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  • Política e cidadania marcam a 18ª edição do Prêmio Congresso em Foco

    Política e cidadania marcam a 18ª edição do Prêmio Congresso em Foco

    A 18ª edição do Prêmio Congresso em Foco, realizada nessa quarta-feira (20), em Brasília, foi mais do que uma solenidade de entrega de troféus: tornou-se um ato de celebração da política como espaço legítimo de diálogo, de reconhecimento da cidadania e de reafirmação da democracia.

    O evento reuniu ministros de Estado, integrantes dos tribunais superiores e do Tribunal de Contas da União, dezenas de parlamentares de diferentes partidos e trajetórias, além de representantes da sociedade civil. Pela primeira vez, todos os deputados federais e senadores foram convidados, fossem ou não premiados. A iniciativa simbolizou a compreensão de que a política só se realiza plenamente quando acolhe a pluralidade, as divergências e as complementaridades.

    Foram premiados os deputados e senadores mais bem avaliados pelo público, na votação da internet, por jornalistas especializados e por um júri técnico.

    A cerimônia também prestou homenagens a figuras que marcaram a vida pública. O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia recebeu o título de Parlamentar Emérito, e ex-deputados que hoje ocupam cargos executivos ou de controle foram agraciados com o troféu Raiz Parlamentar. O atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também foi homenageado.

    Prêmio Congresso em Foco 2025

    Hugo Motta: “Não existe solução fora da política”

    Em seu discurso, o presidente da Câmara ressaltou a relevância da política como espaço de transformação e diálogo. Para ele, o prêmio já se consolidou como “uma das mais importantes celebrações da vida pública brasileira”, chegando a compará-lo a um “Óscar da política”.

    Hugo Motta enfatizou que a política deve ser compreendida como a arte de transformar divergências em consensos e sonhos em leis. “Não existe solução fora da política e não existe futuro fora do diálogo”, disse.

    Ele também destacou o papel do Congresso como reflexo e motor da democracia. “O Parlamento brasileiro é ao mesmo tempo reflexo e motor da nossa democracia. Reflete as tensões da sociedade, mas também tem o poder de pacificá-las. Ecoa os conflitos da rua, mas também pode transformá-los em soluções”, afirmou.

    Ao parabenizar os vencedores da noite, Hugo destacou que cada prêmio entregue representa mais do que um reconhecimento individual: “É uma convocação para que sigamos acreditando na política como instrumento de transformação, de justiça e de futuro”.

    Ao concluir, o presidente da Câmara deixou uma mensagem de esperança: “Que esta noite nos lembre de que o Brasil só será maior se a política for maior, e que a política só será maior se cada um de nós a exercitar com dignidade, coragem e fé no diálogo”.

    Miguel Matos: “A política vale a pena”

    O CEO do Congresso em Foco, Miguel Matos, destacou a relevância da vida pública e a importância de reconhecer o trabalho dos parlamentares.

    Segundo ele, os nomes celebrados na noite não representam apenas votos. “Carregam confiança, trajetórias e a esperança de milhões de brasileiros. Essa diversidade transformada em reconhecimento nacional é farol a nos lembrar que política é serviço público e que democracia é uma construção coletiva”, afirmou.

    Miguel enfatizou que todos os que escolhem a vida pública merecem respeito e consideração. “Cada pessoa que escolhe a vida pública o faz certamente movida por propósitos maiores e, por isso, todos, vencedores ou não, são merecedores de nossa mais elevada consideração”, disse.

    Ele reforçou ainda que cada mandato carrega ideias e lições valiosas que contribuem para o fortalecimento do país. “O prêmio distingue alguns, mas a honra pertence a todos. De cada parlamentar, de cada mandato, há sempre grandes ideias a aproveitar e lições inestimáveis a aprender. É isso que fortalece o Brasil”, completou.

    Encerrando a noite, deixou uma mensagem de confiança no futuro: “A política vale a pena, a democracia vale a pena e o Brasil vale a pena”.

    VEJA QUEM FOI PREMIADO

    pesquise por categoria, parlamentar, partido ou estado

    O que é o Prêmio Congresso em Foco

    Criado em 2006, o prêmio é promovido pelo Congresso em Foco com apoio de organizações da sociedade civil e da iniciativa privada (veja a lista de apoiadores mais abaixo). Ao longo dos anos, consolidou-se como uma das principais referências de valorização do Parlamento brasileiro, ao destacar parlamentares que exercem o mandato com ética, transparência e compromisso público.

