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  • Brasil mantém diálogo reservado com EUA sobre tarifa de 50%

    Brasil mantém diálogo reservado com EUA sobre tarifa de 50%

    A poucos dias da implementação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que também exerce a função de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, declarou que o Brasil mantém conversações “com reservas” com o governo estadunidense.

    Alckmin reiterou que um plano de contingência está em fase de elaboração, enfatizando que o objetivo principal desta semana reside nas negociações comerciais. “Nós estamos permanentemente no diálogo e quero dizer a vocês que nós estamos dialogando neste momento pelos canais institucionais e com reserva”, afirmou Alckmin durante o lançamento do Programa Acredita Exportação.

    O vice-presidente não deu detalhes específicos sobre as conversas em andamento com os Estados Unidos, nem sobre o plano de contingência que está sendo desenvolvido para oferecer suporte aos setores que serão impactados pela taxação. “O plano de contingência está sendo elaborado, bastante completo, bem feito”, assegurou Alckmin.

    Com tarifa prestes a vigorar, Alckmin fala em

    Com tarifa prestes a vigorar, Alckmin fala em “plano completo”.Bruno Peres/Agência Brasil

    Na semana anterior, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mencionou que o plano de auxílio seria apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante esta semana. Entre as medidas que estão sendo consideradas, incluem-se linhas de crédito destinadas aos setores exportadores.

    Em relação ao Programa Acredita Exportação, cujo projeto de lei e decreto de regulamentação foram formalmente assinados nesta segunda-feira (28) pelo presidente Lula, Alckmin ressaltou que o programa tem o potencial de impulsionar o crescimento de micro e pequenas empresas que atuam no comércio exterior. Segundo ele, o projeto está em consonância com os valores defendidos pelo governo, como a promoção do multilateralismo. “O projeto vem em boa hora, reafirmando valores que o Brasil defende, como multilateralismo”, afirmou Alckmin, durante a solenidade de sanção do decreto.

    De acordo com o programa, a partir de 1º de agosto, data coincidente com a entrada em vigor da tarifa de 50% para produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, as micro e pequenas empresas terão a possibilidade de receber de volta o equivalente a 3% de suas receitas provenientes de vendas externas. O ressarcimento poderá ser efetuado de forma direta ou por meio de compensação de tributos federais, através do desconto de tributos pagos a mais em etapas anteriores da cadeia produtiva.

  • Senadores se reúnem com parlamentares dos EUA para discutir tarifaço

    Senadores se reúnem com parlamentares dos EUA para discutir tarifaço

    Faltando três dias para que entre em vigor a tarifa de 50% sobre exportações brasileiras anunciada por Donald Trump, senadores brasileiros iniciaram nesta terça-feira (29) a fase mais sensível de sua missão oficial aos Estados Unidos. O grupo, composto por oito parlamentares e liderado por Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, busca apoio no Congresso americano e no setor privado para tentar reverter ou adiar a medida, considerada uma das mais agressivas contra o comércio bilateral nos últimos anos.

    A tarifa, prevista para entrar em vigor na sexta-feira (1º), atinge diretamente produtos como aço, alumínio, alimentos e manufaturados, com potencial de provocar prejuízos de até R$ 175 bilhões em dez anos, segundo estimativas da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

    Nelsinho Trad, que lidera a missão do Senado, e a embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti,

    Nelsinho Trad, que lidera a missão do Senado, e a embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti,Ascom/Nelsinho Trad

    Missão estratégica em Washington

    Nesta terça, os senadores têm uma série de reuniões reservadas com congressistas norte-americanos, tanto democratas quanto republicanos, para articular a reabertura de canais políticos entre os parlamentos dos dois países. Os nomes dos interlocutores, entretanto, não foram divulgados por “estratégia e segurança”, conforme afirmou Nelsinho Trad: “Estamos guardando essa informação para que não haja nenhuma interferência no sentido de inibir ou cancelar qualquer agenda previamente marcada.”

    Ao final do dia, a comitiva concederá uma entrevista informal na escadaria do Capitólio, às 18h30 (horário de Washington).

    Resistência bolsonarista e tentativa de boicote

    A agenda da missão ocorre sob clima de tensão política, alimentado por tentativas de interferência do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA desde março em articulações com o governo Trump e parlamentares republicanos.

