Blog

  • Anvisa aprova 1º medicamento que promete retardar avanço do Alzheimer

    Anvisa aprova 1º medicamento que promete retardar avanço do Alzheimer

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nessa terça-feira (22) o uso do Kisunla, primeiro medicamento no Brasil indicado especificamente para o tratamento do Alzheimer em estágio inicial. Fabricado pelo laboratório Eli Lilly, o remédio tem como princípio ativo o donanemabe, uma substância que age diretamente nas placas beta-amiloides, responsáveis pela progressão da doença.

    Especialistas estimam que 1,5 milhão de brasileiros têm a doença de Alzheimer

    Especialistas estimam que 1,5 milhão de brasileiros têm a doença de AlzheimerMarcelo Camargo/Agência Brasil

    A liberação ocorre em meio a expectativas e controvérsias. Embora o remédio represente um avanço significativo no campo da neurologia, parte da comunidade médica ainda mostra ceticismo quanto à sua real eficácia clínica, especialmente em pacientes individualmente.

    Como age o Kisunla

    O Kisunla é um anticorpo monoclonal que se liga à proteína beta-amiloide, cuja deposição em placas no cérebro é característica da Doença de Alzheimer. A atuação do medicamento visa reduzir esses aglomerados, retardando o avanço da deterioração cognitiva.

    A substância é indicada para casos de comprometimento cognitivo leve ou demência leve, ou seja, nas fases iniciais da doença. O tratamento inicia com 700 mg mensais por três meses, seguido por 1.400 mg mensais, até a depuração das placas amiloides ou por até 18 meses.

    Apesar do potencial, o uso do medicamento não é indicado para todos os pacientes. Estão excluídos os que possuem o gene ApoE e4, tomam anticoagulantes ou tenham diagnóstico de Angiopatia Amiloide Cerebral (AAC), devido aos riscos à saúde que podem superar os benefícios.

    Efeitos adversos e limitações

    As reações adversas mais comuns incluem febre, sintomas semelhantes aos da gripe e dores de cabeça. Além disso, o estudo clínico que embasou a aprovação do Kisunla realizado com 1.736 pacientes em oito países apresentou limitações:

    • Coleta de dados limitada a 76 semanas, dificultando a análise de efeitos a longo prazo;
    • 91,5% dos participantes eram pessoas brancas, o que reduz a representatividade étnica e racial dos resultados.

    Mesmo com essas limitações, os pacientes que tomaram o Kisunla apresentaram progressão clínica mais lenta em comparação ao grupo placebo, segundo os pesquisadores.

    Divergência entre especialistas

    A aprovação do Kisunla já havia causado divisão entre especialistas nos Estados Unidos, onde foi autorizado pela FDA em julho de 2024. O neurologista Michael Greicius, da Universidade de Stanford, declarou ao New York Times que não prescreveria o remédio, pois acredita que não há comprovação suficiente de que a remoção das placas beta-amiloides se traduza em melhora clínica perceptível nos pacientes.

    Já Joy Snider, da Universidade de Washington, defende a utilidade do medicamento, ainda que limitada. Segundo ela, “a desaceleração pode ser pequena, mas significativa” na vida dos pacientes. Ela também admite que, em nível individual, pode ser difícil perceber os efeitos de forma precisa, já que fatores como o estado emocional e o dia a dia do paciente influenciam os testes cognitivos.

    Sem cura, mas com novas perspectivas

    De acordo com o Ministério da Saúde, a Doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa, progressiva e irreversível, que compromete memória, linguagem, funções motoras e comportamento. A sobrevida média após o diagnóstico é de oito a dez anos, e a doença evolui por estágios, do comprometimento leve à perda total da autonomia.

    A aprovação do Kisunla pela Anvisa mesmo diante da recusa da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em março deste ano reacende o debate sobre avanços possíveis no tratamento da demência. A farmacêutica Eli Lilly já pediu uma reavaliação da decisão da EMA, demonstrando que a discussão sobre o medicamento ainda está longe de um consenso.

  • BNDES direciona R$ 135 milhões a projetos sociais em comunidades

    BNDES direciona R$ 135 milhões a projetos sociais em comunidades

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinará R$ 135 milhões para impulsionar projetos sociais e ambientais em favelas e comunidades brasileiras. O anúncio, realizado em São Paulo nesta terça-feira (22), detalha o orçamento para novas iniciativas do programa BNDES Periferias.