    Os vencedores são escolhidos em três etapas:

    • Voto popular, que permite a participação direta dos cidadãos;
    • Avaliação de jornalistas que acompanham o cotidiano do Congresso Nacional;
    • Análise de um júri especializado formado por representantes da sociedade civil.

    Em 2025, além das categorias principais, houve distinções temáticas em áreas como Direitos Humanos, Saúde, Cultura, Desenvolvimento Sustentável e Diplomacia Cidadã. Outra inovação foi a premiação dos parlamentares mais bem avaliados de cada uma das 27 unidades federativas, reforçando o caráter nacional e representativo da iniciativa.

    Quem apoiou o Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Quem apoiou o Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Lula lidera em todos os cenários em 2026, aponta Genial/Quaest

    Lula lidera em todos os cenários em 2026, aponta Genial/Quaest

    O presidente Lula lidera em todos os cenários testados para a eleição presidencial de 2026, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 21. O levantamento indica crescimento nas intenções de voto do petista em comparação à rodada anterior, realizada em julho.

    No primeiro turno, o petista tem 34% das intenções de voto. Bolsonaro registra 28%. Nos demais cenários, Lula também lidera: tem 35% contra 21% de Michelle e 35% frente a 17% de Tarcísio. A pesquisa foi feita entre 13 e 17 de agosto, com 12.150 entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

    Levantamento expõe crescimento da popularidade do presidente desde o início da disputa tarifária com os EUA.

    Levantamento expõe crescimento da popularidade do presidente desde o início da disputa tarifária com os EUA.Ricardo Stuckert / PR

    No segundo turno, Lula venceria o ex-presidente Jair Bolsonaro por 47% a 35%. Em julho, a vantagem era menor: 43% a 37%. Contra o governador Tarcísio de Freitas, o placar atual é de 43% a 35%, ante 41% a 37% na pesquisa anterior. Frente a Michelle Bolsonaro, Lula aparece com 47%, enquanto ela soma 34%. No mês passado, os percentuais eram 43% e 36%, respectivamente.

    Lula também aparece à frente de outros possíveis concorrentes. Contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tem 47% contra 32%. Em julho, a diferença era de dez pontos: 43% a 33%. Contra Romeu Zema (Novo), marca 46% a 32%, e diante de Ronaldo Caiado (União Brasil), 47% a 31%. No confronto com Flávio Bolsonaro (PL), que não havia sido testado na pesquisa anterior, Lula aparece com 48% contra 32%.

    O resultado da pesquisa preserva a tendência observada no levantamento anterior, que apontou o aumento da popularidade do presidente Lula em meio à disputa tarifária com os Estados Unidos.

    Veja a íntegra da pesquisa.

  • Prêmio distingue alguns, mas honra pertence a todos, diz Miguel Matos

    Prêmio distingue alguns, mas honra pertence a todos, diz Miguel Matos

    O CEO do Congresso em Foco, Miguel Matos, encerrou a cerimônia do Prêmio Congresso em Foco 2025 com um discurso voltado à valorização da vida pública e à importância da premiação como reconhecimento coletivo do Parlamento.

    Miguel destacou que, embora a premiação distinga alguns, a homenagem simboliza o trabalho coletivo de todo o Parlamento.

    “O prêmio distingue alguns, mas a honra pertence a todos. De cada parlamentar, de cada mandato, há sempre grandes ideias a aproveitar e lições inestimáveis a aprender. É isso que fortalece o Brasil.”

    Para ele, a diversidade transformada em reconhecimento nacional “é farol a nos lembrar que política é serviço público e que democracia é uma construção coletiva”.

    Valorização da vida pública

    Miguel ressaltou que, independentemente de vencerem ou não o prêmio, todos os parlamentares merecem consideração pela escolha de dedicar suas vidas à atividade pública.

    “Cada pessoa que escolhe a vida pública o faz certamente movida por propósitos maiores e, por isso, todos, vencedores ou não, são merecedores de nossa mais elevada consideração”, afirmou.

    Encerramento com otimismo

    Ao concluir a cerimônia, Miguel Matos reforçou o compromisso com a democracia e a política como instrumentos de transformação.

    “A política vale a pena, a democracia vale a pena e o Brasil vale a pena”, finalizou, sob aplausos dos presentes.

