas não constituem barreira comercial, mas esforço para conciliar produção e sustentabilidade.
    • Propriedade intelectual: o Itamaraty afirmou que o país dispõe de um arcabouço legal “robusto e de alto padrão”, elogiado inclusive pelo próprio USTR em ocasiões anteriores.

    Apoio do setor privado brasileiro

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Embraer também enviaram manifestações paralelas. A CNI defendeu a resolução via diálogo e cooperação técnica. Já a Embraer destacou sua relevância nos EUA: um terço dos voos no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, utiliza aeronaves da empresa. A fabricante afirmou que sanções contra seus produtos seriam “contrárias aos interesses norte-americanos”.

    Próximos passos

    A investigação segue em curso no USTR, com audiência pública marcada para 3 de setembro, quando representantes de governos, empresas e entidades apresentarão argumentos adicionais. A decisão final, porém, caberá ao governo Trump e pode resultar em novas sobretaxas.

    Para analistas, o embate pode abrir um novo ciclo de tensões no comércio bilateral, lembrando disputas anteriores entre Brasil e EUA no campo agrícola. Diferentemente de contenciosos passados, contudo, o atual conflito carrega forte componente ideológico, já que a Casa Branca vinculou o tarifaço a decisões internas do STF.

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    Tarifaço é rejeitado e só 44% o ligam a Bolsonaro, diz pesquisa

  • Comissão aprova pena maior para quem violar guarda legal de menores

    Comissão aprova pena maior para quem violar guarda legal de menores

    A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados deu seu aval ao projeto de lei 75/2025, que classifica como hediondo o ato de remover uma criança ou adolescente de quem possui a guarda legal, colocando-o em outra família ou local. Além disso, a proposta eleva a pena prevista para tal crime.

    Atualmente, a pena varia de reclusão de dois a seis anos, acrescida de multa. Com a nova proposta, essa pena será aumentada para reclusão de seis a dez anos, também com a imposição de multa. O texto modifica a Lei dos Crimes Hediondos e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

    Comissão aprova pena maior para quem violar guarda de menores.

    Comissão aprova pena maior para quem violar guarda de menores.Freepik

    O relator da proposta, deputado Allan Garcês (PP-MA), recomendou sua aprovação, sendo esta de autoria do ex-deputado Marco Brasil. “A pena [atual] é irrisória para um crime tão odioso, que priva a criança ou adolescente de ser criado pela sua família, por quem tem a guarda legal, atentando dessa forma contra a família, a criança e o adolescente e ferindo o princípio pilar da dignidade humana”, afirmou Garcês.

    O próximo passo para o projeto é a análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e pelo Plenário. Para que a proposta se torne lei, é necessário que seja aprovada tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

    Leia a íntegra da proposta.

  • Comissão retoma discussão sobre novo Plano Nacional de Educação

    Comissão retoma discussão sobre novo Plano Nacional de Educação

    A Comissão de Educação (CE) do Senado Federal realizará, nesta terça-feira (19), uma audiência pública com o objetivo de aprofundar o debate em torno do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que terá vigência entre 2024 e 2034. O projeto de lei 2.614/2024, atualmente em análise na Câmara dos Deputados, tem sido objeto de discussões na Comissão desde o ano anterior.

    A audiência integra um ciclo de debates proposto pela presidente da comissão, senadora Teresa Leitão (PT-PE), e terá início logo após a conclusão da fase deliberativa da reunião de terça-feira, agendada para as 10h.

    Comissão de Educação debate novo Plano Nacional de Educação nesta terça- feira (19).

    Comissão de Educação debate novo Plano Nacional de Educação nesta terça- feira (19).Waldemir Barreto/Agência Senado

    O Plano Nacional de Educação é definido como um documento que estabelece “diretrizes, metas e estratégias para a política educacional dentro de um período de dez anos”. Com base nesse plano, as esferas governamentais estruturam seus planos específicos, tomam decisões sobre aquisições e alocam investimentos, considerando o contexto e a realidade local.

    O novo PNE aborda temas como o aumento salarial para os professores, a expansão do número de vagas em creches, a melhoria da infraestrutura das escolas e a criação de canais de participação popular.