    Edifício do escritório do BNDES, no Rio de Janeiro.

    Edifício do escritório do BNDES, no Rio de Janeiro.Fernando Frazão/Agência Brasil

    Duas novas frentes do programa foram apresentadas:

    • A primeira, chamada de BNDES Periferias Fortes, visa a fortalecer organizações sociais atuantes em comunidades periféricas das regiões Norte e Nordeste. Dois editais, com R$ 17,5 milhões cada, selecionarão os parceiros executores.
    • A segunda, BNDES Periferias Verdes, destinará R$ 50 milhões a projetos de recuperação, conservação e preservação ambiental, com foco na inclusão produtiva local por meio da economia circular, agricultura urbana e resiliência climática. As inscrições para esta frente, parte da terceira chamada do BNDES Periferias, estão abertas até 30 de maio.

    Adicionalmente, R$ 50 milhões serão alocados para projetos das frentes Polos BNDES Periferias e BNDES Periferias Empreendedoras. A chamada pública em andamento reduzirá a contrapartida exigida de entidades sem fins lucrativos não empresariais e sem recursos recorrentes de 50% para 10%. Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, destacou a inclusão da agenda climática no Periferias Verdes e a inovação do banco de fomento em direcionar recursos para as periferias.

    Dados do IBGE e do DataFavela citados por Guilherme Simões, secretário Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, mostram que cerca de metade dos 16 milhões de brasileiros residentes em favelas e comunidades se consideram empreendedores, porém, 60% deles atuam na informalidade. Simões enfatizou o potencial econômico dessas regiões e a importância de iniciativas como a do BNDES.

    José Geraldo de Paula Pinto, tesoureiro da União dos Núcleos, Associação dos Moradores de Heliópolis e região (Unas), classificou a iniciativa do BNDES como um passo inicial, com potencial para inspirar a participação de bancos privados. Ele defendeu a necessidade de projetos direcionados aos moradores, confiando na capacidade de gestão dos recursos pelos próprios beneficiários.

    Lançado em março de 2024, o programa BNDES Periferias visa fomentar o empreendedorismo em territórios periféricos. As duas primeiras chamadas públicas, com R$ 50 milhões cada, receberam 101 propostas, das quais 17 foram selecionadas para análise. Além das novas frentes, o programa conta com o Polos BNDES Periferias, para construção e revitalização de polos em áreas periféricas, e o BNDES Periferias Empreendedoras, que apoia empreendedores, com foco em mulheres, jovens e população negra, por meio de capacitação, mentoria e capital semente.

  • Entidades questionam no STF resolução do CFM sobre crianças trans

    Entidades questionam no STF resolução do CFM sobre crianças trans

    A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat) entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que impõe restrições a terapias e cirurgias de mudança de gênero para crianças e adolescentes. A ação foi distribuída ao ministro Cristiano Zanin.

    Estátua em frente ao prédio do STF, em Brasília: Corte vai decidir sobre resolução do Conselho Federal de Medicina.

    Estátua em frente ao prédio do STF, em Brasília: Corte vai decidir sobre resolução do Conselho Federal de Medicina.Antonio Augusto/STF

    A resolução do CFM (leia aqui na íntegra) proíbe a prescrição de bloqueadores hormonais para crianças transgênero, a administração de hormônios sexuais para induzir características sexuais secundárias compatíveis com a identidade de gênero de pacientes menores de 18 anos e eleva para 21 anos a idade mínima para cirurgias de afirmação de gênero que tenham efeito esterilizador.

    As entidades requerem, em sua ação, o retorno à redação original da resolução, visando a assegurar o direito fundamental ao livre desenvolvimento da personalidade de crianças transgênero por meio do bloqueio hormonal da puberdade, da hormonização a partir dos 16 anos e da cirurgia de afirmação de gênero a partir dos 18 anos. Argumentam que as alterações restritivas desconsideram evidências científicas que demonstram os benefícios psicossociais desses procedimentos para crianças e adolescentes transgênero.