  • Câmara pauta urgência para isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil

    Câmara pauta urgência para isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil

    A Câmara dos Deputados incluiu na pauta desta quinta-feira (21) o requerimento de urgência para o projeto de lei 1087/2025, apresentado pelo governo, que prevê a isenção total do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, e isenções graduais para até R$ 7,3 mil. Se aprovado o requerimento, o texto poderá ser votado sem novas movimentações nas comissões.

    Reforma do Imposto de Renda é relatada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira.

    Reforma do Imposto de Renda é relatada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    O projeto é um dos itens prioritários na agenda legislativa do governo para 2025, e é relatado pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com parecer aprovado em comissão especial destinada à reforma.

    Para compensar os efeitos arrecadatórios, o texto prevê alíquota extra de até 10% para quem ganha acima de R$ 50 mil por mês, chegando à incidência total para rendimentos mensais de R$ 100 mil.

    O relatório de Arthur Lira também prevê o ressarcimento a estados e municípios que sofrerem perda arrecadatória com a reforma. Se aprovada este ano, a isenção começará a fazer efeito a partir de 2026. A estimativa do Ministério da Fazenda é de que cerca de 10 mil contribuintes sejam beneficiados com a mudança.

    Veja o texto aprovado na comissão especial.

  • Governo comprará perecíveis que seriam exportados aos EUA

    Governo comprará perecíveis que seriam exportados aos EUA

    Em entrevista à Voz do Brasil, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, anunciou nesta quarta-feira (20) que o governo federal planeja adquirir produtos perecíveis, como frutas, peixes e carnes. O objetivo, segundo o ministro, é destinar esses alimentos à merenda escolar, à alimentação das Forças Armadas, aos hospitais, aos restaurantes universitários e aos programas de aquisição de alimentos voltados para populações em situação de insegurança alimentar.

    Teixeira enfatizou que o governo incentivará Estados e municípios a adquirirem esses produtos por meio de programas públicos de alimentação escolar, garantindo, assim, uma alimentação de melhor qualidade. Ele explicou que a medida visa regulamentar o mercado, evitando que setores redirecionem rapidamente seus produtos para outros países.

    Merenda escolar será um dos destinos desses produtos.

    Merenda escolar será um dos destinos desses produtos.Lalo de Almeida/Folhapress

    O ministro citou exemplos como a castanha, que pode ser comercializada na Europa, e o café, cuja produção brasileira é insubstituível. No caso da carne, Teixeira afirmou que o produto pode ser estocado, congelado e redirecionado. No entanto, produtos como mel, açaí, uva e peixes, por serem mais perecíveis, deverão ser absorvidos pelos programas nacionais de compras públicas.

    Teixeira garantiu que o governo incluirá em todos os seus editais de compras públicas a aquisição desses produtos, visando evitar o desperdício de alimentos. Ele ressaltou que as compras protegerão os empreendedores diretos e toda a cadeia produtiva. O ministro explicou que os exportadores venderão os produtos pelo preço praticado no mercado interno, já que o governo não pode pagar o preço de exportação em dólar.

  • Adultização infantil: entenda em 5 pontos o projeto aprovado na Câmara

    Adultização infantil: entenda em 5 pontos o projeto aprovado na Câmara

    A Câmara dos Deputados aprovou, nessa quarta-feira (20), o Projeto de Lei 2628/2022, que cria um novo marco legal para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Chamado por seu relator, deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), de “ECA Digital“, o projeto foi concebido como uma resposta à crescente preocupação com a exposição precoce de crianças a conteúdos inadequados na internet, processo amplamente discutido sob o nome de adultização infantil.

    Veja o substitutivo aprovado pelos deputados

    O texto retorna agora ao Senado, onde havia sido aprovado em 2022, para revisão final, após alterações significativas. Apoiadores da proposta, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), classificam o projeto um marco histórico na defesa dos direitos das crianças no ambiente digital.

    Projeto endurece regras para dificultar exploração de menores pela internet.

    Projeto endurece regras para dificultar exploração de menores pela internet. Karime Xavier/Folhapress,

    Mas o que exatamente propõe o projeto? Em meio ao debate polarizado sobre liberdade de expressão, regulação da tecnologia e responsabilidades familiares, a proposta avança com medidas robustas de prevenção, fiscalização e punição. A seguir, os principais e mais impactantes pontos da proposta:

    1. Prevenção desde a concepção: plataformas terão que proteger crianças por padrão

    Uma das inovações centrais do ECA Digital é a imposição de “design responsivo à infância”: produtos e serviços digitais que possam ser acessados por crianças e adolescentes devem ser desenvolvidos com medidas preventivas desde o início de sua concepção.

