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  • Pela quarta vez, Braga Netto tem pedido de liberdade negado

    Pela quarta vez, Braga Netto tem pedido de liberdade negado

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um novo pedido de liberdade provisória apresentado pela defesa do General da reserva Walter Braga Netto, preso preventivamente desde dezembro de 2024. Com isso, o ex-ministro da Defesa e vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022 passa a contabilizar quatro respostas negativas.

    A defesa havia solicitado a soltura com base “tratamento igualitário em relação aos corréus” e invocou o princípio da isonomia, citando a decisão de 17 de julho, quando o ex-presidente recebeu uma série de medidas restritivas no lugar de uma prisão preventiva diante de indícios de obstrução de justiça. Moraes, no entanto, rejeitou o argumento.

    Moraes afirma que a conduta de Braga Netto (foto) justifica prisão, mesmo após fim da fase de instrução.

    Moraes afirma que a conduta de Braga Netto (foto) justifica prisão, mesmo após fim da fase de instrução.
    Pedro Ladeira/Folhapress

    Segundo o ministro, “a situação fática do réu Walter Souza Braga Netto é diferente de Jair Messias Bolsonaro, uma vez que os fundamentos para a manutenção da custódia cautelar são específicos às condutas do requerente”.

    Ordem pública em cheque

    De acordo com o ministro, há “relevantes indícios de que o investigado Walter Souza Braga Netto atuou ativamente nos atos relacionados à tentativa de Golpe de Estado e da Abolição do Estado Democrático de Direito”. Moraes afirmou que o ex-ministro teria exercido papel de “liderança, organização e financiamento” no planejamento das ações golpistas.

    A decisão também menciona o uso de “técnicas militares e terroristas” e até a possível execução de autoridades do Judiciário. A prisão preventiva, segundo Moraes, permanece justificada “para assegurar a aplicação da lei penal e resguardar a ordem pública” diante do “perigo gerado pelo estado de liberdade do custodiado”.

    Corréu de Bolsonaro na ação penal do golpe, Braga Netto responde, entre outras condutas, por ter financiado e orquestrado o plano “Punhal Verde e Amarelo”, quando militares aliados de seu grupo político tentaram assassinar o ministro Alexandre de Moraes, bem como o presidente Lula, recém eleito, e seu vice Geraldo Alckmin. Ele também é acusado de ter tentado obter vazamentos da delação premiada do Tenente-Coronel Mauro Cid.

    Instrução encerrada

    Em outro ponto, a defesa alegou que a instrução criminal já havia sido concluída, o que enfraqueceria os motivos para manter a prisão preventiva. No pedido, a defesa afirmou que “inexiste investigação ou ato instrutório a serem protegidos”, o que afastaria o risco que havia justificado a prisão inicialmente.

    Moraes refutou o pedido ao afirmar que “os requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal ainda permanecem presentes, justificando a manutenção da prisão cautelar”. Ele reforçou que o curso da ação penal deve ser protegido até sua conclusão e que a gravidade das condutas atribuídas ao general justifica a continuidade da custódia.

    O artigo citado pelo ministro afirma que a prisão preventiva poderá ser decretada “como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado”.

    Veja a íntegra da decisão de Moraes.

  • Tarifaço entra em vigor: entenda o que muda e como o Brasil reage

    Tarifaço entra em vigor: entenda o que muda e como o Brasil reage

    Entrou em vigor nesta quarta-feira (6) o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, afetando de forma direta setores estratégicos da economia nacional. A medida foi oficializada pelo presidente norte-americano Donald Trump no fim de julho, sob alegação de “ameaça à segurança nacional dos EUA” – um argumento classificado por autoridades brasileiras como infundado e politicamente motivado.

    Com os impactos já sentidos no mercado financeiro e nas exportações, o governo brasileiro se mobiliza para proteger a economia nacional. Um plano emergencial com até 30 medidas está em fase final de elaboração e será anunciado a qualquer momento. O Banco Central informou nessa terça-feira (5) que o tarifaço traz incertezas que tornam inviável, em um curto prazo, a redução da taxa de juros.

