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  • Governo suspende exportação de frango do RS após caso de gripe aviária

    Governo suspende exportação de frango do RS após caso de gripe aviária

    Caso de gripe aviária foi registrado no RS.

    Caso de gripe aviária foi registrado no RS.Freepik

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, das exportações de carne de frango originadas no estado do Rio Grande do Sul. A decisão passa a valer a partir desta sexta-feira (16) e ocorre após a confirmação do primeiro foco de gripe aviária em uma granja comercial na cidade de Montenegro, no interior do Estado.

    A medida segue protocolos internacionais previamente firmados com parceiros comerciais, como a China e a União Europeia, e visa preservar a confiança sanitária dos mercados importadores em relação aos produtos brasileiros. Tanto os europeus quanto os chineses já haviam determinado a suspensão da compra de carne de frango do Brasil após o caso registrado, antecipando a adoção do chamado auto embargo por parte do governo federal.

    De acordo com o MAPA, a suspensão das exportações faz parte do protocolo de resposta a surtos de influenza aviária de alta patogenicidade e busca conter possíveis impactos mais amplos sobre o setor avícola nacional. A pasta não estabeleceu prazo para o restabelecimento das exportações e informou que a liberação dependerá do controle do foco e da avaliação sanitária subsequente.

    Este é o primeiro caso da doença registrado em aves de produção comercial no Brasil. Desde que a gripe aviária foi identificada pela primeira vez no país, em 2023, os registros anteriores estavam restritos a aves silvestres. A doença, que circula em diferentes regiões do mundo desde 2006, é considerada de alto risco para a avicultura e impõe barreiras sanitárias ao comércio internacional.

    O governo federal informou que continuará monitorando a situação e adotando medidas de contenção em conformidade com as normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O setor produtivo também será comunicado das diretrizes a serem seguidas enquanto durar a suspensão.

  • INSS já recebeu 1 milhão de queixas por descontos indevidos

    INSS já recebeu 1 milhão de queixas por descontos indevidos

    Mais de 1 milhão de aposentados e pensionistas do INSS já contestaram descontos não autorizados feitos por entidades associativas em seus benefícios. Segundo balanço divulgado pelo INSS nessa quinta-feira (15), 1.051.238 segurados registraram solicitações de reembolso por meio da plataforma Meu INSS ou pelo telefone 135. Outros 17.963 afirmaram que os descontos foram autorizados.

    Golpe contra aposentados e pensionistas foi revelado pela Operação Sem Desconto.

    Golpe contra aposentados e pensionistas foi revelado pela Operação Sem Desconto.Renato S. Cerqueira/Ato Press/Folhapress

    O serviço, que permite verificar os abatimentos realizados nos últimos anos e informar se foram ou não consentidos, está em operação desde terça-feira (13). A contestação pode gerar a abertura de processo administrativo para reembolso dos valores cobrados indevidamente.

    Entenda o escândalo que levou à demissão do ministro da Previdência

    Ao todo, 41 entidades associativas foram questionadas nas reclamações todas elas mantêm ou mantiveram vínculo com o INSS para realização desses descontos. Desde o início da operação, cerca de nove milhões de beneficiários começaram a ser notificados sobre os débitos.

    O sistema “Consultar Descontos de Entidades Associativas”, disponível no aplicativo Meu INSS, agora permite identificar a associação responsável pelo desconto.

    A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União investigam o envolvimento de organizações criminosas que, sem autorização, vinculavam segurados a associações e realizavam descontos fraudulentos em seus benefícios previdenciários. Mais de 4,3 milhões de usuários já consultaram a plataforma desde o lançamento do serviço.

    Não há prazo final para solicitar reembolso. As entidades contestadas deverão comprovar, em até 15 dias úteis, que houve adesão voluntária do beneficiário ou providenciar a devolução dos valores ao Tesouro Nacional, que posteriormente os repassará à conta do segurado. A documentação deverá ser enviada por uma plataforma disponibilizada pela Dataprev.

    Beneficiários que não tiveram descontos indevidos receberam a mensagem: “Fique tranquilo, nenhum desconto foi feito no seu benefício”.

    O INSS alerta que não envia mensagens por e-mail, WhatsApp, SMS ou ligações fora dos canais oficiais. A autarquia reforça: “O contato com os beneficiários será feito exclusivamente por notificação no aplicativo Meu INSS. Evite clicar em links suspeitos e não forneça dados pessoais se receber alguma ligação”.