    As plataformas, como redes sociais, jogos, aplicativos e lojas digitais, terão de adotar o nível mais elevado de proteção por padrão, restringindo, por exemplo:

    • Recomendação e exibição de conteúdos pornográficos ou violentos;
    • Conteúdos que estimulem suicídio, automutilação, uso de drogas ou distúrbios alimentares;
    • Práticas publicitárias enganosas ou predatórias voltadas a menores;
    • Promoção de jogos de azar, bebidas alcoólicas e tabaco;
    • Uso compulsivo por meio de mecanismos como rolagem infinita, recompensas virtuais ou notificações excessivas.

    Essa lógica de “prevenção pelo design” inverte a abordagem até então dominante, que atribuía apenas às famílias a responsabilidade de restringir conteúdos prejudiciais.

    2. Supervisão parental será obrigatória e com ferramentas padronizadas

    O projeto reforça o protagonismo das famílias, mas impõe às plataformas a obrigação de fornecer ferramentas eficazes de supervisão parental. Essas ferramentas devem permitir aos pais:

    • Controlar o tempo de uso;
    • Monitorar interações com adultos;
    • Restringir compras e transações financeiras;
    • Visualizar métricas de uso e configurar a privacidade da conta da criança;
    • Receber alertas em tempo real e configurar a conta em português.

    Além disso, as configurações de segurança devem vir ativadas no nível mais protetivo por padrão, cabendo aos responsáveis a opção de flexibilizá-las, e não o contrário. Essa inversão garante maior segurança para as famílias menos familiarizadas com tecnologia.

    3. Verificação de idade: autodeclaração não será mais suficiente

    Outro ponto forte da proposta é a proibição de autodeclarações de idade como critério único de acesso. Plataformas deverão adotar mecanismos técnicos confiáveis para aferir a idade dos usuários, incluindo:

    • Restrições para criação de contas em redes sociais por menores de 16 anos sem a vinculação a um responsável;
    • Proibição do download de certos aplicativos sem autorização expressa dos pais;
    • Suspensão de contas em caso de indícios de que estão sendo operadas por menores de forma irregular;
    • Interfaces (APIs) seguras que comuniquem a faixa etária do usuário aos serviços conectados.

    Esses sistemas, no entanto, não poderão comprometer a privacidade: os dados coletados para verificação de idade só poderão ser utilizados para essa finalidade específica, vedado seu uso comercial.

    4. Redes sociais e jogos online terão regras específicas e mais rígidas

    Redes sociais, especialmente, passam a ter responsabilidade legal sobre contas de menores. O texto determina que:

    • Plataformas devem informar claramente se seus serviços são inadequados para menores;
    • Precisam aprimorar seus sistemas de verificação de idade continuamente;
    • Devem garantir que crianças até 16 anos estejam vinculadas a contas de responsáveis;
    • São proibidas de criar perfis comportamentais com dados de menores para fins publicitários.

    Jogos eletrônicos, por sua vez, são alvo de regulamentação inédita: passam a ter limites para uso de “caixas de recompensa” (as chamadas loot boxes), com proibição de vantagens desproporcionais mediante pagamento, além de exigência de transparência sobre as probabilidades de prêmios e a vedação da conversão dos itens em dinheiro ou créditos reais.

    Interações entre jogadores, como chats e mensagens, também estarão sujeitas às normas de moderação previstas no projeto.

    5. Fiscalização, sanções e transparência: quem descumprir a lei pagará caro

    O ECA Digital cria uma autoridade autônoma de fiscalização, inspirada no modelo das agências reguladoras, que será responsável por editar normas e fiscalizar o cumprimento da lei. O texto também prevê:

    • Multas de até R$ 50 milhões por infração;
    • Suspensão temporária ou definitiva de serviços;
    • Relatórios semestrais obrigatórios por parte de plataformas com mais de 1 milhão de usuários menores no Brasil;
    • Obrigatoriedade de comunicação de casos de exploração sexual, sequestro ou aliciamento infantil às autoridades competentes.

    Outro destaque é o mecanismo de notificação de conteúdos ofensivos, que poderá ser acionado por vítimas, familiares, o Ministério Público ou entidades defensoras da infância, com obrigação de remoção sem ordem judicial, desde que sejam cumpridos os critérios legais.