    Lula, Haddad e Alckmin: trio discute medidas para proteger setores mais afetados com a sobretaxa.

    Lula, Haddad e Alckmin: trio discute medidas para proteger setores mais afetados com a sobretaxa.Fatima Meira/Agencia Enquadrar/Folhapress

    Como o Brasil está reagindo

    Diante da gravidade da medida americana, uma força-tarefa coordenada pelos ministérios da Fazenda, Relações Exteriores, Desenvolvimento, Indústria e Comércio e a Casa Civil elaborou uma resposta estruturada, baseada em cinco frentes principais:

    • Linhas de crédito emergenciais

    O governo pretende lançar empréstimos com juros reduzidos para empresas fortemente dependentes do mercado americano, com destaque para pescados, carnes, café e máquinas agrícolas.

    • Compras públicas para aliviar o setor produtivo

    O poder de compra do Estado poderá ser usado para absorver estoques excedentes e evitar demissões em massa, especialmente em regiões exportadoras.

    • Apoio direcionado a grandes exportadores

    Empresas como a Embraer poderão contar com financiamentos específicos via BNDES para manter sua capacidade produtiva e não perder competitividade global.

    • Diversificação de mercados

    A diplomacia comercial brasileira intensificou negociações com China, União Europeia e Japão, buscando abrir novos destinos para produtos hoje voltados ao mercado americano.

    • Estratégia jurídica e diplomática

    O Brasil prepara uma resposta formal à Seção 301 da lei americana, com apresentação marcada para 18 de agosto, e não descarta acionar a OMC se as negociações não avançarem. A retaliação com tarifas recíprocas, permitida por lei aprovada em abril, segue como último recurso.

    O que é o tarifaço e por que afeta tanto o Brasil

    A sobretaxa eleva de 10% para 50% a tarifa sobre centenas de produtos brasileiros exportados aos EUA. A medida atinge itens de alto valor agregado e grande peso na balança comercial, como:

    • Café
    • Carnes
    • Frutas frescas
    • Máquinas agrícolas
    • Têxteis e calçados
    • Pescados e derivados

    A Embaixada do Brasil em Washington estima que os setores afetados movimentam mais de US$ 9 bilhões por ano em exportações.

    Tema

    Situação atual

    Início da tarifa

    6 de agosto (quarta-feira)

    Alíquota total

    50% sobre produtos afetados

    Exportações mais atingidas

    Café, carnes, pescados, frutas, máquinas agrícolas

    Produtos isentos

    Suco de laranja, petróleo, aviões, minérios

    Medidas do governo

    Crédito, compras públicas, apoio a empresas

    Diplomacia

    Resposta em 18/08 e eventual ação na OMC

    Retaliação

    Ainda descartada

    O que escapou da sobretaxa

    Cerca de 700 produtos brasileiros foram isentos da tarifa, representando 43% do valor total exportado. Entre os principais itens poupados, estão:

    • Suco de laranja e polpa cítrica
    • Petróleo e derivados
    • Aeronaves civis e peças da Embraer
    • Minérios (ferro, cobre, ouro, alumínio)
    • Celulose, madeira tropical e papel

    Veja a lista dos produtos que escaparam do tarifaço

    Essas isenções ocorreram, segundo os EUA, pela dependência americana desses produtos, e pela ausência de fornecedores alternativos.

    Contexto político e reação do governo

    A decisão de Trump foi tomada com base em motivações políticas, segundo o governo brasileiro, em represália à atuação do STF, especialmente do ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou a medida como “chantagem política” e afirmou que o governo atuará com firmeza para proteger a economia e a soberania nacional.

    “Não há justificativa técnica ou comercial para essas tarifas. É uma agressão à democracia e à soberania do Brasil”, disse Gleisi. Segundo a ministra, o Brasil não cederá a “chantagem política”.

    Efeitos imediatos no mercado

    Desde o anúncio da medida:

    • O Ibovespa caiu 3,15%
    • O real perdeu 0,9% de valor frente ao dólar
    • R$ 6,3 bilhões deixaram a Bolsa de Valores de São Paulo com fuga de investidores estrangeiros

    Analistas apontam que a medida pode pressionar a inflação, comprometer o crescimento do PIB e dificultar o equilíbrio das contas externas.