    Dúvidas devem ser esclarecidas pelo canal oficial de atendimento 135. Informações também estão disponíveis no site e nas redes sociais verificadas do INSS.

  • Número de mortes no Brasil cai 5% em 2023, no pós-pandemia

    Número de mortes no Brasil cai 5% em 2023, no pós-pandemia

    O número total de óbitos no Brasil caiu 5% em 2023, chegando a 1,43 milhão. A maior queda foi no grupo de idosos com 80 anos ou mais: 38 mil mortes a menos, uma redução de 7,9%, segundo dados do IBGE. A pandemia de covid-19, que ainda provocava mortes em 2022, teve impacto residual no último ano.

    A redução foi registrada em todas as regiões do país, com destaque para Sul (-8%) e Nordeste (-5,3%).

    A queda nos óbitos, especialmente entre idosos, reflete o fim do estado de emergência declarado pela OMS em 2023, sinalizando a retomada da normalidade demográfica após o auge da pandemia. Também destaca o avanço do envelhecimento populacional, um processo que traz impactos fiscais importantes. Com mais pessoas vivendo por mais tempo, aumenta a demanda por aposentadorias, cuidados de longo prazo e políticas de saúde específicas.

    Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

    Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    Do total de mortes, 783 mil foram de homens e 646 mil de mulheres.

  • Frente da Agropecuária defende ação diplomática após gripe aviária

    Frente da Agropecuária defende ação diplomática após gripe aviária

    A Frente Parlamentar da Agropecuária se pronunciou nesta sexta (16) sobre o foco de gripe aviária H5N1 registrado em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Em nota, o grupo defende que o governo federal atue de forma coordenada com os parceiros comerciais do Brasil para preservar o fluxo internacional de produtos.

    “Reforçamos a importância de o governo brasileiro manter comunicações claras e constantes com nossos parceiros comerciais internacionais, evitando possíveis interrupções no fluxo de produtos”, diz o documento, publicado após a confirmação do primeiro caso do vírus em criação avícola de escala comercial no país.

    Bloco também reforça confiança no serviço sanitário e apoio ao produtor rural.

    Bloco também reforça confiança no serviço sanitário e apoio ao produtor rural.Celio Messias/Folhapress

    O posicionamento também ressalta o papel dos produtores rurais no enfrentamento da crise sanitária. “É imprescindível que os produtores rurais continuem adotando ações rápidas e eficazes, isolando imediatamente a área afetada e aplicando medidas sanitárias rigorosas para eliminar o foco identificado”.

    A nota destaca ainda que o consumo de carne de frango e ovos segue seguro. “Importante destacar, conforme posicionamento técnico do setor produtivo nacional, que não há risco de contaminação ao consumidor final”.

    A Frente também manifesta apoio ao trabalho do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Temos plena confiança no serviço de defesa agropecuária do Ministério (…) reconhecido pela competência técnica e eficiência em situações de emergência sanitária”.

    Por fim, o grupo parlamentar informa que seguirá acompanhando os desdobramentos. “A FPA segue acompanhando atentamente as ações de contenção e controle, reforçando seu compromisso em apoiar integralmente os produtores rurais afetados”.

  • O preço da sorte: produções que mostram bastidores dos jogos de azar

    O preço da sorte: produções que mostram bastidores dos jogos de azar

    A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, instaurada em novembro de 2024 no Senado, tem como objetivo investigar a influência dos jogos de apostas online no orçamento das famílias brasileiras, possíveis vínculos com organizações criminosas e o papel de influenciadores digitais na promoção dessas plataformas. Nesta semana, a comissão ouviu os depoimentos de Virgínia Fonseca e Rico Melquiades, ambos influenciadores digitais com ampla presença nas redes sociais.

    O Brasil acompanhou as declarações pela TV e pelas redes sociais, e a repercussão ganhou força, colocando o universo das apostas e dos jogos de azar no centro do debate público. Diante disso, o Congresso em Foco preparou uma curadoria especial de filmes para quem quer entender melhor os impactos sociais das apostas e o funcionamento de um mercado que lucra milhões à custa de seus usuários.

    Imagem do filme Aposta Máxima (2013), disponível no Prime Video.