    Ainda assim, o projeto deixa claro que não se aplicará a conteúdos jornalísticos ou sob controle editorial, e proíbe expressamente qualquer forma de vigilância massiva, genérica ou indiscriminada.

    Governo e oposição

    Parlamentares de diferentes espectros ideológicos, de Bia Kicis (PL-DF) a Talíria Petrone (Psol-RJ), de Lindbergh Farias (PT-RJ) a Kim Kataguiri (União-SP), elogiaram o texto final, considerado mais equilibrado, técnico e menos propenso a abusos do que versões anteriores. A oposição alegava que a versão anterior poderia ameaçar a liberdade de expressão, o que sempre foi negado pelo relator e pelo autor da proposta.

    “A sociedade nos empurrou para essa votação. As big techs também têm responsabilidade”, disse a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP). Já o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmou que “na defesa de crianças e adolescentes não há bandeira partidária”.

    Efeito Felca

    O tema ganhou destaque depois das denúncias do influenciador Felca, que revelou a circulação de conteúdos de sexualização infantil disfarçados de entretenimento em plataformas digitais.

    O episódio gerou forte comoção, mobilizou parlamentares com a apresentação de dezenas de projetos e levou até à coleta de assinaturas para a criação de uma CPI no Senado. Principal alvo da denúncia de Felca, o influenciador Hytalo Santos foi preso na última sexta-feira (15) sob a acusação de exploração sexual infantil e tráfico humano. Representantes das plataformas, além do próprio autor das denúncias, foram convidados a tratar do assunto no Senado.

  • Moraes impõe cautelares a Malafaia por coação e obstrução de justiça

    Moraes impõe cautelares a Malafaia por coação e obstrução de justiça

    O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deferiu a realização de busca pessoal e a aplicação de medidas cautelares em desfavor do pastor Silas Malafaia. A decisão, proferida na PET 14.305, fundamentou-se em representação apresentada pela Polícia Federal e em manifestação favorável da PGR.

    Malafaia é alvo de investigação por possível envolvimento em delitos de coação no curso do processo (artigo 344 do Código Penal), obstrução de investigação relacionada a organização criminosa (Lei 12.850/2013) e abolição violenta do Estado Democrático de Direito (artigo 359-L do Código Penal). As apurações decorrem do INQ 4.995, que investiga as condutas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A PF apresentou, em sua representação, trocas de mensagens entre Malafaia e Jair Bolsonaro, ocorridas após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

    As mensagens, segundo a PF, indicariam a articulação de uma campanha para condicionar o fim das sanções à concessão de anistia a pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro de 2023. Em uma das mensagens, Malafaia declara que “a próxima retaliação vai ser contra ministros do STF e suas famílias. Vão dobrar a aposta apoiando o ditador? DUVIDO!”.

    Em áudios e textos, o pastor teria orientado Bolsonaro a condicionar a suspensão das tarifas à anistia, sugerindo a gravação de vídeos para “viralizar” a narrativa. Em um trecho, ele afirma que “tem que pressionar o STF dizendo que se houver uma anistia ampla e total, a tarifa vai ser suspensa.”

    Moraes impõe cautelares contra Silas Malafaia.

    Moraes impõe cautelares contra Silas Malafaia.Agência Enquadrar/Folhapress

    A PGR, em seu parecer, sustenta que Malafaia atuou como “orientador e auxiliar” nas ações de coação e obstrução promovidas por Jair e Eduardo Bolsonaro, com o intuito de interferir no andamento da Ação Penal (AP) 2668, na qual o ex-presidente figura como réu por tentativa de golpe de Estado. O julgamento desta ação está previsto para iniciar-se em 2 de setembro.

    Em sua decisão, o ministro Alexandre de Moraes ressaltou que, conforme relatado pela PF, as condutas de Silas Malafaia em conjunto com Jair Bolsonaro configuram “claros e expressos” atos executórios, em especial dos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa.

    Segundo o relator, os elementos de prova indicam que as condutas de Malafaia influenciam diretamente o investigado Jair Bolsonaro, resultando em ações concretas, inclusive na postagem de conteúdos nas redes sociais previamente combinados.

    Milícias digitais

    O ministro enfatiza, ainda, a existência de “fortes evidências” de que o investigado “atua na construção de uma campanha criminosa orquestrada, destinada à criação, produção e divulgação de ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal”. Tais condutas, segundo o ministro, assemelham-se às apuradas no INQ 4.874, que investiga a atuação de milícias digitais.