    Além disso, sustentam que tais alterações infringem os princípios da dignidade da pessoa humana, da proteção integral da criança e do direito fundamental à identidade de gênero autopercebida.

  • Fraude de R$ 6,3 bi: presidente do INSS é afastado em operação da PF

    Fraude de R$ 6,3 bi: presidente do INSS é afastado em operação da PF

    O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, foi afastado de suas funções nesta quarta-feira (23) por determinação judicial, no contexto de uma megaoperação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação (veja a nota da PF sobre o assunto mais abaixo) apura um esquema nacional de descontos indevidos aplicados sobre benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas.

     Stefanutto foi nomeado em 5 de julho de 2023

    Stefanutto foi nomeado em 5 de julho de 2023Ascom/Ministério da Previdência Social

    Além de Stefanutto, outros cinco servidores do INSS também foram afastados. A sede do instituto em Brasília é um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, que já está sendo considerada uma das mais delicadas e impactantes conduzidas pela PF nos últimos anos.

    Fraude bilionária

    Segundo os investigadores, entidades que representavam aposentados e pensionistas teriam realizado cobranças associativas não autorizadas, diretamente descontadas da folha de pagamento de aposentadorias e pensões. O montante desviado é estimado em impressionantes R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

    A justificativa das entidades para os descontos incluía a oferta de benefícios como planos de saúde, seguros e auxílio-funeral, mas os valores eram cobrados sem autorização prévia dos beneficiários, que só perceberam os descontos ao consultarem seus extratos e, em muitos casos, recorreram à Justiça.

    Os convênios entre essas entidades e o INSS, que permitiam os descontos automáticos, começaram a ser firmados durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e continuaram no início do governo Lula.

    Após a revelação do caso em reportagens do portal Metrópoles, o diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis, já havia sido exonerado pelo governo Lula.

    Anúncio a Lula

    A operação desta quarta-feira mobilizou cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU para o cumprimento de 211 mandados de busca e apreensão, além de seis mandados de prisão temporária e ordens de sequestro de bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão. As ações ocorreram no Distrito Federal e em outros 13 estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

    Diante da gravidade do caso, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro da CGU, Vinícius Carvalho, comunicaram pessoalmente o presidente Lula, em reunião no Palácio da Alvorada, logo após a deflagração da operação. Uma nova reunião de emergência está sendo realizada no Ministério da Justiça para discutir os próximos passos.

    Veja a nota da PF sobre o assunto:

    “A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram hoje (23/4) a Operação Sem Desconto, com o objetivo de combater um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.

    Cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU cumprem hoje 211 mandados judiciais de busca e apreensão, ordens de sequestro de bens no valor de mais de R$ 1 bilhão e seis mandados de prisão temporária no Distrito Federal e nos estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe. Seis servidores públicos foram afastados de suas funções.

    As investigações identificaram a existência de irregularidades relacionadas aos descontos de mensalidades associativas aplicados sobre os benefícios previdenciários, principalmente aposentadorias e pensões, concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

    Até o momento, as entidades cobraram de aposentados e pensionistas o valor estimado de R$ 6,3 bilhões, no período entre 2019 e 2024.

    Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa, passiva, violação de sigilo funcional, falsificação de documento, organização criminosa e lavagem de capitais.”

  • CCJ pode votar na próxima semana pedido que ajuda Bolsonaro no STF

    CCJ pode votar na próxima semana pedido que ajuda Bolsonaro no STF

    O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), disse que deve pautar no colegiado, na semana que vem, um pedido do PL para suspender a ação no Supremo Tribunal Federal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). A declaração foi feita ao blog da jornalista Andréia Sadi, no site G1. Aliados de Jair Bolsonaro veem margem para que o pedido sirva também para suspender o processo criminal contra o ex-presidente.

    O deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro.

    O deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    O recurso foi apresentado pelo líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A Constituição permite que o Congresso suste processos contra parlamentares por atos praticados após a diplomação.

    Com relação a Bolsonaro, a lógica é que, como os dois são acusados juntos, uma suspensão da ação contra Ramagem possa também travar o processo contra o ex-presidente. Há dois argumentos nesse sentido:

    • Dentre os réus na ação penal, Ramagem é o único que tem foro privilegiado no momento. Se a ação for suspensa, o STF não teria justificativa para manter os demais denunciados sob sua jurisdição.
    • Ramagem e Bolsonaro estão no mesmo núcleo de acusação, envolvendo uma Abin paralela. Isso supostamente torna impossível o prosseguimento parcial da denúncia.