    Imagem do filme Aposta Máxima (2013), disponível no Prime Video.Divulgação/PrimeVideo

    Veja a lista completa:

    1- Aposta Máxima (2013)

    Gênero: Suspense/Drama

    Classificação indicativa: 14 anos

    Onde assistir: Prime Video

    Um estudante universitário perde tudo em uma partida de pôquer online e viaja até a Costa Rica para confrontar o dono do site, entrando num perigoso mundo de jogos virtuais e fraudes.

    2- Mississippi Grind (2015)

    Gênero: Drama

    Classificação indicativa: 16 anos

    Onde assistir: Prime Video

    Um jogador veterano com azar crônico conhece um jovem carismático e os dois embarcam em uma jornada pelos Estados Unidos, frequentando cassinos e jogos clandestinos em busca de um grande prêmio.

    3- Jogo do Dinheiro (2017)

    Gênero: Drama/Biografia

    Classificação indicativa: 14 anos

    Onde assistir: Max

    Baseado em fatos reais, o filme retrata Molly Bloom, ex-esquiadora olímpica que se torna organizadora de jogos ilegais de pôquer de alto nível para milionários, até ser investigada pelo FBI.

    4- Quebrando a Banca (2008)

    Gênero: Drama/Suspense

    Classificação indicativa: 12 anos

    Onde assistir: Netflix

    A trama acompanha o estudante de matemática convocado por um professor a participar de um grupo treinado para contar cartas e aplicar golpes. Explorando as falhas nos sistemas de cassinos de Las Vegas, eles reúnem uma quantia milionária de dinheiro sem levantar suspeitas, até que as coisas começam a desandar.

    5- Tirando a Sorte Grande (2012)

    Gênero: Drama/Biografia

    Classificação indicativa: 14 anos

    Onde assistir: Prime Video (R$6,90)

    Baseado em uma história real, o filme acompanha a trajetória da família Pelayo, liderada por Gonzalo García-Pelayo, um homem comum que percebe um detalhe crucial: as roletas dos cassinos físicos não são perfeitas. Por meio de análises estatísticas minuciosas, ele e seus filhos identificam padrões repetitivos nos resultados das roletas e criam um sistema matemático capaz de gerar apostas certeiras e vencer legalmente, desafiando as normas do jogo.

    6- Dark Web: Cicada 3301 (2021)

    Gênero: Ação/ Suspense /Tecnologia

    Classificação indicativa: 16 anos

    Onde assistir: Prime Video

    Na história, um hacker rebelde, seu melhor amigo e uma bibliotecária se envolvem em uma competição global patrocinada por uma organização secreta. O “jogo” é composto por enigmas sofisticados, desafios físicos e uma corrida contra o tempo, tudo embalado por códigos criptografados e pistas espalhadas pela internet. A competição parece lúdica no início, mas logo se revela perigosa e mortal, misturando o mundo virtual com ameaças do submundo digital e da própria deep web.

    7- Lucky You: Jogo de Amor em Las Vegas (2007)

    Gênero: Drama/Romance

    Classificação indicativa: 12 anos

    Onde assistir: Max

    Huck Cheever é um jogador de pôquer profissional com enorme talento, mas sabotado por suas próprias emoções. Vivendo em Las Vegas, ele enfrenta a pressão de competir no prestigioso World Series of Poker enquanto lida com mágoas do passado especialmente a relação difícil com seu pai, também jogador.

  • Projeto prevê ampliação de secretarias de políticas para mulheres

    Projeto prevê ampliação de secretarias de políticas para mulheres

    O projeto de lei 929/25, em tramitação na Câmara dos Deputados, visa incentivar a criação e implementação de secretarias de políticas para as mulheres nos estados e municípios brasileiros. O projeto prevê que o governo federal ofereça apoio financeiro, logístico, técnico e capacitação para os gestores responsáveis por essas secretarias.

    Unidade de secretaria de políticas para mulheres.

    Unidade de secretaria de políticas para mulheres.Ascom/Prefeitura de Vitória da Conquista

    Adicionalmente, o governo federal deverá desenvolver uma plataforma digital para aprimorar a comunicação, compartilhamento de práticas recomendadas e coordenação entre as secretarias em todo o país. Essa plataforma visa integrar ações e otimizar o uso dos recursos disponíveis.