    Além da busca e apreensão, o ministro Alexandre de Moraes impôs medidas cautelares a Malafaia, incluindo a proibição de comunicação, por qualquer meio, com outros investigados e réus nas ações penais e inquéritos que apuram tentativa de golpe de Estado e obstrução de justiça, incluindo Jair e Eduardo Bolsonaro.

    O pastor está proibido de deixar o país e deve entregar todos os passaportes (nacionais e estrangeiros) em 24 horas.

    Malafaia deverá prestar depoimento imediato à Polícia Federal. Também a pedido da PGR, a PF foi autorizada a acessar dispositivos eletrônicos apreendidos e a quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico do investigado. A Polícia Federal terá 15 dias para apresentar um relatório parcial sobre o material apreendido.

    Veja a decisão na íntegra.

  • Após indiciamento, STF dá 48h para Bolsonaro se explicar

    Após indiciamento, STF dá 48h para Bolsonaro se explicar

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (20) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresente explicações, no prazo de 48 horas, sobre trechos do relatório da Polícia Federal (PF) que apontam o risco de fuga do país e descumprimentos reiterados de medidas cautelares impostas pela Corte.

    A decisão de Moraes ocorre no mesmo dia em que Bolsonaro e o filho dele, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados pela PF sob suspeita de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, no âmbito das investigações da trama golpista que tentou reverter o resultado das eleições de 2022.

    Eduardo e Jair Bolsonaro foram indiciados pela PF.

    Eduardo e Jair Bolsonaro foram indiciados pela PF.Vitor Souza/Agencia Enquadrar/Folhapress

    Pedido de asilo a Milei

    Entre os elementos destacados pela PF está a descoberta de uma carta encontrada no celular de Jair Bolsonaro dirigida ao presidente da Argentina, Javier Milei, na qual o ex-presidente solicita asilo político. Segundo os investigadores, o documento foi produzido pela esposa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e salvo no aparelho do pai em 10 de fevereiro de 2024, apenas dois dias após a deflagração da Operação Tempus Veritatis, que apura a participação de militares e civis em uma conspiração golpista.

    Moraes afirmou que a existência do pedido de asilo reforça o risco de fuga e evidencia a intenção de Bolsonaro de se esquivar das investigações. “Intime-se a defesa de Jair Messias Bolsonaro para que, no prazo de 48 horas, preste esclarecimentos sobre os reiterados descumprimentos das medidas cautelares impostas, a reiteração das condutas ilícitas e a existência de comprovado risco de fuga”, escreveu o ministro.

    Violações de cautelares

    No despacho, Moraes também citou descumprimentos sistemáticos das restrições determinadas pelo STF, como a proibição de uso de redes sociais e contatos com aliados políticos. De acordo com a PF, Bolsonaro manteve trocas de mensagens com o pastor Silas Malafaia, o advogado americano Martin de Luca e o ex-ministro da Defesa e candidato a vice em 2022, Walter Braga Netto. Além disso, continuou a alimentar grupos digitais com mensagens políticas, em “clara afronta” às ordens judiciais.

    Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, medida decretada pelo Supremo após sucessivas violações de cautelares. Diferente de decisões anteriores, Moraes não afirmou neste despacho que o descumprimento poderia levar ao endurecimento das restrições, mas o risco segue em análise.

    Indiciamento pela PF

    Em paralelo, a Polícia Federal concluiu o relatório da investigação sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior. Segundo os agentes, o deputado deixou suas atividades parlamentares em fevereiro e mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a articular, junto ao governo de Donald Trump, medidas de retaliação contra o Brasil. Entre as iniciativas defendidas, estavam a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky contra ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes.

    O relatório aponta que Jair Bolsonaro enviou ao filho R$ 2 milhões, oriundos de uma campanha de arrecadação via Pix que recebeu mais de R$ 18 milhões em doações de apoiadores, para custear sua estadia no exterior. A PF concluiu que pai e filho atuaram de forma coordenada para pressionar o Supremo e tentar interferir nas investigações da tentativa de golpe de Estado.

    Reações e próximos passos

    A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, recebeu as conclusões da PF e deve decidir nas próximas semanas se apresentará denúncia contra Jair e Eduardo Bolsonaro.

    Enquanto isso, a situação política de Eduardo se agrava: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à Comissão de Ética pedido de cassação do mandato do deputado, com base em representações apresentadas por PT e Psol.

