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  • CCJ aprova projeto que protege incapazes da prescrição

    CCJ aprova projeto que protege incapazes da prescrição

    A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 1.147/23, que impede a contagem do prazo prescricional de processos judiciais contra indivíduos impossibilitados de manifestar sua vontade, devido a condições transitórias ou permanentes. O projeto altera o Código Civil e, por tramitar em caráter conclusivo, seguirá para análise do Senado, a menos que haja recurso para votação no plenário da Câmara.

    A prescrição ocorre quando um indivíduo perde o direito de recorrer à Justiça por demora na solicitação. A legislação vigente já protege menores de 16 anos, suspendendo a contagem do prazo prescricional contra eles.

    Anteriormente, o Código Civil impedia a prescrição contra pessoas absolutamente incapazes, ou seja, aquelas impossibilitadas de exercer atos da vida civil devido a doenças ou deficiências intelectuais. No entanto, o Estatuto da Pessoa com Deficiência passou a considerar essas pessoas como relativamente incapazes, conferindo-lhes maior autonomia. Consequentemente, o prazo prescricional voltou a ser contado, gerando incertezas e preocupações acerca da proteção desses indivíduos.

    Ricardo Ayres recomendou a aprovação da proposta.

    Ricardo Ayres recomendou a aprovação da proposta.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    De acordo com o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), autor da proposta, o texto visa assegurar juridicamente o entendimento de que pessoas com deficiência mental ou intelectual podem ser consideradas absolutamente incapazes do ponto de vista civil.

    O relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), defendeu a aprovação da medida para explicitar no Código Civil que a prescrição não corre contra aqueles que, por enfermidade permanente ou transitória, não puderem exprimir sua vontade. “Estancando qualquer dúvida a respeito da garantia das pessoas com deficiência contra o fluxo do prazo prescricional”, disse.

  • Prefeito de Palmas é alvo da PF por vazamento de informações sigilosas

    Prefeito de Palmas é alvo da PF por vazamento de informações sigilosas

    A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (30) a 9ª fase da Operação Sisamnes, que investiga venda de decisões nos tribunais estaduais e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Um dos alvos desta fase é o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos). No caso, o chefe do Executivo municipal é investigado por vazar informações sigilosas da investigação.

    Prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos.

    Prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos.Reprodução/Instagram @eduardosiqueiracampos_

    O prefeito da capital do Tocantins foi alvo de busca e apreensão da PF. Além disso, Eduardo também teve o passaporte apreendido e foi proibido de deixar o país. As medidas foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.

    “Segundo as investigações, os alvos das operações teriam tido acesso antecipado a detalhes de operações policiais, comprometendo a eficácia das medidas judiciais que seriam implementadas. Além disso, a deflagração tem como objetivo apurar eventuais privilégios ilegais concedidos a um dos investigados atualmente preso no âmbito da Operação Sisamnes”, aponta a PF em nota.

    A PF solicitou ao Supremo a prisão preventiva de Eduardo Siqueira Campos por obstrução de justiça. Apesar da concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR), a Corte negou. Segundo interceptações telefônicas realizadas com autorização da Justiça, o prefeito alertou um advogado apontado como um dos beneficiados pelo vazamento de informações do STJ.

    Nas redes sociais, o prefeito de Palmas relatou a busca e apreensão e se defendeu das acusações de vazamento de informações. “Qual é a investigação? Suposto vazamento de informação. Eu não tenho nenhuma informação privilegiada, porque se eu tivesse, também saberia que teria uma operação hoje. Vazamento não houve Sou esse cidadão que vocês conhecem”.

  • Mudanças no ar! Veja as novidades do Prêmio Congresso em Foco 2025

    Mudanças no ar! Veja as novidades do Prêmio Congresso em Foco 2025

    Prêmio reconhece os melhores parlamentares do ano desde 2006.

    Prêmio reconhece os melhores parlamentares do ano desde 2006.Arte Congresso em Foco

    Chegou a hora de reconhecer quem faz a diferença no Parlamento brasileiro. A edição 2025 do Prêmio Congresso em Foco já tem data marcada e vem cheia de novidades. Em sua 18ª edição, a premiação mais respeitada da política nacional ganha novo formato, categorias ampliadas e regras mais criteriosas, sem abrir mão do que a tornou referência: o compromisso com a democracia, a transparência e o estímulo à participação cidadã.