    O relator do pedido na CCJ é o deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A votação precisa ocorrer até 18 de maio, respeitando o prazo constitucional.

  • Senado pauta Lei Joca, que cria regras para transporte aéreo de pets

    Senado pauta Lei Joca, que cria regras para transporte aéreo de pets

    O Senado deve votar nesta quarta-feira (23) um projeto de lei que estabelece diretrizes para o transporte aéreo de animais de estimação. A proposta, conhecida como Lei Joca, sofreu alterações em relação ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio de 2024 e, por isso, será novamente analisada pelos deputados.

    Senado deve votar nesta quarta-feira (23) um conjunto de regras para transporte aéreo de animais.

    Senado deve votar nesta quarta-feira (23) um conjunto de regras para transporte aéreo de animais.Zanone Fraissat/Folhapress

    O projeto ganhou visibilidade após a morte do cão Joca, que foi enviado ao destino errado pela Gollog, empresa da Gol Linhas Aéreas. A versão da Câmara previa medidas mais rígidas: obrigava o transporte de cães e gatos na cabine, junto aos tutores, e determinava que todas as companhias aéreas disponibilizassem serviço de rastreamento em tempo real.

    Já o substitutivo do Senado flexibiliza esses pontos. O transporte de animais poderá ser feito tanto na cabine quanto no porão, dependendo do porte do pet. A regulamentação caberá à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    O texto obriga as companhias aéreas a aceitarem o transporte de animais, o que hoje é facultativo – com exceção dos cães-guia, cujo embarque já é garantido por lei. Também prevê a criação de um sistema de monitoramento, mas sem a obrigatoriedade expressa do rastreamento.

    Além disso, as empresas poderão recusar o embarque de animais com problemas de saúde, salvo se o tutor assinar um termo de responsabilidade. Em caso de morte ou lesão do animal durante o voo, a companhia responderá, mesmo sem culpa, exceto se o pet já estiver doente ou o dano for causado pelo tutor. Também caberá ao passageiro zelar pela limpeza do assento, arcando com eventuais danos causados.

    Se aprovado, o projeto seguirá para a Câmara dos Deputados, onde será novamente avaliado antes se seguir para a sanção do presidente Lula.

  • Ao vivo: CCJ do Senado debate PEC de fim da reeleição

    Ao vivo: CCJ do Senado debate PEC de fim da reeleição

    A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado debate nesta quarta-feira (23) uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a reeleição para chefes do Poder Executivo – prefeitos, governadores e presidente da República. O texto também propõe o aumento da duração dos mandatos e a unificação das datas das eleições no país. Assista ao debate abaixo, em vídeo.

    O texto precisa passar pela CCJ antes de seguir a uma comissão especial e, depois, ao plenário do Senado.

    De autoria do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), a PEC recebeu parecer favorável de Marcelo Castro (MDB-PI), que apresentou um substitutivo incorporando outras mudanças estruturais no sistema político-eleitoral brasileiro. A proposta fixa em cinco anos o mandato para os cargos de presidente, governador e prefeito, atualmente de quatro anos com possibilidade de recondução por mais quatro. A medida, segundo os defensores, passaria a valer apenas a partir de 2030, permitindo que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorra à reeleição em 2026, caso deseje.

    O senador Marcelo Castro (MDB-PI) é o relator da proposta.

    O senador Marcelo Castro (MDB-PI) é o relator da proposta.Geraldo Magela/Agência Senado

    O substitutivo de Marcelo Castro propõe também o aumento do tempo de mandato para vereadores e deputados (de quatro para cinco anos) e para senadores (de oito para dez anos). A justificativa é dar mais estabilidade política e reduzir a frequência de eleições, que mobilizam grandes recursos públicos.