    Eduardo atua nos bastidores para deslegitimar a missão do Senado e tenta convencer aliados americanos a ignorarem as solicitações brasileiras. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro reivindicou mérito pessoal pela imposição da tarifa e trabalha para manter as sanções como forma de retaliação às ações judiciais contra seu pai no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Em nota divulgada antes da viagem da comitiva, Eduardo criticou duramente os senadores, afirmando que a missão é “vazia de legitimidade” e que “não haverá recuo” por parte do governo Trump enquanto o Brasil não cumprir exigências como a interrupção dos processos judiciais contra Jair Bolsonaro.

    Até mesmo aliados do ex-presidente, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Paraná, Ratinho Jr., e de Minas Gerais, Romeu Zema, têm sido atacados por Eduardo após tentativas diplomáticas para suavizar o impacto das tarifas junto a representantes dos EUA.

    Apoio do setor privado e articulações empresariais

    Na segunda-feira (28), os senadores se reuniram com executivos de grandes corporações norte-americanas. Entre elas, Cargill, ExxonMobil, Johnson & Johnson e Caterpillar, e com representantes da Câmara Americana de Comércio, maior organização empresarial do mundo.

    Durante os encontros, os parlamentares articularam apoio a uma possível manifestação conjunta da Câmara de Comércio, pedindo o adiamento da tarifa, sob o argumento de que a medida prejudica a previsibilidade das cadeias produtivas, inclusive nos EUA.

    “Não viemos com bandeira ideológica, viemos com dados e responsabilidade. O ‘não nós já temos, viemos correr atrás do ‘sim”, disse Nelsinho Trad.

    Especialistas jurídicos e econômicos também alertaram que, mesmo que haja derrotas judiciais, a Casa Branca pode reinstaurar tarifas por outros instrumentos legais, o que torna ainda mais crucial a pressão política direta no Congresso americano.

    A agenda oficial dos senadores prossegue na quarta-feira (30) com dois compromissos estratégicos:

    8h30 Encontro com representantes da Americas Society/Council of the Americas, que reúne lideranças empresariais e da sociedade civil dedicadas ao fortalecimento das relações interamericanas.

    10h15 Coletiva oficial na Embaixada do Brasil em Washington, com balanço dos resultados da missão.

    Parlamentares da missão

    A missão foi aprovada por unanimidade no plenário do Senado e é composta por parlamentares de diferentes partidos, incluindo governo e oposição. Dos oito integrantes, cinco são aliados de Jair Bolsonaro.

    Integram o grupo:

    • Nelsinho Trad (PSD-MS)
    • Jaques Wagner (PT-BA)
    • Tereza Cristina (PP-MS)
    • Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
    • Rogério Carvalho (PT-SE)
    • Carlos Viana (Podemos-MG)
    • Fernando Farias (MDB-AL)
    • Esperidião Amin (PP-SC)

    O risco bilionário de uma ruptura

    A reintrodução da tarifa ocorre em um contexto eleitoral nos Estados Unidos, com Trump disputando apoio de setores nacionalistas e industriais. A resposta brasileira, embora limitada no plano executivo, aposta no peso simbólico do Senado e no diálogo com o setor privado como formas de tentar mitigar os danos.

    Enquanto isso, a indústria brasileira observa com apreensão o avanço das tratativas em Washington. O impacto da medida pode desorganizar cadeias de exportação e encarecer produtos, com efeitos colaterais para ambos os lados.

  • Votação do Prêmio Congresso em Foco termina nesta quarta; participe

    Votação do Prêmio Congresso em Foco termina nesta quarta; participe

    A contagem regressiva começou! Termina amanhã, quarta-feira (30), a votação popular do Prêmio Congresso em Foco 2025, o mais importante reconhecimento à atuação parlamentar no Brasil, o verdadeiro “Oscar da política brasileira”. Se você ainda não participou, esta é sua última chance de ajudar a escolher os melhores deputados e senadores do país.

    Este ano, o prêmio trouxe novidades: além do site oficial, o voto pode ser registrado gratuitamente no Whatsapp, o que facilitou o acesso de milhares de eleitores. O resultado? A votação já se aproxima da marca impressionante de 2 milhões de votos, o que mostra o engajamento da sociedade e dos parlamentares.

    Nova edição do Prêmio Congresso em Foco traz novas categorias especiais. Quase 2 milhões de votos já foram validados.