    Veja o novo regulamento

    Anote na agenda:

    • Divulgação dos finalistas da votação popular: 1º de agosto
    • Cerimônia de premiação: 20 de agosto, no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, com transmissão ao vivo


    O que é o Prêmio Congresso em Foco?

    É uma iniciativa que valoriza os deputados federais e senadores que mais se destacam no exercício do mandato. A premiação, criada em 2006, reconhece quem atua com responsabilidade, defende os direitos humanos, promove o interesse público e fortalece o Estado Democrático de Direito.

    Além de celebrar o bom trabalho parlamentar, o prêmio também aproxima os cidadãos da política e estimula o acompanhamento crítico do Congresso.


    Prêmio Congresso em Foco é a premiação mais importante da política brasileira.

    Prêmio Congresso em Foco é a premiação mais importante da política brasileira.Arte Congresso em Foco

    Mais categorias, mais representatividade

    A premiação agora está ainda mais completa, com novas categorias que refletem melhor a diversidade de atuações no Congresso. Também foi alterada a regra para participação no prêmio. Além disso, diferentemente das edições anteriores, será divulgada previamente a lista dos parlamentares finalistas na votação população. Os vencedores, como de costume, só serão conhecidos na cerimônia de premiação.

    Além das categorias especiais relacionadas acima, permanecem as categorias gerais: Melhores na Câmara e Melhores no Senado, escolhidos por votação popular, pelos jornalistas e por um júri técnico.

    Também continuam as categorias regionais, que reconhecem os parlamentares mais votados em cada região do país.

    Cerimônia com novo formato

    A entrega dos prêmios também será diferente: mais ágil, direta e dinâmica, sem perder o prestígio que consolidou o evento como um dos mais respeitados da política brasileira.


    Como funciona a escolha dos vencedores?

    A seleção é feita por três grupos independentes, para garantir pluralidade e legitimidade:

    • Votação Popular: de 23 de junho a 20 de julho, pela internet.
    • Votação dos Jornalistas: com profissionais de ao menos 10 veículos diferentes.
    • Júri Técnico: formado por representantes da academia, setor produtivo, trabalhista, terceiro setor e equipe do Congresso em Foco.


    Um prêmio que fortalece a democracia

    O Prêmio Congresso em Foco não distribui dinheiro nem privilégios. A premiação é simbólica e institucional, com entrega de troféus, certificados e selos digitais aos parlamentares mais bem avaliados. A proposta é clara: valorizar quem trabalha pelo Brasil com ética, transparência e compromisso público.


    Fique de olho! Em breve, você poderá votar nos seus parlamentares favoritos e participar ativamente dessa celebração da boa política.

  • Lindbergh pede novo inquérito contra Bolsonaro por ligação a Mourão

    Lindbergh pede novo inquérito contra Bolsonaro por ligação a Mourão

    O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), apresentou nesta sexta-feira (30) uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a abertura de um novo inquérito criminal contra Jair Bolsonaro. O motivo é uma ligação telefônica feita pelo ex-presidente ao senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) na véspera do depoimento do parlamentar ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que apura tentativa de golpe de Estado.

    Na petição, o parlamentar afirma que o contato, ainda que classificado como “genérico” por Mourão, ocorreu “em momento processual crítico e sob clara relação com a oitiva a ser prestada no dia seguinte”. A defesa do ex-presidente havia arrolado o ex-vice como testemunha.

    Lindbergh vê tentativa de obstrução da Justiça e pede cautelar contra o ex-presidente.

    Lindbergh vê tentativa de obstrução da Justiça e pede cautelar contra o ex-presidente.Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    Segundo Lindbergh, a ação configura tentativa de influenciar a versão dos fatos a ser apresentada ao STF. “A relação entre os envolvidos […] somada à proximidade temporal da ligação e à qualidade da testemunha, revela, no mínimo, a tentativa deliberada de influenciar a versão dos fatos que seria levada ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal”.

    Ingerência direta

    O deputado sustenta que houve “ingerência direta na produção probatória”, o que comprometeria a independência do testemunho. “Ainda que sem ameaça expressa, há nítido desvio de conduta por parte de Jair Bolsonaro ao acessar diretamente uma testemunha chave”.