    Jair Bolsonaro é réu em outra ação penal no STF que trata do núcleo central da trama golpista de 2022. O julgamento está marcado para 2 de setembro e colocará o ex-presidente e sete de seus principais aliados no banco dos réus por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

    Até a conclusão desta reportagem, a defesa de Jair Bolsonaro não havia se manifestado sobre a intimação de Moraes nem sobre o indiciamento. Eduardo, por sua vez, classificou a investigação como um “crime absolutamente delirante” e criticou o que chamou de vazamento de conversas privadas entre pai e filho.

  • Projeto propõe agravantes em penas de condenados por crime organizado

    Projeto propõe agravantes em penas de condenados por crime organizado

    Com o objetivo de fortalecer o combate ao crime organizado transnacional, o deputado Capitão Alden (PL-BA) apresentou o projeto de lei 4025/2025, que propõe aumento da pena para associação criminosa possuir participação de crianças ou adolescentes, ou se vinculada a organizações criminosas estrangeiras, grupos terroristas transnacionais ou cartéis internacionais de drogas. A proposta altera o Código Penal, previsto no Decreto-Lei 2848/1940.

    No primeiro caso, de armada de menores de idade, a pena pode ser elevada em até metade. Já na segunda situção, o aumento é elegível em até dois terços. O projeto também altera a Lei 12850/2023 ao prever agravante de um sexto a dois terços se houver utilização de pessoas como escudo humano em confrontos com agentes de segurança; promoção de bloqueios, barricadas ou obstruções para impedir a atuação das forças de segurança; ataques coordenados a infraestruturas estratégicas, como bases policiais, instituições financeiras, veículos de transporte de valores ou instalações públicas; ou execuções públicas ou atos de terror psicológico com divulgação midiática para intimidar a população.

    Capitão Alden (PL-BA), autor do projeto.

    Capitão Alden (PL-BA), autor do projeto.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O parlamentar argumenta: “Essas organizações expandiram suas atividades para além do tráfico local, estabelecendo vínculos com cartéis internacionais de drogas, grupos terroristas transnacionais e outras organizações criminosas estrangeiras, o que amplia sua capacidade de financiamento, violência e impacto social”. Segundo Alden, o projeto “fortalecerá o aparato legal brasileiro, proporcionando instrumentos mais eficazes para o combate ao crime organizado transnacional”.

    A proposta aguarda o encaminhamento para análise das comissões.

    Veja a íntegra.

  • Eduardo ataca Tarcisio e xinga Bolsonaro: “VTNC, seu ingrato do c…”

    Eduardo ataca Tarcisio e xinga Bolsonaro: “VTNC, seu ingrato do c…”

    As mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) no celular de Jair Bolsonaro (PL) escancaram uma crise política e familiar no coração do bolsonarismo. O relatório final, que levou ao indiciamento do ex-presidente e de seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por tentativa de coação no processo do golpe, mostra como interesses pessoais, disputas de poder e articulações internacionais se entrelaçaram na tentativa de evitar a condenação de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo e Jair foram indiciados pela PF por coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

    Eduardo, Malafaia, Jair Bolsonaro e Tarcisio de Freitas em ato em 7 de setembro de 2024, em São Paulo.

    Eduardo, Malafaia, Jair Bolsonaro e Tarcisio de Freitas em ato em 7 de setembro de 2024, em São Paulo. Bruno Santos/ Folhapress

    Conflito aberto entre pai e filho

    As trocas de mensagens revelam um Eduardo Bolsonaro explosivo, ressentido e disposto a afrontar o próprio pai. O estopim foi uma entrevista de Bolsonaro ao portal Poder360, em 15 de julho, na qual o ex-presidente classificou o filho como “não tão maduro, talhado para a política”.

    A resposta veio em tom de fúria:

    “VTNC SEU INGRATO DO C…! Se o IMATURO do seu filho de 40 anos não puder encontrar com os caras aqui, PORQUE VC ME JOGA PRA BAIXO, quem vai se f… é vc e VAI DECRETAR O RESTO DA MINHA NESTA P… AQUI. TENHA RESPONSABILIDADE!”, escreveu Eduardo.

    Horas depois, arrependido, o deputado pediu desculpas. Mas a tensão seguiu latente. O filho ironizou pesquisas eleitorais enviadas por Bolsonaro, que mostravam Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro à frente de Lula em 2026, e alertou sobre a narrativa de que o governador paulista seria o herdeiro natural do bolsonarismo. “Precisamos segurar isso para nos mantermos vivos aqui”, escreveu Eduardo.