    Essas exceções representam cerca de 43% das exportações brasileiras para os EUA, aproximadamente US$ 18,4 bilhões, segundo estimativas de associação de comércio bilateral.

    Produtos afetados pelo tarifaço

    Em contrapartida, setores estratégicos como café, carne bovina, pescados e frutas frescas não foram incluídos na lista de isenções e serão penalizados pela tarifa adicional de 50%.

    Por que alguns produtos ficaram isentos?

    As exceções foram justificadas pelo governo dos EUA com base na dependência interna desses produtos ou na falta de substitutos viáveis, como no caso do suco de laranja, onde a produção doméstica concentra-se na Flórida e tem sofrido perdas com pragas e clima adverso.

  • Comissão ouve Padilha sobre MP que cria novo programa do SUS

    Comissão ouve Padilha sobre MP que cria novo programa do SUS

    A comissão mista que analisa a Medida Provisória (MP) 1.301/2025, responsável por criar o novo programa Agora Tem Especialistas, realizará nesta quarta-feira (6), às 15h, sua primeira audiência pública. O convidado será o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que prestará esclarecimentos sobre a proposta.

    A MP, editada pelo governo federal em 30 de maio, tem como objetivo ampliar o acesso da população a consultas, exames e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). O foco é especialmente o tratamento de câncer, uma das principais demandas da rede pública, marcada por longas filas de espera.

    Reduzir fila no SUS é uma das prioridades do ministério, segundo Alexandre de Padilha.

    Reduzir fila no SUS é uma das prioridades do ministério, segundo Alexandre de Padilha.Raul Luciano/Ato Press/Folhapress

    Agilidade com apoio de hospitais privados

    O texto da medida permite a adesão de hospitais privados ao SUS, visando ampliar a oferta de serviços especializados sem necessidade de novos concursos ou construção de unidades. A iniciativa integra os esforços do governo Lula para reduzir a fila de pacientes que aguardam por atendimento com especialistas, como cardiologistas, ortopedistas e oncologistas.

    Além disso, a MP prevê a transformação do Hospital Nossa Senhora da Conceição em Grupo Hospitalar Conceição S.A., e altera diversas legislações da área da saúde, incluindo a Lei Orgânica da Saúde e o marco legal do programa Mais Médicos.

    Comissão tem prazo até setembro

    Instalada nesta terça-feira (5), a comissão tem prazo até o dia 26 de setembro para concluir a análise da MP. O colegiado é presidido pelo deputado Yury do Paredão (MDB-CE), autor do requerimento que convocou Padilha. O vice-presidente é o senador Humberto Costa (PT-PE), e o relator é o senador e médico ortopedista Otto Alencar (PSD-BA).

    Nova audiência com especialistas do setor

    A comissão também aprovou uma segunda audiência pública, marcada para a próxima terça-feira (12), às 14h30. Devem ser convidados representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Conselho Nacional de Saúde e de entidades representativas dos secretários estaduais e municipais de saúde.

    A audiência foi proposta pelo senador Humberto Costa, que pretende ouvir os principais atores do setor antes da apresentação do parecer final sobre a MP.

  • Protesto de bolsonaristas trava indicações para agências reguladoras

    Protesto de bolsonaristas trava indicações para agências reguladoras

    A ofensiva de senadores bolsonaristas em protesto à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já provoca efeitos práticos no Senado. A Comissão de Infraestrutura (CI), presidida por Marcos Rogério (PL-RO), suspendeu a tramitação de indicações a oito agências reguladoras, travando a análise de pelo menos 17 nomes enviados pelo governo ao Congresso desde dezembro do ano passado.

    A decisão, confirmada nesta terça-feira (5), contraria o cronograma acordado em julho pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que previa sabatinas e votações concentradas entre os dias 11 e 15 de agosto. Ao todo, são 39 indicações para órgãos como o Superior Tribunal de Justiça (SJT), o Superior Tribunal Militar (STM) e agências reguladoras (veja a lista).

    Presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Marcos Rogério diz não haver

    Presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Marcos Rogério diz não haver “clima” político para votação de indicações por causa da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.Marcos Oliveira/Agência Senado

    Obstrução como protesto político

    Marcos Rogério, um dos principais aliados de Bolsonaro, afirmou a indicados que buscavam informações que o atual momento é “sensível” e que sabatinas poderiam resultar em rejeições motivadas politicamente.

    O gesto é visto como uma resposta direta à decisão judicial que colocou Bolsonaro em prisão domiciliar, sob a justificativa de obstrução de investigações sobre uma possível tentativa de golpe. A oposição tomou as mesas dos plenários da Câmara e do Senado, nessa terça, e ameaça impedir votações enquanto a prisão de Bolsonaro não for revogada. Eles alegam que o ex-presidente, acusado de tramar um golpe e de obstruir a Justiça, é alvo de perseguição política.

    Trava atinge órgãos essenciais

    Estão entre as agências afetadas pela paralisia:

    • Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN)
    • Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
    • Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
    • Agência Nacional do Petróleo (ANP)
    • Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
    • Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)
    • Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
    • Agência Nacional de Mineração (ANM)

    Muitas dessas instituições operam com diretores substitutos ou com colegiados incompletos, o que compromete decisões regulatórias estratégicas para setores como energia, transporte, telecomunicações e petróleo.

    Governo e Senado tentam manter cronograma

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já comunicou o impasse ao líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner (PT-BA). A expectativa era de que os indicados fossem votados em bloco, após sabatinas simultâneas nas comissões. Sem a leitura dos pareceres, entretanto, os nomes não podem sequer ser votados em comissão, muito menos levados ao plenário.

    A paralisia é mais um episódio da disputa entre a cúpula do Senado e o governo federal, especialmente em torno de nomes ligados ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), adversário político de Alcolumbre.

    Agências em colapso de governança

    Desde o fim de 2024, o governo tenta avançar com as indicações. Mas, sem consenso, as sabatinas foram sendo adiadas. O problema se agrava com a situação crítica em algumas agências, como a Anvisa, que está com três das cinco diretorias vagas.

    O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) chegou a denunciar à Procuradoria-Geral da República (PGR) o acúmulo de funções na diretoria colegiada da Anvisa, alegando que a prática fere a Lei nº 9.986/2000, que rege a gestão dessas autarquias.

    Veja as indicações que passam pela Comissão de Infraestrutura e, por isso, correm o risco de não serem votadas com as demais:

    Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)

    • Edson Victor Eugênio de Holanda, para membro do Conselho Diretor;
    • Octavio Penna Pieranti, para membro do Conselho Diretor.

    Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)

    • Antônio Mathias Nogueira Moreira, para o cargo de diretor;
    • Rui Chagas Mesquita, para o cargo de diretor;
    • Tiago Chagas Faierstein, para o cargo de diretor-presidente.

    Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)

    • Frederico Carvalho Dias, para o cargo de diretor-geral;
    • Renata Sousa Cordeiro, para o cargo de ouvidora.

    Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)

    • Gentil Nogueira de Sá Júnior, para o cargo de diretor;
    • Willamy Moreira Frota, para o cargo de diretor.

    Agência Nacional de Mineração (ANM)

    • José Fernando de Mendonça Gomes Júnior, para o cargo de diretor.

    Agência Nacional do Petróleo (ANP)

    • Artur Watt Neto, para o cargo de diretor-geral;
    • Pietro Adamo Sampaio Mendes, para o cargo de diretor.

    Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

    • Alex Antônio de Azevedo Cruz, para o cargo de diretor;
    • Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio, para o cargo de diretor-geral.

    Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN)

    • Ailton Fernando Dias, para o cargo de diretor de Instalações Nucleares e Salvaguardas;
    • Alessandro Facure Neves de Salles Soares, para o cargo de diretor-presidente;
    • Lorena Pozzo, para o cargo de diretora de Instalações Radioativas e Controle;
  • STF permite visitas de filhos e netos a Bolsonaro em prisão domiciliar

    STF permite visitas de filhos e netos a Bolsonaro em prisão domiciliar

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou nesta quarta-feira (6) as visitas de filhos, netos, netas e cunhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde segunda-feira (4). A decisão (veja a íntegra) permite que os familiares possam visitá-lo sem necessidade de prévia comunicação à Justiça, desde que respeitadas as determinações legais e judiciais já estabelecidas. Entre elas, a de não utilizar celular ou redes sociais.