    A representação cita o trecho da Lei de Organizações Criminosas que estabelece a pena de três a oito anos de prisão para quem “impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa”, um dos crimes dos quais Bolsonaro é acusado.

    “A obstrução à justiça, nessa perspectiva, não exige coação direta ou ameaça explícita. Basta que o agente […] atue de forma a comprometer a espontaneidade, integridade ou veracidade da produção da prova”, aponta Lindbergh.

    O documento solicita ainda que a PGR peça a proibição de Bolsonaro manter contato com testemunhas do processo. “Não se postula, neste momento, a prisão do ex-presidente. Mas sim, a imposição de uma barreira protetiva, que delimite com clareza a fronteira entre o investigado e as testemunhas”.

    Ligação com Bolsonaro

    Mourão depôs ao STF no último dia 23 como testemunha de defesa de Bolsonaro e de outros generais acusados de participar da suposta tentativa de golpe. A ligação telefônica foi revelada pelo Metrópoles, que recebeu do senador a resposta de que a conversa foi apenas “genérica”, mas não negou que tenha ocorrido.

    O pedido de Lindbergh agora aguarda manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Caso aceite o pedido, a PGR poderá requisitar à Justiça medidas como a quebra de sigilo telefônico e uma nova oitiva de Mourão.

    Veja a íntegra da representação:

  • Moraes ouve Tarcisio e ex-ministros de Bolsonaro sobre trama golpista

    Moraes ouve Tarcisio e ex-ministros de Bolsonaro sobre trama golpista

    Tarcisio de Freitas, governador de São Paulo, foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro.

    Tarcisio de Freitas, governador de São Paulo, foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro.Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress)

    A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta sexta-feira (30) mais uma rodada de depoimentos no processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) responde por tentativa de golpe de Estado. Entre as testemunhas de defesa que serão ouvidas pelo ministro Alexandre de Moraes estão nomes de peso do cenário político nacional e antigos integrantes do núcleo bolsonarista.

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro da Infraestrutura, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil, abrem a sessão de oitivas às 8h.

    À tarde, a partir das 14h, será a vez do deputado distrital João Hermeto (MDB-DF), do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, dos senadores Espiridião Amin (PP-SC) e Eduardo Girão (Novo-CE), além do deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS).

    Inicialmente, a defesa de Bolsonaro havia arrolado outras quatro testemunhas, mas decidiu retirar os nomes da lista. São elas: o deputado federal e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello (PL-RJ), o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, o advogado Amauri Feres Saad, apontado pela Polícia Federal como um dos mentores da chamada minuta do golpe, e o cardiologista Ricardo Peixoto Camarinha, que atuou como médico do ex-presidente.

    Braga Netto

    Na próxima segunda-feira (2), a partir das 15h, o senador Rogério Marinho (PL-RN) será o último a prestar depoimento como testemunha de defesa de Bolsonaro. Marinho também figura como testemunha do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, preso desde dezembro do ano passado por suspeita de tentar interferir nas investigações da PF sobre a trama golpista.

    Nessa quinta-feira (29), o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um recurso da defesa de Braga Netto que pede a revogação da prisão preventiva do militar.

    Produção de provas

    Os depoimentos fazem parte da fase de instrução criminal da ação penal, etapa dedicada à produção de provas. Além das oitivas, os ministros da 1ª Turma também devem analisar documentos e perícias apresentados por acusação e defesa, além de requisitar informações adicionais para esclarecer os fatos em apuração.

    Desde 19 de maio, o STF vem ouvindo testemunhas indicadas pelo núcleo central da tentativa de golpe. Segundo a denúncia da PGR, esse grupo foi responsável por liderar o planejamento e a execução das ações golpistas.

    A Procuradoria afirma que Bolsonaro tinha conhecimento de um plano denominado Punhal Verde Amarelo, que previa atentados contra o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a PGR, o ex-presidente tinha ciência da minuta do golpe, um decreto que, se assinado, instauraria um regime de exceção no país.