    Nova edição do Prêmio Congresso em Foco traz novas categorias especiais. Quase 2 milhões de votos já foram validados.Arte Congresso em Foco

    O prêmio valoriza quem trabalha sério no Congresso. E é o eleitor quem dá esse reconhecimento. Os congressistas estão em plena campanha por votos. E o seu apoio pode ser decisivo.

    Criado para estimular a cidadania ativa e promover a qualidade da representação política, o prêmio está em sua 18ª edição e combina três frentes de avaliação: voto popular, júri técnico e imprensa especializada. Mas é o seu voto, cidadão e cidadã, que forma a base da escolha mais democrática da premiação.

    Cada pessoa pode votar uma única vez e escolher até 10 deputados e 5 senadores entre os nomes aptos. Todo o processo é auditado, com verificação dupla, garantindo total segurança e legitimidade. Além da auditagem interna, a votação é monitorada pela Associação Nacional dos Peritos Criminais da Polícia Federal (APCF).

    Os finalistas serão divulgados em 1º de agosto. E no dia 20 de agosto, os vencedores sobem ao palco do Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, numa cerimônia transmitida ao vivo.

    Não perca tempo!  O voto pode ser registrado de forma simples e segura por dois canais:

    • Pelo site oficial: Acesse premio.congressoemfoco.com.br, digite seu nome, informe um e-mail válido, confirme seu cadastro com o código enviado para o e-mail e escolha seus parlamentares favoritos.
    • Pelo WhatsApp: Basta iniciar uma conversa clicando aqui. O sistema interativo guia o eleitor pelo processo de votação.

    Ambas as plataformas passam por rigorosos filtros de segurança, com verificação automática de e-mails temporários e detecção de tentativas de votação automatizada, garantindo a integridade do processo.

    Saiba tudo sobre o Prêmio Congresso em Foco 2025

    Apoiadores do Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Apoiadores do Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Veja os produtos perecíveis mais afetados por tarifa dos EUA

    Veja os produtos perecíveis mais afetados por tarifa dos EUA

    A nova tarifa de importação anunciada pelo governo dos Estados Unidos, que impõe alíquota de 50% sobre todos os produtos originários do Brasil a partir de 1º de agosto, impacta fortemente o comércio de bens perecíveis entre os dois países.

    Na prática, o decreto tarifário afeta de maneira direta cadeias produtivas agrícolas, pecuárias e aquícolas que têm os Estados Unidos como destino preferencial. Setores brasileiros alertam para perdas logísticas, queda de competitividade e riscos de paralisação de contratos em andamento. Por outro lado, o Brasil ainda não adotou medidas espelhadas ou retaliatórias para produtos perecíveis importados dos EUA.

    Tarifa de 50% dos EUA compromete comércio de bens perecíveis.

    Tarifa de 50% dos EUA compromete comércio de bens perecíveis.Arte Congresso em Foco

    Exportações brasileiras de perecíveis afetadas

    A tarifa de 50% incide sobre todos os produtos importados do Brasil, sem exceções por tipo de mercadoria ou grau de industrialização. Isso significa que tanto matérias-primas agrícolas quanto itens processados e industrializados estão sujeitos à mesma alíquota. Entre os produtos mais afetados na categoria de perecíveis estão:

    Frutas frescas

    O Brasil é exportador de diversas frutas tropicais e sazonais para o mercado norte-americano. Os principais itens afetados incluem:

    • Manga e uva de mesa: respondem por mais de US$ 148 milhões em exportações anuais. Os embarques são concentrados entre agosto e dezembro, o que coincide com a entrada em vigor da tarifa.
    • Melão, melancia e limão: apresentaram crescimento significativo nas exportações em 2024 e 2025. Esses produtos são consumidos in natura e exigem transporte refrigerado e rápido escoamento, o que torna o custo logístico especialmente sensível a alterações tarifárias.
    • Banana e abacate: exportados em menor volume, mas com mercado em expansão nos EUA, especialmente no setor de produtos naturais e orgânicos.
    • Açaí: exportado principalmente na forma de polpa congelada. Sua inclusão na tarifa afeta diretamente micro e pequenas empresas do Norte do país.

    Café

    O Brasil é o principal exportador de café do mundo e representa cerca de 30% das importações dos Estados Unidos. Com a nova tarifa, o produto passa a enfrentar um custo adicional significativo, que pode ser repassado ao consumidor final ou implicar em perda de mercado para concorrentes como Vietnã, Colômbia e Etiópia.