    Leia a íntegra da proposta.

  • Falta um dia para o “Oscar da política”; veja como acompanhar ao vivo

    Falta um dia para o “Oscar da política”; veja como acompanhar ao vivo

    Falta apenas um dia para a noite em que a política brasileira ocupará o centro do palco. Nesta quarta-feira (20), o Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, recebe a 18ª edição do Prêmio Congresso em Foco, já conhecido como o “Oscar da política brasileira“. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo Congresso em Foco e também pelas nossas páginas oficiais no YouTube e no Instagram. Anote na agenda: nesta quarta-feira (20), a partir das 18h30.

    Será a chance de acompanhar, em primeira mão, a revelação dos premiados e a atmosfera de uma noite que já entrou para o calendário da política nacional. Esta é a 18ª edição do prêmio. Mais do que uma cerimônia de entrega de troféus, o evento é uma celebração da cidadania e da boa política. A edição de 2025 promete ser histórica. Pela primeira vez, todos os parlamentares estão convidados a participar, não apenas os premiados. A ideia é valorizar a política em sua essência: feita de encontros, debates, diferenças e, sobretudo, compromisso com o país.

    Cerimônia será transmitida ao vivo pelo Congresso em Foco, tanto pelo site quanto pelas redes sociais.

    Cerimônia será transmitida ao vivo pelo Congresso em Foco, tanto pelo site quanto pelas redes sociais.Arte Congresso em Foco

    A inspiração vem de grandes premiações internacionais, como o Oscar, em que não apenas os vencedores são homenageados, mas todo o conjunto da obra que torna possível a representação democrática.

    Além de deputados e senadores, a plateia reunirá ministros, representantes do Judiciário, governadores, líderes de movimentos sociais, acadêmicos, empresários e cidadãos. O prêmio quer mostrar a política como espaço de convergência, pluralidade e construção coletiva.

    Como são escolhidos os vencedores

    A escolha dos melhores do ano reflete olhares distintos sobre o Parlamento:

    • Voto popular: aberto pela internet, mobilizou eleitores de todo o país entre 23 de junho e 30 de julho.
    • Jornalistas que cobrem o Congresso: profissionais que acompanham diariamente o trabalho parlamentar.
    • Júri especializado: composto por cinco representantes da sociedade, que analisam critérios técnicos como presença, qualidade das propostas e capacidade de articulação.

    As categorias vão desde Melhores da Câmara e Melhores do Senado, até áreas específicas que dialogam com os principais desafios do Brasil, como Direitos Humanos, Desenvolvimento Sustentável, Saúde, Cultura e Diplomacia Cidadã.

    Mais que um prêmio, um gesto político

    Criado em 2006, o Prêmio Congresso em Foco nasceu para valorizar parlamentares que exercem o mandato com ética, competência e dedicação ao interesse público. Em um contexto de desconfiança nas instituições, ele se tornou também um gesto político: mostrar que o Parlamento pode e deve ser espaço de diálogo, transparência e transformação social.

    A grande homenageada da noite de 2025 não será apenas a lista de vencedores, mas a própria política, aquela praticada com respeito às diferenças, escuta da sociedade e compromisso com a cidadania e a democracia.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Comissão aprova suspensão de normas sobre câmeras corporais policiais

    Comissão aprova suspensão de normas sobre câmeras corporais policiais

    A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de decreto legislativo (PDL) que busca a suspensão de duas normas editadas pelo Ministério da Justiça, as quais versam sobre a utilização de câmeras corporais por agentes policiais em suas interações com cidadãos.

    As portarias de números 572/24 e 648/24 estabelecem diretrizes concernentes aos padrões mínimos de qualidade exigidos para as câmeras, à infraestrutura necessária para o armazenamento das imagens captadas, ao treinamento do pessoal responsável pela operação dos equipamentos e às circunstâncias específicas em que o uso das câmeras é considerado apropriado.