    Núcleo do golpe

    O processo no STF tem como réus os oito integrantes do chamado núcleo 1 considerado pela PGR como o grupo central da tentativa de golpe. A denúncia foi aceita por unanimidade pela 1ª Turma em 26 de março. São eles:

    • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
    • Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
    • General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
    • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
    • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
    • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
    • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
    • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e colaborador premiado.
  • STF volta a discutir novas regras para redes sociais

    STF volta a discutir novas regras para redes sociais

    Na próxima quarta-feira (4), o Supremo Tribunal Federal (STF) vai retomar um julgamento que pode mudar as regras para o funcionamento das redes sociais no Brasil. A questão central é: quem deve ser responsabilizado quando alguém publica um conteúdo ilegal ou ofensivo na internet: a pessoa que postou ou também a plataforma que permitiu a publicação? O julgamento foi interrompido em dezembro do ano passado, após pedido de vista do ministro André Mendonça.

    Hoje, de acordo com o chamado Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), a responsabilidade pela publicação de conteúdos é do próprio usuário. As plataformas, como Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e YouTube, só podem ser responsabilizadas se desobedecerem a determinação judicial para a exclusão da publicação. Isso está previsto no artigo 19 da lei. 

    Julgamento deve definir a responsabilidade pela publicação de um conteúdo ilegal ou ofensivo na internet

    Julgamento deve definir a responsabilidade pela publicação de um conteúdo ilegal ou ofensivo na internet Karime Xavier/Folhapress

    Mas, para o ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, essa regra ficou ultrapassada. Ele argumenta que as plataformas lucram com a promoção de conteúdos falsos e violentos, que geram mais engajamento e, por consequência, mais dinheiro em anúncios.

    No voto, Toffoli afirmou que o artigo 19 dá uma espécie de proteção às empresas e não consegue evitar que crimes e discursos de ódio se espalhem rapidamente nas redes.

    Até o momento, três ministros votaram: além de Toffoli, Luiz Fux, que acompanhou o relator, e o presidente, Luis Roberto Barroso, apresentou um voto mais moderado. O ministro propôs que as redes sociais sejam obrigadas a remover conteúdos relacionados a pornografia infantil, incitação ao suicídio, tráfico de pessoas, terrorismo e ataques ao sistema democrático, desde que notificadas pelos diretamente interessados.

    O que o ministro propõe?

    Toffoli defende que, se seu entendimento for aceito, as plataformas devem ser responsabilizadas com base em outro artigo da lei (o artigo 21), que prevê a retirada de conteúdo a partir de uma simples notificação da vítima ou de quem se sentir ofendido, sem precisar esperar uma decisão judicial.

    Além disso, ele propôs que motores de busca (como o Google) sejam responsabilizados por anúncios falsos, que muitas vezes aparecem em destaque, antes mesmo de resultados legítimos. Para o ministro, se as plataformas conseguem traçar perfis dos usuários para direcionar publicidade, também poderiam identificar e barrar conteúdos enganosos.

    Outro ponto do voto de Toffoli é que blogs devem seguir regras semelhantes às da imprensa e não ficarem protegidos pela lógica do Marco Civil.

    Por que isso importa?

    O debate ganhou peso extra nos últimos dias, após o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, ameaçar vetar a entrada no país de autoridades que aprovarem sanções contra as chamadas big techs (as grandes empresas de tecnologia, como Google, Meta e X).

    Além disso, a questão mexe com o cenário político brasileiro. O ministro Alexandre de Moraes já mandou tirar temporariamente o X do ar, porque a plataforma se recusou a cumprir ordens judiciais para remover perfis ligados à disseminação de fake news e discurso extremista.

    A decisão do STF também pode servir como base para novas leis, já que o Congresso discute atualizações no Marco Civil e formas de combater desinformação online.

    O que acontece agora?

    Além da ação relatada por Toffoli, os ministros vão se debruçar sobre outros dois processos relacionados ao tema do Marco Civil da Internet, um sob relatoria de Luiz Fux e outro relatado por Edson Fachin.

    A expectativa é que o resultado do julgamento influencie diretamente o comportamento das plataformas no Brasil e ajude a definir um novo padrão sobre o que pode, ou não, circular nas redes sociais. Há um entendimento majoritário entre os ministros de que essas empresas devem atuar de forma mais proativa na detecção e remoção desses conteúdos prejudiciais, sem que a ação fique limitada à existência de uma ordem judicial.