    Os entes federativos que aderirem ao programa deverão criar ou fortalecer suas Secretarias de Políticas para as Mulheres, além de elaborar e executar um plano de ação com metas, indicadores e recursos específicos. Também deverão alocar recursos orçamentários próprios para financiar as políticas para mulheres e estabelecer mecanismos de monitoramento e avaliação, visando à transparência e eficácia na execução dessas políticas.

    O Ministério das Mulheres, em colaboração com outros órgãos federais, definirá critérios para a distribuição dos incentivos financeiros, priorizando municípios e estados com menor cobertura de políticas para mulheres e maiores índices de violência de gênero e desigualdade de direitos. O Ministério também coordenará e apoiará os estados e municípios na formulação de estratégias locais, respeitando as características regionais e culturais de cada localidade, além de promover campanhas de conscientização sobre a importância dessas secretarias.

    A cada seis meses, o Ministério das Mulheres apresentará um relatório de acompanhamento e avaliação do programa, incluindo o número de secretarias criadas ou fortalecidas, os recursos financeiros transferidos e a efetividade das ações e serviços oferecidos.

    O deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), autor do projeto, destaca que, em 2024, havia 1.045 secretarias de políticas para as mulheres em municípios brasileiros, um aumento expressivo em comparação às 258 secretarias existentes em 2023.

    “A realidade é que apenas uma pequena parte dos mais de 5.500 municípios do Brasil possui uma secretaria de políticas para as mulheres, evidenciando a enorme lacuna existente na implementação de políticas públicas voltadas para o público feminino em muitas localidades”, aponta Mandel.

    Segundo o deputado, a falta dessa estrutura administrativa nos municípios prejudica o atendimento às necessidades das mulheres, principalmente em áreas remotas ou nas regiões Norte e Nordeste.

    “Uma estrutura administrativa própria para as mulheres pode garantir a defesa contínua de seus direitos, o fortalecimento da rede de acolhimento e atendimento especializado para vítimas de violência, o acesso à informação e serviços de saúde e educação, e a implementação de políticas de igualdade salarial, entre outras medidas essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa”, argumenta o deputado.

    O projeto será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

  • CBF recorre ao STF para manter Ednaldo na presidência

    CBF recorre ao STF para manter Ednaldo na presidência

    A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pediu nesta quinta-feira (15) que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspenda imediatamente a decisão do desembargador Gabriel Zéfiro, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que afastou Ednaldo Rodrigues da presidência da entidade e nomeou Fernando Sarney como interventor. A CBF acusa o magistrado de usurpar a competência do STF e violar seu estatuto interno.

    Ednaldo Rodrigues foi afastado da presidência da CBF por decisão da Justiça do Rio.

    Ednaldo Rodrigues foi afastado da presidência da CBF por decisão da Justiça do Rio.Marcos Vidal/Agencia Enquadrar/Folhapress

    O pedido alega de que a decisão fere diretamente uma decisão anterior do ministro do STF Gilmar Mendes. O ministro havia validado um acordo entre dirigentes da confederação e a Federação Mineira de Futebol que permitiu a eleição de Ednaldo em 2022 e assegurou a autonomia da CBF diante de interferências judiciais.

    Acusações à Justiça do Rio

    Na peça enviada à Suprema Corte, a CBF afirma que:

    • o TJ-RJ desrespeitou a liminar do STF ao anular acordo judicial sem ter competência para isso;
    • a decisão foi tomada com base em documentos extrajudiciais e unilaterais;
    • houve violação ao devido processo legal, com atos processuais sem contraditório e com prazos exíguos.

    A confederação afirma que o desembargador ignorou que o questionamento sobre o consentimento de um dos signatários do acordo (o ex-presidente Coronel Nunes) deveria apenas instruir o STF, não permitir a anulação direta do acordo homologado pela Corte.

    Defesa da autoridade do STF

    A CBF sustenta que, se o acordo for considerado inválido, isso automaticamente reativa a decisão liminar do Supremo que garantiu Ednaldo no cargo. Qualquer reversão, segundo a entidade, só poderia ser decidida pelo próprio STF.

    A entidade também pede que, caso o afastamento de Ednaldo seja mantido, seja respeitado o estatuto da CBF, que determina que o diretor mais idoso (Hélio Menezes) assuma interinamente – e não Fernando Sarney, cuja nomeação é vista como contraditória, já que ele mesmo contestou a eleição que o teria legitimado como vice.