    Suco de laranja

    A commodity brasileira mais impactada em termos proporcionais é o suco de laranja concentrado, do qual o Brasil representa até 90% das importações feitas pelos EUA. A tarifa compromete as margens de exportação e ameaça a continuidade das operações de embarque já programadas para a safra 2025/2026.

    Pescados

    A cadeia da pesca e aquicultura foi uma das primeiras a sentir os efeitos da nova política tarifária. Cerca de mil toneladas de pescado, o equivalente a 58 contêineres refrigerados, estão retidas em portos brasileiros desde o anúncio da medida. Os EUA absorvem aproximadamente 70% das exportações brasileiras de peixes frescos e congelados, com destaque para tilápia e espécies de água doce.

    Segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a imposição da tarifa deve elevar os preços internos de pescado nos EUA e provocar redirecionamento das exportações brasileiras para outros mercados, como União Europeia e Oriente Médio.

    Importações brasileiras de perecíveis dos EUA

    Até o momento, o Brasil não anunciou contramedidas tarifárias específicas em resposta à medida norte-americana. As importações brasileiras de produtos perecíveis originários dos EUA seguem regidas pela Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. Entre os principais itens importados estão:

    Carnes e pescados

    • Frango congelado e carne bovina desossada: importados em volumes modestos, sobretudo para uso industrial ou regiões de fronteira.
    • Peixes como salmão e bacalhau: consumidos no mercado interno brasileiro, são tributados com alíquotas entre 2% e 10%, sem aumento anunciado até o momento.

    Produtos lácteos

    Leite em pó, queijos e creme de leite processado também integram a pauta de importação, mas em volumes reduzidos. As tarifas seguem padrões de regulação sanitária e econômica comuns à zona do Mercosul.

    Reciprocidade

    Em junho de 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Reciprocidade Comercial, que autoriza o governo brasileiro a aplicar tarifas compensatórias e a revisar unilateralmente benefícios tarifários concedidos a parceiros comerciais que impuserem barreiras ao Brasil. No entanto, não houve, até agora, anúncio de retaliações diretas ao setor perecível.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin, também responsável pela coordenação da política comercial, informou que o governo brasileiro está em contato com representantes do Departamento de Comércio dos EUA e com membros da Câmara de Comércio Brasil-EUA, mas as negociações não resultaram, até agora, em suspensão da tarifa.

  • Lula recebe plano de contingência para tarifas impostas pelos EUA

    Lula recebe plano de contingência para tarifas impostas pelos EUA

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (28) um plano de contingência preparado por quatro ministérios para enfrentar os impactos da tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que reforçou que a prioridade do governo brasileiro segue sendo a negociação.

    O plano, elaborado por integrantes da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, das Relações Exteriores e da Casa Civil, foi encaminhado ao presidente enquanto o Brasil ainda aguarda uma posição final do governo norte-americano, que deve confirmar ou rever a imposição tarifária até a próxima sexta-feira (1º).

    “Nós nos debruçamos sobre isso hoje. Os cenários possíveis já são de conhecimento do presidente [Lula]. Ainda não tomamos nenhuma decisão, porque nem sabemos qual será a decisão dos Estados Unidos no dia 1º. O importante é que o presidente tem na mão os cenários todos que foram definidos pelos quatro ministérios”, declarou Haddad.

    Haddad afirma que todos os cenários já foram entregues ao presidente, mas decisão depende dos EUA.

    Haddad afirma que todos os cenários já foram entregues ao presidente, mas decisão depende dos EUA.Ricardo Stuckert/PR

    Apesar de o plano já estar pronto, o ministro evitou detalhá-lo e insistiu que o Brasil seguirá priorizando a via diplomática. Segundo ele, o governo não pretende abandonar as conversas com os EUA.

    “Combinamos de apresentar para ele [Lula] o plano de contingência com todas as possibilidades que estão à disposição do Brasil e dele à frente da Presidência da República. O foco continua sendo as negociações”, reforçou o ministro.

    Haddad destacou ainda que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, tem conduzido tratativas com o governo norte-americano. O diálogo, segundo ele, ocorre de forma reservada, mas constante.

    “O foco, por determinação do presidente, é negociar, tentar evitar medidas unilaterais, mas, independentemente da decisão que o governo dos Estados Unidos vai tomar, nós vamos continuar abertos à negociação”, afirmou.