    O deputado Sargento Portugal (Podemos-RJ), relator da proposta, manifestou o entendimento de que o Poder Executivo extrapolou os limites de sua competência ao regulamentar uma matéria que, em sua visão, deveria ser objeto de legislação específica. Segundo Portugal, a lei 13.675/18, utilizada como fundamento para a edição das portarias, não aborda diretamente a questão do uso de câmeras corporais.

    Comissão aprova suspensão de normas sobre câmeras corporais policiais.

    Comissão aprova suspensão de normas sobre câmeras corporais policiais. Rubens Cavallari/Folhapress

    A referida lei instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). “No âmbito da segurança pública contemporânea, o uso de tecnologias e equipamentos modernos é tema fundamental e de grande relevância para o aprimoramento de políticas públicas da área”, afirmou Portugal. “Contudo, as medidas a serem tomadas precisam seguir a legalidade e os preceitos constitucionais, sob pena de, em nome de um bem maior, serem usurpados os pilares do nosso Estado de Direito”, concluiu.

    O deputado apresentou um substitutivo fundindo o projeto principal, o projeto de decreto legislativo 294/24, de autoria do deputado Alberto Fraga (PL-DF) , a outras cinco propostas que tramitam em conjunto.

    O projeto será analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e pelo Plenário. Para vigorar, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

  • AGU aciona Meta contra robôs que promovem erotização infantil

    AGU aciona Meta contra robôs que promovem erotização infantil

    A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou extrajudicialmente a empresa Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, para que retire de suas plataformas robôs de inteligência artificial que simulam perfis com linguagem e aparência infantil e que permitem a manutenção de diálogos de cunho sexual com usuários.

    Esses chatbots foram criados por usuários a partir da ferramenta “Meta IA Studio”, disponibilizada pela empresa em suas redes, e utilizam inteligência artificial para simular conversas. Os robôs citados na representação são de autoria de usuários das plataformas.

    A medida da AGU foi conduzida pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), a partir de demanda da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). A representação se baseou em reportagens da Agência Reuters e do Núcleo Jornalismo, que revelaram como a inteligência artificial da Meta permitia conversas de teor sexual com crianças.

    Chatbots de inteligência artificial criados no Meta AI Studio podiam manter diálogos de cunho sexual com os usuários.

    Chatbots de inteligência artificial criados no Meta AI Studio podiam manter diálogos de cunho sexual com os usuários.Freepik

    No documento, a AGU solicita que a Meta retire todos os chatbots que utilizam linguagem infantil para propagar conteúdo sexual e que apresente esclarecimentos sobre as medidas adotadas, inclusive no Facebook, Instagram e WhatsApp, para garantir a proteção de crianças e adolescentes, com ações para que não tenham acesso a conteúdos sexuais ou eróticos.

    “Tais chatbots têm potencialidade de alcançar um público cada vez mais amplo nas plataformas digitais, especialmente nas redes sociais da Meta, ampliando de forma exponencial o risco do contato de menores de idade com material sexualmente sugestivo e potencialmente criminoso. Essa situação oferece risco concreto à integridade psíquica de crianças e adolescentes, além de gerar danos institucionais e dificultar o efetivo exercício do direito à proteção integral [às crianças e adolescentes] previsto no art. 227 da Constituição Federal”, afirma a AGU em trecho do documento.

    A representação também aponta que, embora as plataformas digitais da Meta sejam permitidas a partir dos 13 anos, não há filtro etário eficaz para verificar se usuários entre 13 e 18 anos acessam conteúdos inadequados, como os gerados por esses chatbots.

    O documento ainda destaca que esse tipo de conteúdo viola os próprios Padrões da Comunidade da Meta, que proíbem a erotização infantil, a exploração sexual infantil e conversas de caráter sexual em mensagens privadas com crianças.

    A AGU ressalta, por fim, que na recente decisão sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os provedores de aplicações de internet podem ser responsabilizados por conteúdos de terceiros quando, tendo ciência inequívoca de ilícitos, não promoverem a remoção imediata do material, além de manterem o dever de cuidado em situações de circulação massiva de conteúdos graves e ilegais.

    Leia a íntegra da notificação.