  • Cleitinho critica retomada do julgamento sobre redes sociais pelo STF

    Cleitinho critica retomada do julgamento sobre redes sociais pelo STF

    O senador Cleitinho (Republicanos-MG) subiu à tribuna do Senado nessa quinta-feira (29) para criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retomar, na próxima quarta-feira (4), o julgamento que discute a aplicação do Marco Civil da Internet. A análise da matéria estava suspensa desde dezembro de 2024, após um pedido de vista apresentado pelo ministro André Mendonça.

    O senador contestou o fato de o julgamento ter sido agendado justamente para uma semana em que o Congresso estará com as atividades parlamentares interrompidas, devido à realização do 11º Fórum Parlamentar do Brics.

    Assista a trecho do pronunciamento:

    Para Cleitinho, cabe exclusivamente ao Congresso legislar sobre temas relacionados à regulação das redes sociais. Durante o discurso no plenário, ele reforçou seu posicionamento.

    “Espero que o Congresso Nacional, tanto aqui o Senado quanto os deputados federais, se levantem, se posicionem e não deixem o STF legislar. Na semana que vem, o Congresso Nacional não vai funcionar por causa dos Brics. Essa boca que a gente tem aqui para defender a liberdade de expressão de vocês, estará fechada”, disse. “As redes sociais vieram para ficar mesmo. E vou ser contra essa questão da regulamentação das redes sociais, porque estou defendendo aqui a minha liberdade e a sua liberdade”, declarou.

    O julgamento que será retomado no STF discute a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que define em que condições as plataformas digitais podem ser responsabilizadas por conteúdos publicados por terceiros. O tema tem gerado intenso debate entre os Poderes e pode ter impactos significativos sobre o funcionamento das redes sociais no país.

    A questão central é: quem deve ser responsabilizado quando alguém publica um conteúdo ilegal ou ofensivo na internet: a pessoa que postou ou também a plataforma que permitiu a publicação? O julgamento foi interrompido em dezembro do ano passado, após pedido de vista do ministro André Mendonça.

    Hoje, de acordo com o Marco Civil da Internet, a responsabilidade pela publicação de conteúdos é do próprio usuário. As plataformas, como Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e YouTube, só podem ser responsabilizadas se desobedecerem a determinação judicial para a exclusão da publicação. Os ministros vão analisar três ações, cada uma relatada por um ministro. Os relatores são Dias Toffoli, Edson Fachin e Luiz Fux.

    Até o momento, além de Toffoli, outros dois ministros votaram pela responsabilização da plataforma: Fux, que seguiu o relator, e Luis Roberto Barroso, que adotou um voto mais intermediário.

    Leia mais: STF volta a discutir novas regras para redes sociais

  • Federação Psol-Rede pede a cassação de Marcos Rogério e Plínio Valério

    Federação Psol-Rede pede a cassação de Marcos Rogério e Plínio Valério

    A Federação Psol-Rede protocolou nessa quinta-feira (29), no Conselho de Ética do Senado, duas representações contra os senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM), por agressões verbais contra a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado.

    Os dois partidos pedem que Plínio e Rogério sejam punidos com a perda de mandato e solicitam que o caso seja comunicado ao Ministério Público Federal para possíveis providências na esfera penal.

    Marina e Marcos Rogério: senador pediu a ministra que se colocasse

    Marina e Marcos Rogério: senador pediu a ministra que se colocasse “em seu lugar”; ela disse que não é mulher submissa.Geraldo Magela/Agência Senado

    Machismo e misoginia

    Segundo a federação, as condutas dos parlamentares configuraram violação gravíssima à Constituição Federal, ao Código de Ética do Senado e à Lei 14.192/2021, que trata da prevenção e combate à violência política contra a mulher. As representações alegam que os ataques foram “machistas, misóginos, ilegais e abusivos”, além de incompatíveis com o decoro parlamentar.

    A líder da federação, deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), cobrou respeito da parte do Congresso em relação à ministra. “O Brasil respeita a ministra Marina Silva por tudo que ela tem feito pela causa ambiental, o mundo respeita a ministra Marina Silva pelo seu trabalho incansável na luta pelo meio ambiente e nós exigimos que o Congresso Nacional também a respeite.”

    A ministra é filiada à Rede Sustentabilidade, partido cuja criação liderou.

    O que aconteceu na audiência

    As representações detalham os ataques sofridos pela ministra durante audiência na Comissão de Infraestrutura, presidida por Marcos Rogério, na última terça-feira (27). Durante a sessão, Rogério interrompeu diversas vezes a fala da ministra e chegou a afirmar: “Me respeite, ministra, se ponha no seu lugar“. A declaração que gerou protestos no plenário e na própria comissão.