    Risco de sanções da Fifa

    A CBF alerta para o risco de sanções por parte da Fifa e da Conmebol, que não reconhecem dirigentes nomeados judicialmente, e diz que a decisão compromete a governança do futebol brasileiro.

    O caso está novamente nas mãos do ministro Gilmar Mendes, relator do caso no Supremo.

  • Do afeto à fraude: Câmara quer regras para uso de bebês reborn

    Do afeto à fraude: Câmara quer regras para uso de bebês reborn

    A popularidade dos bonecos hiper-realistas conhecidos como “bebês reborn” chegou à Câmara dos Deputados. Nessa quinta-feira (15), três projetos de lei foram apresentados com abordagens distintas sobre o fenômeno.

    Uma propõe punir quem usa essas bonecas para obter benefícios destinados a crianças; outra sugere acolhimento psicossocial, e a terceira proíbe diretamente o atendimento a esses bonecos em unidades de saúde.

    Bebê reborn levado por influenciadora digital a hospital. Vídeo viralizou e suscitou iniciativas legislativas.

    Bebê reborn levado por influenciadora digital a hospital. Vídeo viralizou e suscitou iniciativas legislativas.Reprodução/Redes sociais

    Os três projetos foram apresentados por parlamentares da oposição: a deputada Rosângela Moro (União-PR) e os deputados Dr. Zacharias Calil (União-GO) e Paulo Bilynskyj (PL-SP). As iniciativas federais surgem após propostas semelhantes nas assembleias legislativas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro e na Câmara Municipal da capital fluminense. 

    Entenda cada uma das propostas apresentadas na Câmara:

    • PL 2320/25: sanção a fraudes com bebês reborn

    Médico pediatra e cirurgião especialista na separação de siameses, Dr. Zacharias propõe multa de 5 a 20 salários mínimos para qualquer pessoa que utilize bebês reborn ou qualquer objeto semelhante para obter benefícios legais garantidos a crianças de colo, como atendimento prioritário em hospitais e filas, uso de assentos preferenciais ou gratuidade em serviços.

    A proposta considera essa prática uma infração administrativa dolosa e também pune tentativas frustradas. A fiscalização ficaria a cargo de órgãos como os Procons e vigilâncias sanitárias, e os valores arrecadados seriam destinados aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente.

    Principais dispositivos:

    • Aplicação de multa de 5 a 20 salários mínimos, dobrada em caso de reincidência;
    • Equiparação de qualquer objeto que simule presença de bebê à boneca reborn;
    • Tentativas frustradas de fraude também serão punidas;
    • Fiscalização a cargo dos Procons e vigilâncias sanitárias;
    • Recursos arrecadados irão para os Fundos da Criança e do Adolescente

    “Trata-se de conduta que, além de afrontar a boa-fé objetiva que deve reger as relações sociais e de consumo, sobrecarrega serviços públicos, notadamente unidades de saúde, retardando o atendimento de crianças que efetivamente demandam cuidado urgente”, justifica o deputado. “Não é uma crítica ao uso do boneco em si, mas ao uso com dolo para obter vantagens indevidas. A lei precisa reagir a essas novas formas de fraude”, argumenta Calil.

    • PL 2323/25: acolhimento psicossocial

    Apresentado pela deputada Rosangela Moro, esse projeto foca na dimensão emocional e terapêutica do uso dos bebês reborn, prevendo diretrizes no âmbito do SUS para acolher psicossocialmente pessoas que desenvolvam vínculos afetivos intensos com esses bonecos.

    A proposta determina que o atendimento se dê dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e proíbe qualquer abordagem estigmatizante ou vexatória. Inclui ainda ações como escuta qualificada, orientação a familiares e produção de dados científicos sobre o tema, em parceria com instituições de ensino e pesquisa.

    A deputada afirma que vínculos afetivos com reborns podem refletir situações de luto, carência emocional ou depressão, e não devem ser tratados como fraude ou ridicularizados.

    Principais diretrizes:

    • Atendimento humanizado sem estigmatização, vexame ou coerção;
    • Ações de escuta qualificada, inclusão terapêutica e apoio a familiares;
    • Estímulo à pesquisa científica e à produção de conhecimento sobre o fenômeno;
    • Parcerias com universidades e centros de pesquisa para estudos clínicos;
    • Utilização da estrutura já existente do SUS.