  • Decisão de Dino pode proteger Moraes contra sanções dos EUA; entenda

    Na manhã desta segunda-feira (18), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou como presumidamente inválidas quaisquer normas judiciais ou leis estrangeiras que não tenham sido homologadas pela corte. Apesar de tratar de ações internacionais movidas por municípios, a decisão alcança casos mais amplos, inclusive dificultando o cumprimento das sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes.

    Dino sustentou que atos estrangeiros “que contrariem a ordem pública e a soberania brasileira presumem-se ineficazes” e destacou que esse tipo de interferência só poderá ser admitido mediante aval expresso do Supremo. Segundo ele, ordens vindas do exterior que envolvam bloqueio de contas, cancelamento de contratos ou sanções financeiras precisarão de autorização judicial específica para serem aplicadas em território nacional.

    Com decisão de Dino, sanções contra Alexandre de Moraes terão de ser homologadas pelo STF para ter efeito no Brasil.

    Com decisão de Dino, sanções contra Alexandre de Moraes terão de ser homologadas pelo STF para ter efeito no Brasil.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    A Lei Magnitsky, usada pelos EUA para punir Moraes por alegadas violações de direitos humanos, determina a suspensão de contas, revogação de vistos e interrupção de relações comerciais com empresas ou bancos ligados aos Estados Unidos. A decisão de Dino, ao declarar que leis e ordens externas não produzem efeitos sobre “pessoas naturais por atos em território brasileiro”, impõe um entrave direto à aplicação automática dessas sanções no país.

    O ministro afirmou que há um “altíssimo risco de demandas patrocinadas por entes subnacionais em tribunais estrangeiros servirem de veículo ou pretexto para sanções e medidas contra o patrimônio nacional”. A decisão impede que bancos ou empresas com sede no Brasil cumpram ordens estrangeiras por iniciativa própria, sob pena de desrespeitar a Constituição.

    Com isso, instituições financeiras ficam proibidas de aplicar restrições com base apenas em normas estrangeiras. “Transações, operações, cancelamentos de contratos, bloqueios de ativos, transferências para o exterior (…) por determinação de Estado estrangeiro, em desacordo aos postulados dessa decisão, dependem de expressa autorização desta Corte”, escreveu Dino.

    Isso pode anular ou adiar muitos dos problemas que podem ser enfrentados por Moraes em decorrência das sanções. Operadoras internacionais de cartão de crédito, por exemplo, enfrentarão dificuldades se tentarem utilizar a norma americana para justificar um cancelamento de serviços ao ministro. O mesmo pode acontecer com empresas de software por assinatura, ou mesmo plataformas de redes sociais.

  • Câmara instala comissão sobre transporte e entrega por aplicativo

    Câmara instala comissão sobre transporte e entrega por aplicativo

    A Comissão Especial sobre Transporte e Entrega por Plataforma Digital da Câmara dos Deputados será instalada nesta terça-feira (19), às 16 horas, no plenário 4. Na reunião, serão eleitos o presidente e os vice-presidentes do colegiado.

    O grupo de trabalho se dedicará à análise do Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/25, que propõe a criação de um novo marco legal para os serviços de transporte individual de passageiros e de entrega, ambos mediados por plataformas digitais, a exemplo de Uber, 99 e InDrive.

    A proposição legislativa, de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), visa estabelecer diretrizes para o funcionamento dessas atividades em território nacional, definindo direitos e obrigações para as empresas, os usuários e os trabalhadores envolvidos.

    Entregadores de aplicativo trabalham na região do Centro do RJ.

    Entregadores de aplicativo trabalham na região do Centro do RJ.Fernando Frazão/Agência Brasil

    De acordo com Gastão, o propósito fundamental é “acabar com o vazio jurídico dos trabalhadores de aplicativos, que são essenciais para as plataformas, mas ainda não têm seus direitos garantidos por lei”.

    O parlamentar ressalta ainda a importância de assegurar direitos e deveres aos usuários, “buscando garantir que os serviços sejam prestados de forma segura, respeitosa, ética e responsável”.

    A comissão especial foi instituída em 16 de julho pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O colegiado será composto por 19 membros titulares, com igual número de suplentes, acrescidos de um titular e um suplente para atender ao sistema de rodízio entre as bancadas não contempladas.