    Bolsonaro está em prisão domiciliar por decisão do próprio Moraes, relator do Inquérito 4995, após ser acusado de descumprir medidas cautelares impostas anteriormente. No último domingo, o ex-presidente apareceu em vídeos divulgados por seu filho Flávio, senador da República, e pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), em manifestação no Rio e em Belo Horizonte em favor da anistia para os acusados de tentar um golpe de Estado.

    Veja o vídeo que levou Jair Bolsonaro à prisão do

    A medida foi solicitada no âmbito de uma representação da Polícia Federal, sob sigilo, e é parte do processo que investiga o envolvimento do ex-presidente em articulações para obstruir investigações e atentar contra a democracia, segundo a Procuradoria-Geral da República.

    Nessa terça-feira, Bolsonaro recebeu a visita do senador Ciro Nogueira (PP-PI), seu ex-ministro da Casa Civil, após autorização de Alexandre de Moraes. Outros parlamentares fizeram pedido semelhante e aguardam a decisão do ministro.

    O despacho também determina que os advogados de Bolsonaro sejam intimados da decisão, inclusive por meios eletrônicos, e que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja formalmente comunicada.

    O que a decisão de Moraes permite

    Visitas autorizadas a Bolsonaro:

    • Filhos
    • Netos e netas
    • Cunhadas
    • Visitas sem necessidade de agendamento prévio
    • Devem obedecer às restrições legais e judiciais já impostas

    A prisão domiciliar de Bolsonaro foi decretada no dia 4 de agosto de 2025, como consequência de alegado descumprimento de medidas cautelares. O ex-presidente cumpre a ordem judicial em sua residência em um condomínio fechado em Brasília.

  • Moraes autoriza saídas temporárias para Daniel Silveira

    Moraes autoriza saídas temporárias para Daniel Silveira

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu na terça-feira (5) a solicitação para que o ex-deputado federal Daniel Silveira obtenha permissão para ausentar-se temporariamente do estabelecimento prisional onde se encontra detido. A finalidade é a realização de sessões de fisioterapia, em decorrência de intervenção cirúrgica a que foi submetido no joelho.

    A decisão foi prolatada no contexto da Execução Penal (EP) 32. Conforme o teor da decisão, Silveira poderá se ausentar da unidade prisional por um período de até 30 dias, destinados ao tratamento em uma clínica situada em Petrópolis, Rio de Janeiro.

    STF autoriza saídas temporárias a Daniel Silveira para tratamento médica.

    STF autoriza saídas temporárias a Daniel Silveira para tratamento médica. Eduardo Knapp/Folhapress

    Cada deslocamento deverá ser previamente comunicado ao STF, com informações detalhadas sobre a data e o horário dos atendimentos. A comprovação da realização das sessões deverá ser efetuada em até 24 horas após a sua ocorrência.

    A Colônia Agrícola Marco Aurélio Vergas Tavares de Mattos (Seapam), local onde Silveira está cumprindo sua pena, informou ao STF que não possui a infraestrutura física, os equipamentos e a equipe de saúde necessários para assegurar os cuidados médicos adequados. Em julho, o ministro Alexandre já havia autorizado que Silveira fosse submetido à cirurgia.

    Segundo laudo médico, o procedimento cirúrgico teve como objetivo mitigar as dores e instabilidades decorrentes de um trauma no joelho, resultado de uma lesão esportiva ocorrida há aproximadamente cinco anos.

    Em 2022, Daniel Silveira foi condenado pelo STF a uma pena de oito anos e nove meses de reclusão, por ter proferido ameaças ao Estado Democrático de Direito e por tentativa de interferência em processo judicial. Atualmente, ele cumpre pena em regime semiaberto.