    “Embora concebidos originalmente como peças artísticas e, em determinados contextos, empregados com fins terapêuticos legítimos, esses objetos têm sido progressivamente incorporados a dinâmicas afetivas complexas, muitas vezes associadas a situações de luto, perdas relacionais, carências emocionais severas ou isolamento social. Em determinados casos, a intensificação do vínculo pode representar mais do que uma expressão inofensiva de afeto: pode configurar indício de sofrimento, retraimento social e até ideação suicida”, alega Rosângela.

    Segundo Rosângela, o projeto visa respeitar a autonomia e a liberdade individual, ao mesmo tempo em que permite a identificação precoce de sinais de sofrimento emocional que podem evoluir para situações de risco. “Trata-se, portanto, de reconhecer que a sociedade contemporânea, atravessada por novas formas de vínculo e subjetivação, exige respostas públicas atualizadas, sensíveis e baseadas em evidências”, afirma a deputada.

    • PL 2326/25: proibição de atendimento em unidades de saúde

    Paulo Bilynskyj propõe a proibição do atendimento a bonecos hiper-realistas em qualquer unidade de saúde pública ou privada, incluindo conveniadas ao SUS. A proposta considera qualquer forma de simulação de atendimento a esses objetos como infração administrativa, passível de punições que vão de advertência à demissão, além de multas para instituições privadas.

    O texto abre exceção apenas para casos terapêuticos específicos, com laudo médico, e para fins acadêmicos ou científicos. O objetivo declarado é preservar os recursos do sistema de saúde e evitar seu desvio para práticas que não envolvem seres humanos reais.

    O deputado sustenta que o uso da infraestrutura do SUS para atender bonecos viola os princípios da eficiência e da moralidade pública.

    Regras principais:

    • Vedação de triagem, acolhimento, prescrição ou qualquer simulação de atendimento clínico a objetos inanimados;
    • Penalidades aos profissionais: advertência, suspensão ou demissão;
    • Sanções às instituições: multa de até R$ 50 mil e até descredenciamento do SUS;
    • Exceções: uso terapêutico com laudo médico e simulações acadêmicas com autorização institucional.

    O projeto responde ao que o autor chama de “desvio inaceitável de finalidade”. Para Bilynskyj, utilizar recursos públicos, tempo de profissionais e espaço físico de unidades de saúde para atender bonecos afronta os princípios constitucionais da moralidade e eficiência administrativa.

    “Os serviços de saúde devem ser utilizados para beneficiar pessoas, não podendo haver destinação de recursos humanos ou materiais a simulações desconectadas da finalidade assistencial”, diz o deputado.

    Ele ressalta que a utilização indevida de recursos públicos pode configurar, ainda, ato de improbidade administrativa, especialmente se houver dano ao erário ou violação dos princípios administrativos. “Profissionais de saúde que incorrerem em condutas incompatíveis com os seus deveres podem ser responsabilizados eticamente pelos respectivos conselhos, conforme os Códigos de Ética Profissional”, sustenta Bilynskyj.

    De acordo com o deputado, o projeto não busca desconsiderar o uso terapêutico, sob orientação de especialistas em saúde mental, dos “bebês reborn” como instrumentos auxiliares em casos clínicos específicos. O texto também assegura a continuidade de simulações educacionais e científicas regulares.

    Os três projetos aguardam despacho da Mesa Diretora e a definição das comissões pelas quais devem tramitar na Câmara. No Senado, até o momento, nenhuma proposta sobre o assunto foi apresentada.

    Rio e Minas

    Como mostrou nessa quinta-feira (15) o Congresso em Foco, um projeto recém-apresentado pelo deputado estadual Cristiano Caporezzo, de Minas Gerais, proíbe expressamente o atendimento a bebês reborn e outros objetos inanimados nas unidades públicas de saúde. O descumprimento poderá resultar em multa de até dez vezes o valor do serviço prestado, a ser revertida para o tratamento de pessoas com transtornos mentais.

    Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Rodrigo Amorim (União) propôs a criação de um programa de saúde mental para pessoas que desenvolvam vínculos emocionais com bebês reborn.