    Já o senador Plínio Valério, que tem um histórico de declarações agressivas contra Marina Silva – em março, chegou a dizer que tinha vontade de enforcá-la -, afirmou na audiência que seria necessário separar “a mulher da ministra”, acrescentando que “a mulher merece respeito, a ministra, não”.

    Após os ataques, Marina Silva decidiu se retirar da audiência: “Eu não posso aceitar que alguém me diga qual é o meu lugar. Meu lugar é o da defesa da democracia, do meio ambiente, da luta contra a desigualdade, da proteção da biodiversidade e da promoção da infraestrutura necessária ao país”.

    A ministra recebeu solidariedade do presidente Lula, de colegas de ministério, de parlamentares e de entidades da sociedade civil.

    Violência contra as mulheres

    As representações sustentam que a Lei 14.192/2021, que define como violência política de gênero qualquer ação que tenha como objetivo impedir, restringir ou dificultar o exercício dos direitos políticos das mulheres. 

    As representações apontam que os ataques contra Marina Silva não são um caso isolado, mas refletem um cenário crescente de violência política de gênero e raça no país. Segundo as peças, “a tentativa de intimidar parlamentares mulheres, com vozes ativas na política institucional, como a ministra Marina, é prova disso”.

    Pesquisas citadas nos documentos mostram que mulheres negras, como Marina, estão entre as principais vítimas desse tipo de violência nos espaços de poder.

  • Condenada e inelegível, Zambelli anuncia candidatura da mãe e do filho

    Condenada e inelegível, Zambelli anuncia candidatura da mãe e do filho

    Condenada a dez anos de prisão e inelegível, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) já articula formas de manter sua influência política. Nessa quinta-feira (29), ela anunciou que sua mãe, Rita Zambelli, será pré-candidata a deputada federal em 2026 e que seu filho, atualmente com 17 anos, será lançado como candidato à Câmara Municipal de São Paulo em 2028.

    Além disso, Zambelli transferiu oficialmente a titularidade de suas redes sociais para a mãe, com o argumento de que poderá ser silenciada caso sua inelegibilidade se confirme. A deputada já teve suas redes bloqueadas pelo Supremo Tribunal Federal anteriormente. O nome de Rita aparece nos perfis da deputada. Apenas no Instagram Zambelli tem 3,7 milhões de seguidores.

    “Sim, fiz essa transferência porque, caso se confirme minha inelegibilidade, há o risco real de que tentem me silenciar, inclusive nas redes. E, como minha mãe sempre foi ativa, firme e atuante, tomei essa decisão de forma transparente, responsável e absolutamente legítima”, justificou a deputada. “Minha mãe é minha candidata a deputada federal no próximo ano, justamente para ar continuidade a essa luta que é de toda a nossa família”, afirmou em comunicado.

    Zambelli diz que a mãe pode dar continuidade à sua atuação política.

    Zambelli diz que a mãe pode dar continuidade à sua atuação política.Gabriela Biló /Folhapress

    No mesmo tom, anunciou que o filho, João Hélio Salgado Neto, hoje menor de idade, será candidato a vereador em São Paulo na eleição municipal de 2028. “Meu filho também dará seguimento a esse legado, assegurando que minha luta não seja esquecida, caso, de fato, eu venha a ser calada pelo sistema.”

    A parlamentar ainda articula a reeleição do irmão, o deputado estadual Bruno Zambelli (PL), para a Assembleia Legislativa paulista.

    As acusações que levaram à condenação

    Em 14 de maio de 2025, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal condenou a deputada, por unanimidade, a 10 anos de prisão pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Zambelli foi a autora intelectual da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo seria forjar falsos mandados de prisão e alvarás de soltura, inclusive contra o ministro Alexandre de Moraes.

    O ataque foi executado pelo hacker Walter Delgatti Neto, que afirmou ter agido a mando da deputada. Ele foi condenado a oito anos e três meses de prisão. Zambelli e Delgatti também foram sentenciados a pagar uma indenização de R$ 2 milhões por danos materiais e morais coletivos.