  • Lula veta redução de pena mínima para lavagem de dinheiro

    Lula veta redução de pena mínima para lavagem de dinheiro

    O presidente Lula vetou um artigo que reduzia a pena mínima para o crime de lavagem de dinheiro, incluído em um projeto de lei que trata do endurecimento das penas para furto e receptação de cabos de energia, telefonia e dados. O veto foi publicado nesta terça-feira (29), no Diário Oficial da União, e atendeu a recomendação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

    Atualmente, a Lei nº 9.613/1998, que trata da lavagem de dinheiro no Brasil, prevê penas de 3 a 10 anos de reclusão, além de multa. O trecho vetado, aprovado pelo Congresso Nacional, propunha reduzir o limite mínimo para 2 anos, ao mesmo tempo em que ampliava o teto da pena para 12 anos. A alteração foi considerada um “jabuti”, termo usado no jargão legislativo para indicar a inclusão de um tema alheio ao conteúdo principal de um projeto.

    Operação da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro no Rio Grande do Sul.

    Operação da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro no Rio Grande do Sul.Miguel Noronha/Agência Enquadrar/Folhapress

    O que é lavagem de dinheiro

    A lavagem de dinheiro é o processo de ocultar ou dissimular a origem ilícita de bens, valores ou direitos, buscando integrá-los à economia formal como se fossem legais. Trata-se de um crime tipicamente associado ao narcotráfico, corrupção, contrabando, crimes financeiros e organizações criminosas.

    Entre as ações típicas da lavagem estão:

    • Movimentação ou transferência de recursos oriundos de crimes;
    • Ocultação de propriedade de bens adquiridos ilicitamente;
    • Conversão de dinheiro ilegal em ativos legais, como imóveis, veículos ou empresas de fachada.

    Segundo o governo, reduzir a pena mínima poderia abrir brechas para a aplicação de penas alternativas ou a suspensão condicional do processo, o que enfraqueceria o enfrentamento ao crime organizado. “Tal medida significaria enfraquecimento do arcabouço legal brasileiro no combate a essas atividades ilícitas”, justificou o governo ao barrar o dispositivo.

    Furto de cabos e fios

    Apesar do veto ao artigo sobre lavagem de dinheiro, Lula sancionou a nova lei que altera o Código Penal e outras normas para endurecer as penas contra crimes que afetam serviços públicos essenciais, como energia elétrica, telecomunicações e transporte ferroviário.

    Entre as principais mudanças:

    • Furto qualificado de cabos e equipamentos: Pena passa a ser de 2 a 8 anos de reclusão, além de multa. Antes, variava de 1 a 4 anos.
    • Roubo agravado: Em casos com violência ou ameaça e que comprometam serviços essenciais, a pena vai para 6 a 12 anos de prisão, podendo ser ampliada conforme as circunstâncias.
    • Receptação de material furtado: A pena será aplicada em dobro se o produto for fios, cabos ou equipamentos de energia ou dados.
    • Crimes em situação de calamidade pública: As penas previstas serão dobradas.

    A nova legislação também responsabiliza empresas de telecomunicações que utilizarem, mesmo sem saber, material de origem criminosa, e autoriza os órgãos reguladores, como Anatel e Aneel, a definirem critérios para atenuar punições administrativas em caso de interrupções provocadas por furto ou vandalismo.

    Um problema crescente

    Segundo dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), cerca de 100 toneladas de fios e equipamentos foram furtadas ou roubadas apenas em 2024, em todo o país. Os crimes têm gerado apagões, falhas nos serviços de internet e telefonia, riscos à segurança pública e prejuízos milionários ao setor produtivo e aos cofres públicos.

    A nova lei, segundo o governo, busca responder a esse cenário com rígido combate à criminalidade, mas sem enfraquecer os instrumentos legais já consolidados contra crimes financeiros.

    Risco regulatório

    Além da redução da pena para o crime de lavagem de dinheiro, Lula vetou artigo que previa a suspensão automática de exigências regulatórias e desconsideração de falhas de qualidade quando empresas fossem afetadas por furto ou roubo. O veto foi recomendado pelos ministérios das Comunicações e de Minas e Energia, que alertaram para o risco de desincentivar investimentos em segurança e gestão, além de comprometer os indicadores de qualidade dos serviços.

    “A medida aumentaria o risco regulatório e comprometeria os incentivos à melhoria contínua da qualidade e da segurança do abastecimento.”