  • Quem é Alessandro Stefanutto, presidente do INSS afastado

    Quem é Alessandro Stefanutto, presidente do INSS afastado

    Nomeado com a missão de modernizar e dar transparência à maior autarquia do país, Alessandro Antonio Stefanutto foi afastado, por decisão judicial, nesta quarta-feira (23), do cargo de presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por decisão judicial, no âmbito de uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apura um “esquema de fraudes que teria desviado R$ 6,3 bilhões” dos benefícios de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

    Stefanutto e Carlos Lupi durante cerimônia de posse do presidente do INSS

    Stefanutto e Carlos Lupi durante cerimônia de posse do presidente do INSSAscom/Ministério da Previdência

    Alessandro Stefanutto é um procurador federal de carreira, com especialização em temas relacionados à administração pública, seguridade social e justiça fiscal. Embora seja filiado ao PSB, o presidente do partido, Carlos Siqueira, diz que ele não foi indicado pelo partido, mas uma escolha pessoal do ministro da Previdência, Carlos Luppi.

    O PSB divulgou nota sobre o assunto: “Em face da operação desta quarta-feira (23) da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), o Partido Socialista Brasileiro (PSB) esclarece que Alessandro Stefanutto, presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não é indicação do partido, embora seja seu filiado. O PSB manifesta seu total apoio à apuração dos fatos, com a expectativa de que, respeitados o devido processo legal e o amplo direito de defesa, as denúncias sejam plenamente esclarecidas”.

    A PF ainda não divulgou quais suspeitas pesam contra o presidente do INSS. Detalhes da operação devem ser divulgadas em entrevista coletiva no final da manhã. O Ministério da Previdência e o INSS ainda não se manifestaram.

    Posse e metas no comando do INSS

    A posse de Stefanutto na presidência do INSS ocorreu em 11 de julho de 2023, com presença do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e de diversas autoridades. Em seu discurso, ele destacou o desafio de reduzir a fila de 1,7 milhão de requerimentos, modernizar a plataforma Meu INSS e qualificar o atendimento ao público.

    Na cerimônia de posse, Lupi afirmou que empossar Stefanutto no INSS era uma honra e exaltou as qualidades do nomeado. “Continue esse homem reto, leal à causa pública e, principalmente, que não se deixa dobrar por interesses menores. Quem ganha é o povo brasileiro, é o INSS, somos todos nós”, disse.

    Stefanutto fez uma série de agradecimentos e apontou seu principal objetivo à frente do cargo: “Queremos um INSS mais moderno, mas, principalmente, mais humano”. Ele também destacou a responsabilidade de gerir um orçamento superior a R$ 800 bilhões por ano, maior do que o do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), e de atender aos mais de 38 milhões de beneficiários e 52 milhões de contribuintes do regime geral.

    O afastamento e a operação

    A rápida queda de Stefanutto ocorreu no contexto de uma megaoperação que mobilizou 700 policiais federais e 80 servidores da CGU para cumprir 211 mandados de busca e apreensão, seis prisões temporárias e sequestro de bens que ultrapassam R$ 1 bilhão. A sede do INSS em Brasília também foi alvo.

    O esquema investigado envolve descontos associativos não autorizados realizados por entidades conveniadas ao INSS. De acordo com a PF e a AGU, os valores eram debitados diretamente da folha de pagamento de aposentados, sob o argumento de oferecer serviços como planos de saúde e seguros, sem consentimento dos segurados.

    Os investigados podem responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e falsificação de documentos.

    Perfil técnico

    Formado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Stefanutto é pós-graduado em Gestão de Projetos, tem especialização em Mediação e Arbitragem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestrado em Gestão e Sistemas de Seguridade Social pela Universidade de Alcalá, na Espanha.

    Entre 2011 e 2017, foi procurador-geral do INSS, chefiando a Procuradoria-Federal Especializada junto à autarquia. Nesse período, teve papel central na articulação jurídica das ações previdenciárias e na defesa institucional em ações envolvendo o Regime Geral de Previdência Social.

    Também atuou como técnico da Receita Federal do Brasil, com foco em tributos internos e administração aduaneira, e na Consultoria Jurídica do Ministério da Ciência e Tecnologia, exercendo atribuições de assessoramento jurídico a projetos estratégicos.

    Mais recentemente, antes de assumir a presidência do INSS, exercia o cargo de diretor de Finanças e Logística da autarquia, posição estratégica no controle orçamentário e operacional do instituto, responsável por gerenciar os recursos internos e apoiar a modernização do sistema previdenciário.