    Tarcísio no alvo de Eduardo

    Os ataques ao governador de São Paulo são recorrentes nas mensagens. Eduardo acusa Tarcísio de “ficar de braços cruzados vendo vc se f… e se aquecendo para 2026” e de tentar se passar por “salvador da pátria”.

    A rivalidade ficou ainda mais evidente em 11 de julho, quando Tarcísio almoçou com Bolsonaro em Brasília e se reuniu com Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos.

    Eduardo reagiu de imediato. “Se quiser acessar a Casa Branca ele não conseguirá. Só eu e o Paulo Figueiredo temos acesso.”

    Segundo a PF, o deputado buscava se colocar como interlocutor exclusivo do governo Trump, uma posição estratégica para influenciar medidas como a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. Para os investigadores, essa tentativa de monopolizar o contato com os EUA mostra o esforço de Eduardo em transformar a defesa do pai em uma bandeira pessoal, e em plataforma eleitoral para 2026.

    Malafaia: aliado e crítico

    O relatório também expõe o papel ambíguo do pastor Silas Malafaia. Em algumas mensagens, ele se apresenta como conselheiro leal, tentando conter atritos entre pai e filho. Em outras, dispara contra Eduardo, a quem chamou de “babaca inexperiente” e “idiota”.

    “A faca e o queijo estão na tua mão, cacete, e nós não podemos perder isso, pô. E vem o teu filho babaca falar merda, dando discurso nacionalista, que eu sei que você não é a favor isso. Dei um esporro, cara, mandei um áudio para ele de arrombar. E disse para ele: ‘a próxima que você fizer, eu gravo um vídeo e te arrebento’. Falei para o Eduardo.”

    Malafaia criticou duramente Bolsonaro por, supostamente, ter pedido que Tarcísio fosse à embaixada americana. “Se Tarcísio foi à embaixada a pedido seu, você cometeu o maior erro político da sua vida”, escreveu em 11 de julho.

    Mesmo assim, dias depois, saiu em defesa de Eduardo: “Você batendo no teu filho, que está falando com os principais assessores de Donald Trump, aí você errou, mas errou feio”.

    O pastor virou alvo da PF: teve celular e passaporte apreendidos, foi proibido de sair do Brasil e é apontado por Moraes como parte de uma campanha criminosa de ataques ao STF no contexto das chamadas “milícias digitais”.

    Os bastidores do plano

    Além das brigas internas, o relatório da PF revela a profundidade da estratégia bolsonarista para tentar escapar da Justiça:

    • Pedido de asilo político na Argentina: rascunho encontrado no celular de Bolsonaro direcionado a Javier Milei.
    • Anistia “light”: Eduardo defendia uma proposta que beneficiaria apenas Bolsonaro, deixando de fora outros réus do 8 de janeiro.
    • Lobby internacional: o deputado insistia para que Trump e aliados sancionassem autoridades brasileiras, como Moraes, para aumentar a pressão.
    • Descumprimento de medidas cautelares: Bolsonaro trocou de celular e continuou ativo nas redes, com ajuda de Malafaia.
    • Esquema financeiro paralelo: uso de contas das esposas de Jair e Eduardo (Michelle e Heloísa) para movimentar recursos.
    • Contato com Rumble e Trump Media: articulação com o advogado norte-americano Martin de Luca para alinhar narrativas contra o STF.

    O que está em jogo

    O relatório da PF mostra que, mais do que um embate familiar, há uma disputa aberta pela liderança do bolsonarismo no pós-2026. De um lado, Tarcísio de Freitas aparece como nome viável eleitoralmente, moderado o suficiente para dialogar com o sistema. Do outro, Eduardo tenta se impor como herdeiro direto do pai, com o aval de Trump e da ala mais radical do movimento.

    A crise se agrava em meio ao cerco judicial: Jair e Eduardo foram indiciados, Malafaia é alvo de operação, e novas provas reforçam a suspeita de que houve tentativa deliberada de abolição da democracia.

    Em nota nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro disse que sua atuação nos EUA “jamais teve como objetivo interferir em qualquer processo em curso no Brasil” e acusou a PF de usar “conversas privadas” para desgastar a família. O governador Tarcísio de Freitas, apontado como potencial sucessor do bolsonarismo, não se manifestou até a publicação desta reportagem.