    Os vetos presidenciais seguem agora para análise do Congresso Nacional, que pode mantê-los ou derrubá-los em votação conjunta da Câmara e do Senado. Caso sejam derrubados por maioria absoluta, o trecho vetado será incorporado à nova lei.

    Veja a íntegra da nova lei

  • Câmara teria 4 mil deputados se acompanhasse crescimento demográfico

    Câmara teria 4 mil deputados se acompanhasse crescimento demográfico

    Com o fim do recesso parlamentar, na primeira semana de agosto, o Congresso Nacional deve retomar um tema espinhoso: a possível criação de novas vagas na Câmara dos Deputados.

    A proposta, já vetada pelo presidente Lula, segue sendo uma demanda de Estados que se consideram prejudicados pela recente decisão do Supremo Tribunal Federal. O STF determinou que a distribuição de cadeiras fosse ajustada conforme os dados do Censo de 2022, o que causou incômodo em regiões que perderiam representação.

    Se o veto for derrubado, cada cadeira passará a representar cerca de 382 mil brasileiros, um número ligeiramente inferior ao atual, em que cada deputado representa 395 mil pessoas.

    O histórico da composição da Câmara mostra que o número de deputados não cresce na mesma proporção da população. Isso se explica menos por fórmulas aritméticas e mais pelas circunstâncias políticas de cada época.

    Para ilustrar: se fosse mantida a proporção de representação de 1826, teríamos hoje uma Câmara com mais de 4,4 mil deputados. Seria o maior parlamento do planeta, superando inclusive o Congresso Nacional do Povo, da China, com seus 2,9 mil membros que representam 1,4 bilhão de cidadãos.

    Deputado em 2025 representa oito vezes mais eleitores que em 1826.

    Deputado em 2025 representa oito vezes mais eleitores que em 1826.Leonardo Sá/Agência Senado

    Confira a evolução da relação entre deputados e habitantes ao longo da história:

    Na comparação internacional, a representatividade brasileira está longe de ser destoante.

    Atualmente, cada deputado brasileiro responde por 395 mil habitantes. Na Rússia, esse número é de 324 mil. No México, mais apertado: 259 mil por vaga. Já nos Estados Unidos, que têm uma população muito maior e apenas 435 deputados, cada um representa em média 761 mil pessoas, o dobro da proporção brasileira.

    Outros exemplos reforçam o cenário: no Egito, a proporção é de 198,9 mil habitantes por cadeira; na França, cerca de 116 mil; na Indonésia, 274 mil.

    Considerando os países mais próximos ao Brasil em termos populacionais e com sistemas bicamerais simétricos (como México, EUA, Argentina, França, Rússia, Egito, Etiópia, Paquistão e Indonésia), a média geral fica em torno de 374 mil habitantes por deputado, praticamente a proporção brasileira atual.

    Em resumo: aumentar ou não algumas cadeiras, passando de 513 para 531, por exemplo, não alterará substancialmente a equação habitante/deputado.

    A verdadeira conta a ser feita continua sendo outra: a da qualidade da representação. De pouco adianta ajustar números se o mandato, por sua essência, não for exercido com plenitude, presença e responsabilidade.

  • PF e CGU fazem operação para apurar desvio de emendas parlamentares

    PF e CGU fazem operação para apurar desvio de emendas parlamentares

    A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (29) a Operação Korban, com o objetivo de investigar o desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinados à realização de eventos de esportes digitais.

    Estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos Estados do Acre, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Além disso, foram determinadas medidas de sequestro de bens, como veículos e imóveis, e o bloqueio de contas bancárias de empresas investigadas. As ações de indisponibilidade patrimonial podem atingir o montante de R$ 25 milhões.

    Operação Korban investiga associação que recebeu recursos para eventos estudantis de esportes digitais.

    Operação Korban investiga associação que recebeu recursos para eventos estudantis de esportes digitais.Reprodução/PF

    A apuração foca em possíveis irregularidades na execução de aproximadamente R$ 15 milhões em recursos federais, repassados a uma associação com sede no Distrito Federal por meio de termos de fomento firmados com o Ministério do Esporte, viabilizados por emendas parlamentares, para a realização de jogos estudantis de esportes digitais entre os anos de 2023 e 2024.

    Entre as determinações judiciais, estão a suspensão de novos repasses federais à associação investigada e a proibição de transferência de valores às empresas subcontratadas no contexto dos termos de fomento analisados.