    O objetivo, segundo ele, é prevenir quadros de depressão, suicídio e o uso do boneco como forma de fuga da realidade. O programa deve oferecer ações de prevenção, acolhimento, orientação e acompanhamento contínuo, conduzidas por equipes multidisciplinares compostas por psicólogos, terapeutas e assistentes sociais.

    No último dia 7, a Câmara Municipal do Rio aprovou a inclusão do Dia da Cegonha Reborn no calendário oficial da cidade. A data homenageia as artesãs que produzem os bonecos, conhecidas como “cegonhas”. A proposta, de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB), aguarda sanção ou veto do prefeito Eduardo Paes. A data escolhida para a homenagem foi o dia 4 de setembro.

    No mês passado, uma influenciadora digital publicou um vídeo em que dizia ter levado o bebê reborn ao hospital devido ao seu estado de saúde preocupante. Outra influeniadora simulou um parto com o boneco.

  • STF confirma restrição a candidatos que não prestaram contas no prazo

    STF confirma restrição a candidatos que não prestaram contas no prazo

    O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (15) para confirmar uma regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): candidatos em eleições precisam apresentar a prestação de contas das respectivas campanhas no prazo legal para poderem estar quites com a Justiça eleitoral. Sem isso, eles não podem registrar candidatura para a eleição seguinte.

    Ação protocolada pelo PT questionou regra para descumprimento do prazo de prestação de contas nas eleições.

    Ação protocolada pelo PT questionou regra para descumprimento do prazo de prestação de contas nas eleições.Rubens Cavallari/Folhapress

    O julgamento se refere a uma ação proposta pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra a resolução do TSE. O partido sustenta que a regra é inconstitucional e estabelece uma penalidade desproporcional. Como parâmetro, a legenda trouxe um exemplo: partidos políticos que estão inadimplentes com a Justiça têm os seus repasses financeiros suspensos, enquanto os parlamentares eleitos ficam impedidos de obter a quitação eleitoral até o término do mandato, inviabilizando a eleição seguinte.

    O relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, defendeu a resolução. O ministro argumentou que a resolução não cria uma nova hipótese de inelegibilidade, mas só condiciona o registro de candidatura ao cumprimento do prazo para a prestação de contas. Segundo ele, a prestação é essencial para a transparência do processo eleitoral e previne abuso de poder econômico e práticas como o “caixa 2”. Também disse que um candidato não fica impedido de registrar sua candidatura se tiver as contas reprovadas, mas apenas se não fizer a entrega no prazo, e que a regra é de conhecimento prévio de partidos e candidatos.

    O relator foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. O julgamento foi suspenso, faltando os votos da ministra Cármen Lúcia, que é presidente do TSE, e do ministro Gilmar Mendes.

  • STF decide se Congresso vai ter que tipificar retenção de salário

    STF decide se Congresso vai ter que tipificar retenção de salário

    O plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) começa nesta sexta-feira (16) o julgamento que pode determinar um prazo para o Congresso legislar sobre retenção salarial. A ação, protocolada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2023, aponta omissão do Legislativo brasileiro por não deliberar sobre o tema.

    Relator do caso, o ministro Dias Toffoli é o primeiro a registrar seu voto no plenário virtual do STF.

    Relator do caso, o ministro Dias Toffoli é o primeiro a registrar seu voto no plenário virtual do STF.Pedro Ladeira/Folhapress

    A Constituição de 1988 estabelece como crime a retenção dolosa do salário, quando um empregador intencionalmente deixa de entregar a um funcionário o pagamento estabelecido em contrato. Mas ainda falta uma lei que tipifique esse crime e estabeleça uma pena aplicável. A PGR afirma que essa lacuna faz com que quem cometa a retenção siga impune criminalmente, o que faz com que o direito ao salário fique sem a proteção que a Constituição estabelece.

    Com base nisso, o pedido requer que isso seja reconhecido como omissão por parte dos legisladores, e que se estabeleça um prazo razoável para que o Congresso aprove uma lei sobre o tema.

    O caso tem a relatoria do ministro Dias Toffoli e está no plenário virtual da Corte, onde será votado pelos 11 ministros do STF. O julgamento começa nesta sexta-feira às 11h e vai até a sexta que vem, à meia noite. Nesse período, cada um dos ministros deve registrar o seu voto no sistema. Se pelo menos seis ministros concordarem a respeito do tema, a Corte forma maioria para confirmar uma decisão.