    Além disso, em 30 de janeiro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassou o mandato de Zambelli por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, após divulgação de informações falsas durante o processo eleitoral de 2022. Por esses motivos, a parlamentar está inelegível por oito anos após o cumprimento da pena, além de estar submetida à perda do mandato, que será formalizada pela Câmara dos Deputados após o esgotamento dos recursos.

    Recurso

    Na tentativa de reverter sua situação, Zambelli apresentou um recurso ao STF contestando a condenação. Sua defesa alega cerceamento de defesa e pediu revisão das penas e das multas que somam cerca de R$ 4,8 milhões.

    A deputada lançou uma campanha de arrecadação via Pix, alegando que foi condenada por lutar pelas liberdades e sem ter cometido crime. Paralelamente, a defesa também estuda a possibilidade de solicitar que Zambelli cumpra a pena em prisão domiciliar, alegando problemas de saúde. “Eu não sobreviveria na cadeia“, disse ela.

    Zambelli também enfrenta um segundo processo no STF, relacionado ao episódio em que sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo. Neste caso, há um placar de seis votos a zero pela condenação da deputada a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Nunes Marques.

  • Parlamentares são homenageados em evento da Coca-Cola

    Parlamentares são homenageados em evento da Coca-Cola

    Senadores e deputados foram homenageados pela Coca-Cola na quarta-feira (28) pela atuação no desenvolvimento sustentável. O evento em Brasília também premiou demais lideranças de diversos setores com o prêmio Unidos pelo País que Queremos.

    Homenageados pela Coca-Cola por apoio ao desenvolvimento sustentável.

    Homenageados pela Coca-Cola por apoio ao desenvolvimento sustentável.Wesley Souza

    O senador Otto Alencar (PSD-BA) foi reconhecido por sua trajetória e dedicação à revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e atuação na Comissão de Meio Ambiente do Senado. O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), por sua vez, foi destaque na premiação por sua trajetória e atuação central na construção da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), e Reginaldo Lopes (PT-MG) foi premiado na categoria Empoderamento Econômico.

    O senador Efraim Filho (União Brasil-PB) foi premiado pela defesa da economia de base produtiva e do desenvolvimento sustentável. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi reconhecida por suas contribuições à agenda da agricultura, com destaque para a implementação do Plano ABC+, que promove práticas agrícolas de baixo carbono e valoriza a rastreabilidade. Também no setor, foi reconhecido o deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.

    O Troféu Unidos Pelo País que Queremos contempla cinco categorias centrais:

    • Água
    • Empoderamento Econômico
    • Reciclagem e Reuso
    • Agricultura
    • Combate à Fome

    Além dos parlamentares, a empresa premiou outros 16 homenageados, que fazem parte de instituições do terceiro setor de diversas regiões do país e autoridades públicas com atuação nas áreas socioambiental e socioeconômica.

    As instituições reconhecidas foram: a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), pela iniciativa de acesso à água; o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), homenageado pelo programa Olhos da Floresta; a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT), pela atuação direta na promoção da coleta seletiva e da inclusão produtiva de catadoras e catadores; e a Ação da Cidadania, pela articulação institucional e pelo impacto direto no enfrentamento da fome em todo o país.

    No setor público, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, foi outro homenageado. O chefe da pasta foi reconhecido por sua liderança estratégica no enfrentamento à fome e à pobreza, com destaque para a articulação de políticas públicas integradas em segurança alimentar.

    “Acreditamos que transformar o Brasil exige compromisso coletivo, colaboração entre setores e parcerias com propósito. Este troféu celebra aqueles com quem o Sistema Coca-Cola pode colaborar nessa jornada trabalhando com dedicação por um país mais justo, sustentável e inclusivo”, afirma Luciana Batista, presidente da The Coca-Cola Company para o Brasil e Cone Sul.

    Além da premiação, o evento também marcou a inauguração da nova sede da Casa Coca-Cola. A presidente da organização afirmou: “Mais do que um novo endereço, inauguramos hoje uma nova etapa do nosso compromisso com o desenvolvimento do Brasil e com os parceiros que constroem conosco o país que queremos”.

    Durante a cerimônia, foi reforçado o compromisso de longo prazo do Sistema Coca-Cola com o desenvolvimento do país, como o investimento de R$ 7 bilhões anunciados para 2025, voltado à modernização da infraestrutura, expansão da produção, renovação da frota e avanços em sustentabilidade.