  • Mercado financeiro revisa previsão de inflação para 5,09% em 2025

    Mercado financeiro revisa previsão de inflação para 5,09% em 2025

    As projeções do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, foram revisadas de 5,1% para 5,09% para o corrente ano. Tal ajuste representa a nona redução consecutiva na estimativa, conforme divulgado no Boletim Focus desta segunda-feira (28). A pesquisa, de periodicidade semanal, é elaborada pelo Banco Central (BC) com base nas expectativas de diversas instituições financeiras acerca dos principais indicadores econômicos.

    Para o ano de 2026, a projeção inflacionária também sofreu um leve ajuste, passando de 4,45% para 4,44%. As previsões para 2027 e 2028 apontam para taxas de 4% e 3,8%, respectivamente. A estimativa para 2025 permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, resultando em um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

    Em junho, a inflação oficial, mesmo sob a pressão exercida pelos preços da energia elétrica, apresentou um arrefecimento, registrando um índice de 0,24%. Este resultado foi influenciado pela primeira queda nos preços dos alimentos após nove meses de elevações. Não obstante a desaceleração observada nos últimos meses, o índice acumulado em 12 meses atingiu 5,35%, ultrapassando o limite superior da meta de 4,5% pelo sexto mês consecutivo.

    Esse período de seis meses acima de 4,5% configura estouro da meta pelo novo regime adotado em 2024. Cada vez que isso acontece, o presidente do BC tem que divulgar, por meio de carta aberta ao ministro da Fazenda , que preside o CMN, a descrição detalhada das causas do descumprimento, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito.

    Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como seu principal instrumento, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar da recente retração da inflação, as incertezas no cenário econômico levaram o colegiado a elevar os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião, marcando o sétimo aumento consecutivo da Selic em um ciclo de contração da política monetária.

    Fachada do Banco Central.

    Fachada do Banco Central.Marcello Casal Jr./Agência Brasil

    Em ata, o Copom declarou que pretende manter os juros no mesmo patamar nas próximas reuniões, monitorando os efeitos do ciclo de alta da Selic sobre a economia. Contudo, não descartou a possibilidade de novos aumentos, caso a inflação apresente elevação. O próximo encontro do colegiado está agendado para esta terça (29) e quarta-feira (30).

    A decisão surpreendeu parte do mercado financeiro, que não antecipava um novo aumento. Nesse contexto, a estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano. Para o final de 2026, a expectativa é de uma redução da Selic para 12,5% ao ano. As previsões para 2027 e 2028 indicam novas reduções, para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. O aumento da taxa básica de juros pelo Copom tem como objetivo conter a demanda aquecida, impactando os preços, uma vez que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança.

    No entanto, além da Selic, os bancos consideram outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como o risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais elevadas podem dificultar a expansão da economia. A redução da taxa Selic, por sua vez, tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, o que pode reduzir o controle sobre a inflação e estimular a atividade econômica.

    As instituições financeiras mantiveram a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2,23% para este ano, conforme a presente edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) foi revisada de 1,88% para 1,89%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima uma expansão do PIB de 2% para ambos os anos. Impulsionada pelo setor agropecuário no primeiro trimestre de 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 1,4%, segundo o IBGE.

    Em 2024, o PIB fechou com um aumento de 3,4%, representando o quarto ano consecutivo de crescimento e a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%. A previsão para a cotação do dólar é de R$ 5,60 para o final deste ano, com uma estimativa de R$ 5,70 para o final de 2026.

  • Veja quem foram os deputados que mais gastaram cota parlamentar no ano

    Veja quem foram os deputados que mais gastaram cota parlamentar no ano

    Com o fim do primeiro semestre das atividades legislativas na Câmara dos Deputados, levantamento do Congresso em Foco, com dados do site oficial da Casa coletados em 25 de julho, revela quem foram os dez parlamentares que mais gastaram com cota parlamentar no período. As informações foram retiradas da página de cada parlamentar no site oficial da Câmara dos Deputados.

    O uso da cota parlamentar é legal e previsto pelo regimento interno da Câmara dos Deputados para gastos com despesas típicas do mandato. O intuito do levantamento não é colocar uma pecha depreciativa nos deputados que mais gastaram, mas monitorar e fiscalizar quais foram os principais gastos desses parlamentares.