    Em dezembro, o livramento condicional que havia sido concedido anteriormente foi revogado, em virtude do descumprimento das condições impostas pelo Supremo.

  • Eduardo Bolsonaro diz atuar por novas sanções dos EUA contra o Brasil

    Eduardo Bolsonaro diz atuar por novas sanções dos EUA contra o Brasil

    O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que continua atuando junto a autoridades norte-americanas para ampliar as sanções contra o Brasil, após a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, “há um sacrifício a ser feito” para enfrentar o que chama de “ditadura de toga” comandada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O parlamentar revelou que sua permanência nos Estados Unidos tem como objetivo pressionar por uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos processos relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Ele também sinalizou que só deixará os EUA se tiver “100% de vitória”, o que significaria a saída de Moraes do STF e o fim das ações judiciais contra Bolsonaro e aliados.

    Eduardo Bolsonaro afirma que está disposto a morar décadas no exterior e que sabe que, se voltar ao Brasil, será preso.

    Eduardo Bolsonaro afirma que está disposto a morar décadas no exterior e que sabe que, se voltar ao Brasil, será preso.Zeca Ribeiro/Agência Câmara

    “Se eu retornar, sei que vou ser preso. Primeiramente, tenho que tirar o Alexandre de Moraes dessa equação, anular ele, isolá-lo. A gente tem que aprovar uma anistia para que alcance todos os perseguidos por Moraes. Os meus planos aqui são: ou tenho 100% de vitória, ou 100% de derrota. Ou saio vitorioso e volto a ter uma atividade política no Brasil, ou vou viver aqui décadas em exílio. É o que eu estou assumindo, estou aceitando esse risco, porque eu acho que vale a pena.”

    Apesar do impacto econômico negativo do tarifaço imposto pelos EUA – que pode reduzir em até US$ 54 bilhões as exportações brasileiras, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) – Eduardo afirmou que “tem valido a pena” a postura de Donald Trump e reforçou seu apoio à medida: “Dou graças a Deus que ele voltou suas atenções para o Brasil. Acho que tem valido a pena”. Na semana passada Trump decretou a taxação de 50% sobre produtos importados do Brasil. A medida entrou em vigor nesta quarta-feira e afeta substancialmente a economia nacional.

    Sobre críticas do agronegócio, setor fortemente afetado pelas tarifas, o deputado disse não ter recebido reclamações: “Até agora nenhum fazendeiro ou produtor agrícola me ligou para dizer que eu deveria parar com as minhas ações. Pelo contrário. Tenho recebido parabéns e tido muito apoio nas redes sociais”.

    Eduardo também confirmou que está trabalhando pela ampliação das sanções. “Trabalho sim, neste sentido. Estou levando a prisão ao conhecimento das autoridades americanas e a gente espera que haja uma reação.”

    O parlamentar afirmou que líderes do Congresso brasileiro, como Hugo Motta e Davi Alcolumbre, podem ser alvo de represálias americanas. “As pessoas que estão em posição de poder têm responsabilidades e estão sendo observadas pelas autoridades americanas. Todos eles estão no radar”, afirmou.

    Questionado sobre como manterá seu mandato fora do Brasil, Eduardo disse que apresentará ofício à presidência da Câmara denunciando perseguição política. “Vou apresentar e, se eles decidirem por não reconhecer os meus argumentos, será mais uma demonstração de que eu sou vítima desse sistema. Posso garantir que eu não vou renunciar.”

    Sobre as eleições de 2026, Eduardo admitiu que pode disputar a Presidência, caso Jair Bolsonaro esteja inelegível e o apoie. “Se, nesse cenário, Jair Bolsonaro quiser me apoiar, eu sairia candidato a presidente da República.”

    O deputado ainda comentou as divergências com expoentes da direita, como Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira. Segundo ele, o foco deve permanecer na atuação de Alexandre de Moraes: “Prefiro nem falar muito para não dar mais pano pra manga. Não é o foco. O foco aqui é o Alexandre de Moraes e combater essa crise institucional.”

    A respeito do governador de São Paulo, ele disse que “cada um tire suas conclusões.”