    Além da carreira técnica, Stefanutto também se destacou na produção acadêmica. É autor do livro Direitos Humanos das Mulheres e o Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos, publicado com prefácio de Maria da Penha Fernandes, símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil. A obra discute mecanismos jurídicos internacionais voltados à proteção das mulheres.

  • SUS vai oferecer vacina contra herpes-zóster, garante Padilha

    SUS vai oferecer vacina contra herpes-zóster, garante Padilha

    Durante audiência com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na noite desta terça-feira (22), a deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO) propôs a inclusão da vacina contra o herpes-zóster no Sistema Único de Saúde (SUS). A resposta do ministro foi positiva: segundo ele, a incorporação do imunizante à rede pública está entre as prioridades da pasta.

    “Pode ter certeza, que é uma prioridade nossa, enquanto ministro da Saúde, que essa vacina possa estar no Sistema Único de Saúde. A gente pode fazer grandes campanhas de vacinação para as pessoas que têm indicação de receber essa vacina. Pode contar conosco”, afirmou Padilha durante a reunião.

    Após solicitação de Adriana Accorsi, ministro garante inclusão da vacina contra herpes-zóster nas prioridades do SUS

    Após solicitação de Adriana Accorsi, ministro garante inclusão da vacina contra herpes-zóster nas prioridades do SUSComunicação/Ministério da Saúde

    O pedido da deputada se baseia em experiência pessoal. Ela relatou ter sido diagnosticada com a infecção no mês passado, quando ficou internada por cinco dias em Goiânia. “Fui acometida por essa doença no último mês e senti na pele seus efeitos dor intensa, lesões na pele e riscos de sequelas graves como cegueira, surdez, paralisia cerebral e muitos outros sofrimentos, especialmente para pessoas acima dos 50 anos”, comentou.

    O que é o herpes-zóster

    A doença é causada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora, que pode permanecer adormecido no organismo e se reativar anos depois. Os sintomas incluem dor intensa, bolhas na pele e, em casos graves, sequelas neurológicas.

    Pessoas com mais de 50 anos, imunossuprimidas ou sob estresse elevado têm maior risco de desenvolver a infecção. A vacina, disponível apenas em clínicas particulares, pode reduzir a ocorrência da doença e de complicações como a neuralgia pós-herpética dor crônica que persiste após a fase aguda.

    Estudos indicam que os casos aumentaram 35% após a pandemia de Covid-19. Entre 2019 e 2023, o Brasil registrou uma média de 70 mil novos diagnósticos por ano.

  • Isenção do IR é mais importante que anistia na Câmara, diz Hugo Motta

    Isenção do IR é mais importante que anistia na Câmara, diz Hugo Motta

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta quarta-feira (23) que não vai deixar a pauta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro prejudicar o andamento do projeto de isenção ao Imposto de Renda enviado pelo governo Lula. A declaração foi feita no evento “Pulso Econômico: As Novas Regras do Jogo”, organizado pela CNN Brasil.

    Em debate com a participação do ministro Fernando Haddad (Fazenda), Hugo disse que a isenção do IR é uma prioridade da Casa legislativa. “Não vamos permitir que outras pautas, não só a anistia, mas qualquer outro projeto, prejudique o andamento de um projeto importante como esse”, disse.

    Mais adiante, questionado sobre qual dos dois projetos considera mais importante, o presidente da Câmara respondeu: “Penso que, para a população brasileira, numa ordem de prioridade, a matéria do imposto de renda tem, sim, um apelo muito maior. Porque nós estamos tratando de possibilitar as pessoas que menos têm de ter uma renda a mais”.

    Promessa de campanha do presidente Lula, o projeto enviado pelo governo ao Congresso isenta a população que ganha de até R$ 5 mil por mês de pagar Imposto de Renda. O projeto está na Câmara sob a relatoria do deputado Arthur Lira (PP-AL) e, segundo Hugo Motta, deve sofrer modificações na Casa: “Seria impossível o Congresso não mexer numa proposta como essa, porque é do Congresso essa discussão. É lá onde as leis são lapidadas, e o nosso papel, nossa função, é trabalhar para melhorar o texto do governo”.