    O líder do ranking é Nicoletti (União Brasil-RR), com gasto de R$ 334.832,26. Além dele, há mais um deputado da sigla entre os dez mais gastadores. Completam a lista dois parlamentares do PL, dois do Republicanos, um do PT, um do PP, um do MDB e um do PSDB.

     

    Confira abaixo quem foram:

    Ranking dos deputados que mais gastaram.

    Ranking dos deputados que mais gastaram.Arte/Congresso em Foco

    O que é cota parlamentar

    A cota parlamentar é um benefício dado aos deputados para custear despesas típicas do exercício do mandato parlamentar, como aluguel de escritório de apoio ao mandato no estado, passagens aéreas, alimentação, aluguel de carro, combustível, entre outras.

    O saldo mensal não utilizado não é acumulável para o mês seguinte e os parlamentares têm até 90 dias para solicitar o reembolso. Dessa forma, os valores gastos apontados neste levantamento podem ser alterados, uma vez que os deputados podem declarar os gastos de períodos anteriores a qualquer momento dentro do intervalo de três meses.

    Além disso, o valor da cota parlamentar é diferente para cada estado, pois leva em consideração o valor da passagem de Brasília até a capital do estado onde o parlamentar foi eleito. Assim, a maior cota é destinada aos congressistas de Roraima, no valor de R$ 51.406,33 e a menor, aos do Distrito Federal, no valor de R$ 36.582,46.

    Veja o valor da cota para cada estado:

    Cota por estados.

    Cota por estados. Arte/Congresso em Foco

    Raio X das cotas

    A maior despesa da maioria dos parlamentares foi a rubrica de divulgação da atividade parlamentar. O maior valor registrado entre os dez deputados que mais gastaram foi de R$ 219 mil, com Wilson Santiago (Republicanos-PB). Ao passo que no top 10, Giovani Cherini (PL-RS) teve o menor gasto com a referida rubrica, R$ 107,2 mil.

    Gastos com cota parlamentar.

    Gastos com cota parlamentar.Arte/Congresso em Foco

    De janeiro a junho, o deputado Nicoletti, recordista de gastos no geral, recebeu reembolso da Câmara de R$ 179 mil pelas divulgações. Em fevereiro, o parlamentar pagou R$ 7.500 para a Rede BrNewsTV produzir matérias jornalísticas divulgando a atividade parlamentar (veja a nota fiscal). Em seguida, os maiores gastos do deputado foram com serviço de segurança, R$ 52.200,00, e locação de veículos, R$ 34.400,00.

    Líder em gastos com divulgação, Wilson Santiago chegou a gastar R$ 39 mil em maio para publicizar o mandato. O parlamentar também pagou ao portal local “Polêmica Paraíba” para publicar nota sobre o mandato (veja a nota fiscal), além de contratar serviços de gerenciamento das redes sociais. Dr. Fernando Máximo (União Brasil-RO) gastou R$ 196 mil com a divulgação do mandato parlamentar. O segundo maior gasto do parlamentar foi com fretamento de veículos, R$ 62 mil.

    Helena Lima (MDB-RR) teve gastos de R$ 179 mil com a divulgação do mandato, no período também gastou R$ 39 mil com manutenção de escritório e R$ 38 mil com combustíveis. O vice-líder da oposição, Coronel Chrisóstomo (PL-RO), por sua vez, teve seus maiores gastos com a divulgação da atividade parlamentar, R$ 117 mil, fretamento de veículos, R$ 77 mil, e manutenção do escritório, R$ 71 mil.

    O deputado João Maia (PP-RN) empenhou a maior parte da cota em divulgação, R$ 182 mil, e locação de veículos, R$ 86,6 mil. Recordista de gastos com a cota parlamentar em 2024, o deputado Gabriel Mota (Republicanos-RR) foi o único dos dez a não ter a divulgação como recorde de gastos, R$ 132 mil. A rubrica com maior gasto foi a manutenção do escritório, mais de R$ 170 mil.

    Por fim, Dagoberto Nogueira (PSDB-MS) teve gastos mais expressivos com divulgação, R$ 109 mil, e com locação de veículos, R$ 74 mil. Giovani Cherini gastou R$ 107 mil com divulgação e R$ 65 mil com manutenção do escritório. Único petista da lista, Flávio Nogueira (PT-PI) também teve divulgação e locação de veículos como maiores gastos, assim como Dagoberto Nogueira, respectivamente R$ 108 mil e R$ 75 mil.