    Eduardo também reafirmou sua posição contrária a qualquer tentativa de conciliação com Moraes, “Por isso que eu tenho sido muito ácido na minha crítica ao Moraes, colocando ele na prateleira de um psicopata. Não coloco nessa mesma prateleira os outros ministros do STF”, declarou à jornalista Bela Megale.

    Apesar disso, disse ver possibilidade de diálogo com o tribunal. “Não quero destruir o STF. Eu não quero queimar a floresta inteira. Eu não quero acabar com tudo. Estou utilizando um passo a passo para pressionar as autoridades a recobrar a consciência.”

    Questionado sobre sua situação financeira, confirmou a ajuda do pai. “Ele fez uma transferência para mim de R$ 2 milhões e isso não é crime nenhum. Ele desejava ajudar o filho num momento depois de meses aqui em exílio, nos EUA”, disse.

    E também respondeu sobre o tipo de visto que possui: “O que posso dizer é que eu e minha família temos condição de ficar legalmente aqui nos EUA durante um bom tempo. Meu visto é algo que não me preocupa.”

    O deputado afirmou que mantém interlocução frequente com nomes do Partido Republicano e visita “quase toda semana” a Casa Branca. Ele citou reuniões com parlamentares e com o ex-estrategista de Trump, Steve Bannon. “Bannon não está dentro do governo, mas conhece todo mundo. Já participou do primeiro mandato de Trump, da sua estratégia eleitoral de 2016. Ele vive nesse meio político, conhece as pessoas, sabe dos temperamentos, sabe como falar com cada um e tem ajudado bastante dentro desse nível de soft power.”

    Por fim, minimizou os dados do Datafolha, que apontam que 61% dos eleitores rejeitam anistia a Bolsonaro:

    “Não confio em nada do Datafolha, tá? Mas, independentemente disso, é uma questão de justiça, não é uma questão de você fazer uma pesquisa popular.”

  • Obstrução da oposição é uma espécie de AI-5 parlamentar, diz Lindbergh

    Obstrução da oposição é uma espécie de AI-5 parlamentar, diz Lindbergh

    O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), considerou os protestos da oposição, com a ocupação das Mesas Diretoras do Senado e da Câmara, uma “espécie de AI-5 parlamentar”. O deputado fez a comparação em suas redes sociais, nesta terça-feira (5), após oposicionistas realizarem protestos no Congresso contra a prisão de Bolsonaro, que resultou no cancelamento das sessões de hoje.

    “A oposição tem todo direito de fazer obstrução. É direito regimental. Agora, ocupar, na marra, as Mesas do Senado e da Câmara é fazer a mesma coisa que os vândalos do 8 de janeiro fizeram. É agredir uma instituição democrática do Brasil. Impedir seu funcionamento, por meio da violência, é uma espécie de AI-5 parlamentar. A democracia brasileira está sob ataque!”, escreveu o deputado.

    Lindbergh ainda considerou a ação dos parlamentares da oposição uma “vergonha total”. O congressista ainda disse: “Deputados do PL sequestraram a mesa impedindo o funcionamento do parlamento. Isso aqui é um atentado contra o Parlamento, um ataque contra a democracia. Isso daqui é a continuidade do 8 de janeiro”.

    Lindbergh Farias.

    Lindbergh Farias.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Veja o vídeo:

    Protesto da oposição

    Com esparadrapos na boca em denúncia a uma suposta “ditadura” do Judiciário, deputados bolsonaristas ocuparam a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e impediram a realização da sessão plenária marcada para esta terça-feira. Ao lado do deputado Zucco (PL-RS), aparecem Marco Feliciano (PL-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS), Rodolfo Nogueira (PL-MS), Caroline de Toni (PL-SC), Cabo Gilberto Silva (PL-PB), entre outros.

    No Senado, a Mesa foi ocupada pelos seguintes parlamentares: Jaime Bagattoli (PL-MT), Jorge Seif (PL-SC), Izalci Lucas (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES), que ocupou a cadeira do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). “A mobilização é uma resposta à escalada de abusos e perseguições políticas. Não vamos nos calar”, escreveu o senador Capixaba.

    Em entrevista coletiva, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), reconheceu a medida como “radical”, mas necessária para conversar com o presidente da Casa a fim de incluir na pauta de votação projetos defendidos pelo grupo. A oposição quer a anistia, impeachment de Alexandre de Moraes, o fim do foro privilegiado e a revisão das sanções impostas ao senador Marcos do Val (Podemos-ES).

    Ação arbitrária

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, considerou a obstrução da oposição como como um “exercício arbitrário” e “algo inusitado e alheio aos princípios democráticos”. Ele também convocou reunião de líderes para retomar o “bom senso”.

    “O Parlamento tem obrigações com o país na apreciação de matérias essenciais ao povo brasileiro”, iniciou Alcolumbre. “Faço, portanto, um chamado à serenidade e ao espírito de cooperação. Precisamos retomar os trabalhos com respeito, civilidade e diálogo, para que o Congresso siga cumprindo sua missão em favor do Brasil e da nossa população”.

  • Câmara debate interferência de agência americana na soberania nacional

    Câmara debate interferência de agência americana na soberania nacional

    A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara realizará, nesta quarta-feira (6), uma audiência pública para examinar alegações de interferência da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAid) em território nacional.

    O debate foi solicitado por líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ). Segundo o parlamentar, “recentes denúncias sobre a atuação da USAid no Brasil suscitam preocupações acerca da nossa soberania nacional e integridade de nossos processos democráticos”.

    No inquérito, ex-funcionário relata que ajuda da agência escondia influência nas decisões.

    No inquérito, ex-funcionário relata que ajuda da agência escondia influência nas decisões.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Segundo dados apresentados pelo deputado, entre 2023 e 2024, a agência repassou cerca de 44,8 milhões de dólares a organizações não governamentais brasileiras. “Esses recursos foram direcionados a iniciativas que abrangem desde a preservação ambiental na Amazônia até a defesa de pautas de gênero e combate à desinformação”, afirmou.

    Por meio do Consórcio para Eleições e Fortalecimento do Processo Político, a USAid estabeleceu colaborações com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para “enfrentar a desinformação e promover a integridade do processo eleitoral brasileiro”, destacou o deputado na solicitação.

    O ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA Michael Benz participará da audiência como convidado para contar “a real extensão e os objetivos dos financiamentos e das ações promovidas pela USAid em território nacional”.

    USAid

    Fornecedora de cerca de 40% da ajuda humanitária do mundo, a USAid representou a amplicação da presença americana no mundo durante o governo de John F. Kennedy, na Guerra Fria. Em 1º de julho deste ano, a agência foi fechada por Donald Trump, que apontou irregularidades no órgão.

  • Verdade padece em “avalanche de fake news”, diz Gilmar Mendes

    Verdade padece em “avalanche de fake news”, diz Gilmar Mendes

    Nesta terça-feira (5), o ministro Gilmar Mendes assumiu a presidência da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante seu discurso de abertura, o decano reforçou o desafio da Corte em transparecer a atuação em meio ao cenário de polarização e de “narrativas fabricadas”.

    “Temos o desafio de mostrar ao Brasil a verdade sobre a atuação do Supremo tanto no âmbito do pleno, quanto no das turmas. Uma atuação rigorosamente comprometida com a Constituição”, declarou o ministro. “A verdade padece ante a avalanche de fake news e de espúrias narrativas fabricadas”, acrescentou.

    Assista ao pronunciamento:

    Diante do fluxo de informação e desinformação que a bombardeia, afirma o ministro, a sociedade “tem se afundado na polarização e nas tensões políticas, engrenada no sistemático questionamento, senão mesmo ataque frontal à democracia”. Gilmar Mendes também desejou “sensibilidade e muita coragem” à Corte.

    Gilmar Mendes já vinha retomando a retórica em defesa da autonomia do Supremo diante de ataques externos. Na última sexta-feira (1º), durante a primeira sessão do segundo semestre, Gilmar Mendes havia declarado que “o Supremo Tribunal Federal não se dobra a intimidações”, em resposta à pressão do governo dos Estados Unidos para que sejam interrompidos os processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e demais alvos de ações por envolvimento nos ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023.